Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Cabo Verde - Germano Almeida lança novo livro “Memórias com Histórias” até ao final do ano

Cidade da Praia - O escritor cabo-verdiano e Prémio Camões 2018, Germano Almeida, prepara-se para lançar um novo livro intitulado Memórias com Histórias, prevendo-se que a obra chegue ao público até ao final deste ano.


Aos 81 anos e com mais de duas dezenas de títulos publicados, o autor confessa que não tem pressas nem metas por cumprir na literatura.

A nova obra, com cerca de 300 páginas e actualmente em fase de paginação, percorre momentos marcantes da sua vida.

“É um livro que atravessa a minha infância e também a vida adulta. Estrutura-se como uma espécie de longa entrevista em que, a propósito do diálogo, vou descrevendo várias situações da minha trajetória”, revelou o escritor.

Inicialmente previsto para o final de Setembro, o lançamento sofreu um ligeiro atraso, mas Germano Almeida mostra-se confiante na publicação ainda este ano, adiantando que a edição voltará a ser partilhada entre a prestigiada editora Caminho, em Portugal, e a sua própria chancela em Cabo Verde.

Com um percurso literário que ultrapassou largamente as suas ambições iniciais, Germano Almeida aborda o futuro da escrita com serenidade e sem cobranças.

“Quando comecei a publicar, pensava que devia lançar pelo menos dez livros, mas a produção foi crescendo e já ultrapassei os vinte”, conta.

Apesar de ter projectos em mente e já iniciados, o autor admite que nos últimos tempos tem sentido “uma certa preguiça” para lhes dar continuidade.

“Depois deste livro não tenho nenhuma ideia definida. Se der para escrever mais, muito bem (…) se não der, não tenho qualquer problema com isso”, declarou.

O autor comentou ainda as transformações do mercado editorial em Cabo Verde, assinalando que, após anos de fortes tiragens, as vendas abrandaram e os custos de produção aumentaram, o que tem obrigado a edições mais contidas e ponderadas.

Conhecido pelo seu espírito bem-humorado e apreço pelo contacto directo, o escritor não deixou ainda de assinalar, entre risos, a sua preferência pelas conversas presenciais, confessando que as entrevistas ao telefone “não têm a mesma piada”, desafiando para um próximo encontro “vis-à-vis”, com o mar de São Vicente ou da Praia como cenário.

Nascido na ilha da Boa Vista em 1945, Germano Almeida é uma das figuras cimeiras da literatura de língua portuguesa.

Advogado de profissão, o autor celebrizou-se pelo tom humorístico, irónico e profundamente observador da sociedade cabo-verdiana.

A sua projecção internacional consolidou-se em 1989 com o romance “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, adaptado ao cinema, tendo atingido o auge do reconhecimento em 2018 ao ser distinguido com o Prémio Camões, o maior galardão literário da lusofonia. In “Inforpress” – Cabo Verde


terça-feira, 5 de maio de 2026

Guiné-Bissau - Faculdade de Direito de Bissau acolhe reflexões sobre Amílcar Cabral no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa

Bissau - A Faculdade de Direito de Bissau acolheu, segunda-feira, uma palestra dedicada à figura de Amílcar Cabral, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala hoje, 05 de Maio.


Segundo a página oficial de Facebook da Casa das Letras e Artes Vasco Cabral, consultada hoje pela ANG, o evento decorreu sob o lema “Amílcar Cabral também era poeta, a palavra antes das armas”, e a sessão reuniu diversas personalidades do meio literário e diplomático sob coordenação do  escritor cabo-verdiano Germano Almeida.

Entre os participantes destacam-se a escritora guineense Odete Costa Semedo, a escritora portuguesa Manuela Ribeiro e o Embaixador de Cabo Verde na Guiné-Bissau Camilo Leitão de Graça.

Durante o encontro, Manuela Ribeiro procedeu à leitura de excertos de textos de Amílcar Cabral, evidenciando a sua dimensão literária e humanista, frequentemente ofuscada pelo seu papel na luta de libertação.

Na sua intervenção, Germano Almeida sublinhou a importância da palavra como instrumento de consciência, mobilização e construção de identidade, defendendo que o pensamento e a escrita antecederam a ação armada na formação da visão revolucionária de Cabral.

