Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Angola - Obras de escritores nacionais em destaque na feira literária de Londres

Os escritores angolanos, Henrique Sungo, Beni Dya Mbaxi e Acareb O Poeta, vão participar da segunda edição da FLIP “Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa” de Londres, a decorrer no dia 13 de Junho próximo, na Goldsmiths University of London


Promovido pela comunidade brasileira naquela cidade do Reino Unido, o evento reúne autores, editores e agentes culturais para promover a literatura em português num contexto internacional.

A feira, que se afirma como um palco de promoção e intercâmbio literário e cultural entre diferentes nações que comungam a mesma língua oficial, pretende consolidar-se como um espaço de encontro entre escritores, editores, investigadores e leitores, promovendo a circulação de obras e o diálogo cultural no universo lusófono.

Com enfoque na valorização da língua portuguesa enquanto instrumento de expressão artística e cultural global, a iniciativa procura, igualmente, aproximar diferentes comunidades e reforçar a presença da literatura lusófona fora dos seus territórios de origem.

Aberto ao público em geral, o evento dirige-se a todos os profissionais e interessados no sector literário, oferecendo uma plataforma para divulgação de projectos literários, partilha de experiências e criação de redes de contacto a nível internacional. Bernardo Pires – Angola in “O País”


sexta-feira, 4 de julho de 2025

São Tomé e Príncipe e Angola celebram a independência com partilha e promoção da identidade cultural comum

A semana cultural São Tomé e Príncipe – Angola reúne artistas plásticos, escritores, músicos e produtores de cinema no espaço CACAU em São Tomé. Durante 2 dias (Quarta e Quinta – Feira), santomenses e angolanos celebram através da cultura, os 50 anos da independência do arquipélago.


A música e a dança da “Tafua” vieram para São Tomé com os escravos angolanos. Aquecia as noites nas sanzalas das roças, e passou a ser uma manifestação cultural santomense. O intercâmbio histórico-cultural entre os dois países é antigo.

«A fortaleza de um povo e consequentemente de uma nação, subjaz na riqueza e diversidade da sua cultura. Foi com este espírito que decidimos organizar o encontro entre santomenses e angolanos», afirmou Fidelino de Jesus Florentino Peliganga, embaixador de Angola em São Tomé e Príncipe.

O diplomata que declarou a abertura do evento, acrescentou que a cultura tem servido como ponte entre «as nossas gentes…para partilhar a vivência da nossa raiz cultural comum evidente em manifestações como a Tafua aqui exibida e a Puíta também bem conhecida e muito popular».

Os laços histórico-culturais entre São Tomé e Príncipe e Angola começaram a ser tecidos pela colonização portuguesa. Laços que geraram consanguinidade, e muita cumplicidade. Alda do Espírito Santo matriarca do nacionalismo santomense e Agostinho Neto nacionalista angolano, em conjunto com outros estudantes das antigas colónias portuguesas, na Casa do Império em Lisboa – Portugal deram novo impulso a cumplicidade entre santomenses e angolanos, para a conquista da independência nacional dos dois países.

«Para alcançar a autodeterminação, a independência dos nossos países, e sobretudo para dar cabo e acabar com o fascismo português», frisou Lopito Feijó, poeta angolano, que participa no intercâmbio cultural em São Tomé.

O poeta angolano que se sentou ao lado da poetisa santomense Conceição Lima na abertura do evento, recordou que foi a geração de Alda do Espírito Santo e de Agostinho Neto a fonte de inspiração dos novos poetas e escritores santomenses e angolanos, que se despontaram a partir da década de 80 do século XX.

«Toda aquela geração Alda do Espírito Santo, José Craveirinha, Viriato da Cruz influenciaram toda a geração dos anos 80, que é a primeira geração de escritores que surge depois da independência», precisou.

Para Lopito Feijó, há uma força poética que obriga os escritores santomenses e angolanos a prosseguirem no aprofundamento das relações históricas.

«A relação de amizade entre dois poetas refiro-me a Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. É um ponto importante e de cumplicidade, que prosseguiu até os últimos dias da “Tia Alda” que acabou de falecer em Angola», pontuou.

“Tia Alda” é a forma familiar como os angolanos chamam a matriarca do nacionalismo santomense, autora do hino nacional que proclama a Independência Total de São Tomé e Príncipe.

O Ministro da Defesa e Ordem Interna, o Brigadeiro Horácio Sousa, que também preside a comissão nacional para os festejos dos 50 anos da independência nacional foi ao púlpito para declarar que a cultura santomense foi moldada ao longo dos séculos com muitas marcas de Angola. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Angola - “Literatura angolense foi fundamental para o crescimento das letras no país”

O professor e pesquisador Lígio Katukuluka reconheceu, em Luanda, a importância da “geração angolense” no processo de afirmação e desenvolvimento da literatura nacional ao longo dos anos

O pesquisador que foi o convidado da última edição da tradicional Maka à Quarta-Feira, realizada na União dos Escritores Angolanos (UEA), uma iniciativa da própria direcção, abordou o tema “Ele, nós e os outros: A instituição literária angolense de finais do século XIX e início do século XX, entre rosas e espinhos”.

Lígio Katukuluka disse que a temática proposta é uma pesquisa mais aprofundada que tem vindo a desenvolver desde a licenciatura. O professor disse que a dinâmica implementada pelo Movimento Literário Angolense na época, foi fundamental para o crescimento da literatura no país devido às expressões endógenas dos povos de Angola.

“A literatura angolense foi marcada com um espírito nativista bastante conciso e construíram-se bases profundas de sentimentos de pertença aos ideais e a cultura africana”.

O prelector explicou que o tema é um subsídio para a história da literatura angolana e serve para analisar “os filhos da terra” que produziram através das experiências ao longo dos anos.

