Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Macau e Malásia têm “enorme potencial” para aprofundar cooperação bilateral

O Chefe do Executivo da RAEM iniciou em Kuala Lumpur a última etapa do périplo pelo Sudeste Asiático, tendo-se reunido com representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio da Malásia. Sam Hou Fai apontou a Malásia como um dos parceiros comerciais mais importantes de Macau na ASEAN


No primeiro dia da sua visita oficial a Kuala Lumpur, Sam Hou Fai reuniu-se ontem com Low Kian Chuan, membro do Senado malaio e presidente do conselho empresarial Malásia-China e vários representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio naquele país. No encontro, foram trocadas impressões sobre o reforço contínuo da cooperação económica e comercial entre Macau e a Malásia.

Na ocasião, Sam Hou Fai salientou que a deslocação do Presidente Xi Jinping à Malásia no ano passado abriu um novo capítulo de “período dourado de 50 anos” para as relações sino-malaias e novas oportunidades de cooperação entre Macau e aquele país do Sudeste Asiático. O Chefe do Executivo referiu que a Malásia é um dos parceiros comerciais mais importantes da RAEM na região da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), e a cooperação entre as duas partes tem sido aprofundada nos domínios da economia, comércio, indústria de convenções e exposições e turismo ao longo dos anos.

Recordou que o território está actualmente empenhado em implementar a estratégia “1+4” para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, desenvolvendo as indústrias de turismo e cultura, medicina tradicional chinesa, actividades financeiras com características próprias de Macau e tecnologia de ponta, “o que se coaduna perfeitamente com a orientação de desenvolvimento da Malásia, existindo um forte potencial para aprofundar a cooperação bilateral”.

De acordo com uma nota oficial, Sam Hou Fai frisou que a inclusão na sua comitiva de um grupo empresarial, composta por representantes de empresas de Macau, Hengqin e do Interior da China, permitirá explorar oportunidades de negócio sob o lema de “Partilhar um barco para navegar em conjunto”. Estas empresas englobam vários domínios, entre os quais economia e comércio, tecnologia, medicina tradicional chinesa, cultura e turismo, bem como indústria halal.

O líder da RAEM espera que possam ser criadas, através de sessões de promoção, bolsas de contacto e assinatura de acordos de cooperação, que resultará “numa ponte de ligação”, a fim de aumentar as oportunidades de cooperação e alcançar benefícios mútuos. Em particular, expressou o desejo de que os representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio na Malásia “potenciem as próprias vantagens e aproveitem as oportunidades decorrentes da integração entre Macau e Hengqin e do aprofundamento contínuo da cooperação entre Macau e a Malásia”.

Por seu turno, o presidente do conselho empresarial Malásia-China sublinhou que as duas partes mantêm contactos frequentes e laços estreitos, indicando ainda que Macau possui uma “plataforma internacional madura” para convenções e exposições, uma rede global de empresários chineses bem como desempenha o papel de “interlocutor de precisão” entre a China e os países de língua portuguesa e é parte importante da Grande Baía. Além disso, Low Kian Chuan disse que o reforço da cooperação económica e comercial entre as empresas malaias e as de Macau e de Hengqin contribui para “expandir de forma eficaz os seus mercados para a Grande Baía e para os países de expressão portuguesa e espanhola.

Na sua perspectiva, a comunidade dos chineses ultramarinos em Macau possui uma base sólida e desempenha um “papel importante na sociedade”. Nesse sentido, pode ajudar os chineses ultramarinos a investir e estabelecer-se em Macau e em Hengqin, e ainda funcionar como “uma ponte ideal para estabelecer ligações e promover a cooperação entre as diferentes partes”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Moçambique - Fundação Fernando Leite Couto inaugura exposição fotográfica dedicada à natureza selvagem africana

A Fundação Fernando Leite Couto inaugurou em Maputo, a exposição fotográfica “Momentos em que a natureza se revela”, de Pedro Couto, numa colecção que reúne imagens captadas ao longo de vários anos em diferentes paisagens e áreas de vida selvagem africana.


A exposição marca a primeira apresentação pública do trabalho fotográfico de Pedro Couto, profissional do Direito e fotógrafo autodidacta, cuja relação com a fotografia nasceu de uma paixão de longa data pela natureza e pela vida selvagem africana.

Nascido na Beira, em 1971, Pedro Couto começou a fotografar ainda antes da era digital, quando as imagens eram registadas em película. Ao longo dos anos, a prática da fotografia ensinou-lhe, como explica, “a arte da paciência, da disciplina e da observação atenta”, competências que se tornaram fundamentais na sua aproximação à natureza.

Mais do que documentar animais ou paisagens, o fotógrafo procura captar encontros espontâneos e momentos irrepetíveis. Cada imagem resulta de uma experiência de observação e espera, respeitando o ritmo próprio da natureza e evitando interferir naquilo que acontece diante da objectiva.

“A maior recompensa não é regressar a casa com uma fotografia, mas ter estado presente quando a natureza decide revelar uma das suas incontáveis histórias”, afirma Pedro Couto.

“Momentos em que a natureza se revela” apresenta, assim, uma perspectiva marcada pela contemplação, pelo respeito e pela consciência de que os diferentes elementos dos ecossistemas estão profundamente interligados. Do pequeno insecto ao maior mamífero, cada ser desempenha uma função no equilíbrio da vida selvagem.

As fotografias apresentadas foram sujeitas apenas aos ajustamentos necessários para recuperar luz, detalhe ou nitidez, mantendo-se, segundo o autor, fiéis às cenas originais. A intenção é preservar não apenas aquilo que foi observado, mas também a experiência e a emoção associadas a cada encontro.

A exposição é igualmente uma homenagem à família do fotógrafo, cujo apoio foi determinante para que uma paixão mantida durante anos no espaço privado pudesse transformar-se numa apresentação pública. As viagens, o tempo dedicado à observação e a espera pelo instante certo foram acompanhados pela confiança e pelo incentivo familiar.

“Cada fotografia desta colecção transporta, por isso, não apenas uma memória da natureza selvagem africana, mas também o amor, a paciência e o incentivo da família que tornou esses momentos possíveis”, escreve o fotógrafo.

Através desta primeira exposição, Pedro Couto pretende partilhar com o público parte da admiração e humildade que experimenta perante a natureza africana, contribuindo também para uma maior valorização da biodiversidade e da responsabilidade colectiva de preservar os ecossistemas para as gerações futuras. In “O País” - Moçambique




quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Angola - Clube de Leitura Handyman volta em acção com análise do livro “A cidade e a infância” de Luandino Vieira

A Biblioteca Contr’Ignorância, localizada no Marçal, acolhe, no dia 19 deste mês, mais uma sessão do projecto “Handyman-Clube de Leitura”, às 14horas. O coordenador, Dilson Maria, declarou que o evento vai reunir críticos literários, amantes da literatura, escritores, estudantes e o público em geral para debaterem a obra de contos “A Cidade e a infância – Uma história sobre a infância e outras experiências de vida”, do escritor Luandino Vieira, escrita entre 1953 e 1986


O responsável do projecto declarou que a escolha da obra literária representa uma oportunidade para aproximar adolescentes e adultos da escrita de Luandino Vieira, criando um diálogo entre leitores de diferentes faixas etárias, por meio de uma obra com um papel fundamental na literatura local.

A narrativa aborda questões ligadas a diferentes áreas de Luanda, desde a infância, memória e às experiências vividas na cidade. “A proposta é simples. Ler um livro e posteriormente encontrar outras pessoas que também o leram para conversar sobre aquilo que a obra despertou em cada um.

O diálogo parte do conteúdo do livro e pode seguir diferentes caminhos a partir das questões, inquietações, experiências e interpretações dos participantes”, esclareceu, enfatizando ainda que a escolha do livro teve em conta a pertinência dos temas abordados, a reconhecida qualidade literária do escritor, de forma a estimular o pensamento crítico dos jovens e o debate colectivo.

