Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Timor-Leste - Dois estudantes da Universidade Nacional Timor Lorosa’e vencem VII Prémio de Língua Portuguesa da Fundação Oriente



Díli – A Fundação Oriente anunciou hoje os vencedores do VII Prémio de Língua Portuguesa de 2020, dois estudantes da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL).

Segundo o comunicado a que a Tatoli teve acesso, o primeiro lugar foi atribuído a uma estudante do quarto ano do Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação da UNTL, Inocência Merelis do Rosário Osório, que participou com o conto “Builai no mar azul”. A segunda classificação foi de um aluno do quinto ano da Faculdade de Direito da UNTL, Gerson Armindo da Silva Leite Araújo, que apresentou a concurso o texto “Henrique no país de outro mundo”.

Em terceiro lugar, ficou Alexandrina Sousa dos Santos, estudante do primeiro ano da Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da UNTL, com o texto “Para além do que os olhos veem”. Na quarta posição, ficou Ana de Jesus da Costa Xavier, estudante do terceiro ano da Faculdade de Direito da UNTL com a lenda “Oceano de Curiosidades”. O quinto classificado foi Nicolau Alves Moreira, estudante do terceiro ano da Faculdade de Ciências Exatas da UNTL, com o conto “A viagem no mar”.

No comunicado, a Delegada da Fundação Oriente em Timor-Leste, Joana Saraiva, recorda que o Prémio de Língua Portuguesa da Fundação Oriente é “uma das atividades mais reconhecidas” desta instituição, tendo ao longo dos anos mobilizado centenas de jovens.

“Este sucesso não seria alcançado sem o entusiasmo e a coragem dos participantes e o importante apoio dos nossos parceiros, entre eles a Embaixada de Portugal em Díli, o Instituto Camões, o BNU e o Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e”, agradece Joana Saraiva.

De acordo com o documento, os dois jovens estudantes da UNTL participarão, durante um mês, nos Cursos de Verão de Língua e Cultura Portuguesas numa universidade em Portugal, com todas as despesas pagas. Já os terceiro, quarto e quinto classificados poderão frequentar cursos de língua portuguesa, que se realizarão na Delegação da Fundação Oriente em Díli.

“No contexto das complicações da pandemia mundial da covid-19, as datas dos referidos cursos estão condicionadas à evolução da situação atual. Entretanto, os prémios estão assegurados aos vencedores para aproveitarem logo que seja possível”, diz a nota.

Recorde-se que o Prémio de Língua Portuguesa é um concurso anual de escrita em português destinado a estudantes timorenses entre os 18 e os 24 anos de idade. Desde 2013, quando o prémio literário foi lançado, já foram enviados 15 jovens estudantes timorenses para universidades em Macau e Portugal.

A VII edição do concurso foi lançada em fevereiro e os 25 candidatos participaram previamente numa oficina de escrita criativa.

“Os contos apresentados a concurso foram avaliados em sistema de anonimato e tiveram como base num excerto do poema ‘O Infante’ de Fernando Pessoa: […] E viu-se a terra inteira, de repente, surgir, redonda, do azul profundo”, refere o documento.

A cerimónia de entrega de prémios faz tradicionalmente parte do programa de comemoração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), no dia 5 de maio.

“Este ano a data ganha ainda maior expressão, após a oficialização pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que passou a integrar o calendário oficial das Nações Unidas, dando mais relevo a esta língua que nos une a todos”, diz a nota. In “Tatoli” – Timor-Leste

Macau - BNU e ICBC anunciam parceria para promover negócios entre China e países lusófonos

O Banco Nacional Ultramarino (BNU), do Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês) anunciaram uma parceria para promover os negócios sino-lusófonos. O protocolo assinado tem como objectivo “promover conjuntamente os negócios entre a China e os países de língua portuguesa, alavancando as suas redes globais” e “apoiar o desenvolvimento de Macau como centro financeiro privilegiado para os negócios transfronteiriços entre empresários e empresas sino-lusófonas”, segundo um comunicado.

Na mesma nota salienta-se que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” – de desenvolvimento de infra-estruturas e investimentos em países da Europa, Ásia e África -, o projecto de Pequim de criar uma metrópole mundial que junta Macau, Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong, bem como o papel de Macau de plataforma de serviços sino-lusófona “irão gerar inúmeras sinergias, que se traduzem em oportunidades de negócios em vários sectores”.

Razão pela qual tanto o BNU e o ICBC, “com as suas extensas redes internacionais, estão empenhados em promover os intercâmbios e as parcerias económicas e comerciais sino-lusófonas, fornecendo às empresas a experiência financeira e as ferramentas necessárias para o seu crescimento, expansão e sucesso”.

“As actuais circunstâncias adversas decorrentes da pandemia de covid-19 e a consequente desaceleração económica constituirão um desafio para muitas empresas e negócios nos próximos meses e anos”, assinala-se no comunicado, ressalvando-se, contudo, que “será também uma oportunidade de ajustar estratégias e planear a longo prazo, onde a internacionalização dos negócios e a diversificação de mercados serão fundamentais”.

O BNU em Macau registou em 2019 lucros de 721,9 milhões de patacas. Em relação a igual período de 2018, os lucros do BNU, do grupo CGD, subiram cerca de 23%. No final do mês de Janeiro, a CGD indicou que o BNU de Macau contribuiu com 69 milhões de euros para o resultado líquido de 776 milhões de euros, em 2019. In “Ponto Final” - Macau

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Macau - Comunidade cabo-verdiana cria conta solidária

Associações de matriz cabo-verdiana em coordenação com o Delegado de Cabo Verde criaram uma conta bancária solidária no BNU. A campanha durará 30 dias e o montante arrecadado será usado para a aquisição de equipamentos e materiais de prevenção

A comunidade cabo-verdiana de Macau uniu-se para criar uma conta solidária, cujos fundos serão usados para apoiar o país de origem no combate ao COVID-19.

Em comunicado, os promotores da iniciativa referem que a propagação da pandemia “tem provocado visíveis e significativos danos no plano de saúde pública em vários países” e a grande mobilidade de pessoas entre os vários países deu condições propícias ao coronavírus para se “propagar rapidamente”. “Sendo Cabo Verde um país aberto e de comunicações com o exterior, incluindo países bastante atingidos pelo COVID-19 e fruto de deslocações de turistas, trabalhadores, estudantes, emigrantes, era, infelizmente expectável que o Coronavírus chegasse a Cabo Verde”, o que acabou por acontecer, tendo-se registado já uma morte e vários casos de contágio em três ilhas – Boavista, Santiago e São Vicente.

Assim, a Associação de Amizade Macau-Cabo Verde e a Associação de Divulgação da Cultura Cabo-verdiana, com apoio institucional do Delegado de Cabo Verde no Fórum Macau decidiram criar uma conta solidária no Banco Nacional Ultramarino denominada “Solidariedade Cabo Verde COVID-19” com o número 9016573567.

A campanha terá a duração de 30 dias aproximadamente “e o montante arrecadado irá para a aquisição de equipamentos e materiais de prevenção” do COVID-19, a favor do Ministério da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde, responsável pela gestão dos materiais médicos. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

segunda-feira, 30 de março de 2020

Macau – BNU “fez a ponte” para assegurar a compra de 500 ventiladores ao Estado português

Executivo de António Costa garantiu uma encomenda de 500 ventiladores junto de um fornecedor chinês através do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O negócio de 10 milhões de dólares americanos esteve em risco de se perder para o Canadá, mas o Governo português conseguiu contornar o problema e concretizar o pagamento no fuso horário da China

Uma exigência de última hora de um fornecedor de ventiladores na China obrigou o Governo de Portugal a recorrer ao Banco Nacional Ultramarino de Macau para assegurar a compra de 500 aparelhos, por 10 milhões de dólares americanos, até às 02h00 da madrugada de segunda-feira passada em Lisboa, revelou o jornal Público na sua edição de sábado. Uma informação confirmada ao Ponto Final por uma fonte do BNU.

“O BNU fez aquilo que tinha de fazer em articulação com a Caixa Geral de Depósitos para conseguir, no fundo, concretizar um pagamento que o Estado português tinha de fazer na segunda-feira [passada] às 02h00 da manhã de Lisboa, 10 da manhã daqui de Macau”, revelou a mesma fonte a este jornal.

De acordo com a informação veiculada pelo jornal Público, o Governo português já tinha um contrato para comprar 500 ventiladores a um vendedor da China e já tinha dado uma garantia, quando, no domingo, recebeu a informação do fornecedor, de que se não pagasse o total da encomenda (10 milhões de dólares americanos) até segunda-feira de manhã (dia 23 de Março) os aparelhos seriam entregues ao Canadá.

Antes de avançar para o depósito no BNU, a primeira acção do Executivo liderado por António Costa foi abrir o Instituto de Gestão e Crédito Público para que o dinheiro fosse disponibilizado imediatamente. Segundo escreve o referido diário, o Governo português ainda equacionou recorrer ao BCP-Millenium, uma vez que o banco português tem uma agência em Macau, e à Sonae, empresa que detém uma central de compras na China, mas com um prazo tão apertado, a escolha acabou por recair no BNU de Macau.

“O responsável máximo da Caixa Geral de Depósitos ligou à uma da manhã (de Lisboa), e verificámos que era possível fazer as transferências para o fornecedor e, às 08h30 da manhã de Macau, portanto 01h30 da manhã de Lisboa, estávamos a fazer as diligências necessárias até às 02h00 da manhã de Lisboa, 10h00 da manhã de Macau. E foi possível entregar os comprovativos das transferências a quem de direito, que os fizeram chegar aos fornecedores para confirmar que os pagamentos tinham sido efectuados”, explicou ao Ponto Final a mesma fonte do BNU, acrescentando que, todo o processo foi feito em articulação com o Instituto de Gestão e Crédito Público.

Com a concretização do depósito de 10 milhões de dólares americanos no BNU dentro do prazo, seguiu-se a obrigatoriedade de apresentação do comprovativo da transferência ao comprador, sendo esta a única forma de assegurar que os 500 ventiladores eram vendidos a Portugal. Segundo a informação avançada pelo jornal Público, o comprovativo do depósito chegou ao Governo de António Costa às 02h30 da madrugada de Lisboa, e foi enviado de seguida ao embaixador português na China, José Augusto Duarte, que tratou de o ir apresentar pessoalmente ao fornecedor chinês de forma a assegurar a encomenda de 500 ventiladores para Portugal.

Na sexta-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, garantiu que os ventiladores deverão começar a chegar “de forma faseada” a Portugal a partir de Abril. Para além destes 500 ventiladores, há ainda 78 ventiladores na Embaixada de Portugal na China para rumar a Portugal em voos específicos. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

quarta-feira, 25 de março de 2020

Macau - Comunidade lusa angaria fundos para Portugal

A comunidade portuguesa em Macau lançou uma recolha de fundos urgente para comprar equipamento de proteção para os profissionais de saúde em Portugal e material que garanta mais testes para despistar a Covid-19.

O movimento junta quase duas dezenas de entidades e personalidades e, em cerca de 12 dias quer apoiar Portugal “no esforço de guerra” face ao surto do novo coronavírus, estabelecendo como prioridade a aquisição de equipamento que proteja todos aqueles que estão na linha da frente e a capacidade nacional de deteção de casos, explicaram os seus membros à agência Lusa.

Para já foi criada uma conta no Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau, com o número 9016556516, sob o nome COVID19 – Portugal Conta Solidariedade.

A presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António, explicou que a partir de uma lista do Ministério da Saúde de Portugal foram definidos objetivos prioritários, sempre com um pressuposto: evitar que morra o menor número de pessoas possível e reduzir o total de infetados.

O presidente da Santa da Casa da Misericórdia, António José de Freitas, afirmou que se trata da contribuição para “um esforço de guerra” que está a ser travado em Portugal e destacou que não existe já muito tempo, até porque a conta solidária vai estar ativa apenas até 05 de abril.

A conselheira das comunidades portuguesas em Macau, Rita Santos, sublinhou à Lusa a importância de se conseguir mobilizar a comunidade portuguesa, sem se esquecer o desafio que vai representar a aquisição do material na China, bem como a logística que implica o envio para solo nacional.

O presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau salientou a importância de se enviar equipamento capaz de assegurar a proteção de todos os profissionais de saúde que estão na linha da frente do combate à propagação e ao tratamento da Covid-19.

“Sem médicos e enfermeiros não se tratam doentes!”, frisou José Manuel Esteves.

O movimento solidário, que fez a sua primeira conferência de imprensa, conta com o apoio institucional do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e BNU.

Em Portugal, há 33 mortes e 2362 infeções confirmadas, segundo o balanço feito pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 425 mil pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 19 000 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6820 mortos em 69 mil casos. Segundo as autoridades italianas, 8 mil dos infetados já estão curados.

A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, onde a epidemia surgiu no final de dezembro, conta com mais de 81 mil casos, tendo sido registados 3285 mortes.

Os países mais afetados em números absolutos a seguir à China e Itália são os Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Irão e França. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Macau - Secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos afirma que a Grande Baía “é mais uma oportunidade”

Os dois protocolos assinados entre a Autoridade Monetária e Cambial de Macau, a Associação de Bancos de Macau e a Associação Portuguesa de Bancos têm sido divulgados junto da banca portuguesa e de expressão lusófona no sentido de fomentar investimentos. Norberto Rosa, secretário-geral da APB, diz que é importante a banca portuguesa diversificar parceiros, pensando também no Oriente, e que tanto o BNU como a sucursal do BCP em Macau foram importantes durante a última crise económica em Portugal



A Associação Portuguesa de Bancos assinou dois protocolos, um com a Associação de Bancos de Macau e outro virado para a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. Na prática, o que tem sido feito nesse sentido?

NR - Em 2018 tivemos uma reunião com a Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) numa perspectiva de colaboração entre as autoridades portuguesas, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) e a Associação de Bancos de Macau (ABM). Posteriormente tivemos uma reunião com a ABM que nos convidou a participar nesta iniciativa, no sentido de estabelecer um protocolo não só com a ABM, mas também com associações de bancos de países de expressão portuguesa. Tudo com esse objectivo de promover a participação entre a China e esses países, onde Macau serviria como plataforma. A partir daí divulgámos esse protocolo pelos bancos portugueses, porque depois, com base nesse documento, serão os bancos a proceder a uma articulação com as autoridades de Macau no sentido de desenvolver esse processo de cooperação.

Cabe então a cada entidade estabelecer essa ligação.

NR - Sim. O que entendi desse processo foi que havia uma intenção do Governo de Macau e da China de promover a RAEM como uma plataforma a fim de estabelecer mais facilmente essa relação entre Portugal, os países de expressão portuguesa e a China. Há aqui uma dupla função no sentido de os bancos, mesmo através dos países de expressão portuguesa, se poderem articular de forma mais adequada com a China quer em processos de financiamento ou desenvolvimento desses países, quer na actividade comercial.

Há então uma aposta no financiamento de grandes projectos.

NR - Sim. Tem duas vertentes. Por um lado, temos esse financiamento [no sentido de] poder haver investimentos cá em Portugal e em outros países de expressão portuguesa. Por outro lado, essa plataforma também poderá ajudar a que empresas que queiram ter relações comerciais com a China sejam apoiadas pelos bancos através desta plataforma. Poderá haver a possibilidade não só de fazer investimentos em actividades já existentes, adquirindo instituições ou empresas, como também de fazer novos investimentos. [Os protocolos] poderão facilitar essa articulação e aí os bancos podem vir a ter um papel importante no apoio às empresas portuguesas e às empresas chinesas que se queiram estabelecer em Portugal, nomeadamente através dos bancos de capital chinês que poderão facilitar essa actuação. Aí Macau poderá também ter um papel preponderante como o interface nesse processo.

Os vinte anos da transferência de Administração de Macau celebraram-se o ano passado. Esta aproximação no sector financeiro com Portugal deveria ter acontecido de forma mais visível ao longo dos anos, e não apenas recentemente?

NR - Isto tem um momento histórico para acontecer. Portugal viveu também uma crise financeira bastante grande e está ainda num processo de recuperação. Esta abertura da China e de Portugal à entrada de capitais chineses foi uma alteração estrutural que aconteceu recentemente. Antes não havia uma grande participação de capital chinês em Portugal e isso veio aprofundar o relacionamento entre os dois países. Tem-se assistido, por outro lado, a um aumento significativo da estrutura do comércio externo português, em que a China é um mercado importante. Neste momento penso que todas essas tendências poderão ser potenciais com este apoio dos bancos e o apoio da RAEM. Qual é a vantagem? É que há ali uma melhor percepção e compreensão do comportamento de Portugal e, por outro lado, também percebem melhor o comportamento da China. Há aqui uma facilidade de entendimento.