“Estes escritores produziram através das próprias experiências literárias um conjunto de reflexões centradas na ideia de uma promoção dos ideais africanos e a independência do país, ainda no século XIX”.

Estes escritores, prosseguiu, trouxeram reflexões profundas do ponto de vista científico e literário, com uma forma de pensar cautelosa e contundente. A título de exemplo, referiu o nome de Mário António Fernandes de Oliveira, que nas suas obras traz uma perspectiva crioula da literatura angolana.

O pesquisador enfatizou que o escritor e poeta Joaquim Dias Cordeiro da Mata é um dos maiores nomes e considerado por muitos pesquisadores o pai da literatura angolana. “Considero o escritor como sendo o pai da literatura angolense.”

A expressão cultural e a forma como Cordeiro da Mata reproduzia a visão do mundo, reforçou, era a partir dos ideais angolenses, por ser um exemplo do sentido etnocêntrico e elitista.

“Cordeiro da Mata era um intelectual e apesar de ter produções literárias de defesa da literatura do povo ambundo, ainda assim, reproduzia ideais de superioridade para com os outros povos indígena, por conta destes elementos, é que o considero o pai da literatura angolense e da angolana”, justificou. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Brasil - Maranhão sedia encontro de escritores de língua portuguesa

Entre os dias 19 e 21 de novembro, São Luís do Maranhão será palco de um encontro inédito que reunirá quatro grandes escritores de língua portuguesa em atividade. Estarão na capital maranhense o moçambicano Mia Couto, os angolanos José Eduardo Agualusa e Ondjaki e a historiadora brasileira Mary del Priore. O evento terá lugar no Convento das Mercês e faz parte do projeto Conversações de Além-Mar, que recentemente, em sua quarta edição, trouxe a São Luís o escritor cabo-verdiano Joaquim Arena.

Nas palavras do advogado e escritor Alexandre Lago, um dos idealizadores do projeto, o Conversações de Além-Mar tem como principal objetivo a aproximação das literaturas de língua portuguesa e sua maior disseminação pelos diversos países que falam o idioma, em especial o Brasil. “Nos incomodava e continua incomodando muito o fato de nós, brasileiros, desconhecermos escritores e escritoras dos demais países de língua portuguesa, como Timor-Leste, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique e mesmo de Portugal, como também o fato de escritores desses países desconhecerem a literatura brasileira contemporânea”, observa Lago, um estudioso da literatura lusófona.

“Com exceção de nomes já celebrizados”, diz ele, “praticamente não conhecemos esses autores, sendo que eles também desconhecem a nossa produção literária atual”. Além de palestra e interação com o público, está prevista sessão de autógrafos e reuniões. Alexandre Lago faz questão de frisar, no entanto, um aspecto importante do Conversações de Além-Mar, que é o fato de o projeto não ficar limitado a encontros em auditórios e lançamento de obras.

“Em suas passagens por São Luís, os nossos convidados visitam instituições culturais, como bibliotecas e casas de cultura, trocam experiências com nossos escritores, conversam com gestores e visitam autoridades. Enfim, formam vínculos e pontes importantes para o crescimento da literatura lusófona, incluindo, bom que se diga, a produzida no Maranhão”, diz Lago, lembrando, por exemplo, que a partir da vinda desses escritores muitos são os trabalhos de dissertação de mestrado que surgem nas universidades, estudando suas obras.

O encontro é uma realização do Instituto Casa do Autor Maranhense e da Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB) que tem como uma das missões institucionais a promoção e a divulgação do patrimônio histórico e cultural das culturas ibero-americanas e lusófonas, bem como a promoção da amizade e do intercâmbio cultural entre seus povos. Sendo assim, o evento coaduna com tal propósito que busca incentivar o diálogo entre as nações de língua portuguesa, reforçando os laços culturais que unem esses países e valorizando a riqueza literária e histórica que emerge dessas tradições.

Programação

Terça-feira (19), às 18h

Sessão Solene em homenagem aos 35 anos do Instituto Internacional da Língua Portuguesa

Homenageados:

José Sarney

Mário Soares (In Memoriam)

José Aparecido de Oliveira (In Memoriam)

Quarta-feira (20), às 19h

Diálogo com os escritores Mary Del Priore e Ondjaki

Mediação: Bruno Tomé (Academia Ludovicense de Letras) e Bruna Castelo Branco (jornalista)

Lançamento dos livros:

Segredos de uma Família Imperial (Mary Del Priore)

Bom dia, Camaradas (Ondjaki)

Quinta-feira (21), às 19h

Diálogo com os escritores Mia Couto e Agualusa

Mediação: Ceres Costa Fernandes (Academia Maranhense de Letras) e Adonay Moreira (escritor)

Lançamento dos livros: A cegueira do Rio (Mia Couto)

Mestre dos Batuques (Agualusa)

Biografia dos autores

MARY DEL PRIORE – Nascida no Rio de Janeiro em 1952, Mary Lucy Murray del Priore formou-se em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Continuando sua formação, concluiu seu Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. Foi então que saiu do Brasil para defender o título de Pós-Doutorado pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, em Paris, no ano de 1996. A historiadora lecionou História do Brasil Colonial na Universidade de São Paulo e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente, é professora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), em Niterói. Além disso, atua como colaboradora em periódicos nacionais e internacionais. Tem diversos livros publicados.