O escritor destacou a atualidade das ideias de Amílcar, sobretudo, no que se refere à promoção de uma cidadania crítica e à valorização da cultura.

Por sua vez, Odete Costa Semedo defendeu a necessidade de resgatar e valorizar a vertente literária de Amílcar Cabral no contexto guineense, propondo a sua integração nos sistemas educativo e cultural do país.

O embaixador Camilo Leitão de Graça enalteceu a iniciativa, considerando-a um reforço dos laços históricos e culturais entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde, países unidos pelo legado e pensamento de Cabral.

Segundo os promotores, a palestra tornou-se num  espaço de diálogo entre literatura, história e política, reafirmando o papel da língua portuguesa como veículo de memória, identidade e reflexão critica no espaço lusófono. In “Agência de Notícias da Guiné”


segunda-feira, 5 de maio de 2025

Cabo Verde - Centro Cultural Português assinala Dia Mundial da Língua Portuguesa com lançamento do novo romance de Germano Almeida

O Centro Cultural Português (CCP) comemora o Dia Mundial da Língua Portuguesa, hoje, 05 de Maio, com o lançamento do mais recente romance do escritor Germano Almeida, intitulado Crime nas Correntes d'Escritas. A apresentação da obra terá lugar no auditório do CCP, às 18h, com entrada livre



Segundo um comunicado da organização, a sessão contará com a presença do autor, vencedor do Prémio Camões 2018, e com a participação de Augusta Teixeira e Mariana Faria, que farão a apresentação do livro ao público.

Neste novo romance, Germano Almeida transporta o leitor para o festival literário Correntes d’Escritas, que se realiza anualmente na Póvoa de Varzim, Portugal. Frequentador assíduo do evento, o autor viu nesse cenário multicultural e literário o ambiente perfeito para construir uma narrativa envolvente, que mistura mistério, humor e uma dose generosa de realismo.

Segundo a sinopse, Crime nas Correntes d’Escritas nasceu da sugestão de um participante do festival e retrata, com o estilo mordaz e observador que caracteriza o autor, o comportamento dos escritores quando se reúnem para discutir literatura. A história promete divertir os leitores enquanto oferece um olhar perspicaz sobre o universo literário lusófono. Sheilla Ribeiro – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas” com “Lusa” 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

UCCLA - Coimbra vai receber Encontro de Escritores galardoados com o Prémio Camões

Germano Almeida, Hélia Correia e Manuel Alegre são os convidados do encontro “Um dia para Camões em Coimbra”, que vai reunir, no dia 12 de fevereiro, três escritores galardoados com o Prémio Camões na evocação do legado do autor d’Os Lusíadas, sob moderação do jornalista e poeta José Carlos Vasconcelos. A sessão terá lugar na Sala D. Afonso Henriques do Convento São Francisco, entre as 10 e 12 horas. O Secretário-Geral da UCCLA, Luís Álvaro Campos Ferreira, estará presente



O encontro - cujo objetivo é criar uma oportunidade para interagir com alguns vencedores do Prémio Camões - é promovido pela Universidade de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra e UCCLA, com a colaboração da Rede de Bibliotecas de Coimbra e Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa, dos Observadores Consultivos da CPLP, e com o apoio do Programa das Comemorações Nacionais do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões.

Esta iniciativa pretende, assim, proporcionar ao público a oportunidade de participar num encontro com três vencedores do Prémio Camões.

A entrada é gratuita.

A inscrição é obrigatória para grupos escolares.

Informações através do endereço 500anoscamoes@uc.pt.


sábado, 19 de outubro de 2024

Cabo Verde - Germano Almeida lança livro “Amadeu Oliveira: O Inferno da Não Justiça” em Portugal

Mindelo – O escritor cabo-verdiano Germano Almeida vai lançar o seu mais recente livro “Amadeu Oliveira: O Inferno da Não Justiça”, no dia 30 de Outubro, no Grémio Literário de Lisboa, Portugal.