Numa intervenção que fez em Macau falou de uma maior estabilidade do sector bancário na zona Euro depois dessa crise. É importante ter alternativas por parte dos bancos face aos desafios que a zona Euro comporta? A China deve fazer parte da alternativa?

NR - É sempre importante alguma diversificação. No caso concreto das instituições em Macau, como o BNU e a sucursal do BCP, o [seu] papel foi importante no período de crise em que os bancos passaram por dificuldades. Isto porque [esses dois bancos] continuaram a contribuir para resultados positivos e para a liquidez das instituições financeiras portuguesas quando elas passaram por dificuldades de liquidez. [Essa presença] amenizou, [os bancos] não tinham a dimensão suficiente para impedir que houvesse uma crise, mas amenizou de alguma forma. Ter uma maior diversidade geográfica é importante para mitigar os riscos. Ou seja, uma vez que estamos na Europa onde existem dificuldades estruturais, que se prendem com o facto de estarmos com taxas de juro de referência do BCE negativas, de termos um sistema bancário maduro, com pouca capacidade de crescimento, o facto de existir alguma diversidade mitiga os riscos do sistema bancário nacional, apesar da melhoria que se registou nos últimos anos. A situação dos bancos está hoje muito melhor do que estava há dois ou três anos, mas há ainda problemas estruturais.

O sector bancário português deve estar atento ao projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau?

NR - É mais uma oportunidade de negócios. Pelo que entendi da apresentação do projecto da Grande Baía estamos a falar de um projecto megalómano no sentido de ter uma grande dimensão, e poderão haver aqui outras oportunidades de negócios fundamentalmente em determinadas áreas industriais portuguesas, nomeadamente da construção, onde os bancos poderão apoiar essas empresas a participarem nesse grande projecto. Em Portugal é um assunto pouco conhecido. Havendo uma maior publicidade, penso que esse projecto teria vantagens e oportunidades para outros sectores que não apenas o financeiro. Mas os bancos que já têm presença em Macau poderão apoiar essas empresas que queiram participar na Grande Baía.

Como olha para a presença do BNU em Macau? Surpreende-o este desenvolvimento do banco ao longo dos anos?

NR - O BNU tem de ser visto de uma perspectiva quase institucional, quase como o representante de Portugal e mais do que uma instituição em particular. O BNU foi criado como um banco emissor com actividade comercial e está em Macau desde 1902 e foi sempre banco emissor com maior autonomia a partir dos anos 80. O relacionamento com a AMCM e a China foi sempre bom. O banco continua a ter grande prestígio e o facto de ser banco emissor continua a ter essa importância. Esse reconhecimento foi feito pela China quando prorrogou o prazo para continuar a ser o banco emissor. A China tem reconhecido, e a RAEM tem continuado a reconhecer o BNU como uma entidade que contribui para o desenvolvimento da região, uma entidade com prestígio. Esta evolução do BNU não é surpresa.

Macau está a passar por uma fase de mudanças no seu sector financeiro, com o fim do regime offshore, por exemplo. Fala-se também na criação de uma bolsa de valores mais virada para o mercado dos países de língua portuguesa. É uma outra oportunidade para o sector bancário?

NR - O projecto da bolsa de valores] está articulado com a possibilidade dos próprios países de expressão portuguesa usarem mais o renmimbi. Estive em Macau na altura em que houve a emissão dos panda bonds. A criação de uma bolsa de valores poderá estar mais associada a esse tipo de entidades que tenham uma maior ligação entre a China e os países de expressão portuguesa. No futuro, algumas empresas poderiam usar a bolsa de valores até para se financiarem se tiverem uma actividade importante na China. Há aqui uma questão importante. A China caracteriza-se por ter um excesso de poupança e de liquidez, e portanto, o facto de [Macau] ter uma bolsa de valores é outra alternativa para investimentos. De alguma maneira isso poderá ser a forma de algumas empresas terem uma ligação mais íntima com a China em termos comerciais. As empresas poderão também ter vantagens em ter algum capital ou financiamento através de uma bolsa de valores em Macau, mas isso só o futuro o dirá. Mas compreendo que haja essa intenção de tornar Macau numa perspectiva mais alargada em termos de actividade, ou seja, tornar o território num centro financeiro com várias vertentes. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


Andreia Sofia Silva - Jornalista, 31 anos de idade. Formada em Jornalismo com uma pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais. Escreve sobretudo sobre política, sociedade e cultura. Email: andreia.silva@hojemacau.com.mo

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Macau - Banco Nacional Ultramarino faz uma doação à Caritas Macau e abre conta para angariar fundos

Macau - O Banco Nacional Ultramarino em Macau doou à Caritas 100 mil patacas (mais de 11 500 euros) e abriu uma conta de angariação de fundos para apoiar a instituição no combate ao surto do novo coronavírus.

"O presidente da Comissão Executiva do BNU, Carlos Álvares, encontrou-se com o secretário-geral da Caritas Macau, Paul Pun, para entregar a doação", indicou, em comunicado.

Na mesma nota, o BNU destacou a abertura de "uma conta para angariar fundos para as atividades anti-epidemia da Caritas, tais como, a compra de material médico e assistência na prestação de cuidados de saúde e proteção para evitar a propagação do vírus".

"Os fundos angariados serão transferidos para a Caritas Macau", frisou o BNU.

A Caritas, instituição de apoio social, foi fundada em 1945 em Portugal e em 1951 em Macau, de acordo com informação institucional publicada online.

