Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Portugal – Cidade do Porto celebra os 90 anos de Malangatana com exposição e programação cultural

A cidade do Porto acolhe, a partir deste sábado, 11 de abril, a celebração do 90.º aniversário do renomado artista moçambicano Malangatana Valente Ngwenya, (Matalana, distrito de Marracuene, Moçambique, 6 de junho de 1936 – Matosinhos, Portugal, 5 de janeiro de 2011) com a inauguração da exposição “Crepúsculo Moçambicano”, no Espaço MIRA, às 16h

A mostra reúne diversas expressões artísticas, incluindo pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia, cinema e memorabília, homenageando o legado multifacetado de Malangatana e a riqueza da arte moçambicana. A curadoria está a cargo de Lurdes Macedo e Manuel Santos Maia.

A programação estende-se até ao final de junho, com actividades a decorrer também no MIRA Fórum, incluindo lançamento de livro, leitura performativa, exibição de documentário, debates e um colóquio inserido na II Escola de Verão de Estudos Africanos em Português.

Entre os destaques, consta o lançamento do livro Malangatana: The Eye of the Crocodile, de Richard Gray, agendado para 9 de maio, bem como a exibição do documentário “No Trilho de Malangatana: Do Legado à Memória”, seguida de debate, no dia 6 de junho.

A exposição conta ainda com obras de vários artistas, como Reinata Sadimba, Rúben Zacarias e Shikhani, entre outros, além de contribuições documentais e bibliográficas de importantes nomes da literatura e investigação lusófona, incluindo Mia Couto e Paulina Chiziane.

A iniciativa resulta de uma colaboração entre a Fundação Malangatana Valente Ngwenya, o CICANT/LabCLIP, as Galerias Mira e a Colecção João de Almeida, reforçando os laços culturais entre Moçambique e Portugal. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 24 de março de 2026

Angola - Artistas exibem “100tenário de Camilo Pessanha” em exposição colectiva no Camões Centro Cultural Português

O Camões Centro Cultural Português, em parceria com o literArte, realiza hoje, a partir das 17h30, a inauguração da 14.ª Exposição colectiva “100tenário de Camilo Pessanha”, uma mostra que reúne uma selecção de 14 artistas, inspiradas em três poemas do poeta e escritor português Camilo Pessanha. Depois da abertura oficial, a mesma estará patente ao público até 15 de Abril do corrente ano


Inspirada nos poemas “Caminho”, “Vénus” e “Voz Débil que Passas”, trata-se não apenas de uma exposição de artes plásticas, mas de uma mostra que representa um encontro entre gerações, unindo uma nova geração de artistas angolanos a um dos maiores nomes da literatura portuguesa.

A exposição apresenta 28 obras, entre pintura, escultura, gravura e cerâmica, explorando diferentes correntes artísticas, como o surrealismo ou o realismo, entre outras abordagens contemporâneas.

Em declaração à imprensa, o assessor de cooperação-cultura do Camões-Centro Cultural Português, João Azeredo, disse que o grupo é composto por 14 artistas diferentes que vão colocar os seus trabalhos à disposição da comunidade, alguns com mais experiência na área e outros com menos tempo de carreira. Maria Custódia – Angola in “O País”


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Macau - Catarina Cottinelli expõe na Casa Garden


Estava marcada primeiramente para 25 de Junho, no âmbito das comemorações do “Junho, mês de Portugal na RAEM”, mas devido ao surto local de Covid-19 que assolou Macau em Junho e Julho, só agora a artista Catarina Cottinelli vai apresentar ao público “Desenhar Macau – Desenho, Pintura, Gravura e Monotipias”, no próximo sábado, dia 24 de Setembro, pelas 17h30, na Casa Garden da Fundação do Oriente.

A proposta da portuguesa é uma mostra com cerca de 150 obras de pintura a óleo, desenho e gravura, que estará patente até 21 de Outubro. Trata-se de uma espécie de retrospectiva dos trabalhos que Catarina Cottinelli tem vindo a fazer desde que chegou a Macau em 2018.

