Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Timor-Leste – Banco Nacional Ultramarino entrega certificados a 19 formandos e promete reforçar aposta no ensino da língua portuguesa

O curso gratuito de iniciação, promovido em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola Portuguesa de Díli para assinalar os 114 anos do BNU em Timor-Leste, termina com promessa de continuidade. Responsáveis destacam a importância da formação para a qualificação profissional e para a consolidação da língua portuguesa no país


Os 19 participantes do curso de iniciação em Língua Portuguesa promovido pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU) receberam, esta terça-feira, 14 de julho, os certificados de conclusão da formação, numa cerimónia que assinalou o encerramento da iniciativa lançada para celebrar os 114 anos da instituição em Timor-Leste.

O curso, gratuito, teve a duração de 60 horas e foi promovido pelo BNU em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola Portuguesa de Díli (EPD), destinando-se a funcionários públicos e estudantes universitários timorenses.

Menos celebrações, mais investimento na comunidade

O diretor-geral do BNU, Paulo Lopes, explicou que o banco optou por assinalar o aniversário de uma forma diferente, canalizando os recursos habitualmente destinados às comemorações para uma iniciativa de responsabilidade social.

“Em vez de assinalarmos o aniversário do Banco com uma festa, fogo de artifício e confetes, utilizámos esses recursos para um ato de responsabilidade social, devolvendo à comunidade timorense algo em troca daquilo que também nos tem proporcionado”, afirmou.

Segundo Paulo Lopes, a aposta na formação, quer na língua portuguesa quer noutras áreas do conhecimento, é essencial para reforçar as competências dos recursos humanos. O responsável sublinhou que essa evolução já é visível tanto na melhoria da qualidade do trabalho desenvolvido pelos funcionários do banco como no crescente interesse de timorenses em integrar os quadros da instituição.

“De ano para ano, há cada vez mais quadros timorenses mais qualificados e preparados para serem bem-sucedidos no mundo profissional”, afirmou.

O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, elogiou a iniciativa do BNU, desenvolvida em parceria com a EPD e a Embaixada de Portugal, considerando que contribui para reforçar o ensino da língua portuguesa no país.

“É uma iniciativa muito importante porque dá prioridade à língua portuguesa, à sua disseminação e ao seu enraizamento, uma das grandes prioridades da Embaixada, fortalecendo e formando jovens capacitados com um melhor domínio da língua portuguesa”, sublinhou.

Também presente na cerimónia, o ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Gastão de Sousa, agradeceu a oportunidade dada aos funcionários do ministério para frequentarem a formação.

“Quero agradecer muito aos meus colegas portugueses, que proporcionaram esta oportunidade de aprender português, porque isso facilitará a progressão na carreira dos funcionários públicos.”

O governante manifestou ainda o desejo de que esta iniciativa tenha continuidade, permitindo que mais funcionários possam beneficiar da formação. Apelou igualmente aos trabalhadores da Administração Pública para continuarem a aprender português, lembrando que “já é hora de aprender português, a língua oficial de Timor-Leste”.

Formandos destacam evolução e pedem continuidade

Entre os participantes, Isaura Mota de Jesus, funcionária da Secretaria de Estado dos Assuntos da Toponímia e Organização Urbana, explicou que utiliza diariamente a língua portuguesa para redigir e responder a correspondência oficial, razão pela qual considerou a formação particularmente útil.

A formanda destacou a dinâmica das aulas e a metodologia utilizada pela professora, afirmando que a evolução dos participantes foi evidente ao longo do curso.

“No início, foi difícil, porque não sabíamos como nos expressar em português. Mesmo tendo dúvidas, não tínhamos coragem para perguntar. Mas agora é diferente: fazemos prática no curso e aprendemos tanto a falar como a escrever.”

Isaura Mota de Jesus agradeceu ainda a oportunidade proporcionada pelo BNU, considerando que a iniciativa reforçou o orgulho dos participantes numa das línguas oficiais de Timor-Leste. “Foi uma oportunidade muito interessante para nós e espero que este curso tenha uma segunda etapa, para podermos avançar para o nível seguinte”, afirmou.

BNU e Embaixada prometem dar continuidade ao projeto

No encerramento da cerimónia, Paulo Lopes felicitou os formandos e incentivou-os a continuarem a investir na sua formação ao longo da vida.

“A mensagem que vos posso deixar é que isto vos sirva de incentivo para procurarem mais formações, estarem disponíveis para aprender e serem melhores profissionais e, dessa forma, contribuírem para o futuro e para o desenvolvimento do país”, afirmou.

O diretor-geral anunciou ainda a intenção de reforçar esta iniciativa no próximo ano, quando o BNU assinalar os 115 anos de presença em Timor-Leste.

“Para o ano, como se assinalam os 115 anos, um número mais redondo, acho que merece ser comemorado de forma mais abrangente, com mais iniciativas, mas sempre dentro desta lógica de menos festas e mais devolução à comunidade timorense.”

A mesma garantia foi deixada pelo embaixador de Portugal, que manifestou o compromisso de apoiar a continuidade do projeto, permitindo que os atuais formandos avancem para o nível intermédio e que novos participantes possam integrar futuras edições.

Segundo Duarte Bué Alves, a evolução do domínio da língua portuguesa em Timor-Leste é claramente percetível. “Mesmo estando no país há apenas dez meses, tenho tido oportunidade de falar com profissionais que trabalham em várias áreas em Timor-Leste. Toda a gente me diz que, se olharmos para o domínio da língua portuguesa hoje em dia, comparando com há dez ou 20 anos, a situação é muito melhor.” InDiligente” – Timor-Leste


domingo, 15 de março de 2026

Timor-Leste - Portugueses procuram aprender tétum

“Neineik, neineik” (devagar), é assim que a professora timorense Beatriz Sarmento lida com o desânimo dos seus alunos portugueses, que estão a aprender tétum, língua oficial de Timor-Leste a par do português, na Escola Portuguesa de Díli (EPD)


Desde o início de fevereiro, que mais de 20 portugueses se inscreveram na nona edição do curso de tétum, nível básico, do Centro de Formação da EPD.

Beatriz Sarmento não tem dúvidas que aumentou a procura de portugueses a querer aprender tétum.

“Já avançámos até à nona edição do curso tétum e tenho pedidos individuais de portugueses que querem aprender. Na verdade, cresceu. Este ano a turma cresceu bastante”, afirmou à Lusa.

A professora explicou o aumento do interesse pela aprendizagem do tétum com a integração social, mas também por razões profissionais.

“Estou a aprender tétum principalmente por uma questão profissional e depois também por uma questão de integração em Timor-Leste. No meu caso, acho que me devo render ao tétum e integrar-me na sociedade timorense”, afirmou à Lusa Bruno Pereira, um dos alunos do curso, que trabalha como assessor no Governo timorense.

Mário Coutinho, professor em Timor-Leste, disse que decidiu aprender tétum por “curiosidade” e por “necessidade” de perceber como os alunos comunicam.

Questionado pela Lusa sobre se é uma língua difícil de aprender, Mário Coutinho disse que é um “bocadinho complicado”.

“O sistema gramatical, a sintaxe semântica é um bocadinho diferente da língua portuguesa, mas ‘neineik, neineik’, aos poucos iremos conseguir”, afirmou Mário Coutinho.

Para Amélia Costa, que trabalha como jurista no Governo timorense, a aprendizagem do tétum é essencial para quem trabalha com a Administração.

“Só as pessoas mais idosas é que falam e percebem português e para acompanharmos reuniões e falar em reuniões é absolutamente necessário o tétum”, disse.

Amélia Costa afirmou também que é um bocado difícil aprender a falar tétum até porque a estrutura da língua é completamente diferente do português.

“Eu supunha que havia muito mais palavras portuguesas no tétum, que tinha uma base essencialmente portuguesa e não tem tanto como eu pensava, e depois há palavras que querem dizer várias coisas ao mesmo tempo, por isso, é um bocadinho difícil”, considerou Amélia Costa.

Apesar da grande percentagem de palavras emprestadas do português, mas que se escrevem de outra forma, a professora Beatriz Sarmento salienta que “não é fácil adquirir o tétum” para os portugueses.

É que o tétum, explicou, tem uma estrutura frásica bastante diferente do português e as palavras que se usam diariamente são muito diferentes.

Depois há também verbos que se encontram implícitos e as letras aspiradas, como o “h”, que não existem no português, e a troca e adaptação da ortografia.

“Outra dificuldade é o sentido duplo ou triplo de uma palavra”, acrescentou.

Mas, “neineik, neineik”, a aprendizagem lá se vai fazendo e após um mês de aulas, o curso termina no final de março, os alunos já conseguem articular algumas frases e ter os conhecimentos básicos para as necessidades diárias, incluindo ir às compras.

Sobre se a aprendizagem da língua portuguesa também está a ter mais procura por parte dos timorenses, Beatriz Sarmento, que trabalha igualmente como professora no Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional de Timor-Leste, afirmou que há cada vez mais pedidos.

“Neste momento não temos recursos humanos suficientes para atender os pedidos que chegam” ao centro da universidade pública timorense, acrescentou.

Após a restauração da independência, em 20 de maio de 2002, Timor-Leste adotou as línguas tétum e portuguesa como línguas oficiais, e o indonésio e o inglês como línguas trabalho. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 3 de março de 2025

Timor-Leste - Governo aprova mais de 155 mil dólares para promover língua portuguesa

O Governo de Timor-Leste aprovou, em reunião do Conselho de Ministros, uma contribuição de 155.810 dólares para financiar o projecto “Lusofonia em Timor-Leste”, executado pelo jornal online Diligente.


 

A proposta foi apresentada pela vice-ministra para os Assuntos da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Milena da Costa Rangel. A contribuição voluntária do Governo timorense foi atribuída ao Fundo Especial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e consignada ao financiamento daquele projeto. “O projecto, desenvolvido no âmbito da CPLP, visa a promoção e difusão da língua portuguesa em Timor-Leste e está a ser implementado pelo jornal diário online timorense Diligente, o único meio de comunicação social nacional exclusivamente veiculado em língua portuguesa”, refere-se no comunicado do Conselho de Ministros. 

O Diligente, um órgão de comunicação social privado, com milhares de leitores e que promove a língua portuguesa em Timor-Leste, trabalha diariamente desde janeiro de 2023.

Os professores do quadro da Escola Portuguesa de Díli realizaram um protesto em frente ao estabelecimento de ensino para reivindicar equidade salarial e em solidariedade com os colegas de Luanda, que iniciaram segunda-feira uma greve, pelas mesmas razões. “Desde setembro que continuamos sem qualquer acerto nas nossas condições. O senhor ministro [da Educação português, Fernando Alexandre,] veio há pouco tempo a público informar que tudo estava a ser tratado. 

Queremos acreditar que sim e confiamos na palavra do senhor ministro, mas, infelizmente, a situação arrasta-se e começa a ser insustentável para algumas das pessoas que lutam contra o custo de vida em Timor-Leste, que é elevado”, disse o professor Bruno Torres. 

Aqueles professores integraram o quadro de efetivos da Escola Portuguesa de Díli em dezembro de 2023, mas o vínculo manteve-os em situação precária já que auferem um salário idêntico ao de Portugal sem qualquer compensação financeira, ao contrário do que acontece com os professores em regime de mobilidade que dão aulas na mesma escola. Os professores em regime de mobilidade recebem um subsídio mensal de 1500 dólares (1430 euros) para compensar as diferenças do custo de vida em Timor-Leste. 

“Somos 10 professores. Desde setembro, continuamos a exercer as nossas funções da mesma forma, com o mesmo profissionalismo e com a mesma dedicação, sempre na esperança de que o acerto nas nossas condições seja alcançado, mas não posso deixar de alertar para a incerteza que isto causa”, salientou Bruno Torres. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Timor-Leste - Professores querem mais formação para melhorar ensino do português

Os professores Domingas, Filipe e Odete fazem parte do grupo de milhares de docentes timorenses que receberam formação pedagógica e em língua portuguesa no âmbito do “Pró – Português” e que defendem que o projeto da cooperação deve continuar


“Este curso tem de continuar. Só há duas vezes por semana e não é o suficiente para aprendermos. Deve continuar mais anos, para que não esqueçamos as matérias que aprendemos” afirmou à Lusa Domingas Mendonça, professora do primeiro ciclo.

O projecto da cooperação “Pró – Português”, iniciado em 2019 e cofinanciado entre Portugal e Timor-Leste, terminou a sua segunda fase em julho, tendo alcançado em todo o território timorense mais de quatro mil professores, do ensino pré-escolar até ao secundário.

Domingas Mendonça, Filipe Assunção e Odete Barreto são professores em aldeias do posto administrativo de Maubisse, a cerca de 70 quilómetros a sul de Díli, e receberam este mês os seus certificados de formação. “Todas as semanas vinha duas vezes a Maubisse para a formação”, explicou à Lusa Filipe Assunção. “Para um futuro mais brilhante é preciso esta formação continuar para os professores. Dá um conhecimento profundo, o que leva ao desenvolvimento do país”, disse o docente, acrescentando que além da língua portuguesa aprendeu também conteúdos para ensinar aos alunos.

A opinião também é partilhada pela professora Odete Barreto, que afirmou que, apesar de difícil, a formação lhe permitiu aumentar o conhecimento e defendeu a sua continuidade.

Apesar dos constrangimentos e dificuldades que muitos professores enfrentaram, o coordenador-geral do projeto, Estáquio Madeira, destacou o entusiasmo com que os docentes participaram na formação, que teve como objetivo “reforçar e desenvolver o seu conhecimento na parte pedagógica e na língua portuguesa”. “Muitos professores já foram capacitados, apesar de ainda terem alguma dificuldade em comunicação, mas devagar se vai ao longe. Em geral, a maioria dos professores compreendem a língua portuguesa”, disse.

Para a embaixadora de Portugal em Timor-Leste, Manuela Bairos, que se tem deslocado a quase todos os postos administrativos do país para participar nas cerimónias de entrega dos diplomas aos professores, o projeto tem de ter muito apoio.

“É o único projecto da nossa cooperação com a abrangência de milhares de professores. Na anterior fase distribuí mais de três mil diplomas, agora estou a distribuir mil e tal diplomas”, afirmou Manuela Bairos, para quem a “aprendizagem e a capacitação em língua não pode parar”. “A língua portuguesa em Timor-Leste ainda precisa de muito apoio, por mais motivação que as pessoas tenham, não há de facto um contexto, nem há recursos humanos ainda preparados para aguentar este desafio. Este projeto não pode parar, porque faz parte de um puzzle em que este também é necessário, porque este é que chega às zonas remotas”, salientou a diplomata.

O puzzle inclui a Escola Portuguesa de Díli, o Centro de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) ou as escolas CAFE, e o programa FOCO na Universidade Nacional de Timor-Leste, que tem como objetivo melhorar a qualidade do ensino e a proficiência da língua portuguesa. “Se falhasse, que não vai falhar, esta componente falhava qualquer coisa no puzzle. Isto só faz sentido se as quatro coisas caminharem em conjunto”, referiu a embaixadora. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Timor-Leste – Aprovado o terreno para novas instalações de Escola Portuguesa de Díli

O Conselho de Ministros timorense aprovou conceder um terreno na zona de Caicoli, no centro de Díli, para a construção das novas instalações da Escola Portuguesa de Díli, anunciou o executivo

A referência à decisão faz parte do comunicado da reunião do Governo, explicando que foi tomada com base numa proposta do ministro da Justiça, Amândio de Sá Benevides, sem avançar detalhes adicionais.

“O terreno está localizado à frente do Tribunal de Recurso e tinha sido, no passado, concedido a uma empresa privada que ia ali fazer um hotel. Até à data, e depois de vários anos, nada foi feito, portanto o Governo decidiu entregar o terreno para a Escola Portuguesa de Díli”, disse Amândio de Sá Benevides à Lusa. “Trata-se de uma resposta a um pedido ao primeiro-ministro Xanana Gusmão feito pelo primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante a sua visita a Timor-Leste”, explicou.

Sá Benevides disse que a concessão do terreno, que permitirá a expansão das atuais instalações da Escola Portuguesa de Dili, confirma a importância que Timor-Leste dá à formação em língua portuguesa e à relação com Portugal. “O programa do Governo destaca a importância da educação e formação, em particular, da língua portuguesa. Isto confirma essa importância”, notou.

A questão do futuro da Escola Portuguesa de Díli, que se debate com carência de espaço e um crescente número de pedidos de novos alunos, tem vindo a ser debatida há vários anos, chegando a ser proposto um projeto de alargamento das actuais instalações, localizadas pelo do Cemitério de Santa Cruz.

O assunto foi debatido entre os chefes dos dois Governos durante a curta visita a Timor-Leste do primeiro-ministro, António Costa, em julho último.

Na altura, num discurso perante dezenas de alunos do Externato São José, António Costa destacou a importância da língua portuguesa em Timor-Leste, o único país lusófono no continente asiático.

O português “não é só mais uma língua, é a língua que faz a diferença”, defendeu António Costa. “É esta diferença que reforça a identidade de Timor-Leste, faz a identidade de Timor-Leste”, acrescentou na altura.

O primeiro-ministro defendeu ser “muito importante que este ensino da língua [portuguesa] prossiga e que se desenvolva”.

Em Díli, António Costa confirmou o apoio ao alargamento do projeto bilateral dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) – financiado conjuntamente por Portugal e Timor-Leste – a todos os postos administrativos no país. O primeiro-ministro português prometeu ainda reforçar o apoio à Escola Portuguesa de Díli.

Em Março, o director da Escola Portuguesa de Díli (EPD), Manuel Alexandre Marques, disse ter reafirmado, num encontro com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, o empenho da instituição no ensino e divulgação da língua portuguesa e a vontade de expandir as actuais instalações, que estão sobrelotadas. “O Presidente recomendou que continuemos a trabalhar, a divulgar o português entre todos os nossos alunos, e que façamos do português também uma ferramenta de comunicação entre povos, fazer com que a língua portuguesa seja um veículo de comunicação com todos e entre todos”, explicou, depois do encontro com o chefe de Estado, José Ramos-Horta.

Marques Alexandre Marques, que assumiu funções este ano, recordou o papel importante da EPD no reforço das capacidades linguísticas em português da nova geração, afirmado que é essencial, para isso, ampliar a escola para responder à crescente procura. “Estamos com uma sobrelotação e também falámos sobre isso, sobre a vontade do Estado português de ampliar a escola. Estão a ser estudadas várias opções. Todo o processo está em estudo, inclusivamente pelo Governo para podermos melhorar a EPD que é uma escola de referência em Timor-Leste e vai continuar a ser”, explicou.

A questão do alargamento da EPD já tinha sido um dos temas em debate na agenda da visita que o secretário de Estado da Educação português, António Leite, efectuou este ano a Timor-Leste.

No caso da EPD, e como António Leite referiu à Lusa na altura, havia “três possibilidades em cima da mesa (…) partindo do princípio de que se vai alargar a escola”, estando a nova direcção a analisar o assunto antes de negociações mais amplas para que a decisão final seja tomada, disse António Leite. “No passado já houve um projeto [de ampliação]. Mas temos uma lista de espera de 600 crianças, o que tornaria a EPD uma das maiores escolas portuguesas no estrangeiro”, explicou. A EPD tem atualmente mais de mil alunos. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 23 de março de 2023

Timor-Leste - Director da Escola Portuguesa de Díli discute com PR opções para ampliar instalações


O director da Escola Portuguesa de Díli (EPD) disse ter reafirmado ao Presidente timorense o empenho da instituição no ensino e divulgação da língua portuguesa e a vontade de expandir as atuais instalações, que estão sobrelotadas.

“Vim apresentar cumprimentos ao Presidente da República e dizer que a EPD continua na senda da divulgação do português, do ensino do português e da dinamização da cultura e da língua portuguesa”, disse Manuel Alexandre Marques aos jornalistas, no Palácio Presidencial.

“O Presidente recomendou que continuemos a trabalhar, a divulgar o português entre todos os nossos alunos, e que façamos do português também uma ferramenta de comunicação entre povos, fazer com que a língua portuguesa seja um veículo de comunicação com todos e entre todos”, explicou depois do encontro com o chefe de Estado, José Ramos-Horta.

Manuel Alexandre Marques, que assumiu funções este mês, recordou o papel importante da EPD no reforço das capacidades linguísticas em português da nova geração, afirmando que é essencial, para isso, ampliar a escola para responder à crescente procura. “Estamos com uma sobrelotação e também falámos sobre isso, sobre a vontade do Estado português de ampliar a escola. Estão a ser estudadas várias opções. Todo o processo está em estudo, inclusivamente pelo Governo para podermos melhorar a EPD que é uma escola de referência em Timor-Leste e vai continuar a ser”, explicou.

A questão do alargamento da EPD foi um dos temas em debate na agenda da visita que o secretário de Estado da Educação português, António Leite, efetuou na semana passada a Timor-Leste.

No caso da EPD, e como António Leite referiu à Lusa, há “três possibilidades em cima da mesa (…) partindo do princípio de que se vai alargar a escola”, estando a nova direcção a analisar o assunto antes de negociações mais amplas para que a decisão final seja tomada, disse António Leite.

“No passado já houve um projeto [de ampliação]. Mas temos uma lista de espera de 600 crianças, o que tornaria a EPD uma das maiores escolas portuguesas no estrangeiro. Vamos dar tempo à nova direcção para conhecer a escola, tomar o pulso”, explicou.

As opções são construir um piso adicional sobre um dos blocos actualmente existentes, “possível do ponto de vista de engenharia”, dividir a escola em dois polos, semelhante aos agrupamentos escolares em Portugal, com uma parte dos ciclos num polo e outra noutro e, finalmente, a “mais radical, que é de construir de raiz a escola noutro sítio”, acrescentou Leite.

A EPD tem actualmente mais de mil alunos e uma lista de espera que ultrapassa os 600. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


 

terça-feira, 7 de março de 2023

Timor-Leste – Presidente da República condecora director cessante da Escola Portuguesa de Díli


O Presidente da República timorense condecorou ontem o diretor cessante da Escola Portuguesa de Díli com a Medalha da Ordem de Timor-Leste, em reconhecimento pelo trabalho de liderança do seu mandato.

Acácio de Brito foi ontem condecorado por José Ramos-Horta numa cerimónia no Palácio Presidencial em Díli, durante a qual o chefe de Estado destacou o trabalho do director cessante ao longo dos seus sete anos à frente da EPD. “A Medalha é um reconhecimento pelos esforços que Acácio de Brito desenvolveu na Escola Portuguesa de Díli, pela ação desenvolvida em resultado da calamidade das cheias de março de 2020 e o papel na reconstrução”, refere-se no decreto da condecoração.

José Ramos-Horta destacou o papel de Acácio de Brito, que terminou oficialmente o seu mandato esta semana, sublinhando a importância da Escola Portuguesa de Díli no espaço educativo nacional.

“Há pessoas que servem uma instituição ou sociedade durante algum tempo e ao partirem de regresso à sua terra deixam obras e gratas recordações. O amigo Acácio esteve connosco sete anos, vai partir, mas deixa uma bela obra”, afirmou. “O resultado está à vista: mais de mil alunos, mais de 95% timorenses, de famílias simples e pobres e de famílias mais bafejadas pela vida. Conheço a escola, conheço a obra, conheço a liderança de qualidade de Acácio de Brito, incluindo nos tempos de grandes desafios”, disse.

Ramos-Horta recordou que os professores e funcionários da escola “salvaram crianças” nas cheias 2020 e que a EPD “produziu jovens que honraram todos os timorenses” com boas classificações em competições internacionais.

O chefe de Estado recordou que a EPD serviu de inspiração, aquando do seu primeiro mandato, para o projecto que incentivou de criação das antigas escolas de referência, hoje Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE).

“Disse na altura que para ganharmos a batalha da língua portuguesa em Timor-Leste teríamos que repicar em todo o país o modelo da Escola Portuguesa”, recordou, referindo-se ao projecto que está hoje em 12 dos 13 municípios do país e na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA). “A EPD vai continuar, aumentar, talvez com mais uma escola em Oecusse, outra em Baucau. As CAFE vão consolidar, melhorar e expandir. Timor-Leste necessita disso, é incontornável para o futuro de Timor-Leste”, vincou.

Intervindo na cerimónia, Acácio de Brito agradeceu o apoio da liderança timorense ao projeto da EPD, e em particular nos esforços de reconstrução depois das cheias, e a toda a comunidade escolar pelo trabalho desenvolvido. “Recordo momentos dramáticos que vivemos durante as cheias de 13 de março de 2020. Recordo também a pandemia que nos obrigou a todos a um trabalho fantástico”, afirmou.

Em declarações à Lusa, depois da cerimónia, Acácio de Brito destacou os grandes desafios do mandato, em particular a resposta às cheias, considerando que a EPD “está melhor” do que quando chegou. “Isso é facilmente constatável em todos os aspetos, com mais alunos, com resultados. Cerca de 97% dos alunos são timorenses e é uma escola com belíssima qualidade, que devemos aos belíssimos professores, funcionários, pais e alunos”, disse. “Cumpri todos os objetivos que estavam traçados e introduzimos outros, incluindo o ano zero, e a inovação, com apoio adicional a alunos com maiores dificuldades em língua portuguesa”, sublinhou.

Entre os projectos que procurou desenvolver o único que, disse, não conseguiu implementar, foi o da expansão da escola, iniciativa que, considera, ainda é essencial.

Criada em 2009, a Ordem de Timor-Leste pretende “com prestígio e dignidade, demonstrar o reconhecimento de Timor-Leste por aqueles, nacionais e estrangeiros, que na sua atividade profissional, social ou mesmo num ato espontâneo de heroicidade ou altruísmo, tenham contribuído significativamente em benefício de Timor-Leste, dos timorenses ou da humanidade”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Timor-Leste - Escola Portuguesa de Díli conclui reabilitação depois de cheias de Março

 


A Escola Portuguesa de Díli (EPD) concluiu as obras de reabilitação depois dos sérios danos causados em vários espaços pelas cheias ocorridas na cidade a 13 de Março, anunciou a Direcção. Acácio de Brito disse que as cheias causaram “uma destruição devastadora, “a que só as mãos e vontade de tantos permitiram que esse momento seja, apenas, uma recordação menos boa”.

O responsável da EPD disse à Lusa que a intervenção total na escola custou cerca de 293 mil dólares (201 mil euros), com a biblioteca e a cantina a representarem o maior custo.

Ao salientar a “vontade inquebrantável de tantos, professores, funcionários, alunos, pais e toda a comunidade” no apoio à recuperação, Acácio de Brito disse que as obras permitem que a EPD se mantenha como ponto de referência no setor educativo em Díli.

“Quero prestar público agradecimento pelo trabalho de missão, abnegação pessoal e profissional de todos aqueles que num momento muito difícil disseram: ‘estamos aqui'”, e assim, permitiram que a “escola possa dar cumprimento à sua actividade primeira, dando cumprimento de uma obrigação basilar: manter a Escola Portuguesa de Díli um espaço de referência da língua e da cultura portuguesas, exigente nos propósitos, qualificante e qualificadora dos recursos humanos”, referiu.

Acácio de Brito agradeceu o apoio dado pela Embaixada de Portugal em Díli e por várias individualidades e entidades timorenses, com desta-que para os ex-Presidentes José Ramos-Horta e Xanana Gusmão, ao comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Lere Anan Timur, ao Governo e à Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

A construção do muro que rodeia a escola foi o último passo na reabilitação da escola, fechada entre 13 de Março e o arranque do actual ano lectivo, tendo nos últimos meses do ano lectivo passado as aulas à distância.

“Melhoramos o espaço escolar, valorizando valências que vão desde a informatização total da nossa escola, como aumentamos o nosso acervo bibliográfico, sem esquecer o lado lúdico nas aprendizagens com a intervenção do espaço que colocamos ao dispor de toda a comunidade escolar”, referiu.

“Toda a intervenção feita na EPD foi suportada financeiramente por recursos próprios da nossa Escola”, disse.

A EPD iniciou o actual ano lectivo com 1186 alunos, 300 no ensino pré-escolar e cerca de 800 entre o 1.º e o 12.º anos, e conta com um corpo de 48 docentes em mobilidade, a que se somam 18 de contratação local, de entre um total de 121 trabalhadores.

Além de 1049 timorenses a escola tem 110 portugueses, 12 brasileiros, cinco coreanos, três cabo-verdianos e dois alunos cada da Austrália, da Malásia, da Indonésia e de França

Actualmente, há mais de 430 crianças em lista de espera.

O maior grupo de alunos (292) estão no pré-escolar, com o número de alunos a baixar progressivamente ao longo da escolaridade, com 22 finalistas a frequentar o 12º ano.

Cerca de 78% dos alunos que terminaram a escolaridade e se candidataram ao Ensino Superior em Portugal, conseguiram entrar na primeira opção. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”