Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 29 de maio de 2018

Macau – Universidade Cidade de Macau quer lançar programa de português em 2019/2020

O reitor da Universidade Cidade de Macau pretende que o programa voltado para o Português que a instituição está a criar entre em vigor no ano lectivo 2019/2020. A instituição quer fomentar laços com Portugal e Timor-Leste, enquanto aposta em programas que complementem a formação já existente no território



A Universidade Cidade de Macau (UCM) está há cerca de três anos a desenvolver um programa de licenciatura voltado para a Língua Portuguesa, e quer que entre em vigor a partir do ano lectivo 2019/2020. À Tribuna de Macau, o reitor da universidade adiantou que o plano deverá ficar completo dentro de poucas semanas, estando a passar por um processo interno de avaliação que envolve o convite de especialistas externos para esse propósito. “Terá de ser aprovado pelo nosso senado, conselho académico e depois de tudo isso vamos submetê-lo à aprovação formal do Governo”, disse Shu Guang Zhang.

“Demorou este tempo porque queríamos identificar algo que nos permitisse treinar essas capacidades de forma muito especial. Como sabemos, a RAEM tem programas de língua portuguesa em diversas instituições, a Universidade de Macau, o Instituto Politécnico, a Universidade de Ciência e Tecnologia”, reflectiu o reitor, indicando que a diferenciação da oferta da UCM requereu, por isso, “muita pesquisa sobre como melhor endereçar as necessidades do desenvolvimento local, bem como do desenvolvimento regional”.

Até que o programa entre em vigor, a instituição de ensino superior encontra-se a recrutar mais pessoal, e estabeleceu relações colaborativas com as Universidades do Minho, de Évora e do Porto. A ideia é criar programas de intercâmbio, mas também captar os recém doutorados destas instituições – em Português e não só, uma vez que planeia expandir para além da língua e cultura – para ensinarem a tempo inteiro na CityU. A instituição planeia ainda lançar uma licenciatura em Finanças.

Um ano após a abertura dos programas de mestrado e doutoramento focados nos Países de Língua Portuguesa, Shu Guang Zhang faz um bom balanço. “Estamos a rever o seu primeiro ano de estudos para podermos emendar e melhorar os nossos programas para o segundo ano”, disse.

Noutra linha, o representante da instituição mostrou-se esperançoso de lançar laboratórios de pesquisa em conjunto com a Universidade de Évora. Mas mais voltados para a aplicação de diferentes ciências e tecnologias para propósitos de, por exemplo, cuidados dos idosos.

O reitor frisou que, para além das ferramentas linguísticas, é importante os estudantes compreenderem os países de língua portuguesa para que no futuro sirvam de ligação com os seus pares nessas partes do mundo. 

Timor-Leste tem “grande potencial”

Para além dos laços com Portugal, admitiu que “ainda não [ter desenvolvido] relações muito substanciais com países de língua portuguesa, excepto com Timor-Leste”. O reitor frisou, porém, que já realizou visitas ao país, tanto a representantes do Governo, como da Universidade Nacional de Timor e também a uma universidade privada, e está a tentar ajudar a Universidade Nacional a desenvolver educação para o turismo.

“Esperamos começar com bolsas de estudo e estamos a fazer pesquisa, por isso formámos uma equipa de aprendizagem experiencial. Esperamos no futuro próximo enviá-los a Timor para explorarem o local e que projectos de turismo podem ser desenvolvidos. Para propósitos de aprendizagem, não comerciais”, explicou.

O docente acredita que Timor-Leste “tem grande potencial” e “preparado para descolar economicamente”. Nesse sentido, a UCM vai acolher uma conferência sobre o país no próximo ano. “Não temos nenhuma relação com outros países de língua portuguesa. Esperamos no futuro poder vir a ter. Somos uma universidade pequena, temos recursos limitados e só podemos fazer uma coisa de cada vez”.

Shu Guang Zhang reconheceu que até ao momento não há muita cooperação entre as instituições locais de ensino superior, uma vez que estão a passar por fases e desafios diferentes. Mas mostrou vontade de aprofundar os laços. “Esperamos todos trabalhar juntos para desenvolver a educação em Macau. Vai dar um grande salto nos próximos anos, especialmente com a nova lei e acho que isso vai mudar a dinâmica do ensino superior em Macau”.

O reitor sublinhou que dada a dimensão de Macau não quer gastar recursos a competir com os outros. A vontade é clara, e orientada para uma estratégia de desenvolvimento diferenciado. Por um lado, através de um enfoque em artes, humanidades e ciências sociais, com as ciências e tecnologias em apoio dessas áreas. Por outro, ao seguir o que outras universidades metropolitanas fazem.

Estreitada cooperação com Fórum

A Universidade Cidade de Macau e o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa assinaram um acordo de cooperação e promoveram uma palestra sobre os perfis dos países que integram o Fórum. “A China tornou-se o maior parceiro comercial dos Países de Língua Portuguesa na área do investimento directo”, disse a secretária-geral do organismo, Xu Yingzhen, frisando ainda a importância da formação de bilingues para Macau realizar o seu papel como plataforma. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Peru – Encontrada múmia intacta dentro de “caixão” de algodão



Uma equipa de arqueólogos da Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica) encontrou no Peru uma múmia de cerca de 1000 anos de idade dentro de uma espécie de caixão vertical feito de algodão. A descoberta foi realizada em Pachacamac, um sítio arqueológico costeiro perto de Lima.

"Acreditamos que o enterro foi realizado entre os anos 1000 a 1200 de nossa era", sublinhou Peter Eeckhout, diretor das escavações, num comunicado. "O defunto está completamente envolto num enorme pacote funerário que lhe serviu de caixão", explicou ele.

De acordo com a equipa de pesquisadores, associados ao centro CReA-Patrimoine da universidade, a descoberta arqueológica está associada à cultura Ichma que existiu na costa central do Peru entre 900 e 1470 d.C. "As descobertas dessa natureza são raras, e o estado de conservação [da múmia] é excepcional", indicou Eeckhout.

Em sítios arqueológicos vizinhos foram descobertos corpos envoltos de forma similar e enterrados de cócoras, mas também foram encontrados em posição fetal. Com o objetivo de confirmar esse e outros detalhes, a equipa planeia estudar o conteúdo do "caixão" usando raios X, tomografia axial, reconstrução tridimensional e outros métodos não invasivos. In “Sputnik” - Brasil

Mercosul-UE: perto de acordo

SÃO PAULO – Iniciadas há exatamente duas décadas, as negociações para a criação de um acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) parecem caminhar para uma conclusão satisfatória até o final de 2018, a se levar em conta o que garantiu o secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão, indicado recentemente para chefiar a missão brasileira junto à UE. Nem mesmo as restrições impostas por Bruxelas à carne de frango brasileira deverão afetar a reta final das conversações, segundo o diplomata.

Por enquanto, como assegurou o embaixador, há ainda 12 grupos negociando questões específicas, como serviços, acesso a bens industriais e agrícolas e propriedade intelectual, entre outros, mas restariam poucas pendências em alguns deles. Sabe-se ainda que há a pretensão dos europeus para que sejam eliminadas as barreiras tarifárias para automóveis fabricados na Europa, enquanto o Mercosul reivindica acesso mais fácil para carnes e etanol.

Seja como for, é de se elogiar, desta vez, a conduta da diplomacia brasileira, que soube como conduzir as negociações primeiro dentro do Mercosul, especialmente em relação ao parceiro mais importante do grupo, a Argentina, e depois com os europeus, sem reações ríspidas diante de algumas atitudes da UE para com produtos brasileiros, especialmente o embargo ao frango e pescado provenientes do Brasil. É de se lembrar também que agora Brasil, Argentina e Paraguai tem regimes favoráveis à liberalização comercial, o que facilitou a adoção de uma diretriz comum para as negociações.

Ainda que o sucesso nas negociações comerciais venha a demorar mais um pouco, não se pode deixar de reconhecer que a  UE é um parceiro de destaque no comércio com o Brasil. Basta ver que, nos quatro primeiros meses de 2018, as exportações de produtos brasileiros para os 28 países que formam aquele bloco cresceram 34,4% em comparação com igual período do ano passado – contra 5,8% de aumento em relação  aos EUA e 4% em relação a China. Sem contar que o Brasil já se tornou a quarta maior fonte de investimentos diretos de países europeus, com 127 bilhões de euros acumulados, perdendo apenas para EUA e Suíça.

Levando a UE a uma posição mais liberal está ainda a política protecionista dos EUA, sob o governo Donald Trump, que a obriga a abrir outras frentes de negociação, o que inclui maior aproximação com o Mercosul e a China. Já o bloco sul-americano deixou para trás uma agenda de retórica esquerdizante e passou a adotar uma agenda mais pragmática, colocando como prioridade alcançar bons resultados econômicos.

