Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Moçambique - Maria de Lurdes Mutola organiza légua para evocar centenário de José Craveirinha


Uma grande figura, uma homenagem à sua dimensão. No ano em que se assinala o centenário do nascimento do poeta José Craveirinha (passado dia 28 de Maio), Maria de Lurdes Mutola não ficou indiferente à efeméride.

Influenciada pelo primeiro moçambicano a vencer o Prémio Camões e que a desviou do futebol para o atletismo, modalidade em que viria a brilhar e tornar-se campeã olímpica, Lurdes Mutola não quis deixar passar este momento de evocação ao poeta-mor.

É neste sentido que, no próximo dia 16 de Julho, a Fundação Lurdes Mutola, da qual é patrona, vai organizar uma légua que terá como ponto de partida e chegada a Praça da Independência.

E porque José Craveirinha teve “olho de lince” ao descobri-la e lançá-la para o atletismo pela mão do filho Stélio Craveirinha, a campeã olímpica e mundial dos 800 metros faz mesmo questão de participar activamente nesta légua como uma das corredoras.

A apresentação deste evento, que se espera que seja de grande dimensão, está prevista para esta quinta-feira, 2 de Junho, na capital do país.

Mutola, de resto, não deixou de recordar o papel fundamental que José Craveirinha teve para a sua afirmação ao nível mundial. Falando na I Conferência Internacional Centenário José Craveirinha, evento promovido pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), Lurdes Mutola, visivelmente emocionada, recordou: “Craveirinha não foi só poeta, mas alguém que serviu de pai e tutor e que, sem o qual eu não teria todo este sucesso”.

Craveirinha identificou, desde logo, no bairro do Chamanculo, talento na menina de ouro. Fez, por isso, as démarches para que deixasse o atletismo e abraçasse o futebol. Mutola acenou positivamente, mas quis desistir devido às exigências da modalidade. Todavia, Craveirinha insistiu-a e teve um grande papel na ascensão da única atleta moçambicana a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos.

“Quando o vi, não acreditei e, a partir daquele momento, mudei de mentalidade. Fomos à minha casa para falar com o meu pai e explicar o que pretendia, assim, foi-lhe dada a liberdade de ser meu tutor. Comecei a entender que, afinal de contas, parece que tenho um pouco de talento e dediquei-me até chegar ao topo”, recordou Lurdes Mutola.

De resto, como Renato Caldeira, o decano do jornalismo desportivo moçambicano, retratou em palavras ao “O País”, Stélio Craveirinha sentenciou: “Esta menina que me trouxeste é ouro, pai! Logo nos primeiros treinos, obteve marcas que não estão ao alcance de qualquer uma!”, lê-se no artigo publicado a 12 de Outubro de 2020.

Caldeira, que acompanhou a carreira de Lurdes Mutola, refere que foi a partir desta constatação feita por Stélio, então treinador do Desportivo, que surgiu, por parte do pai, a insistência para que Mutola optasse e apostasse no atletismo. A partir daí, ela participou em maratonas locais, colocando-se, muitas vezes, à frente de atletas masculinos. Depois ganhou algumas provas na nossa Zona.

Sempre com Stélio a orientar, foi à Olimpíada de Seul, em 1988, ainda sem grande notoriedade. Seguiu-se o desafio norte-americano, a partir do qual Lurdes venceu marcas e medos.

Stélio, com a paixão de sempre, abraçou outros projectos, na primeira linha dos quais surgiu uma outra estrela: Argentina da Glória. No Mundial de Estugarda, Alemanha, 1993, não fosse um tropeção desta e tê-la-íamos no pódio, para além do ouro de Mutola, uma outra medalha para o nosso país, tal era a forma e o momento da nova coqueluche nacional. In “O País” - Moçambique


 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Portugal - Conquista primeira medalha de ouro europeia em lançamentos

A portuguesa Auriol Dongmo conquistou a medalha de ouro do lançamento do peso nos Campeonatos da Europa de atletismo de pista coberta, que se estão a disputar em Torun, Polónia


Dongmo venceu na final com um arremesso de 19,34 metros, num concurso em que atirou sempre a mais de 19 metros, tirando o primeiro e o último, que foram nulos.

A medalha de prata foi para a sueca Fanny Roos, com 19,29, e a de bronze para a alemã Christina Schwanitz, com 19,04.

O triunfo de Auriol Dongmo em Torun eleva para 24 as medalhas que Portugal já conquistou em Campeonatos da Europa em pista coberta, sendo a primeira de sempre em lançamentos.

A maioria de medalhas de ouro fica ainda mais reforçada, com 13, contra nove de prata e somente duas de bronze.

O meio-fundo curto (800, 1500 e 3000 metros) ainda domina, com 13 medalhas, seguido pelos saltos, com oito. Uma medalha apenas para a velocidade, com Francis Obikwelu, uma para as provas combinadas, através de Naide Gomes, e agora uma para os lançamentos, com Dongmo.

O único atleta português com três títulos continentais é Rui Silva, mais um do que Fernanda Ribeiro, Nelson Évora e Naide Gomes, que contribuem com dois cada para o total luso de ouro.

Estes quatro atletas e Carla Sacramento são os mais medalhados de sempre nesta competição, assegurando mais de 70 por cento dos pódios a que Portugal chegou: Rui Silva e Naide Gomes com quatro cada, Carla Sacramento, Nelson Évora e Fernanda Ribeiro com três.

Sara Moreira, com duas medalhas, João Campos, Carlos Calado, Francis Obikwelu, Patrícia Mamona e Auriol Dongmo completam a lista de 11 atletas que já trouxeram para Portugal medalhas em Campeonatos da Europa em pista coberta.

Em 1990 há ainda a registar a conquista de uma medalha de bronze no triplo salto feminino, através de Ana Oliveira, mas a prova era de exibição, porque a modalidade ainda não fazia parte do calendário oficial para as mulheres. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


 

sábado, 16 de janeiro de 2021

São Tomé e Príncipe - Agate Sousa, uma atleta do salto em comprimento com marca mundial


Lisboa – A jovem atleta São-tomense, Agate Sousa, superou no passado domingo, em Lisboa, a barreira de 6,68 cm no salto em comprimento, marca que a coloca entre as melhores da actualidade mundial, – informou a Federação de Atletismo de São Tomé e Príncipe.

Agate cometeu esta proeza num meeting desportivo denominado “Mário Moniz”, que no âmbito do comprimento saltou 6,68 cm, marca que a catapultou para as melhores do mundo na modalidade.

Ao atingir este patamar, a jovem promessa de São Tomé e Príncipe, atleta do Grupo de Atletismo de Fátima (de Portugal), está perto de alcançar o seu principal objectivo, que é a presença nos próximos Jogos Olímpicos / Tóquio-2021, ao estabelecer o novo recorde nacional, e a melhor marca mundial do presente ano de 2021, 6,68 cm, marca que só está ao alcance das melhores.

Com esta marca, na disciplina de salto em comprimento, organizada pela Associação de Atletismo de Lisboa, a mesma atleta fica à 14 centímetros de alcançar os mínimos para o Tóquio 2021.

“Sabemos do valor da Agate, e acreditamos que ela [Agate] vai conseguir superar os centímetros que faltam para conseguir uma vaga nos próximos Jogos Olímpicos [de 2021, em Tokio]. Vamos torcer e saltar com ela nas próximas provas”, concluiu a Federação São-tomense da modalidade.

A marca estabelecida pela Agate Sousa teve eco em vários pontos do planeta, com destaque para São Tomé e Príncipe, com diversas reacções por parte do Comité Olímpico de São Tomé e Príncipe, Federação de Atletismo de São Tomé e Príncipe, seu antigo treinador, familiares e amigos mais próximos. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP Press”


 

sábado, 28 de setembro de 2019

Internacional - "Ele só fala inglês e eu só falo português, mas percebi na chegada que me tinha agradecido"

O guineense Braima Dabó congratulou-se hoje por ter ajudado Jonathan Busby, de Aruba, a terminar a prova eliminatória dos 5000 metros no dia inaugural dos Campeonatos do Mundo de atletismo, no Qatar



"Sinto-me orgulhoso por representar o meu país ao mais alto nível, apesar de não ter batido o meu recorde pessoal. Já vinha a sofrer quando faltavam três voltas e percebi que essa meta estava fora do meu alcance. Tinha as pernas pesadas e estava a custar-me bastante fazer a última volta, mas, quando reparei que ele precisava de ajuda, fiz o que qualquer um estaria disposto a fazer naquela posição", reconheceu à agência Lusa o atleta do Maia Atlético Clube, após a prova decorrida na sexta-feira no Estádio Internacional Khalifa, em Doha.

