Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Macau - Exposição Show-Off 3.0 exibe colecções de arte de três personalidades portuguesas

A Associação Cultural Vila da Taipa vai receber a terceira edição da exposição “Show-Off” no Espaço de Arte da Vila de Taipa, entre 26 de Fevereiro e 30 de Abril, com entrada gratuita.



À semelhança das edições anteriores, “Show-Off 3.0” reunirá diversas peças de artes adquiridas por três coleccionadores ao longo de anos ou décadas, desta vez todos de origem portuguesa: a fundadora da Creative Macau Lúcia Lemos, o escritor Carlos Morais José e a arquitecta Rita Machado.

Segundo um comunicado da associação, a mostra propõe-se a “desvendar a natureza do coleccionismo de arte e a promover o valor cultural que o coleccionismo pode trazer à economia e aos talentos locais”, através de uma “conversa visual sobre os bens culturais de indivíduos com interesses muito específicos e muito especiais”.

Cada um dos convidados irá apresentar as obras de arte que acumulou ao longo dos anos e partilhar “as suas ideias sobre o que colecciona e o significado deste hábito”, revelando através das peças escolhidas aspectos da sua personalidade e diferenciando-se dos demais elementos do trio. O propósito deste projecto é cimentar o coleccionismo como “um bem cultural que parte de uma iniciativa individual, mas que pode também alargar o sentido de comunidade” e “fomentar a vitalidade da sociedade”.

A colecção de Lúcia Lemos, fotógrafa e artista fundadora do centro cultural Creative Macau, é composta principalmente por pinturas vibrantes e coloridas de artistas locais e estrangeiros. Já a obra artística reunida por Carlos Morais José – poeta, escritor, editor, jornalista e actual director do jornal Hoje Macau – remete, de acordo com a nota de imprensa, para “uma relação subtil e complexa entre um erudito e pedras gongshi” que, se ao olhar não treinado se afiguram como meras pedras decorativas, aos olhos do esteta tornam-se objecto de reflexão sobre “questões que transcendem a sua aparência”. Rita Machado, co-fundadora e arquitecta principal do Impromptu Projects, completa o trio com uma colecção baseada na relação com “muitos artistas locais e internacionais, com alguns dos quais estabeleceu amizades duradouras”.

A exposição “Show-Off 3.0”, lê-se no comunicado, “vem reforçar a posição da Vila da Taipa como um dos principais destinos culturais e artísticos de Macau e sublinha o seu inestimável contributo para a promoção das indústrias culturais e criativas do território”. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 13 de junho de 2023

Macau - Carlos Morais José lança revista de sinologia na Fundação Rui Cunha

Composta por textos da autoria de diversos sinólogos, “Via do Meio” é a nova revista trimestral que vai ser apresentada na quarta-feira, 14 de Junho, às 18h30 na Fundação Rui Cunha. Com a cultura chinesa como foco central, esta revista pretende dar a conhecer “temas relacionados com pensamento, história, literatura (com a poesia em lugar de destaque), religião, linguística, pintura, etc”, esclarece em comunicado Carlos Morais José, director da revista. Elaborada pela equipa do jornal Hoje Macau, e com contribuições de autores originários de países como Portugal, China, Brasil, Alemanha ou Cabo Verde, a revista “Via do Meio” tem 148 páginas. No lançamento na Fundação Rui Cunha, serão apresentadas o primeiro e o segundo número da revista.

De acordo com Carlos Morais José, “Via do Meio” é pioneira no seu género por ser a primeira revista em português totalmente dedicada à cultura chinesa. A criação desta revista é uma tentativa de “expansão” da sinologia chinesa, uma área que, na perspectiva do director, desde o século XIX se encontra em “estado de pousio, mas que nas últimas décadas tem conhecido, sobretudo em Portugal e no Brasil, algum desenvolvimento”.

“Fomos os primeiros a mostrar a China à Europa, através dos relatos dos padres jesuítas e de escritores como Fernão Mendes Pinto. E também fomos os primeiros a trazer o Ocidente para a China, como o Farol da Guia ou a primeira impressora Gutenberg, recorda Carlos Morais José. “É a altura de, aqui em Macau, mantermos a nossa tradição de sermos os primeiros. A Via do Meio percorre essa senda de pioneirismo. Posso estar enganado, mas creio que não existe uma revista deste tipo em nenhuma língua europeia”, declara. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”

 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Macau - A poesia e a fotografia juntas, numa rota íntima pela cidade no livro “Macau – O Livro dos Nomes”


Macau – O Livro dos Nomes” foi editado originalmente em 2010. Agora, 12 anos volvidos, Carlos Morais José juntou à sua poesia a fotografia de Sara Augusto. No livro, que foi apresentado na tarde do passado sábado, no Rota das Letras – Festival Literário de Macau, passeamos pela cidade através da poesia e da fotografia. Um projecto que levou um ano e meio a ficar concluído.