"A Caritas Macau tem apoiado a comunidade desde 1951. É uma organização sem fins lucrativos com uma longa história de serviço e um forte compromisso com a sociedade. Os seus colaboradores e voluntários trabalham incansavelmente no cuidado e assistência aos mais desfavorecidos", destacou a instituição bancária.

Do grupo Caixa Geral de Depósitos, o BNU é, juntamente com o Banco da China, banco emissor de moeda em Macau. “Agência Lusa”

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Macau - BNU e IPIM assinam acordo para aumentar negócios entre China e países lusófonos




O BNU e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) assinaram um acordo para aumentar o volume de negócios entre a China e os países lusófonos, disse à Lusa o presidente da instituição bancária.

Carlos Álvares explicou que “o grande objectivo é aumentar o volume de negócios e de investimento entre os países de expressão portuguesa e a China, utilizando Macau como uma plataforma”. O presidente do BNU falava à margem da Feira Internacional de Macau e da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa, que ontem começou. “Já celebrámos protocolos com outras entidades, com entidades bancárias e achamos que celebrar este entendimento com o IPIM pode ser uma mais-valia para as empresas portuguesas, para as empresas de expressão portuguesa e para as empresas, fundamentalmente, das nove cidades da Grande Baía que estão aqui mais próximas em termos de possibilidade de concretização e realização de negócios”, acrescentou.

O responsável frisou que “o BNU faz parte de um grupo, a Caixa Geral de Depósitos [CGD], o maior banco em Portugal, e que (…) está em primeiro em cinco dos países de expressão portuguesa”. “Congregando estes esforços entre a CGD em países de expressão portuguesa e em Portugal, BNU (…), IPIM aqui em Macau e outros bancos chineses (…) será possível com certeza aumentar o volume de negócios entre estes países”, bem como “o volume de investimento”, garantiu. “O que nós sentimos é que se trabalharmos em conjunto com outras entidades que têm objectivos semelhantes é possível fazer mais”, concluiu.

O BNU em Macau registou, no primeiro semestre deste ano, lucros de 366,8 milhões de patacas, indicam dados oficiais ontem divulgados. Em relação a igual período de 2018, os lucros do BNU subiram 18% nos primeiros seis meses de 2019. No primeiro semestre do ano passado, os lucros do banco foram de 311 milhões de patacas.

De acordo com o balancete de 30 de Junho passado, publicado em Boletim Oficial, o BNU registou proveitos de 865 milhões de patacas e custos de 498 milhões de patacas. O banco fechou 2018 com lucros de 585 milhões de patacas, proveitos de 1,7 mil milhões de patacas e custos de 1,1 mil milhões de patacas. O BNU é, juntamente com o Banco da China, banco emissor de moeda em Macau, e conta actualmente com 20 agências, incluindo uma em Zhuhai.

O presidente do BNU expressou à Lusa confiança na “resiliente” economia de Macau para superar a recessão prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2019 e 2020. “A economia de Macau é muito resiliente, (…) portanto, estou razoavelmente confiante” que a situação seja ultrapassada e não exista um impacto negativo no emprego e no crédito malparado da banca, defendeu Carlos Álvares.

“Não há dívida (…), Macau tem um fundo de reserva na casa dos 60 mil milhões de euros e, portanto, pode aumentar os gastos públicos para compensar um bocadinho os eventuais investimentos privados que possam não ocorrer”, afirmou. O líder do BNU lembrou que “há cinco anos, quando as receitas do jogo caíram para metade, os níveis do desemprego não aumentaram, o Governo continuou a registar superávites” e que “não houve acréscimo de rácios malparados no sector financeiro”.

Tal, reiterou, demonstra a resiliência da economia de Macau “a este tipo de oscilações”, ressalvando, contudo, o facto de estar “ainda muito baseada no jogo”, apesar dos “grandes esforços para [garantir] a sua diversificação”. Na terça-feira, o FMI reviu em baixa as previsões no relatório Perspectivas Económicas Globais para Macau este ano, antecipando agora uma recessão de 1,3% e nova contração da economia, de 1,1%, em 2020. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Macau - Negócios do BNU com clientes ligados aos Países de Língua Portuguesa crescem em 2016

O volume de negócios do Banco Nacional Ultramarino (BNU) com clientes ligados aos Países de Língua Portuguesa registou uma taxa de crescimento a dois dígitos em termos anuais em 2016, de acordo com o Jornal Tribuna de Macau.

O valor foi avançado pelo Presidente Executivo da instituição sedeada em Macau, Pedro Cardoso, em entrevista ao diário. O responsável acrescentou que a taxa de crescimento se situou abaixo dos 20 por cento em termos anuais.

De acordo com o jornal, os negócios do BNU com clientes relacionados com os Países de Língua Portuguesa tinham registado uma expansão anual de 153 por cento em 2015.

“Mesmo assim, [o crescimento no volume desses negócios em 2016] é um crescimento muito bom, muito acima do crescimento médio do sector e do BNU,” afirmou Pedro Cardoso, citado pelo jornal.

O Presidente Executivo do BNU lembrou que o banco faz parte do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD), o qual está presente em sete Países de Língua Portuguesa e é “líder de mercado” em cinco deles.

Em 2015, o BNU e o Banco da China (Sucursal de Macau) assinaram um protocolo de cooperação com vista à promoção de negócios entre empresas chinesas e dos Países de Língua Portuguesa. No mês passado, o BNU abriu a sua primeira agência no Interior da China, na Zona de Comércio Livre de Hengqin, no município de Zhuhai. In “Fórum Macau” - Macau

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

China - Banco Nacional Ultramarino inaugura primeiro balcão

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) vai inaugurar a primeira sucursal na República Popular da China no próximo dia 18 de Janeiro de 2017, anunciou esta segunda-feira a instituição bancária. A nova sucursal do BNU – instituição bancária que pertence ao grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) – localiza-se na Ilha da Montanha, no vizinho município continental de Zhuhai.

