Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 28 de outubro de 2025

CPLP - Debate reforço da cooperação em defesa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) iniciou, nesta terça-feira, na Vila Ponta do Ouro, em Maputo, a XXII Reunião de Directores da Política de Defesa ou Equiparados, com o objectivo de reforçar a cooperação estratégica no domínio da defesa e preparar propostas a submeter à próxima reunião dos Ministros da Defesa da organização.


O encontro, que decorre até amanhã, junta representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, bem como o Secretariado Permanente para os Assuntos de Defesa e o Centro de Análise Estratégica da CPLP.

A delegação moçambicana é chefiada pelo Brigadeiro Anastácio Zaqueu Barassa, Director Nacional de Política de Defesa, acompanhado pelo Coronel Assane Cachimo, Oficial de Cooperação do Estado-Maior General, e pela Major Marta António Jorge Muando Licussa, Chefe do Departamento de Relações Multilaterais.

Na sua intervenção, o Brigadeiro Barassa referiu que o encontro decorre num contexto internacional desafiante, marcado pela instabilidade geopolítica, pelo terrorismo e pelas alterações climáticas. Estes factores, segundo afirmou, exigem maior coordenação estratégica entre os países da CPLP, tendo realçado a importância do reforço da cooperação multilateral para a consolidação da segurança colectiva e promoção da paz e do desenvolvimento sustentável.

A agenda de trabalhos inclui a análise do ponto de situação da 3.ª Reunião dos Serviços de Informações Militares, da implementação do Plano de Acção 1325 sobre a Agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, do balanço das formações realizadas no Colégio de Defesa e no Curso CIMIC, bem como a apreciação da proposta de revisão dos estatutos e do regimento do Centro de Análise Estratégica da CPLP.

Consta igualmente da agenda a calendarização das actividades conjuntas para 2026, com destaque para o Exercício FELINO, considerado um dos principais marcos da cooperação multilateral entre as Forças Armadas dos países de língua portuguesa. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Guiné-Bissau – Presidente da República novamente de visita a Moscovo

Líderes africanos são hóspedes frequentes no Kremlin, em Moscovo. No entanto, o presidente da Guiné-Bissau, Sissoco Embalo, pode ser considerado um verdadeiro recordista. Ultimamente tem vindo todos os anos à Rússia



O Presidente Umaro Sissoco Embalo está por estes dias em Moscovo na procura de apoio para o desenvolvimento da Guiné-Bissau, um dos países mais pobres do mundo, enquanto marca uma posição contra o isolamento ocidental da Federação Russa.

Com esta deslocação à capital da Rússia, Sissoco Embalo, que foi recebido por Vladimir Putin no Kremlin, deixa perceber que o seu país não teme desafiar a norma ocidental de isolamento a que o país está a ser sujeito devido à guerra com a Ucrânia nem teme desafiar opções opostas de parceiros da CPLP, como Portugal.

Além disso, Bissau parece claramente apostada em seguir um caminho com semelhanças ao que está a ser feito pelos vizinhos da África Ocidental, Burquina Faso, Mali e Níger, e, de alguma forma, a Guiné-Conacri, de uma aproximação estratégica à Rússia.

Com um subdesenvolvimento crónico, a Guiné-Bissau, segundo fontes do Novo Jornal na capital guineense, está consciente de que a sua proximidade aos países ocidentais, nomeadamente Portugal, antiga potência colonial, e à União Europeia não resolve os seus problemas estruturais.

O país precisa urgentemente de investimento externo e os europeus não se têm mostrado abertos a fazê-lo, estando agora Sissoco Embalo a enveredar por uma alternativa, virando-se para a Rússia e a China, que já é um parceiro da linha da frente.

No encontro com Putin no Kremlin, o Chefe de Estado guineense, segundo a TASS, apresentou como áreas estratégicas para o investimento russo os recursos minerais, a agricultura, energia, pescas e infra-estruturas.

A Guiné-Bissau tem uma posição estratégica na costa da África Ocidental com uma larga abertura para o Atlântico, que permite a exploração de gigantescas áreas de pesca e que conta com indícios fortes da presença de reservas consideráveis de hidrocarbonetos.

Mas é na área da geopolítica que Bissau tem mais para oferecer a Moscovo, que já tem na região aliados de peso, somando-se ainda a melhoria das relações, além do Burquina, Mali e Níger, com Conacri e com o Senegal...

Além disso, existe um antigo desejo de ligar o Mali, e, por inerência de alianças regionais, o Burquina e o Níger, ao mar, por estrada e ferrovia, com um eventual desenvolvimento do porto de águas profundas de Buba.

E Umaro Sissoco Embalo não tem escondido que esse projecto está entre as suas prioridades de longo prazo desde que tenha condições para o executar, sendo esta a oportunidade, aproveitando as alianças estratégicas na região com a Rússia.

Devido à sua localização geográfica, esta infra-estrutura, que é um projecto com décadas, vindo mesmo do tempo colonial, devido às condições naturais da área de futura criação do porto de águas profundas, exigira sempre acordos de natureza sub-regional, porque entre o Mali e a Guiné-Bissau estão os territórios do Senegal ou da Guiné-Conacri.

No decurso do encontro no Kremlin entre os dois Presidentes, o russo lembrou que em 2024, as trocas comerciais entre a Rússia e o continente africano cresceram 10%, o que deixa perceber que existe um empenho dos dois lados para que tal aconteça.

Mas Putin disse ainda, segundo a agência de notícias, que "as relações comerciais entre os dois países requerem seguramente uma atenção cuidada de ambas as partes", mostrando, todavia, abertura para que estas tenham em breve um forte incremento.

"Existem bons alicerces e boas oportunidades para esse momento, e muitas das empresas estão viradas para aproveitar as oportunidades que se lhes apresentarem nos mercados africanos e na Guiné-Bissau seguramente", avançou o chefe do Kremlin.

Sissoco Embalo não foi parco em garantias de interesse no aprofundamento das relações entre os dois países: "Estou aqui para reafirmar a solidez das nossas relações de amizade, porque esta é uma ligação de fraternidade que sempre existiu".

Quando Putin diz que este reforço da parceria tem de ser cuidadosamente analisado, provavelmente tem em consideração que a situação política interna na Guiné-Bissau é, como há décadas, tensa, e desta feita, muito por causa da urgência da realização de eleições como fim do mandato do actual Presidente.

A oposição diz que o mandato terminou esta semana e a Presidência, com o apoio do Tribunal Supremo aponta essa data para o início de Setembro.

Várias personalidades em Bissau acusam o Presidente de tentar encontrar em Moscovo algum tipo de apoio para o prolongamento ilegal do seu mandato, o que será difícil de conseguir, visto que Putin tem actualmente uma situação com algumas semelhanças na Ucrânia, país com quem a Rússia está em guerra e cujo Presidente, Volodymyr Zelensky, o Kremlin acusa de sofrer de legitimidade democrática porque as eleições deveriam ter tido lugar em Maio de 2024, tendo estas sido proteladas no âmbito da Lei Marcial em vigor no país. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal” com “MK”


segunda-feira, 24 de abril de 2023

Portugal - Universidade de Macau e Universidade de Lisboa selam acordo de cooperação estratégica

O Chefe do Executivo da RAEM testemunhou na sexta-feira em Lisboa a assinatura de um Acordo-Quadro para a Cooperação Estratégica entre a Universidade de Macau (UM) e a Universidade de Lisboa (UL), que vai abrir um novo capítulo no relacionamento entre as duas instituições que já têm uma “colaboração de longa data”, conforme destacou Rui Martins, vice-reitor para os Assuntos Globais da UM, no final da cerimónia.


Este acordo, que foi assinado pelos reitores da UM e UL, respectivamente Song Yonghua e Luís Ferreira, “permite uma colaboração mais apertada, nomeadamente em áreas importantes como a oceanografia, microelectrónica e robótica, em que a UM oferece 20 bolsas para alunos de doutoramento, pós-doutoramento e ‘visiting scholars’ [professores visitantes]”, explicou Rui Martins.

Atribuídas durante três anos, “de uma forma competitiva”, estas bolsas permitem que alunos ou doutorados da UL nas referidas áreas possam trabalhar em Macau em “condições muito favoráveis”, acrescentou.

Durante a cerimónia, foi ainda apresentada “uma colaboração de longa data” com uma empresa que é um ‘spin-off’ da UL, a Technophage, para a qual a UM licenciou uma patente na área da medicina chinesa para a doença de Parkinson, que será no próximo ano aprovada como um produto de suplemento de alimentação na União Europeia”, esclareceu o vice-reitor. Segundo Rui Martins, esta colaboração iniciou-se em 2014, por ocasião de uma visita de Cavaco Silva, então Presidente português, ao campus da UM. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau