Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra lidera Experiência GLOSS que regressa à Terra da Estação Espacial Internacional

A experiência científica GLOSS (Gamma-ray Laue Optics and Solid State detectors: Optica para raios gama e sensores de estado sólido), liderada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), regressou à Terra a bordo da cápsula Cargo Dragon C211 da Space X, tendo amarado no Oceano Pacífico ao largo de San Diego, Califórnia, EUA.


A missão SpX-33 foi liderada por Rui Curado Silva, docente da FCTUC, e por Jorge Maia, da Universidade da Beira Interior (UBI), ambos investigadores do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) Coimbra.

Durante cerca de um ano, amostras de materiais (CZT: telureto de cádmio e zinco) das câmaras dos futuros telescópios de raios gama estiveram expostas ao ambiente espacial (radiação orbital, amplitudes térmicas extremas e oxidação).  «Estes sensores quando em operação no espaço, as suas prestações degradam-se e perdem sensibilidade observacional. Até ao presente, a relação entre o tempo de exposição destes sensores ao ambiente espacial e a degradação das suas prestações nunca foram estudadas com a requerida profundidade», revela Rui Curado Silva.

«Para observarmos o Universo nas bandas dos raios X e dos raios gama (astrofísica de altas energias), é necessário colocar no espaço telescópios equipados de sensores capazes de captar imagens do céu nestas bandas do espectro eletromagnético porque a atmosfera absorve este tipo de radiação antes de chegar à superfície da Terra», explica Jorge Maia.

De acordo com os especialistas, estes sensores estiveram na plataforma Bartolomeo da Estação Espacial Internacional, exposta em permanência ao ambiente exterior de radiação, bem como a variações de temperatura extremas, cerca de -150°C quando a Estação Espacial orbita do lado noturno da Terra, e a temperaturas na ordem dos 120°C quando a Estação se encontra do lado do sol.

Os sensores expostos ao ambiente espacial da Estação Espacial Internacional serão devolvidos a Coimbra dentro de dois meses, onde serão testados para avaliar o nível de degradação operacional quando as suas prestações serão comparadas com as prestações de sensores iguais que permaneceram na Terra.

«A partir desta análise, vamos validar a viabilidade destes sensores serem integrados nos futuros telescópios espaciais para astrofísica de altas energias, bem como perceber de que forma será possível produzir sensores ainda melhores. Desta forma, esperamos contribuir para o desenvolvimento de instrumentação para astrofísica de altas energias e, por consequência, para a sensibilidade de observação, que poderá ter impactos importantes na compreensão da física das ondas gravitacionais, recém-descobertas», concluem.

Além da Universidade de Coimbra, a experiência GLOSS integra equipas do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF/OAS-Bologna) e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (CNR/IMEM-Parma, Itália). Esta experiência foi financiada pelo programa PRODEX da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Portuguesa. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Portugal - Empresa da Covilhã deteta enzima que pode travar doença de Parkinson

Uma empresa com sede na Covilhã está na fase de conclusão dos testes pré-clínicos de uma enzima responsável por produzir stress oxidativo que pode ser moldada para níveis que permitam evitar a progressão da doença de Parkinson


A NeuroSoV tem contactos agendados com empresas da indústria farmacêutica a quem prevê vender a licença da molécula em que tem trabalhado, para que sejam feitos os ensaios clínicos e, se tudo correr como esperado, o candidato a medicamento possa ser disponibilizado no mercado, um processo moroso e dispendioso, salientou uma das cofundadoras da ‘spin-off’ da Universidade da Beira Interior (UBI), Dina Pereira.

“A ideia é a de os ensaios clínicos já serem feitos por uma indústria que nos compre a licença. Isto é o que vai acontecer”, acrescentou a doutorada em Engenharia e Gestão Industrial, que destacou as perspetivas muito promissoras e os contactos que têm tido por parte “de farmas”.

As previsões da responsável apontam para que esse processo se desenrole até ao primeiro trimestre de 2024.

A neurocientista Ana Clara Cristóvão, que há 17 anos investiga doenças neurodegenerativas, explicou à agência Lusa que a enzima detetada responsável por produzir stress oxidativo, e que na doença de Parkinson tem uma função patológica, porque contribui para a morte de neurónios produtores de neurotransmissores que ajudam no controlo motor, pode ser ajustada para níveis que evitem a progressão da patologia e permita que os doentes permaneçam no primeiro estádio da doença, com independência e tendo uma vida quase normal.

