Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Macau - Praia Grande Edições sem concorrência na Livraria Portuguesa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) recebeu apenas uma proposta no concurso para a concessão da Livraria Portuguesa, um número que ficou “aquém das expectativas”, segundo disse a directora, Patrícia Ribeiro, ao Jornal Tribuna de Macau.


Ricardo Pinto, actual gestor do espaço, confirmou que a Praia Grande Edições entregou uma proposta. “Desconheço ainda [que tenha havido apenas uma proposta]. Obviamente, manifestámos interesse em continuar a fazer a gestão da Livraria, o que temos vindo a fazer já há 12 anos e com enorme prazer, e, entretanto, se de facto se confirmar que existe apenas uma proposta e que é a nossa, diria que ficamos muito contentes por poder continuar a prestar esse serviço e a ter o prazer -que é mesmo um prazer para nós – de fazer a gestão da Livraria”, afirmou Ricardo Pinto, em declarações a este jornal.

O actual contrato, celebrado em Abril de 2011 com a Praia Grande Edições, termina a 31 de Março de 2024, depois de em 2021 ter sido prolongado por dois anos, devido à pandemia. Desejando manter a Livraria num regime semelhante, o IPOR pretendia, com o concurso, “encontrar um parceiro que, compreendendo os objectivos da Livraria Portuguesa, não só os cumpra plenamente, como desenvolva estratégias de projecção da língua e da leitura na Região”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Macau - Instituto Português do Oriente lança concurso para concessão da Livraria Portuguesa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) lançou o concurso para concessão da Livraria Portuguesa. O actual contrato, celebrado em Abril de 2011 com a Praia Grande Edições, termina a 31 de Março de 2024, depois de em 2021 ter sido prolongado por dois anos, devido à pandemia. As propostas devem ser entregues até 30 de Novembro.


Desejando manter a Livraria num regime semelhante, o IPOR pretende “encontrar um parceiro que, compreendendo os objectivos da Livraria Portuguesa, não só os cumpra plenamente, como desenvolva estratégias de projecção da língua e da leitura na Região”, indicou a instituição em comunicado.

A Praia Grande Edições – que publica o jornal Ponto Final e a revista Macau Closer – vai concorrer, adiantou o director, Ricardo Pinto, ao Jornal Tribuna de Macau.

Com a missão nuclear de promover, divulgar e comercializar as iniciativas editoriais redigidas em língua portuguesa, mas também noutras línguas, nomeadamente, a chinesa e a inglesa, a Livraria está desde 2003 concessionada a privados. Segundo o caderno de encargos, a cedência de exploração terá a duração de cinco anos, renovável por períodos iguais e sucessivos, se nenhuma das partes o denunciar com um prévio aviso de 180 dias.

O futuro concessionário terá de, entre outros aspectos, desenvolver anualmente “um conjunto de actividades dinamizadoras do espaço da Livraria Portuguesa que promovam o livro, a leitura, escritores e outras áreas artísticas e culturais dos países de língua portuguesa” e assegurar, de forma atempada, os livros escolares adoptados pela Escola Portuguesa ou para ensino do Português, assim como outro material didático usado na RAEM.

Além disso, deverá doar, por cada ano de vigência do contrato de cessão, três títulos actuais de autores dos países de língua portuguesa à Biblioteca Camilo Pessanha do IPOR, bem como pagar 100 mil patacas, por cada ano de vigência do contrato de cessão, a título de doação para o Fundo para a Promoção da Língua e Cultura do IPOR. Por outro lado, terá de apresentar ao IPOR, no final de cada ano económico, um relatório das acções desenvolvidas, bem como das contas do exercício.

As propostas deverão ser entregues até às 18h00 de 30 de Novembro. O projecto do plano de actividades vale 50%, à semelhança do currículo da empresa ou associação; seguindo-se 30% para a experiência na comercialização de livros. A experiência em actividades de dinamização cultural e na área editorial e publicação valem 10% cada, bem como a criatividade. Os restantes 7% e 5% distribuem-se, respectivamente, pelos objectivos referidos pelo IPOR no caderno de encargos e pelos que não estão elencados, mas que possam ser relevantes para a actuação da Livraria enquanto agente de dinamização cultural.

As propostas serão avaliadas por um júri composto pela directora do IPOR, Patrícia Ribeiro, pelo Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e pela delegada da Fundação Oriente, Catarina Cottinelli.

O associado maioritário do IPOR é o Estado Português, representado pelo Instituto Camões, com 51%, seguido da Fundação Oriente com 44%, estando os restantes 5% entregues a empresas da sociedade civil. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Macau - Poemas seleccionados de José Craveirinha editados em livro

Grupo informal de investigação ECOAdOR (Estudos de Culturas Ocidentais, Africanas e do Oriente), em parceria com a Praia Grande Edições, aposta forte num dos nomes mais importantes da literatura moçambicana, no ano em que se comemora o centenário do seu nascimento. O autor de “Karingana ua Karingana” tornou-se o primeiro africano galardoado com o Prémio Camões, em 1991

O centenário do nascimento de José Craveirinha será celebrado em Macau, no próximo sábado, dia 28 de Maio, pelas 17h30, na Livraria Portuguesa, com o lançamento de um livro, com tradução para língua chinesa, de poesia seleccionada escolhida pelo Grupo informal de investigação ECOAdOR (Estudos de Culturas Ocidentais, Africanas e do Oriente) e com chancela da Praia Grande Edições. “Vai ser possível lançar este livro precisamente no dia em que faz 100 anos que nasceu o poeta moçambicano”, começou por dizer ao Ponto Final a professora universitária da Universidade Politécnica de Macau (UPM) Lola Geraldes Xavier.

A iniciativa de traduzir o poeta maior de Moçambique para chinês surgiu de forma natural, como nos confidenciou a mentora do projecto, Lola G. Xavier, que também coordena, desde o ano passado, o grupo informal de investigação ECOAdOR. “Temos alguns projectos no grupo que se prendem precisamente com essa divulgação e diálogo entre a língua portuguesa e a língua chinesa. Coordeno este sobre o Craveirinha, mas outros membros do grupo estão a trabalhar noutros projectos”, referiu a académica, revelando que o ECOAdOR está a preparar uma publicação já para o próximo ano que tem mais directamente a ver com Macau.

Mas, tratando-se de um grupo informal, conforme a académica reiterou, qual projecto que ali nasça tem de ser financiado à posteriori. “Foi aí que entrou a Praia Grande, na pessoa do Ricardo Pinto, a quem agradeço imenso, pois percebeu a nossa ideia e abraçou-a de imediato”, afirmou Lola G. Xavier, que explicou ainda que os grandes objectivos do grupo informal que coordena passam por “contribuir para a promoção e para a difusão das literaturas em língua portuguesa e colaborar para uma comunicação efetiva entre as culturas e literaturas em língua portuguesa e a língua chinesa”.

Durante este último ano, explicou ao Ponto Final, o ECOAdOR quis homenagear José Craveirinha, preparando um livro de ensaios. “A sair no segundo semestre por uma editora brasileira” e “a tradução de poemas seleccionados para chinês por dois estudantes do doutoramento em Português da UPM: Lu Jing e Wu Hui”. “Sem o interesse, motivação e perseverança deles, esta publicação não seria possível”, considera Lola G. Xavier, fazendo notar que sempre fez sentido “publicar em Macau, dando razão às directrizes governamentais de Macau enquanto plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Durante esta semana, revelou ainda a professora, “haverá várias homenagens feitas ao poeta, com colóquios, palestras, etc., sobretudo em Moçambique e em Portugal”, por isso a ECOAdOR vai juntar-se às celebrações “com o lançamento desta tradução, a primeira para chinês deste poeta”.

No evento na Livraria Portuguesa, que para além de presencial será transmitido online, via Zoom (https://zoom.us/j/95792888265), o proprietário da Praia Grande Edições, Ricardo Pinto, iniciará o evento com um discurso de boas-vindas. Em seguida, pelas 17h45, Lola G. Xavier fará a apresentação do projecto e agradecimentos. Quinze minutos depois, Wu Hui e Lu Jing falarão da sua experiência enquanto tradutores de Craveirinha. Pelas 18h15, Wang Yuan, da Universidade de Pequim, fará alusão à história da tradução de autores moçambicanos na China. O brasileiro Giorgio Sinedino, tradutor-intérprete, explicará como é traduzir, poeticamente falando, obras literárias do português para o chinês. Pelas 18h45, o professor Pires Laranjeira, da Universidade de Coimbra, vai abordar o tema “Craveirinha, uma óptima escolha para começar” e, antes de uma discussão final com perguntas e respostas, moderada por Lola G. Xavier, o filho do poeta, o artista plástico Zeca Craveirinha, dedicará algumas palavras ao pai.

José Craveirinha nasceu em Maputo, Moçambique, a 28 de Maio de 1922, e morreu em Joanesburgo, na África do Sul, a 6 de Fevereiro de 2003. É considerado o maior poeta da literatura moçambicana e, em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. “Karingana ua Karingana”, o seu segundo livro, datado de 1963, mas só publicado em 1974, é considerada a sua obra-prima. Trata-se de um livro que transmite, de forma poética, o dia-a-dia dos moçambicanos, numa época marcada pela luta contra a ocupação colonial. Em sua homenagem, a Associação dos Escritores Moçambicanos instituiu em 2003, o Prémio José Craveirinha de Literatura. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”