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA – José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura. Viveu em Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro e Berlim. É romancista, contista, cronista e autor de literatura infantil. Os seus romances têm sido distinguidos com os mais prestigiados prêmios nacionais e estrangeiros, como, por exemplo, o Grande Prêmio de Literatura RTP (atribuído a Nação Crioula, 1998). Também os seus contos e livros infantis foram merecedores de prêmios, como o Grande Prêmio de Conto da APE e o Grande Prêmio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian, respetivamente. O Vendedor de Passados ganhou o Independent Foreign Fiction Prize, em 2004, e, mais recentemente, o romance Teoria Geral do Esquecimento foi finalista do Man Booker Internacional, em 2016, e vencedor do International Dublin Literary Award (antigo IMPAC Dublin Award), em 2017.

MIA COUTO – Antônio Emílio Leite Couto é um escritor moçambicano, nascido em 5 de julho de 1955, na cidade de Beira. Trabalhou como jornalista durante quase 10 anos, porém ingressou na Faculdade de Biologia e, posteriormente, tornou-se professor universitário, profissão que concilia com a sua carreira de escritor. Assim, em 1983, publicou seu primeiro livro de poesias, Raiz de orvalho. Já seu primeiro romance — Terra sonâmbula — foi publicado, em 1992, com grande sucesso de público e crítica. Ganhador do Prêmio Camões em 2013, Mia Couto é um autor da literatura contemporânea, e suas obras são caracterizadas, principalmente, pelo resgate da tradição cultural moçambicana por meio de uma linguagem marcada por neologismos. Recentemente Mia Couto foi agraciado com o Prêmio FIL de Literatura em Línguas Românicas 2024, destacando-se por sua inovação linguística e abordagem sobre a África.

ONDJAKI – O poeta e escritor africano Ndalu de Almeida, popularmente conhecido como Ondjaki, nasceu na cidade de Luanda, capital angolana, em 1977. Sua trajetória artística passa também pela atuação teatral e pela pintura. É também cineasta e autor de roteiros cinematográficos. Após realizar seus primeiros estudos na sua terra natal, obteve a licenciatura em Sociologia na capital portuguesa. Em 2000 o poeta conquistou a segunda posição no concurso literário angolano António Jacinto, e lançando seu primeiro volume de poesias, Actu Sanguíneu. Integra antologias publicadas no Brasil, no Uruguai e em Portugal.

Lançamentos e autógrafos

Segredos de uma Família Imperial – Mary Del Priore mergulha na trajetória íntima e pública dos Orléans e Bragança após a Proclamação da República nos anos de exílio na Europa. Mary Del Priore explora a história de perto, entre os relatos e registros oficiais, em busca da representação dessa família como realmente eram. O que os tornava humanos para além do que os tornava realeza ante os dilemas de uma Monarquia em declínio.

A cegueira do Rio – Moçambique, 1914. Às vésperas da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Alemanha e Portugal disputam o território à margem do rio Rovuma. Com o ataque germânico ao posto de Madziwa e a morte de dezenas de soldados africanos, a região se transforma em um verdadeiro campo de batalha. É a partir desse caso ― inspirado em um evento real ― que correm as águas desta história. Ameaçados pelo poderio alemão e subjugados pela colonização portuguesa, os povos de Moçambique encontram amparo naquilo que é impossível de se apagar: sua própria língua.

Mestre dos Batuques – Neste romance o escritor angolano José Eduardo Agualusa discute questões de identidade e de pertencimento, subvertendo estereótipos e ideias predefinidas, ao mesmo tempo em que expõe os crimes e contradições do processo colonial português no continente africano.

Bom dia, Camaradas – Uma Luanda dos anos 1980 com professores cubanos, escolas entoando hinos matinais e jovens de classe média é o cenário de Bom dia, camaradas. Do universo do romance também fazem parte as lembranças dos cartões de abastecimento, as desigualdades sociais e os conflitos entre modernidade e tradição. Através do olhar lírico de um garoto, o leitor é levado a uma Angola que acabou de se tornar independente e é obrigada a repensar as regras sociais e a questionar as causas da desigualdade. Ondjaki nos conduz aos pequenos acontecimentos do cotidiano que mostram como é preciso mais que um decreto para que as mudanças de fato aconteçam.

O encontro internacional de escritores de língua portuguesa, acontece às 19h nos dias 19 a 21 de novembro, no Convento das Mercês – Rua da Palma, 502, Desterro. In “Mundo Lusíada” - Brasil


terça-feira, 12 de novembro de 2024

Moçambique - Editorial Fundza lança quarta chamada literária para novos autores

A Editorial Fundza vai receber, entre os dias 25 e 30 deste mês, originais para publicação ao longo do próximo ano.



A iniciativa, enquadrada na quarta chamada literária da Fundza, pretende seleccionar infanto-juvenis, romances, crónicas, poesias e contos inéditos.
Os autores interessados em participar na quarta chamada literária da Editorial Fundza deverão enviar um projecto de livro em word, uma sinopse de 10 linhas desse mesmo texto e uma biografia de cinco linhas para a editorial.fundza@gmail.com.
Para a organização, o objectivo principal da chamada literária é abrir e ampliar o espaço para a democratização do acesso à publicação de obras literárias no país, o que inclui a participação de autores de todas as províncias.
“A iniciativa tem vindo a revelar novas vozes na literatura moçambicana. Desde 2022, já foram publicados mais de 40 novos autores de todo o país. Entre as publicações, encontram-se Pétalas negras ou a sombra do inanimado (poesia), de Belmiro Mouzinho; Estórias trazidas pela ventania (conto), de Adelino Albano Luís, O encanto da poesia (poesia), de Assane Cadry; O ardina dos sapatos gastos (contos), de Alerto Bia; O dicionário da sobrevivência (contos), de Francisco Raposo; A rapariga sem reflexo (motivacional), de Clévia Guivala; Insiste em ignorar-me (motivacional), de Argentina Banze; O amor que há em ti (romance), de Larsan Mendes; As máscaras da verdade (romance), de Almeida Cumbane; O Príncipe Suehtam e a Aruella no Tulipix (infanto-juvenil), de Andreia Edna da Silva; O peixe que sonhava comprar um barco (infanto-juvenil), de Japone Arijuane; e Makhalelo (crónicas), de Adriano Félix”, avança a nota de imprensa da Editorial Fundza.
Os originais submetidos à chamada literária da Fundza são seleccionados por um júri competente identificado pela editora.
Antes de serem publicados, todos os originais passam por um cuidadoso processo editorial. Garante a editora. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Centro Nacional de Cultura – Bolsas Criar Lusofonia 2023

A partir de 1 de novembro estão abertas as candidaturas para o concurso Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio do Ministério da Cultura.