São 88 os lugares de Macau apresentados no livro, cada um com um poema e uma fotografia associados. São, então, 88 textos “de amor, ciúme, abandono e indiferença, entre outros sentimentos menos próprios para almas arredias das coisas desta cidade, que não cessa de existir como utopia e vício”. É assim que a obra foi descrita pelo autor nas redes sociais.

Na apresentação do livro, Sara Augusto acrescentou: “Nestas palavras que o Carlos tece sobre o livro, fica desde logo estabelecida a irremediável relação entre o sujeito lírico e o espaço e paisagem. Também fica definido um outro aspecto, que há aqui uma relação não só do sujeito poético, mas também há um apelo à vivência e experiência da cidade que o leitor possivelmente vai ter; quem vai ver as imagens também tem a sua visão da cidade”.

A poesia de Carlos Morais José, descreve Sara Augusto, é “apelativa, íntima, feita de instantâneos e expressões, ficcionalizações”. “A relação com o espaço feito de paisagem não é descritivo, mas é imaginado. A poesia é um lugar de imaginação, um lugar de ficção. O sujeito lírico é uma entidade que enuncia e sente. Tem uma função mágica de transformação do lugar e da paisagem a partir da experiência, vivência subjectiva de transformar o lugar em paisagem e a paisagem em arte”, sublinhou.

Assim, em “Macau – Livro dos Nomes”, cada lugar ganha um espaço particular, feito de memórias e pensamentos. É um “mapa mental da cidade antiga” que se cria ao ler os poemas de Morais José, a que se juntam as fotografias de Sara Augusto.

“O ‘Livro dos Nomes”, que é uma pequena jóia para mim, não é mais do que uma rota íntima desenhada pelo sujeito poético que é uma personagem omnipresente em todo o livro. É obvio que espero que seja também a rota íntima de quem lê e vê o livro nesta tríade que o compõe: o nome do lugar, o poema e a imagem”, sublinhou a autora das fotografias.

Na sessão da Livraria Portuguesa, Carlos Morais José falou sobre a personagem principal: Macau. “Poucas cidades como esta se desfazem e refazem num tão curto espaço de tempo. Ao invés de nela reconhecermos uma essência, reconheçamos que esse arquétipo é precisamente a constante mutação da paisagem. E o que permanece na memória são locais específicos”, afirmou o autor.

Sobre as imagens de Sara Augusto, Morais José referiu: “A fotografia tem vocação de fixar o instante, mas, uma vez mais, esse não é o caso. Aqui, o tempo perdeu parte da sua existência, porque se inaugura outro tempo. Surge logo o instante em que o tempo fica congelado no papel ou píxeis e transforma estas imagens num tempo utópico que remete para uma outra possibilidade de existência e fusão”.

Há uma “infinitude dos lugares” fotografados por Sara Augusto.  “A Sara não captura uma imagem, reproporciona uma outra sacralidade a estes lugares, uma nova perspectiva de os olhar e de os sentir e interpretar e imaginar ou reimaginar ‘ad infinitum'”, concluiu. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

Reservatório

Lá por ter acreditado num espelho onde tudo se reflectiria, não teria forçosamente de o encontrar. O casto céu acaricia a água e o vento estremece-a de prazer. Não há mais nada, mais nada interessa: só há vento, só há céu. E tudo isto na água.

Doca de Lam Mau

No fim rebelde da cidade, em terras por cristianizar, repousam barcos, depois da travessia mole do canal. E mesmo quando me afasto e lho os prédios baços, ainda as pernas me fraquejam de ali escutarem tanta promessa de viagens. Moribundo, o dia convida cintilações em cada andar.

Casa do Mandarim

Vem, minha doce concubina, mas vem lenta, mal pisando a pedra fria do corredor. Despe suavemente a cabaia, com o deleite de alguém que se oferece à morte. Ao lado, suspira um grilo e um pássaro antigo dorme ainda, no silêncio frígido da gaiola. Vem, minha doce concubina, descobre-me dormindo e, ajoelhada, cumprirás o ritual de madrugada.

Ruínas de São Paulo

Os teus lábios soletravam eternidade, baixinho… mas nas mãos trazias apenas um momento. Dizias: “num instante toda uma religião se incendeia, num instante toda uma paixão se consome”. Subir uma escada é rogar uma promessa. Depois marulhou o fogo e foi nas chamas que surgiu a cruel revelação: o amor fora sempre uma fachada. Soube-me a ruínas a tua voz ao telefone.


 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Macau - Cultura chinesa “tem muito para dar ao mundo”

Terminou no sábado a segunda edição da Semana da Cultura Chinesa. Depois de cinco dias de promoção da arte, literatura e música da China, Carlos Morais José, organizador do evento, constatou que a comunidade lusófona está agora mais interessada na cultura chinesa. No entanto, assumiu que ainda há um longo caminho a percorrer para aumentar o nível de conhecimento da cultura


A cultura da China esteve, ao longo dos últimos dias, em destaque na Fundação Rui Cunha. A segunda edição da Semana da Cultura Chinesa quis aproximar a lusofonia da arte, literatura e da música da China. O evento terminou no sábado e Carlos Morais José, organizador da iniciativa, revelou-se satisfeito com as sessões apresentadas e constatou que “cada vez há mais pessoas da comunidade lusófona interessadas na cultura chinesa”.