O coordenador explicou, igualmente, que o projecto “Handyman” tem como objectivo principal cultivar e manter o hábito de leitura, criando um espaço em que o público possa ler, conversar e partilhar as suas experiências com os livros. Maria Custódia – Angola in “O País”


Cabo Verde - Jorge Carlos Fonseca apresenta duas novas obras literárias este mês na cidade da Praia

Cidade da Praia – O escritor, jurista e antigo Presidente da República Jorge Carlos Fonseca apresenta, em Setembro, na cidade da Praia, duas das suas mais recentes obras, uma de cariz literário e outra jurídica, e ainda, em Outubro, um terceiro título na ilha Brava.


Segundo anunciou o próprio autor, através das redes sociais, a primeira sessão acontece no dia 17 de Setembro, às 17:00, na Biblioteca Nacional, com a apresentação de A Guerra, o Amor, os Versos, uma obra que reúne poesia, prosa poética e crónica literária, editada pela Âncora Editora.

A apresentação estará a cargo de Lígia Dias Fonseca, advogada, e de Francisco Grácio Gonçalves, conhecido também por Lefteris Kablianis, historiador, escritor e educador.

No dia 30 de Setembro, igualmente às 17:00 e na Biblioteca Nacional, Jorge Carlos Fonseca apresenta a segunda edição, revista e aumentada, da obra jurídica O erro em direito penal, em especial no direito penal cabo-verdiano, editada pela Livraria Pedro Cardoso.

A apresentação da obra será feita pela advogada Leida Santos e pelo magistrado do Ministério Público Isaías Varela Moreira.

Para Outubro, o escritor anunciou ainda a apresentação, na ilha Brava, do opúsculo A epiderme da memória – A ilha em mim, uma edição da 7 Sóis 7 Luas, estando a sessão prevista para os dias 18 ou 20, em data ainda por confirmar.

Jorge Carlos Fonseca, antigo Presidente da República de Cabo Verde, tem desenvolvido uma actividade literária paralela à sua carreira jurídica e académica, com obras em diferentes géneros, incluindo poesia, ensaio e textos de natureza jurídica. In “Inforpress” – Cabo Verde


Internacional - Experiência XENON alcança marco histórico na deteção de neutrinos

Um resultado histórico demonstra a capacidade da experiência XENON para detetar eventos ultrarraros e reforça o potencial deste sistema na investigação de neutrinos


Foi divulgado um resultado histórico obtido pela colaboração internacional XENON, que conta, entre os seus coautores, com a equipa portuguesa do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenada por José Matias Lopes.

As medições agora apresentadas permitiram atingir, pela primeira vez, energias de neutrinos tão baixas como 17 keV (quiloeletrões-volt), demonstrando uma capacidade de deteção sem precedentes neste domínio.

Os neutrinos estão entre as partículas mais abundantes do Universo e atravessam continuamente a Terra. Originados, entre outros processos, nas reações nucleares que ocorrem no Sol, milhares de milhões de neutrinos atravessam, a cada segundo, cada centímetro quadrado da superfície terrestre, incluindo os nossos corpos, praticamente sem interagir com a matéria, como luz a passar através de um vidro transparente. Contudo, em ocasiões extremamente raras, um neutrino pode interagir com a matéria e produzir um sinal passível de ser registado por um detetor.

É precisamente a capacidade de identificar sinais desta natureza que torna particularmente relevante o resultado agora alcançado pela colaboração XENON. As medições realizadas permitiram explorar, pela primeira vez, energias de neutrinos tão baixas como 17 keV, abrindo novas possibilidades para o estudo destas interações raras.

Instalada no Laboratori Nazionale del Gran Sasso (LNGS), em Itália, a cerca de 1300 metros de profundidade, a experiência XENON foi concebida para a procura de matéria escura. Ao longo das últimas décadas, tem desenvolvido e operado sistemas de deteção capazes de identificar sinais extremamente raros.

Os resultados agora divulgados, em conjunto com medições anteriores, confirmam a capacidade do sistema XENON para detetar outros eventos ultrarraros, incluindo interações de neutrinos.

Este resultado evidencia, assim, o potencial dos sistemas de deteção XENON para investigar fenómenos extremamente raros. É o resultado de mais de duas décadas de desenvolvimento tecnológico de ponta que permitiram à colaboração XENON notabilizar-se consistentemente pelos detetores com mais baixos níveis de radiação de fundo (ruído, em linguagem comum) de toda a história humana.

Ao tornar possível observar sinais cada vez mais ténues, estes instrumentos desenvolvidos para a procura de matéria escura afirmam-se, também, como ferramentas de referência no estudo de outras partículas e de fenómenos fundamentais do Universo.

Os resultados encontram-se publicados aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


Brasil – Supremo Tribunal Federal virou rinha de galos

De repente, o Supremo Tribunal Federal (STF) virou arena de rinha de galos com o estreante ainda inexperiente enfrentando o experiente galo de temidas esporas. Chovem as apostas. Em volta da arena, metade dos espectadores está de joelhos, lembrando os meses em que os chamados patriotas acamparam na frente dos quartéis pedindo intervenção divina junto aos generais.

Numa alegoria, assim poderia ser representada a atual crise institucional no STF, deflagrada pelo mais recente ministro, André Mendonça contra o veterano Alexandre de Moraes. Quem tem acompanhado os vídeos divulgados pela imprensa mostrando as intervenções de ambos nos debates do STF, com poltronas vizinhas, podendo quase se tocar, já percebeu a animosidade existente entre os dois.

Mas a entrada de um e outro no STF deveria ser motivo de aproximação e não de rejeição. Alexandre de Moraes foi indicado por Michel Temer, que chegou à presidência com o que os progressistas e a esquerda consideram como golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. André Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro, difamador das urnas eletrônicas, defensor da tortura, anti-vacinas, misógino, racista e articulador de um Golpe, antes e depois de perder as eleições presidenciais.

Uma cena que viralizou na Internet, mostra André Mendonça negando e ironizando ter havido tentativa de golpe nos ataques aos Três Poderes em Brasília, no 8 de janeiro de 2023. A resposta de Moraes foi dura e ferina, criticando Mendonça por defender os golpistas e o golpismo dentro do STF.

Apesar de ter sido indicado por Temer, o ministro Alexandre de Moraes se tornou, nos últimos anos, o grande defensor da democracia ao enfrentar juridicamente a tentativa de golpe bolsonarista e ao condenar à prisão todos os envolvidos. No sentido inverso está André Mendonça, cuja formação religiosa fundamentalista vem da igreja presbiteriana de Santos, pioneira no processo de politização religiosa ao aderir ao golpe militar de 1964, seguindo seu antigo pastor Boanerges Ribeiro, que se tornou presidente do Supremo Concílio, precedendo nisso aos evangélicos neopentecostais e assembleias de Deus.

A esse respeito, publiquei no Observatório da Imprensa um longo texto sobre a influência da Igreja Presbiteriana do Brasil na contenção e mesmo perseguição das correntes progressistas defendidas por pastores e seminaristas favoráveis às reformas de base popularizadas na década 1960.

É por esse prisma da intervenção político-religiosa, presbiteriana e evangélica em geral, que se pode entender a pregação do "pastor" André Mendonça na igreja de Silas Malafaia, logo depois de ter sido eleito como "ministro" do STF. Ao se declarar beaticamente como "escolhido de Deus", Mendonça dava o tom de assumir como uma missão religiosa sua eleição como ministro do STF. Essa influência fundamentalista e mesmo seu porte de devoto, aparecem num texto da Folha, no qual diz só ter estudado Direito para agradar seus pais.

Num outro trecho de pregação, citado pela Folha, Mendonça fez uma declaração ambígua e duvidosa sobre Aids e pandemia, criticando quem pensa ver só na ciência a resposta a essa doença.

