Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 20 de março de 2021

Suíça - Museu da Imigração lançado por português procura novo local

O Museu da Imigração, na Suíça, criado por um português e que conta a história de muitas “malas de cartão”, vai ser despejado e a direção corre contra o tempo para encontrar um espaço que acolha as suas 1500 peças


Inaugurado em 2005, em Lausanne, o museu divide-se em dois pisos, cada um com 15 metros quadrados. Considerado o museu mais pequeno da Suíça, conta com um espólio dedicado à imigração neste país, sobretudo a portuguesa, espanhola e italiana.

Estes 30 metros quadrados têm acolhido milhares de visitantes que ali tomam conhecimento da “história da imigração”, como explicou à agência Lusa o fundador e diretor da instituição, Ernesto Ricou.

Artista plástico e antigo professor de História de Arte, Ernesto Ricou destaca a importância de se preservar um capítulo tão importante da história, não só da Suíça, como de muitos dos países de origem dos cidadãos que optaram por viver neste país.

Neste museu encontra-se uma coleção de malas dos imigrantes na Suíça, com os documentos dos seus proprietários, que os cederam, como passaportes, bilhetes de comboio e fotografias, assim como outras “preciosidades”, como trabalhos de investigação e legados de fotografias.

Nas paredes do museu, um fresco de Ernesto Riçou com cerca de quatro metros corre o risco de ser destruído, tendo em conta que o museu tem de desocupar o espaço onde funciona, na Avenida de Tivoli.

A ordem de despejo já chegou há um ano e foi motivada por intervenções no edifício que os proprietários vão realizar, mas o museu solicitou ao tribunal uma intervenção, o que permitiu um adiamento de um ano, que termina em maio.

Desde então, contou Ernesto Ricou, muitas têm sido as diligências para tentar encontrar um espaço para albergar o espólio do museu e permitir que a sua atividade e programação continue.

Tendo em conta os preços “altíssimos e incomportáveis” dos espaços imobiliários naquele país, a solução terá sempre de passar pela cedência de um espaço, sendo a situação ideal “a municipalização do museu”.

“Se o município nos cedesse um espaço, nós podemos pagar a eletricidade e avançar algum dinheiro, mas pouco, pois o museu não cobra entradas e vive das ofertas que fazem os muitos estudantes e professores que o procuram para os seus trabalhos de investigação.

Ernesto Ricou garante que tem enviado dossiers sobre a situação do museu a muitas entidades suíças e portuguesas, entre as quais o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de quem nunca obteve qualquer resposta.

Vários ministros, políticos e diplomatas têm visitado o museu e muitos sabem do que se passa e da urgência em resolver a questão, mas, segundo Ernesto Ricou, ficam-se pelas palavras.

Para já, e se não for encontrada uma outra solução, o diretor do museu tem garantida a autorização para colocar as peças do museu numa escola, da qual faz parte do conselho diretivo, mas “é uma solução limite”, reconhece.

Ernesto Ricou também lançou um pedido de ajuda aos 23 museus que existem em Lausanne para que, nem que seja provisoriamente, um dos museus possa albergar a coleção. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 6 de fevereiro de 2021

Suíça – Bailarinos brasileiros e português premiados em Lausanne

O jovem bailarino português António Casalinho foi este sábado duplamente distinguido com o Prémio de Interpretação Contemporânea e uma bolsa de estudo na competição internacional de bailado Prix de Lausanne, na Suíça



António Casalinho foi um dos seis jovens finalistas distinguidos com bolsas pela 49.ª edição do prémio, à qual concorreram inicialmente 82 candidatos, destes, 78 chegaram à fase competitiva e 20 acederam à final, que decorreu hoje por vídeo, segundo a página ´online´ do concurso internacional.

O Prémio de Interpretação Contemporânea foi atribuído pelo júri a António Casalinho e ao bailarino brasileiro Rui César Cruz.

Entre os seis jovens galardoados com uma bolsa de estudos está ainda o bailarino brasileiro Andrey Jesus Maciano, que também foi galardoado com o Prémio de Melhor Jovem Talento.