Apesar de ser “uma cultura milenar que tem muita coisa para dar ao mundo”, é ainda algo desconhecida entre a comunidade lusófona. “Esta é uma forma de a tentar divulgar um pouco mais, para que haja uma melhor compreensão”, explicou ao Ponto Final o proprietário do Hoje Macau e da editora Livros do Meio.

O organizador do evento lamentou também que, apesar dos 500 anos de história entre Portugal e a China, “a nossa sinologia é das mais pobres da Europa”. Morais José explicou que, uma vez que “a China recuperou o lugar cimeiro entre as nações”, há “todo o interesse para Portugal e lusofonia em geral um melhor conhecimento da cultura chinesa”.

O responsável referiu também que Macau deveria ter um instituto de sinologia, fazendo mais tradução da cultura chinesa para a língua portuguesa: “Macau podia ter um papel mais relevante nessa tradução como ponte para os países lusófonos”.

Música, literatura, pintura

O evento começou na segunda-feira, dia 7 de Março, com música e poesia, através do Macau String Trio, tendo-se seguido o lançamento de um livro sobre o mais famoso dos poetas chineses, “Li Bai – A Via do Imortal”, de António Izidro, com apresentação de Frederico Rato.

Na terça-feira comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, que o evento assinalou com uma conferência virtual da professora da Universidade Politécnica de Macau Ana Saldanha, intitulada “A condição feminina da China Imperial à China socialista: evolução sociopolítica e jurídica da mulher chinesa”.

No dia seguinte realizou-se o lançamento do livro “Nove Pontos na Bruma – textos sobre a China”, de Carlos Morais José. O trabalho é “uma miscelânea de textos sobre a China. Arte, história, literatura, tradições e até anedotas. O livro não versa sobre um só tema, mas são textos diversos de temáticas diversas sobre a China que tenho vindo a escrever com o passar dos anos”, explicou o autor antes do lançamento.

Na quinta-feira foi lançado o livro “Inquirições Sínicas”, de Paulo Maia e Carmo, um especialista em arte chinesa, apreciador de pintura tradicional, que contou com a apresentação do médico-poeta Shee Va.

A Semana da Cultura Chinesa terminou no sábado, com música e o lançamento do livro “Quadras Chinesas”, uma tradução do poeta cabo-verdiano Zerbo Freire. Esta é a primeira vez que um natural de Cabo Verde traduz directamente do chinês para língua portuguesa poesias da dinastia Tang. A apresentação esteve a cargo de Yao Jingming. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 13 de abril de 2021

Macau - Apresentação do livro “O Comedor de Nuvens”

A Fundação Rui Cunha acolherá na próxima quinta-feira, dia 15 de Abril, pelas 18h30, a apresentação do livro “O Comedor de Nuvens", uma obra com textos de Carlos Morais José, profusamente ilustrada com fotografias de azulejos da autoria de Ana Jacinto Nunes e com a chancela da editora COD.

Na abertura do volume, lê-se o seguinte parágrafo:

“Aprendi em terras do Oriente, para lá dos Himalaias, um costume de despojamento em solidão de montanhas. Uma imersão ascensional em espaços desabitados, onde a única voz presente aspira ao silêncio e, nesse movimento, devir mestra do vazio. É, pois, sobre vales enevoados que os homens descobrem o irreprimível riso da consciência. Repastos de neblina, embriaguez de brumas, banquetes de nevoeiro. As nuvens são a sua droga e alimento. Delas extraem a beleza primeva do mundo e nelas redimem o sentido parco da vida. No centro de cada um de nós, perdura uma dessas montanhas. Há que percorrê-la e habitá-la. Nenhuma outra viagem será preenchida de tão imponderáveis e fascinantes aventuras.”

Esta obra será apresentada por Sara Augusto.

A sessão será realizada em língua portuguesa com entrada livre. In “Fundação Rui Cunha” - Macau

 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Macau - Clepsydra: Uma herança com 100 anos que “coloca Macau no mapa da literatura lusófona”

Para assinalar o centenário de Clepsydra, foram ontem lançados em Macau dois livros sobre a obra de Camilo Pessanha. “Clepsydra 1920-2020 – Estudos e Revisões” agrega uma série de artigos académicos de uma dezena de autores, e “Ladrão de Tempo” é da autoria de Carlos Morais José, que reúne textos sobre Pessanha publicados nas últimas três décadas



“E eis quanto resta do idílio acabado

Primavera que durou um momento

Como vão longe as manhãs do convento

do alegre conventinho abandonado”

Foi com este excerto de Clepsydra que Carlos Morais José apresentou ontem, na Casa de Portugal, os dois livros editados pela COD que assinalam o centenário da obra de Camilo Pessanha. “Ladrão de Tempo” junta os textos de Morais José sobre a obra do poeta que morreu em Macau em 1926, enquanto “Clepsydra 1920-2020 – Estudos e Revisões” agrega publicações académicas de uma dezena de autores acerca do livro.

