Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 7 de março de 2025

Portugal - Violas brasileiras e portuguesas protagonistas em concerto de Fernando Deghi na cidade de Castelo Branco

Repertório do compositor e instrumentista brasileiro envolveu diversas afinações da viola caipira brasileira, numa conjugação com o mesmo instrumento na sua vertente portuguesa



Fernando Deghi, prestigiado instrumentista, professor, compositor, arranjador e pesquisador brasileiro, com raízes em Portugal, apresentou-se no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB) na região Centro de Portugal.

Durante o concerto intitulado “Geografias”, este músico, nascido em Santo André, no estado de São Paulo, em 1962, mostrou o seu talento formado sob várias influências musicais, tendo como protagonistas as violas brasileiras e também um repertório com as suas composições originais para violas portuguesas.

Deghi levou ao público toda a experiência musical e formação adquirida como professor, com o pai e os bisavós, numa viagem sonora aproximando culturas musicais como a espanhola, a brasileira e a celebração da musicalidade luso-brasileira e a universalidade da viola.

É característico do artista a experimentação e o aprendizado de formas diferentes de execução. Durante o concerto, o público pôde ainda ouvir “diversas afinações da viola caipira brasileira, como o Cebolão, Rio Abaixo, Paraguaçu, Rio Acima”.

Segundo apurámos, Deghi revelou “as nuances e as riquezas sonoras que cada afinação proporciona” por meio das suas próprias composições, “criadas para as afinações das violas tradicionais portuguesas, como a beiroa, campaniça, braguesa e açoriana”.

“Cada música é intercalada por “contos e causos que permeiam o universo místico dos violeiros”, revelou o artista.

A organização do concerto ressaltou que, durante o momento do BIS, houve duas “grandes surpresas: guitarra portuguesa e viola braguesa”, com a presença de convidados “especialíssimos”.

O auditório de 275 lugares, integrado num edifício arquitetado pelo catalão Josep Lluis Mateo e pelo português Carlos Reis de Figueiredo, proporcionou ao público a audição de todas as nuances sonoras criadas pelo instrumentista, porque o sistema acústico, de autoria do catalão Higini Arau, foi elaborado sem depender dos “sistemas de amplificação”.

Fernando Deghi conta com vasta experiência musical internacional

De formação erudita, Fernando Deghi desenvolve o seu trabalho em torno da composição, recuperação, divulgação e ensino de viola brasileira, de dez cordas e caipira, desde 1989. Iniciou os seus estudos na área musical em 1975, sendo grande parte desta trajetória dedicados a estudos intensos na prática violonística e inúmeros concertos individuais e duo. As suas composições exploram as possibilidades deste instrumento.

Deghi é o autor dos livros “Viola brasileira e suas possibilidades” (2001), “Ensaios para Viola Brasileira” (2003), “Iniciação a Arte da Viola Brasileira” (2007), “Navegares” (2011), e “Ensino à Distância de Viola”.

Possui três CD’s gravados: “Violeiro Andante” (2000), “Brasil Violado” (2004) e “Navegares”, lançado em junho de 2011. Deghi está, ainda, presente na coletânea “Veredas da Atlântida – uma caminhada simbólica”, lançado na Ilha Madeira em 2005, e no CD “Navegantes Lisboa”, em 2007. Interpretou sinfonia 40 de Mozart no CD “Viola em Concerto”, de 2011, onde foram reunidos os ícones da viola brasileira.

Apresentou-se em centros musicais de renome em São Paulo e em diversos estados brasileiros, além de cidades portuguesas em 2003, 2004, 2005, 2007, 2012, incluindo Lisboa, Coimbra, Évora, Seixal, Castro Verde, Ilha da Madeira (Festivais-Raízes do Atlântico, Machico, Ribeira Brava), Músicas do Mundo, e participação em vários trabalhos como arranjador e compositor.

Em 2005, participou no ano do Brasil na França no “Festival D’Ille de France” a convite de produção francesa. Em 2012, atuou no ano do Brasil na Colômbia. Tem ainda passagens pela Alemanha, Espanha, Itália e Argentina.

Participou como ator e músico na telenovela brasileira “Escrava Isaura” exibida pala Rede Record em 2003, 2004, 2005, sendo reapresentada em edição especial em 2007.

Para a novela “Bicho do Mato”, também na Rede Record, a sua participação foi como compositor, tendo três obras da sua autoria na banda sonora da novela: “Cavalgada”, “Sertão do Canto”, “Riacho” e “Doce”. Além da área musical, é formado em cinema.