Catarina Cottinelli havia confessado ao nosso jornal, em Junho passado, que a presença nos cursos de Casa de Portugal promovidos pela artista Madalena Fonseca, em 2019, ajudaram a desenvolver em si várias técnicas desde a pintura a óleo, paisagem, retratos e também gravura. “Os trabalhos expostos revelam o conjunto destas experiências e são o resultado destes quatro anos em Macau. Uma parte da exposição é dedicada às quarentenas, a primeira em casa em Março de 2020 e a outra já em 2021 no hotel Grand Coloane Resort”, explicou, acrescentando que há também uma série de retratos de família que a autora fez em 2020 para poder “estar com todos mesmo sem voltar a Portugal”. Entretanto voltou a Portugal e fez mais uma quarentena.

Todas as obras de Catarina Cottinelli são, no seu conjunto, uma espécie de diálogo entre dois mundos: um mundo afectivo, distante tendo em consideração o afastamento que nos tem sido imposto pela pandemia, e um mundo realista que resulta da observação do meio envolvente, pode ler-se no comunicado de imprensa enviado ontem pela Fundação Oriente às redacções.

Catarina nasceu em Lisboa e é licenciada em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa. Estudou desenho à mão livre na Berkeley University of California (UCLA), em 1985. Desde que chegou a Macau, em 2018, que é professora visitante na Universidade de São José (USJ). Integrou o programa de residências artísticas da delegação de Macau da Fundação Oriente, programa que teve início em 2011, no qual participaram vários artistas de Macau e de Portugal. É filha de Daciano da Costa, considerado o “pai do design português”, e neta de Cottinelli Telmo, arquitecto e cineasta, responsável pela Exposição do Mundo Português e por ter idealizado o Padrão dos Descobrimentos, bem como por ter realizado o filme “A Canção de Lisboa” com Vasco Santana, Beatriz Costa e António Silva. É caso para dizer que filha de peixe sabe nadar. Do trabalho deles, é quase certo, bebeu a influência do meio artístico. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


 

terça-feira, 14 de junho de 2022

“Desenhar Macau” com um “olhar crítico”

Naquela que é a sua primeira exposição, Catarina Cottinelli apresenta uma série de técnicas de representação que vão do desenho à pintura, e da gravura à monotipia. Intitulada “Desenhar Macau”, a mostra inaugura a 25 de Junho ficando patente ao público até 31 de Julho. Ao Jornal Tribuna de Macau, a arquitecta explicou que obras são estas que vai expor e o processo para chegar a elas


Cerca de uma centena de trabalhos da arquitecta Catarina Cottinelli vão compor a mostra “Desenhar Macau Desenho. Pintura. Gravura. Monotipias”, que vai inaugurar na Casa Garden, no dia 25 de Junho, pelas 17h30, no âmbito das comemorações de “Junho, Mês de Portugal”. Apesar do título, a artista refere que as obras não se cingem ao desenho, por um lado porque é também “no sentido de pensar, observar, ter um olhar crítico sobre as coisas que nos rodeiam”, e, por outro, porque ao longo de quatro anos e meio explorou uma série de técnicas diferentes do desenho, que é a sua “base”.

“Como arquitecta, tenho essa experiência de, quando chego a um sítio novo como foi chegar a Macau, ter essa curiosidade de conhecer, estar e perceber um pouco como é que as pessoas vivem os espaços”, começou por contar ao Jornal Tribuna de Macau. Chegada ao território em 2018, e estando a dar algumas aulas na Universidade de São José, Catarina Cottinelli decidiu ir para a Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal, onde fez o curso de pintura e gravura com Madalena Fonseca. “A minha ideia era também experimentar um pouco outras coisas, porque sempre tive curiosidade de fazer pintura a óleo e explorar outras técnicas de representação”, acrescentou.

A exposição – que é a primeira de Catarina Cottinelli, e, por isso, “uma aventura” – é, assim, o resultado de vários anos de “investigação” feita nas diferentes áreas. “É uma investigação em várias áreas de representação, que vão do desenho à pintura, e técnicas mistas. É uma série de experimentações que são importantes para as pessoas se soltarem um pouco. Mas para mim a parte fundamental é desenhar, essa é a minha base”, sublinhou.

Segundo explicou a este jornal, a mostra será dividida visualmente em três blocos: Macau, o confinamento e a família. “A primeira parte inclui a arquitectura, as pessoas, os sítios mais especiais para mim. Adoro o Jardim de Lou Lim Ioc, por isso vai aparecer muita coisa relacionada com o jardim, há trabalhos sobre a Rua da Felicidade, sobre o Lilau”.


