Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Exclusão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Exclusão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Europa - Crise na Eurovisão: EBU confirma que emissoras votarão pela exclusão de Israel em novembro

Em meio à crescente pressão das nações europeias que pedem a exclusão de Israel devido à guerra em Gaza, a EBU anunciou que uma reunião extraordinária acontecerá em novembro, durante a qual uma votação online decidirá se Israel irá ao Festival da Eurovisão 2026


A União Europeia de Radiodifusão, que organiza o Festival Eurovisão da Canção, confirmou que realizará uma votação online em novembro que pode levar à expulsão da emissora israelita KAN do Eurovision 2026.

Pela primeira vez, todas as emissoras associadas serão convidadas para uma Assembleia Geral extraordinária online para votar se a KAN poderá participar do concurso. A votação será o único ponto de discussão.

Numa carta enviada às emissoras participantes, a presidente da EBU, Delphine Ernotte Cunci, escreveu que havia uma “diversidade de opiniões sem precedentes” sobre a participação de Israel no Eurovision, e que a questão exigia “uma base democrática mais ampla”.

“Podemos confirmar que uma carta foi enviada pelo conselho executivo da União Europeia de Radiodifusão aos diretores-gerais de todos os nossos membros informando-os de que uma votação sobre a participação no Festival Eurovisão da Canção 2026 ocorrerá numa reunião extraordinária da assembleia geral da EBU, a ser realizada online no início de novembro.”

Isso ocorre depois de várias emissoras europeias ameaçarem boicotar o maior evento de música ao vivo do mundo caso Israel participasse.

Espanha, Holanda, Irlanda, Islândia e Eslovénia declararam que se retirariam do Eurovision caso Israel fosse mantido na programação do próximo ano. A emissora dinamarquesa DR declarou que não se retirará do Festival Eurovisão da Canção caso Israel concorra, mas estabeleceu condições para a sua participação. França e Austrália confirmaram recentemente a sua participação.

Embora o Eurovision seja supostamente apolítico, a EBU excluiu a Rússia da competição logo após a sua invasão da Ucrânia em 2022. No entanto, Israel continuou a competir nos últimos dois anos, apesar das preocupações internacionais  sobre as suas ações em Gaza.

Tanto a competição de 2024 na Suécia quanto o evento deste ano na Suíça viram protestos pró-Palestina.

Mais de 70 ex-participantes do Eurovision assinaram uma carta aberta exigindo que Israel e a sua emissora nacional KAN sejam banidos  do concurso, e o vencedor do Eurovision do ano passado,  o cantor austríaco JJ, disse que também  quer que Israel seja banido do Eurovision 2026 .

A KAN de Israel emitiu uma declaração após o anúncio da votação de novembro, expressando "esperança de que o Festival Eurovisão da Canção continue a manter o seu carácter cultural e apolítico".

Também alertou que excluir Israel da disputa “poderia ser um passo com implicações abrangentes”. Não foram fornecidos mais detalhes.

Desde o ataque do Hamas a cidadãos israelitas em 7 de outubro de 2023, diversos especialistas em direitos humanos da ONU  declararam que as ações militares de Israel em Gaza constituem genocídio, com o Tribunal Internacional de Justiça considerando as alegações de genocídio plausíveis. A Classificação da Fase Integrada de Segurança Alimentar anunciou que a população da Faixa de Gaza enfrenta oficialmente uma fome "provocada pelo homem".  no território – apesar do que o governo israelita afirmou.

A edição de 70º aniversário do Eurovision acontecerá em Viena, Áustria. A final acontecerá em 16 de maio, após as semifinais em 12 e 14 de maio de 2026. Euronews.culture


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Macau - Exclusão de países lusófonos africanos da lista de entrada “não beneficia aprofundamento da cooperação”

Paulo Espírito Santo, secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum Macau, lamentou a exclusão dos países africanos de língua portuguesa da lista de países cujos nacionais podem entrar na RAEM, defendendo que a decisão “não beneficia” a cooperação entre a China e os países lusófonos. Neste sentido, pediu ao Governo da RAEM que reveja a decisão. Frisou ainda que “a plataforma não pode estar fechada em si mesma, sob pena de se tornar redutora”. Por outro lado, no discurso de abertura do evento, o Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM, Liu Xianfa, garantiu que “a porta da China não se fechará, pelo contrário, ficará cada vez mais aberta”, apontando que é preciso apostar no desenvolvimento e segurança


O secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), Paulo Espírito Santo, lamentou que os países africanos de língua portuguesa tenham sido excluídos da lista de 41 países cujos nacionais estão autorizados a entrar na RAEM desde o início de Setembro, e pediu ao Governo que reveja a decisão.

Para que Macau possa ter um papel mais “efectivo”, do ponto de vista interno é necessário “aperfeiçoar” o seu modelo de mobilidade, “agilizando os procedimentos para atrair investidores e empresários lusófonos”, defendeu Espírito Santo, para depois acrescentar: “A este propósito, a não inclusão dos países africanos de língua portuguesa na lista de países cujos cidadãos passam a ser autorizados a entrar em Macau, apesar de todos terem a pandemia sob controlo, não beneficia o aprofundamento da cooperação [entre a China e os países lusófonos]”.

Paulo Espírito Santo foi mais longe e pediu mesmo ao Governo da RAEM que reveja a decisão tomada. “Assim, faço um apelo especial, no sentido de, do alto da sua sabedoria e melhor critério, rever tal decisão para se ir ao encontro da mais elementar justiça”, afirmou. “A plataforma não pode estar fechada em si mesma, sob pena de se tornar redutora”, defendeu ainda.

A plataforma “precisa de interagir de forma dinâmica” com outros países e regiões, revelando-se essencial também uma “maior interacção” com o Interior da China e não apenas Hengqin. Isto para que Macau seja “de facto, uma entidade mais aberta, ágil e com valor acrescentado para investidores e empresários que pretendem entrar no mercado do Interior da China através de Macau”.

Espírito Santo falava no “Fórum dos Think Tanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa: Com base na plataforma de Macau, impulsiona-se uma cooperação mais estreita entre a China e os Países Lusófonos nesta Era Nova”, onde sublinhou as oportunidades que têm sido abertas à comunidade lusófona com a criação do Fórum Macau, em 2003, e apontou a necessidade de se continuar a reforçar e potenciar o papel de Macau enquanto plataforma entre a China e os países de língua portuguesa.

Neste âmbito, disse que a RAEM pode aproveitar as vantagens no âmbito dos quadros qualificados bilingues chinês-português, disponibilizando-os para ajudarem empresas chinesas com serviços intermediários de advocacia, consultoria, tradução e interpretação, apoiando o seu desenvolvimento no estrangeiro. Por outro lado, Espírito Santo sugeriu que sejam desenvolvidos instrumentos financeiros mais diversificados que possam atrair empresários do mundo lusófono, e que sejam fornecidas garantias financeiras a empresas chinesas e macaenses que se queiram estabelecer nos países de língua portuguesa e vice-versa.

Os últimos anos foram de “desenvolvimento acelerado”, considerou Espírito Santo, concluindo: “Estamos no bom caminho, mas podemos e devemos trilhar ainda melhores caminhos”.

China “cada vez mais aberta”

Por sua vez, o Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM garantiu que “a porta da China não se fechará, pelo contrário, ficará cada vez mais aberta”.

No discurso que abriu o evento – contou com as intervenções de 19 oradores da China e do mundo lusófono –, Liu Xianfa destacou ainda como primordial a aposta no desenvolvimento e segurança, no âmbito da cooperação sino-lusófona na era pós-pandemia.

O Comissário lembrou que as prioridades foram já definidas pelo presidente chinês, Xi Jinping, como iniciativas globais, argumentando que é necessário “aprofundar a cooperação” com os países lusófonos nestas vertentes, de forma a “aumentar a confiança mútua política”. “Embora a China e os países de língua portuguesa se encontrem em diferentes fases de desenvolvimento, história e cultura, e tenham diferentes sistemas sociais, o nosso desejo comum é a busca da paz, procurar o desenvolvimento e promover a cooperação”, afirmou.

Recordando que o Fórum de Macau foi estabelecido em 2003, Liu Xianfa defendeu que nos últimos 20 anos a “cooperação pragmática” entre as duas partes tem sido amplamente promovida, e que os projectos de cooperação e investimento têm sido “implementados com sucesso”, enquanto ao nível da cooperação comercial e de investimento se têm “atingido novos patamares”. “Os intercâmbios humanos e culturais estão cada vez mais próximos, com cada vez mais estudantes a estudar português na China, mais de 60 universidades no Continente e em Macau a oferecer cursos de língua portuguesa”, prosseguiu.

