Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Portugal - Estão abertas as candidaturas ao Prémio Literário Lions 2024

Já estão abertas as candidaturas ao Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal de 2024. O autor da obra premiada vai ganhar 2500€ e ver o seu texto publicado na Guerra e Paz editores


A Associação Internacional de Lions Clubes – Distrito Múltiplo 115, Fundação Lions de Portugal, e a Guerra e Paz Editores têm a honra de anunciar a abertura das candidaturas ao Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal de 2023, prémio que tem um valor monetário de dois mil e quinhentos euros, atribuído ao autor da obra premiada.

As candidaturas serão recebidas por email (e só por email), numa forma muito simplificada, que facilita a participação dos autores. As condições a que devem submeter-se as candidaturas estão expressas no Regulamento que pode encontrar nas páginas online do Lions de Portugal e no sítio da Guerra e Paz editores.

As candidaturas abrem no dia 1 de outubro do corrente ano e encerram às 23h59 do dia 30 de novembro de 2023.

A Guerra e Paz editores publicará a obra vencedora, tal como publicou já o romance Vidas por Fios, de José Martinho Gaspar, vencedor da edição de 2019, Os Dentes do Tejo, de Evelina Gaspar, romance vencedor do Prémio de 2020, o romance vencedor de 2021, A Desaparecida, de Ricardo Lemos, e Periferia, romance de Catarina Costa, vencedor em 2022 e O lixo dos outros, de João Albano Fernandes, vencedor de 2023.

O Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal foi criado em 2011 e destina-se a premiar e publicar uma novela ou um romance de autores portugueses, tanto de autores estreantes como de autores já com obra publicada, com a condição de que sejam inéditos.

Concebido para servir a causa da leitura e para servir os autores e a literatura portuguesa, este é um prémio que se enquadra nos objetivos de ligação e divulgação da cultura que norteiam, também, a ação do Lions de Portugal. In “Lions Clubes – Distrito Múltiplo 115” - Portugal


Portugal - A Constituição, a Habitação, o Urbanismo e o Direito a uma vida justa

Pelo preço que custaram e pelas rendas que por elas pedem os seus proprietários, parece evidente que muitas das habitações hoje construídas não se destinam, de facto, ao mercado normal da habitação

No último fim de semana, ocorreram, em diversas partes do nosso país, manifestações populares reivindicando do Estado e, através deste, de outras instituições por ele apoiadas - e, em alguns casos, mesmo, subsidiadas - a concretização de um direito constitucional: o direito à habitação.

Desde há vários anos, tem-se assistido a uma evolução do enquadramento político, económico e social do país que, neste como em outros aspetos necessários à construção de uma vida decente para os cidadãos, tem preterido, radicalmente, as mais importantes obrigações políticas do Estado, tal como a Constituição da República Portuguesa (CRP) as define.

Entre elas, evidenciam-se as que devem ser dirigidas à promoção da dignidade da pessoa humana e à construção de uma sociedade livre, justa e solidária (palavras do art.º 1.º da CRP).

No que, especificamente, diz respeito à habitação, a omissão de políticas eficazes de promoção, construção e disponibilização de habitação, por parte do Estado, aos cidadãos, conduziu, como se sabe, a uma crise grave.

Portugal é um dos países da União Europeia onde a habitação social detida pelo Estado (central e local) representa uma das mais baixas percentagens no número geral de habitações existentes.

Confrontamo-nos, agora, com uma crise que ameaça não só as classes populares como, neste momento, também, estratos sociais que, anteriormente, não conheciam problemas sérios no acesso à habitação.

Neste aspeto - como em outros - podemos até dizer que o nosso Estado estagnou e, em algumas áreas, regrediu mesmo nas políticas de promoção da dignidade e qualidade de vida dos cidadãos.

Isso é o resultado da preferência que o Estado vem, desde há muitos anos, dando a opções políticas fundadas, maioritariamente, em apoios pontuais e nunca em medidas projetadas sistematicamente ao futuro.