Os testes pré-clínicos, em que falta fazer os ensaios de segurança de longa duração, permitiram concluir, para já, com base na observação feita em ratos nos quais foi induzida a doença, que o tratamento com a molécula em investigação previne que os animais desenvolvam a disfunção motora que acontece normalmente na doença de Parkinson, enfatizou a cofundadora da NeuroSov, instalada no UBImedical, incubadora de empresas nas áreas da saúde e ciências da vida.

Ana Clara Cristóvão pormenorizou que o que existe no mercado ajuda os doentes a lidarem com os sintomas da doença, enquanto a molécula em que estão a trabalhar não pretende substituir essa solução, mas fazer com que os neurónios que ainda estão funcionais no doente permaneçam funcionais e vivos durante mais tempo, de maneira a responderem de forma mais eficaz às terapias que existem no mercado para os sintomas para a doença neurodegenerativa, ainda sem cura.

“As outras linhas de investigação estão muito focadas na correção de mutações genéticas que existem numa parte dos doentes de Parkinson. A nossa não, tem um alvo terapêutico generalista que controla diferentes mecanismos patológicos”, vincou, em declarações à agência Lusa, a professora auxiliar na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI e investigadora no Centro de Investigação em Ciências da Saúde.

As responsáveis da NeuroSoV frisaram que a empresa não está vocacionada para a produção, mas para o desenvolvimento e investigação, e revelaram estarem a trabalhar na utilização de um método que permita também a prevenção dos processos oxidativos na Esclerose Lateral Amiotrófica e na doença de Alzheimer. In “MadreMedia” – Portugal com “Lusa”

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Portugal - Estudo avalia potencial impacto económico e social das redes elétricas inteligentes

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), Universidade da Beira Interior (UBI), Universidade do Porto (UP) e Universidade do Minho (UM) avaliou o potencial impacto económico e social de tecnologias resultantes de um projeto de investigação, ainda com baixo nível de maturidade tecnológica, mas com elevado potencial de serem desenvolvidas num prazo mais alargado no contexto da evolução para as redes elétricas inteligentes.

Na UC, o estudo, recentemente publicado na revista Tecnology in Society, foi realizado por uma equipa do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Esta investigação foi desenvolvida tendo por base o projeto colaborativo Enhancing Smart Grids for Sustainability (ESGRIDS), que visou o desenvolvimento de novas soluções e tecnologias para os desafios futuros das redes elétricas inteligentes, considerando três vertentes principais - a rede de distribuição, os mercados e o consumidor final de energia.

«Em particular, este estudo avaliou os potenciais impactos económicos e sociais das tecnologias das redes inteligentes com baixo Technology Readiness Level (TRL) e como identificar suas contribuições esperadas no quadro da transição energética, que tem um papel fulcral na descarbonização da economia», começa por explicar Carlos Henggeler, professor catedrático do DEEC e diretor do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra).

No âmbito do projeto, foram desenvolvidos modelos, aplicações computacionais e protótipos laboratoriais no âmbito da resposta dinâmica da procura de energia elétrica, otimização de operações da rede elétrica sob incerteza, e novos modelos de negócios envolvendo comercializadores e operadores da rede de distribuição.

Um dos principais tópicos deste estudo é o papel dos consumidores. «Com a capacidade de fazer geração fotovoltaica com recurso à luz solar e, eventualmente, armazenamento quer em baterias estáticas, quer em baterias de veículos elétricos, o consumidor passa a ter um papel muito mais ativo para o equilíbrio e a eficiência global de todo o sistema elétrico», afirma o docente da FCTUC.

Assim, a equipa do INESC Coimbra, em colaboração com o ALGORITNI/LASI da UM, C-MAST da UBI e a UPT, tentou perceber «quais os mecanismos, os sistemas e a inteligência computacional a embeber na tecnologia que podem ajudar o consumidor a ter esse papel mais ativo», esclarece Carlos Henggeler, acrescentando que «são múltiplos os benefícios, nomeadamente a nível económico e ambiental, tanto para o sistema elétrico, como para o próprio consumidor».

De acordo com o professor do DEEC, «este papel mais ativo dos consumidores pode passar pela participação em mercados organizados, com o apoio de utensílios tecnológicos e da inteligência computacional que é implementada nessas tecnologias para, por exemplo, responder a sinais da rede em situações que há uma menor geração de fontes renováveis ou uma sobrecarga em determinadas redes de distribuição, para os consumidores procederem dinâmica e automaticamente a alterações nos seus padrões de consumo, através de uma otimização dos seus recursos energéticos (trocas com a rede, gestão de cargas, armazenamento, microgeração local)».

Com a finalidade de saber como desenvolver uma otimização integrada de todos os recursos energéticos, ao longo desta investigação foram criados modelos de previsão, otimização, análise de rede e eletrónica de potência em colaboração entre as quatro unidades de I&D.

«O nosso trabalho foi sobretudo de otimização integrada de recursos energéticos do ponto de vista do consumidor, bem como desenvolver modelos de otimização do ponto de vista do comercializador de energia, para a definição de tarifas dinâmicas, isto é, com preços variáveis no tempo de acordo com múltiplos fatores, nomeadamente o preço dos mercados grossistas, o estado da rede, a disponibilidade de geração. No fundo são esses preços variáveis que induzem a mudança de comportamento dos consumidores», conclui o professor da FCTUC. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Portugal - Pesquisador propõe subsídio mensal por cada filho para aumentar a natalidade

A inversão do decréscimo da natalidade nos territórios do interior de Portugal “exige políticas públicas de médio e longo prazo”, defendeu o pesquisador em desenvolvimento regional Fernandes de Matos, propondo um subsídio mensal por cada filho em função do rendimento familiar.

“Essencialmente, para os municípios que estão muito rarefeitos, […] um subsídio mensal por cada filho poderia ajudar”, sugeriu Fernandes de Matos, referindo que esse apoio a nível local devia ser atribuído “em função do rendimento familiar”, à semelhança do abono de família, com escalões.

Em entrevista, o pesquisador em desenvolvimento regional e professor da Universidade da Beira Interior considerou que os apoios municipais de incentivo à natalidade atribuídos uma única vez e com um valor fixo são “um contributo”, mas funcionam como “penso rápido”, sem responder ao problema estrutural dos territórios do interior, inclusive a falta de serviços públicos de proximidade, desde a área da educação à saúde.

Entre os municípios com medidas de incentivo à natalidade está Alcoutim, no distrito de Faro, que ocupou nas últimas duas décadas o ‘ranking’ dos cinco concelhos com menos nascimentos em Portugal, com 16 nados-vivos em 2001 e 11 em 2020, pelo que decidiu atribuir 5000 euros por cada bebé que nasça no concelho.

Já o município de Almeida, no distrito da Guarda, que registou o maior decréscimo do país no número de nascimentos em 2020 comparativamente a 2001, com uma redução de -71,8%, ao passar de 64 para 18 recém-nascidos, prevê a atribuição de 1.000 euros para o primeiro filho e de 1250 euros para o segundo filho e seguintes.

Para o investigador Fernandes de Matos, este tipo de apoio à natalidade deve manter-se como “um incentivo inicial”, mas é necessário que seja “complementado com as medidas de carácter mais permanente”.

Apesar de ser uma tendência registada nas últimas duas décadas em todo o país, à exceção da região do Algarve, o decréscimo da natalidade foi mais acentuado nos concelhos do interior, o que traduz em parte a dinâmica de perda de população nestes territórios, a par do aumento do padrão de litoralização e da concentração populacional junto da capital, segundo os resultados preliminares dos Censos 2021.

Na perspetiva do investigador em desenvolvimento regional, além das medidas de apoio à natalidade, é preciso resolver os desincentivos à fixação de população no interior do país, desde a deficitária rede pública de creches e jardins de infância à falta de transportes públicos, e reforçar os investimentos nestes territórios, nomeadamente projetos de interesse nacional com “efeito âncora”.

“A discriminação que se quer positiva do interior, que é flexibilizar algumas das regras e ter apoios majorados, pecam por defeito, é sempre menos do que aquilo que era necessário”, apontou o professor da Universidade da Beira Interior, indicando que estes territórios com pouca população acabam também por ser penalizados na atribuição de fundos comunitários, assim como na representatividade por parte do poder político, inclusive na Assembleia da República.

Com a maioria dos investimentos a concentrarem-se no litoral, em que as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto “são autênticos aspiradores”, que “sugam recursos, sejam humanos, sejam financeiros”, o tecido social e econômico dos territórios do interior tem dificuldade em avançar com novos projetos, inclusive devido ao “próprio desânimo”, explicou o investigador, dando como exemplo as remessas dos emigrantes do interior que são canalizadas para investimentos no litoral em vez de serem na região de origem.

