Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Estados Unidos da América - Diretor do Museu do 11 de Setembro é português e luta “para que o mundo não esqueça”

O luso-americano Renato Baptista é diretor de operações do Museu do 11 de Setembro e, 25 anos após os ataques terroristas que mataram quase três mil pessoas, continua a trabalhar para que “o mundo não esqueça” esse dia


Em entrevista à Lusa, Baptista reconheceu que trabalhar diariamente na zona do World Trade Center, em Nova Iorque, e contactar todos os dias com o que restou dos atentados, não implica que ainda hoje tenha pensamentos constantes sobre aquele 11 de setembro de 2001, embora admita que nem sempre foi assim.

No entanto, há um episódio, que se repete todos os anos, que não esquece e que envolve um jovem que perdeu o pai nos ataques.

“Todos os anos há um rapaz, que não sei bem a idade dele agora, mas lembro-me dele pôr sempre uma nota [carta] ao pé do nome do pai dele. E, nessa nota, descreve sempre ao pai onde é que ele está na vida: a fazer a graduação do liceu, a ir para a universidade, etc”, recordou.

“Eu nunca conheci esse rapaz. Espero um dia ainda o ver, até pode ser este ano. Gostaria de o conhecer. Mas é o que mais me marca, mais me corta o coração, é ver aquela nota desse rapaz”, contou o luso-americano.

Renato Baptista nasceu na cidade de Mount Vernon, no estado de Nova Iorque e é filho de emigrantes do distrito de Leiria.

A sua formação é na área de contabilidade, mas, cansado de “trabalhar longas horas” nesse setor, decidiu aproveitar a oportunidade que lhe foi apresentada por um outro português, o arquiteto Luís Mendes, que à data ocupava uma posição de chefia na Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jérsia, para trabalhar no Museu e Memorial do 11 de Setembro.

Começou como assistente de operações, mas rapidamente chegou ao cargo de diretor de operações, manutenção e instalações daquele que é o principal espaço de memória e homenagem às vítimas dos ataques perpetrados por terroristas da Al-Qaida.

O Memorial está localizado no exato lugar onde antes ficavam as Torres Norte e Sul, atingidas pelos aviões comerciais sequestrados por terroristas da Al-Qaida, e apresenta duas piscinas gémeas com cascatas, cercadas por parapeitos de bronze com os nomes das vítimas inscritos.

O Museu fica no subsolo e conta a história dos ataques através de objetos, fotografias, vídeos, testemunhos e elementos recuperados dos destroços.

O complexo também aborda o ataque de 26 de fevereiro de 1993 ao World Trade Center, quando uma pequena célula terrorista fez explodir um camião armadilhado na garagem subterrânea da Torre Norte.

O Museu e Memorial são lugares de lembrança e contemplação no meio da agitação da região sul de Manhattan.

O trabalho de Renato Baptista aborda contabilidade, auditoria e orçamentos, mas, de todas as funções que desempenha, considera de maior importância a manutenção do interior e exterior do Museu.

“Esse é que é o meu grande prazer: de mostrar que se mantém limpo e com respeito”, disse à Lusa.

Baptista defendeu que esta “é uma memória que nunca se vai esquecer, uma memória que não se deve esquecer”, fazendo questão de recordar também as vítimas posteriores aos ataques, como os “trabalhadores de resgate que hoje estão a morrer devido ao que aqui aconteceu, devido aos ares que diziam que estavam limpos, mas que não estavam”.

“O 11 de setembro não terminou no 11 de setembro, continua. (…) O nosso objetivo aqui no museu é manter essa memória sempre viva: sem que os americanos e o mundo se possam esquecer”, sublinhou.

Numa entrevista antes de se assinalarem 25 anos da data trágica, Renato indicou que o Museu se está a preparar para uma cerimónia na sexta-feira com os familiares das vítimas, que contará ainda com a presença de todos os ex-presidentes norte-americanos vivos e do atual vice-presidente, JD Vance.