Os seis distinguidos com bolsas terão a possibilidade de escolher uma escola ou companhia de dança parceiras do Prix de Lausanne.

O júri foi presidido este ano por Richard Wherlock, diretor e coreógrafo do Ballet de Bâle.

Os bailarinos portugueses António Casalinho, Francisco Gomes e Laura Viola tinham sido selecionados para a competição internacional de bailado Prix de Lausanne, entre candidatos oriundos de vinte países.

Os três portugueses selecionados são do Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sánchez, em Leiria.

Concorrem ainda dois alunos estrangeiros provenientes da mesma escola de dança em Leiria: o italiano Giulio Diligente e a britânica Maia Roberts.

Entre os selecionados contavam-se seis bailarinos brasileiros: Kayke Nogueira, da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, Rui Cesar da Cruz e Luiza Falcão, do Grupo Cultural de Dança Ilha, João Felipe Domingos, do Basileu França, Andrey Jesus Maciano, do Balé Jovem de São Vicente, e Ana Sartini, do Ballet Vórtice.

O Prix de Lausanne, um dos mais importantes galardões dedicados à dança, foi criado em 1973, e é gerido pela Fondation en Faveur de l`Art Chorégraphique.

Na 48.ª edição, a bailarina portuguesa Catarina Pires, da Academia de Dança de Zurique, recebeu o prémio “favorita do público”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Suíça - Os desafios e a dedicação de um médico de família

Um jovem português veio à Suíça trabalhar como médico de família e hoje ajuda a formar esses profissionais. Junto com outros portugueses, fundou uma plataforma que une todos profissionais lusófonos que trabalham na área de saúde do país. Em entrevista, revela como evitar que pacientes retornem ao hospital.



"Enquanto médicos de família devemos ver o indivíduo de forma holística: não é apenas a doença que deve ser considerada, mas também o indivíduo enquanto pessoa, cidadão, profissional."

Alexandre Gouveia trabalha na UniSanté, em Lausanne, como médico de família e responsável clínico, acompanhando médicos em formação pós-graduada e estudantes de medicina. Ao longo dos anos tem estado envolvido em projetos de investigação relacionados com a área da saúde na Suíça. Desde 2014, o médico português fez de Lausanne a sua casa e por mais alguns anos irá permanecer na cidade às margens do lago Léman.

Gouveia viveu na ilha de São Miguel, nos Açores, até ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Entre 2009 e 2014 trabalhou como médico de família em Viana do Castelo e foi professor convidado na Universidade do Minho. Após 20 anos de ter iniciado os estudos de medicina, "o entusiasmo que obtenho cada vez que vejo um doente, que contato com outros médicos, mantem-se".

As suas funções de médico de família centram-se no acompanhamento regular de doentes. Enquanto responsável adjunto da policlínica de medicina geral exerce também funções de coordenação. Na área da formação realiza a supervisão dos médicos internos em medicina geral naquela instituição e faz o acompanhamento dos estudantes de medicina da Universidade de Lausanne naquela instituição. Alexandre sublinha a importância de uma abordagem holística, onde se tenha em conta o indivíduo nos múltiplos papéis sociais que desempenha e o contexto familiar e educativo.

Devido ao seu conhecimento em cuidados de saúde primários e participação em projetos da UniSanté e do Centro Hospitalar Universitário Vaudois (CHUV), Alexandre Gouveia foi convidado a participar no projeto TARGET - READ. Segundo os dados, cerca de 12% dos doentes, após alta hospitalar, regressa ao hospital nos primeiros 30 dias. Este ensaio clínico visa, assim, reduzir essas readmissões, focando-se num acompanhamento especializado a distância. A partir de maio de 2020, vão avaliar a eficácia deste programa financiado pela Fundação Nacional Suíça para a Ciência.

Alexandre Gouveia é também co-investigador noutros dois estudos: DIAFER e DAAP-PR. O primeiro tem como objetivo analisar o impacto da perfusão de ferro endovenoso no metabolismo glucídico. O segundo tem o intuito de estudar a prevalência de aneurisma da aorta abdominal e da artéria poplítea numa amostragem da população de Lausanne.


Em 2015, em conjunto com outros profissionais de saúde, criaram a Associação LusoSanté, que agrupa profissionais lusófonos a trabalhar na Suíça francófona. Dessa forma criaram uma plataforma de contato entre os diversos profissionais e pretendem também apoiar na integração dos recém-chegados ao país helvético. Em novembro de 2019 realizaram o Fórum Santé, em Lausanne, dedicado ao sistema de saúde suíço e contou com cerca de 100 inscritos. Filipe Carvalho – Suíça in “Swissinfo”



terça-feira, 24 de setembro de 2019

Suíça - O português que transforma sapatilhas em obras de arte



Em Lausanne, na Suíça, o português Carlos Pequito começou por transformar calçado desportivo em peças de arte e hoje o projeto artístico transformou-se num negócio de sucesso.

Nascido em Luanda, capital de Angola, e filho de pais alentejanos, Carlos Pequito vive na Suíça há 33 anos, país onde acabou por descobrir a sua paixão pelas artes plásticas.

O projeto de personalizar sapatilhas nasceu em 2016, fruto de um acaso que virou negócio.

“Quando cheguei à Suíça fui viver para a cidade de Montreux, num prédio onde residiam vários alunos da Escola de Artes da região. Na altura, tinha bastante tempo livre e passava muito tempo com eles, nos ateliês, a pintar e a desenhar. Foi nessa altura que me apaixonei verdadeiramente pelas artes plásticas”, explicou.

Apresentando-se como um artista “multidisciplinar”, Pequito começou pela pintura em acrílico e rapidamente divergiu para várias experiências artísticas; escultura, o ‘street-art’, decoração de móveis e ‘body-painting’.



A viver na Suíça desde os 21 anos, depois de cumprir o serviço militar em Portugal, o artista plástico não esconde que gosta de “explorar e desafiar os próprios limites, experimentando novos materiais”.

“Eu pinto o que sinto, as minhas próprias experiências, sejam elas boas ou más”, disse, admitindo que as suas obras sejam também, o reflexo dos tempos atuais, “um mundo um pouco negro”.

Como acontece com muitos, Carlos Pequito não vive exclusivamente da produção artística.

“A arte, para mim, nunca foi um ganha-pão, mas sobretudo uma forma de expressão. Vi na arte uma forma de me exprimir através das imagens, das formas e das cores”, disse.

A ideia de personalizar sapatilhas, tornando-as numa peça de arte única, surgiu “por acaso”, num episódio da vida de Carlos em que estava à procura de uma ideia original para um presente para uma amiga que, na altura, se encontrava grávida.

“Fui comprar umas sapatilhas para bebé em algodão, brancas e pintei-as”, recordou.

Segundo o artista plástico, os primeiros pedidos começaram a surgir a partir dessa primeira experiência. Veja a página Facebook do artista.



“Fiz um par, dois, três e as encomendas não pararam de aumentar. Foi aí que tomei consciência que se poderia tornar num negócio”, disse Pequito.

Em entrevista à Lusa, o artista explicou que escolhe modelos simples, em algodão, com poucas costuras e cujo modelo seja intemporal, para que possa agradar a todos.

Desde o início, conseguiu vender 30 pares. “Tenho muitas encomendas, mas falta-me o tempo”, afirmou.

As sapatilhas são pintadas à mão e levam cerca de 200 horas a serem ilustradas. O material de eleição do artista é o algodão e as tintas utilizadas para a ilustração são tintas cujo pigmento é inalterável e resistente à água. Os desenhos são geralmente escolhidos pelo cliente.

“São os adolescentes que mais me procuram, sobretudo mulheres. Usar as minhas sapatilhas é uma forma de dar a conhecer o meu trabalho”, declarou.

O artista admitiu à agência Lusa que, num futuro próximo, gostaria de criar a sua própria marca de sapatilhas. In “Bom dia Europa” com “Lusa”