Em declarações à Inforpress, o escritor e advogado explicou que se trata de uma obra de mais de 200 páginas com mais de 40 artigos de opinião que escreveu sobre o caso do ex-deputado e advogado Amadeu Oliveira, que cumpre sete anos de prisão na cadeia de São Vicente, condenado pelo Tribunal da Relação do Barlavento pelos crime de atentado contra o Estado de direito e crime de ofensa a pessoa colectiva, este último pelas acusações públicas feitas aos juízes do Supremo Tribunal de Justiça.

“Na verdade, esse livro é meu e não é meu. Explicando-me melhor, são textos que eu fui publicando no jornal A Nação, a propósito do caso Amadeu Oliveira, que é um caso que me tem preocupado bastante, na medida em que é um dos casos de injustiça mais persistentes que têm acontecido aqui em Cabo Verde”, esclareceu Germano Almeida.

Segundo Germano Almeida, contrariamente à questão da reforma agrária, que foi de uma injustiça atroz, mas que foi corrigido com alguma presteza, no caso do Amadeu a impressão que dá é que querem mantê-lo na cadeia, se calhar para cumprir os tais sete anos de cadeia.

“Felizmente, já não temos medidas de segurança em Cabo Verde após as prisões, senão, se calhar, até o deixariam por mais tempo, porque consideram o Amadeu uma espécie de um inimigo público. Quando, efectivamente, Amadeu não é um santo, mas ele não merece ser tratado como está sendo tratado”, lançou.

Para o escritor e advogado, a acusação que fizeram a Amadeu Oliveira e “a condenação a sete anos de cadeia que lhe deram é um absurdo” porque, argumentou, “no fundo, condenam-no pelo facto de ele ser advogado”.

“Isto é inadmissível em qualquer parte do mundo, eu vou sempre batalhar contra isto até que, finalmente, venha a pôr termo a esta situação”, assegurou a mesma fonte, explicando que é a partir desta batalha persistente que amigos próximos ao Amadeu Oliveira lhe sugeriram que publicasse as crónicas em livro.

“Eu escrevi as crónicas para saírem no jornal, normalmente as crónicas não são feitas para serem publicadas em livro. Mas eles contrataram a Rosa de Porcelana e vão sair então as crónicas em formato de livro”, acrescentou a mesma fonte, informando que o livro deverá ser lançado também em Cabo Verde.

Conforme Germano Almeida, o objectivo do livro é dar maior publicidade à injustiça que se está a fazer no caso Amadeu Oliveira porque “é um caso que interessa a todos os nacionais”, na medida em que “deve ser a forma de injustiça mais grave que se está a cometer desde que Cabo Verde é independente”.

“É uma pena não haver mais gente a opor-se e a protestar contra esta situação, porque é como se os poderes do País através da justiça, através do Parlamento, através do Governo, estivessem mancomunados para prejudicar o Amadeu. Não digo também a Presidência na medida em que ela tem se mostrado irrelevante nesta situação”, considerou.

Para Germano Almeida apesar de ser um caso de injustiça grave não se fez nada até agora para corrigir esta situação que envergonha o País.

Aliás, lembrou, “o próprio Tribunal Constitucional ao declarar que um costume absolutamente contra a lei podia ser virado a favor da lei foi feito exclusivamente sob medida para prejudicar o Amadeu Oliveira”.

“Há muita gente em Cabo Verde que sabe isto, não têm coragem de dizer. Eu não quero dizer que eu seja mais valente que os outros, mas sinto-me no dever de dizer”, frisou Germano Almeida.

Com o selo da editora Rosa de Porcelana, a apresentação do livro “Amadeu Oliveira: O Inferno da Não Justiça” em Portugal estará a cargo de Maria João de Novais. In “Inforpress” – Cabo Verde


terça-feira, 24 de setembro de 2024

Camões é herói, mito ou símbolo imperialista a abater nos países que falam português

Camões continua vivo nos países lusófonos, onde é herói, mito e também símbolo de um imperialismo, mas reconhecido por quem o ama e odeia e presente nas estantes, nas mochilas escolares, nas letras de fados ou canções hip-hop


Os escritores de língua portuguesa reconhecem o génio de Camões, do Minho a Timor, embora o poeta não tenha o mesmo destaque em todos estes Estados, outrora portugueses. “Camões é entendido como um grande poeta, um grande escritor e, ao mesmo tempo, um aventureiro na vida e na própria literatura”, diz à Lusa o escritor angolano Jorge Arrimar, um confesso admirador deste “poeta intemporal”.