Braima Dabó e Jonathan Busby eram os únicos representantes dos respetivos países na 17.ª edição dos Mundiais, devido às quotas atribuídas pela Federação Internacional de Atletismo, e partiram sem expectativas de alcançar a final dos 5000 metros, tendo descolado com naturalidade do pelotão.

A cerca de 250 metros do fim, o atleta natural de uma pequena ilha das Caraíbas denotou sinais de quebra física e dificuldades em manter-se de pé, ao ponto de o guineense ter recuado para amparar o adversário e carregá-lo até à meta, sacrificando a sua própria prova, numa lição de desportivismo reconhecida além fronteiras.

"Estivemos juntos no dia em que cheguei ao hotel, hoje cumprimentámo-nos na câmara de chamada e depois do tiro da partida nunca mais consegui falar com ele. Deu-me sempre algum avanço até àquele momento. Ele só fala inglês e eu só falo português, mas percebi na chegada que me tinha agradecido", contou.

Os dois atletas foram últimos, superando os 18 minutos, e o arubano até recebeu ordem de desqualificação, numa corrida ganha pelo etíope Selemon Barega (13.24,69 minutos), mas ambos acabaram ovacionados pelos adeptos presentes num recinto que ameniza a temperatura devido a um sistema de refrigeração.

Apesar do clima desértico ser inevitável para quem está hospedado em Doha, Braima Dabó, que aterrou no Qatar na terça-feira, admite que o forte calor e humidade podem ter "condicionado" o desempenho de Jonathan Busby, mesmo se a "temperatura no interior do estádio estava razoável".

"Quando cheguei aqui, saí do aeroporto para entrar no autocarro e apanhei um susto por causa da temperatura. Na Guiné-Bissau não chega a metade disto e os 35º celsius de lá não são comparáveis aos 30º daqui", estabeleceu.

Braima Suncar Dabó, de 26 anos, vive em Portugal desde 2011, ao abrigo de um projeto criado pela organização não governamental "Na Rota dos Povos", que apoia o desenvolvimento dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) fora dos grandes centros populacionais, em zonas carenciadas ao nível da educação e formação cultural.

"Agora vou voltar a Portugal para terminar a minha licenciatura em Gestão no Instituto Politécnico de Bragança e depois quero regressar ao meu país, que não visito há oito anos. Estou cá sem os meus familiares, mas as pessoas que me rodeiam dão carinho e conforto para poder sentir-me em casa", referiu.

Natural de Catió, capital da região de Tombali, Braima Dabó intensificou o gosto pelo atletismo em 2014 e desloca-se aos fins de semana à Maia para treinar sob orientação de José Regalo, que já foi um dos melhores corredores lusos de 5000 metros, movido pelo "sonho" de "ter uma marca" que abra a porta dos Jogos Olímpicos. In “Sapo 24” com “MadreMedia / Lusa”

quarta-feira, 27 de junho de 2018

São Tomé e Príncipe – Pela primeira vez uma pista de tartã

São Tomé – O ministro são-tomense da Juventude e Desporto, Marcelino Sanches procedeu segunda-feira a apresentação oficial da pista de atletismo em tartã a ser montada pela primeira no estádio nacional em São-Tomé no âmbito dos XIº jogos da CPLP já a partir 21 de julho no arquipélago.

“Finalmente, temos a pista de tartã no País…um motivo de orgulho e de satisfação para toda nossa juventude desportista” disse Marcelino Sanches, tendo sublinhado que o moderno tapete sintético será montado no estádio nacional 12 de Julho para a abertura dos jogos da CPLP e para as provas do atletismo, nesta festa da lusofonia.

Disse ainda que esta sintética de atletismo permitirá aos atletas são-tomenses treinarem e competirem dentro da norma padrão do atletismo internacional numa perspectiva de relançamento desta modalidade num projecto que custou ao governo são-tomense cerca de 500 mil Euros.

Além de atletismo incluindo o olímpico e o adaptado esta XIª edição dos jogos juvenis da CPLP comportará ainda as modalidades de basquetebol 3×3, futebol de onze, taewondo e voleibol de praia.

Os Jogos da CPLP são um evento multidesportivo que envolve todos os membros da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Primeira edição foi realizada em Portugal em 1992 e a última foi realizada em julho de 2016, em Cabo Verde, onde, São Tomé e Príncipe conquistou, sete medalhas, das quais seis de prata e uma de bronze. Ricardo Neto - São Tomé e Príncipe in “STP-Press”