Este programa tem por objetivo a atribuição de Bolsas no domínio da escrita, para cidadãos oriundos de países da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Mais informações aqui e o regulamento aqui.




quinta-feira, 16 de março de 2023

Moçambique - Enfrenta um momento literário muito fértil, mas é preciso investir na internacionalização dos autores, segundo Fátima Mendonça

A ensaísta e professora Fátima Mendonça defendeu, esta quarta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, que Moçambique enfrenta um momento muito fértil na produção literária. Entretanto, é fundamental que os diferentes intervenientes invistam na internacionalização das obras dos autores poetas e escritores moçambicanos


Entre 1977 e 2004, Fátima Mendonça leccionou na Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Durante 27 anos, deu aulas a uma geração de ensaístas, escritores ou professores que, actualmente, são referências em Moçambique e no estrangeiro. Por exemplo, Francisco Noa, Paulina Chiziane, Nataniel Ngomane, Aurélio Cuna, Sara Jona Laisse e Aissa Mithá Issak. Aliás, tem-se dito que Fátima Mendonça é a professora de todos, no que à literatura diz respeito, pois, logo a seguir à independência nacional, foi uma das principais estudiosas que se dedicou a analisar as obras dos escritores nacionais ou o movimento literário.

Actualmente, Fátima Mendonça vive em Portugal, mas, ainda assim, continua muito atenta ao que se tem produzido em Moçambique. Por isso mesmo, na segunda sessão do Mabulu – livros e histórias da minha vida, realizada esta quarta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, a ensaísta e professora reformada pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM referiu-se abertamente às novas tendências literárias nacionais. Segundo disse Fátima Mendonça, o país enfrenta um momento muito fértil em termos de produção literária. Inclusive, com autores capazes de atrair interesses editoriais do estrangeiro, sobretudo do Brasil. “Eu não sou muito abundante em elogios, mas há, realmente, quer poetas, quer narradores, a surgirem agora, muito bons. Até me parece que são mais sensíveis em aperfeiçoar o que escrevem, em ser rigorosos e reescrever sem pressa de ter o texto pronto. Penso que daqui a uns 10 anos será possível ver o resultado deste movimento”.

No entendimento de Fátima Mendonça, o facto de haver movimentos dedicados à literatura em várias províncias do país favorece o surgimento de autores que se envolvem na dinamização da arte literária. No entanto, afirmou a ensaísta, apenas o momento fértil e a existência de bons movimentos não basta na colocação da literatura moçambicana num alto patamar. A acompanhar a qualidade literária, é indispensável a criação de revistas e páginas de jornais envolvidas na promoção e divulgação. Sem isso, há um vazio que fica. “Se ficamos só à espera das edições dos livros, fica um hiato entre o momento em que a pessoa começa a escrever e o momento em que realmente edita um livro. Esse hiato, quanto a mim, é preenchido pelas revistas. Os prémios também cumprem o seu papel, mas a divulgação tem de ser através da imprensa. E isso eu acho que falta, acho que falta espaço para divulgação”.

Além da divulgação interna, Fátima Mendonça referiu-se à importância da internacionalização das obras dos autores moçambicanos, o que depende da recepção, por exemplo, no país de chegada. “É preciso que aquilo que se exporta tenha uma boa recepção. Varia muito. Há países que gostam de um certo exotismo e um livro que tenha essas características é bem recebido”.

Ainda no campo da internacionalização literária, Fátima Mendonça destacou a importância das feiras do livro porque, além do intercâmbio artístico e cultural, é nelas que se conseguem contratos para edição e tradução.

Além de leccionar na UEM, Fátima Mendonça trabalhou em várias outras universidades. Por exemplo, no Zimbabwe, na África do Sul, na Rússia, em França, em Espanha, no Brasil e em Portugal. Como ensaísta, publicou Literatura moçambicana – as dobras da escrita (2012), Rui de Noronha: meus versos (2006), Antologia da nova poesia moçambicana (co-autoria, 1993), Literatura moçambicana – a história e as escritas (1989), co-organizou a edição da obra Sangue negro, de Noémia de Sousa, o livro póstumo Poemas eróticos, de José Craveirinha, e é co-autora de João Albasini e as luzes de Nwandzengele (2014). Em 2016, foi laureada com o Prémio de Literatura José Craveirinha, o mais importante do país. José dos Remédios – Moçambique in “O País”



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Portugal - 24.ª edição do Correntes d’Escritas

 


O Município da Póvoa de Varzim promove a 24.ª edição do Correntes d’Escritas, que traz à Póvoa de Varzim perto de uma centena de escritores de diferentes geografias de línguas hispânicas e portuguesas e que está a decorrer desde ontem até ao dia 18 deste mês de fevereiro.

Ao todo, são cerca de 100 convidados, de 15 nacionalidades diferentes, com 18 escritores a estrearem-se neste que é considerado o verdadeiro ponto de encontro anual de escritores de expressão ibérica.

Consulte no programa abaixo, a programação detalhada das mesas, dos lançamentos de livros e, ainda, das várias iniciativas paralelas:

Programa. Câmara Municipal da Póvoa de Varzim - Portugal


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Alemanha - Oxalá Editora lança novo desafio aos escritores da diáspora

A Oxalá Editora está à procura de autores lusófonos da diáspora para integrarem a sua mais recente iniciativa, a I Colectânea de Contos


Sob tema livre, cada participante deverá submeter um conto da sua autoria, em língua portuguesa, até seis páginas (cerca de 17500 caracteres no total com espaços) e fonte “Times” (corpo de letra 12), além de incluir uma pequena nota de apresentação biográfica (máximo dez linhas) e respetiva fotografia (opcional).

Os trabalhos devem ser enviados em formato Word para o endereço eletrónico da Oxalá Editora (oxalaeditora@hotmail.com), até ao dia 20 de abril de 2023, acompanhados da respetiva ficha de inscrição.

Os contos serão avaliados pela Oxalá Editora que, em tempo útil, informará todos os participantes da sua decisão, estando a coordenação da iniciativa a cargo da autora São Gonçalves.

Após a seleção, os autores deverão finalizar a sua inscrição mediante pré-pagamento no valor de 70 euros. Este valor serve para custear trabalho técnico (ilustração de capa, impressão, paginação e trabalho de revisão). O pagamento só deverá ser feito após o participante ter sido contactado, por escrito (carta ou email), pela Oxalá Editora. O referido pagamento dará direito ao autor receber gratuitamente dois exemplares do livro.

Cada participante responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado com direitos de autor, e o não cumprimento deste regulamento implica a exclusão dos autores na I Colectânea de Contos – Autores Lusófonos na Diáspora. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Centro Nacional de Cultura - Bolsas Criar Lusofonia 2022

De 1 a 30 de novembro de 2022, decorre o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio do Ministério da Cultura


O concurso Criar Lusofonia tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para cidadãos de países da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Com estas bolsas pretende-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono. Centro Nacional de Cultura - Portugal

Consulte o regulamento aqui.

Mais informações e esclarecimentos: alexandra.prista@cnc.pt



segunda-feira, 30 de maio de 2022

Angola - Biblioteca Nacional revela que 70% dos autores não fazem Depósito Legal

Num universo de 500 solicitações, durante o presente ano, de número de Depósito Legal à Biblioteca Nacional, apenas 150 autores fizeram chegar as cópias dos livros àquela instituição

A directora da Biblioteca Nacional (BN), Diana Afonso, voltou a mostrar-se preocupada com o número elevado de autores, escritores e editoras que desrespeitam a Lei n.º 27/03, de 10 de Outubro, Lei do Depósito Legal. Em declarações, esta semana, ao Novo Jornal, a responsável revelou que 70% dos autores que solicitaram número de depósito legal àquela instituição, nos últimos anos, num universo de 500 livros, não efectuaram os respectivos depósitos, conforme o diploma.

Revelou, igualmente, que apenas 150 autores, na sua maioria de publicações não-periódicas (livros), regressaram à Biblioteca Nacional para entregar seis exemplares de suas obras, conforme a lei.

"O incumprimento da Lei do Depósito Legal continua a ser uma das nossas principais inquietações. Os autores [escritores e editoras] solicitam o número de Depósito Legal, mas, aquando da publicação da obra, não é feito o depósito dos [seis] exemplares na instituição", frisou.

O depósito legal, lembra, "visa, essencialmente, facilitar a compilação da bibliografia nacional, preservar a literatura nacional e controlar a produção bibliográfica e literária nacional, sendo o seu cumprimento um dever de todos".

O número de obras recebidas pela BN a título de depósito vem diminuindo nos últimos três anos, segundo cálculos do NJ. Em 2019, foram entregues 3610 obras à BN, enquanto em 2020, o número reduziu para 1330, e, pelo menos, até ao primeiro trimestre de 2021, haviam sido contabilizados cerca de 600 livros.

Biblioteca Nacional tem 100 mil livros para leitura gratuita

Diana Afonso revelou, também, estarem disponíveis actualmente, para consulta pública, cerca de 100 mil exemplares de livros de diferentes géneros e autores.

Muito recentemente, a Biblioteca Nacional recebeu, a título de depósito legal, a obra científica "Angola desde a sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação", da autoria de Carlos Mariano Manuel, professor Catedrático de Patologia e investigador de História.

Para aumentar o seu acervo bibliográfico e despertar os principais actores do mercado livreiro, a BN tem em carteira, ainda este ano, a realização de uma megacampanha de sensibilização sobre a importância do Depósito Legal.

Da sua agenda de trabalho consta ainda a realização de acções de capacitação profissional em Biblioteconomia, a fim de capacitar técnicos afectos às diferentes instituições neste domínio, em todo o País. Actualmente, o País conta com 39 bibliotecas públicas espalhadas em diversas províncias. Entretanto, este semanário sabe que há diversas regiões do País sem bibliotecas públicas. Hélder Caculo – Angola in “Novo Jornal”

 


terça-feira, 9 de novembro de 2021

Centro Nacional de Cultura - Bolsas Criar Lusofonia 2021

Decorre até 30 de novembro o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio do Ministério da Cultura


O concurso Bolsas Criar Lusofonia tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita e é dirigido a escritores oriundos dos países da Comunidade de Países de Língua Oficial portuguesa.

Patrocinado pelo Ministério da Cultura e gerido pelo Centro Nacional de Cultura, pretende criar aos escritores/investigadores de língua portuguesa, oportunidade de contacto aprofundado com outros países da CPLP, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.

