Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 17 de julho de 2022

Brasil - Pela criação da Secretaria da Despesa Federal

Em 2006, dois economistas do Banco Mundial, Indermit Gill e Homi Kharas, cunharam a expressão “armadilha da renda média” para qualificar os países que conseguiram superar a linha da pobreza, atingiram o patamar das nações de renda média, mas não conseguem avançar para o clube dos países ricos. A remuneração da mão de obra já não é tão baixa para que possam competir com produtos de baixo valor agregado, e de outro lado, a produtividade e a competitividade destes países não são suficientes para enfrentar as economias mais dinâmicas. O primeiro grande passo foi a migração em massa do campo para a cidade, de trabalhadores que agregavam pouco valor, para empregos mais produtivos, principalmente na indústria, durante os processos de industrialização dos países. Algumas nações tiveram ainda o reforço do bônus demográfico, anos de crescimento acelerado da população, que permitiu incorporar um importante contingente populacional adicional à economia. São dois movimentos que se esgotaram na maioria dos países. A partir daí os avanços requerem ganhos de produtividade e inovação. Foi o que levou adiante países como Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Portugal e Irlanda e deixou para trás diversos outros, entre eles o Brasil, onde, para agravar o quadro, aconteceu um dos mais fortes processos de desindustrialização, em boa parte por desfuncionalidades nas políticas públicas, que comprometeram a competitividade.

A América Latina, de maneira geral, tem tido dificuldades de avançar para novo patamar de renda. Relatório do Banco Mundial sobre a região aponta o impacto da queda dos investimentos públicos em infraestrutura, há quatro décadas, sobre a competitividade, o crescimento e a desigualdade. E destaca a eficiência dos gastos como alternativa para aumentar a disponibilidade de recursos.

No Brasil, uma ideia que talvez mereça reflexão é a de separar uma parte da competente equipe da Secretaria da Receita Federal, independentemente de nesse momento aparentemente estar desfalcada, para criar a Secretaria da Despesa Federal, que se encarregaria de reduzir os gastos públicos pelo aumento da eficiência. Surtiria o mesmo efeito do aumento de impostos para equilibrar as contas, com a vantagem de extrair menos recursos da sociedade. E a experiência poderia ser replicada nos Estados e até nos municípios.

A crescente ingerência do Congresso no orçamento público, que também reduz a eficiência do gasto,  vem de uma característica intrínseca do nosso sistema político e de contas públicas, que permite discutir direitos sem as correspondentes obrigações. A grande maioria dos agentes se sente no direito de pressionar por gastos, sem a responsabilidade ou até a preocupação pelo equilíbrio das contas públicas. Muitos países resolveram isso criando ferramentas para gerenciar a qualidade e quantidade desse gasto, com adequada atribuição de responsabilidades e participação da sociedade. No Brasil, a Lei de Responsabilidade Fiscal, inspirada na experiência de outros países, previa a criação do Conselho de Gestão Fiscal (CGF), para gerir a questão. Por iniciativa do Movimento Brasil Eficiente, a regulamentação para a criação do CGF foi aprovada por unanimidade no Senado Federal, em 2015 (PLS 141/2014), mas após distorções introduzidas por deputados para diminuir a sua eficácia, dorme na Câmara dos Deputados, desde então. O Congresso precisa sair da zona de conforto e entender que não existe almoço grátis, nem governo grátis. Carlos Schneider – Brasil

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Carlos Rodolfo Schneider - Bacharel e Mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dirige hoje o Grupo H. Carlos Schneider, que inclui empresas como Ciser Fixadores, Ciser Automotive e Hacasa Empreendimentos Imobiliários.

 

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Portugal - Destino preferido de brasileiros, o país atrai aposentados e empreendedores

A transferência de brasileiros para Portugal já é um fenômeno e atrai de aposentados, titulares de rendimentos a empreendedores. Estamos atrás apenas dos chineses em número de população estrangeira que chega a terras lusitanas. Com a alta desses três públicos querendo, de fato, fixar residência em Portugal, o processo de transferência é mais cuidadoso, exigindo extensa documentação e comprovação de renda.

“A procura por vistos é grande e tem muita gente vindo para cá. Os aposentados estão cada vez mais descobrindo Portugal como uma alternativa factível para morar e os empreendedores como uma possibilidade de crescerem com seus negócios, porque há muitas opções para desenvolver. E, para fazer essa transferência de forma segura, orientamos que haja cuidado com a obtenção e retirada dos tipos de visto desses públicos”, explica a advogada Rosangela Esturilio, do escritório Esturilio Advogados, que reside nos Açores e trabalha com a assessoria jurídica para obtenção de vistos para Portugal.

Rosangela se refere, especificamente, aos vistos D7 para aposentados e titulares de rendimentos (proprietário de imóveis alugados, empresa da qual recebe pro-labore ou distribuição de lucro, portador de aplicação financeira, etc) e D2 para empreendedores.

“Essas pessoas têm um perfil de classe média e querem viver fora do Brasil, com a qualidade de vida e segurança que Portugal oferece. No caso dos aposentados, estamos falando de aposentados no Banco do Brasil, na Polícia Federal, juízes e promotores aposentados, ou seja, uma parcela da população que tem condições de fazer essa opção e quer ter o visto da melhor forma possível, facilitado pela melhor informação”, explica a advogada.

Os empreendedores estão procurando Portugal, principalmente, para abertura de comércio.  “Esse público empreendedor tem se concentrado na casa dos 30 anos, o que requer um planejamento financeiro especial”, adianta Rosangela.

Documentação extensa e comprovação de renda são exigências para o visto

Se ter a mesma língua facilita e atrai brasileiros, nem tudo é tão simples. A forma mais célere e efetiva para obter os vistos é com uma assessoria jurídica. Isso porque a lista de documentos pode chegar a 25 itens em um processo para obtenção do visto D7.

“Decifrar essa documentação não é fácil, já que os papeis precisam ser apresentados de forma apostilada, conforme o convênio da Apostila de Haia, o que valida um mesmo documento original em outro país, por exemplo”, conta Rosangela, destacando que essa é uma exigência do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal.

Outro exemplo é o PB4, um convênio entre os estados brasileiro e português, que fornece acesso à saúde pública portuguesa e vice-versa. “São minúcias que garantem uma transferência mais tranquila para outro país”, detalha.

Uma questão exigida é a comprovação de renda, que é de 12 rendimentos de 705 euros, parcela correspondente ao salário mínimo português. “Sem essa renda comprovada, não se consegue o visto D7 ou D2”, alerta.

Por fim, vale dizer que ter um representante para obter o visto é útil, inclusive, para abertura de conta em banco em Portugal. “A otimização de tempo é outra vantagem em contar com uma assessoria, pela familiaridade com a quantidade e variedade de documentos necessários”, finaliza a advogada.

As informações são da Esturilio Advogados, especializada em direito tributário e societário, cível, ambiental, penal econômico, tem atuação nacional e está à frente de 2100 processos ativos em direito contencioso de companhias de grande representação nacional do segmento da madeira, celulose e papel cartão localizadas na Região Sul e Sudeste. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

domingo, 26 de junho de 2022

França - Avança com controlo do preço das rendas

A medida visa travar os excessos nos preços do aluguer das casas e é dirigida aos proprietários "que aproveitam as tensões no mercado de arrendamento para ganhar dinheiro", justificou o presidente da autarquia de Bordéus

Depois de Paris, Lille e Lyon, Bordéus vai introduzir, já a partir de 15 de julho, o controlo do arrendamento de propriedades privadas, para pôr fim aos "excessos" de alguns senhorios numa cidade que se tornou muito atrativa, anunciou esta quinta-feira o presidente da Câmara Municipal da cidade, Pierre Hurmic.

"A maioria dos senhorios cobra rendas decentes, mas esta medida é dirigida àqueles que aproveitam as tensões no mercado de arrendamento para ganhar dinheiro", disse o ecologista e socialista. "Não é uma guerra contra os proprietários, mas contra os excessos, que é o que queremos evitar", salientou também Alain Anziani, presidente da metrópole de Bordeaux, "a 5ª mais cara em França em termos de renda", excluindo a região de Ile-de-France.