Já a parte do confinamento abarca trabalhos que realizou durante uma quarentena que realizou em casa e outra de 21 dias que fez num hotel, quando regressou a Macau. “É uma série de desenhos que pratiquei durante estes 21 dias. Foi uma maneira de não me perder muito. Estava em Coloane e portanto é Coloane desenhado com olhares diferentes, apesar de ser a mesma vista”, recordou Catarina Cottinelli.

Por fim, a parte dedicada à família apresentará uma série de retratos dos seus familiares. “Esta parte foi feita em 2020. Foi o ano em que não pude ir a casa e por isso desenhei os retratos de quase toda a gente da família”, explicou.

Sublinhando que a exposição “não é um fim”, porque ainda tem muito para “explorar”, Catarina Cottinelli apontou que a pandemia acabou por ser uma oportunidade para apostar na descoberta de outras técnicas. “Estar aqui fechada e ter também mais tempo foi uma oportunidade para desenvolver muito mais estas matérias. Foi uma grande oportunidade para mim. Temos de fazer das adversidades oportunidades, não é? E foi exactamente isso. Acho que nunca teria feito tanta coisa se não tivesse ficado aqui fechada. Teria viajado, mas assim tive oportunidade de investigar”, afirmou.

Segundo a programação do mês de Junho, a mostra “resulta de uma prática diária na vida de Catarina Cottinelli como forma de observar e reconhecer o mundo envolvente”. “Macau tem sido para a artista uma grande fonte de inspiração pela sua Arquitetura e Ambientes muito próprios e também pelas pessoas e encontros felizes que Macau lhe proporcionou”, pode ler-se. A exposição fica patente ao público até 31 de Julho.

Nascida em Lisboa, Catarina Cottinelli é licenciada em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa, tendo ainda estudado desenho à mão livre na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




terça-feira, 7 de junho de 2022

Macau - “Lusografia” é a proposta da Galeria Amagao para a iniciativa “Junho, mês de Portugal”

Mais de 70 peças de 24 artistas é o que poderemos ver, de 10 de Junho a 4 de Setembro. Trabalhos de artistas como Artur Bual, Cruzeiro Seixas, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Paula Rego, Vieira da Silva ou Vhils, entre muitos outros, estarão patentes no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau


No âmbito das comemorações do “Junho, mês de Portugal na RAEM”, a Galeria Amagao apresenta “Lusografia – Exposição de obras de serigrafia, gravura e artes gráficas de artistas portugueses”, de 10 de Junho a 4 de Setembro, no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau, um conjunto de mais de 70 obras de mais de 24 artistas. A inauguração terá lugar no dia 9 de Junho, pelas 18h30. “Portugal tem uma longa tradição na gravura, serigrafia e artes gráficas afins. A produção de múltiplos de alta qualidade de uma obra de arte torna-a acessível a um público mais amplo”, pode ler-se no programa das comemorações.

Alexandre Baptista, Alexandre Marreiros, Alfredo Luz, Artur Bual, Carlos Dugos, Clotilde Fava, Cruzeiro Seixas, Espiga Pinto, Francisco Geraldo, Graça Morais, Isabel Rasquinho, João Paulo, Jorge Martins, José Luís Tinoco, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Maria João Franco, Miguel Pamplona, Paula Rego, Raquel Oliveira, Velhô, Vieira da Silva e Vhils são os autores lusos representados com várias obras nesta mostra. “Uma parte das obras é acervo da galeria e outra parte pertence a coleccionadores privados. É uma exposição que vínhamos a criar nos últimos anos e que faz todo o sentido ser inaugurada no âmbito das comemorações do 10 de Junho”, referiu ao Ponto Final José I. Duarte, da parte da organização.

Cruzeiro Seixas e Júlio Pomar terão 12 obras expostas cada um. “Aliás, era minha intenção fazer uma exposição individual do Cruzeiro Seixas em Macau. Era mais do que merecido, mas não foi possível e, entretanto, em 2020, ele faleceu”, revelou o também economista. Cruzeiro Seixas, decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do surrealismo português e europeu, no seu longo percurso artístico, conta com uma fase expressionista, outra neo-realista e outra, com início no final dos anos 40, mais prolongada, em que integra o movimento Surrealista Português, ao lado de Mário Cesariny, seu companheiro, entre muitos outros artistas.

