Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Óbito

Elsa Rodrigues dos Santos, presidente da Sociedade da Língua Portuguesa, faleceu na quarta-feira, 19/09/2012, em Faro, em cujo hospital fora internada de urgência, vítima de uma súbita infeção generalizada (sepsia). Natural de Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Elsa Rodrigues dos Santos era licenciada em Filologia Românica, com o mestrado em Literaturas Brasileira e Africanas de Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras de Lisboa. Foi professora do ensino secundário e professora convidada da Universidade Lusófona e do Instituto Superior de Ciências Educativas. Autora de várias obras, entre elas As Máscaras Poéticas de Jorge Barbosa e a Mundividência Cabo-Verdiana, de 1989, ou ainda Jorge Barbosa – Poesia Inédita e Dispersa, assinou ainda ensaios e estudos, entre eles trabalhos sobre os poetas Corsino Fortes e Arménio Vieira, centrando grande parte da sua atividade na divulgação de outros autores de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Foi ainda coautora do livro Grandes Dúvidas da Língua Portuguesa. O Ciberdúvidas fica-lhe a dever a sua continuação, graças ao papel que teve, conjuntamente com os seus pares da direção da SLP, depois do desaparecimento de João Carreira Bom. In “Ciberdúvidas da Língua Portuguesa”

                          Em memória de Elsa Rodrigues dos Santos (1939 – 2012)

Agradecimento

“É para mim, subida honra, merecer de V. Excelência Senhor Presidente, tão elevada distinção, ao encerrar a missão que desempenhei à frente do Secretariado Executivo da nossa Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Foram quatro anos de aprendizagem e de descoberta da imensidão e diversidade de riquezas e oportunidades que encerra o conjunto dos nossos países e comunidades. Metade dessa prestação foi exercida sob presidência directa de Portugal e de V. Excelência, não tendo engendrado nenhuma ocasião sem enaltecer a CPLP e o carácter único das relações que unem e animam esta Comunidade.

Pude rejubilar de orgulho e satisfação sempre que acompanhei as intervenções de V. Excelência dedicadas à Política e Relações Internacionais, seja internamente, seja nos fóruns internacionais como o debate da Assembleia Geral das Nações Unidas, no diálogo da Aliança das Civilizações ou na Conferência Ibero Americana.

Exibirei, por isso, esta distinção com a maior alegria e exuberância, pois também representa a distinção que é devida a V. Excelência pela atenção singular que tem devotado aos nossos países e povos.” Domingos Pereira – Guiné Bissau

Discurso do Eng. Domingos Simões Pereira no acto da sua conderação pelo Presidente da República Portuguesa da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.  

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Reconhecimento

O Presidente da República Portuguesa Aníbal Cavaco Silva condecorou, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, o Secretário Executivo cessante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Eng. Domingos Simões Pereira, pelo trabalho desenvolvido à frente da organização, entre os anos de 2008 a 2012. Natural de Farim na Guiné Bissau, O Eng. Domingos Simões Pereira é licenciado em Engenharia Civil e Industrial pelo Instituto de Engenharia de Odessa na Ucrânia e Mestre em Ciências da Engenharia Civil pela Universidade Estatal da Califórnia em Fresno.

Segundo notícias recentes o Eng. Domingos Simões Pereira será candidato à presidência do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), tendo já encetado contactos para criar uma base de apoio à sua candidatura, deslocando-se por várias regiões da Guiné Bissau para auscultar o pensamento crítico junto dos militantes do PAIGC. Baía da Lusofonia

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Nina

Corre nina
Corre nina, menina prendada
P'ra quem do nada lá vem
Corre nina saia arrebitada
Que bem mimada lá vem
Nem dores nem poemas
Só deseja favores
Das flores de andorinha
Do mar e mais amores
Do chiar da carrinha
Só deseja favores
Corre nina olhar de esperança
Que sem lembrança lá vem
Corre nina menina prendada
P'ra quem do nada lá vem
Corre nina saia arrebitada
Que bem mimada lá vem
Quem for pela vida pelo reino do amor
Quem for ser rainha
Mal que vem favor
Mas que coisa mesquinha
Quem é rei e senhor
Corre nina olhar de esperança
Que sem lembrança lá vem
Moura Portugal – Portugal

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Moçambicanidade

“Na Escola Velha foi onde dei o meu primeiro contacto com a moçambicanidade, com a cultura e literatura daquele chão, daquela casa pátria, pois se em nossa casa familiar cantávamos canções portuguesas: “ ó malhão-malhão, que vida é a sua…”. Ali ouvi os primeiros sons do que é uma língua nacional: “ kuli kuli ka ti nova! Kuli kuli ka ti nova…” (De lá, de lá, onde viemos, em tradução literal). Esta situação levar-me-ia à descoberta da minha situação híbrida, miscigenada, pois a cultura moçambicana, um mosaico composto por 42 línguas nacionais ou maternas, é fermento, palco de diferentes tribos, de diferentes identidades raciais e religiões.

A minha condição urbana propiciou que o português seja hoje a minha língua materna. Com uma população estimada em vinte milhões de habitantes, em Moçambique só 39,6% sabe falar português. Apenas 8,8% da população usa o idioma português em casa. De acordo com o último censo, 80,8% da população urbana sabe falar português, mas esta percentagem desce para apenas 36,3% nas áreas rurais. O que significa que enquanto estamos aqui a tratar de lusofonia um grosso número de habitantes certamente nunca ouviu falar de lusofonia.

Também é importante que o saibam, para contextualizar, que 72 por cento de moçambicanos são analfabetos e 54 por cento  navega na pobreza absoluta. Este cenário ilucida que a lusofonia é privilégio de muito poucos. À pequena elite urbana, se impõe o exercício quase titânico de esclarecer o vínculo que faz de nós lusófonos, congregados à comunidade de língua portuguesa.

Na falta de recursos e meios, o denominador comum dos moçambicanos, o que une os moçambicanos, se me permitem, ainda não é a língua portuguesa. É a dança, a música, a poesia, o teatro, o seu mosaico cultural potencialmente adstrito à oralidade. Também a pintura empírica encontrada nos umbrais, nas fachadas das palhotas pelo vasto país, expressa a unicidade na diversidade.

Por outras palavras, se é verdade que um número significativo de cidadãos é espectador da lusofonia, já não o é quanto à sua cultura endógena. Tirando os ritos formais, das comunidades e conferências, a cultura e literatura moçambicanas manifestam-se esporadicamente à volta da fogueira, nos ghetos, nos saraus proverbiais e acústicos transmitidos pelos mais velhos.” Adelino Timóteo - Moçambique

domingo, 16 de setembro de 2012

Amigos

Tenho amigos que não sabem o
quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes
devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais
nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela
se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,
que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar,
embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os
meus amores, mas enlouqueceria
se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem
o quanto são meus amigos e o quanto
minha vida depende de suas existências ....
A alguns deles não procuro, basta-me
saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir
em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com
assiduidade, não posso lhes dizer o
quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão ouvindo esta crônica
e não sabem que estão incluídos na
sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta
que os adoro, embora não declare e
não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem
noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis
ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte
do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do
meu encanto pela vida.

Se um deles morrer,
eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam,
eu rezo pela vida deles.
E me envergonho,
porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos
sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de
lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome
e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite
ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam
ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinícius de Moraes - Brasil

sábado, 15 de setembro de 2012

Ponte

Brasil e Portugal em águas profundas
                                                   
            Quem acompanha a movimentação de carga geral no mundo sabe que a utilização de contêineres só tende a crescer e não há no horizonte nenhum outro meio de armazenagem e transporte para longa distância que possa agregar tanto valor ao produto manufaturado. Esta é uma constatação que pode fazer facilmente quem observa o crescimento do número de encomendas nos estaleiros mundiais por navios que transportam contêineres.

            Entre esses navios encomendados, a procura, na maioria, é por embarcações com calado superior a 14 metros, o que significa que cada vez mais o comércio internacional marítimo exigirá portos bem instalados à beira do oceano, com grande profundidade, que permitam a entrada e a saída de navios especializados na movimentação de contêineres e granéis. E, obviamente, com equipamentos que possam facilitar a utilização plena de toda a capacidade dos navios. É o que se chama hoje na linguagem técnica um porto ou terminal multipurpose (contêineres, granéis sólidos, carga geral e ro-ro).

            No Brasil, a região de Vitória, no Espírito Santo, é aquela que atende, por sua própria natureza, plenamente às exigências para a criação de um porto de águas profundas, o que constituiria uma grande evolução no transporte marítimo, ampliando as possibilidades de o País aumentar a sua participação no comércio global, hoje limitada a 1% de tudo o que é vendido e comprado no mundo. Sem contar que a localização central desse porto na costa brasileira iria permitir, por meio da intermodalidade, facilidades logísticas para a sua integração com os principais polos econômicos do País.

            Ainda que já existam projetos em Vitória pautados por essa ideia, a verdade é que esse porto carece de instalações que permitam o tráfego de embarcações de maior porte, que, como se sabe, diminuem não só os custos de escala como os de movimentação de carga. 

            Por sua localização, quando se pensa em transporte intercontinental entre a América do Sul e a Europa, não se pode deixar de imaginar que Vitória seria a melhor opção para essa “ponte” imaginária com o porto de Sines, em Portugal, igualmente de águas profundas, com profundidade natural de até 28 metros, já dotado de terminais especializados que permitem o movimento de diferentes tipos de mercadorias.

            Hoje, devido às suas características geofísicas, Sines, localizado a 150 quilômetros de Lisboa, constitui a principal porta de entrada de abastecimento energético de Portugal: gás natural, carvão, petróleo e seus derivados. E está dotado de terminais de granéis líquidos, petroquímico, multipurpose, de gás natural liquefeito e de contêineres (Terminal XXI), que começou a operar em 2004.

            Portanto, está na hora de Brasil e Portugal deixarem de lado a retórica que sempre marcou as relações entre os dois países e partirem para projetos de longo prazo que possam produzir resultados práticos, desenvolvendo uma estratégia mútua de cooperação econômica. E uma “ponte” entre Vitória e Sines seria o melhor exemplo dessa nova era de cooperação sempre anunciada, mas nunca viabilizada. Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). Site: www.fiorde.com.br E-mail: fiorde@fiorde.com.br