“Se não há esta infraestruturação, claro que o tecido económico vai ficando mais fraco, a produção vai desaparecendo, porque não há oportunidades, não há emprego, não há empresas a crescer, não há novas empresas a ficarem sediadas, tudo isto se vai acumulando”, expôs.

A inversão da tendência de decréscimo da natalidade “exige políticas públicas de médio longo prazo, portanto não podem ser políticas públicas pensadas para um ciclo legislativo, têm de ser pensadas num horizonte 10, 15, 20 anos”, considerou Fernandes de Matos.

“A questão não é só o aumento da taxa de natalidade, diria que essa é a questão, eventualmente, mais simples, assumindo que há população jovem e que quer assumir esse desafio de ter mais filhos […], mas é preciso pensar que, depois das crianças nascerem, temos de lhes dar condições, a elas e aos pais, para terem aquilo que é o seu desenvolvimento e tudo aquilo que é depois a criação de oportunidades, para que essas crianças criadas, formadas, possam ficar na região”, sustentou.

O investigador afirmou ainda que as condições “não são propícias” para que o ciclo de decréscimo de nascimentos se inverta naturalmente, por dinâmicas próprias que são criadas e geradas na região.

“Se não se fizer nada ou se se mantiver as mesmas políticas, as mesmas atuações, a situação vai-se agravar naturalmente”, alertou, defendendo que, em termos de política pública, “é preciso olhar de vez para os serviços de proximidade”.

“Como é que se quer inverter a natalidade, como é que se quer inverter esta quebra de população quando, por exemplo, a rede de ensino básico está depauperada?”, questionou o professor da Universidade da Beira Interior.

Entre os serviços em falta no interior do país destacam-se ainda a saúde, os transportes públicos, inclusive autocarros e comboios, e os postos de correios, a que se juntam outros problemas a resolver, designadamente o custo das portagens das autoestradas ex-SCUT, a habitação a preços acessíveis, o preço da água e a rede de acesso à internet, indicou Fernandes de Matos.

Neste âmbito, a resposta deve passar por uma articulação entre os vários níveis de governação, central e local, envolvendo a comunidade, o tecido empresarial, as universidades e os politécnicos.

Além de medidas concretas como a atribuição de um subsídio mensal por cada filho em função do rendimento familiar, o investigador realçou a necessidade de um trabalho de sensibilização sobre o problema, que “é grave” e coloca em risco o país como um todo: “se hoje não temos bebés, amanhã não temos pessoas a criar riqueza e amanhã não teremos também idosos”.

Sobre a exceção de aumento da natalidade nos concelhos do litoral do Algarve, o docente disse que pode ter a ver com a própria estrutura da população, eventualmente por ser mais jovem e ter mais imigrantes jovens a residir na região: “assumindo que haverá imigrantes jovens pode estar aí a chave para esta diferenciação”.

Já o caso de Odemira, no distrito de Beja, que também registou uma subida de nascimentos nos últimos 20 anos, pode estar associado, igualmente, à imigração de jovens a trabalhar no setor agrícola, em que grande parte vem da Ásia: “até pelas suas características culturais, têm mais filhos do que nós europeus”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

domingo, 13 de outubro de 2019

Portugal – Esteva uma planta com efeito antienvelhecimento da pele

Uma investigação científica desenvolvida na Covilhã sobre plantas aromáticas e medicinais já permitiu comprovar que a "esteva é um ingrediente excelente para o antienvelhecimento da pele", disse à agência Lusa uma das responsáveis do projeto



Uma investigação científica desenvolvida na Covilhã sobre plantas aromáticas e medicinais já permitiu comprovar que a "esteva é um ingrediente excelente para o antienvelhecimento da pele", disse à agência Lusa uma das responsáveis do projeto.

"A esteva tem um perfil muito interessante do ponto de vista da atividade antioxidante e, através desta investigação, já comprovámos que ela pode ser um excelente ingrediente para produtos de antienvelhecimento da pele. Além disso, tem uma muito boa atividade microbiana e pode ser um bom candidato num produto antiacne", apontou Ana Palmeira, em declarações à Lusa.

Esta responsável falava à margem da sessão de apresentação dos resultados intermédios do projeto InovEP, que está a ser desenvolvido no âmbito de um consórcio que envolve a LabFit (empresa de investigação e desenvolvimento que é a entidade promotora do projeto), a Universidade da Beira Interior e o Instituto Politécnico de Castelo Branco.