Liu Xianfa disse depois que com o desenvolvimento e segurança globais a liderar o caminho, a cooperação entre a China e países lusófonos pode ter perspectivas mais amplas.

“Devemos aproveitar a iniciativa, aproveitar novas oportunidades de cooperação na era pós-epidémica, continuar a aprofundar a cooperação em áreas tradicionais como economia e comércio, infra-estruturas e intercâmbios humanistas, e expandir activamente a cooperação a novas áreas como troca de experiências em governação, alta tecnologia, serviços modernos e digitalização, de modo a alcançar mais, maiores e melhores resultados para o benefício dos nossos povos”, afirmou.

A Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, esteve também presente no evento, tendo sublinhado que a construção da Grande Baía e da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin irão trazer “um novo espaço e novas dinâmicas para o desenvolvimento de Macau a longo prazo, enriquecendo o conteúdo e as funções” de Macau enquanto Plataforma Sino-Lusófona.

Frisou ainda que no domínio do intercâmbio humanístico, o Governo da RAEM tem vindo a reforçar a interacção nos âmbitos da educação, juventude, cultura e medicina tradicional chinesa, tornando-se num novo destaque em termos de intercâmbio e cooperação.

Por outro lado, Elsie Ao Ieong U disse que o reforço do posicionamento da RAEM como “Base de Formação de Quadros Qualificados Bilingues em Chinês e Português” e “Centro de Intercâmbio de Inovação e Empreendedorismo para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa”, bem como a promoção da construção da “Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía”, conduzem a RAEM a desempenhar um papel de liderança no ensino da língua portuguesa na Grande Baía e nas restantes regiões do Interior da China.

O evento, que teve lugar no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, foi organizado pelo Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM e pelo Governo da RAEM, com a Universidade Politécnica de Macau. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Espanha - 26,1% da população vive sob risco de pobreza ou exclusão social


A Espanha, quinta maior economia da Europa, tem um dos níveis mais altos de pobreza do continente. Este dado gera perguntas sobre quem estaria a beneficiar do crescimento económico recente e quem está a ser esquecido.

Esta declaração é do relator especial de direitos humanos sobre pobreza extrema, Philip Alston, que visitará a Espanha, no dia 27 de janeiro.


Década

Alston disse ainda que “apesar de uma recuperação económica impressionante, uma década após a crise financeira, muitos indicadores de pobreza e desigualdade na Espanha permanecem altos e superiores aos níveis antes da crise.

O relator especial deve passar 10 dias no país, concluindo a visita oficial em 7 de fevereiro.

Atualmente, a Espanha tem 26,1% da população vivendo sob risco de pobreza ou exclusão social. Em 2008, esta taxa era de 23,8%.  Philip Alston afirma que esta é uma das taxas mais altas da União Europeia. Segundo ele, metade dos espanhóis teve dificuldade para fechar o orçamento do mês e as pessoas mais expostas à pobreza são crianças, migrantes e os povos Roma e Sinti, conhecidos como ciganos.

Com mais de 14% de pessoas sem trabalho, em novembro passado, a taxa de desemprego no país representa o dobro da média europeia. O relator afirma que a Espanha também investe menos que os países da União Europeia em programas de apoio social.

Oportunidade

Philip Alston lembrou que o novo governo comprometeu-se a melhorar o bem-estar socioeconómico da população e que a visita dele no início do governo também é uma oportunidade de avaliar a situação e fazer recomendações.

Alston viajará à Galiza, ao País Basco, a Andaluzia, Extremadura e à Catalunha.

Ele vai reunir-se com as autoridades locais e com as pessoas afetadas pela pobreza, além de ativistas, académicos e representantes da sociedade civil.

Antes de chegar ao país, a equipa do relator realizou mais de 60 entrevistas por telefone e recebeu 40 textos de pessoas diretamente afetadas pelo tema.

No fim da visita, em 7 de fevereiro, Philip Alston concederá uma entrevista a jornalistas na sede da Organização Mundial do Turismo, em Madrid.

O relatório final deve ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em junho deste ano. ONU News – Nações Unidas

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Comissão Europeia - Uma em cada quatro crianças vive em risco de pobreza ou de exclusão social na UE

Crescer numa situação de pobreza pode ter repercussões durante toda a vida. A pobreza infantil é uma realidade na União Europeia: uma em cada quatro crianças vive em risco de pobreza e de exclusão social. Os eurodeputados debateram ontem, 23 de novembro de 2015, e votam hoje, um relatório em que urgem os Estados-Membros a reforçar o combate à pobreza infantil e às desigualdades sociais.

Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças, todas as crianças têm direito à educação, aos cuidados de saúde, alojamento, ao lazer e a uma alimentação equilibrada. No entanto, na Europa isto nem sempre acontece. De acordo com o Eurostat, em 2014, cerca de 26 milhões de crianças e jovens (menores de 18 anos) viviam em risco de pobreza e de exclusão social, ou sejam 27,7% de todas as crianças que vivem na UE.

Há crianças a viver em risco de pobreza em todos os Estados-Membros. Os países com maior percentagem de crianças a viver em risco de pobreza são a Roménia (51%), a Bulgária (45,2%) e a Hungria (41,4%). Em Portugal são quase um terço das crianças: 31,4%. Os países com as percentagens mais baixas são a Dinamarca (14,5%), a Finlândia (15,6%) e a Suécia (16,7%)

A subnutrição também está a crescer entre as crianças europeias. De acordo com a UNICEF, na Estónia, Grécia e Itália, a percentagem de crianças que não pode permitir-se a comer carne ou peixe de dois em dois dias duplicou desde 2008.

Pobreza infantil é um fenómeno multidimensional

A pobreza não é apenas uma questão de dinheiro. Para além de incluir a incapacidade de assegurar despesas básicas como a alimentação, o vestuário e a habitação; a pobreza também está ligada à exclusão social e à falta de acesso a cuidados de saúde e educação de qualidade.

As crianças que vivem em famílias monoparentais, especialmente com as mães, também se encontram em maior risco de pobreza.

Na segunda e na terça-feira, os eurodeputados debatem e votam o relatório da comissão parlamentar do Emprego e dos Assuntos Sociais. O relatório elaborado pela eurodeputada portuguesa Inês Zuber (CEUE/EVN) faz uma série de recomendações aos Estados-Membros e à Comissão Europeia para combater "as alarmantes taxas de pobreza infantil na Europa".

"As políticas de austeridade criaram esta situação e o problema está a piorar. Os Estados-Membros têm que assegurar às crianças e às suas famílias o acesso à educação, à saúde, à segurança social e é necessário fazer face ao desemprego, promover a segurança do emprego e redes parentais-educacionais e sociais, alimentação equilibrada e alojamento adequado", defende Inês Cristina Zuber. Comissão Europeia


domingo, 14 de outubro de 2012

Exclusão


“As estatísticas assinalam quase sempre demasiados crimes nas áreas urbanas mais carenciadas. Porém, a violência e, especialmente, a violência urbana pode também ter origem na desestruturação familiar. A ausência de afecto é capaz de empurrar uma criança (ou um adolescente) para a marginalidade. A violência doméstica (e, também, a fora do lar) pode, igualmente, gerar desestruturação familiar. Estudos sociológicos feitos em diversos países conduzem a esse resultado.

Há crianças e adolescentes que se tornam marginais por falta de êxito escolar. Essa falta torna-os frustrados, gera um ímpeto de vingança sobre professores, sobre os funcionários do estabelecimento escolar, e mesmo até sobre os colegas. Recordo-me de ter lido relatos de crimes hediondos, crimes em massa cometidos por ex-alunos de determinada escola. São crimes congeminados durante algum tempo – até que os seus autores espreitem a melhor oportunidade para os cometer. Os criminosos deixam registos magnéticos dos actos de preparação.

O desemprego também gera frustração. Se demasiado prolongado, o desemprego provoca uma perda progressiva de auto-estima. Daí pode-se ir por um curto caminho até à prática de actos marginais. Não haja dúvidas que o desemprego é um dos grandes cancros das sociedades urbanas.

Se conjugado o desemprego com a propagação de certos modelos de consumo, estão criadas as condições para a disseminação, entre os jovens, de métodos ilícitos alternativos que lhes permitem obter recursos para o desejado consumo. É a prática da expressão quem não tem cão, caça com gato… .” Pinto de Andrade - Angola