Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Portugal – Projeto de energias das ondas em Viana do Castelo financiado pela União Europeia

A construção de um centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D) em Viana do Castelo para a produção de conversores da energia das ondas garantiu um financiamento de 7,3 milhões de euros, informou a entidade gestora do Norte 2020



Em comunicado, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) explicou a empresa tecnológica sueca CorPower Ocean está a investir 16 milhões de euros na criação daquele centro, no porto de mar da capital do Alto Minho, resultado de um acordo estabelecido com Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).

O presidente da CCDR-N, a autoridade administrativa do Norte 2020, António Cunha, citado na nota, disse ser “gratificante constatar que o projeto contou com um apoio da União Europeia de 7,3 milhões de euros”.

“Os próximos anos serão cruciais na aplicação das energias limpas, que permitirão apostar numa economia mais verde. Este desafio é ainda mais importante quando estamos num país onde o mar representa um elemento essencial da economia, da sociedade e até da cultura. Com144 quilómetros de costa, a região Norte é, sem dúvida, o melhor lugar para um projeto deste tipo”, referiu António Cunha.

Para o presidente da CCDR-N, “projetos deste tipo são essenciais para o investimento na região Norte”.

“Através da CorPower, mais especificamente do projeto HiWave, será possível destacar o papel do Norte na vanguarda e na inovação em matéria de energias alternativas”, destacou.

Também a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) “saudou” o financiamento comunitário do projeto da empresa sueca, referindo que “Portugal tem conseguido atrair investimentos de empresas internacionais com projetos inovadores, graças às suas vantagens competitivas, com ênfase no talento”.

“O projeto HiWave-5 da CorPower, em Viana do Castelo, um investimento global de 16,3 milhões de euros, é um passo firme para a consolidação de Portugal na vanguarda mundial da inovação e das energias alternativas, concretamente na energia oceânica”, observou.

Para o administrador da CorPower Ocean, Patrik Möller, “a decisão de financiamento comunitário reafirma o empenho de Portugal no sector da energia oceânica”.

“Temos o prazer de anunciar este desenvolvimento positivo, que nos permitirá intensificar ainda mais as operações em Portugal. Estamos a ganhar um grande impulso com o nosso novo Centro de Investigação e Desenvolvimento, que se encontra em fase de conclusão, e uma equipa em rápida expansão”, afirmou o administrador citado no documento.

Patrik Möller acrescentou que, “embora Portugal ofereça condições naturais ideais para o projeto de demonstração, fundamentalmente também partilha da paixão e visão” da empresa “pela energia oceânica”.

“Existe uma vontade política firme de manter a posição de liderança em energias limpas, que se reflete neste recente investimento na CorPower. O nosso trabalho encontra-se bem alinhado com a Estratégia Industrial Portuguesa para as Energias Renováveis Oceânicas, que visa criar um cluster de exportação industrial competitivo e inovador”.

Em outubro de 2020, o representante em Portugal da tecnológica sueca, Miguel Silva Miguel Silva disse que no centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D), que empregará 15 trabalhadores “altamente qualificados”, será produzido, em 2021, “o primeiro equipamento em escala real, capaz de produzir 300 kilowatts de energia”, a ser “instalado na Aguçadoura, ao largo da Póvoa de Varzim, para a realização de testes”.

Na altura, numa sessão de apresentação do projeto em Viana do Castelo, adiantou que naquele centro “vão ser desenvolvidos e produzidos todos os componentes necessários à produção do equipamento”, servindo ainda para centralizar “todas as operações marítimas de colocação, manutenção, observação e recolha de dados” que os mesmos irão produzir.

Na ocasião, apontou para 2024 o início da comercialização dos primeiros conversores de energia das ondas produzidos em Viana do Castelo, culminando um projeto iniciado em 2012 num investimento global de 52 milhões de euros. In “Rádio Alto Minho” - Portugal


Macau - Instituto Português do Oriente assina memorando com a Universidade do Porto

O Instituto Português do Oriente (IPOR) assinou um memorando de entendimento com o Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP) devido ao aumento da procura do Português na região da Ásia-Oceânia, mas também como forma de reforçar a parceria entre a República Popular da China e Portugal, em especial na área da promoção das respectivas línguas e culturas.