A decorrer entre 2018 e 2021, o InovEP centra-se no estudo das propriedades de onze plantas aromáticas e medicinais que são produzidas em Portugal e em particular na região centro, sendo o grande objetivo produzir conhecimento e depois transmiti-lo para a sociedade, nomeadamente para produtores e indústria.

"Estamos a fazer um estudo que nos permitirá a caracterização de cada uma das plantas quer em termos de propriedades, quer de eventuais usos, quer ao nível da segurança na perspetiva do utilizador e do ambiente. Uma espécie de bilhete de identidade detalhado que depois será transmitido para que os produtores saibam em que plantas podem e devem produzir e para que a indústria saiba quais os extratos a que pode recorrer", apontou.

Segundo referiu, está previsto o desenvolvimento de um produto para o tratamento de fissuras, sendo que o grande objetivo do projeto é produzir saber e partilhá-lo.

"É um projeto vem desmistificar a ideia de que as universidades e centros de saber não transferem conhecimento para a sociedade", frisou.

A análise que está mais adiantada reporta-se à esteva, cujo estudo está agora centrado na análise das propriedades anti-inflamatórias.

Além disso, a investigação também já mostrou que o tomilho limão é um bom antifúngico e que tem boa bioatividade contra o fungo das unhas e que o manjericão que é produzido ao ar livre tem um bom perfil microbiano, enquanto o tomilho se afirma como um bom antifúngico que pode ser usado, por exemplo, em produtos para a candidíase.

"Este é um trabalho que continuará, que engloba o estudo do perfil químico, da segurança e da bioatividade e que também diz quais são as possibilidades de utilização e quais as plantas que são mais produzidas", disse.

Entre as vantagens apontadas, está ainda o contributo para que produtos naturais da região centro possam ser valorizados através da possibilidade de integração na indústria farmacêutica.

No total vão ser estudadas e analisadas 11 plantas, conhecidas pelos seguintes nomes comuns: Perpétua das Areias, Equinácea, Esteva, Camomila, Manjericão, Tomilho, Lúpulo, Hamamélis, Eufrásia, o Cipreste e Tomilho Limão.

Com um valor global de cerca de 800 mil euros, o InovEp e é cofinanciado a 60% pelo Centro 2020. In “Diário Digital de Castelo Branco” – Portugal com “Lusa”

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Portugal – Universidade da Beira Interior regista patente nos EUA

O dispositivo fica disponível para a indústria americana e pode vir a aumentar a segurança aeronáutica



Um dispositivo desenvolvido na Universidade da Beira Interior (UBI) está patenteado nos Estados Unidos e disponível para a indústria americana de diversos setores, nomeadamente, no aeronáutico ou de produção de energia eólica em zonas de montanha.

A tecnologia criada por três investigadores da UBI, José Páscoa, Madhi Abdollahzadeh e Frederico Rodrigues, é baseada em atuadores a plasma e tem um campo vasto de aplicação. Além das aeronaves, pode servir para melhorar sistemas de produção de energia eólica e outros dispositivos onde ocorra acumulação de gelo.

A invenção tem por base o conhecimento adquirido que existe na UBI no campo da engenharia, neste caso, no Departamento de Engenharia Eletromecânica (DEM) e na unidade de investigação C-MAST - Center for Mechanical and Aerospace Science and Technologies, que também tem ligação ao campo da aeronáutica.

A partir do vasto conhecimento na área, os três elementos dos C-MAST avançaram com uma inovação que utiliza “técnicas de impressão 3D para pôr o atuador a plasma a aquecer a zona onde há formação de gelo e, em simultâneo, provocar um sopro que expulsa as partículas de gelo daquela zona”, explica José Páscoa, docente e investigador do Departamento de Engenharia Eletromecânica. “Pode ser aplicado, com custos baixos, nas asas dos aviões que voam para locais onde há baixas temperaturas”, acrescenta.

As empresas que, a partir de agora, pretendam utilizar esta tecnologia nos EUA ou nos cerca de 20 países, principalmente da Europa, onde a patente está já registada, têm de entrar em acordo com a UBI no sentido de obterem uma licença para utilizarem este princípio de funcionamento dos atuadores a plasma.

Esta invenção é também reflexo da elevada qualidade da ciência que se produz na UBI, comprovada pelo reconhecimento que tem obtido nos rankings em que é citada. “Constata-se que, no mundo, a cada hora do dia, há um trabalho científico publicado por outra universidade que cita investigação da UBI”, salienta José Páscoa, que é também Vice-Reitor para a Investigação. Universidade da Beira Interior - Portugal