Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 26 de março de 2026

Portugal - Escritor Mena Abrantes vence Prémio Guerra Junqueiro 2025

O escritor, jornalista e dramaturgo angolano José Mena Abrantes sagrou-se o grande vencedor do Prémio Literário Guerra Junqueiro, edição 2025, anunciou a Academia Angolana de Letras, em comunicado


Na nota, citada pela Televisão Pública de Angola, a Academia Angolana de Letras felicitou o escritor e dramaturgo pela conquista, destacando o seu contributo na cultura nacional, especialmente na literatura e no teatro. Instituído em 2017 pela Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta (Portugal), o Prémio Literário Guerra Junqueiro homenageia o poeta português e promove a literatura no vasto espaço da lusofonia.

O prémio foca em autores que fortalecem laços culturais nos países de língua portuguesa, com edições dedicadas à Lusofonia e a novos talentos. A distinção de José Mena Abrantes, segundo a nota, reforça o prestígio da literatura angolana no panorama internacional e reitera o papel de Angola como referência literária no espaço lusófono e na literatura mundial.

Trajectória de Mena Abrantes

Nascido em Malanje, a 11 de Janeiro de 1945, José Mena Abrantes é um jornalista, dramaturgo, diretor e escritor de ficção, teatro e poesia angolano. Licenciado em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, exerce a profissão de jornalista desde 1975, com colaboração em vários órgãos de informação angolanos, portugueses, franceses e moçambicanos.

É membro da União dos Escritores Angolanos há mais de 40 anos. Embora seja uma figura ligada à cultura e à comunicação de várias maneiras, José Mena Abrantes é popularmente conhecido por sua inclinação ao teatro. Dramaturgo genuíno, é um dos nomes mais sonantes da criação, difusão e valorização do teatro angolano, sendo inúmeras vezes distinguido e homenageado pelos fazedores desta arte cénica.

Prémios e Distinções

Como poeta e contista, recebeu por três vezes o Prémio Sonangol de Literatura, máximo galardão da literatura angolana da actualidade, com as obras Ana, Zé e os Escravos (1986), Meninos (1990) e Caminhos Des-encantados (1994). Obteve ainda Menção Honrosa no Concurso Sonangol de Literatura com a obra O Gravador de Ilusões (antes “O Pião”), de 1990, e Sequeira, Luís Lopes ou O mulato dos prodígios, de 1991.

Conquistou o 1.º Prémio de Poesia (ex-aequo) dos Jogos Florais de Caxinde por Objectos Musicais, Prémio PALOP do Livro em Língua Portuguesa (2.º lugar) em São Tomé e Príncipe com a obra Na Curva do Cão Morto e tantas outras distinções nacionais.

Ainda em 2025 foi condecorado pelo Presidente da República, no âmbito das celebrações dos 50 anos de Independência Nacional, em reconhecimento do seu contributo em prol da cultura angolana. In “O País” - Angola


sexta-feira, 9 de maio de 2025

10.ª edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA – CM Lisboa

Claúdio da Silva vence Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa


Nascido em Angola, e com nacionalidade portuguesa, Claúdio da Silva foi o grande vencedor da décima edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, com o livro "Boi". O anúncio ocorreu no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa - no Palácio Galveias, em Lisboa, e no âmbito do Festival Literário de Lisboa - 5L.

De destacar que o júri atribuiu, também, uma menção honrosa à obra “Depois que Deus morreu”, uma novela-ensaio da autoria de Carla Pereira.

Veja aqui o vídeo da apresentação no Palácio Galveias

O evento contou com as intervenções da Diretora Municipal de Cultura da Câmara de Lisboa, Laurentina Pereira, da Chefe de Divisão da Rede de Bibliotecas de Lisboa, Edite Guimarães, da Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, Embaixadora Paula Leal da Silva, e do coordenador da Cultura da UCCLA, Rui Lourido.

Rui Lourido fez um enquadramento do prémio e deu a conhecer outras iniciativas culturais levadas a cabo pela UCCLA. Relativamente ao prémio, deu conta da abrangência geográfica do prémio, vencedores das anteriores edições, género literário das participações, entre outras informações.