Isso significa que, além do acordo com a UE, o Mercosul pode fechar o projetado tratado com a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru), com o decidido apoio do Chile que tem no Brasil o seu principal parceiro comercial na América do Sul, com uma corrente de comércio que chegou a US$ 8,5 bilhões em 2017, o que representou alta de 22% em relação a 2016. Em outras palavras: pela primeira vez em muitos anos, a diplomacia comercial brasileira parece que acertou o passo. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Cabo Verde - Ilha do Sal: Segundo Festival Literatura-Mundo

Espargos – A segunda edição do Festival Literatura-Mundo do Sal (FLMSal), que terá lugar na ilha do Sal, de 21 a 24 de Junho próximo, homenageia os poetas cabo-verdiano Mário Fonseca e o argentino Jorge Luiz Borges.

O poeta e ensaísta Mário Fonseca a quem este ano o Festival de Literatura Mundo do Sal rende homenagem, faleceu no dia 25 de Setembro de 2009, na Cidade da Praia, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Combatente da Pátria, Mário Alberto de Almeida Fonseca, de nome próprio, nasceu a 12 de Novembro de 1939, na Cidade da Praia. Foi professor de Francês no Senegal e administrador e tradutor na Mauritânia e Turquia.

Já, Jorge Luiz Borges (1899-1986) é considerado um dos escritores mais importantes do século XX, não somente na Argentina, seu país de origem, mas a nível mundial.

As suas obras incluem contos, ensaios e poemas, e as suas ideias políticas também foram “muito polémicas”.

De entre os seus poemas destacam-se “Poema de los dones”, “Los justos”, “Ausencia”, “Ajedrez”, “Los espejos” e “Los Borges”.

À semelhança do ano passado, escritores, editores, tradutores, professores, investigadores e leitores interessados, de várias paragens do mundo, participam de diferentes painéis de apresentação e mesas de trabalho sobre os fazeres literários definidos como Literatura-Mundo, para além de diálogos entre os participantes e lançamentos de livros.

Promovido pela Câmara Municipal do Sal, a curadoria do escritor José Luís Peixoto e organização da Rosa de Porcelana Editora, o festival propõe reflectir e debater o alargamento dos cânones literários, visibilizar as várias literaturas dos países e inscrever Cabo Verde na rede internacional da Literatura-Mundo.

A lista das personalidades do mundo das letras, das academias da cultura que deverão estar presentes no Sal para reflexões e debates literários será divulgada brevemente, conforme organização, que se manifesta esperançada com o interesse do público por um tema, “tão específico e complexo”, que é a literatura-mundo, evento que vai movimentar a ilha a esse nível, durante quatro dias.

Nesta base, aproveita para convidar todos os salenses e cabo-verdianos a participarem “activamente” nesta festa da literatura internacional, que visa marcar a ilha não só como uma terceira montra cultural “importante” em Cabo Verde, mas também integrá-la numa rede mundial de apresentações culturais de um tema “tão actual” como literatura-mundo. In “Inforpress” – Cabo Verde

Moçambique - Fundaso aponta energias renováveis como solução para desenvolver micro e pequenas empresas

Grande parte das populações moçambicanas vive nas zonas rurais, onde a rede nacional de energia ainda não chega.

A Fundação Soico em parceria com a TechnoServe entendem, no entanto, que este não pode ser um factor de impedimento para o desenvolvimento de micros e pequenos negócios pelas mulheres. Por isso a Fundaso organizou, na passada quinta-feira, um workshop visando uma reflexão sobre a utilização das energias renováveis.

Mas, há desafios que ainda estão a ser enfrentados mesmo no acesso às energias alternativas.

O Fundo Nacional de Energia diz estar a trabalhar com as comunidades para promover o acesso a energias renováveis.

O evento contou com a presença dos representantes do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, da Federação de Mulheres Empreendedoras e outras organizações da sociedade civil. In “O País” - Moçambique

domingo, 27 de maio de 2018

Portugal – Aquilino Ribeiro, efeméride

27 de Maio de 1963: Morre o escritor português Aquilino Ribeiro, autor de "Terras do Demo" e "Andam Faunos pelos Bosques"

Ficcionista, autor dramático, cronista e ensaísta português, nasceu em Sernancelhe, na Beira Alta, a 13 de setembro de 1885, e faleceu em Lisboa, a 27 de maio de 1963. Passados 44 anos da sua morte, em setembro de 2007, os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.

Estudou em Lamego e em Viseu, e em 1901 foi para Lisboa. Ex-seminarista, dedicou-se ao jornalismo, tendo colaborado, entre outras publicações, com Jornal do Comércio, O Século, A Pátria, Ilustração Portuguesa, Diário de Lisboa, República, e pertencido ao grupo que, em 1921, fundou Seara Nova. Ligou-se ao movimento republicano e interveio ativamente na revolução, chegando mesmo a ser preso. Fugiu para Paris, frequentou a Sorbonne e escreveu o seu primeiro livro, intitulado Jardim das Tormentas (1913).

Regressado a Portugal depois da eclosão da Grande Guerra em 1914, exerceu a carreira de professor e foi conservador na Biblioteca Nacional até 1927. Obrigado de novo, por razões políticas, a sair do País, só regressou definitivamente em 1933.

A evocação de peripécias da sua existência em algumas das obras ficcionais impõe, na análise da novelística de Aquilino, a apreensão de uma inspiração autobiográfica (nomeadamente em volumes como Cinco Réis de Gente, Uma Luz ao Longe, Lápides Partidas, O Homem que Matou o Diabo, entre outros), ao mesmo tempo que os seus escritos de índole memorialista (É a Guerra, Alemanha Ensanguentada, Um Escritor Confessa-se), no registo impressivo de décadas durante as quais o país e a Europa sofrem profundas convulsões, constituem um testemunho histórico precioso no esboço da história de uma metade de século tragicamente protagonizada por "guerras, ditaduras, revoluções, morticínios, [...] inocências e desenganos, bateladas de mortos" (cf. "Nota preliminar a O Malhadinhas, Amadora, 1958).(...)

Foi, em 1956, eleito o primeiro presidente da Associação Portuguesa de Escritores, como prova do reconhecimento de que a sua obra gozava, mas também do consenso reunido à volta de uma figura tornada carismática pela sua postura cívica quase heroica. No momento em que se preparava para ser alvo de uma homenagem pública nacional, promovida por várias cidades e sugerida pelo cinquentenário da publicação de O Jardim das Tormentas, morreu subitamente, em 1963.

A vastíssima obra de Aquilino Ribeiro abrange domínios variados que vão do romance, da novela e do conto às memórias, aos estudos etnográfico e histórico, à biografia, à polémica ou à literatura infantil.

Vários caracteres distinguiram, desde o momento da sua estreia e ao longo de mais de seis dezenas de volumes, o lugar singular que Aquilino veio ocupar na narrativa contemporânea; desses traços, o mais evidente seria, ao nível do estilo, a tendência para a integração de um manancial vocabular regional na sua própria escrita, efeito que, conjugado com a erudição e atravessando coloquialmente todos os níveis de discurso (direto, indireto, indireto livre), se é certo que levantava certos obstáculos de legibilidade - em 1988, o Centro de Estudos Aquilinianos editou um Glossário Aquiliniano -, dotava também os seus romances e narrativas curtas de certo casticismo linguisticamente sugestivo, na evocação do ambiente da Beira serrana nas primeiras décadas do século. Indiferente aos contextos histórico-literários que foram seus contemporâneos (modernismo e, posteriormente, presencismo e neorrealismo), a obra de Aquilino foi recebida quer com entusiasmo pelos leitores que nela auscultavam a imagem de um Portugal ancestral, perdido num tempo e num espaço genesíacos, não propriamente utópicos, mas onde a ação do homem dependia da natureza, dos instintos, de uma religiosidade popular próxima da crendice e da superstição, em suma, da sua integração no cosmos, anterior à fratura com a civilização e com a entrada na época contemporânea; quer de forma redutora pelos que acusariam a sua falta de universalismo, o carácter pouco espontâneo e barroco da sua expressão linguística, a sua oposição à modernidade na manutenção dos moldes de composição tradicionais.

De entre os numerosos títulos que Aquilino publicou, merecem especial destaque Terras do Demo (1919), O Malhadinhas (primeira versão em 1922), Andam Faunos pelos Bosques (1926), O Romance da Raposa (1929), Cinco Réis de Gente (1948), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1959). In "Estórias da História" - Portugal

Aquarela















Vamos aprender português, cantando


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,
e se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
vai voando, contornando a imensa curva norte e sul,
vou com ela, viajando, Havaí, Pequim ou Istambul
pinto um barco a vela branco, navegando,
é tanto céu e mar num beijo azul
entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
tudo em volta colorindo, com suas luzes á piscar
basta imaginar que ele está partindo, sereno, lindo,
e se a gente quiser, ele vai pousar

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
de uma américa a outra consigo passar num segundo,
giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está
e o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
que descolorirá
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
que descolorirá
giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
que descolorirá

Toquinho - Brasil