Considerando a posição privilegiada de Macau enquanto plataforma de excelência para a difusão da língua portuguesa, o IPOR, refere um comunicado enviado ao nosso jornal, “tem vindo a investir na optimização das suas competências tecnológicas, científico-pedagógicas e didácticas a fim de dar também o seu contributo para o desenvolvimento da política definida pela RAEM”.

O memorando agora assinado insere-se, diz ainda a instituição de matriz portuguesa, “numa linha de promoção do trabalho colaborativo que o IPOR tem procurado desenvolver em benefício da sociedade local, e que já integra também colaboração com prestigiadas instituições do ensino superior de Macau”.

O documento agora assinado com o CLUP centra-se em objectivos bem definidos para cooperação interinstitucional que passam pela “realização de cursos de formação complementar e de atualização de professores, sobretudo nas áreas da linguística e ensino da língua portuguesa”, pelo “desenvolvimento de projetos de investigação científica conjuntos” e, ainda, pela “produção de materiais didáticos, nas diversas vertentes da construção de conteúdos, revisão científica, revisão pedagógica e certificação de qualidade”.

O IPOR e o CLUP, fundado em 1976 por impulso do consagrado linguista e humanista Óscar Lopes, esperam ainda realizar um “acolhimento de formandos em regimes de estágio para desenvolvimento científico ou pedagógico, integrados ou não em ciclos de estudo académico, em articulação com o regime definido para tais actividades pelas autoridades da RAEM”, tornar o “acesso facilitado a bibliotecas e centros de documentação tutelados pelas partes” e apostar na “promoção e desenvolvimento de actividades de internacionalização associadas ao objecto do acordo, com envolvimento científico de especialistas da República Popular da China e de outros países da região”. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”

 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

França - Livro ilustrado “Plasticus Maritimus” é candidato a prémio literário


O livro ilustrado “Plasticus Maritimus”, da bióloga Ana Pêgo e da escritora Isabel Minhós Martins, ilustrado por Bernardo P. Carvalho, é candidato aos prémios literários franceses Sorcières, destinados à literatura para os mais novos.

A lista de nomeados aos prémios foi divulgada esta semana pela Associação de Bibliotecários de França e pela Associação de Livrarias Especializadas para Jovens, e partilhada hoje nas redes sociais pela bióloga Ana Pêgo.

A edição francesa de “Plasticus Maritimus, uma espécie invasora” está indicada na categoria de não-ficção.

Os Prémios Sorcières (feiticeiros, em tradução literal) foram criados em 1986, pela Associação de Livrarias Especializadas para Jovens, em parceria com a Associação de Bibliotecários de França, e reconhecem, em seis categorias, a produção literária para crianças e jovens que é publicada no mercado francês.

Editado em 2018 pela Planeta Tangerina, “Plasticus Maritimus” é um livro informativo sobre meio ambiente e um guia de exploração, para os leitores que queiram também ser mais ativos na defesa da natureza, escrito pela bióloga Ana Pêgo, juntamente com Isabel Minhós Martins, e ilustrado por Bernardo P. Carvalho.

Inspirada na nomenclatura científica que identifica as espécies da natureza, a bióloga Ana Pêgo criou, em 2015, um bilhete de identidade para designar a presença de plástico nos oceanos – Plasticus Maritimus.

A partir daí, desenvolveu todo um trabalho de consciencialização para o problema, com a realização de oficinas para crianças, exposições com o plástico recolhido em praias e partilha de informações com outros ativistas.

Na obra explica-se, por exemplo, que um ‘beachcomber’ é alguém que recolhe lixo nas praias e se torna num “colecionador que se interessa pela origem e pela história dos objetos que encontra”.

Há ainda dados estatísticos sobre a vida na Terra e sobre poluição – por exemplo, uma garrafa de plástico demora 450 anos a degradar-se -, é dado um enquadramento histórico sobre a produção de plástico e uma cronologia sobre “coisas importantes que já aconteceram entre pessoas e oceanos”.

As autoras deixam ainda conselhos práticos para uma ‘saída de campo’, para recolha de lixo, e enumeram tipos de ‘plasticus maritimus’ comuns e raros que se encontram nas praias, como beatas de cigarro, palhinhas, cotonetes, pequenos brinquedos, moedas e lancetas de diabéticos.

O livro, cujos direitos foram já vendidos para tradução em catalão, galego, espanhol, chinês, checo, inglês, francês, italiano, coreano e polaco, recebeu em 2020 uma menção na categoria de melhor livro de não ficção na Feira do Livroo Infantil e Juvenil de Bolonha, Itália.

Os vencedores dos Prémios Sorcières serão anunciados em março. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

Angola - Recebe ajuda do Japão a livrar-se de minas com material e formação

O Japão formalizou a doação a Angola de material e formação de técnicos para ajudar o país africano a livrar-se de minas, através de um programa de desenvolvimento económico e social no valor de 1,6 milhões de euros.

O Acordo de Doação para o Programa de Desenvolvimento Económico e Social no domínio da Desminagem foi firmado em Angola, entre o embaixador do Japão, Maruhashi Jiro e o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Custódio Vieira Lopes.

O Programa de Desenvolvimento Económico e Social consiste na doação dos acessórios para as máquinas de desminagem, oficina móvel, outras peças de reposição e capacitação dos técnicos para o Instituto Nacional de Desminagem (Inad) da Comissão Executiva de Desminagem (CED) e está orçado em 210 milhões de ienes japoneses (cerca de 1,6 milhões de euros).

Trata-se de mais uma iniciativa no âmbito da cooperação existente no sector da desminagem entre o Governo do Japão e o Governo da República de Angola, o qual “permitirá que as operações de trabalho intensivo, de longa duração e perigosas possam ser drasticamente melhoradas com a utilização das máquinas modernizadas”, segundo uma nota da embaixada doJapão em Angola.

“A desminagem é indispensável para a agricultura, turismo, desenvolvimento dos recursos minerais, logística de distribuição e na melhoria do ambiente de negócios em Angola”, prosseguiu a mesma nota.

Desde os anos de 1990 que o Japão tem apoiado o desafio de livrar Angola das minas, através de várias maneiras e esquemas de financiamento, apetrechamento, formação, transferência de tecnologia, entre outras.

De acordo com o relatório anual da Campanha Internacional para a Erradicação de Minas Terrestres (ICBL, na sigla em inglês), o Landmine Monitor, Angola mantém-se entre os países classificados como tendo contaminação massiva, ou seja, com mais de 100 quilómetros quadrados de áreas com minas terrestres e outros engenhos explosivos. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul

 

Timor-Leste - Universidade Nacional Timor Lorosa’e já formou 17 mil timorenses

Díli – A Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) formou, desde o ano 2000, data da sua inauguração, um total de 17 mil graduados, sendo que 16.688 pertencem aos cursos de bacharelato e licenciatura, 149 de cursos de pós-graduação e 163 de mestrado.

O novo Reitor da UNTL, João Soares Martins, disse que a instituição universitária possui nove faculdades com 40 cursos de bacharelato e licenciatura e um programa de pós-graduação e pesquisa, com 15 cursos de pós-graduação e mestrado.

“A UNTL dispõe de mais de 550 docentes, 400 dos quais permanentes. Conta igualmente com 447 funcionários administrativos, dos quais 363 permanentes e cerca de 25 mil alunos matriculados”, afirmou o reitor no seu discurso, no âmbito da sua tomada de posse, na Faculdade de Engenharia, Ciência e Tecnologia, em Hera.

Segundo João Martins, a UNTL, através dos seus recursos humanos e da sua capacidade intelectual, deverá sempre estar disponível para ser autora de desenvolvimento, incluindo do desenvolvimento económico sustentável do país.

O reitor recordou, por outro lado, que desde 2000, a UNTL tem contribuído significativamente para o desenvolvimento do país.

“Através dos seus mais de 16 mil graduados, dos quais muitos exercem funções não apenas no setor público, mas também no setor privado ou como agentes autónomos, e, não ignorando, também, que muitos estejam desempregados, o papel desempenhado pela UNTL tem sido determinante”, afirmou.

“Devemos estar preparados para sermos os agentes de tal metamorfose, para dirigirmos a mudança, para sermos protagonistas da renovação. Não podemos, no entanto, deixar que esta transformação nos mude. Devemos ser nós a mudar o mundo”, concluiu.

A UNTL foi criada no ano de 2000 por iniciativa dos ex-docentes da Universitas Timor Timur e da Politeknik Díli em resposta a diversos desafios e exigências que surgiram no ensino superior em Timor-Leste logo após o referendo de 1999, mas que, por diferentes motivos, tem estado a funcionar sem estatuto legal próprio, devidamente aprovado e publicado. Nelia Fernandes – Timor-Leste in “Tatoli”

 

Honduras - Herança Maia está sob ameaça

A deterioração natural das estruturas antigas e a pressão demográfica constituem crescentes factores de risco para o Parque Arqueológico de Copán, legado da civilização maia que integra a lista do Património Mundial da UNESCO desde 1980



A escadaria dos hieróglifos é a estrela do Parque Arqueológico de Copán, um sítio do Património Mundial deixado pelos maias no oeste de Honduras, que sobrevive ao desafio da degradação das estruturas antigas. Com 63 degraus e uma altura de 12 metros, a massa de 1100 blocos monolíticos ergue-se neste parque embutido numa floresta localizada a cerca de 300 km ao noroeste da capital hondurenha, Tegucigalpa.

O valor universal da escadaria, que levou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) a declará-la Património Mundial em Setembro de 1980, assenta na “combinação excepcional de arquitectura, escultura e escritura”, destacou o arqueólogo francês René Viel, durante uma visita com a AFP pela floresta.

A civilização maia, que viveu numa área de 324.000 km2 no que hoje é o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras, tinha um centro político, civil e religioso no Vale do Copán.

Em Copán, “há outros monumentos: o campo de bola; nos túneis estão as tumbas reais e o templo de Rosalila”, mas “a escadaria hieroglífica é o monumento mais emblemático”, frisou René Viel.

No chamado grupo principal, ou área urbana, o parque abrange cerca de 1000 edifícios, entre os quais se destaca a acrópole, com duas pequenas praças rodeadas de templos e monumentos.

Os investigadores chegaram à conclusão de que, em Copán, existia uma sociedade teocrática avançada, com conhecimentos de matemática, astrologia, arquitectura, escultura e escritura, e com um sistema político de uma dinastia de 16 reis “divinos”.

Este esplêndido legado milenar tem sobrevivido no meio da deterioração natural das estruturas antigas e sob pressão do crescimento demográfico nos arredores, principalmente nas últimas duas décadas. Por isso, René Viel alerta que está na hora de “começar a planear uma estratégia de protecção” do local.

“A pressão demográfica é grande” na zona tampão do Parque Arqueológico de Copán, concorda o seu director, Eliud Guerra. A declaração de Património Mundial representa “uma grande responsabilidade” para preservar o local e evitar a perda da classificação atribuída pela UNESCO, reconheceu Guerra.

A principal protecção da escadaria é uma lona que a abriga do sol e da chuva. A pandemia do coronavírus arruinou um projecto que visava melhorar o sistema de protecção.

De acordo com Eliud Guerra, foram instalados cerca de 500 sensores para medir a temperatura, humidade, vento e iluminação. Os especialistas admitem que a lona ajudou a proteger a estrutura, mas é preciso melhorá-la. No entanto, terão de esperar dois anos para instalar a nova lona, com 16 velas transparentes que darão uma melhor protecção e apresentação, explicou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


Portugal - Estudo da Universidade de Coimbra conclui que as acácias podem comprometer seriamente os ribeiros


A invasão das floretas ripárias (árvores e arbustos nas margens dos rios) por espécies de árvores exóticas pode ser uma ameaça ao funcionamento dos ribeiros. A conclusão é de um estudo liderado por Verónica Ferreira, da Universidade de Coimbra (UC).

Segundo a investigação, cujos resultados já estão publicados na revista Biological Reviews, as acácias, que estão entre as espécies invasoras mais agressivas no mundo, podem afetar os ribeiros por via de alteração das características da matéria orgânica, da quantidade de água e da concentração de nutrientes na água, com consequências nas comunidades e processos aquáticos, entre outras.

Para chegar a estas conclusões, a equipa, que envolveu investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e do Centro de Ecologia Funcional (CFE), da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), e do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), da Faculdade de Letras (FLUC), desenvolveu um modelo de previsão dos impactos da invasão da floresta de folhosas por espécies fixadoras de azoto nos ribeiros, tendo por base a invasão de florestas temperadas decíduas do Centro de Portugal por espécies do género Acacia, como a mimosa (Acacia dealbata) e a austrália (Acacia melanoxylon), que estão entre as espécies invasoras mais agressivas na floresta portuguesa.

Este modelo permitiu observar que os efeitos previstos de invasões de espécies fixadoras de azoto (especialmente as acácias) «incluem mudanças na qualidade e quantidade da água e mudanças nas características de entrada de matéria orgânica, por exemplo diminuição na diversidade de folhas que entra nos ribeiros por substituição de uma floresta nativa diversa por povoamentos da espécie invasora, que em estádios avançados da invasão pode substituir por completo a vegetação nativa», assinala a coordenadora do estudo, Verónica Ferreira.

A gravidade dessas mudanças, sublinha, «vai depender da magnitude das diferenças nas características das espécies nativas e invasoras, da extensão e da duração da invasão, sendo que mudanças mais fortes são esperadas quando as espécies invasoras são marcadamente diferentes das nativas, e invadem grandes áreas por um longo período, o que pode tornar a possibilidade de reversão dos efeitos mais difícil».

No entanto, adverte, «mudanças induzidas pela invasão de espécies fixadoras de azoto em ribeiros podem comprometer vários serviços do ecossistema, como, por exemplo, o fornecimento de água de boa qualidade, hidroeletricidade, atividades de lazer, etc., com consequências sociais e económicas relevantes».

Os resultados obtidos neste estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), indica Verónica Ferreira, são importantes para, «por um lado, orientar a investigação futura porque há efeitos das invasões das florestas ribeirinhas por árvores exóticas que necessitam ser quantificados. Por outro lado, este estudo contribui com uma ferramenta que pode ser útil para a gestão das linhas de água já que permite prever a condição em que se poderão encontrar as comunidades e os processos aquáticos com base nas características das espécies nativas e invasoras, e assim estabelecer áreas prioritárias para conservação e restauro».

A investigadora da FCTUC lembra ainda que as invasões biológicas são uma «grande ameaça à biodiversidade e ao funcionamento dos ecossistemas. A invasão das florestas ribeirinhas por espécies de árvores com características diferentes das espécies nativas pode ser particularmente problemática». Por isso, conclui, «conhecer os efeitos das invasões por árvores fixadoras de azoto nos ribeiros é especialmente importante, uma vez que mitigar o enriquecimento de azoto em ecossistemas de água doce é um grande desafio de conservação, e os efeitos de espécies invasoras fixadoras de azoto têm sido amplamente negligenciados neste contexto». Universidade de Coimbra - Portugal