Para a Embaixadora Paula Leal da Silva este prémio marca a “solenidade da língua portuguesa no âmbito do Festival Literário de Lisboa - 5L”, afirmando que “o valor municipal é também um valor nacional”. “O português é uma língua global e cultural” e este prémio representa “o mais importante em termos de revelação literária, em língua portuguesa, possuindo uma dimensão internacional alargada e deveras representativa” acrescentou.

A fundamentação do júri, na atribuição dos vencedores desta edição, foi destacada pela Secretária-Geral Adjunta da UCCLA. Relativamente à obra “Boi” “Este objecto não está à venda. Sinopse: De longe a melhor candidatura. Prosa faceta, consciência literária, domínio narrativo, ficcionalidade e ironia quanto ao que pode a literatura – a portuguesa e a instância crítica - há muito que faltava uma prosa assim, arrancada à melhor dicção de mestres como Rúben A., Luiz Pacheco, Manuel da Silva Ramos. Exemplo: a abertura do livro, a dinamitação do projecto-livro, a suspeita de que o literário é um campo minado”.

No que respeita à obra “Depois que Deus morreu” é uma “Narrativa poderosa, intimista e medidativa, com personagens, poucas, cujas linhas de acção ora parecem acontecer numa realidade de facto, ora numa outra realidade paralela, metafísica, Depois que Deus Morreu é um caso feliz de construção bem montada e breve de uma narrativa aguda, nem conto, nem novela”. 

Após a leitura das fundamentações do júri, a Embaixadora declarou estar aberta a 11.ª edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa.

Apesar de ter desempenhado vários trabalhos na área cultural, é a primeira vez que Claúdio da Silva o “transforma em objeto literário fechado” referiu. O livro é “uma espécie de investigação policial, em busca de um autor fantasma. “Boi” porque é um animal mítico”.

De referir que, no âmbito da apresentação dos vencedores do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa, irão decorrer os seguintes eventos: 

- Dia 20 de maio, às 10 horas, na sede da CPLP, em Lisboa; 

- Dia 21 de junho, às 17 horas, na Feira do Livro de Lisboa, Auditório Sul, com o lançamento do livro Boi.

10.ª edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa

A capacidade de atração do Prémio continua a expandir-se, abrangendo participantes de diversos continentes e totalizando, nesta edição, 14 países de residência, incluindo os países de língua oficial portuguesa. Recebemos obras em língua portuguesa de África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique), América (Brasil), Ásia (Timor-Leste), Europa (Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Portugal e Suíça) e Oceânia (Austrália). 

Esta edição reuniu 249 candidaturas, sendo que o Brasil se mantém como o país com o maior número de candidaturas, seguido por Portugal e Moçambique, reafirmando a forte participação dos falantes de português nestes territórios. Desde a sua criação, o Prémio tem-se consolidado como a principal iniciativa de revelação literária no espaço da língua portuguesa, reunindo anualmente centenas de candidaturas. 

O concurso mantém o seu compromisso de incentivar a escrita entre os jovens - 42% dos participantes têm menos de 40 anos -, enquanto promove o diálogo intergeracional, com escritores seniores entre os 70 e os 80 anos. Em termos de representatividade de género, as mulheres correspondem a 32% dos concorrentes, à semelhança da edição anterior, reiterando o crescimento gradual da participação feminina. 

Com estes números, o Prémio de Revelação Literária UCCLA-CML reforça a sua importância como um promotor da descoberta de novos talentos, promovendo a diversidade cultural e a literatura em língua portuguesa a nível global.

Constituição dos membros do júri:

Domício Proença – Brasil

Germano Almeida - Cabo Verde

Hélder Simbad - Angola

Inocência Mata - São Tomé e Príncipe

José Pires Laranjeira - Portugal

Luís Carlos Patraquim - Moçambique

Luís Costa - Timor-Leste

Tony Tcheka - Guiné-Bissau

Yao Jing Ming - Macau

João Pinto de Sousa - Representante do Movimento 800 Anos de Língua Portuguesa

Rui Lourido - Representante da UCCLA

Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa

O Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa tem como objetivo reconhecer e apoiar novos talentos literários, nos domínios da prosa de ficção (romance, novela, conto e crónica) e da poesia, em língua portuguesa, por escritores que nunca tenham publicado uma obra literária.

Este prémio foi criado pela UCCLA, em 2015, juntamente com o Movimento (2014) 800 Anos da Língua Portuguesa. Conta com a parceria da editora Guerra e Paz, que se responsabiliza pela edição da obra premiada, e da Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito do Festival Literário de Lisboa ‐ 5L.

Vencedores das edições anteriores: 

Publicações da editora Guerra e Paz: 

9.ª edição: Cantagalo de Fernanda Teixeira Ribeiro (Brasil) 

8.ª edição: Breviário de Medo e Malícia de Leonel Araújo Barbosa (Portugal) 

7.ª edição: Caligrafia de Alexandre Siloto Assine (Brasil) 

6.ª edição: O Sonho de Amadeu de Leonardo Costa Oliveira (Brasil) 

5.ª edição: O Heterónimo de Pedra de Henrique Reinaldo Castanheira (Portugal) 

Publicações da editora A Bela e o Monstro: 

4.ª edição: Praças de António Pedro Serrano de Sousa Correia (Portugal/Angola) 

3.ª edição: Equilíbrio Distante de Óscar Maldonado (Paraguai/Brasil) 

2.ª edição: Diário de Cão de Thiago Rodrigues Braga (Brasil) 

1.ª edição: Era uma vez um Homem de João Nuno Azambuja (Portugal)

Biografia dos vencedores:

Cláudio da Silva, natural do Huambo, Angola, nasceu em 1974. É encenador, dramaturgo e ator de teatro. Tem licenciatura em Língua Portuguesa e Línguas Estrangeiras Aplicadas e Bacharelato em Teatro. Recebeu o prémio SP/RTP para Melhor Actor de Cinema pela interpretação no Filme do Desassossego de João Botelho (2011) e o Globo de Ouro SIC/Caras para melhor ator de Teatro pela interpretação em Se Isto é Um Homem de Rogério de Carvalho (2021). É colaborador da Associação Cultural e Ecológica Palettentheater Kollektiv.

Carla Pereira nasceu em Braga, Portugal, em 1983. Estudou Filosofia, disciplina que lecionou até seguir o caminho do exercício físico, área na qual trabalha atualmente, maioritariamente com jovens. Desde sempre que se maravilha com as palavras, especialmente pela capacidade destas se juntarem umas às outras, criando outros mundos. Depois que Deus morreu foi o seu primeiro livro.  


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Lusofonia - Vencedor do Prémio Camões diz que língua portuguesa é maltratada

O escritor e tradutor João Barrento, vencedor do Prémio Camões 2023, considerou hoje que a língua portuguesa é “bastante maltratada”, na maneira como as pessoas falam e na imprensa


Em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia de entrega do Prémio Camões 2023, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, Barrento disse reconhecer “a cada dia das mais diversas maneiras, no modo como as pessoas falam, na própria imprensa, que a língua portuguesa está a ser bastante maltratada”.

“Também há uma influência enorme do latim vulgar de hoje, que é o inglês e que tem uma intervenção muito forte nas nossas línguas. Há um descuido, e provavelmente o universo digital terá alguma coisa que ver com isso, porque desde os primeiros anos de aprendizagem nas escolas estamos imersos nesse universo digital, que não é propriamente o melhor para a aprendizagem e um uso mais correto da língua. Penso que isso tem uma grande influência”, afirmou.

No discurso de aceitação do prémio, João Barrento voltou a aflorar a questão: “As palavras que usamos têm corpo, coisa hoje cada vez mais esquecida e ignorada por quem as usa”.

“Senti isto de forma muito clara a voltar a ler a obra de Camões ou Jorge de Sena, Armando Silva Carvalho, Alexandre O’Neill, Vasco Graça Moura, Maria Gabriela Llansol e tantos outros”, partilhou.

Num discurso no qual citou Camões, David Mourão Ferreira e Vasco Graça Moura, João Barrento, de 84 anos, partilhou que ao longo da carreira nunca deixou “de ser aprendiz nos domínios do ensaio, crónica, diário ou tradução”.

Aos jornalistas, confidenciou que ao saber que tinha sido distinguido com o Prémio Camões 2023 a primeira reação “foi de surpresa”.