“Tudo isto se enquadra no século da Clepsydra. Faz este ano, 2020, 100 anos desde que foi publicado o livro Clepsydra de Camilo Pessanha. Nós estamos a celebrar estes 100 anos”, lembrou Carlos Morais José ao Ponto Final, ainda antes da apresentação das publicações.

“Clepsydra 1920-2020 – Estudos e Revisões” é um livro editado em Macau pela COD e que tem Catarina Nunes de Almeida, académica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, como coordenadora. Além de Catarina Nunes de Almeida e de Carlos Morais José, há ainda outros oito autores: Daniel Pires, Duarte Drumond Braga, Fernando Cabral Martins, Paulo Franchetti, Pedro Eiras, Ricardo Marques, Rogério Miguel Puga e Serena Cacchioli.

Esta é uma colecção de artigos académicos “sobre a literatura do Pessanha e sobre a importância dessa literatura no contexto da lusofonia e não só”, explicou Morais José. Apesar de a ideia do livro ter nascido em Portugal no início do ano, só em Novembro é que a COD acordou a publicação de “Clepsydra 1920-2020 – Estudos e Revisões”  em Macau.


Na apresentação do livro, na Casa de Portugal, o autor falou sobre a importância “fundamental” que Clepsydra teve para Macau. “Clepsydra coloca Macau no mapa da literatura lusófona. Macau será para sempre lembrada como um espaço onde floresceu a literatura portuguesa por Pessanha”, afirmou Morais José.

Também esteve presente na sessão de ontem, através de videochamada, Catarina Nunes de Almeida, que destacou Clepsydra como “uma das obras máximas da poesia portuguesa”. Duarte Drumond Braga também esteve presente directamente a partir de Portugal, tendo frisado que, nos 30 anos em que Pessanha viveu em Macau, o poeta “foi um activo representante de Portugal”. “A sua escrita deve ser vista como parte da produção cultural portuguesa na China”, acrescentou.

“Ladrão de Tempo” foi o outro livro sobre Pessanha lançado ontem na Casa de Portugal. “É uma colecção de coisas que eu fui escrevendo ao longo do tempo sobre o Camilo Pessanha e que agora resolvi publicar”, adiantou Carlos Morais José. De “Ladrão de Tempo” fazem parte artigos publicados desde a década de 1990 até agora em diversos sítios, como a Revista de Cultura do Instituto Cultural (IC), o jornal Hoje Macau, e há também textos publicados no Brasil e em Portugal.

Os textos são de diferentes naturezas. “Um deles foi um texto que eu li nos 80 anos da morte do Camilo Pessanha junto à campa”, indicou. O livro já estava preparado para ser lançado por ocasião dos 100 anos de Clepsydra e “é o encerrar de uma série de trabalhos que fiz sobre Camilo Pessanha”, explicou. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”




segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Macau - “Clepsydra 1920-2020 – Estudos e Revisões” é lançado na Região

“Clepsydra 1920-2020 – Estudos e Revisões”, coordenado por Catarina Nunes de Almeida, é apresentado amanhã em Macau. Uma obra que traça um olhar sobre o único livro que Camilo Pessanha deixou através de uma série de ensaios, alguns deles com novos dados sobre o poeta português. Editado em Portugal e em Macau, o livro é lançado amanhã na sede da Casa de Portugal com a chancela da editora COD. Será também lançada a obra “Ladrão de Tempo”, de Carlos Morais José

Como surgiu a ideia de reunir este conjunto de ensaios sobre “Clepsydra”?

Inicialmente pensámos em fazer um evento público para celebrar os 100 anos da publicação de “Clepsydra” através de umas jornadas, que iriam acontecer na Biblioteca Nacional. Esta ideia partiu de mim e do professor Gustavo Rubim [da Universidade Nova de Lisboa], que por motivos pessoais teve de se afastar do projecto. Mas a pandemia veio alterar tudo, e para não se perderem estes contributos, uma vez que a maior parte das pessoas já tinha aceite falar na ocasião, decidimos transformar as jornadas em livro. A ideia nasce desta linha de investigação que é o ORION, o orientalismo português. Neste momento sou eu que coordeno esta linha [na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL)] e já temos feito alguns trabalhos de investigação sobre Camilo Pessanha e a sua relação com a China e Macau.

O que é que este livro traz então de diferente?

