Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 4 de abril de 2025

China - Académicos realçam papel de Macau nas relações com o Brasil

A conferência anual da Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía teve lugar na Universidade Politécnica de Macau, para debater, entre outros temas, o papel da RAEM como canal de comunicação nas relações entre a China e o Brasil. O debate contou com a presença de mais de uma centena de professores e alunos



Sob o tema “Potencialização da Grande Baía: Inovação e Desenvolvimento no Comércio Sino-Brasileiro sob a Nova Rota da Seda”, a conferência anual da Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía reuniu na Universidade Politécnica de Macau (UPM) mais de uma centena de professores e alunos, entre os quais especialistas e académicos de Guangdong, Hong Kong, Macau e Brasil. Segundo a UPM, o debate explorou as oportunidades geradas pelo desenvolvimento inovador do comércio China-Brasil, tendo em vista promover intercâmbios académicos da língua portuguesa na Grande Baía e impulsionar o novo padrão de cooperação e desenvolvimento de “Uma Faixa, Uma Rota”.

Vários oradores expuseram os seus pontos de vista, focados no papel estratégico, inovador e orientador das relações China-Brasil.

Marcus Im, reitor da UPM, disse durante o encontro que, com base na Grande Baía, aquela instituição de ensino desenvolve uma plataforma para a cooperação entre os dois países, em áreas como educação, ciências, tecnologias e cultura. Ao mesmo tempo, promove uma cooperação mais estreita no campo do ensino superior, “a fim de criar um novo padrão de cooperação vantajosa para ambas as partes e de prosperidade comum”.

Por sua vez, o vice-director Permanente da Escola de Educação Profissional e Contínua da Universidade de Hong Kong, apresentou a história do comércio entre a China e o Brasil e o papel de Macau na cooperação entre os dois países. Macau enquanto plataforma entre a China e os PLP “constituiu um canal de comunicação para o estabelecimento das relações China-Brasil e tornou-se uma das pontes de ligação”, disse Sonny Lo.

O representante da RAEHK discursou sobre o tema “Relações Bilaterais entre a China e o Brasil e o Papel de Macau”, afirmando que o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada “cria mais possibilidades de comércio para o Brasil”, assim como a cooperação em matéria de comércio, investimento e tecnologia na Grande Baía e em Hengqin “abre novas oportunidades para o desenvolvimento comercial entre a China e o Brasil”.

Já o reitor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, Yan Xiangbin, salientou a vontade em explorar, em conjunto com os parceiros da Aliança, “novos caminhos para a cooperação na educação”, manifestando o interesse na formação de mais quadros qualificados para a promoção do intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). Assim, sustentou, poderá ser criado “um novo futuro para o desenvolvimento comercial” e aberto “um novo capítulo da cooperação entre a China e os PLP, fortalecendo as relações entre a China e o Brasil”.

Enquanto isto, o director do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas do Brasil, apresentou na conferência da Aliança os resultados académicos e de investigação científica do Grupo de Estudos Brasil-China da Universidade Estadual de Campinas, do Centro Cass-Unicamp de Estudos sobre a China e do Instituto Confúcio. Célio Hiratuka revelou que a Universidade de Campinas está em processo de criação de um centro de estudos interdisciplinares Brasil-China, que integrará recursos académicos para a realização de pesquisas em cinco áreas, nomeadamente sociedade, cultura e línguas, economia, políticas públicas e relações internacionais, ciências, tecnologias e inovação, ambiente, transição energética e desenvolvimento sustentável e saúde e ciências da vida. Deste modo, a universidade brasileira pretende “contribuir para a promoção da cooperação diversificada entre os dois países”, expressou.

A Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía foi criada em 2020 mediante a cooperação entre a UPM, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong e a Escola de Educação Profissional e Contínua da Universidade de Hong Kong. Tem como objectivo desenvolver o papel de Macau como plataforma entre a China e os PLP, reforçar o intercâmbio de professores e estudantes entre Guangdong, Hong Kong e Macau e, através da realização conjunta de seminários académicos, competições académicas, projectos de cooperação científica, entre outros, promover a integração, a inovação, a partilha e o desenvolvimento do ensino da língua portuguesa nas três regiões. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

China – Pretende mais parcerias e cooperação com Portugal, diz embaixador chinês em Lisboa

O embaixador chinês em Portugal afirmou ontem que a China pretende desenvolver as “excelentes” relações de cooperação e as parcerias com Portugal, que têm registado uma “boa tendência de desenvolvimento”, com “grande intensidade e com resultados promissores”.

Zhao Bentang falava ao abrir a 3.ª Conferência Internacional de Cooperação Portugal-China, que decorre até hoje presencial e virtualmente a partir da sede da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), em Lisboa, e cujos temas dizem respeito à cooperação económica, social, científica e tecnológica.

Na iniciativa promovida pela União das Associações de Cooperação e Amizade Portugal-China e pelo Observatório da China, que conta com a presença do ministro do Mar português, Ricardo Serrão Santos, e do secretário de Estado para a Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, o embaixador da China em Lisboa enfatizou o facto de Portugal ser “um parceiro endógeno” de Pequim.

“Tendo como ponto importante o reforço da Rotas da Seda, quer terrestre quer marítima, Portugal é um parceiro endógeno dessa construção. Há centenas de anos, os corajosos portugueses navegaram ao longo da Rota da Seda marítima para o Oriente, abrindo a porta para o comércio marítimo. Nos últimos anos, Portugal tem estado a participar activamente na construção desta nova fase económica, dando continuidade a este capítulo maravilhoso da conversão das relações”, salientou Bentang.

O diplomata chinês destacou que Portugal foi um dos 57 países fundadores do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII) e dos primeiros Estados europeus a assinar documentos de cooperação em construção de infraestruturas com a China, o que tem permitido trazer benefícios multilaterais e com países terceiros.

“A China é o maior parceiro comercial de Portugal na Ásia, bem como o maior destino das exportações de carne de porco portuguesa. Nos primeiros nove meses deste ano, o volume comercial aumentou e atingiu os 6387 milhões de dólares [5660 milhões de euros], um valor superior ao de todo o ano de 2019. O investimento direto da China em Portugal este ano aumentou 47,76%”, exemplificou.

“Nos últimos anos, as relações sino-portuguesas têm apresentado uma boa tendência de desenvolvimento e, através de um diálogo de alto nível, a cooperação tem sido muito intensa, com resultados promissores e uma cooperação estreita ao nível multilateral”, acrescentou, realçando a criação, em menos de seis meses, de uma nova parceria estratégica.

Bentang destacou também que, a 27 de Agosto passado, o Presidente da China, Xi Jinping, manteve “mais uma conversa telefónica” com Marcelo Rebelo de Sousa, tendo ficado acordado um “reforço estável e sustentável da cooperação bilateral”.

“Nos últimos oito anos, desde o lançamento da iniciativa da nova Rota [da Seda], o crescimento da cooperação em Portugal tem trazido muitos benefícios económicos e bilaterais, assim como resultados em mercados terceiros”, salientou.

Nesse sentido, Bentang indicou que quer Marcelo Rebelo de Sousa quer o primeiro-ministro português, António Costa, expressaram em várias ocasiões a vontade de reforçar a cooperação com a China no âmbito da Rota da Seda e de “criar maiores sinergias e eficácia nas estratégias de desenvolvimento”.

“A parte chinesa atribui grande importância ao papel marcante que Portugal desempenha na construção e no desenvolvimento da Rota [da Seda] e está disposta a trabalhar, em conjunto, com a parte portuguesa, para promover a cooperação programática bilateral em todas as áreas, para atingir novos patamares”, afirmou.

Na área dos oceanos, Bentang realçou a cooperação já existente através de protocolos de defesa e promoção do mar, preservação da biodiversidade, combate à poluição marítima ou ainda de expedições marítimas assinados entre universidades e instituições chinesas e portuguesas para o desenvolvimento da “economia azul”.

“O mar promove desenvolvimento e a China e Portugal estão a desenvolver activamente a parceria azul com o desejo de que os oceanos venham a beneficiar as gerações do futuro”, concluiu Bentang.

A conferência conta com três mesas redondas sobre temas como “Uma Nova Era de Crise Ambiental e de Transição Energética”, “O Futuro da Europa à Luz da Crise Civilizacional e Ambiental e do Conceito Chinês de Uma Nova Era” e “A Cooperação Política, Económica, Financeira, Cultural, Científica e Tecnológica”. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Macau - Relíquias do intercâmbio cultural entre Oriente e Ocidente em exposição no Museu de Arte de Macau

A inauguração da exposição “A Cidade Proibida e a Rota Marítima da Seda” acontece já no próximo sábado no Museu de Arte de Macau (MAM) e apresenta mais de 100 relíquias culturais do auge do intercâmbio entre civilizações



“Macau foi sem dúvida um núcleo da Rota Marítima da Seda. Após os feitos portugueses na Era dos Descobrimentos, no final do século XV, Macau tornou-se um porto de trânsito entre a China e o Sudeste Asiático, Japão e Europa, e uma importante plataforma para trocas comerciais, científicas, artísticas e religiosas. Durante as dinastias Ming e Qing, missionários e pintores ocidentais que mais tarde serviriam na corte interna chinesa entraram na China continental sempre a partir de Macau”, recorda Chan Kai Chon, presidente do Instituto Cultural (IC) na nota de abertura da exposição publicada no portal online do MAM.

Para lá e para cá, o mundo nunca mais foi o mesmo e, felizmente, há objectos que podem fazer prova disso mesmo. O Museu de Arte de Macau (MAM) abre portas já no próximo sábado à segunda fase da mega-série de exposições dedicada ao tema “A Grande Viagem”, que inclui as exposições, “A Cidade Proibida e a Rota Marítima da Seda” e “Produtos Culturais e Criativos do Museu do Palácio e Área Educacional” para apresentar uma vasta colecção de relíquias culturais que testemunharam a “época dourada” da Rota da Seda.

Apresentando um total de quase 150 relíquias culturais de grande valor provenientes do acervo do Museu do Palácio, incluindo porcelanas, instrumentos científicos, relógios, artigos de uso diário, peças esmaltadas, obras de caligrafia, pinturas e tecidos relacionados com a Rota Marítima da Seda, a exposição “A Cidade Proibida e a Rota Marítima da Seda” divide-se em três secções: “Atravessando os Oceanos”, “Influência ocidental chega a oriente” e “Eclectismo”.

As peças da colecção representam “frutos das trocas e interacções das cortes Ming e Qing com o mundo exterior, ilustrando o papel significativo de Macau como antigo entreposto internacional no Extremo Oriente”, pode ler-se num comunicado oficial.

Este conjunto de relíquias culturais inclui sobretudo tributos apresentados por enviados estrangeiros, presentes e objectos trazidos por missionários ocidentais e caligrafia e pinturas produzidas já na corte por esses missionários, bem como vários produtos comprados ou feitos por encomenda da corte ou por oficinas imperiais ou provinciais, imitando e adaptando criativamente os produtos importados.

Tesouros ocultos

Já a exposição “Produtos Culturais e Criativos do Museu do Palácio e Área Educacional” pretende dar a conhecer a cultura que se esconde por trás dos muros da Cidade Proibida a partir de diferentes perspectivas e “através da apresentação de diferentes aspectos, incluindo trajes e joias da corte, relíquias culturais e objectos relacionados com os mares e a astronomia usados no Palácio, relógios, os 24 termos solares e a vida na corte”.

Exibindo produtos culturais e criativos que evidenciam o valor cultural intrínseco da colecção do Museu do Palácio, a mostra pretende rejuvenescer a cultura tradicional, dando a conhecer aos visitantes a história do intercâmbio comercial e artístico que se desenvolveu ao longo da Rota Marítima da Seda e revelando ao mesmo tempo a vida da corte e a sua cultura.

“Macau foi sem dúvida um núcleo da Rota Marítima da Seda. Após os feitos portugueses na Era dos Descobrimentos, no final do século XV, Macau tornou-se um porto de trânsito entre a China e o Sudeste Asiático, Japão e Europa, e uma importante plataforma para trocas comerciais, científicas, artísticas e religiosas. Durante as dinastias Ming e Qing, missionários e pintores ocidentais que mais tarde serviriam na corte interna chinesa entraram na China continental sempre a partir de Macau”, disse na nota oficial da exposição, em jeito de remate, Chan Kai Chon. Pedro Arede – Macau in “Hoje Macau”

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Portugal – Acordo de entendimento com a China liga porto de Sines ao projecto “Rota da Seda”

Portugal vai assinar um acordo de entendimento com a China para ligar o porto de Sines ao denominado mega projecto de integração internacional promovido por Pequim – “Uma Faixa, Uma Rota”, designado por muitos como a nova “Rota da Seda”, que continua a fazer desconfiar” a Europa, apesar dos países que mais contestam serem os que detêm mais investimentos chineses



Não é propriamente uma novidade. Desde há alguns anos que a posição geográfica e as boas condições do porto de Sines estavam sinalizadas pelo interesse do Estado chinês, o que, por outro lado, coincide com a vontade do Governo de Lisboa de dinamizar uma estrutura portuária que tem capacidade de desenvolvimento muito para além das existentes actualmente.

Fontes do governo português recordaram ao JTM que as manifestações de interesse entre os dois países sobre o porto de Sines já vêm do governo de Passos Coelho, mas ganharam maior dinâmica a partir da entrada em funções do executivo de António Costa, que, pela parte portuguesa, cometeu o dossier ao secretário para a Internacionalização, que por várias vezes se deslocou a Pequim com o assunto no topo da agenda das relações económicas bilaterais.

A novidade actual é que, a antecipar a visita de Xi Jinping a Portugal, o acordo de entendimento foi já anunciado pelo Primeiro-Ministro, António Costa, num encontro com correspondentes estrangeiros. “Queremos assinar um memorando na próxima semana para a integração do porto de Sines à Rota da Seda”, afirmou salientando que quer transformar o local num “elemento importante” da parte europeia da denominada “Uma Faixa, Uma Rota”.

“O porto tem a melhor capacidade disponível, é de águas profundas, e tem uma localização óptima para receber e servir as rotas transatlânticas, mediterrâneas e as do Cabo”, explicou. Situado a 160 quilómetros a sul de Lisboa, o terminal de contentores de Sines é gerido por Singapura e por ali passa um terço do gás liquefeito exportado pelos EUA para a Europa, sendo um dos poucos portos europeus com a capacidade de armazenamento. A verdade é que Sines é um dos raros portos de águas profundas europeus na confluência entre continentes, onde os grandes navios contentores podem acostar.

Por isso, de acordo com o Primeiro-Ministro português, Sines poderá ser uma importante interface da Europa com o restante do mundo e o governo de Portugal acredita que ele é bastante relevante para o desenvolvimento das relações entre o continente europeu, a Ásia e as Américas justificando a utilização do novo Canal do Panamá pela China como a via mais rápida e mais barata de atingir os mercados atlânticos.

Espanha diz não mas também disse sim

A postura do Primeiro-Ministro de Portugal difere da manifestada pela Espanha na semana anterior. O Presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, recebeu Xi na terça-feira da última semana e negou integrar o país neste projecto chinês, mas também assinou um “memorando de entendimento” entre o porto de Algeciras e o porto de Ningbo (a antiga Liampó, onde os portugueses aportaram antes de se fixarem em Macau), o maior porto do mundo em volume de actividade.

“Há uma manobra geopolítica de tentar manter relações internacionais num momento complicado para a China”, explicou à AFP Ángel Saz Carranza, director do centro de geopolítica e empresas ESADEGeo considerando que a “guerra comercial em curso com os Estados Unidos” (já temporariamente suspensa à margem da reunião do G20) se pode estender à Europa cujos Estados-membros se pronunciarão em Dezembro sobre o controlo dos investimentos estrangeiros, incluindo os chineses, a fim de proteger sectores-chave como a energia.

Foi nesse contexto que Xi prometeu na quarta-feira no Senado espanhol “agilizar o acesso ao mercado chinês” e “aumentar a protecção à propriedade intelectual”, o que para o analista mais não é que uma prova que “para Pequim é “o momento de fazer declarações públicas para tentar abrandar a opinião europeia”.

Jean-François Di Meglio, presidente do “think tank” Asia Centre, com sede em Paris disse à AFP que nesta viagem ibérica, Pequim tenta “encontrar caminhos fáceis de acesso para os investimentos chineses na Europa, e consolidar o que foi conseguido” nesses países apesar das reticências de outros governos europeus.

França, Alemanha e Itália pedem há anos uma legislação europeia que permita filtrar certos investimentos. Esses países preocupam-se que grupos estrangeiros, em particular chineses, assumam o controlo de tecnologias-chave, comprando empresas europeias de uma maneira consideram desleal.

Madrid e Lisboa têm sido mais receptivos, embora “em números absolutos, os investimentos chineses sejam mais significativos no Reino Unido e na Alemanha, mas em percentagem em relação ao PIB são maiores na Espanha e em Portugal”, frisou. 

Um megaprojecto internacional

“Uma Faixa, Uma Rota” é um megaprojecto internacional de infras-estruturas para ligar a China com os seus vizinhos na Ásia e os demais continentes e na verdade é constituído por várias rotas, tendo como pano de fundo a globalização comercial e o desenvolvimento dos países de forma a tornar menos evidente a diferença entre países ricos e pobres, como se prova com a sua extensão à África.

Desde o início, o plano dividiu a União Europeia entre os que apoiam a iniciativa, como a Grécia, Polónia e Portugal, e outros países que observam a proposta com receio, como Alemanha e França. A posição portuguesa é bastante compreensível pois várias empresas chinesas já possuem grandes investimentos em sectores estratégicos de Portugal, controlando, por exemplo, 28,25% do grupo Energias de Portugal (EDP).

Segundo a imprensa portuguesa, porém, o Governo de Lisboa não irá propriamente integrar o plano “Uma faixa, Uma rota”, mas sim, tal como Espanha vai assinar apenas um “memorando de entendimento” para estabelecer a “cooperação entre Portugal e a Rota da Seda”, de acordo com uma fonte diplomática portuguesa. Portugal quer que o investimento industrial chinês suba um novo degrau – da compra de empresas para a construção de raiz” acentuava o “Público”.

O caso do Porto de Sines é um exemplo. Vai abrir um concurso público para a construção do novo terminal, já baptizado como Vasco da Gama, e Portugal veria com interesse que a China fizesse o terminal de raiz, com naturais benefícios de gestão do projecto durante um período de tempo. A imprensa portuguesa refere que há conversações entre as duas partes, mas o Governo de Lisboa não deixa de acentuar que “aberto o concurso público internacional ganhará quem fizer a melhor oferta.”

Uma nota oficial, distribuída em Portugal, refere ainda que no dia e meio da visita do Presidente Xi Jinping “está prevista a assinatura de um total de 19 instrumentos legais que culminam um processo de intensa negociação bilateral em áreas que vão da cultura à ciência e da agro-indústria ao comércio”.

O Governo de António Costa espera que dos contactos a manter (a delegação chinesa integra vários ministros) haja uma mútua abertura dos mercados garantindo, desde logo o aumento das exportações para o mercado chinês, mas a abertura de uma nova rota aérea directa entre Lisboa e Pequim (muito possivelmente com a nacional Air China em vez da privada Capital Airlines que já deteve a rota e a suspendeu recentemente).

Outra questão, que existe de há muito e talvez possa ter alguns desenvolvimento é o da exportação da carne de porco portuguesa que a China não tem aceite alegando “questões de saúde pública” e naturalmente a cooperação no âmbito dos países africanos de expressão oficial portuguesa que Pequim cometeu a Macau através do Fórum Macau.

A cooperação científica e tecnológica pode igualmente ter desenvolvimentos em especial na troca de estudantes e investigadores. Ricardo Jorge – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”

domingo, 21 de maio de 2017

Cabo Verde - Zona Económica Especial na ilha de São Vicente apoiada pela China

A China vai apoiar a criação de uma Zona Económica Especial ligada ao mar na ilha cabo-verdiana de São Vicente, um projeto que o governo cabo-verdiano acredita estará concluído até ao final da legislatura

A decisão de apoiar o projeto, que tinha sido apresentado pelo primeiro-ministro cabo-verdiano ao seu homólogo chinês durante o Fórum Macau, em outubro, foi confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, ontem (20), na cidade da Praia, durante uma reunião com o chefe da diplomacia cabo-verdiana, Luís Filipe Tavares.

"A China vai apoiar a criação da Zona Económica Especial de São Vicente, um projeto na área da economia marítima muito importante para o país, que tem o apoio total e incondicional do governo chinês", disse Luís Filipe Tavares.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde anunciou que o Governo chinês irá financiar também a construção de uma nova maternidade em São Vicente, para servir a região norte do país.

Durante o encontro, os dois ministros passaram em revista a cooperação económica e política entre os dois países, atualmente traduzida em 12 projetos, num valor estimado de 30 milhões de euros.

Luís Filipe Tavares adiantou que Cabo Verde vai começar agora a fazer o estudo de viabilidade económica dos projetos da Zona Económica Especial e da maternidade, estimando que estejam a funcionar até final da legislatura.

"Há uma firme vontade e uma decisão de apoiar estes projetos de Cabo Verde, nomeadamente a Zona Económica Especial que vai transformar São Vicente num grande centro de economia marítima e criar milhares de postos de trabalho", disse.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi lembrou que a cooperação chinesa tem sempre em atenção as necessidades do país, garantido o apoio necessário aos projetos cabo-verdianos.

"A economia chinesa começou a descolar a partir da criação das Zonas Económicas Especiais. Temos experiências consolidadas, boas e bem-sucedidas e capacidade para as construir. Se Cabo Verde quiser podemos fazer uma parceria importante na construção da zona de São Vicente", disse.

O chefe da diplomacia chinesa sublinhou a importância da posição geográfica de Cabo Verde, adiantando que o Governo cabo-verdiano "manifestou vontade de participar na iniciativa "Uma faixa, Uma rota", do Governo chinês.

A iniciativa, também conhecida como a "Nova Rota da Seda", pretende recriar a Rota da Seda que uniu a China aos mercados ocidentais durante séculos.

Na prática, trata-se de um conjunto de percursos ferroviários e rodoviários, oleodutos e portos, que se estendem da China até à Europa, com percursos alternativos que passam por países do Sul da Ásia, Índia, Irão e Turquia, e chegam à África.

Mais de meia centena de países aderiram à ideia, que é encarada por outros como uma iniciativa imperialista da China.

Além da reunião como o homólogo cabo-verdiano, o ministro chinês tem encontros de cortesia agendados com o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva e com o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca. In “Correio das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”

terça-feira, 17 de maio de 2016

Portugal – Porto de Sines pode ser destino da Rota da Seda do século XXI

O conselheiro de política externa do Governo chinês Lv Fengding manifestou-se favorável à inclusão do porto de Sines, na costa ocidental de Portugal, na rota marítima da seda do século XXI proposta pela China. "Portugal é um dos terminais da rota marítima da seda e o porto de Sines é importante para a ligação da China com a Europa e a África", disse Le Fengding, em Lisboa, onde se deslocou esta semana para apresentar a iniciativa "Uma Faixa e Uma Rota".