“Não que não tenha tido empenho real na minha vida às coisas que também interessaram a Camões no seu tempo, não porque não tenha olhado para o mundo como ele olhou, mas porque me achei insuficientemente digno de um prémio como este e com o nome que ele traz”, explicou.

Para João Barrento, “a dimensão do prémio Camões e daqueles que já o receberam” é “demasiado grande” para se comparar com eles.

“São grandes escritores, os nossos maiores poetas e escritores. Senti-me, humildemente, um pouco abaixo deles. Fizemos coisas diferentes, a escrita é outra, alguma razão terá havido para o júri me atribuir este prémio, que agradeço”, disse.

Grande parte da carreira de João Barrento tem sido dedicada à tradução, sobretudo de obras em língua alemã. “A tradução é uma forma de escrita muito particular, é trazer o outro à nossa casa”, referiu.

Em representação do presidente do júri do Prémio Camões 2023, a ensaísta Inocência Mata lembrou que esta foi a primeira fez que o Prémio Camões homenageou um tradutor e salientou que João Barrento “é um tradutor de referência”.

Para explicar o facto de tal só ter acontecido ao fim de 35 anos de prémio, Inocência Mata referiu que “talvez os jurados não tivessem consciência que a tradução é também trabalho de criação”.

“A tradução é uma ponte que conecta culturas, amplia o acesso a ideias, pensamentos e histórias que de outra maneira estariam confinados a uma única língua”, disse, acrescentando que também “preserva identidade cultural de diferentes comunidades, garantindo que as suas vozes sejam ouvidas globalmente”.

Inocência Mata falou ainda de João Barrento como uma “ponte vital entre literaturas europeias, principalmente a alemã” e “um dos pilares da literatura contemporânea em Portugal”, a quem faltava apenas o Prémio Camões para juntar a outras importantes distinções que já recebeu. “Esta distração foi agora corrigida”, afirmou.

João Barrento foi distinguido com os prémios Calouste Gulbenkian da Academia das Ciências de Lisboa, o Grande Prémio de Tradução do PEN Clube Português/Associação Portuguesa de Tradutores, pela obra de Goethe e pela tradução integral de “Fausto”, o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho, o Prémio D. Diniz, da Casa de Mateus, e o Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores (APE), pelo livro “A Escala do Meu Mundo”.

Em 2022, recebeu o prémio Vida Literária Vitor Aguiar e Silva da APE.

A ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, lembrou que a entrega do Prémio Camões a João Barrento acontece “num ano particularmente camoniano, em que finalmente se apresentou o programa” das comemorações dos 500 anos do poeta.

Além disso, este ano celebram-se os 50 anos do 25 de Abril de 1974 e o Prémio Camões “é entregue a alguém que desde sempre empenhado na luta pela liberdade da palavra e desenvolvimento de um pensamento crítico”.

“Estamos aqui não apenas para homenagear um intelectual de exceção, mas também um mestre da língua portuguesa”, afirmou Dalila Rodrigues, recordando também o papel de João Barrento como “professor de várias gerações de alunos” e “protagonista ativo, lúcido e militante desta aventura coletiva a se chama Portugal”.

Já a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, numa mensagem em vídeo, destacou o trabalho de João Barrento como tradutor, algo que “enriquece a língua portuguesa e amplia horizontes”.

A governante terminou o discurso apelando a “mais livros e menos armas”.

João Barrento nasceu a 26 de abril de 1940 em Alter do Chão.

Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo publicado diversos livros de ensaio, crítica literária e crónica.

Foi leitor de Português na Universidade de Hamburgo e leitor de Alemão na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e professor de Literatura Alemã e Comparada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Como tradutor de língua alemã, transpôs para português dezenas de autores, particularmente de poesia, da expressão mais antiga à mais moderna e contemporânea, além de obras de ficção, filosofia e teatro.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa, instituído pelos Governos de Portugal e do Brasil, foi atribuído pela primeira vez em 1989, ao escritor português Miguel Torga.

