Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Portugal - Trabalho do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde sobre cancro gástrico premiado no Reino Unido

Catarina Marques participou na «89th Harden Conference - Proteoglycans: Matrix Master Regulators», graças a duas bolsas internacionais e trouxe para o Porto o prémio de melhor poster


O estudo dos mecanismos que regulam os açúcares à superfície das células de cancro gástrico com o objetivo de perceber a progressão desta doença oncológica valeu a Catarina Marques, estudante do Programa Doutoral em Biologia Molecular e Celular (MCBiology) da Universidade do Porto, a conquista de duas bolsas internacionais para apresentar o seu trabalho na prestigiada «89th Harden Conference – Proteoglycans: Matrix Master Regulators», evento de onde trouxe o prémio de melhor poster.

A desenvolver investigação no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), Catarina Marques participou nesta conferência organizada pela Biochemical Society e pela British Society for Matrix Biology (BSMB) no âmbito de uma bolsa da acção COST INNOGLY e de uma Bolsa Harden, financiada pela Biochemical Society.

No Reino Unido, Catarina Marques teve oportunidade de apresentar uma «flash talk» e um poster e de “ouvir e aprender com especialistas da área dos glicosaminoglicanos e proteoglicanos e discutir o trabalho que estamos a desenvolver com investigadores que admiro bastante”.

Receber um prémio de melhor poster numa conferência com esta dimensão, acrescenta Catarina Marques, “foi o culminar de uma experiência que, por si só, já teria sido fantástica. Além disso, incentiva-me a manter o foco e o empenho para encarar os próximos desafios”.

O trabalho de doutoramento de Catarina Marques está a ser desenvolvido no grupo do i3S «Glycobiology in Cancer», liderado por Celso Reis, sob orientação de Ana Magalhães, investigadora do i3S e docente do ICBAS, e do investigador Romain Vivès, do Institut de Biologie Structurale, da Grenoble University, em França

“Estamos a estudar novas enzimas que participam na modificação das cadeias de açúcares existentes à superfície das células e que foram descritas como estando alteradas no contexto de cancro gástrico», revela a jovem investigadora, sobre o seu trabalho.

O objetivo, adianta Catarina Marques, “é compreender de que modo estas alterações açúcares influenciam o desenvolvimento da doença e, adicionalmente, determinar assinaturas de glicosilação associados à doença”. Universidade do Porto - Portugal



Macau – BNU recebe delegação de bancos centrais de países de língua portuguesa

A convite da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), uma delegação de representantes dos bancos centrais dos países de língua portuguesa esteve recentemente de visita à sede da BNU, uma visita que “evidenciou as relações de longa data entre o BNU e a AMCM” e o “papel do BNU como banco emissor e a sua forte presença no sector financeiro” na RAEM. Em nota, o banco acrescentou ainda que durante a visita, que contou com uma exposição das notas emitidas pelo BNU e a evolução histórica e presença do banco no território, o director geral Carlos Cid Alvares agradeceu a visita da delegação.


“O BNU tem uma forte reputação no meio local e uma relação histórica profundamente enraizada na comunidade, posicionando-se como um banco com uma presença proeminente no mercado de retalho, a par do apoio activo ao crescimento das PME locais”, destacou o representante do BNU. Já Rui Gomes, director executivo do banco, esclareceu os presentes sobre a posição do banco no Grupo CGD e do seu papel fundamental como plataforma de negócios entre Macau, a China, a Área da Grande Baía e, em particular, os Países de Língua Portuguesa.

A sessão culminou com uma visita à recém-renovada Agência Central do BNU, no cruzamento entre as avenidas Almeida Ribeiro e Praia Grande, onde os convidados “tiveram a oportunidade de testemunhar em primeira mão as modernas instalações do banco e a dedicação dos seus colaboradores na prestação de serviços bancários de excelência” indicou ainda a mesma nota. A visita desta delegação, destacou o BNU, serviu para reforçar ainda mais os laços com as entidades reguladoras, “abrindo caminho a futuras colaborações. In “Ponto Final” - Macau


Timor-Leste - Governo extingue município de Ataúro menos de dois anos após a sua criação

O Governo timorense extinguiu o município de Ataúro, menos de dois anos depois da sua criação, apesar de manter a ilha como uma divisão administrativa de primeiro grau, anunciou o executivo em comunicado


As mexidas, aprovadas em Conselho de Ministros, cumprem uma das promessas do programa do Governo, criando “uma nova divisão administrativa definidora do estatuto jurídico-administrativo do território da ilha de Ataúro”, nomeadamente “uma nova circunscrição administrativa de primeiro escalão denominada de Ataúro”.