A cidade prepara-se para esta data “com uma segurança muito mais elevada” do que em anos anteriores, não só pela presença das figuras políticas de relevo, mas também devido “à guerra com o Irão”, que acrescentou um novo grau de “insegurança no mundo”, explicou o diretor luso-americano.

No dia 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por terroristas da Al-Qaida, sendo que dois aparelhos colidiram de forma intencional contra as Torres Gémeas do World Trade Center, Nova Iorque, que ruíram duas horas após o impacto.

O terceiro avião de passageiros colidiu com o edifício do Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, condado de Arlington, Virgínia, nos arredores de Washington.

O quarto avião caiu num campo no estado da Pensilvânia, depois de alguns passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controlo do aparelho.

Não houve sobreviventes entre os passageiros dos aviões, sendo que, no total, os ataques fizeram mais de três mil mortos. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Macau e Portugal “revitalizam” diálogo sobre língua e educação

A presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua destacou que a reunião da Subcomissão Mista de Língua Portuguesa e Educação marca a retoma do diálogo entre Portugal e Macau nesse domínio, após sete anos de interregno. “Foi um momento muito significativo, é a revitalização, a retoma de um diálogo que não acontecia desde 2019”, sublinhou Florbela Paraíba, num evento realizado no Consulado-Geral de Portugal no território.

A Comissão Mista Portugal-Macau não se reúne desde antes da pandemia, “um interregno maior” que Paraíba justifica não apenas com a covid-19, mas também com várias mudanças nos governos de Portugal e da RAEM.

A presidente do Instituto Camões sublinhou que, desde que Macau voltou a abrir as fronteiras, no início de 2023, houve “importantes momentos de visitas bilaterais que fortaleceram a relação” com Portugal. Mas, a diplomata disse que os dois lados reconheceram a existência de “pontos onde há muito a fazer”, dando como exemplo o reforço da formação contínua e maior investimento em tradutores e intérpretes.

Paraíba apontou como meta “revitalizar a rede de geminações” entre escolas de Macau e de Portugal, que disse ser “muito importante”, também para a RAEM. Defendeu ainda mais parcerias e intercâmbios e estágios, tanto para “um maior acesso ao ensino do mandarim em Portugal” como para dar mais oportunidades a alunos de Macau que queiram estudar português.

A RAEM “tem todas as condições” para apostar num “bilinguismo efectivo” e assim “transformar um legado histórico em oportunidades concretizadas”, sublinhou.

Dominar a língua portuguesa representa para os residentes de Macau uma vantagem, disse Paraíba, tendo em conta o papel que a China atribuiu à cidade, de plataforma de serviços económicos e comerciais com os mercados lusófonos.

No mesmo evento, o Cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, disse esperar que a reunião de ontem sirva de “antecâmara para a desejada reunião da Comissão Mista que esperemos se realize daqui a pouco tempo”.

Em Setembro de 2025, o Primeiro-Ministro português disse, durante uma visita à RAEM, que a Comissão Mista iria reunir-se em Fevereiro, algo que não chegou a acontecer. Luís Montenegro e o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, voltaram a encontrar-se em Abril, em Lisboa, mas da visita não saíram quaisquer novidades sobre a retoma da Comissão Mista. Em 10 de Junho, na cerimónia do Dia de Portugal, Sam Hou Fai anunciou que espera realizar este ano, em Macau, a 7.ª reunião da Comissão Mista e garantiu que a região fará “todos os preparativos necessários” para o encontro.

Camões promete valorizar salários de docentes no estrangeiro

Por outro lado, a presidente do Instituto Camões, que está sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), prometeu que as negociações com os sindicatos irão permitir valorizar os salários e as carreiras dos docentes que ensinam a língua portuguesa fora de Portugal. Florbela Paraíba referiu que as duas partes têm um objectivo comum, “a valorização das carreiras e remuneratória dos professores do Ensino de Português no Estrangeiro” (EPE), que descreveu como “um recurso muito importante”.

“Os professores são insubstituíveis, assim como aquilo que se aprende na sala de aula, nem nós o queremos substituir por meios digitais, que servem apenas para complementar”, sublinhou a diplomata de carreira.

No final de Julho, os sindicatos reconheceram uma “evolução positiva” nas negociações com o MNE relativas ao novo Regime Jurídico do EPE, aguardando a proposta das novas tabelas salariais. Em declarações à Lusa, o secretário-geral adjunto da Federação Nacional de Educação (FNE), Paulo Fernandes, considerou que “tem havido uma evolução nas propostas que o ministério tem apresentado”, sublinhando que há uma flexibilização das comissões de serviço e garantia de contagem do tempo de serviço para os professores de EPE que queiram regressar à carreira em Portugal.

Uma visão partilhada pelo presidente do Sindicato de Professores no Estrangeiro (SPE), Bruno Silva, que confirmou que as alterações apresentadas pelo Governo “já acomodaram algumas propostas” da sua estrutura. Entre os avanços, o dirigente do SPE destacou a clarificação da contagem do tempo de serviço “para efeitos de concurso e progressão na carreira para os docentes que não têm vínculo em funções públicas”.

Para pressionar o executivo e exigir que as tabelas salariais reflictam o real custo de vida nos respectivos países, os professores do EPE submeteram uma petição, que contava com 8852 assinaturas.

Camões planeia nova cátedra de Português no Japão

Florbela Paraíba apontou a região asiática como prioritária para a língua portuguesa e revelou que o Instituto Camões quer criar uma segunda cátedra de português no Japão, além da já existente na Universidade de Estudos Estrangeiros de Quioto. “Estamos a trabalhar, mas não sabemos ainda onde poderá ser, esperemos que pode ser [numa universidade] em Tóquio”, referiu. A presidente do Camões apontou ainda como prioridades Timor-Leste, onde a língua portuguesa tem “um factor identitário”, e Angola, onde o português “tem crescido imenso, durante e depois da guerra [civil], também por vontade política, de agregação”. In “Jornal Tribuna de Macau” Macau com “Lusa”



quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Moçambique - Teresa Taímo prepara lançamento de dois livros sobre história militar e segurança moçambicana

A escritora e investigadora moçambicana de História Militar, Teresa Taímo, prepara o lançamento de duas obras que abordam as músicas militares, a identidade, cidadania, defesa, segurança e os pressupostos para a construção de uma cultura de paz em Moçambique.

Uma das obras, intitulada Hinário Zumberani, apresenta um estudo sobre as músicas militares e de combate entoadas nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), e explora o papel dessas manifestações na cultura e memória militar.

A segunda obra, Moçambique: Identidade, Cidadania, Riquezas, Defesa e Segurança – Pressupostos de Educação para a Segurança Nacional e Paz Sistémica, debruça-se sobre questões relacionadas com identidade, cidadania, recursos, defesa e segurança nacional.

Natural de Chibuto, na província de Gaza, Teresa Taímo é licenciada em Gestão e Estudos Culturais pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) e possui estudos avançados em Relações Internacionais, Defesa e Segurança pela Academia Militar Marechal Samora Machel. Tem também formação especializada em Direito Internacional Humanitário, pela Cruz Vermelha de Moçambique.

A investigadora tem desenvolvido trabalhos ligados à História Militar, Mulher, Paz e Segurança, tendo servido no Estado-Maior General / Quartel-General e na Direcção de Educação Cívico-Patriótica da Academia Militar Marechal Samora Machel.

Para além das duas novas obras, Teresa Taímo é autora de O Regresso do Descontente, romance sobre mitos e cultura, e A Refugiada, crónicas sobre os anseios das mulheres vítimas do terrorismo no Teatro Operacional Norte.

A autora tem igualmente participado em organizações e iniciativas de defesa dos direitos das mulheres e raparigas, incluindo acções de apoio a pessoas afectadas pelo albinismo e a crianças vulneráveis. In “Moz Entretenimento” - Moçambique




Centro de Estudos Internacionais Iscte - YouPrise Workshop: potencia o teu mindset regenerativo e ecoempreendedor com o inovador modelo Ecoprise

No dia 18 de setembro realiza-se o primeiro Youprise Workshop, uma atividade que faz parte da fase final do projeto europeu ECOPRISE (Fevereiro 2023 – Janeiro 2027), cujo objetivo é partilhar a experiência dos/as participantes que concluíram a formação - recém-formados/as «Ecoprise Designers» - para apresentarem os seus projectos finais, nos quais implementaram o modelo inovador de regeneração e ecoempreendedorismo Ecoprise. Esta sessão contará com apresentações de projectos local-based realizados por Ecoprise Designers formados durante a fase-piloto do curso Ecoprise, bem como a apresentação do modelo regenerativo Ecoprise e do MOOC pelos tutores.

Será dada especial ênfase à apresentação do modelo Ecoprise, um framework inovador para o empreendedorismo social, cocriado por um consórcio multidisciplinar e especializado, também inspirado no design de ecoaldeias e na ética da permacultura. O workshop irá também destacar as sete dimensões centrais e interligadas do modelo Ecoprise (cultura, propósito, regeneração, propriedade e governação, redes, impacto e replicabilidade), bem como a sua abordagem ecossistémica, em torno das quatro dimensões da sustentabilidade e regeneração: Ecologia, Economia, Social e Cultura. Os participantes terão ainda a oportunidade de conhecer a formação MOOC da Ecoprise e interagir com os materiais didáticos.

Esta sessão decorre entre as 10h e as 13h, na sala A104 (Edifício 4, Iscte - Conhecimento e Inovação), e está aberta a todos os estudantes, docentes e investigadores do Iscte. É necessário a inscrição prévia através deste formulário.

Não pode participar nesta edição? Vamos ter uma 2ª edição a 16 Outubro. Preencha o formulário para saber mais e/ou subscrever a newsletter de Ecoprise Portugal.

Nota: Este evento está previsto ser em Português. No caso de inscrições em inglês, faremos os possíveis para ter tradução ou o evento em inglês.





Cabo Verde - Colecção “Stória pa Mininus” disponibiliza 10 livros bilingues em Kriolu e Português para promover identidade infantil

Cidade da Praia - A colecção Stória pa Mininus lançou 10 livros bilíngues em Kriolu e Português, numa iniciativa destinada a facilitar o contacto das crianças com a língua materna e reforçar a ligação às raízes culturais cabo-verdianas.

O projecto, concebido pela tradutora Karolina Abramowicz, apresenta contos infantis universais na variante do crioulo de Santiago em paralelo com o português.

Segundo informação enviada à Inforpress, a nova edição assume relevância estratégica para as comunidades cabo-verdianas na diáspora, ajudando as crianças residentes no estrangeiro a manterem ligação com as suas raízes, sobretudo as crescidas em Portugal.

A colecção inclui clássicos como “Sinderela”, Rapunzel, Prinseza y Ervilha, Patinhu Feiu, Kapuxinhu Burmedju, Gatu di Bota, Djon ku Maria, Djon y Fixon Májiku, Branka di Nevi e Tres Porkinhu.

Lançado em 2023, o projecto tem como objectivo levar literatura infantil em crioulo cabo-verdiano, variante de Santiago, aos jovens leitores.

Para além das 10 histórias internacionalmente conhecidas, Karolina Abramowicz adaptou ainda uma selecção de histórias polacas para integrar a colecção.

No mesmo ano, foram impressos 3445 livros e livros para colorir, distribuídos por 206 instituições em Cabo Verde, Portugal e Estados Unidos.

Ainda em 2025, o projecto passou também a disponibilizar novos formatos, incluindo audiolivros narrados por mulheres cabo-verdianas, vídeos que combinam narração e imagem e vídeos em língua gestual, com o propósito de tornar as histórias mais inclusivas e acessíveis.

Os recursos digitais da colecção estão disponíveis gratuitamente online. In “Inforpress” – Cabo Verde





Suíça - Procura impulsionar mais negócios com a China, frente a incertezas nas antigas relações comerciais

A perspectiva de atualizar o atual acordo de livre comércio (ALC) entre a Suíça e a China surge num momento crítico para as empresas suíças, que enfrentam instabilidades comerciais com os Estados Unidos e com a União Europeia


Washington anunciou tarifas de até 12,5% para alguns produtos suíços, valor superior ao aplicado a muitos outros países europeus. Em paralelo, Bruxelas aumentou as tarifas sobre o aço do país alpino. Ao mesmo tempo, o acesso da Suíça ao mercado de eletricidade da UE está dependendo de uma revisão nas regras das relações bilaterais.