Arrimar reconhece que a apresentação de Camões aos estudantes “nunca foi fácil”, mas acredita que, 500 anos após o seu nascimento, o poeta maior continua a fazer o seu percurso.

No Brasil, Camões é leitura obrigatória e, para muitos, um primeiro contacto com a literatura, segundo a escritora Fernanda Ribeiro, a primeira mulher a vencer o Prémio de Revelação Literária UCCLA-CML, com o livro “Cantagalo”. “Camões é tão entranhado na cultura brasileira, que tem músicas que as pessoas pensam que os versos são de autores, músicos brasileiros, mas estão citando Camões”, disse, exemplificando com o soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”.

Germano Almeida, escritor cabo-verdiano vencedor do prémio com o nome do poeta, lamenta que no seu país Camões não seja “sequer um autor conhecido”.

“Neste momento, Camões não existe e é uma pena”, disse, classificando-o como “uma figura importante, um grande poeta”. “É natural que, no princípio, Camões tenha sido visto como um representante do imperialismo e nunca mais ninguém se lembrou de ver que Camões é realmente importante para o cultivo da língua que precisamos, de facto, de ter em Cabo Verde”, afirmou.

Germano Almeida, que adorou Camões “desde a primeira hora”, diz que sabia “de cor” os Lusíadas, cujas primeiras palavras faz questão de declamar: “As armas e os Barões assinalados / Que da Ocidental praia Lusitana / Por mares nunca de antes navegados”.

Para o escritor guineense Tony Tcheka, “uma coisa é o que os guineenses pensam e sentem e outra coisa é o que o atual poder desenvolve como posicionamento e como prática”.

Considerando Camões como uma “figura grata, que tem de ser devidamente contextualizada e transportada no tempo”, Tony Tcheka lamenta que este e outros poetas não tenham “espaço na escola guineense, nem na vida política guineense”. “A língua portuguesa é tão portuguesa, como é guineense, como é angolana e temos o dever e a necessidade de a preservar, sem complexos. O próprio Amílcar Cabral sempre foi claro nisso. Foi ele que a classificou como a grande herança”, observou.

Em Moçambique, onde Camões viveu, o poeta “é um nome, um arquétipo, é quase uma instituição que se respeita, mas está de alguma maneira nas nuvens”, afirmou o poeta moçambicano Luís Carlos Patraquim.

E acrescenta: “Camões não é aquilo que ficou. O que ficou no imaginário, tanto em Portugal como nos outros países, é o Camões construído pelo Estado Novo. O que é preciso é ler ele mesmo e os contextos de grandes pensadores sobre Camões, como Jorge de Sena”. “Quem está interessado em escrever na língua portuguesa, e sem fantasmas identitários, lendo Camões percebe o que ali está de grande universalidade”, afirma, emocionado, recordando que o primeiro registo da palavra Moçambique aparece nos Lusíadas: “E por que tudo enfim vos notifique / Chama-se a pequena ilha Moçambique”.

Em Portugal, “Camões está presente”, mesmo quando não parece, como disse a escritora Inês Barata Raposo, autora de vários romances infantojuvenis premiados. “Muitas das expressões que nós utilizamos e muitas vezes ouvimos – jogos de palavras, pequenos versos, coisas que ficaram na nossa língua – foram herdadas de Camões e as pessoas muitas vezes não têm essa noção”, afirmou. Esta presença estende-se ainda à música, com vários fados a musicarem as letras do poeta.

A autora não descarta a possibilidade de incluir nas suas obras uma personagem inspirada em algumas das vozes imaginadas e cantadas por Camões, como o velho do Restelo, que simboliza a resistência ao novo.

Para a escritora são-tomense Olinda Beja, em São Tomé sempre existiu “muitíssimo orgulho em falar corretamente a língua portuguesa. Os pais são-tomenses proibiam os seus filhos de falar crioulo, que era considerada uma língua de segunda, terceira ou quarta”.

“Os jovens ouvem falar de Camões, mas não se dá a importância que se dava”, disse, acrescentando: “Fala-se muito mais de uma Alda Espírito Santo, de uma Maria Manuela Margarido, de um Francisco José Tenreiro, do que de um Luís Vaz de Camões”. “A juventude está desmobilizada e o nosso país, de há uns anos a esta parte, tem descurado muito a cultura. A palavra cultura está muito arredada dos eventos”, lamentou.

Camões pode não ter estado em Timor, mas Timor está na obra de Camões, nomeadamente no canto X dos Lusíadas: “Ali também Timor, que o lenho manda / Sândalo, salutífero e cheiroso…”, como recordou o escritor Luís Cardoso. “É impossível falar da língua portuguesa sem falar de Camões”, disse o autor, lembrando que esta foi “uma arma de combate da resistência durante a invasão indonésia”. “À medida que em Timor vamos reconstruindo a língua portuguesa, desbaratada durante a presença indonésia, podemos fazer com que os símbolos máximos desta língua estejam presentes quando falamos da língua portuguesa”, disse.

Macau é “um caso muito especial” no universo camoniano, como sublinhou o escritor Jorge Arrimar que, nascido em Angola, é também um poeta de Macau. No território existe a gruta de Camões, onde se diz que o poeta terminou os Lusíadas, um mito que tem sido alimentado com romagens ao local e ao busto ali erigido.

Autor “muito consumido na Escola Portuguesa em Macau”, Camões é sobretudo valorizado pela comunidade macaense, de origem portuguesa, disse. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 6 de abril de 2024

Cabo Verde - Segunda edição do livro “A Imprensa Cabo-Verdiana: 1820 – 1975” foi dada à estampa na Cidade da Praia

Cidade da Praia - O livro “A Imprensa Cabo-Verdiana: 1820 – 1975”, do historiador João Nobre de Oliveira, foi apresentado no Palácio da Presidência da República pelo escritor e antropólogo Brito Semedo, como “um trabalho enorme de pesquisa, recolha e organização”.


O documento, cujo trabalho foi organizado pela Ilhéu Editora, de Germano Almeida, foi reeditado na sua segunda edição, “revista e ampliada pelo autor” já que a primeira dada à estampa em 1998 estava esgotada no mercado.

Foi actualizado pelo seu feitor, que deixou a obra pronta para ser publicada quando faleceu, "dada a dificuldade encontrada para colocá-la na gráfica".

De formato ligeiramente superior a A5, com 937 páginas e publicada pela Imprensa de Cabo Verde, com o patrocínio da Presidência da República, o livro foi referenciado pelo seu apresentador como uma “obra extraordinária, do único historiador que trabalha sobre a história da imprensa cabo-verdiana”.

Brito Semedo enalteceu a importância e a relevância deste livro para qualquer pessoa que queira estudar, na perspectiva da história, da política, da imprensa no campo jornalístico, no da literatura e dos autores, ressalvando que o livro traz todos os periódicos publicados nesse período e organizado para permanentemente se consultar.

“É um livro que não é para se ler de seguida. É um livro para se ir vendo, para se consultar e para se pesquisar. Eu tenho um que havia sido público antes, capa dura e capa mole, que eu consulto com regularidade e agora vai-me acrescentar as informações que terão faltado na edição anterior. Vale a pena ter esta edição”, explicou.

Enquanto isto, Germano Almeida, prefaciador desta segunda edição, (a primeira edição teve o prefácio do presidente António Mascarenhas Monteiro), referiu que se trata de um documento “extremamente importante para Cabo Verde”, assegurando que retrata o resumo da imprensa cabo-verdiana e dá a conhecer a imensidade da história de Cabo Verde.

“É um grande prazer para nós editora e uma grande utilidade para nós os cabo-verdianos, porque nós precisamos conhecer a nossa história e este livro é extremamente útil neste aspecto”, realçou Almeida, que apresentou João Nobre de Oliveira como um funcionário que foi discreto e trabalhava em casa nas horas vagas.

