Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 16 de julho de 2025

Portugal - Investigadores desenvolvem pão funcional com benefícios para a digestão e saúde intestinal

Um consórcio liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um pão funcional, com compostos que promovem a saúde digestiva em geral.


O projeto “AlBread: Uso de plantas aromáticas do Alentejo e farinha de bolota no desenvolvimento de pão funcional”, no qual participam as faculdades de Farmácia (FFUC) e Medicina (FMUC), bem como as universidades do Algarve e de Évora, surgiu no seguimento da ideia de criar um alimento com propriedades funcionais que conjugasse ingredientes naturais e benefícios comprovados para a saúde gastrointestinal.

Neste contexto, foi formado um consórcio interuniversitário, que conta com o apoio de várias empresas dos setores da extração de óleos essenciais, produção de farinhas e panificação. «Este projeto propõe a integração de óleos essenciais extraídos de plantas aromáticas e medicinais do Alentejo, como a erva-príncipe e o rosmaninho, e ainda o desenvolvimento de técnicas inovadoras de encapsulamento desses compostos, para que estes sejam libertados no momento certo do processo digestivo, preservando o sabor e aroma tradicional do pão», explica Luís Alves, investigador do Chemical Engineering and Renewable Resources for Sustainability (CERES), da FCTUC.

Outro dos elementos diferenciadores é a utilização de farinha de bolota, proveniente da região do Montado alentejano. «Esta farinha, isenta de glúten e com interessantes propriedades nutricionais, está a ser caracterizada e testada como base do produto, sendo também explorada como matriz para o encapsulamento de compostos bioativos, incluindo probióticos e óleos essenciais», revela o especialista.

Apesar de ainda não haver um protótipo de pão funcional finalizado, os investigadores já obtiveram resultados promissores nas fases de extração e encapsulamento dos compostos ativos. Estão também a avaliar a biodisponibilidade e dosagem segura dos óleos essenciais, em colaboração com a FMUC e FFUC, que contribuem para os ensaios de toxicidade e eficácia dos ingredientes.

«Contamos, em breve, apresentar um primeiro protótipo de pão funcional, com propriedades antioxidantes e digestivas, que respeite o sabor e a textura do pão tradicional, mas com benefícios acrescidos para a saúde. Este desenvolvimento pode representar um avanço significativo no setor da panificação funcional em Portugal, aliando inovação científica, valorização de produtos locais e promoção de hábitos alimentares saudáveis», conclui Luís Alves.

O projeto “AlBread: Uso de plantas aromáticas do Alentejo e farinha de bolota no desenvolvimento de pão funcional” é financiado pelo programa Promove da Fundação “la Caixa”, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia e a colaboração do BPI, e termina em 2026. Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 13 de outubro de 2019

Portugal – Esteva uma planta com efeito antienvelhecimento da pele

Uma investigação científica desenvolvida na Covilhã sobre plantas aromáticas e medicinais já permitiu comprovar que a "esteva é um ingrediente excelente para o antienvelhecimento da pele", disse à agência Lusa uma das responsáveis do projeto



Uma investigação científica desenvolvida na Covilhã sobre plantas aromáticas e medicinais já permitiu comprovar que a "esteva é um ingrediente excelente para o antienvelhecimento da pele", disse à agência Lusa uma das responsáveis do projeto.

"A esteva tem um perfil muito interessante do ponto de vista da atividade antioxidante e, através desta investigação, já comprovámos que ela pode ser um excelente ingrediente para produtos de antienvelhecimento da pele. Além disso, tem uma muito boa atividade microbiana e pode ser um bom candidato num produto antiacne", apontou Ana Palmeira, em declarações à Lusa.

Esta responsável falava à margem da sessão de apresentação dos resultados intermédios do projeto InovEP, que está a ser desenvolvido no âmbito de um consórcio que envolve a LabFit (empresa de investigação e desenvolvimento que é a entidade promotora do projeto), a Universidade da Beira Interior e o Instituto Politécnico de Castelo Branco.

A decorrer entre 2018 e 2021, o InovEP centra-se no estudo das propriedades de onze plantas aromáticas e medicinais que são produzidas em Portugal e em particular na região centro, sendo o grande objetivo produzir conhecimento e depois transmiti-lo para a sociedade, nomeadamente para produtores e indústria.

"Estamos a fazer um estudo que nos permitirá a caracterização de cada uma das plantas quer em termos de propriedades, quer de eventuais usos, quer ao nível da segurança na perspetiva do utilizador e do ambiente. Uma espécie de bilhete de identidade detalhado que depois será transmitido para que os produtores saibam em que plantas podem e devem produzir e para que a indústria saiba quais os extratos a que pode recorrer", apontou.

Segundo referiu, está previsto o desenvolvimento de um produto para o tratamento de fissuras, sendo que o grande objetivo do projeto é produzir saber e partilhá-lo.

"É um projeto vem desmistificar a ideia de que as universidades e centros de saber não transferem conhecimento para a sociedade", frisou.

A análise que está mais adiantada reporta-se à esteva, cujo estudo está agora centrado na análise das propriedades anti-inflamatórias.

Além disso, a investigação também já mostrou que o tomilho limão é um bom antifúngico e que tem boa bioatividade contra o fungo das unhas e que o manjericão que é produzido ao ar livre tem um bom perfil microbiano, enquanto o tomilho se afirma como um bom antifúngico que pode ser usado, por exemplo, em produtos para a candidíase.

"Este é um trabalho que continuará, que engloba o estudo do perfil químico, da segurança e da bioatividade e que também diz quais são as possibilidades de utilização e quais as plantas que são mais produzidas", disse.

Entre as vantagens apontadas, está ainda o contributo para que produtos naturais da região centro possam ser valorizados através da possibilidade de integração na indústria farmacêutica.

No total vão ser estudadas e analisadas 11 plantas, conhecidas pelos seguintes nomes comuns: Perpétua das Areias, Equinácea, Esteva, Camomila, Manjericão, Tomilho, Lúpulo, Hamamélis, Eufrásia, o Cipreste e Tomilho Limão.

Com um valor global de cerca de 800 mil euros, o InovEp e é cofinanciado a 60% pelo Centro 2020. In “Diário Digital de Castelo Branco” – Portugal com “Lusa”