A decisão, na prática, remove os condicionalismos da organização administrativa tradicionalmente aplicada aos municípios, mantendo, segundo o Governo, o que está definido na Constituição, que indica que Ataúro “goza de tratamento administrativo e económico especial”.

Assim, a nova divisão administrativa do país passa, no primeiro escalão, a ser formada pelos municípios de Aileu, Ainaro, Baucau, Bobonaro, Covalima, Díli, Ermera, Lautém, Liquiçá, Manatuto, Manufahi e Viqueque, a Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA) e Ataúro. No segundo escalão continuam os postos administrativos.

A mudança aprovada elimina igualmente os sucos “como referente integrante da definição das circunscrições administrativas na divisão administrativa do território”, já que, segundo o Governo, os sucos são “pessoas coletivas públicas de base associativa, integradas na Administração Autónoma, matéria que nada tem que ver com a divisão administrativa do território”.

Paralelamente, o Governo alterou a legislação sobre os recursos materiais e incentivos financeiros das lideranças comunitárias, criando o serviço de administração do Suco, como serviço administrativo de apoio ao chefe de suco.

Ataúro, que anteriormente fazia parte do município de Díli, foi transformado em município em Janeiro de 2022, pelo anterior Governo, para “minimizar os efeitos (…) do isolamento geográfico das populações”, garantindo “melhor acesso à prestação de serviços e bens públicos, e maiores oportunidades de participação democrática dessas populações na atividade da Administração Pública”.

Ataúro possui uma área geográfica de 140,5 quilómetros quadrados e uma população de 7832 pessoas. A separação de Ataúro foi discutida, pontualmente, por vários anteriores executivos.

Apesar da relativa proximidade a Díli, cerca de 30 quilómetros, Ataúro continua a sentir as dificuldades do isolamento, com problemas regulares no abastecimento de eletricidade e água, estradas e infraestruturas precárias e outros desafios.

Fontes do executivo explicaram à Lusa que depois da aprovação desta mexida na lei de divisão administrativa do território, que tem agora de passar pelo Parlamento Nacional, o Governo vai definir o formato administrativo a aplicar em Ataúro e a forma como a ilha se integrará na Zona Especial de Economia Social de Mercado (ZEESM), de que faz ainda parte o enclave de Oecusse-Ambeno. In “Ponto Final” - Macau com “Lusa”


segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Professora da Universidade de Coimbra nomeada para representar Portugal em programa da UNESCO

Helena Freitas, professora do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) foi nomeada como representante nacional do programa Man and the Biosphere (MAB) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).


«É com grande entusiasmo que representarei Portugal no Conselho Coordenador Internacional do Programa MAB (UNESCO) por nomeação do Ministro do Ambiente e da Ação Climática. Esta é uma oportunidade para acompanhar e participar no desenvolvimento futuro do programa “O Homem e a Biosfera”», afirma Helena Freitas.

«A conservação dos valores naturais em harmonia com as atividades humanas, tendo em vista a prosperidade e bem-estar das pessoas e das comunidades, é o desígnio que levou a que mais de 190 países incumbissem a UNESCO de criar e promover este programa, conhecido por programa MAB, há exatamente 50 anos. Uma decisão histórica e visionária da UNESCO, afirmando uma estratégia de desenvolvimento pioneira na senda de uma sustentabilidade planetária», assegura a bióloga.  

De acordo com a docente da FCTUC, o programa MAB está na base da constituição das 749 reservas da biosfera hoje classificadas em 134 países, territórios justamente considerados laboratórios vivos de sustentabilidade. A sua salvaguarda é parte de uma vontade universal para a conservação dos ecossistemas naturais e dos serviços que prestam à humanidade, integrando as comunidades e a atividade económica, numa coexistência pacífica e dialogante, visando o bem-estar e a prosperidade sustentável dos territórios em que se inserem. Universidade de Coimbra - Portugal

Para saber mais informações aceda à página do MAB.