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, e publicado em novembro do mesmo ano, o prémio consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 26 de março de 2024

Senegal - Primeiro discurso de ruptura do Presidente Bassirou Diomaye Faye

Vencedor das eleições presidenciais no seu 44º aniversário, triunfante com uma vassoura artesanal na mão, felicitado pelo Presidente cessante Macky Sall e por todos os candidatos e presidentes dos países vizinhos, Bassirou Diomaye Faye assegurou durante o seu primeiro discurso presidencial, ontem segunda-feira, que o seu o país “continuará a ser um aliado seguro e confiável” de parceiros que procuram uma cooperação mutuamente benéfica.


“Gostaria de dizer à comunidade internacional, aos nossos parceiros bilaterais e multilaterais, que o Senegal manterá sempre o seu lugar. Continuará a ser o país amigo e o aliado seguro e confiável de qualquer parceiro que se envolva connosco numa cooperação virtuosa, respeitosa e mutuamente produtiva”, sustentou.

Diomaye Faye também prometeu “governar com humildade e transparência”.

Falou dos “projectos prioritários” no Senegal, citando os mais importantes aos seus olhos. “Reconciliação nacional e reconstrução das bases da nossa convivência, reconstrução das instituições, redução significativa do custo de vida, consultas sectoriais nacionais inclusivas sobre a avaliação das políticas públicas”, estas são a nível nacional as prioridades a que Diomaye Faye pretende para começar a trabalhar.

“Vamos virar a página para reconciliar os corações e mãos à obra”, sugeriu, enviando um pensamento às vítimas dos acontecimentos que abalaram o país entre 2021 e 2023.

Para a integração africana, declarou: “Realizarei acções semelhantes com o mesmo auto-sacrifício pela unidade e integração política e económica do continente”, afirmou como a sua ambição para África. Balanta Mané – Casamansa in “Journal du Pays”


sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Portugal – José Tolentino de Mendonça entrega valor do Prémio Pessoa à caridade

O cardeal e poeta José Tolentino de Mendonça, que venceu esta quinta-feira o Prémio Pessoa, vai entregar a totalidade do prémio, no valor de 60 mil euros, a uma instituição de solidariedade, anunciou a editora Quetzal

“O cardeal José Tolentino de Mendonça optou por entregar a totalidade do Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros, a uma instituição de solidariedade”, afirmou, em comunicado, a editora, que tem publicado toda a obra ensaística do autor.

De acordo com a mesma nota, Tolentino de Mendonça vai ser distinguido na sexta-feira com o doutoramento ‘honoris causa’ pela Universidade de Aveiro, durante a cerimónia de comemoração dos 50 anos da Academia.

José Tolentino de Mendonça foi esta quinta-feira anunciado vencedor do Prémio Pessoa 2023, numa conferência de imprensa no Palácio de Seteais, em Sintra, uma distinção que o júri justificou com a forma como o cardeal se tem destacado “no ensino universitário, no ensaio de reflexão teológica e filosófica e na poesia”.

Os membros do júri consideraram que Tolentino de Mendonça é “uma das vozes fundamentais da poesia contemporânea portuguesa e europeia” e que projeta uma visão do mundo norteada por uma espiritualidade que pretende acolher, compreender e transcender as dilacerações, conflitos e sofrimentos da humanidade”.

Desde 2017, a sua obra ensaística tem sido publicada na Quetzal, lembra a editora, assinalando que os seus livros têm sido distinguidos com vários prémios, entre eles o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio PEN Clube de Ensaio (2005), o italiano Res Magnae, para obras ensaísticas (2015), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2016), o Grande Prémio APE de Crónica (2016) e o prestigiado Prémio Capri-San Michele (2017), bem como o Prémio Ilídio Pinho, no ano passado, em 2022.

Iniciou a sua carreira literária em 1990, com a publicação de “Os dias contados”, no mesmo ano em que foi ordenado padre na Diocese do Funchal.

Poeta, sacerdote e professor, José Tolentino Mendonça nasceu na ilha da Madeira, Machico, em 1965. Estudou Ciências Bíblicas em Roma e vive no Vaticano desde 2018, onde ficou responsável pela Biblioteca Apostólica e pelo Arquivo Secreto do Vaticano, tendo sido nomeado Cardeal em 2019.

Em 2022 foi escolhido pelo Papa Francisco como prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, cargo equivalente num governo civil ao do Ministério da Cultura e da Educação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo