Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 11 de julho de 2020

Brasil - O Mico-leão-dourado ainda resiste à extinção



É uma das espécies de primatas mais ameaçadas. A população reduzida e o habitat fragmentado impedem o crescimento da população. Nativo das florestas tropicais brasileiras restam apenas 2 a 3% do seu habitat original. É uma espécie incluída no apêndice I da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção).

A febre amarela está a colocar em risco a recuperação do Mico-leão-dourado. Em maio de 2018, a primeira morte de um exemplar da espécie foi registada no ambiente natural após um surto da doença no Brasil. Cerca de 32% da população desapareceram no ano seguinte. Segundo os especialistas, a doença pode fazer retroceder em trinta anos os esforços de conservação da espécie.

A pelagem é dourada com uma longa juba da mesma cor. O pelo é sedoso e brilhante. Machos e fêmeas são semelhantes. A cauda e as patas anteriores podem ter pelagem castanha ou negra. Tem unhas em forma de garra como adaptação à obtenção de alimento.

Vive em pequenos grupos familiares em que há apenas um par reprodutor, sendo este o casal dominante. Prefere a copa das árvores entre os 3 e os 10 metros de altura e dorme em grupo numa cavidade natural de um tronco. Usa uma grande diversidade de vocalizações para comunicar.

O Mico-leão-dourado pode reproduzir-se uma ou duas vezes por ano e os períodos de reprodução vão de setembro a novembro e de janeiro a março. Não há diferenciação de cor e tamanho entre machos e fêmeas e, quando nascem as crias, tanto o pai quanto a mãe ajudam na criação. In “Green Savers Sapo” - Portugal

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Vietname - Um dos primatas mais bonitos do mundo e está em perigo de extinção



Atualmente, mais de metade (60%) das espécies de primatas estão em risco de extinção, e 75% das suas populações continuam a diminuir. É muito importante reunir esforços para conservar os seus habitats e preservar a biodiversidade do Planeta.

O Douc-de-Canelas vermelhas, de nome científico Pygathrix nemaeus é uma espécie de macaco nativo do Vietname, de Laos e do Cambodja. Atualmente estima-se que viva apenas na Península Son Tra no Vietname. É um dos primatas mais bonitos do mundo, e também um dos mais coloridos.

O macho pesa cerca de 10 quilogramas, enquanto que a fêmea apenas 3,6 quilogramas. A sua pelugem tem tons castanhos, brancos e cinzentos, e junto ao focinho vêm-se mais tons amarelados e cor de laranja. Esta junção de cores com os olhos escuros esbugalhados, dão-lhe um ar amigável.

A população da espécie encontra-se em perigo de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), tendo reduzido para 50% nos últimos 30 anos. As principais causas para este efeito são a desflorestação e a caça ilegal. In “Green Savers Sapo” - Portugal



quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Portugal - Inteligência Artificial aplicada ao estudo da Vida Selvagem

Uma equipa de cientistas, do Primate Models Lab da Universidade de Oxford (Reino Unido) e do Centre for Functional Ecology da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveu um software inovador baseado em Inteligência Artificial (IA) para deteção e reconhecimento de rostos de primatas em ambiente selvagem.



A partir de agora, lê-se no artigo científico com os resultados da investigação publicado esta quarta-feira na revista "Science Advances", cientistas e conservacionistas da vida selvagem vão conseguir poupar bastante tempo e recursos na análise de vídeo recorrendo à Inteligência Artificial.

O novo software, desenvolvido durante dois anos, usa os últimos avanços de “Deep Learning” (aprendizagem profunda, em português, uma área da Inteligência Artificial), para detetar, rastrear e reconhecer os rostos individuais de chimpanzés na natureza, juntamente com um conjunto de ferramentas gratuitas que permitem a outros investigadores identificar vídeos e treinar o software com os seus próprios conjuntos de dados.

Este estudo é o primeiro a rastrear e reconhecer continuamente indivíduos numa ampla variedade de poses, e executa com alta precisão vídeos mais complexos, caracterizados por condições naturais variáveis, como baixa iluminação, baixa qualidade de imagem e desfoque do movimento. O modelo computacional foi treinado utilizando mais de 10 milhões de imagens de rosto de chimpanzés selvagens na Guiné Conacri, do arquivo de vídeo da Universidade de Quioto. 

Considerando que as abordagens existentes, como visitas de campo para recolha de dados e análise manual, consomem demasiado tempo e recursos, a primatóloga Susana Carvalho, coordenadora da investigação e orientadora de Daniel Schofield (primeiro autor do artigo), assinala três grandes mais-valias da nova ferramenta: «a primeira é possibilitar análises de volumes enormes de vídeos de animais diretamente. Houve muitas tentativas anteriores de conseguir esta identificação automática de indivíduos, mas nunca foi possível superar os desafios dos vídeos que fazemos em habitat natural, com mudanças de luz, de zooms, variação na qualidade ao longo do tempo, e muito mais. Tudo o que se fez antes foi feito ou em cativeiro, ou a partir de fotos - nunca de raw vídeos como é o caso do nosso trabalho».

No caso dos chimpanzés, exemplifica, «em que muitas comunidades têm sido estudadas em África nos últimos 40 anos, imagine-se o tesouro científico, o potencial acumulado em milhões de vídeos arquivados, que guardam informação sobre os mesmos chimpanzés desde a infância até à idade adulta? Processar este volume de forma manual é quase impossível, mas com as ferramentas que criámos, é possível automatizar uma parte desse trabalho».

A segunda vantagem «é que, ao automatizar a identificação de indivíduos, obtém-se também a automação das redes sociais desses indivíduos no seu grupo (produzindo automaticamente as chamadas Social Network Analysis). Com isso conseguimos ver a posição do indivíduo no seu grupo, ao longo dos anos - como indica o artigo, os indivíduos mais velhos do nosso grupo de Bossou mostram mais isolamento e distância relativamente ao grupo à medida que envelhecem», diz a primatóloga do Centre for Functional Ecology da FCTUC e coordenadora do Primate Models Lab da Universidade de Oxford.

Por último, outro grande benefício, «talvez o mais importante, é o imenso potencial que isto abre para aplicações no trabalho de conservação de animais, particularmente em primatas (embora o nosso sistema possa ser adaptado a outras espécies), existe um potencial enorme para identificação de indivíduos, contagem automática de indivíduos em cada frame, etc.», nota Susana Carvalho.

Embora o estudo se tenha focado nos chimpanzés, os autores acreditam que o software e as ferramentas fornecidas possam ser aplicados a outras espécies e que ajudem a impulsionar a adoção de sistemas de Inteligência Artificial para resolver uma série de problemas nas ciências da vida selvagem.

Aliás, Susana Carvalho frisa que o projeto não termina aqui: «continuamos a trabalhar com o "Vision Group', liderado pelo Prof. Andrew Zisserman, da Faculdade de Engenharia em Oxford, onde estamos a desenvolver o mesmo sistema para outros primatas, designadamente babuínos do Parque da Gorongosa, e a dar os primeiros passos para automatizar análise de comportamentos a partir de vídeos, isso seria outro passo gigantesco para o campo de análise e evolução de comportamento de animais». Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

Imagens e demonstração do software estão disponíveis: aqui