Portugal - Correia da Serra, um sábio entre os sábios

Conviveu com os grandes cientistas da sua época e com intelectuais e políticos proeminentes das principais capitais da Europa e dos Estados Unidos. As comemorações do segundo centenário da morte desta personalidade do maior protagonismo permitem evocar a relação com açoreanos de prestígio local e outros de projeção nacional e internacional. (Texto originalmente publicado no Diário dos Açores, edição de 24 de Setembro de 2023, p. 6 da coluna Opinião)


Um novo ciclo se iniciou em Portugal com a Revolução de 1820. Refletiu a corajosa determinação de substituir as conceções absolutistas, por estruturas políticas, sociais e culturais que fundamentaram um novo regime em que todos podem ouvir a sua voz, desde que se possam concretizar as liberdades, direitos e garantias constitucionais. Houve o contributo decisivo dos que permaneciam no exílio, submetidos às contingências do ostracismo e da solidão; e de outros, dentro de Portugal, que se empenharam na mesma luta, mas agindo com a reserva e a discrição impostas pelo sigilo.

José Francisco Correia da Serra, cujo segundo centenário da morte agora se completou, tem, finalmente, comemorações nacionais em torno da sua vida agitada e da sua obra exemplar. Nasceu em Serpa, a 5 de junho de 1751 e faleceu nas Caldas da Rainha, a 11 de setembro de 1823, quando ali se recorria ao tratamento termal. Ali ficou sepultado, sem que lhe prestassem as devidas homenagens.

Um dos seus biógrafos, Augusto da Silva Carvalho (1861-1957), catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa, reconstituiu o percurso de Correia da Serra, nas Memórias da Academia das Ciências (1948), divulgando fatos e documentos que permitiram ampliar as investigações. É o caso de Michael Teague, em 1997, no texto de apresentação do catálogo dos manuscritos arquivados na Torre do Tombo, e que possibilitaram a retificação e o acréscimo de questões primordiais. O Prof Dr. José Luís Cardoso, presidente da Academia das Ciências. – que me alertou para esta circunstância – proferiu, no dia 15 de Setembro, no salão nobre da Academia das Ciências, uma comunicação sobre As origens do programa científico de Correia da Serra. Trata-se de mais um contributo fundamental de José Luís Cardoso que já se ocupara do livro do Richard Beale Davis que revelou a correspondência com Jefferson e outros protagonistas da vida americana. Este livro, com uma introdução de José Luís Cardoso, foi traduzido com o patrocínio da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e editado, em 2013, pela Imprensa de Ciências Sociais.

A obra Cidadão do mundo: uma biografia científica do Abade Serra (Porto Editora, 2006) escrita por Ana Simões, Maria Paula Diogo e Ana Carneiro abriu novas perspectivas de conhecimento e de análise crítica. Na reabertura do ano académico de 2023/2024, Maria Paula Diogo dissertou, na Academia das Ciências acerca da História, Botânica e Geologia na obra do Abade Correia da Serra. Recapitulou alguns aspetos já destacados numa obra que revisitou, exaustivamente: os biógrafos e biografias de Correia da Serra; a juventude em Itália; o regresso às origens; o refúgio em Londres; os amores em Paris; o período americano; e, por último, o reencontro com Portugal.

É de mencionar Ilídio do Amaral, autor de Estudos preliminares de inéditos juvenis de José Correia da Serra. A propósito do Catalogue raisonné des voyageurs de ma bibliothèque (1769) (Edição Colibri, 2012), coloca-nos perante a evolução de um cientista internacional, como o atestam os depoimentos de vários sábios seus contemporâneos e as numerosas instituições científicas que o acolheram. Todavia, Ilídio do Amaral não deixou de lembrar que, “após o triunfo da revolução liberal, retomou o lugar de Secretário da Academia, foi deputado às Cortes (1822-1823) e desempenhou altos cargos, na Maçonaria, no Grande Oriente Lusitano”.

Numa retrospectiva sumária podemos aludir que José Francisco Correia da Serra era filho de Luís Dias Correia, médico formado na Universidade de Coimbra, que se radicou em Itália, a fim de escapar às garras da Inquisição. José Francisco Correia da Serra tinha apenas 6 anos. Em Roma licenciou-se em direito canónico e optou pela vida religiosa. Ficou a ser amigo de D. João Carlos de Bragança, Duque de Lafões, que conhecera o pai, na altura em que ambos frequentaram a Universidade de Coimbra.

Já com o título abade Correia da Serra, regressou a Portugal. Possuía o total apoio do Duque de Lafões. Um ano depois, juntamente com D. João Carlos de Bragança fundaram a Real Academia das Ciências de Lisboa. Sucederam-se as perseguições movidas pelo Intendente Pina Manique. Abandonou o país para se fixar, alguns anos depois de exercer o cargo de secretário geral da Academia das Ciências. Esteve ao corrente da concessão de bolsas de estudos na Europa para jovens membros da Academia, tais como os brasileiros Manuel Ferreira da Câmara e José Bonifácio de Andrada e Silva, que impulsionaram a independência do Brasil.


Envolvido em novos problemas políticos, decidiu instalar-se no Reino Unido. Pelos seus altos méritos ingressou na Royal Society e na Sociedade Lineana de Londres. Operou-se, em 1801, uma mudança inesperada na política portuguesa: Rodrigo de Sousa Coutinho foi designado Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. Correia da Serra passou a ser secretário da representação diplomática portuguesa em Londres. Enquanto esteve em Paris, colaborou com os enciclopedistas, nomeadamente, com Antoine Laurent de Jussieu, Alexander Von Humboldt e Georges Cuvier.

Mas, por ocasião da terceira invasão francesa em Portugal, terá sido instigado a subscrever um documento para justificar a política napoleónica. Ao recusar, terminantemente, Correia da Serra, mais uma vez, viu-se obrigado a procurar o exílio político, no estado americano da Virgínia. Chegou, em 1812, a Washington, com cartas de recomendação, de individualidades francesas, com influência na política americana. Uma delas o Marquês de Lafayette. Filadélfia constituiu, porém, o seu espaço privilegiado. Foi logo admitido na American Philosophical Society. Verificou-se, de imediato, a amizade recíproca e a admiração mútua entre Correia da Serra e Thomas Jefferson. Em Monticello frequentou, com assiduidade, a residência palaciana da família Jefferson.


Voltou a Portugal em 1820. Estava implantada a revolução liberal. Eleito deputado às Cortes participou na construção de um Portugal que apostava nos imperativos do presente e do futuro. Uma eleição que integrou açoreanos de várias ilhas: André da Ponte Quental, João Bento de Medeiros Mântua, Miguel João Borges de Medeiros Amorim e Manuel José de Arriaga Brun da Silveira, Manuel Inácio Martins Pamplona e Roberto de Mesquita Pimentel. Os historiadores Ernesto do Canto (1831-1900), Eugenio do Canto (1836-1915) e Teofilo Braga (1843-1924) não ignoram a dimensão do percurso de Correia da Serra. Nem os botânicos de expressão regional como Carlos Machado (1828-1901) e Bruno Tavares Carreiro (1857-1911). Nem muito menos botânicos célebres, nascidos nos Açores, como Rui Teles Palhinha (1871-1957), Matilde Bensaude (1890-1969) e Aurelio Quintanilha (1892-1987), qualquer deles com obra científica de projeção nacional e internacional.

Na sessão efetuada na Academia das Ciências, além das intervenções que anotamos, José Alberto Silva e Fernando Figueiredo, apresentaram a comunicação a propósito dos Ensaios para a História da Academia das Ciências. As finalidades estatutárias definidas por Correia da Serra ficaram, logo no princípio, sintetizadas na legenda: Nisi utile est quod facimus, stulta est gloria. Ou seja, na tradução portuguesa: Se não for útil o que fazemos, a glória é vã. Decorridos mais de dois séculos perdura o objetivo de Correia da Serra de unir o que está disperso, ao circunscrever a ciência e, de um modo geral, a cultura, ao serviço integral do aperfeiçoamento humano. António Valdemar – Portugal in “Blog de São João del-Rei”

António Valdemar - Jornalista, carteira profissional numero UM; sócio efetivo da Academia das Ciências.








UCCLA - Lançamento do livro “Rótulos Atribuídos, Rótulos Assumidos” de Jean-Michel Mabeko-Tali

O auditório da UCCLA vai acolher, dia 4 de outubro, às 18 horas e 30 minutos, o lançamento do livro “Rótulos Atribuídos, Rótulos Assumidos - Memórias e Identidades Políticas em Angola - Da Luta Armada Anticolonial ao 27 de Maio de 1977 (1960-1977)” do historiador Jean-Michel Mabeko-Tali, que nos revela o papel instrumental das rotulações políticas, atribuídas e/ou assumidas, que justificam as motivações faccionais.