A abertura na Ilha da Montanha tem a ver com o desenvolvimento das relações comerciais entre Macau e a China e também com o papel de Macau como plataforma entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa, segundo explicou o presidente executivo do banco, Pedro Cardoso, à Lusa, em Outubro: “Temos um número muito significativo de empresários e clientes em geral que têm investimento na China – sejam fábricas, empresas de prestação de serviço ou mesmo investimento imobiliário – e queremos obviamente prestar serviços financeiros a esse tipo de clientes”, afirmou Pedro Cardoso.

“Queremos aproveitar o facto de termos uma presença na China para também participar no desenvolvimento das relações comerciais entre a China e os países de expressão portuguesa, onde o grupo Caixa Geral de Depósitos, no qual o BNU se insere, tem uma presença absolutamente ímpar, porque está presente com operações de banca de retalho em sete países de expressão portuguesa e em cinco é líder de mercado”, realçou ainda na altura.

O BNU em Macau, actualmente com 19 agências, fechou o primeiro semestre de 2016 com lucros de 278,5 milhões de patacas, mais 17 por cento do que no mesmo período de 2015, e com aproximadamente 220 mil clientes, o equivalente a um terço da população da cidade. A instituição tem também as funções de banco emissor de moeda em Macau, uma missão que partilha com o Banco da China. In “Ponto Final“ - Macau

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Macau – CGD agiliza negócios entre a China e os países de língua portuguesa

O grupo estatal financeiro português Caixa Geral de Depósitos (GCD) está-se a posicionar para, a partir de Macau, onde tem uma presença relevante através do BNU, funcionar como um facilitador de negócios entre a China e os países de língua portuguesa, disse à Macauhub Alberto Soares, “Chief China Officer” do grupo.

Tendo em atenção o papel já desempenhado e a desempenhar por Macau no que se refere ao relacionamento entre a China e os países de língua portuguesa, a Caixa Geral de Depósitos decidiu afectar um quadro superior, para, em colaboração com o BNU, prestar apoio às empresas portuguesas e às dos países de língua portuguesa que pretendam ter relações comerciais com a China, bem como às empresas chinesas que pretendam estabelecer relações de negócio com aqueles países.

Alberto Soares, responsável por concretizar este plano da Caixa Geral de Depósitos, disse à Macauhub que a ideia subjacente a esta decisão está relacionada com o esforço que o grupo estatal português tem estado a efectuar há já alguns anos e que passa “pela maximização do potencial da rede internacional do grupo.”

A CGD dispõe para este negócio de uma posição única à escala mundial que é o facto de ser a única instituição bancária presente em sete dos oito países de língua portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – sendo a única excepção a esta realidade a Guiné-Bissau.

Em Angola o grupo está presente através do Banco Caixa Geral Angola, no Brasil dispõe do Banco Caixa Geral Brasil, em Cabo Verde controla dois bancos, Comercial do Atlântico e Interatlântico, em Moçambique está no mercado através do Banco Comercial e de Investimentos, em São Tomé e Príncipe detém o Banco Internacional de São Tomé e Príncipe e em Timor-Leste existe o BNU Timor.

Além da presença em sete dos oito países de língua portuguesa, a Caixa Geral de Depósitos assume-se como líder de mercado em cinco deles – Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste – sendo que no caso de Moçambique assumiu recentemente essa liderança, em termos de activos totais, depois de ter destronado o Banco Millennium Moçambique, do grupo Banco Comercial Português.

O grupo detém em Portugal 721 agências, 4 milhões de clientes, mais de um terço da população portuguesa, um activo total superior a 100 mil milhões de euros e uma quota de depósitos de 28% e de concessão de crédito de 22%, assumindo-se como a principal instituição bancária do país.

Em Macau, o grupo CGD está presente com o BNU para a banca universal, instituição que funciona em conjunto com o Banco da China como um dos dois bancos emissores do território, que dispõe de 18 agências, mais de 200 mil clientes ou um terço da população e tem activos totais que excedem 7,5 mil milhões de euros.

E é precisamente em Macau que se concentram os esforços no sentido de estabelecer uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa e vice-versa aproveitando o peso e a importância do BNU e, nomeadamente, o protocolo de cooperação que este banco assinou com o Banco da China Macau.

O “Chief China Officer” referiu-se a Macau como sendo “uma operação muito importante”, onde estão actualmente concentrados os esforços do grupo CGD no sentido de aprofundar o relacionamento entre a China e os países de língua portuguesa por duas ordens de razões – a implantação local do BNU – e, mais importante, o facto de o governo central da China ter decidido fazer do território uma plataforma para o estabelecimento de relações comerciais e económicas com esses países.

“Não posso revelar os nomes das empresas mas posso garantir que tem havido bons resultados práticos em ambos os sentidos”, disse Soares, salientando o bom entendimento e cooperação que tem existido com o Instituto de Promoção do Investimento e do Comércio de Macau (IPIM).

Em termos práticos, a partir de uma rede de departamentos internacionais, um cliente do BNU ou de qualquer outro banco do grupo pode contar com o apoio em qualquer um dos países onde a CGD está presente, em termos financeiros, de informação, de acesso a mercados, de “matchmaking.”

“Tem havido apoio directo a operações em todos os países de língua portuguesa, nomeadamente de empresas chinesas que se têm aproximado devido ao protocolo de cooperação que o BNU tem com o Banco da China”, disse ainda o “Chief China Officer” do grupo CGD e administrador não-executivo do BNU.

Ainda neste âmbito, Alberto Soares revelou à agência Macauhub estar a ser ultimado, ao abrigo do protocolo de cooperação com o Banco da China, um mecanismo que permita a utilização, por toda a rede internacional do grupo, da moeda chinesa – o renminbi – nas transacções comerciais e nos demais negócios entre a China e os países de língua portuguesa.

Pedro Cardoso, presidente da Comissão Executiva do BNU, declarou recentemente que os negócios da instituição com os países de língua portuguesa cresceram 153% em 2015 tendo, no caso específico de clientes apenas de Portugal, registado um crescimento de 395%.

Pedro Cardoso garantiu ainda haver um grande espaço de crescimento neste tipo de relacionamento, embora no passado recente se tenha assistido a uma contracção significativa do relacionamento comercial entre a China e os países de língua portuguesa. In “Macauhub” - Macau

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Macau – Entrevista ao presidente do Banco Nacional Ultramarino

A duplicação das transações comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa, ou a entrada de capitais chineses em Portugal, em especial nos últimos anos, são dados concretos que provam o “desenvolvimento real” de uma estratégia particularmente relevante para as oportunidades que se abrem a Macau, defende o presidente do Banco Nacional Ultramarino. Pedro Cardoso aposta ainda no papel ímpar que um dos bancos emissores no território, com larga experiência nos países lusófonos, pode desempenhar no cumprimento dos objetivos da diversificação económica, integração regional e ligação ao mundo lusófono. Em entrevista respondida por escrito, Pedro Cardoso deixa ainda algumas sugestões, entre “várias possíveis”, para que Macau reforce esse papel de plataforma.



PLATAFORMA MACAU – Quinze anos depois da transição de soberania, o conceito de Macau enquanto plataforma de negócios e de serviços entre a China e os países de língua portuguesa parece ganhar nova força e cada vez mais adeptos. Sente que essa é uma oportunidade real para as empresas e as marcas portuguesas?

PEDRO CARDOSO – A República Popular da China tem um enorme poder económico e isso é, obviamente, um fator importante de atracção para a entrada de empresas e marcas portuguesas naquele país.

Macau pode ser utilizado por estas empresas como uma plataforma experimental, com o objetivo de preparação e adaptação de produtos e serviços e formas de negociação ao enorme mercado chinês, através de parcerias, alianças estratégicas e contactos privilegiados com as empresas estabelecidas no Delta do Rio das Pérolas.

O acordo CEPA entre a República Popular da China e a RAEM, a competitividade fiscal do território e o facto de o português ser uma língua oficial no território são elementos igualmente relevantes.

P.M. – Na sua opinião, este novo impulso já se faz sentir no mundo dos negócios e das finanças? Ou estaremos apenas ainda ao nível de um discurso político mais afinado e consistente?

P.C. – Nos últimos cinco anos o volume de transações comerciais entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) duplicou.

Nos últimos três anos, a China foi responsável por 40% das fusões e aquisições em Portugal, com especial relevância em setores como a energia, seguros e, mais recentemente, a saúde.

Mais do que simples discurso político, temos assistido ao desenvolvimento real das relações comerciais entre a China e os países da CPLP.

P.M. – Qual é a importância que atribui aos três centros lusófonos (agroalimentar; indústrias MICE; apoio a pequenas e médias empresas) anunciados para Macau?

P.C. – Desde há longo tempo que os responsáveis da República Popular da China e do Governo de Macau vêm insistindo na necessidade de diversificação da economia de Macau, como forma de reduzir a sua dependência da indústria do jogo. Por outro lado, as condições sócio-geográficas de Macau apontam para a terciarização da sua economia.

As PME’s, nomeadamente relacionadas com o comércio e serviços assumem aí um papel de relevo na diversificação da economia e na criação de emprego.

A MICE é um complemento importante dos setores do turismo e jogo e tem crescido a um ritmo assinalável, mas ainda está longe do seu potencial máximo.

P.M. – Dada a experiência da banca enquanto intermediária de negócios e fornecedora de serviços, haverá estudos de mercado ou outros indicadores que apontem outros setores que possam mais depressa desenvolver-se também no âmbito das relações sino-lusófonas?

P.C. - Os setores que referiu parecem-me os mais relevantes, mas acredito que em outras áreas como, por exemplo, a consultadoria, restauração e hotelaria, poderão vir a existir desenvolvimentos interessantes no futuro.

P.M. – Qual é o papel específico que a banca pode desempenhar no desenvolvimento dessa plataforma?

P.C. - A banca tem um papel crucial no apoio à implementação de empresas dos Países de Expressão Portuguesa no território. O BNU tem um papel muito ativo, através de uma vasta rede de contactos, locais, e oferece condições especiais de financiamento e de prestação de outros serviços financeiros.

P.M. – No caso do BNU, há planos concretos para se posicionar como um banco de referência no contexto do projeto lusófono?

P.C. - Apoiamos a entrada de empresas dos Países de Expressão Portuguesa neste mercado e, com o apoio do Grupo CGD, somos particularmente ativos no negócio de sentido inverso; ou seja, no suporte às empresas chinesas e macaenses que querem investir nos Países de Expressão Portuguesa. Estamos ainda muito focalizados no fluxo de comércio internacional entre aqueles países.

P.M. – Tendo a história muito particular que tem nos países lusófonos, pensa que o BNU poderá apresentar-se nos mercados internacionais com vantagens competitivas na ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

P.C. - O BNU está estabelecido em Macau há mais de um século, é um banco emissor e um dos principais bancos comerciais da região, sendo parte integrante da sua vida financeira. Faz parte do Grupo CGD, presente em 23 países e em todos os Países de Língua Oficial Portuguesa, à excepção de um deles. Tem estado extremamente ativo no apoio ao comércio entre a China e os Países de Expressão Portuguesa, quer em termos de fluxos de comércio como de investimento.

O Grupo CGD, do qual o BNU é parte integrante, está diretamente presente em seis países de expressão portuguesa, tendo uma posição de liderança em cinco destes, está presente em Macau, Zhuhai e Xangai, constituindo assim uma plataforma muito forte na ligação dos Países Lusófonos à China e a Macau.

P.M. - Como descreveria esse posicionamento?

P.C. – O BNU posiciona-se como uma instituição de referência a nível local, totalmente empenhado em apoiar o futuro desenvolvimento de Macau e igualmente apostado no mundo lusófono.

Está particularmente bem capitalizado, com um rácio de solvabilidade de mais de 24%, é um banco extremamente líquido, uma vez que tem um rácio de transformação de apenas cerca de 50%, enquanto a média do mercado de Macau é superior a 80%.

Destaco ainda vantagens competitivas como a presença secular, o seu estatuto de banco emissor; a sua liderança no mercado; a ampla presença do Grupo CGD nos grupos de Língua Oficial Portuguesa. O BNU afirma-se ainda pela qualidade de serviço e inovação.

P.M. – O facto de ser banco emissor em Macau representa alguma vantagem – ou responsabilidade – acrescida nessa área?

P.C. - Para o BNU é uma grande honra e responsabilidade continuar a ser mandatado pelas autoridades da Região Administrativa Especial de Macau como banco emissor da Pataca. A confiança depositada pelo Governo traduz-se por si só numa vantagem, transmitindo a solidez financeira e reforçando a posição de banco de referência para os seus clientes.

Para além de banco emissor e de Caixa do Tesouro do Território, é um dos principais bancos comerciais de Macau. Tem presentemente mais de 200.000 clientes, aproximadamente um terço da população de Macau.

P.M. - Será que o projeto lusófono, da forma como a China o concebe, permitirá ao BNU criar novas centralidades no contexto do Grupo Caixa?

P.C. – Tem sido reafirmado pelas autoridades quer da China, quer de Portugal, a importância de Macau como plataforma para o comércio entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa.

Neste contexto, o BNU encontra-se especialmente bem posicionado, quer pela sua presença secular em Macau, quer pela ligação ao Grupo CGD, do qual faz parte, e que tem uma presença efetiva e extensa nos mercados lusófonos.

P.M. - Prevê que o projeto lusófono possa seduzir outros bancos chineses e lusófonos para apostarem no mercado de Macau? Ou seja, o BNU prevê que possa aumentar a sua concorrência?

P.C. - Nos últimos anos o volume de negócio do mercado bancário de Macau tem vindo a crescer a um ritmo muito rápido. No entanto, é um mercado muito competitivo. A Região Administrativa Especial de Macau conta com apenas 600.000 habitantes e existem já 29 bancos a operar no território.

A média da margem financeira líquida anda à volta de um ponto percentual. Ou seja, a diferença entre o que os bancos recebem de juros dos empréstimos e o que pagam nos depósitos, é das mais baixas do mundo.

Acredito que a concorrência é positiva para a sociedade em geral, para incentivar os bancos a prestarem melhores e mais eficientes serviços. Mas também é importante manter uma margem de rendibilidade adequada que permita constituir reservas para tempos mais difíceis.

P.M. - Como cruzaria a plataforma lusófona com outro desígnio de Macau, que é o da integração regional?

P.C. – Uma maior integração com a grande região da foz do Rio da Pérolas, com a qual Macau interage fortemente, pode ser um bom ponto de partida para o alargamento do papel de Macau como plataforma para os negócios entre a China e os países lusófonos. É sempre mais fácil fazer negócio com quem está perto do que com quem está longe.

P.M. - No mesmo contexto, qual é o impulso que o projeto lusófono pode dar à diversificação económica?

P.C. – Existe uma grande complementaridade entre as economias de matriz portuguesa e a do território de Macau. O intercâmbio com os agentes económicos desses países pode e deve trazer novas dimensões de negócio à RAEM.

P.M. - Há muitos sinais na China – e em Macau – de uma nova atitude no campo da transparência das operações financeiras. Será também esse um instrumento útil para a internacionalização da economia de Macau?

P.C. – A Banca em Macau cumpre com os mais altos standards internacionais, em termos prudenciais, de risco, de transparência, nomeadamente do princípio “Know Your Customer” (KYC), o que é sempre um sinal positivo do sector financeiro perante os agentes económicos e a sociedade em geral, tanto local como a nível internacional.

P.M. - Peço-lhe duas ou três sugestões que queira deixar para que Macau possa melhor desempenhar o seu papel de plataforma entre a China e a Lusofonia.

P.C. – De entre outras possíveis, salientaria as seguintes:

1.Maior liberalização da oferta de produtos e serviços em CNY para empresas.

Principalmente para as empresas envolvidas no comércio entre a China e os países lusófonos seria um desenvolvimento importante.

2. “Business Lounge”

Muitas empresas que pretendem estabelecer-se em Macau deparam-se com a escassez de espaços ou com custos elevados de aluguer dos mesmos.

Para contornar tal problema, “Business Lounges”, com infraestructuras básicas (luz, Internet, fax, telefone), poderiam ser uma solução prática.

3.Incentivos específicos, nomeadamente linhas de crédito ou bonificação de juros para empresas dos países lusófonos que queiram investir em Macau. Paulo Rego – Macau in “Plataforma Macau”