Queríamos fazer algo um pouco mais abrangente e não ficarmos apenas pela parte orientalista de Pessanha, mas celebrar esse livro discreto que ele nos deixou, que até se pode dizer que de orientalista tem muito pouco, uma vez que é encarado como sendo, talvez, o melhor exemplo do simbolismo português. Reunimos especialistas, e entram os nomes incontornáveis em torno da investigação de Camilo Pessanha, que é o caso de Paulo Franchetti ou Daniel Pires. Mas depois também chamámos investigadores novos, que, não sendo especialistas das obras de Camilo Pessanha, poderiam de facto pensar sobre a obra e trazer novos contributos.

Duarte Drummond Braga, por exemplo, é um desses autores, que tem escrito muito sobre o orientalismo.

Sim, o Duarte e eu somos os dois representantes do ORION, essa linha de investigação do Centro de Estudos Comparatistas [da FLUL]. De facto, o texto que ele escreve para este volume está directamente relacionado com essa vivência de Camilo Pessanha na China e em Macau. No entanto, depois há outros trabalhos que não se cruzam tanto com esta temática. Mas sim, o Duarte é um dos pensadores desta nova geração de académicos que tem trazido muitas coisas novas sobre Pessanha, nomeadamente relacionando-o com a Geração de Orfeu, que vem logo a seguir à dele e que o considera um mestre. Ele [Camilo Pessanha] vai ser um mestre para Pessoa e para os restantes poetas de Orfeu.

Pessanha foi importante para poetas de gerações seguintes?

Pessanha tem sido muito lembrado já no novo milénio. Foi celebrado pela Comissão Asiática da Sociedade de Geografia de Lisboa nos 90 anos da sua morte, em 2016. Depois foi lembrado em 2017 quando foram os 150 anos do seu nascimento. Mas acho que a tónica tem sido a figura do Pessanha nas suas múltiplas facetas, de tradutor, sinólogo, professor e jurista. Mas a obra magistral que ele nos deixa não tinha sido ainda objecto de trabalho nenhum. A verdade é que ele é visto como um mestre, não só para a primeira Geração de Orfeu. Tem sido continuamente designado de mestre por poetas como Eugénio de Andrade, que também esteve em Macau. Eugénio de Andrade tem um livro muito interessante, “Pequeno Caderno do Oriente”, em que a figura central é Camilo Pessanha. Temos António Barahona, o próprio Gastão Cruz, e mais recentemente Manuel de Freitas. São poetas mais recentes e estamos sempre a encontrar um diálogo nas poesias. Muitas vezes vão buscar versos de Pessanha para compor novos poemas. Tem sido tão continuo este diálogo com a obra ao longo destes 100 anos que passaram que acho que seria uma pena deixarmos passar esta efeméride centrada numa obra fundamental e que, para muitos, é a mais importante da poesia portuguesa.

Um dos capítulos do livro é da sua autoria, e é sobre Pessanha lido hoje. Como é que Pessanha é hoje lido, além dessas referências dos poetas contemporâneos? É um autor próximo dos leitores portugueses? Não é uma poesia fácil.

Requer alguma maturidade, e talvez por isso seja um pouco marginal do ensino básico e secundário. Depois encontramos essa poesia mais facilmente na universidade. Um currículo de literatura portuguesa não deixará de incluir Pessanha, que é o representante da Escola Simbolista. Ele acaba por estar presente de uma forma discreta mas mais entre poetas, é aí que o vamos encontrar. E por isso dei o título “representar, rescrever e reconhecer um poeta”. Porque são estas três fórmulas que vamos encontrar nos exemplos que recolhi para o ensaio. “Representar” porque sendo uma figura muito lacónica, há muito pouca informação que seja absolutamente credível sobre a sua figura. Ele foi sendo representado, e essas lacunas foram sendo aproveitadas pelos próprios escritores para ficcionarem a sua figura. A verdade é que ele é personagem de romances, de novelas, como é o caso de Agustina Bessa-Luís, em “A 5ª Essência” e de Paulo José Miranda em “O Mal”. De algum modo a literatura delicia-se até com essas lacunas porque vai aproveitar tudo o que não sabe para criar por si.

Mas na poesia há uma ligação diferente.

No caso da poesia há esse diálogo inter-textual. Os poetas não precisam de o apelidar de mestre mas acabam por resgatar e revisitar alguns dos seus poemas, muitas vezes usando um ou outro verso, muitas vezes colocado em itálico, e escrevem um novo poema. Tem havido muito o outro lado da homenagem, não só com a obra que já referi, de Eugénio de Andrade, como o próprio Daniel Pires, que escreve um ensaio neste volume. Se há continuamente este tipo de impulsos, de escrever sobre ou para homenagear Pessanha, quer dizer que há muita vitalidade na sua obra, e há ainda que a pensar no final destes 100 anos, fazer um balanço.

Apesar de ser apenas uma só obra, “Clepsydra” é muito rica em análise.

Exactamente. É uma obra tão pequenina, de um autor discreto, que viveu quase como um exilado, longe da metrópole, e no entanto não o deixámos cair no esquecimento. E importa perguntar porquê, mas acho que a melhor resposta que temos é abrir a “Clepsydra” e lê-la.

Este conjunto de ensaios aborda menos o Pessanha homem, a sua personalidade e feitos além da literatura.

Não tínhamos tanto essa intenção. A nossa ideia era centrarmo-nos na “Clepsydra”, embora depois haja pontes para pensar essas questões. Por exemplo, é incontornável essa relação de Pessanha com Macau e com a China. Há um estudo de Daniel Pires que não deixa de nos trazer alguns dados novos muito importantes que não têm directamente a ver com a “Clepsydra”. Ele traz-nos com este ensaio um inventário daquilo que era a biblioteca de Pessanha que estava em Macau. Ele [Daniel Pires] nas várias viagens que foi fazendo conseguiu ir reunindo essa listagem das suas obras e sabemos que este tipo de inventários, do que é uma biblioteca de um autor, podem ter um contributo importante para a análise da obra. Outro exemplo importante é o trabalho do Ricardo Marques, que é o acesso ao que foi a crítica de Clepsydra no momento em que ela sai, nas revistas da Geração Orfeu.

Já existe uma data para a apresentação deste livro em Lisboa?

A obra acabou de sair em Portugal mas deixa-me muito feliz que acabe por ser apresentada em primeiro lugar em Macau. Ainda não temos data de apresentação em Lisboa, mas é possível que seja em Janeiro. Fico muito contente, pensando pela cabeça e coração de Pessanha, que a obra seja apresentada primeiro em Macau. Camilo Pessanha tem de facto uma comunidade de leitores muito importante em Macau. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”  


 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Macau - Semana da Cultura Chinesa, da sinologia à lusofonia

Foram sete livros, apresentados durante cinco dias, ao longo da Semana da Cultura Chinesa. O objectivo, segundo a organização, passou por dar a conhecer a sinologia à lusofonia, percorrendo assuntos tão diversos como a filosofia, pintura, estratégia e a poesia



A Fundação Rui Cunha acolheu, entre 15 e 19 de Junho, a Semana da Cultura Chinesa, apresentando clássicos chineses que foram traduzidos para a língua portuguesa. “Estudo Maior”, “A Prática do Meio”, “As Leis da Guerra”, “Teoria da Pintura Chinesa” Volumes I e II, “Divino Panorama – Um Inferno Chinês”, e “Balada do Mundo” foram os sete livros apresentados numa iniciativa organizada pelo jornal Hoje Macau e pela editora Livros do Meio, que teve como objectivo dar a conhecer a sinologia à lusofonia.

Na sessão de abertura, Carlos Morais José, responsável pela iniciativa, destacou a importância destas traduções para português, recordando que os portugueses estão em Macau há quase 500 anos, “mas infelizmente, apesar de termos sido os primeiros a levar a China para o Ocidente, e a dar a conhecer a China no Ocidente em livros importantíssimos e que levaram ao primeiro contacto com o pensamento chinês, depois parece que os portugueses adormeceram durante um longo período de tempo”. “A nossa simbologia é hoje, talvez, uma das mais pobres da Europa”, lamentou Morais José. Desta forma, a Semana da Cultura Chinesa acaba por ser “um pequeno contributo” para ajudar a comunidade portuguesa em Macau a ter um “maior entendimento da China e da cultura chinesa”.

Estudo Maior” (Da Xue) e “A Prática do Meio” (Zhong Yong) marcaram o arranque das sessões dedicadas à Semana da Cultura Chinesa, sendo considerados como dois livros centrais sobre a filosofia confuciana, de acordo com Morais José. “São dois livros que fazem parte do cânone confuciano, tal qual ele foi estabelecido na dinastia Song”, referiu o director do Hoje Macau na abertura da sessão. “Isto é um livro político também, tentar dar uma moral e uma ética aos governantes, daí que seja um livro bastante importante nesse sentido de ser lido hoje também. É constituído por palavras de Confúcio, e depois por comentários de Zengzi, que é um dos seus discípulos. Tem também comentários do próprio Zhu Zhi que ajudam muito na interpretação das palavras do mestre”, disse Carlos Morais José, referindo-se a “Estudo Maior”.

Sobre a “Prática do Meio”, o organizador referiu que a obra visa, de uma forma geral, “regular os pensamentos, as palavras e as acções”, dando como exemplo a importância de um governante conhecer a história e perceber quais são as forças que estão em confronto para as poder equilibrar. “Neste sentido, o confucionismo não é de todo uma doutrina reaccionária ou que proponha um mundo imóvel, baseado em valores do passado que têm que ser aplicados rigorosamente no presente. Pelo contrário, o confucionismo é uma doutrina que obriga o soberano a encontrar soluções para responder às transformações que constantemente ocorrem”, disse o organizador das sessões.