Com a chancela da Guerra e Paz Editores, a obra será apresentada por José Bastos.

O lançamento será transmitido em direto através da página do Facebook da UCCLA em: https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa

Sinopse:

Tornou-se um lugar-comum realçar o permanente estado de hostilidade entre os diferentes grupos da elite colonial angolana que estão na origem dos três movimentos de libertação. A troca de rótulos políticos teve início na formação dos movimentos nacionalistas e culminou na longa crise que levou ao 27 de Maio de 1977 – a maior tragédia da história do MPLA, cujas consequências ainda dividem a sociedade angolana.

Nito Alves é a figura que melhor encarna essa guerra de rótulos, sendo aqui analisadas as Treze Teses em Minha Defesa, seu indubitável legado político-ideológico e uma peça fundamental para radiografar as lutas internas do MPLA.

Em Rótulos Atribuídos, Rótulos Assumidos, o historiador Jean Michel Mabeko Tali revela o papel instrumental das rotulações políticas, atribuídas e/ou assumidas, que justificam as motivações faccionais. Procurando ultrapassar a barreira paralisante das estatísticas macabras dos mortos do 27 de Maio de 1977, propõe bases para relançar um debate objectivo sobre o papel das identidades políticas na Angola do século XX – e o seu lugar nas memórias históricas divergentes, ilustrativas tanto da luta estilhaçada pela independência quanto das lutas pelo controlo do aparelho burocrático do partido-Estado MPLA a seguir ao 11 de Novembro de 1975.

De acordo com a Guerra e Paz Editores “Revolucionários, bolcheviques, kwachas, mencheviques, maoistas, comunistas, fascistas, nitistas, reaccionários, neocolonialistas, colaboracionistas, sectaristas, fraccionistas. Tornou-se um lugar-comum realçar o permanente estado de hostilidade entre os diferentes grupos da elite colonial angolana que estão na origem dos três movimentos de libertação. Mas que papel efectivo tiveram as rotulações políticas, atribuídas e/ou assumidas, para as motivações faccionárias que conduziram ao massacre de 27 de Maio de 1977? Em Rótulos Atribuídos, Rótulos Assumidos: Memórias e Identidades Políticas em Angola – Da Luta Armada Anticolonial ao 27 de Maio de 1977 (1960-1977), Jean-Michel Mabeko-Tali, prestigiado historiador congolês e filho adoptivo de Lúcio Lara, fundador do MPLA, relança este importante debate para a história de Angola, num livro fundamental para analisar o período conturbado de 1960-1977. 

O livro Rótulos Atribuídos, Rótulos Assumidos: Memórias e Identidades Políticas em Angola é um documento rigoroso, mas de leitura acessível a todos, que propõe bases para relançar um debate objectivo sobre o papel das identidades políticas na Angola do século XX – e o seu lugar nas memórias históricas divergentes, ilustrativas tanto da luta estilhaçada pela independência quanto das lutas pelo controlo do aparelho burocrático do partido-Estado MPLA a seguir ao 11 de Novembro de 1975.”

Biografia do autor:

Jean-Michel Mabeko-Tali nasceu no Congo-Brazzaville. É doutorado em História pela Universidade Paris VII – Denis Diderot, mestre em Estudos Africanos pela Universidade Bordeaux III e licenciado em História e Geografia pela Universidade de Saint-Etienne, em França.

Radicado em Angola em 1976, foi docente no ensino médio e na Universidade Agostinho Neto. Em 2002, mudou-se para os Estados Unidos, onde é professor catedrático de História de África na Universidade de Howard, em Washington.

Especialista na história política de Angola e do Congo, foi membro do Comité Científico Internacional da UNESCO para o Uso Pedagógico da História Geral de África de 2009 a 2018. É habitualmente convidado para palestras em universidades africanas, europeias e brasileiras.

Autor de numerosos ensaios e artigos, bem como do livro Guerrilhas e Lutas Sociais: O MPLA Perante Si Próprio – 1960-1977 e de obras de ficção, foi distinguido, em 2022, com o Prémio Nacional de Cultura e Artes de Angola, pela carreira académica e pelos trabalhos de investigação em ciências humanas e sociais.


