Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 30 de março de 2025

França - Embaixador de Portugal diz que o país tem de decidir o que quer fazer do ensino de português no estrangeiro

Na primeira entrevista que deu ao LusoJornal, quando assumiu as funções de Embaixador de Portugal em França, José Augusto Duarte disse que uma das suas prioridades era a questão do ensino da língua portuguesa neste país. Mais tarde, numa outra entrevista dizia que o Senegal tem mais alunos a aprender português do que a França. Agora, no fim da sua missão em território francês e antes de assumir funções de Embaixador de Portugal em Madrid, considera que, nesta questão do ensino de português “ainda não estamos lá”.

Na última entrevista que deu ao LusoJornal, foi confrontado com o facto desta questão não constar do Tratado bilateral recentemente assinado entre a França e Portugal, aquando da visita de Estado do Presidente Emmanuel Macron, mas garante que foi assinado um Acordo bilateral em matéria de ensino. “Não está no Tratado, mas concluímos também um acordo para o ensino da língua portuguesa em França e da língua francesa em Portugal que é uma revisão do Acordo bilateral de 1970. Faz parte dos 8 acordos que foram assinados por ocasião da visita do Presidente da República de França a Portugal, na cidade do Porto. É um dos 8 instrumentos legais assinados, só que… ainda não estamos no patamar desejável” confessou José Augusto Duarte.

Já noutras alturas, José Augusto Duarte tinha deixado entender que não estava satisfeito com este ponto da relação bilateral entre os dois países.

Portugal continua “preso” a um Acordo que foi assinado com a França ainda antes do 25 de Abril e que, apesar de ter sido revisto várias vezes, não tem permitido um avanço substancial nesta matéria. “Na minha opinião ainda não estamos lá. Este é o acordo possível neste momento, mas na minha opinião não é uma plena reciprocidade de tratamento, ou seja, Portugal continua a fazer um investimento de mais de 20 milhões de euros para o ensino da língua francesa em Portugal, no ensino público, e gasta mais de 6 milhões de euros aqui em França para a divulgação do ensino da língua portuguesa, com um estatuto complicado, porque nem sempre é integrado plenamente dentro do ensino oficial. Em grande parte, são aulas complementares àquilo que é o currículo normal de cada aluno” confirma o Embaixador de Portugal.

“Hoje em dia, a língua portuguesa não pode ser reduzida apenas à Comunidade portuguesa. Na minha opinião, a língua portuguesa é uma língua internacional, de trabalho, é uma das línguas que mais cresce no mundo inteiro, em termos de falantes e era bom termos mais alunos de português em França, sejam eles de origem portuguesa ou não, pouco importa, o que interessa é que não faz sentido, na minha opinião, com a proximidade afetiva que existe entre Portugal e a França, com a proximidade até de valores que nós temos, haver um estudo tão fraco da língua portuguesa aqui” assume José Augusto Duarte. “Isso também não é um trabalho para que se modifique de um dia para o outro, leva certamente anos, temos que contribuir pouco a pouco para esse objetivo”.

Mas o Diplomata português considera também que “é importante nós termos um debate interno em Portugal sobre o que queremos para a língua portuguesa em França: se é um acordo revisto como o acordo de 1970, que é essencialmente de carácter mais de assistência à Comunidade portuguesa e orientado para a Comunidade portuguesa, ou se queremos abdicar desse conceito e achar que hoje em dia a Comunidade portuguesa está também ela própria integrada dentro da sociedade francesa e então entrar no domínio da bilateralidade completa e da reciprocidade de tratamento”.

José Augusto Duarte considera que em Portugal isso ainda não está claro. “Há um debate, com correntes diferentes. Não tem a ver com partidos políticos. Dentro de cada partido existem correntes diferentes de pensamento sobre aquilo que se quer, que é uma atenção muito particular às Comunidades e ao mesmo tempo, querer também ter sentimento de reciprocidade. É um debate que temos que fazer e temos que consolidar e também estou convencido – estou firmemente convencido – que, quando um dia tivermos um consenso nacional, no nosso país, sobre o que queremos, aí estaremos maduros para combater aqui, para lutar por aquilo que queremos”.

