A realização de eventos religiosos na região pode favorecer uma maior transmissão do vírus, em 2025, cerca de 1,6 milhões de crianças não receberam nenhuma dose da vacina contra o sarampo nas Américas
As
infecções por sarampo nas Américas quase subiram cinco vezes mais em 2026, com
pelo menos 55.792
casos confirmados e 77 mortes, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde,
Opas.
Diante
da realização de vários eventos religiosos na América do Sul, o aumento da
circulação de pessoas e as lacunas na vacinação podem favorecer uma maior
transmissão do vírus. A situação reforça a necessidade de intensificar os
esforços de imunização e vigilância.
A Guatemala concentra o maior
número de casos
A nova
avaliação regional da Opas classifica como “muito elevado” o risco de
propagação do vírus, tendo em conta a chegada de milhares de pessoas a eventos
religiosos de grande dimensão na Argentina, no Peru e no Uruguai.
Entre
4 de janeiro e 3 de outubro deste ano foram notificados quase 55,8 mil casos
confirmados de sarampo e 77 óbitos em 17 países e territórios da região. Este
balanço representa um aumento de 4,8 vezes face ao número de casos registrados
no período homólogo de 2025.
A
Guatemala registou o maior número de infecções na região, seguida pelo México,
pelos Estados Unidos, pelo Peru e pelo Canadá. Estes cinco países concentram
99,5% dos casos confirmados, ou cerca de 55,5 mil casos. No Brasil, o relatório
dá conta de pelo menos 39 casos notificados.
Casos de sarampo aumentam em
todo o mundo
O
sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa, podendo espalhar-se
rápido quando o vírus é introduzido em populações com baixa imunidade,
especialmente em locais com grande concentração de pessoas.
De
acordo com a Opas, o aumento global dos casos de sarampo em 2026 eleva a
probabilidade de casos importados, associados a viagens internacionais, e de
transmissão em comunidades mais vulneráveis.
O
relatório assinala também um aumento da mortalidade em 2026, face a 2025, com
um impacto desproporcionado nas populações indígenas, que enfrentam níveis
elevados de subnutrição e têm acesso limitado aos serviços de saúde.
Vacinação é a principal
proteção contra o vírus
No ano
passado, a primeira dose da vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola alcançou
88% da população-alvo nas Américas. A segunda dose atingiu apenas 85%, abaixo
da cobertura de 95% necessária para prevenir os surtos.
A Opas
estima ainda que cerca de 1,6 milhões de crianças não receberam nenhuma dose da
vacina contra o sarampo nas Américas em 2025.
As
lacunas na vacinação decorrem de fatores como os atrasos na imunização
acumulados durante a Covid-19, a hesitação vacinal em algumas comunidades e as
barreiras de acesso aos serviços de saúde.
Apenas
cerca de 25% dos 43 países e territórios que comunicaram dados atingiu a
cobertura vacinal necessária. A Opas lembra que a vacinação continua a ser a
principal forma de proteção contra o sarampo.
Opas apela a esforços de
prevenção
Perante
a realização dos próximos eventos religiosos, a Opas recomendou às pessoas que
planeiam viajar que verifiquem o seu estado vacinal, mesmo quando a deslocação
é realizada no próprio país de residência.
O
gestor executivo do Programa Especial de Vacinação Integral da Opas, Daniel
Salas, recomendou que as pessoas que não disponham de comprovativo de vacinação
recebam uma dose da vacina contra o sarampo e a rubéola, preferencialmente duas
semanas antes da viagem.
Contudo,
vacinar apenas os viajantes não será suficiente. A Opas também instou os
governos a intensificarem as campanhas de imunização, a detetarem rapidamente
casos suspeitos e a reforçarem o rastreio de contactos para evitar a propagação
do vírus a novas comunidades. ONU News – Nações Unidas