Neste contexto, as empresas suíças procuram diversificar os seus negócios, de olho em outros mercados regionais. Ganha força, então, a ideia de ampliar o já existente Acordo de Livre Comércio (ALC) com a China.

“A economia suíça precisa de relações comerciais abrangentes com todos os principais mercados de exportação. A diversificação reduz as dependências unilaterais”, afirmou a economiesuisse, entidade guarda-chuva que representa as empresas suíças.

As negociações comerciais bem-sucedidas com a China têm sido aclamadas como um grande sucesso pela mídia local, contrastando com o suposto fracasso da diplomacia suíça nos EUA, dos últimos 12 meses.

As mais recentes tarifas dos EUA foram “interpretadas em Berna como um aviso para não se aproximar ainda mais de Pequim”, afirmou o jornal Tages Anzeiger. “No entanto, o Conselho Federal está a sinalizar que não permitirá que ninguém dite com quem o país deve fazer negócios.”

O atual Acordo de Livre Comércio (ALC) entre a Suíça e a China está em vigor desde 2014. A previsão otimista do tratado original era de que garantiria às empresas suíças economizar 290 milhões de francos suíços (359 milhões de dólares) por ano em impostos. Em 2017, a economia real registada foi de apenas 100 milhões de francos.

Enxurrada de burocracia

Ambos os países estão agora dispostos a estabelecer isenções de impostos a uma variedade maior de produtos, principalmente relógios e produtos farmacêuticos. Se aprovado, o novo acordo tornaria 99,8% das exportações suíças isentas de tarifas dentro de dez anos após a sua entrada em vigor, contra os atuais 53,6%. Isso poderia gerar uma economia anual de cerca de 244 milhões de francos suíços, afirma o Ministério da Economia da Suíça.

Os termos finais do acordo comercial serão influenciados por diversos fatores, entre os quais se destacam as chamadas “barreiras técnicas”: uma avalanche de licenças e regulamentações que podem sufocar o comércio.

As barreiras mais comuns são “procedimentos complexos de registo e certificação de produtos, diferenças nas normas e nos requisitos de testes, procedimentos alfandegários e de licenciamento, além de variações na forma como as regulamentações são implementadas localmente”, disse Guillaume Joyet, diretor executivo da Câmara de Comércio Suíço-Chinesa (Swisscham) em Pequim.

As associações setoriais afirmam que precisam de mais detalhes sobre a proposta de atualização do TLC antes de poderem avaliar o progresso nessa área.

A indústria relojoeira suíça seria uma das maiores beneficiadas com a melhoria dos termos do TLC. Todos os relógios suíços ficariam isentos de impostos, mudando completamente o cenário atual, em que apenas 1% dos produtos não é taxado. As tarifas chinesas custam às empresas relojoeiras cerca de 100 milhões de francos suíços por ano, de acordo com os termos atuais do TLC, afirmou a Federação da Indústria Relojoeira Suíça.

Mas outros fatores também precisam ser considerados. Entre o início de 2024 e o final de 2025, as exportações de relógios suíços para a China caíram um terço. “A economia chinesa está a ser afetada por dificuldades no setor imobiliário, que representa uma parcela significativa do PIB”, disse o economista-chefe da federação relojoeira, Philippe Pegorar.

No primeiro semestre deste ano, as vendas de relógios na China caíram 7,1%, um efeito causado “em grande parte pela deterioração do ambiente financeiro e, mais recentemente, pelo aperto fiscal que afetou consumidores de alta renda”, acrescentou Pegorar.

Restrições e obstáculos no caminho

As condições económicas voláteis, tanto no cenário global quanto na China, ajudam a explicar uma queda geral no volume total de comércio entre Suíça e China. Em 2022, as transações somaram 36,3 mil milhões de francos suíços e, no ano passado, caíram para 33,5 mil milhões.

Além da desaceleração do consumo na própria China, a política económica agressiva de Washington procura frear o crescimento da articulação comercial chinesa. Os EUA frequentemente impõem restrições à exportação de tecnologia de ponta para o país — e esperam que o resto do mundo cumpra as mesmas regras.

“Tendo como pano de fundo o conflito comercial em curso entre os EUA e a China, as empresas precisam manter-se bem informadas sobre o ambiente regulatório em todos os mercados relevantes e cumprir os requisitos aplicáveis de controlo de exportação e conformidade”, afirmou um porta-voz da Switzerland Global Enterprise, uma agência governamental que facilita o comércio com outros países.

A proposta de atualização do acordo de livre comércio com a China também corre o risco de ser enfraquecida ou bloqueada pelo parlamento ou pelos eleitores suíços, caso o acordo comercial seja submetido a um referendo popular. Os partidos políticos de esquerda não veem motivo para que as disputas comerciais com os EUA e a UE levem a Suíça cegamente aos braços da China.

Ameaça de referendo

O Partido Verde ameaça levar o assunto para votação popular. “A China monitoriza e persegue as minorias tibetana e uigur na Suíça.

E o trabalho forçado é um problema grave no país”, afirmou a presidente do partido, Lisa Mazzone.

Os social-democratas também exigiram provas de que a China cumprirá as suas promessas de salvaguardar os direitos dos trabalhadores e do meio ambiente.

O andamento arrastado de uma proposta de Acordo de Livre Comércio (ALC) entre os países da EFTA (Suíça, Islândia, Liechtenstein e Noruega) e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — nos relembra de que economia e política estão profundamente entrelaçadas.

Após oito anos de negociações, esse acordo continua paralisado depois que a Câmara dos Deputados rejeitou o TLC em junho. Mesmo que o acordo venha a ser aprovado pelo parlamento, ele também poderá ser contestado por meio de um referendo. In “Swissinfo” - Suíça


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Moçambique - Jessemusse Cacinda lança “Made in Nampula ou Jazz do Oriente” e cumpre digressão cultural pelo Brasil

O escritor e investigador moçambicano Jessemusse Cacinda lançou no Brasil a sua mais recente obra literária, intitulada Made in Nampula ou Jazz do Oriente. Editado pela Nandyala, o livro foi apresentado oficialmente na Universidade de São Paulo (USP) e encontra-se já disponível no mercado brasileiro.

Em Moçambique, a obra está a ser editada pela Ethale Publishing, com chegada prevista aos mercados moçambicano e português.

Com uma proposta que cruza literatura, artes plásticas e  música, o livro reúne oito textos, descritos pelo autor como “peças em fragmento”, acompanhados por 14 telas do artista plástico moçambicano Ruben Zacarias, actualmente radicado na cidade do Porto, Portugal.

A obra aborda temas como o amor, as reviravoltas da vida, a memória do período pós-guerra civil e os desafios sociais, políticos e económicos de Moçambique. As narrativas partem de Nampula e passam por Maputo, Itália e Portugal. O posfácio é assinado pela professora Tania Macedo, da Universidade de São Paulo.

Segundo Jessemusse Cacinda, o título está ligado à sua relação com Nampula, cidade onde nasceu e que considera a sua casa, mas também à forma como a sua experiência local influência a leitura que faz de questões globais.

O lançamento acontece no âmbito de uma digressão cultural e académica de um mês pelo Brasil, que inclui os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Durante a viagem, o escritor tem apresentado a obra em livrarias, bibliotecas, centros culturais e colectivos artísticos.

No Rio de Janeiro, Cacinda proferiu a aula inaugural do Mestrado em Antropologia do Trauma da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ministrou uma aula de escrita criativa para estudantes de Letras da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Na Bahia, o escritor encontra-se a ministrar um curso sobre Afroestéticas Contemporâneas no Campus dos Malês da UNILAB, dando continuidade à sua agenda académica e cultural no Brasil. In “Moz Entretenimento” - Moçambique