Mindelo – A reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) considerou, no Mindelo, que a gratuitidade do ensino superior constitui “um alívio” para a instituição, tendo em conta a sua “elevada dependência das propinas” dos estudantes.
Astrigilda
Silveira falava após dar posse à nova vice-reitora para o Planeamento
Estratégico, Avaliação e Transformação Institucional, Maria Zenaida Leite.
A
reitora informou que a gratuitidade abrange os cursos de Licenciatura, os
cursos de Estudos Superiores Profissionalizantes e o curso de Mestrado
Integrado em Medicina.
“Para
a Universidade de Cabo Verde é muito bom porque nós dependemos 64,2 por cento
(%) da propina dos estudantes e o Estado participava com 32% do nosso orçamento
de funcionamento. Portanto, é um alívio”, afirmou.
Segundo
a reitora, a medida representa uma mudança no financiamento da instituição,
pelo que a Uni-CV está a trabalhar os seus documentos estratégicos e a
organizar-se internamente para apoiar o Governo no cumprimento das metas
estabelecidas no seu programa.
Questionada
sobre se a gratuitidade significa que o Governo vai assumir o pagamento das
propinas dos estudantes abrangidos pela medida, Astrigilda Silveira respondeu
que, havendo isenção de propinas para os níveis de ensino referidos, caberá ao
Estado assumir esse encargo.
A
reitora referiu ainda que a Uni-CV está a trabalhar na revisão dos seus
estatutos, processo que deverá definir as unidades orgânicas da instituição e
orientar o seu futuro rearranjo.
“Quando
assumimos a Universidade de Cabo Verde, deixámos muito bem claro no nosso
programa de acção de candidatura que nós deveríamos definir uma missão da
universidade na Praia, em Cruz Grande, na Assomada, em São Vicente e no Centro
Recurso Integrado nas ilhas do Fogo e Brava”, explicou.
Para
São Vicente, avançou, a intenção é definir uma missão adequada às
especificidades da ilha e da região do Barlavento.
“Nós
queremos uma missão para São Vicente que seja adequada ao contexto da ilha e à
região do Barlavento”, afirmou Astrigilda Silveira, para quem o resultado da
revisão dos estatutos deverá estar concluído no próximo mês.
Segundo
a reitora, essa revisão está a ser feita com auscultação da comunidade
académica interna e de intervenientes externos, seguindo-se a discussão e
aprovação no Conselho da Universidade e um diálogo estratégico com o Governo.
Sobre
a possibilidade de integração dos institutos da Universidade Técnica do
Atlântico (UTA) na Uni-CV, anunciada recentemente pelo ministro da Educação
durante uma visita a São Vicente, a reitora afirmou que a decisão caberá aos
órgãos competentes da universidade.
“Nós
temos o Conselho Máximo da Universidade de Cabo Verde, a quem caberá decidir
sobre o destino da Universidade de Cabo Verde”, declarou a mesma fonte que, no
entanto, garantiu que a instituição está disponível para dialogar com o Governo
sobre o futuro do ensino superior em Cabo Verde e para a região do Barlavento. In “Inforpress”
– Cabo Verde