Com esta iniciativa, divulgada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, Pequim propõe um plano de infraestruturas que pretende reativar a antiga Rota da Seda entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático.

Este plano, que inclui a construção de uma malha ferroviária de alta velocidade entre a China e a Europa, vai abranger 65 países e 4,4 mil milhões de pessoas, cerca de 60% da população mundial, segundo Pequim.

Lev Fengding disse que a iniciativa já suscitou o interesse de mais de setenta países e organizações internacionais e que "mais de trinta países assinaram acordos de cooperação relevantes com a China".

Assinalou também a constituição, em 2014, do Fundo Rota da Seda, de 40 mil milhões de dólares (35,3 mil milhões de euros).

“Esta é uma visão da China, feita para o bem de todos. Queremos que beneficie cada país e cada parceiro”, disse Lev Fengding à Lusa.

Em Portugal, Lev Fengding visitou o porto de águas profundas de Sines, a sul de Lisboa, e proferiu uma conferência na sede da EDP – Energias de Portugal, que tem como maior acionista a empresa estatal chinesa de energia China Three Gorges Corporation (21,35% do capital).

Desde 2012, a China injetou mais de oito mil milhões de euros em Portugal, que é o quinto destino do investimento chinês na Europa, salientou Lv Fengding.

“Portugal já é parte da iniciativa. Será fácil as empresas chinesas e portuguesas trabalharem em conjunto nos vários campos, incluindo em projetos de infraestruturas, na cooperação financeira e em parceria com empresas de outros países de língua portuguesa”, disse.

O diplomata chinês recordou que “Portugal foi um importante destino final da antiga Rota da Seda e desempenhou um papel importante na ligação entre a Ásia e a Europa”.

Referiu também que Portugal e a China têm uma longa experiência de cooperação e resolveram “com sucesso a questão de Macau, dando um bom exemplo ao mundo”.

Macau tornou-se uma Região Administrativa Especial da China em 20 de dezembro de 1999, segundo o princípio “um país, dois sistemas”, que permite ao território manter as suas características próprias até 2049.

Em outubro de 2003, a China criou o Fórum Macau para coordenar a sua cooperação com os países de língua oficial portuguesa.

“Estamos abertos a discutir todas as formas de trabalharmos em conjunto nesta iniciativa”, afirmou Lv Fengding.

O conselheiro do Governo chinês disse que “tudo está a decorrer sem problemas, incluindo conversações bilaterais entre a China e Portugal e entre as empresas dos dois lados”.

Lv Fengding agradeceu o “esforço do Governo português em integrar” o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), a funcionar desde janeiro deste ano por iniciativa chinesa, no qual Portugal tem uma participação de cerca de 13 milhões de dólares (11,5 milhões de euros).

“Esta decisão constitui um grande apoio à ideia chinesa de criar esta iniciativa e a vontade de trabalhar em conjunto”, comentou.

O BAII tem a China como maior acionista (29,78% do capital) e entre os 57 países fundadores estão 14 da União Europeia, incluindo Alemanha, França e Reino Unido, além de Portugal.

O Brasil é o nono maior acionista do BAII, com uma quota de 3.181 milhões de dólares (2.813 milhões de euros).

Às críticas de que Pequim pretende dominar a economia global com as suas iniciativas, Lv Fengding lembrou que a China continua a ter a “grande tarefa” de desenvolver a sua própria economia para retirar da pobreza cerca de 100 milhões de pessoas.

“Nos últimos 30 anos ou mais, a China desenvolveu-se muito bem e achamos que o mundo deve beneficiar do resultado desse desenvolvimento da China. Da mesma forma, se os outros tiverem um bom desenvolvimento, podemos beneficiar. (…) O sucesso de uns pode ser o sucesso dos outros”, acrescentou. In “Sapo24” - Portugal