Políticas que não privilegiam, assim, a construção das condições para que a maioria dos cidadãos possa ter, hoje, esperança fundada de, amanhã, beneficiar de uma vida mais livre, justa e solidária.

Nos termos do seu artigo 65.º, que à habitação respeita, a CRP incumbiu, concreta e detalhadamente, o Estado de promover tais políticas nos seguintes termos:

«1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.

2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado:

a) Programar e executar uma política de habitação inserida em planos de ordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização que garantam a existência de uma rede adequada de transportes e de equipamento social;

b) Promover, em colaboração com as regiões autónomas e com as autarquias locais, a construção de habitações económicas e sociais;

c) Estimular a construção privada, com subordinação ao interesse geral, e o acesso à habitação própria ou arrendada;

d) Incentivar e apoiar as iniciativas das comunidades locais e das populações, tendentes a resolver os respetivos problemas habitacionais e a fomentar a criação de cooperativas de habitação e a autoconstrução.

3. O Estado adotará uma política tendente a estabelecer um sistema de renda compatível com o rendimento familiar e de acesso à habitação própria.

4. O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais definem as regras de ocupação, uso e transformação dos solos urbanos, designadamente através de instrumentos de planeamento, no quadro das leis respeitantes ao ordenamento do território e ao urbanismo, e procedem às expropriações dos solos que se revelem necessárias à satisfação de fins de utilidade pública urbanística.

5. É garantida a participação dos interessados na elaboração dos instrumentos de planeamento urbanístico e de quaisquer outros instrumentos de planeamento físico do território.»

Isso significa que - entre outros aspetos mais determinantes da política pública de habitação definida pela CRP - embora a sua concretização possa ser executada por intermédio das propostas e iniciativas do setor económico privado, a planificação urbanística, a sustentação e a definição dos objetivos da edificação de novas habitações deve ter sempre em conta os objetivos constitucionais prioritários, que compete ao Estado projetar, controlar e, se necessário, impor.

Ora, de acordo com tais objetivos, os planos de construção de habitação devem servir, em primeira mão, para colmatar as necessidades da maioria dos cidadãos e não apenas – como frequentemente acontece – uma minoria de privilegiados nacionais e estrangeiros.

Todavia, pelo preço que custaram e pelas rendas que por elas pedem os seus proprietários, parece evidente que muitas das habitações hoje construídas não se destinam, de facto, ao mercado livre e normal da habitação.

Muitos deles não habitam, nem se propõem habitar, as casas que adquiriram por valores milionários, nem, por outro lado, querem, verdadeiramente, pô-las no mercado a preços compatíveis com os rendimentos da esmagadora maioria dos portugueses.

Limitam-se a, nelas, empregar o dinheiro que têm, como quem, a título de investimento, compra barras de ouro.

Por tal motivo, na escolha e aprovação de propostas de edificação de habitações, o Estado (central e local) deveria, nos termos das prioridades definidas e detalhadas por aqueles preceitos constitucionais, privilegiar planos e projetos que visassem, de facto e em primeira mão, assegurar as necessidades de habitação dos cidadãos, de forma a contribuir, desse modo, para a sociedade justa que o artigo 1.º da CRP define e propõe como objetivo do Estado.

Como dizem Canotilho e Vital Moreira na sua «Constituição da República Anotada – 4.ª Edição», este direito tem uma dupla natureza.

«Por um lado, o direito a não ser arbitrariamente privado da habitação ou impedido de conseguir uma. Por outro lado, o direito à habitação consiste no direito a obtê-la por via de propriedade ou arrendamento, traduzindo-se na exigência das medidas e prestações estaduais adequadas a realizar tal objetivo.»

As políticas de apoio do Estado à concretização deste direito não podem, pois, limitar-se a colmatar, provisoriamente, as necessidades circunstanciais de alguns cidadãos na preservação da sua habitação, nem, tão pouco, ao apoio temporário à sua aquisição, por compra ou arrendamento.

Deve, também, e antes do mais, dirigir-se, ativamente, à programação e concretização de políticas públicas que permitam tornar efetivamente justa, hoje e amanhã, a vida de todos os cidadãos: privilegiando, por exemplo, a construção, pelo próprio Estado (central ou local) de habitação social.

O espaço político-institucional para melhor verificar se o Estado se vocaciona, ou não, para agir nesse sentido situa-se, não apenas na análise do programa político de medidas enunciadas para tal fim, mas, mais objetivamente, no exame e discussão da proposta do orçamento geral do Estado.

As manifestações realizadas em defesa do direito à habitação tiveram, por isso, a virtude de a todos alertar para a forma como o Estado se propõe, ou não, concretizar os princípios e objetivos constitucionais nos próximos tempos. António Cluny – Portugal in Jornal I online

 

António Cluny - Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Representante de Portugal na Eurojust - Unidade Europeia de Cooperação Judiciária- e na MEDEL - Associação de Magistrados Europeus pela Democracia e Liberdade.

Nomeado, por diversas vezes, Procurador da República em diferentes círculos judiciais.

Procurador-Geral Adjunto, colocado em substituição do Procurador-Geral da República nos Tribunais Supremos e no Tribunal de Contas em 22/6/98.

Perito do GRECO (Grupo de Estados Contra a Corrupção – comité especializado do Conselho da Europa), tendo participado nas equipas que avaliaram os sistemas públicos e de justiça do Mónaco e do Luxemburgo na perspetiva da luta contra a corrupção.

Em representação da Federação Internacional do Direitos Humanos (FIDH ) dirigiu no local uma missão na Amazónia (Belém do Pará) para investigar a morte de uma freira católica Norte-americana, cujo relatório apresentou em Genebra na Reunião Anual do Comité das Nações Unidas para defesa dos Direitos Humanos.

Participante em Washington e S. Francisco em conferências e iniciativas cívicas de luta contra Pena de Morte a convite da International Commission Against the Death Penalty e da Death Penalty Focus, tendo intervindo no Clube de Imprensa daquela primeira cidade.

Alguns livros e artigos:

Pensar o Ministério Público Hoje – Ed. Cosmos, Outubro de 1997.

Responsabilidade Financeira e Tribunal de Contas, Coimbra Editora, Dezembro de 2001.

O Ministério Público, o Estado de Direito Social e a Nova Criminalidade Organizada que reproduz uma intervenção num colóquio realizado em Bruxelas em 12, 13 Dezembro de 1997, pela MEDEL e a União Europeia subordinado ao tema «La Justice entravée – corruption et criminalité économique internationale» – RMP, n.º 72, 1997.

O Ministério Público e o princípio constitucional da igualdade – Caderno n.º 10 da RMP – Ed. Cosmos, Lisboa 2000.

Reflexões e Dúvidas no 25.º Aniversário do Estatuto do Ministério Público – RMP, n.º 95, 2003.

Démocratie et rôle de l’associationnisme judiciaire au Portugal – incluído na obra : La formation des magistrats en Europe et le role des syndicats et des associations profissionelles / Quelle formation, pour quelle Justice, dans quelle société - CEDAM, Padova, 1992.

Criminalidade em Tempo de Crise – O Cidadão (1995) III, 9-10: 23-28.


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Macau - Instituto Português do Oriente lança concurso para concessão da Livraria Portuguesa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) lançou o concurso para concessão da Livraria Portuguesa. O actual contrato, celebrado em Abril de 2011 com a Praia Grande Edições, termina a 31 de Março de 2024, depois de em 2021 ter sido prolongado por dois anos, devido à pandemia. As propostas devem ser entregues até 30 de Novembro.


Desejando manter a Livraria num regime semelhante, o IPOR pretende “encontrar um parceiro que, compreendendo os objectivos da Livraria Portuguesa, não só os cumpra plenamente, como desenvolva estratégias de projecção da língua e da leitura na Região”, indicou a instituição em comunicado.

A Praia Grande Edições – que publica o jornal Ponto Final e a revista Macau Closer – vai concorrer, adiantou o director, Ricardo Pinto, ao Jornal Tribuna de Macau.

Com a missão nuclear de promover, divulgar e comercializar as iniciativas editoriais redigidas em língua portuguesa, mas também noutras línguas, nomeadamente, a chinesa e a inglesa, a Livraria está desde 2003 concessionada a privados. Segundo o caderno de encargos, a cedência de exploração terá a duração de cinco anos, renovável por períodos iguais e sucessivos, se nenhuma das partes o denunciar com um prévio aviso de 180 dias.

O futuro concessionário terá de, entre outros aspectos, desenvolver anualmente “um conjunto de actividades dinamizadoras do espaço da Livraria Portuguesa que promovam o livro, a leitura, escritores e outras áreas artísticas e culturais dos países de língua portuguesa” e assegurar, de forma atempada, os livros escolares adoptados pela Escola Portuguesa ou para ensino do Português, assim como outro material didático usado na RAEM.

Além disso, deverá doar, por cada ano de vigência do contrato de cessão, três títulos actuais de autores dos países de língua portuguesa à Biblioteca Camilo Pessanha do IPOR, bem como pagar 100 mil patacas, por cada ano de vigência do contrato de cessão, a título de doação para o Fundo para a Promoção da Língua e Cultura do IPOR. Por outro lado, terá de apresentar ao IPOR, no final de cada ano económico, um relatório das acções desenvolvidas, bem como das contas do exercício.

As propostas deverão ser entregues até às 18h00 de 30 de Novembro. O projecto do plano de actividades vale 50%, à semelhança do currículo da empresa ou associação; seguindo-se 30% para a experiência na comercialização de livros. A experiência em actividades de dinamização cultural e na área editorial e publicação valem 10% cada, bem como a criatividade. Os restantes 7% e 5% distribuem-se, respectivamente, pelos objectivos referidos pelo IPOR no caderno de encargos e pelos que não estão elencados, mas que possam ser relevantes para a actuação da Livraria enquanto agente de dinamização cultural.

As propostas serão avaliadas por um júri composto pela directora do IPOR, Patrícia Ribeiro, pelo Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e pela delegada da Fundação Oriente, Catarina Cottinelli.

O associado maioritário do IPOR é o Estado Português, representado pelo Instituto Camões, com 51%, seguido da Fundação Oriente com 44%, estando os restantes 5% entregues a empresas da sociedade civil. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Goa - Tarushee Mehra: estimular a criatividade nas crianças e adultos

Tarushee Mehra é ilustradora, designer e educadora com experiência em planeamento e criação de conteúdo para diversas organizações com foco na arte, educação, desenvolvimento intelectual e bem-estar mental. Ela trabalhou com ONG como Sakshi.org, Saathi Haath Badhaana e Mithra Trust, com o objetivo de despertar a imaginação e a criatividade no público mais jovem.


Mehra também trabalhou com crianças, escolas e estudantes universitários como contadora de histórias de artefactos de museu e educadora artístico. Ela frequentemente concentra-se em temas e ideias para contar histórias por meio de workshops, permitindo aos participantes desenhar, rabiscar, pintar e criar colagens com mídia mista.

Atualmente radicada no sul de Goa, Mehra é apaixonado por criar espaços de expressão e melhorar a aprendizagem.

Para Tarushee, a arte é uma saída poderosa para a percepção e criatividade individual, oferecendo vários meios para adultos e crianças. Acende a criatividade, permite a apreciação de nuances e aprimora a percepção.

Incentivar as pessoas de todas as idades a explorar a arte pode trazer alegria e magia. Ela fala sobre a sua inspiração por trás do seu trabalho. “Os educadores da minha família e do meu local de trabalho são a fonte de inspiração pessoal e orientação na minha jornada como educadora criativa. Além disso, as áreas relacionadas de liderança, treinamento, educação, pesquisa e inovação constituem as inúmeras pedras de toque dos requisitos essenciais de proficiência”, diz ela.

Continua: “Estou inclinada a trabalhar com iniciativas que procurem integrar o design como ergonomia inerente e aprimoramento para pessoas de todas as esferas da vida”.

A arte em oficinas é inspiradora, pois integra vários tópicos e promove a aprendizagem não apenas para Tarushee, mas também para as crianças para quem ela projeta essas oficinas.

Ela diz: “As inúmeras formas de expressão através de campanhas de mídia social, websites, iniciativas de design digital, exposições públicas e workshops necessariamente me inspiram a evoluir constantemente como uma entidade criativa”.

Tarushee considera a arte como a expressão de ideias e imaginação significativas, muitas vezes nascidas do desejo de criar algo de novo. Pode ser considerado perfeito se capta e emula as imperfeições da vida, embora a apreciação das suas nuances possa variar.

Falando sobre os meios com os quais trabalha, ela diz: “A minha preferência sempre será a caneta e tinta e mídia tradicional. Também crio trabalhos em aquarela sobre papel e ilustrações digitais em mesa digitalizadora. Esboços rápidos, anotações e anotações de esboços são maneiras pelas quais tenho conseguido comunicar-me de maneira eficaz com os clientes nos estágios iniciais de qualquer projeto. Na minha prática, registar um diário com papel de rascunho, recortes de revistas e usar pastéis com desenhos de caneta e tinta é o meu lugar feliz!”

Tarushee fala sobre a sua prática artística pessoal, que envolve manter sempre um pequeno diário, ferramentas essenciais e um caderno de desenho.

Inspirada nos esboços e pinturas de Abhimanyu Ghumiray, ela considera esta prática agradável e livre de stresse. Ela também menciona os benefícios de desafios diários como o Inktober e o desafio 100 Dias de Sketching, que ajudam os artistas a manterem-se motivados e conectados a uma comunidade de apoio.

Ela acrescenta ainda: “O meu suposto ritual é ler e escrever muito e guardar partes da minha viagem, como canhotos de passagens e fotografias que me ajudam a manter-me inspirada. Também faço anotações nos meus diários com notas de workshops e trechos de conversas com amigos. Algo que estou a tentar fazer mais é tornar reais (e não enrolar) as ideias que vêm à minha cabeça com a maior frequência possível. Não deixe que essa ideia seja um “poderia ter sido” ou um “teria sido”! Vá lá e faça a coisa!

Tarushee sente que criar para si mesmo e ajudar os outros a criar são experiências diferentes. Planear atividades com crianças envolve definir objetivos e envolvê-las em atividades criativas com ferramentas básicas como lápis e papel.

O seu objetivo ao ensinar arte para crianças é fornecer conhecimento sobre ferramentas como pincéis e tintas e ajudá-las a explorar e aplicar a sua jornada criativa, garantindo ao mesmo tempo uma experiência divertida e envolvente.

Tarushee sentir-se-ia perdida sem a habilidade de desenhar, pintar, criar e fazer.

Ela diz: “É uma forma de expressar os meus pensamentos e emoções mais íntimas, enquanto melhora a minha compreensão de pessoas, lugares e eventos. Criei uma personagem não binária chamada Chalchal em 2019, que me fornece uma maneira de me expressar como personagem na minha jornada de aprendizagem.”

“É uma pessoa curiosa, entusiasmada e ávida, sensível e gentil nas suas interações com o mundo. Eu gostaria de pensar que tal pessoa também atrairia as crianças! Chalchal começou num caderno enquanto pensava em voz alta e finalmente ganhou forma enquanto desenvolvia a ideia como uma série ilustrativa!” Ela explica.

Como uma pessoa criativa, Tarushee descobre que o seu maior desafio é apenas começar uma obra de arte. Ela quase não teve dificuldade em instruir crianças.

Ela diz: “As crianças são realmente muito interativas! O envolvimento com crianças mais novas definitivamente precisa de ser orientado e estruturado, com bastante espaço para improvisar e expandir o envelope convencional.”

Se Tarushee não pinta ou ensina arte, ela trabalha como freelancer, como criadora de conteúdo e aceita projetos para iniciativas digitais personalizadas.

Tarushee está animada para trabalhar no espaço de arte e educação do Museu de Arte Cristã de Velha Goa, com foco no programa “Kids at MoCA”, que inclui caminhadas com curadoria, atividades práticas e intercâmbios interativos.

Tarushee incentiva artistas autodidatas ou aqueles que estudam ou pensam em mudar de profissão. Ela diz: “Eu encorajaria todos a darem o salto de fé! Eu não estaria onde estou sem o apoio dos mentores que conheci na minha jornada profissional e durante a minha formação.”

“Não existe um caminho único para explorar e se equipar para o tipo de trabalho que deseja fazer. Ajuda imaginar o tipo de espaço onde sente que pode contribuir mais e as etapas necessárias para chegar lá”, finaliza.

Fazer arte é uma jornada pessoal, seja para portfólios pessoais, projetos autofinanciados, voluntariado ou inscrição numa instituição, mas também fomenta a comunidade.

Tarushee disse: “Procure oportunidades em livrarias, museus e centros comunitários locais e pergunte como você pode contribuir. As oportunidades também podem surgir em espaços online. Fale sobre o seu trabalho para qualquer pessoa disposta a ouvir e encontrar o seu pessoal. Explore exposições na sua área. Por último, mas não menos importante, documente extensivamente o seu trabalho. Da concepção ao produto final, o que torna um artista único é a forma como pensa e a motivação com que consegue criar.” Padre Carlos Luís – Goa in “Gomantak Times”


Guiné-Bissau - Líder do Movimento Social Democrático acusa Presidente da República de ser principal mentor de “divergências políticas”

Bissau – A líder do Movimento Social Democrático (MSD), acusou o Presidente da República de ser o principal mentor das divergências políticas vividas nos últimos tempos no país.

“Foi o Presidente da República o autor principal das divergências políticas vividas nos últimos tempos no país, criando alas entre os autores políticos”, disse Joana Cobdé Nhanca, em conferência de imprensa sobre a atual situação sociopolítica do país.

A líder do MSD disse que o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló é o pai de todos os guineenses pelo que não deve fazer a política de divisão da sociedade guineense em alas.

Referiu que o Presidente da República já tinha criado “alas” aquando das últimas eleições legislativas antecipadas de 04 de Junho mas que não surtiu efeitos, porque o povo votou maciçamente no lado da verdade que é na coligação PAI - Terra Ranka.

Sobre os presos do caso 01 de Fevereiro de 2022, Cobdé Nhanca apelou ao Presidente da República para perdoar os supostos responsáveis ou tomar outras medidas claras.

A líder do MSD disse que os cidadãos da Guiné-Conacri residentes no país, devem saber que a Guiné-Bissau não lhes pertencem e que não têm o direito de fazer “refém” os cidadãos guineenses, com o monopólio dos preços de produtos nos mercados.

“Não vamos repatriar nenhum estrangeiro que pretende investir aqui, vamos aceitá-lo, mas com base no respeito às leis do nosso país e aos cidadãos nacionais”, disse.

Joana Cobdé Nhanca, sem identificar, diz que alguns políticos só se preocupam com a luta para lugares no aparelho do Estado, “para roubar dinheiro do povo”, ao invés de trabalhar para o bem-estar das populações. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


Internacional - Novas fotos lançam nova luz sobre o ícone mais precioso da Etiópia e como ele foi saqueado

Uma investigação do The Art Newspaper revelou novos detalhes sobre o infame roubo em 1868 de uma pintura de Cristo conhecida como Kwer'ata Re'esu, que se acredita ter sido pintada na Península Ibérica ou na Flandres por volta de 1520.