Já Júlio Pomar dispensa apresentações. O seu trabalho tem sido reconhecido através de homenagens, prémios e exposições retrospectivas em todo o mundo. Nascido em 1926, acabou por ser um dos mais notáveis artistas plásticos portugueses da segunda metade do séc. XX. Faleceu em 2018.

Artur Bual, por exemplo, terá duas obras na mostra. Uma delas, avançou José I. Duarte, ser-lhe-á concedida honras de destaque. “Trata-se de uma obra feita, de propósito, para as comemorações do 10 de Junho em Macau em 1992. Precisamente há 30 anos. Por isso, decidimos dar-lhe um maior destaque”. Nascido em Lisboa, Bual foi um dos maiores pintores portugueses da segunda metade do século XX, pioneiro da pintura gestual, igualmente escultor e ceramista. Morreu na Amadora, cidade onde se radicou, em 1999.

Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro e Júlio Resende são ainda outros nomes consagrados que marcam presença no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau. A luso-francesa, também conhecida pelo seu activismo anti-fascista, é um dos grandes nomes da arte portuguesa do século XX. Nascida em 1908, navegou pelos movimentos artísticos do surrealismo, expressionismo e abstraccionismo, entre outros. Morreu em Paris em 1992. O beirão raiano Cargaleiro, com 95 anos, também se notabilizou como pintor e ceramista. Tem obra espalhada por todo mundo, com especial destaque em França, país que o agraciou em 1984. Parte da sua obra encontra-se em exposição permanente no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco. Júlio Resende é conhecido, entre outras coisas, pelos seus murais em azulejo espalhados, maioritariamente, no Porto, cidade onde nasceu em 1917. Também ele passou por França, onde bebeu da obra de Duco de la Haix e de Otto Friez. Do geometrismo ao não figurativismo, do gestualismo ao neofigurativo, a sua arte desenvolveu-se numa encruzilhada de pesquisas, cuja dominante foi sempre expressionista e lírica. Morreu em 2011, aos 93 anos.

Também “presente” estará Paula Rego. A artista, considerada por muitos como o expoente máximo das artes plásticas portuguesas contemporâneas, nasceu em 1935. Fixou-se em Londres desde muito cedo e essa vivência em Terras de Sua Majestade pode ter-lhe conferido outra visibilidade à sua obra. Tem diversos títulos honoríficos, tanto em Portugal como no Reino Unido, e ainda noutros países. Paula Rego foi madrinha da Bienal Internacional de Mulheres Artistas de Macau.

Além do seu valor estético individual, estas obras tornam-se objectos de colecção. Muitos artistas portugueses famosos produziram abundantemente utilizando variadas técnicas de impressão. E, “sem qualquer tipo de reserva, todas as obras estão disponíveis para venda”. “Esperemos que as pessoas venham visitar a exposição. Há obras notáveis que merecem ser vistas e, quiçá, compradas. É arte que faz bem aos olhos e à alma”, referiu José I. Duarte.

A Galeria Amagao foi criada com uma vocação lusófona, mas desta vez, e devido ao tema da exposição, todos os artistas são portugueses, dos mais consagrados aos mais novos. “Para além dessa vocação, temos ainda essa outra vocação de mesclar artistas, procurando dar um panorama o mais diversificado possível. Por isso, decidimos juntar a Paula Rego ou o Pomar, com o Vhils ou o Alexandre Marreiros”, notou ainda José I. Duarte, acrescentando que Portugal é um mais “muito prolífico” na produção de serigrafia, gravura e artes gráficas. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”



domingo, 26 de abril de 2020

Portugal – Maior gravura rupestre ao ar livre do mundo encontra-se em Foz Côa




Arqueólogos da Fundação Côa Parque, em Foz Côa, colocaram a descoberto a maior gravura ao ar livre, representativa de um auroque (boi selvagem), gravada numa rocha no sítio do Fariseu, datada do Paleolítico Superior.

“Encontrámos, durante as escavações, a figura de um auroque com a dimensão de 3,5 metros, que é neste momento a maior [gravura] do mundo, dentro do seu género, encontrada ao ar livre, datada do período do Paleolítico Superior, com cerca de 23 mil anos”, explicou hoje à Lusa o arqueólogo da Fundação Côa Parque, Thierry Aubry.