Portugal - Diploma do Prémio Camões de Manuel António Pina já "mora" na Casa dos Livros

Documento que atesta a atribuição do Prémio Camões 2011 ao escritor portuense foi adquirido pela Fundação Ilídio Pinho e cedido em comodato à Universidade do Porto


É o “comprovativo” da atribuição do mais importante prémio literário de Língua Portuguesa a um dos mais celebrados escritores portugueses das últimas décadas e, a partir de agora, passa a estar acessível a quem visitar a “Casa dos Livros” da Universidade do Porto, morada escolhida para acolher o diploma do Prémio Camões 2011 atribuído ao escritor e jornalista Manuel António Pina (1943-2012).

Até aqui na posse da família, o diploma do Prémio Camões de Manuel António Pina foi recentemente adquirido pela Fundação Ilídio Pinho, que decidiu cedê-lo, em regime de comodato, ao Centro de Estudos da Cultura em Portugal da U.Porto (CECUP), sediado na “Casa dos Livros”.

“É um momento simbólico extraordinário porque aqui na «Casa dos Livros» temos vários acervos determinantes para a cultura portuguesa do século XX e entre esses acervos temos o acervo digital de Manuel António Pina. Portanto, faz todo o sentido acoplarmos a esse acervo este tipo de «marcas», que dão cor, dão vida à sua memória e enriquecem o acervo”, destacou Paula Pinto Costa, diretora da Faculdade de Letras da U.Porto, à margem da cerimónia de assinatura do contrato de comodato, realizada esta quinta-feira, no Palacete Burmester, morada da “Casa dos Livros” desde abril de 2022.

O contrato de comodato é válido por 25 anos, período em que a U.Porto ficará responsável por “preservar e a conservar o diploma”, podendo utilizá-lo “para promover o seu estudo e divulgação, bem como disponibilizar a sua consulta ao público”.

“Ao entregar o diploma do Prémio Camões de Manuel António Pina à Universidade do Porto, a Fundação Ilídio Pinho quer ajudar a fortalecer a Casa dos Livros da Faculdade de Letras onde já se encontram também o espólio de Vasco Graça Moura e Eugénio de Andrade”, referiu a Fundação, em comunicado.

Um tesouro entre tesouros

Assinado por Aníbal Cavaco Silva e Dilma Roussef, Presidentes da República de Portugal e do Brasil à data da atribuição do Prémio Camões 2011 a Manuel António Pina, o histórico diploma junta-se assim ao acervo digital de Manuel António Pina que já se encontra à guarda da Centro de Estudos da Cultura em Portugal da U.Porto.

Entre os materiais disponíveis para consulta (mediante autorização da família) incluem-se desenhos, rascunhos de poemas, correspondência, cadernos, originais dos livros, entre outros documentos digitalizados pela FLUP ao abrigo de um projeto financiado pela Fundação Gulbenkian.

Esta nova “aquisição” reforça igualmente a missão que o CECUP vem desenvolvendo ao nível do acolhimento, promoção, divulgação e valorização de um conjunto relevante de acervos documentais de elevado interesse para a cultura e a literatura portuguesas.

Entre os grandes autores de língua portuguesa que já habitam a «Casa dos Livros» incluem-se nomes como Vasco Graça Moura, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, Maria Virgínia Monteiro, Óscar Lopes, António Cortesão ou, mais recentemente, Ana Luísa Amaral.

Sobre Manuel António Pina

Natural do Sabugal, na Beira Alta, Manuel António Pina (1943-2012) é autor de uma vasta obra de poesia e de literatura infantil, de inúmeras peças de teatro e de livros de ficção e de crónica. Foi jornalista no Jornal de Notícias e colaborou com o Expresso, Jornal de Letras, Visão, Rádio Porto e RTP. Na sua carreira foi também professor na Escola Superior de Jornalismo.

Publicou livros de poesias como “Um sítio onde pousar a cabeça”, “Cuidados intensivos”, “Nenhuma palavra, nenhuma lembrança” e “Como se desenha uma casa”.

Na literatura infantil, destacam-se “O país das pessoas de pernas para o ar”, “O têpluquê”, “Gigões & anantes”, “História com reis, rainhas, bobos, bombeiros e galinhas”, e “O tesouro”.

Faleceu no Porto a 19 de outubro de 2012, um ano depois de ter sido distinguido com o Prémio Camões, o qual nunca chegou a receber em mãos. Universidade do Porto - Portugal

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