Preços máximos por metro quadrado

 Os controlos de arrendamento consistem em fixar um preço máximo por metro quadrado para propriedades de acordo com várias variáveis (distrito, data de construção, alojamento mobilado ou não mobilado, etc.) e não devem exceder 20% da renda de referência.

A região de Nouvelle-Aquitaine publicou o decreto que fixa as rendas médias esta quinta-feira, o que permite à cidade implementar este esquema.

"A data limite é 15 de julho porque sabemos que esta é uma boa altura para procurar pequenos apartamentos e alojamento para estudantes. No entanto, os estúdios e T1 são os mais afetados pelo aumento das rendas", disse o presidente da câmara de Bórdeus.

Um simulador acessível disponibilizado na Internet dentro de poucos dias permitirá aos inquilinos e senhorios verificar se o seu aluguer está dentro dos limites.

Regulação do mercado de arrendamento alargada a várias cidades

Esta experiência, que está programada para decorrer até 2026, completa "o conjunto de instrumentos de regulação do mercado", tais como a licença de aluguer e a licença de divisão, de acordo com o presidente da câmara e com a metrópole.

Aplicado em Paris desde 2015, com uma interrupção forçada pela justiça em 2018-2019, o enquadramento das rendas foi entretanto alargado a outras cidades: Lille, Lyon, Villeurbanne, as intercomunidades de Seine-Saint-Denis Plaine Commune (em torno de Saint-Denis) e Est Ensemble (entre Montreuil e Bobigny), e Montpellier. In “Contacto” - Luxemburgo


terça-feira, 7 de junho de 2016

Moçambique – Culturas de Algodão e Caju apresentam sinais de recuperação

As culturas de algodão e da castanha de caju mostram sinais de recuperação, em resultado dos investimentos que têm sido direccionados para estes subsectores, que no entanto ainda carecem da dinamização da cadeia de valor de modo a incrementar a renda dos produtores.

O Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, disse, a propósito, que a revitalização do subsector do algodão continua a ser uma aposta firme, dada a sua inestimável contribuição para a geração de renda para aproximadamente 200 mil famílias envolvidas, para além dos 20 mil postos de trabalho criados.

Falando na vila de Namaacha, Pacheco indicou que como fruto do investimento realizado o sector algodoeiro irá registar na presente campanha uma produção estimada em 70 mil toneladas de algodão-caroço, contra 49174 da campanha anterior, representando um incremento de 42 por cento.

Segundo o titular da Agricultura e Segurança Alimentar, atenção particular está a ser dada às acções conducentes ao aumento da produtividade, processamento local da fibra e criação de sinergias com outras cadeias, de forma a agregar valor à produção e incrementar, de forma contínua, a renda dos produtores.

Neste contexto, o subsector irá privilegiar a introdução de tecnologias modernas, buscando métodos intermédios de processamento da fibra e de aproveitamento dos subprodutos do algodão.

De igual modo, o subsector do caju continua a merecer atenção d governo, dado o seu impacto na geração de renda. Na campanha 2015/2016 foram comercializadas 104 mil toneladas de castanha, contra 81,2 mil toneladas na campanha anterior, representando uma taxa de crescimento de 28,8 por cento.

A ideia, segundo Pacheco, é continuar a dinamizar o programa de renovação e expansão do parque cajuícola, através do fomento e plantios ordenados, processamento secundário da amêndoa, através de pequenas unidades, de modo a aumentar a capacidade interna de processar das actuais 35 mil para 70 mil toneladas por ano.

Durante a campanha 2014/2015 foram produzidos 3,5 milhões de mudas, representando um crescimento de 12% em relação à campanha anterior.

No que se refere à protecção fitossanitária foram tratados aproximadamente cinco milhões de plantas, contra 4,9 milhões do período anterior, representando um desempenho de 109%. No mesmo contexto, foram produzidos 2,1 milhões de mudas de cajueiro. In “Jornal de Notícias” - Moçambique