Resumindo, enquanto aguardamos o desenrolar do choque Mendonça - Moraes, vazamentos e encontros de ambos com Vorcaro, nos fica a impressão de haver em Mendonça a missão ou a intenção de proteger a imagem de Flávio Bolsonaro, preferindo usar do conta-gotas para bater no Lulinha e Moraes, adiando, talvez para depois das eleições, a questão do financiamento por Daniel Vorcaro do filme Dark Horse, cuja tradução mais apropriada, nesta altura, seria Pangaré. Rui Martins – Suíça 

__________

Rui Martins, é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Cabo Verde - Programa KORDA aposta na formação e intercâmbio para dinamizar artes performativas

Cidade da Praia – O programa KORDA pretende reforçar a formação de jovens e crianças e aumentar a oferta de espectáculos de artes performativas em Cabo Verde, através de intercâmbios entre artistas cabo-verdianos e estrangeiros, disse a organização.


A iniciativa integra uma das linhas de programação da plataforma Kontornu, dedicada à dança e às artes performativas, e surge da necessidade de promover actividades para além do Festival Kontornu, principal evento da plataforma, realizado anualmente no mês de Maio.

“Temos de combater isso e, através desse programa KORDA, que no fundo é criar um laço, uma ponte entre Cabo Verde e artistas do mundo todo”, explicou, em declarações à Inforpress, o director da plataforma Kontornu, Djam Neguin, defendendo uma programação artística mais regular ao longo do ano.

A primeira edição do programa conta com os artistas brasileiros Ricardo Aparecido e Karla Mendes e resulta de uma candidatura ao Programa Funarte de Conexões Internacionais, através do qual o Ministério da Cultura do Brasil apoia artistas brasileiros na realização de intercâmbios internacionais.

No âmbito do intercâmbio, Ricardo Aparecido, cuja prática artística cruza dança contemporânea e capoeira, trabalhou com mais de 20 crianças de um grupo de capoeira de Ponta d’Água, na cidade da Praia, num workshop gratuito.

A programação contempla ainda momentos de intercâmbio com praticantes de capoeira, assim como um workshop orientado por Karla Mendes, marcado para 03 de Setembro e dirigido sobretudo a jovens ligados a grupos de dança afro.

O ponto considerado alto da programação está agendado para 04 de Setembro, com um espectáculo que permitirá ao público contactar com outras propostas e linguagens ligadas à dança e às artes performativas.

Para os promotores, a componente formativa assume particular importância num contexto em que Cabo Verde ainda enfrenta limitações na oferta de formação especializada e de espectáculos regulares neste domínio.

“Acreditamos que cada vez que há uma possibilidade de aprender mais, aumentamos as nossas capacidades como criadores”, sustentou o director, acrescentando que proporcionar ao público o contacto com “outros espectáculos” e “outras formas de dançar” contribui igualmente para o desenvolvimento do sector.

Na perspectiva dos promotores, programas desta natureza beneficiam tanto os criadores como a própria cidade, sobretudo pela possibilidade de formação de jovens e crianças e pela diversificação da oferta cultural.

“Sabemos que não temos escola de formação, sabemos que não temos oferta de espectáculos na área das artes performativas. Então, cada vez que acontece um programa como este, a cidade sai a ganhar e a área artística sai a ganhar”, salientou Djam Neguin.

A organização pretende dar continuidade ao KORDA, embora reconheça que a realização das próximas edições dependerá da capacidade de estabelecer parcerias e de acolher artistas que consigam financiamento para as suas deslocações, uma vez que a estrutura não dispõe de financiamento permanente.

As actividades desta edição são gratuitas, opção que, segundo os promotores, está relacionada com a aposta na formação de públicos e na inclusão de jovens e crianças que nem sempre dispõem de condições financeiras para participar em iniciativas culturais.

O programa KORDA decorre entre 27 de Agosto e 09 de Setembro e conta com o apoio de entidades cabo-verdianas, brasileiras e portuguesas. In “Inforpress” Cabo Verde