São instituídas duas bolsas de criação / investigação literárias, uma das quais obrigatoriamente atribuída a um português.

Aceda ao regulamento aqui.

Mais informações e esclarecimentos: alexandra.prista@cnc.pt


domingo, 1 de agosto de 2021

Cabo Verde – Presidência celebra escritores na reabertura do Museu da Língua Portuguesa


São Paulo – O Presidente de Cabo Verde celebrou os escritores da língua portuguesa, que classificou como “deuses” por serem quem melhor trabalha o idioma, na cerimónia de reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no Brasil.

Num breve discurso, o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, também ele autor literário, disse ser um prazer enorme participar na reinauguração do museu, que esteve fechado durante quase seis anos depois do incêndio de 2015, e lembrou que a língua portuguesa se expandiu da Europa para a América Latina, África e Ásia e foi sendo “recriada através de falas, diferentes sotaques”.

O Presidente cabo-verdiano frisou que a língua portuguesa “é uma língua que foi cada vez mais apropriada e reconstruída e afagada pelos deuses”.

“Os deuses da nossa língua comum são, para além dos nossos povos humildes, aqueles que melhor trabalham o idioma”, afirmou o chefe de Estado de Cabo Verde.

“São os escritores, os contistas, os poetas, os grandes deuses da poesia, e aqui, em nome desta ideia, deste critério de diversidade, recordo e falo do enigma que é Guimarães Rosa, que é Sophia de Mello Breyner Andresen, que é Fernando Pessoa […] e que são muitas e muitos outros autores de uma língua que é falada por muitos milhões de pessoas”, destacou Fonseca.

O Presidente de Cabo Verde acrescentou: “É uma língua que é de nós todos, dos portugueses, dos brasileiros, mas também é a língua que é partilhada cada vez mais por milhões de angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, são-tomenses, timorenses, guineenses, e também por muitas comunidades nossas espalhadas pelos quatro cantos do mundo”.

O Presidente de Cabo Verde aproveitou a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa para ressaltar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que completou 25 anos no início do mês e celebrou um acordo de mobilidade cujo objectivo é favorecer o trânsito de cidadãos dos nove países membros.

“Recentemente, há poucos dias em Luanda, Angola, numa cimeira de chefes de Estados e de Governo conseguimos superar diferenças, reservas, perspectivas quanto ao futuro e conseguimos, nove países, chegar a um consenso sobre uma convenção de mobilidade no seio da comunidade”, frisou Fonseca.

Instalado na histórica Estação da Luz, no centro da cidade brasileira de São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa foi reconstruído após um incêndio ocorrido em Dezembro de 2015.

Um dos primeiros museus totalmente dedicados a um idioma no mundo, o espaço promove um mergulho na história e na diversidade do idioma através de experiências interactivas, conteúdo audiovisual e ambientes imersivos.

A reconstrução do museu teve como patrocinador principal a EDP Brasil, seguida da Globo, do Itaú Unibanco e da companhia Sabesp, contando ainda com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Governo Federal brasileiro, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

A responsável pela gestão do Museu da Língua Portuguesa é a organização social IDBrasil Cultura, Educação e Esporte. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - Encontro de escritores lusófonos

Dia 13 de Fevereiro, na Biblioteca Camões, em Lisboa, no Largo Calhariz 17 pelas 18 horas

Este encontro de escritores lusófonos tem como objectivo convidar escritores, poetas e intelectuais lusófonos para juntos criarem sinergias comuns, debater temas da actualidade relacionados com o universo literário de língua portuguesa, e outros à volta dos livros da leitura e ajudar a impulsionar a circulação do livro.

Uma organização do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) coordenada por Delmar Maia Gonçalves



segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Bolsas Criar Lusofonia 2019

Decorre entre 16 de setembro e 31 de outubro o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio do Ministro da Cultura



O concurso Bolsas Criar Lusofonia é dirigido a escritores oriundos dos países da Comunidade de Países de Língua Oficial portuguesa, com obra divulgada nacional e internacionalmente. Patrocinado pelo Ministério da Cultura e gerido pelo Centro Nacional de Cultura, tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Pretende-se criar oportunidade de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.

São instituídas duas bolsas de criação / investigação literárias, sendo uma das quais obrigatoriamente atribuída a um português. Centro Nacional de Cultura - Portugal

Consulte aqui o regulamento.

Mais informações e esclarecimentos:
Correio eletrónico: alexandra.prista@cnc.pt * Tel: 213 466 722
Morada: R. António Maria Cardoso, n.º 68, 1249-101 Lisboa - Portugal

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Portugal - Bolsas Criar Lusofonia 2018

Está a decorrer entre 15 de setembro e 31 de outubro o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio do Ministro da Cultura de Portugal.



Encontram-se abertas as candidaturas para o concurso Bolsas Criar Lusofonia, dirigidas a escritores oriundos dos países da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), com obra divulgada nacional e internacionalmente.

O concurso "Criar Lusofonia", patrocinado pelo Ministério da Cultura e gerido pelo Centro Nacional de Cultura, tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas de longa duração em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Pretende-se criar oportunidade de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono. São instituídas duas bolsas de criação / investigação literárias que permitirão estadas de quatro meses em Portugal ou num dos outros países lusófonos, sendo uma das quais obrigatoriamente atribuída a um português. Centro Nacional de Cultura - Portugal

Consulte aqui o regulamento.



sábado, 19 de maio de 2018

Macau - Apresentação da obra “O Oriente na Literatura Portuguesa – Antero de Quental e Manuel da Silva Mendes”




O Clube Militar recebeu anteontem ao final da tarde a apresentação da obra “O Oriente na Literatura Portuguesa – Antero de Quental e Manuel da Silva Mendes” da autoria de Carlos Botão Alves, do Instituto Politécnico de Macau (IPM). “O livro é um estudo de análise textual entre dois grandes autores do virar do século XIX para o século XX. Falta fazer em Macau estudos de maior fôlego que abranjam toda a obra de determinados escritores que ou passaram por Macau, ou são de Macau, mas que têm Macau como centro da sua escrita”, disse o académico à Tribuna de Macau.

Manuel da Silva Mendes foi uma personalidade que despertou o interesse do autor logo desde a década de 80. “É um homem que pensava analisar de várias formas. Uma das vezes fiz um texto grande, já no final dos anos 90, sobre a parte filosófica e de análise da sabedoria oriental os imensos textos que ele escreveu”.

Integrado na colecção “Suma Oriental”, do Instituto Internacional de Macau (IIM), o livro ontem apresentado demorou cerca de “seis ou sete anos” a ser redigido, tentando abarcar os textos que Manuel da Silva Mendes produziu em Macau, “inclusivamente uma célebre conferência que deu em 1909 no Clube Militar, que ficou muito célebre e foi muito referida por autores subsequentes, sobre Laozi e o Taoismo”.

Assim, Carlos Botão Alves optou por fazer um estudo de literatura comparada com um autor “já conhecido e que já tem créditos no cânone literário português”, Antero de Quental. Entre os dois escritores há vários traços comuns. “Há preocupações políticas, sobretudo pedagógicas, de regeneração de um país pela educação do seu povo, e são preocupações muito grandes quer num, quer noutros. Eles têm o período de vida comum, do virar do século e o que me interessou referir era a possibilidade que os dois autores viram nas correntes de sabedoria oriental, Antero de Quental com o budismo indiano e Manuel da Silva Mendes com as traduções e os textos sobre quer o taoismo, quer o budismo”.

Além disso, os autores “foram-se apropriando desses princípios para construir um sistema que lhes permitisse olhar para o mundo de uma forma mais apelativa e, sobretudo, mais pedagógica”. “São sempre textos muito positivos, de comentário e de interesse para se poderem ler. Eram textos que Manuel da Silva Mendes escrevia nos jornais. Até ao momento, havia muitos dispersos e era necessário ter um texto que permitisse ter uma visão enquadradora de todo o seu pensamento”, frisa Carlos Botão Alves.

Ao longo dos sete anos de redacção do livro, houve “grandes desafios de crítica textual”. “Havia várias versões de um mesmo texto com algumas pequenas – grandes – alterações. Uma delas, de Luís Gonzaga Gomes, outro macaense. Manuel da Silva Mendes não nasceu na terra mas teve grande contacto com a comunidade chinesa e com o conhecimento do chinês e depois Luís Gonzaga Gomes, como tendo sido seu pupilo e fez a grande edição de 1963 e foi com base nesses textos o desafio principal”, indicou o professor do IPM.

Além disso, defendeu o académico, “franceses têm feito muitos textos de literatura comparada, estudos profundos, os ingleses idem aspas, falta colocar os autores de Língua Portuguesa no debate dos temas do Oriente porque a Língua Portuguesa foi a primeira a chegar, a última a partir em termos de império, e permanece imensamente popular, cada vez mais interessante para os alunos chineses, verificarem que há autores em Macau que pensam em termos filosóficos sobre a ideia do que é estar na vida e ser homem no mundo, usando princípios da sua própria filosofia”.

“São pontos de entendimento e penso que isso é fundamental e acabo o livro com dois ou três parágrafos disso. No mundo globalizado, cada vez menos de diálogo, é necessário colocar estes textos para que permitam o entendimento, nunca a suspeita e muito menos o conflito”, sublinhou Carlos Botão Alves.

Na mesma ocasião foi lançado o livro “Manuel da Silva Mendes” do investigador António Aresta, integrado na colecção “Mosaico” do IIM. Embora não tenha estado presente na ocasião, o autor deixou uma mensagem referindo o facto de a sessão estar a decorrer no mesmo local onde Silva Mendes há quase 100 anos deu uma conferência sobre Laozi e o Taoismo.

Na sessão de lançamento que contou com o apoio da Fundação Macau e colaboração do Clube Militar, participaram também a professora de língua e literatura da Universidade de Macau, Ana Cristina Dias, Jorge Rangel, presidente do IIM, e José Rocha Diniz, administrador do Jornal Tribuna de Macau. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sábado, 18 de novembro de 2017

Brasil - Encontro na Universidade de São Paulo reúne escritores de Cabo Verde

O Dia de Cabo Verde na USP acontece na próxima terça-feira, dia 21, a partir das 8h30



O Dia de Cabo Verde na USP será realizado na próxima terça-feira, dia 21 de novembro, das 8h30 às 12h30, no Auditório Nicolau Sevcenko da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP (Avenida Professor Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo). No evento, estarão presentes os escritores cabo-verdianos Jorge Carlos Fonseca – atual presidente da República de Cabo Verde -, Filinto Elísio, Joaquim Arena e Arménio Vieira. A coordenação do evento é da professora Simone Caputo Gomes, do Centro de Estudos das Literaturas e Culturas de Língua Portuguesa (Celp) da FFLCH.



O encontro terá início às 8h30, com mensagens proferidas pelo reitor da USP, professor Marco Antonio Zago, e pelo presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. Em seguida, uma mesa-redonda reunirá os escritores cabo-verdianos para discutir o tema Tendências Contemporâneas da Literatura de Pertença Cabo-Verdiana. Às 10h50, está previsto o lançamento dos livros Silvenius: Antologia Poética, de Arménio Vieira, Zen Limites, de Filinto Elísio, O Albergue Espanhol, de Jorge Carlos Fonseca, e Debaixo da Nossa Pele: Uma Viagem, de Joaquim Arena. Após o encerramento, haverá sessão de autógrafos.

Localizado no Atlântico central, a cerca de 570 quilômetros da costa africana, Cabo Verde é um arquipélago formado por dez ilhas, entre elas Santiago – onde se localiza a capital do país, Praia -, Santo Antão, São Vicente, São Nicolau e Boa Vista. Colonizado pelos portugueses desde o século 15, conquistou a independência em 1975. Hoje o arquipélago tem cerca de 550 mil habitantes. In “Universidade de São Paulo”

quarta-feira, 28 de junho de 2017

UCCLA - Acolhe X Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora

O X Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora terá lugar nos dias 29 e 30 de junho, na sede da UCCLA, e é organizado pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD). O Secretário-Geral da UCCLA, Vítor Ramalho, estará na sessão de abertura, pelas 14 horas.

O encontro tem como objetivo dar a conhecer a cultura moçambicana no estrangeiro e a presença de autores moçambicanos na diáspora, assim como fortalecer as relações entre autores e especialistas literários moçambicanos e portugueses. A iniciativa serve, igualmente, para estudar formas de intercâmbio e de cooperação entre os escritores, poetas e intelectuais moçambicanos na diáspora e os residentes em Moçambique.

Além de lançamentos de livros e leituras de poesia, o programa do encontro contará com a realização de debates e conferências sobre vários temas, destacando-se “Literatura Moçambicana”, “Literaturas Lusófonas”, “Relações Interculturais Lusófonas”, “Literatura, Criação, Intercâmbio e Lusofonia” e “Universalismo e Encontros com o Mundo”.

Serão homenageados Waldemar Bastos, Lívio de Morais, Gisela Ramos Rosa, e Manuel Araújo. Haverá, também, um momento de homenagem póstuma ao escritor moçambicano Ascêncio de Freitas.

O encontro conta com o apoio da UCCLA, Embaixada de Moçambique, Observatório da Língua Portuguesa e Fundação Millennium BCP e terá a cobertura da RDP ÁFRICA, RTP ÁFRICA e a KURIAKOS TV. UCCLA

A entrada é livre.

Morada:
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros e Elétrico (Rua da Junqueira): 15E, 18E, 714, 727, 728, 729 e 751
Comboio: Estação de Belém
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

PROGRAMA

29 de Junho 2017 – Quinta-feira


14h00
Recepção dos convidados

14h15
Sessão de abertura do X EEMD

Dr. Vítor Ramalho (Secretário-Geral da UCCLA)
Delmar Maia Gonçalves (Curador dos EEMD)
Dr. Ananias Sigaúque (Ministro Conselheiro na Embaixada da República de Moçambique em Portugal)
Enoque João (Presidente da Casa de Moçambique)
João Micael (Presidente da Matriz Portuguesa)

15h30
Homenagens

Waldemar Bastos
Gisela Ramos Rosa
Manuel Araújo
Lívio de Morais

15h40
Inauguração da Mostra de Pintura “3 poetas portuguesas/3 poetas moçambicanas”
de Isabel Nunes

15h45
Dança Oriental

Susana Amira


16h00
Literaturas Lusófonas

Ana Martinho - “Literaturas Africanas na Actualidade: um balanço teórico e crítico”
Annabela Rita - “Do verbo lusófono: entre terra e mar”
Ana Mateja Rozman - “Antologias Luso-Eslovenas inacabadas”
Delmar Maia Gonçalves - “Almadias em Alto Mar”

17h00
Conexões Poéticas: “Eco dos Palmares”

Gisela Ramos Rosa
Dulcineia
Lourdes Peliz
Elsa de Noronha
Tereza Xavier Coito
Clayton Silva
Filipa Vera Jardim
Mónica Castelo
Joana Rita

17h45
Relações Interculturais Lusófonas

Rodrigues Vaz - “O Jornalismo português na Guerra Colonial”
José Teixeira - “Relações culturais bilaterais (realizadas ou induzidas) por organismos paraestatais – uma visão analítica”
Renato Epifânio - “O Balanço da CPLP” e apresentação da Revista Nova Águia nº19

18h30
Apresentação de Revistas

Milandos da Diáspora 2017
Licungo n.º 6

19h00
Encerramento





30 de Junho de 2017 - Sexta-feira




14h00
Recepção dos convidados


14h15
Literatura, Criação, Intercâmbio e Lusofonia - Diálogos Cruzados

Manuela Gonzaga
Domingos Lobo
Ana Cristina Silva
Rui Maurício
Mário Máximo
Lopito Feijóo
Moderação: Delmar Maia Gonçalves

15h15
Momento Musical

Fercy Nery


15h30
Universalismo e Encontros com o Mundo

João Couvaneiro - “A Galáxia das Mangueiras”
Joana Catarina Forte - “Os Moçambicanos em Portugal - Cultura e Imigração”
Najwa Omar - “Lágrimas da Primavera”


16h15
Momento de Poesia
Cármen Filomena
Ana Matias
Antonieta Rosa Gomes
Olinda Beja
Zélia Torres
Duo Boci
Maria João Oliveira
Liliana Lima


16h45
Homenagens


16h50
Literatura Moçambicana

Vera Novo Fornelos - “Fragmentação da identidade em Mário de Sá Carneiro e Delmar Maia Gonçalves”
Jorge Viegas - “Reinaldo Ferreira”
Fernanda Angius - “Os escritores moçambicanos na diáspora”

17h45
Apresentação do livro
Cosmografias do Verbo Literário de Delmar Maia Gonçalves


18h00
 Apresentação da Antologia
Zalala 2017


18h45
Momento Musical

Isaley


19h00
Encerramento