Os arqueólogos envolvidos nestas escavações, no Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), perceberam que o painel tinha mais de seis metros de comprimento, quando escavavam os sedimentos.

“Verificou-se que o traço que se observava à superfície fazia parte da garupa de um grande auroque, com mais de 3,5 metros de comprimento. Trata-se da maior figura da arte do Vale do Côa e do mundo, apenas comparável com os auroques da gruta de Lascaux”, em França, indicou o também responsável técnico-científico do Museu do Côa (MC) e do PAVC.

No interior desta rocha, os arqueólogos identificaram outros animais gravados por picotagem e abrasão: uma fêmea de veado, uma cabra e uma fêmea de auroque, seguida pelo seu vitelo.

“No setor direito do painel identificou-se um outro conjunto de gravuras, contendo várias representações de auroques, veados e cavalos, todos sobrepostos, que se encontram ainda parcialmente sob sedimentos. As figuras parecem fazer parte da fase mais antiga da arte do Côa, datada de há mais de 23 000 anos”, vincou Thierry Aubry.

A rocha 09 do Fariseu representa um dos principais núcleos de arte rupestre do Vale do Côa, classificados como Monumento Nacional e inscritos na Lista do Património Mundial da organização das nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

“Além da importância do achado em si, o facto de o painel ter sido encontrado sob camadas arqueológicas permite atribuir-lhe uma data mínima. Esta é a única forma de datar objetivamente a arte do Côa, uma vez que é impossível de datar diretamente por Carbono 14”, explicou o arqueólogo à Lusa.

Os trabalhos arqueológicos foram entretanto suspensos no âmbito do plano de contingência da covid-19.

“A continuação dos trabalhos e as datações físico-químicas a realizar permitirão datar de forma científica estas camadas que cobrem as gravuras, mas a sua comparação com o registo da rocha 01 permite dizer que as mais antigas [serão] das primeiras fases do Paleolítico Superior”, avançou Thierry Aubry.

A escavação surgiu no contexto do estudo do contexto arqueológico da arte paleolítica do Vale do Côa, que se vem desenvolvendo há 25 anos.

Os trabalhos arqueológicos serão retomados assim que as atuais medidas de contenção da pandemia do novo coronavírus o permitam.

Por seu lado, o presidente do concelho diretivo da Fundação Côa Parque, Bruno Navarro, disse que o PAVC é “um laboratório incrível da arte rupestre no mundo inteiro, que mudou o paradigma do entendimento que é feito hoje sobre a arte rupestre”.

O PAVC detém mais de mil rochas com manifestações rupestres, identificadas em mais de 80 sítios distintos, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há cerca de 30 000 anos, cada vez mais expostas a adversidades climatéricas e geológicas.

O Parque Arqueológico do Vale do Côa foi criado em agosto de 1996. A arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património da Humanidade pela UNESCO. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

sábado, 9 de novembro de 2019

Macau - Gravura de Madalena Fonseca assinala centenário de Sophia na Casa de Portugal

A Casa de Portugal em Macau (CPM) associou-se às actividades de comemoração do centenário do nascimento da poetisa Sophia de Mello Breyner com a criação de uma gravura da autoria de Madalena Fonseca, professora de pintura na CPM.



“É uma pintura a óleo sobre tábua, onde fiz o retrato de Sophia a tinta da china com caneta de aparo que, como que me aproxima do grafismo da sua escrita. Escolhi uma tábua onde os veios da madeira me sugeriam o rasto das ondas do mar na praia quando a maré vaza”, contou ao HM.

A professora de pintura sente-se próxima da poesia de Sophia de Mello Breyner. “Quando leio Sophia, reencontro o meu fascínio pela arte Grega e pinto ‘colunas nascidas da necessidade de erguer um tecto sem muros’; retorno constantemente à natureza onde, com Sophia, adivinho o divino; com Sophia vejo a ordem e a harmonia do azul cobalto e confirmo que ‘viajar é olhar’”, confessou ainda.

Além da CPM, a Livraria Portuguesa também se associa às comemorações ao conceder, até domingo, desconto em todos os livros de Sophia de Mello Breyner. A Universidade de São José realizou esta quarta-feira, data do nascimento da autora, um colóquio sobre a sua obra. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”

andreia.silva@hojemacau.com.mo