Obra perdida e recuperada

As Leis da Guerra”, de Sun Bin, foi o segundo livro apresentado na Semana da Cultura Chinesa. É um livro “muito interessante”, referiu Carlos Morais José, explicando que Sun Bin é descendente de Sun Tzu, autor de “Arte da Guerra”. “É, digamos, uma continuação de um livro do seu antepassado. Foi escrito no séc. III antes de Cristo e andou desaparecido, até que, em 1972, foi encontrado numas ruínas numas escavações arqueológicas”, na cidade chinesa de Linyi, na província de Shandong. Depois de encontrado o manuscrito, foi publicado em chinês e foi traduzido em várias línguas europeias, nascendo agora uma tradução em português.

O livro, traduzido por Rui Cascais Parada, não se limita pela descrição de estratégias militares, mas sim sobre uma forma de pensar relativamente a vários aspectos da vida, segundo Frederico Rato, que apresentou a obra.

“A narrativa deste livrinho parece predominantemente militar, mas encerra um verdadeiro corpo de normas político-filosóficas e ético-morais também. Este legado do mestre Sun Bin extravasa a realidade bélica para se plantar também numa vivência que diria polivalente, ou embarcando todos os sectores da vida em comunidade”, disse o advogado. “É também um livro interessante porque os preceitos que lá estão escritos não se aplicam só à guerra, mas também a coisas do dia-a-dia. Era um homem extremamente inteligente com tácticas fantásticas e conselhos muito interessantes”, prosseguiu.

Ao longo da apresentação, o orador foi aproveitando para partilhar alguns excertos do livro com os presentes, dando alguns exemplos das estratégias militares abordadas na obra e que tinham como finalidade demonstrar o “modo de levar a melhor sobre o inimigo”. “Também o Sun Bin se me afigura ser um percursor do esforço de codificação que abriu caminho a um desejo e a um ânimo político e jurídico que me parece animar a sociedade chinesa no sentido da codificação das leis dos homens, que eu desejaria que não coincidissem com as leis da guerra”, concluiu Frederico Rato.

Reflexão sobre a pintura chinesa

Os volumes I e II da “Teoria da Pintura Chinesa” foram as obras que se seguiram na Semana da Cultura Chinesa. Os trabalhos reúnem textos sobre a teoria da pintura chinesa, uma forma de arte que é preciso aprender antes de se poder apreciar, segundo Leong Iok Fai, que apresentou a sessão. O primeiro volume, “Os Eixos da Tradição”, é da autoria de Xie He, Yao Zui, Jing Hao, Guo Xi e Zhang Yanyuan. O segundo volume, “O Fascínio do Gesto”, tem como autores Zhang Geng, Shitao, Shen Hao e Wang Yuanqi, foi explicado na sessão.

Leong Iok Fai, presidente da Associação de Pintura e Caligrafia de Macau, aproveitou a sua intervenção para abordar um pouco sobre a história da pintura clássica chinesa e a sua vertente de ambiguidade, sobretudo para a comunidade ocidental. “Através desta pintura, as pessoas podem apreciar o espírito dos seres humanos. O espírito é uma coisa bastante abstracta, é difícil de explicar, e o ritmo espiritual é também bastante abstracto, não podemos explicar de forma muito detalhada, só podemos apreciar estas pinturas”, disse o orador.

No entender de Leong Iok Fai, os textos de diferentes autores que abordam pintura clássica chinesa do século VI ao XVIII vão permitir às pessoas ter uma maior proximidade daquilo que, nomeadamente para os ocidentais, “por vezes é estranho ou difícil de entender”.

Universo fantástico e imaginável

Na apresentação de “Divino Panorama – Um Inferno Chinês”, o médico Shee Va referiu que a obra representa um “entendimento daquilo que se chama o património cultural chinês” e que é “importante para o Ocidente”. Para o organizador das sessões, o “Divino Panorama – Um Inferno Chinês” é “uma amálgama de budismo, confucionismo e taoismo, que descreve o que acontece às almas depois da morte”. O livro explica as diferenças entre o “inferno cristão” e o “inferno chinês”, e que “foi escrito para aconselhar as pessoas a completarem-se decentemente durante esta vida para não terem que sofrer muito na outra”, disse Morais José.

Shee Va, por sua vez, abordou durante a sua intervenção a existência de um inferno com 18 anos, algo que na cultura chinesa se ouve também sobretudo em criança. No final da sessão, um dos presentes elogiou a intervenção de Shee Va, considerando que retratou com as suas descrições um “universo de fantástico e imaginário”.

Semana culmina com poesia

No último dia da Semana da Cultura Chinesa foi apresentado “Balada do Mundo”, de Li He. Carlos Morais José descreveu o autor como ”um dos maiores poetas da dinastia tang”. Segundo o livro, Li He era descendente do príncipe Zheng e começou a escrever aos sete anos. Este livro conta com 108 dos poemas de Li He.

O livro de poesia foi apresentado por Yao Jingming, que destacou a qualidade de Li He, cuja obra se juntou agora a outros nomes conhecidos da poesia chinesa em termos de tradução para português. “Encontramos tantas notas, que o português pode consultar se não conseguir compreender os poemas, porque a poesia está cheia de mitos e lendas. O tradutor, para facilitar a compreensão, fez uma investigação muito profunda”, disse o orador no decorrer da sessão.

Yao Jingming frisou ainda que a poesia de Li He “não é fácil” até para o leitor chinês. “Faz a poesia de uma forma muito inovadora, diferente de outros poetas do seu tempo. Não respeita tanto a tradição literária daquele tempo, é uma atitude muito corajosa. Morreu de forma muito prematura, aos 26 anos, mas deixou muitos poemas”, frisou.

Naquele que foi o último dia da Semana da Cultura Chinesa, Yao Jingming aproveitou para elogiar o trabalho do organizador pela iniciativa, pedindo um reconhecimento ao Governo. “Tem feito um trabalho fantástico, acho que o trabalho dele deve ser mais reconhecido. É uma pessoa que merece muito ser condecorada pelo Governo, acho que é bom passar essa mensagem porque o trabalho dele tem que ser reconhecido. Se o Governo de Macau não fizer isso, então vou tentar falar com o Governo Central chinês”, disse Yao Jingming, arrancando gargalhadas dos presentes. Pedro Santos – Macau in “Ponto Final”

pedroandresantos.pontofinal@gmail.com

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Portugal – Literatura de Macau presente na 18ª edição do festival literário “Correntes d’Escrita”

Carlos Morais José, escritor e jornalista português radicado em Macau, volta às origens para um debate que se propõe “abrir a porta de entrada para a comunidade literária luso-espanhola”. A edição de 2017 do festival Correntes d’Escrita vai reunir autores que escrevem em língua portuguesa e castelhana. A literatura de Macau está pela primeira vez representada no encontro. A 18ª edição do festival literário arranca a 21 de Fevereiro.

Na 18ª edição do festival literário Correntes d’Escrita, a literatura em língua portuguesa de Macau faz-se representar por Carlos Morais José. Convidado pela organização do evento, promovido pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, o autor de “O Arquivo das Confissões – Bernardo Vasques e a Inveja” – obra lançada em finais de 2016 – vai participar numa das dez mesas redondas que integram o programa do festival.  As iniciativas propõem-se debater as temáticas das oito obras finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa. A Morais José juntam-se autores de vários pontos do globo, incluindo da Guiné-Bissau, de Moçambique e de Portugal.

“Eu acho que será, neste momento, talvez o escritor vivo – digamos – que melhor pode representar Macau pela qualidade do seu trabalho, pela actualidade, porque ainda muito recentemente editou um livro que teve as melhores referências de quem o leu e de alguma crítica também. Portanto acho que ninguém melhor do que ele o poderia fazer”, explicou o editor Rogério Beltrão Coelho ao Ponto Final, sobre o convite do Correntes d’Escrita endereçado ao autor de Macau.

Num fórum onde vão estar “escritores de língua portuguesa e de língua espanhola altamente considerados”, a presença de um autor residente no território abre portas a uma literatura que se depara com grandes dificuldades para entrar no mercado português, esclareceu o responsável pela Livros do Oriente: “É importante que se saiba que, em Macau, também se produz literatura. Portanto, será a primeira vez que se abre uma porta para que dentro da comunidade literária luso-espanhola, se saiba que existem em Macau autores e uma literatura pujante, moderna e de qualidade”, referiu Beltrão Coelho. “Tudo isto são passos significativos para uma divulgação cada vez maior daquilo que se faz em Macau em termos literários”, reiterou.

Rogério Beltrão Coelho assume que a falta de visibilidade da literatura produzida no território “não é de hoje”: “A grande dificuldade foi sempre a de criar espaço em Portugal para a literatura que se produz em Macau. Foram feitas várias tentativas, alguns resultados foram obtidos mas sempre muito pouco significativos, ou, pelo menos, não tanto como se desejaria”, referiu o também jornalista. O responsável pela editora Livros do Oriente sustenta ainda que “o que é um facto é que hoje, em Portugal, nos meios literários, conhece-se muito pouco daquilo que se produz em Macau”.

No último dia do maior festival literário português, à volta da mesa 9 e sob o tema “de um jogo frágil de palavras se faz a literatura” estarão – para além do autor português radicado no território – o escritor, realizador e músico português Afonso Cruz, o escritor guineense Francisco Conduto Pina (que desempenhou funções como deputado, secretário de Estado e ministro na Guiné Bissau), a escritora, actriz e artista plástica portuguesa Marta Bernardes e o escritor e médico moçambicano Mbate Pedro. O debate, que decorrerá pelas 10h, será moderado pelo jornalista João Gobern.

O Correntes d’Escrita decorre entre os dias 21 e 25 deste mês. No dia 22, o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, preside à cerimónia oficial de inauguração do festival, que decorre no Casino da Póvoa. Francisco Pinto Balsemão, empresário da comunicação em Portugal, é o convidado para a Conferência de Abertura que acontece no mesmo dia, mas no Cine-Teatro Garrett. In “Ponto Final” - Macau