A imagem pode ser reproduzida, com crédito: Martin Bailey (fotografia), The Art Newspaper Contato: info@theartnewspaper.com


Entre as maiores perdas culturais da Etiópia na Batalha de Maqdala em 1868 estava um notável ícone do Cristo sofredor. Foi saqueado por Richard Holmes, um agente do Museu Britânico enviado para recuperar manuscritos e antiguidades da Etiópia. Ao retornar, ele não entregou a obra-prima ao museu, mantendo-a em segredo para que o museu não tivesse envolvimento direto no seu manuseio. A pintura foi vendida na Christie's em 1917 pelo herdeiro de Holmes. O Art Newspaper rastreou o Kwer'ata Re'esu até um cofre de um banco português em 1998. Agora, 25 anos depois, o nome do proprietário e uma imagem colorida, além de muitos novos detalhes fascinantes, aparecem num artigo exclusivo.

O Kwer'ata Re'esu tem uma história intercultural extraordinária. Pintado na Europa por volta de 1520, na Península Ibérica ou na Flandres, provavelmente foi enviado logo depois para a Etiópia. Lá tornou-se o ícone sagrado de sucessivos imperadores etíopes no que tem sido uma terra cristã desde o século IV. Embora muito pouco conhecido fora da Etiópia, é muito importante tanto em termos históricos como de história da arte.


O Art Newspaper espera que esta nova imagem colorida permita aos especialistas fazer uma atribuição segura. Atribuições anteriores incluem os artistas flamengos Quenten Massys, Adriaen Ysenbrandt, Albrecht Bouts e um aluno de Hans Memling; os artistas portugueses Lázaro de Andrade e Jorge Afonso; e o artista espanhol Bartolomé Bermejo. InCODART” – Países Baixos

Qualquer opinião sobre a atribuição do Kwer'ata Re'esu pode ser enviada para: m.bailey@theartnewspaper.com




segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Macau - Festival Literário avança detalhes do programa completo

Para além do programa já anunciado, com a vinda dos autores portugueses Francisco José Viegas e Valério Romão, o Festival Literário de Macau revelou mais nomes e detalhes do programa da sua 12.ª edição que junta escritores da Grande Baía e da Lusofonia em Macau entre os dias 6 e 15 de Outubro. A par da literatura contemporânea, prestar-se-á tributo a nomes grandes do passado: Camões, Shakespeare, W.H. Auden e J.R.R. Tolkien


Depois de três edições em que o Festival Literário de Macau, devido à pandemia, apenas pôde contar com a presença de autores locais, o evento deste ano marca o regresso de convidados vindos de fora. Segundo um comunicado enviado ontem às redacções pela organização, de Portugal chegam Valério Romão e Patrícia Portela, dois jovens escritores que têm em comum a originalidade das suas obras e passagens anteriores por Macau. Já António Caeiro, outro dos convidados, é um veterano do jornalismo com largos anos de trabalho na China. No festival vai apresentar o seu último trabalho, “Os Retornados de Xangai”. Francisco José Viegas, nome já anunciado, é o único dos participantes do exterior que já antes esteve no Rota das Letras, em 2015. Vem agora para falar das suas mais recentes novelas policiais, “Melancholia” e “Luz em Pequim”, e também para apresentar duas obras da editora Quetzal, que dirige: “O Jogo das Escondidas”, romance póstumo de Fernando Sobral antes publicado em fascículos pelo jornal Hoje Macau; e “Jornadas pelo Mundo”, do Conde de Arnoso, que retrata Macau e a China de finais do séc. XIX.

O centenário do nascimento de Henrique de Senna Fernandes abre o festival a 6 de Outubro, com o lançamento do primeiro livro de ensaios sobre a produção literária do escritor macaense, trabalho dirigido e coordenado por Lola Xavier e Pedro d’Alte, ambos professores da Universidade Politécnica de Macau. Na mesa deste primeiro painel vai estar ainda Miguel de Senna Fernandes, também autor e filho do homenageado. Antes desta sessão, e logo após a cerimónia de abertura do 12.º Festival Literário de Macau, vai ser inaugurada na galeria da Livraria Portuguesa a primeira exposição individual de pintura do artista norte-americano Benjamin Hodges, académico que reside em Macau há vários anos.

Este ano, o Rota das Letras vai ter a sua base, numa primeira fase, na Livraria Portuguesa, de 6 a 8 de Outubro, e depois na Casa Garden, sede da Fundação Oriente, no fim de semana de 13 a 15 do mesmo mês. Por ambos os espaços vão também passar vários autores de Macau ou aqui baseados: Joe Tang, Erica Lei, Yang Sio Mann, Isaac Pereira, Rui Rasquinho, Rui Farinha Simões, Paulo Cardinal, José Basto da Silva, Marisa C. Gaspar, Andrew Pearson, Tim Simpson, Joshua Ehrlich. Este último, historiador, vai apresentar a obra que recentemente publicou sobre a Companhia Britânica das Índia Orientais, justamente num espaço que outrora lhe serviu de sede, a Casa Garden.

A Grande Baía vai estar representada por nomes importantes das letras chinesas. Deng Yiguang, escritor de etnia mongol nascido em Chongqing, mas hoje baseado em Shenzhen, é um autor já galardoado com o Prémio Literário Lu Xun, um dos mais importantes da China.

Os seus romances estão traduzidos em várias línguas estrangeiras e têm sido, frequentemente, adaptados ao cinema. Fu Zhen, natural de Nanchang, em Jiangxi, agora radicada em Hong Kong, é uma das escritoras mais influentes da nova geração. Vem a Macau falar do seu primeiro romance, “Zebra”, e também dos vários livros de viagens que já publicou. Wang Weilian é outro dos jovens autores chineses de maior talento. Sinal disso, o ter sido distinguido com o Prémio Literário Mao Dun para Novos Autores e com a medalha de ouro na mais importante competição literária da China para obras de ficção científica.

Vem de Cantão, como vem também Zhu Shanbo, autor de vários romances históricos e colecções de contos. Xiao Hai, hoje a viver em Pequim, é um representante da chamada poesia operária chinesa, um género literário que está a ressurgir na China. No Festival Rota das Letras, vai partilhar a mesa de uma sessão com Valério Romão, que recentemente tem vindo a trabalhar este tema de forma performativa.

Sara Ferreira Costa, poeta, escritora e tradutora portuguesa, já esteve antes envolvida na organização do Rota das Letras, e volta agora como convidada. Vai apresentar a sua poesia e dirigir uma oficina sobre a tradução de poemas chineses, coordenando uma sessão livre de poesia, a ter lugar no bar Vasco’s, no hotel Artyzen-Grand Lapa.

Com o quinto centenário do nascimento do grande poeta português Luís Vaz de Camões a aproximar-se a passos largos – é já em 2024 –, o escritor e jornalista Carlos Morais José, director do Hoje Macau, vai entrevistar na Livraria Portuguesa Edward Wilson-Lee, professor da Universidade de Cambridge e autor de “A History of Water” – uma biografia de Camões que narra também, em paralelo, a vida de Damião de Góis. O autor britânico é especialista em literatura do Renascimento e vai juntar-se aos professores da Universidade de Macau, Glenn Timmermans e Nick Groom, seus compatriotas, na celebração de um outro marco importante da história da literatura: a publicação, há 400 anos, do primeiro livro inteiramente dedicado à dramaturgia de William Shakespeare – o “First Folio”. Noutras sessões do evento, Timmermans vai ainda evocar a figura do poeta britânico W.H. Auden, e Groom vai apresentar a edição mais recente do seu ensaio sobre a obra de J.R.R. Tolkien.

Quanto à fotografia, outra arte com lugar já reservado em cada edição do Festival Literário, vai estar novamente presente através do lançamento de obras da autoria de Rusty Fox e Francisco Ricarte, e do lançamento do sexto número da revista Halftone. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”