José Augusto Duarte cessa esta semana as funções de Embaixador de Portugal em França. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Angola - Morreu Rui Mingas, o músico da resistência que também foi ministro e embaixador

Rui Alberto Vieira Dias Mingas, músico e compositor, morreu, esta quinta-feira, em Lisboa. O autor da música do hino nacional foi também ministro do Desporto e embaixador de Angola em Portugal


Proveniente de uma família de músicos, foi influenciado pelo seu tio Liceu Vieira Dias. Rui Mingas foi um dos autores da conhecida canção "Meninos do Huambo", em parceria com o escritor Manuel Rui.

A notícia da morte de Rui Mingas começou por circular nas redes sociais e depois foi confirmada pelo Jornal de Angola junto da família do cantor.

Músico angolano de renome internacional, é autor de temas como "Cantiga por Luciana", "Poema da farra", "Makezu", "Muadiakimi", "Birin birin", "Monagambé" e "Adeus à hora da partida". Foi distinguido com a outorga de "Personalidade Lusófona de 2016", do Movimento Internacional Lusófono (MIL), em Lisboa, mas já antes, em 2010,recebeu o Prémio de Arte, Cultura e Letras pela Academia Francesa de Educação.

Nascido a 12 de Maio de 1939, Rui Mingas foi também praticante de atletismo, em salto em altura e 110m barreiras, no Sport Lisboa e Benfica, Portugal.

É pai da cantora Katila Mingas, de Ângela Cristina Branco Lima Rodrigues Mingas, da modelo Nayma e de Carlos Filipe Branco Lima Rodrigues Mingas. In “Novo Jornal” - Angola

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Timor-Leste - Novo Embaixador da República Árabe Saraui apresenta carta credencial a Presidente timorense


Díli – O atual Embaixador da República Árabe Saraui Democrática em Timor-Leste, Boibait Malainin Boibuat, entregou hoje a sua carta credencial ao Presidente da República, Francisco Guterres Lu Olo, no Palácio Presidencial timorense.

“Acompanho o Presidente da República. Recebemos uma carta credencial do novo Embaixador da República Árabe Saraui. Sabemos que o povo de Saraui está ainda a lutar pela sua autodeterminação. A sua história é quase semelhante à de Timor-Leste, desde 1975 até ao momento”, disse a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Adaljiza Magno, após a cerimónia de entrega da carta credencial diplomática.

A governante referiu igualmente que Lu Olo encorajou o novo embaixador a continuar a lutar pela independência do povo de Saraui. Adaljiza Magno afirmou também que, embora Timor-Leste ainda não tenha assinado nenhum acordo com a República Árabe Saraui, continua a apoiar a independência total deste Estado.

“Temos o mandato constitucional, por isso precisamos de apoiar o país que está na luta pela sua independência. Apesar de não termos nenhuma cooperação, devemos disponibilizar um espaço para que possa estabelecer a sua embaixada aqui. Continuamos a intervir nas Nações Unidas sobre a causa da República Árabe Saraui, determinando, assim, o futuro deste povo”, revelou.

Timor-Leste é um estado que reconhece a República Árabe Saraui como uma nação e com representação diplomática neste país, pelo que apoia e está solidário com a luta dos sarauis pela sua independência.

Recorde-se que a República Árabe Saraui Democrática é um país que reivindica o controlo de todo o Saara Ocidental, uma ex-colónia espanhola. O país proclamou, a 27 de fevereiro de 1976, a sua independência. Atualmente, controla cerca de 20% do seu território e os restantes são controlados por Marrocos. Afonso do Rosário – Timor-Leste in “Tatoli”

 


 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Cabo Verde – Espólio de Onésimo Silveira fica na Universidade do Mindelo

Mindelo – O reitor da Universidade do Mindelo (Uni-Mindelo) disse hoje que Onésimo Silveira deixou à universidade um espólio, com “uma bibliografia vasta”, que irá permitir a inauguração de uma biblioteca, dentro de 20 dias, com o nome do ex-autarca.

Segundo Albertino Graça, em declarações à Inforpress, poucas horas após o falecimento de Onésimo Silveira, ocorrido na manhã de hoje, 29 de Abril, no Mindelo, Silveira foi um dos promotores da ideia da criação da Uni-Mindelo e merece “todo o tipo de homenagem”, daí, adiantou, ter baptizado o auditório da instituição com o seu nome e ter-lhe atribuído o título ‘honoris causa’, que foi “uma grande honra”.

“Ele era um grande académico e merece um grande respeito, é um dos maiores políticos que apareceu em Cabo Verde e o que se faz de política hoje, no País, é fruto daquilo que Onésimo ensinou”, destacou.

Albertino Graça, que privou com Onésimo Silveira, revelou que a sua relação com o ex-presidente de câmara de São Vicente “era de pai para filho”. 

E, no âmbito dessa amizade, “praticamente uma relação familiar”, teve a oportunidade de lidar com Nelson Mandela e Joaquim Chissano, entre outras “grandes figuras históricas da humanidade”.

“Eu costumava dizer que eu era aquele filho que Onésimo Silveira gostaria de ter, pela forma carinhosa como ele me tratava e como me ajudava. Com ele tinha todas as portas abertas”, disse ainda o reitor da Uni-Mindelo.

A mesma fonte lembrou que o ex-autarca disse que “só sairia da política com a sua morte biológica e ele teve a oportunidade de fazer aquilo que gostava até à morte”, porque Onésimo Silveira, lembrou, esteve a apoiá-lo, “em toda a linha”, quando se candidatou nas autárquicas do passado dia 25 de Outubro.

Onésimo Silveira, 86 anos, nasceu em São Vicente e doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976, ano em que começou a trabalhar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Em 1977, transitou para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) com o estatuto de diplomata, ali permanecendo até Dezembro de 1990, com passagens por países como Somália, Angola e Moçambique.

Em 1992, tornou-se o primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente, cargo em que permaneceu até 2001.

Em 2002, suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Nacional e aceitou a nomeação para embaixador extraordinário e plenipotenciário de Cabo Verde em Portugal, Israel, Espanha e Marrocos.

A nível cultural, é considerado um dos mais proeminentes membros da elite literária cabo-verdiana, tendo muitos trabalhos publicados no campo da literatura (novela, poesia e romance) e do ensaio (política, sociologia e antropologia).

Onésimo Silveira também traduziu vários livros, entre os quais “Obras Completas de Mao Tsé Tung”, em parceria com Gentil Viana, e colaborava regularmente, com artigos de opinião, no jornal A Semana e em revistas de Cabo Verde, Portugal, França, Suécia e Noruega.

Fundou o Partido do Trabalho e Solidariedade (PTS), depois da ruptura com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (ex-PAIGC) e nos últimos anos tornou-se uma das vozes mais activas pela regionalização do país.

Em 08 de Dezembro de 2012 foi distinguido com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Mindelo pelo “imenso contributo para a democratização” do País e pelo seu papel na “internacionalização do municipalismo cabo-verdiano”. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Indonésia - Prepara candidatura a observador associado da CPLP



A Indonésia está a preparar a sua candidatura a membro observador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse à agência Lusa o embaixador indonésio em Lisboa, Ibnu Wahyutomo.

“Fui instruído para preparar o caminho para que a Indonésia se torne membro observador da CPLP”, disse Ibnu Wahyutomo, adiantando que se encontrou com o secretário-executivo da organização, Francisco Ribeiro Telles, para dar início ao processo.

O diplomata indonésio em Portugal defendeu a importância desta adesão à comunidade lusófona para o reforço da cooperação trilateral do país com Portugal e Timor-Leste.

“Quando aderirmos à CPLP, mesmo que seja como observador, será muito mais fácil ter o apoio dos outros países da comunidade, especialmente junto de outras organizações internacionais. Será benéfico para a Indonésia”, considerou.

Ibnu Wahyutomo, que está em Portugal há cerca de um ano, falava à agência Lusa a propósito da passagem dos 20 anos sobre o retomar das relações diplomáticas entre Portugal e a Indonésia no âmbito do processo que levou à realização do referendo sobre a autodeterminação de Timor-Leste.

O embaixador da Indonésia sublinhou igualmente a importância de Portugal como parceiro diplomático.

“Vemos Portugal como um dos países importantes com o qual temos de relacionar-nos no âmbito de uma ideia de cooperação trilateral Portugal, Timor-Leste e Indonésia, mas também por causa da sua pertença à União Europeia”, disse.

Depois de 24 anos de relações cortadas devido à questão de Timor-Leste, Portugal abriu uma secção de interesses em Jacarta, em 1999, tendo simultaneamente sido aberta uma representação congênere indonésia em Portugal.

Criada há 22 anos, a CPLP tem atualmente nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A organização tem 19 observadores associados: Hungria, República Checa, Eslováquia, Uruguai, ilha Maurícia, Namíbia, Senegal, Turquia, Japão, Geórgia, Luxemburgo, Andorra, Reino Unido, Argentina, Sérvia, Chile, França, Itália e Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Moçambique – Atletas da equipa americana Globetrotters em visita de apoio social

Três atletas pertencentes aos Harlem Globetrotters, uma equipa de basquetebol profissional norte-americana, estiveram recentemente na província de Gaza, tendo escalado, entre outros locais, o distrito de Mandlakazi, para a interacção e transmissão de técnicas aos alunos e praticantes daquela modalidade, nas escolas primária de Chitsombelane e secundária Samora Machel.

A visita daqueles desportistas a Moçambique insere-se no âmbito da parceria entre os Harlem Globetrotters e a Visão Mundial, uma organização não-governamental que actua em Moçambique, virada fundamentalmente à promoção dos direitos da criança e apoio aos grupos sociais e comunidades em situação de vulnerabilidade.

“Estamos em parceria com os Harlem Globetrotters e parte dos jogadores desta equipa decidiu, no âmbito da parceria existente com a nossa organização, virem espelhar a situação que algumas crianças ainda enfrentam no seu quotidiano em Gaza, e se colocarem como parte da solução”, disse Graham Strongs, director nacional da Visão Mundial em Moçambique, falando em entrevista colectiva no distrito de Mandlakazi.

“Estamos entusiasmados por eles terem vindo a Moçambique para promoverem o basquetebol nas nossas crianças e, na verdade, basquetebol é desporto, saúde e bem-estar”, continuou Strongs, referindo-se aos três basquetebolistas norte-americanos, por sinal embaixadores do desporto na Visão Mundial.

O primeiro ponto escalado pelos visitantes foi a Escola Primária de Chitsombelane, onde se depararam com duas salas construídas de material precário, inclusive o gabinete do director e casas de banho sem condições favoráveis, devido ao tipo de material aplicado.

Ademais, as aulas de educação física, naquela escola, contemplam, além do voleibol e entre outras modalidades, o basquetebol e, para a prática desta, as crianças têm recorrido a meios alternativos, a exemplo de colocação de jantas de bicicletas nas árvores para servirem de cestos, tudo na tentativa de garantir a prática do “bola-ao-cesto” pelas crianças.

Este factor, nomeadamente a falta do material adequado para a prática da modalidade, constitui apenas um exemplo de tantos outros pelos quais muitas crianças moçambicanas estão sujeitas. Aliás, foi a partir destes e outros cenários que Graham Strongs chegou mesmo a afirmar que Moçambique “necessita de mais apoios”, sobretudo para as áreas de educação, desporto, água e saneamento do meio, entre outras.

“Acreditamos que no seu regresso aos EUA poderão contar estas histórias para que percebam que Moçambique precisa de mais apoios para progredir e desenvolver a nação e os recursos que advierem destes países chegarão para apoiar nas diferentes áreas, saúde, educação, água e saneamento”, explicou Strongs.

Por seu turno, Anthony Buckets Blakes, um dos três basquetebolistas da equipa norte-americana, os Harlem Globetrotters, disse ter encontrado em Mandlakazi “bons talentos”, de diferentes géneros.

“É importante realçar isto porque a nossa equipa (Harlem Globetrotters) é composta por homens e mulheres. E nós aqui tivemos a oportunidade de ver meninas e meninos a jogarem. As crianças têm um bom potencial, eles parecem que trabalham arduamente e que têm bons treinadores”, disse Anthony Buckets Blakes, um dos jogadores dos Harlem Globetrotters, equipa de basquetebol profissional norte-americana que ganhou a alcunha de “equipa de básquete mais famosa do mundo”, por fazer de suas partidas uma mistura de entretenimento e exibição de habilidades técnicas. A colectividade viaja o mundo e já fez mais de 25 mil apresentações em 118 países, segundo apurou o “Diário de Moçambique”.

“Estamos não apenas para mostrar habilidades de basquetebol, mas também somos embaixadores de boa vontade que partilham o seu tempo para ajudarem a forjar bons seres humanos. Juntos com a Visão Mundial pretendemos ajudar as crianças em situação difícil e, outrossim, tornar as comunidades vulneráveis a serem auto-sustentáveis”, acrescentou Blakes.

Neusa Abdul Cassamo é uma das alunas da Escola Secundária Samora Machel de Mandlakazi e praticante de basquetebol naquela instituição de ensino, e à nossa reportagem disse, momentos depois do jogo de transmissão de técnicas, que “aprendemos muita coisas, sobretudo as regras elementares do basquetebol, com muito entretenimento e habilidades performativas à mistura. Foi momento ímpar e deu para aproveitar. Gostaríamos que viessem por mais vezes”. Neusa, de 14 anos de idade, estuda na oitava classe e sonha ser basquetebolista de profissão. Victor Muvale – Moçambique in “Diário de Moçambique”

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

CPLP – Entrevista ao Embaixador Murade Murargy, Secretário Executivo cessante

Murade Murargy falou ao Dinheiro Vivo, em Lisboa, em vésperas de passar a pasta da CPLP a Maria do Carmo Silveira

“No início foi difícil fazer amigos em Lisboa, eram todos muito reservados. No final, levo comigo muitos amigos.” Comentário de Murade Murargy, secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em jeito de balanço de quatro anos de mandato. No final da missão, e prestes a passar a pasta para a sua sucessora, a são-tomense Maria do Carmo Silveira, que assume a pasta já na segunda-feira, é hora de fazer um balanço. Apesar de ainda faltar um longo caminho até alcançar a livre circulação de pessoas e mercadorias, que almejava desde que chegou ao cargo, é visível que a CPLP é hoje mais económica.

“Só agora os Estados membros ganharam consciência da necessidade de pôr a CPLP mais ativa, não só na política e na sociedade mas ao nível económico. Não foi fácil. Não basta dizer que a CPLP se vai virar para a economia, é preciso construir todo um quadro jurídico, o que tem implicações em termos de mobilidade”, conclui o embaixador de carreira e moçambicano de sangue. “É necessário que governos e empresários trabalhem juntos, primeiro a partir de cada país e depois tentando harmonizar as políticas. Ainda há muito a fazer…”, diz em jeito de mensagem à sua sucessora.

A recente crise do preço do petróleo afetou os mercados da comunidade, como Angola, Moçambique e Brasil, e acabou por atrasar algumas das metas definidas com vista à criação de uma verdadeira comunidade económica. “Atrasou o processo, mas atualmente há uma vontade política nesse sentido. A última cimeira da CPLP, que decorreu em Brasília, teve enfoque nesta área e, ao contrário do que eu estava à espera, o Brasil está muito empenhado em que a vertente económica e empresarial seja uma realidade. O ministro dos Negócios Estrangeiro do Brasil tem uma visão da CPLP muito mais dinâmica e concreta em objetivos a alcançar na economia.

Na opinião de Murade Murargy, é preciso inverter a perceção mundial acerca de alguns dos países membros da CPLP, nomeadamente africanos, visto como meros “recetores de doação e ajuda internacional, e devem trabalhar para serem encarados como países que podem participar na construção do bem-estar da comunidade. Não se pode estar de mão estendida!”, diz. Moçambique é um dos Estados membros que deverão mudar esse paradigma, considera. Até para assumir um papel importante no seio da CPLP. “Tem um potencial enorme e ao longo dos últimos anos tem descoberto recursos que não se sabia que existiam. A crise internacional afetou o país, bem como a instabilidade política que permanece e que é preciso resolver, e a dívida”, mas, mesmo assim, está otimista. “As previsões apontam para um alavancar do crescimento económico no primeiro ou no segundo trimestre deste ano, estou em crer que será um virar de página no desenvolvimento económico de Moçambique.” Aliás, “as empresas que estão a negociar os acordos para a exploração de gás no país estão hoje mais alinhadas e convencidas de que é preciso avançar”.

Contudo, “Moçambique precisa que a confiança se volte a estabelecer, no governo e nas instituições do Estado”, alerta, comentando os últimos casos de corrupção conhecidos no país e que afastaram os doadores internacionais. Mas estes poderão estar de regresso à nação durante este ano, segundo apurou o Dinheiro Vivo junto de vários observadores internacionais.

Estratégia para dez anos

O futuro constrói-se com transparência, economia e conhecimento, considera Murade Murargy. “Neste mandato, a primeira meta alcançada foi ter conseguido que os governos refletissem sobre o futuro da CPLP, e não foi fácil. Foi preciso traçar um plano para os próximos dez anos. A segunda conquista passou por todos terem consciência de que sem o desenvolvimento humano não há desenvolvimento económico dos países. É preciso que os Estados apostem no homem e na capacitação das pessoas, na partilha do conhecimento e na mobilidade no espaço (embora ainda não esteja a funcionar). A terceira meta alcançada foi a aceitação e a consagração da vertente económica empresarial nos princípios e nos pilares da CPLP.”

Na estratégia a dez anos, na componente económica, destaca--se “o potencial energético dos nossos países, desde o gás ao petróleo, mas também recursos minerais; a agricultura, área em que a CPLP tem muito futuro; o turismo, em que podemos ser uma potência mundial; e o comércio internacional, através de ligações marítimas que podemos ter. Aliás, os mares e oceanos são outra das vertentes consagradas na nova visão estratégica para a CPLP”, acrescenta ainda. Como remata o embaixador: “A CPLP é jovem, tem 20 anos e muitos desafios pela frente.”

Futuro - Cinco desafios para o novo mandato

Economia

“É preciso fazer mais, estruturar melhor a vertente económica e empresarial dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Falta saber o que os governos devem e querem fazer para ajudar os empresários a tirarem proveito de todo o potencial que existe. E isso está ligado à mobilidade.”

Mobilidade

“A facilitação dos vistos para os empresários e livre circulação é um desafio. Já existem alguns protocolos, mas é preciso fazer mais, por exemplo, cada país ter uma lista dos empresários todos que podem ter acesso a esses vistos, e isso é difícil. Encontrar uma solução é o nosso grande desafio. Na conversa que já tive com a minha sucessora deixei sugestões e julgo que até à próxima Cimeira da CPLP, em julho, vai-se conseguir desbloquear isso.”

Conhecimento

“Insisto na importância do desenvolvimento humano para o futuro. É preciso que os países mais avançados apoiem os menos avançados para atingirmos níveis de desenvolvimento. Esta é uma aposta fundamental.”

Credibilidade

“É preciso continuar a projetar a CPLP no palco do mundo. Tornar a CPLP cada vez mais credível, mais visível. É fundamental também fazer que a juventude se aproxime mais da CPLP. Tem de haver uma atenção especial à juventude e à mulher, fundamentais no desenvolvimento. Nos nossos países a mulher tem um grande papel na agricultura e nos negócios.”

Combate à fome

“A área da segurança alimentar e nutricional está aí, mas ainda não houve grandes projetos que acabassem com a fome que ainda existe nos nossos países. Acabar com essa realidade é um desafio futuro. A CPLP é jovem, tem 20 anos e tem ainda muitos desafios pela frente. Rosália Amorim – Portugal in “Dinheiro Vivo”

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Brasil – Embaixador junto da CPLP ciente do crescimento da língua portuguesa no cenário internacional

O embaixador Gonçalo Mello Mourão, representante permanente do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ressaltou em entrevista concedida esta semana à Agência Brasil, em Lisboa, a importância da língua portuguesa no atual cenário internacional. Para Mourão, a eleição do português António Guterres como novo secretário-geral das Nações Unidas é um fato extraordinário para o mundo lusófono.

“Quanto mais 'mundo' falando a nossa língua, mais o mundo fica próximo de nós e mais nós ficamos próximos do mundo. Durante o mandato [de Guterres] – que nós esperamos que seja renovado, como tem sido a prática da ONU -, nós vamos ter em evidência um falante da língua portuguesa. O português hoje já é língua de trabalho em alguns organismos das Nações Unidas, inclusive alguns de relevo”, afirmou o embaixador.

No entanto, Mourão lembrou que a escolha de uma língua como idioma oficial das Nações Unidas traz impactos financeiros. “Uma língua na qual todos os documentos são produzidos tem uma implicação de custos imensa, que não necessariamente pode ser atendida pelo desejo político. De qualquer maneira, o Brasil continuará sempre a trabalhar no sentido de que a língua portuguesa seja cada vez mais aceita como uma língua internacional”, disse.

Para Mourão, a CPLP é, além de um espaço de cooperação entre os países-membros, um lugar de pertencimento. “É um espaço que se funda na percepção que os diversos países tiveram num certo momento de que há um passado comum, um presente comum e um desejo de futuro comum, não só na cooperação para o desenvolvimento, mas também na promoção da cultura de cada um de nós dentro do âmbito da expressão linguística do português”.

O embaixador diz que a CPLP não pretende ser o principal instrumento de cooperação para o desenvolvimento e solução dos problemas internos dos diversos países que a compõem. Os acordos de cooperação seriam apenas uma das diversas áreas de atuação da comunidade, que funciona, em todas as suas esferas, com base no princípio do consenso em todas as decisões tomadas.

Apesar de reconhecer o peso (econômico, social, cultural e populacional) que o Brasil exerce dentro da comunidade, Mourão ressalta que o interesse do país não é o de direcionar a CPLP. “Claro que o Brasil é um país que tem um peso e é óbvio que se olha [para ele] com alguma expectativa. Mas o Brasil não pretende conduzir a CPLP para nenhum lado. O Brasil pretende que a CPLP vá junto para onde ela quiser ir. E onde ela quer ir é onde todos os membros queiram ir”.

Livre Circulação

Em relação a um possível acordo de livre circulação entre os cidadãos dos países-membros da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), Mourão afirma que, apesar de o assunto vir sendo discutido dentro da comunidade, as complicações são muitas e o processo deve ocorrer de forma lenta.

“Há, claro, um desejo de que um dia essa livre circulação se verifique. Eu acho que isso não é só um desejo dos países de língua portuguesa, mas de todos os cidadãos do mundo. Dentro da CPLP é um problema que tem que se resolver em conjunto, mas também individualmente. Há certos problemas que implicam pertencer a outros agrupamentos regionais que têm acordos específicos sobre a matéria {como Portugal com a União Europeia]. E é uma decisão política também sobre o desejo de realmente abrir as fronteiras para essa livre circulação dos cidadãos da CPLP”.

Mourão ressaltou a importância atual de o Brasil ter assumido em outubro a presidência bianual da CPLP durante a 11ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade, em Brasília.

“O Brasil propôs, como meta de trabalho da organização, atingir certos objetivos da agenda 2030 das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável. Nós vamos começar a discutir, a partir de 2017, quais seriam os temas dessa agenda que nós poderíamos apostar como possíveis de serem conjuntamente desenvolvidos de modo que, ao final da presidência brasileira, daqui a dois anos, nós possamos apresentar um resultado concreto. Nesse aspecto, foi uma feliz coincidência a eleição de Guterres, porque nós vamos ter a CPLP trabalhando em cima de uma meta da ONU”, frisou. Beto Barata – Brasil in “Isto É”

domingo, 21 de setembro de 2014

Guiné Equatorial – Embaixador apresentou as cartas credenciais junto da CPLP



O Secretário Executivo da CPLP, embaixador Murade Murargy, recebeu as cartas credenciais do embaixador Tito Mba Ada, indigitando-o como Chefe de Missão da Guiné Equatorial junto da CPLP, no dia 19 de Setembro de 2014.

Nesta ocasião, o embaixador Tito Mba Ada foi acompanhado pelo embaixador da Guiné Equatorial em Portugal, José Dougan Chubum.

A República da Guiné Equatorial integrou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) enquanto membro de pleno direito na X Conferência de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Julho de 2014, em Dili. CPLP

Embaixador Tito Mba Ada

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Credenciais

No passado dia 09 de Abril de 2013, o diplomata José Dougan Chubum apresentou credenciais perante o Presidente da República Portuguesa que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Guiné Equatorial para Portugal com residência oficial na capital portuguesa, o primeiro na história deste país.

Conforme o “Baía da Lusofonia” anunciou em primeira mão para Portugal, a nomeação do diplomata José Dougan Chubum no passado mês de Novembro de 2012 veio agora a concretizar-se e segundo as intenções do governo da Guiné Equatorial, é mais um passo na aproximação ao mundo lusófono.

Na apresentação das credenciais esteve presente também a primeira secretária da Embaixada da Guiné Equatorial em Portugal, Cristina Mangué Abeso. Baía da Lusofonia


sábado, 24 de novembro de 2012

Embaixador

A República da Guiné Equatorial nomeou pela primeira vez um embaixador para representar o seu país em Portugal. A José Dougan Chubum coube a primazia de ser o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Guiné Equatorial na capital portuguesa. Baía da Lusofonia