O autor de “A Imprensa Cabo-Verdiana: 1820 – 1975”, segundo Germano Almeida, “Prémio Camões em 2018”, trabalhou em Macau, escreveu o seu primeiro livro sobre a “Genologia das Famílias Cabo-verdianas” era um estudioso da sociedade cabo-verdiana e um dos valores da história cabo-verdiana que merece uma homenagem mesmo que a título póstumo. In “Inforpress” – Cabo Verde

sábado, 9 de dezembro de 2023

Cabo Verde - “Kel Linda Borboleta”, o primeiro livro infanto-juvenil totalmente inclusivo será lançado na terça-feira

Chama-se “Kel Linda Borboleta”, está em crioulo, em sistema braille, linguagem gestual, letras aumentadas, sistema pictográfico, áudio e vídeo livro. A obra infanto-juvenil, da autoria de Teresa Mascarenhas, Rosiane Rocha e Germano Almeida, mostra que a inclusão, para além do discurso, deve traduzir-se na praticidade


A Linda Borboleta conta a história de uma borboleta “muito especial”, que, segundo a Primeira Dama de Cabo Verde, Débora Katisa Carvalho, que assina o prefácio, faz-nos um convite ao “doce prazer do crer e da esperança, que faz mover montanhas e conseguir grandes proezas e até voar”.

O lançamento acontece na terça-feira, na Biblioteca Nacional, às 17 horas. É o primeiro livro em Cabo Verde 100% acessível, destinado a pessoas com todo o tipo de deficiência, conforme explica a co-autora e mentora da iniciativa, Teresa Mascarenhas.

“A obra está braille para pessoas cegas, em caracteres aumentados para pessoas com baixa visão, em sistema pictográfico de comunicação para pessoas com alguma dificuldade ou atraso mental, ou pessoas que nunca foram à escola. Tem ainda a versão áudio e vídeo, que podem ser acessados através do sistema QR Code”, explica.

Aprender para incluir

“Kel linda borboleta” está igualmente em língua gestual, como forma de incentivar as pessoas a aprenderem esta modalidade e potenciar a inclusão.

“Muitas vezes nos preocupamos em ensinar a língua gestual para pessoas surdas. Entretanto, se apenas a pessoa surda conhece a língua gestual e as pessoas que estão ao seu redor não a conhecem, ela continua excluída”, alerta a autora, para quem este livro deveria ser introduzido nos jardins de infância e escolas, como uma ferramenta de ensino.

Inclusão e a praticidade

O livro, resultado do trabalho de um grupo vasto de pessoas, destaca-se, ainda, pela co-autoria da jovem Rosiane Rocha, que tem paralisia cerebral, responsável pelas ilustrações.

“Se queremos trabalhar a inclusão, ela não é só falar, mas fazer na prática. Então porque pensar num livro inclusivo e deixar as pessoas com paralisia cerebral de fora? Incluir é a praticidade”, encoraja Mascarenhas, que é presidente da Associação das Famílias e Amigos de Crianças com Paralisia Cerebral – Acarinhar.

De recordar que “A linda borboleta”, versão em português do mesmo livro já foi lançado anteriormente. entretanto, o livro estará também patente no lançamento da sua versão em crioulo, que tem lugar na terça-feira,

A apresentação, na terça-feira, na Biblioteca Nacional, estará a cargo dos linguistas Marciano Moreira, que fez a tradução para o crioulo e da vice-reitora da Uni-CV, Fátima Fernandes. Natalina Andrade – Cabo Verde in “A Nação”


sábado, 30 de outubro de 2021

Cabo Verde - Inaugurada escultura de Germano Almeida em Penafiel (Portugal)


Mindelo – O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas informou hoje que a Câmara Municipal de Penafiel, em Portugal, inaugurou uma escultura da cara do escritor cabo-verdiano Germano Almeida junto ao Tribunal Judicial da Comarca do Porto Este.

Em nota enviada à Inforpress, o Ministério da Cultura explicou que a inauguração da escultura foi um momento simbólico que decorreu inspirado pela exibição do filme “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, numa adaptação à obra homónima de Germano Almeida, uma vez que se sucedeu em baixo a vários guarda-chuvas devido à chuva em Penafiel.

“Um momento de grande emoção para o escritor que ficou sem palavras com o descerramento do pano que contou com a presença do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, convidado da Câmara Municipal de Penafiel, para estar neste festival literário, e o presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Antonino de Sousa”, destacou.

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida, Prémio Camões em 2018, é homenageado no 14.º Festival Literário Escritaria, em Penafiel, no distrito do Porto, Portugal, que decorre até este domingo. O evento homenageia todos os anos um escritor de língua portuguesa.

O escritor, nasceu na ilha da Boa Vista em 1945. Licenciou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa, mas vive em São Vicente onde, desde 1979, exerce a profissão de advogado.

Publicou as primeiras estórias na revista Ponto & Vírgula, assinadas com o pseudónimo de Romualdo Cruz, que em 1994 foram transformadas no livro “A Ilha Fantástica” e que recriam os anos de sua infância e o ambiente social e familiar na ilha da Boa Vista.

O seu primeiro romance foi “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, publicado em 1989, que marca a ruptura com os tradicionais temas cabo-verdianos.

O Meu Poeta, 1990, Estórias de Dentro de Casa, 1996, A Morte do Meu Poeta, 1998, As Memórias de Um Espírito, 2001 e O Mar na Lajinha, 2004, formam o que se pode considerar o ciclo mindelense da obra do autor.

Germano Almeida, tem obras publicadas no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega e Dinamarca, Cuba, Estados Unidos, Bulgária, Suíça e Cabo Verde. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Portugal - Escritor cabo-verdiano Germano Almeida não gosta da expressão “lusofonia”


Penafiel – O escritor cabo-verdiano Germano Almeida, prémio Camões em 2018, disse hoje, no festival Escritaria, em Penafiel, não gostar da expressão lusofonia, considerando que a língua portuguesa não representa “uma cultura lusófona”.

“Eu não gosto muito da expressão lusofonia. Somos escritores de diversos países que usam a língua portuguesa como língua de contacto, como língua de expressão, mas não é uma cultura lusófona”, afirmou na conferência de imprensa do evento que hoje se realizou no museu municipal daquela cidade do distrito do Porto.

O escritor, que está a ser homenageado pelo festival Escritaria até domingo, acrescentou: “Nós temos muitos pontos comuns, obviamente, sobretudo Cabo Verde, que é um país feito pelos portugueses. Mas as ilhas – não só a sua orografia, mas sobretudo a ausência de meios de vida, a falta de chuva, sobretudo – fizeram de nós pessoas diferentes”.

Segundo o autor, “é isso que a gente tenta traduzir na literatura e na música”.

“Isto [língua comum] pode ser um elemento importante para os países de expressão portuguesa, mas não nos faz lusófonos; ‘lusógrafos’ sim”, observou aos jornalistas.

Sublinhando que teve sempre com Portugal, onde estudou e fez serviço militar, “uma relação óptima”, ressalvou que os portugueses não fizeram dos cabo-verdianos portugueses.

“Portugal foi sempre uma presença estranha. Nunca me senti português, sempre me afirmei cabo-verdiano. Mas, se um dia Cabo Verde desaparecesse, o país que eu adotaria seria Portugal, mais nenhum outro”, acentuou.

O ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, vai estar em Penafiel, no Festival Literário Escritaria.

O governante cabo-verdiano participará na conferência “O papel da Lusofonia | À conversa com Germano Almeida e Abraão Vicente”, além de outras iniciativas incluídas na programação oficial do festival, até 31 de outubro, disse o presidente da câmara de Penafiel, Antonino Sousa.

O festival literário Escritaria de Penafiel inclui dezenas de atividades dedicadas ao livro, ao teatro, a exposições, música e artes de rua.

“Germano Almeida, um dos mais proeminentes escritores em língua portuguesa, terá silhueta e frase em Penafiel para memória futura, a par com os anteriores homenageados”, assinala a organização.

No sábado, será lançado o novo romance de Germano Almeida, “A Confissão e a Culpa”, o último volume da sua “Trilogia do Mindelo”.

Lídia Jorge, Pepetela, Manuel Alegre, José Saramago, Alice Vieira, Mário de Carvalho, Mário Cláudio, Agustina Bessa-Luís são alguns outros escritores homenageados em edições anteriores do festival. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


 

terça-feira, 22 de maio de 2018

Lusofonia - Prémio Camões: Júri destaca “universalidade exemplar” na obra do vencedor

Lisboa – O júri da 30.ª edição do Prémio Camões destacou ontem, em Lisboa, que a obra do vencedor, Germano Almeida, “atinge uma universalidade exemplar no que respeita à plasticidade de língua portuguesa”.

O vencedor do Prémio Camões 2018 foi anunciado ontem, ao fim da tarde, em Lisboa, pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, após reunião do júri, que o acompanhou no anúncio.

De acordo com a acta do júri, a decisão de entregar o Prémio Camões do presente ano ao autor cabo-verdiano Germano Almeida foi feita por unanimidade, “pela riqueza de uma obra onde se equilibram a memória, o testemunho e a imaginação”.

“A inventividade narrativa alia-se ao virtuosismo da ironia num exercício de liberdade, de ética e de crítica. Conjugando a experiência insular e da diáspora cabo-verdiana, a obra de Germano de Almeida atinge uma universalidade exemplar no que respeita à plasticidade de língua portuguesa”, salientam, na ata.

O Prémio Camões, o maior prémio da Língua Portuguesa, instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, ascende a 100 mil euros divididos entre Portugal e o Brasil.

O júri da 30.ª edição do Prémio Camões foi constituído por Maria João Reynaud, professora jubilada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal); Manuel Frias Martins, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Portugal); Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (Brasil); José Luís Jobim, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil); pelos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Ana Paula Tavares, poeta e professora de Literaturas Africanas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Angola); e José Luís Tavares, poeta (Cabo Verde).

Com a atribuição do Prémio Camões, é prestada anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento “do património literário e cultural da língua comum”, segundo o protocolo estabelecido entre Portugal e o Brasil, assinado em Junho de 1988, que instituiu o prémio.

O Prémio Camões foi atribuído pela primeira vez em 1989, ao escritor Miguel Torga e, na mais recente edição, em 2017, foi entregue ao poeta Manuel Alegre. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cabo Verde – Germano Almeida “Do Monte Cara Vê-se o Mundo”

No passado dia 21 de Outubro de 2014, a Ilhéu Editora com o apoio do Centro Cultural Português / Polo do Mindelo e do Centro Cultural do Mindelo divulgou o livro de Germano Almeida, “Do Monte Cara Vê-se o Mundo” com a apresentação a cargo do Dr. Manuel Brito Semedo.

Germano Almeida nasceu na ilha da Boa Vista em 1945. Licenciou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa. Vive em São Vicente onde, desde 1979, exerce a profissão de advogado. Publica as primeiras Estórias na revista Ponto & Vírgula, assinadas com o pseudónimo de Romualdo Cruz. Estas «estórias», depois de revistas e reescritas, às quais se acrescentaram algumas inéditas, foram publicadas em 1994 com o título A Ilha Fantástica que juntamente com A Família Trago, 1998. Mas o primeiro romance publicado por Germano Almeida foi O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, em 1989. Todas as suas obras confirmam o título que desde sempre reclamou, o de contador de «estórias».

Sinopse:

“Mas quem diabo é este fulano? Somos amigos antigos, apressa-se Pepe a dizer-lhe, companheiros de passeios matinais da Laginha à Enacol, ando a instrui-lo sobre S. Vicente, ele quer ser escritor, vai escrever um livro sobre nós. Nós quem, estranha Guida. Nós todos de S. Vicente…”

Nós todos de S. Vicente, ou melhor, da cidade do Mindelo, em Cabo Verde, cidade que é o verdadeiro herói deste novo romance de Germano Almeida. Dezenas de personagens – homens e mulheres, novos e velhos – de que se destacam o velho Pepe, filho do João Serralheiro, Júlia, que poderia ser sua filha e foi o grande amor da sua vida, Guida, cujo marido se perde na emigração, enfim a D. Aurora, a Professora Ângela, o Trampinha e uma multidão de outros personagens, cada um com a sua história, todos aqui reunidos num extraordinário romance que é também um retrato de todos nós, sob o olhar complacente e divertido do Monte Cara, lá no alto, em frente à cidade. Caminho Editora