Foi curador e diretor-geral do “INSTRUMENTA VIOLA”, na sua segunda edição. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


sábado, 27 de janeiro de 2024

Portugal – Associação “Mais Lusofonia” completou um ano de existência e anunciou nova missão a Cabo Verde

Um desfile de autoridades e homenagens para portugueses e estrangeiros. Ficou assim marcada a gala de celebração de um ano de existência da Associação “Mais Lusofonia”, no último dia 7 de janeiro, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco. Um evento que contou também com a apresentação dos bailarinos de todas as idades da companhia de dança Sofia Lourenço.


Para celebrar esta data, a direção da Associação decidiu homenagear nomes importantes no cenário da responsabilidade social, como a empresária Inês Furtado, ou tia Néné, residente nos Açores, e que é conhecida por enviar toneladas de doações para Cabo Verde, bem como à jornalista brasileira Claudine Lourenço, também residente nos Açores e que toca o projeto de TV “Planeta Mulher”.

Outros nomes homenageados pela Associação pelo apoio institucional foram Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco; Ana Pires, encarregada dos negócios internacionais da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, e Manuela Oliveira, representante da Promoção das Comunidades do diplomacia cabo-verdiana. Foi também agraciado com a homenagem o diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, José Andrade; a Associação Cultural e Desportiva da Carapalha, através do presidente José Perquilhas, que também entregou uma homenagem à Associação; o professor Jorge Pires, em representação da Escola Profissional do Conservatório de Castelo Branco; Olga Alvez, presidente do BNI Estratégia, em Abrantes; e o empresário Luis Fernandes. Outros nomes presentes foram citados pela conexão e auxílio nos trabalhos da Associação, como João Morgado, presidente da Casa do Brasil – Terras de Cabral, Margarett Neves, presidente da Associação dos Angolanos de Castelo Branco, e Hélder Martins, presidente da Associação “4 Corações”.

Durante a gala, a tia nené recebeu também um diploma de responsabilidade social da Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina, título que foi entregue também à presidente da Associação Mais Lusofonia, a empresária luso-brasileira Sofia Lourenço, que lidera a Clinibeira, em Castelo Branco.

Esta responsável recordou que, somente em 2023, foi realizada uma missão a Cabo Verde, com a entrega de uma tonelada de doações para entidades na cidade da Praia e na ilha da Brava, com a participação de dezenas de voluntários. Foram também assinados protocolos com diversas instituições portuguesas e estrageiras, como a Casa da Cidadania da Língua, em Coimbra, a Casa do Brasil – Terras de Cabral, em Belmonte, e o Programa Regressar, do governo de Portugal, entre outros exemplos.

Apesar de celebrar um ano de existência, os voluntários da Associação promovem ações sociais em Portugal, no Brasil e em Cabo Verde há mais anos. Juntos têm auxiliado diversas comunidades carenciadas nesses destinos.

Francisco Tavares, presidente da Câmara Municipal da Brava, surpreendeu a organização do evento ao comparecer informalmente à gala, afirmando que a sua presença é um ato de reconhecimento pelo trabalho da Associação.

Por sua vez, Clara Marques, presidente da Assembleia Municipal da Praia, destacou o empenho dos voluntários da Associação Mais Lusofonia em ajudar o próximo no seu país.

À nossa reportagem, Sofia Lourenço revelou que está a ser preparado um contentor que seguirá repleto de doações, como roupas, calçados, material sanitário, entre outros, para Cabo Verde e cujos objetos serão entregues pelos voluntários luso-brasileiros da Mais Lusofonia à população das ilhas de Santiago e da Brava no mês de julho deste ano.

No dia 12 de janeiro, a Associação “Mais Lusofonia” recebeu uma homenagem da Associação “4 Corações”.

“As nossas ações contam com a ajuda da população. Não recebemos qualquer apoio governamental. Apesar disso, seguimos fortes, com a adesão do público às nossas atividades que têm o objetivo de recolher doações para as ações de voluntariado da nossa Associação”, finalizou Sofia Lourenço. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


terça-feira, 10 de outubro de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra participa em congresso “Farm to Fork: our food, our health, our future”

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai participar no congresso “Farm to Fork: our food, our health, our future”, que se realiza de 16 a 18 de novembro, em Castelo Branco.



Este congresso é visto como uma plataforma para partilha de conhecimento, aprendizagem e oportunidades de networking entre investigadores, cientistas, decisores políticos, profissionais agroalimentares e de nutrição, estudantes e a indústria agroalimentar. Os interessados em participar podem submeter trabalhos até ao próximo domingo, 15 de outubro

A iniciativa “Farm to Fork” surge na sequência das redes colaborativas e atividades de investigação desenvolvidos no âmbito do programa integrado de IC&DT CULTIVAR, reunindo especialistas nacionais e internacionais nas áreas agroalimentar e nutricional, bem como líderes globais, para aprofundar os temas mais recentes que englobam a jornada do prado ao prato. 

O projeto CULTIVAR, que pretendeu responder aos desafios que as fileiras do setor agroalimentar da região Centro enfrentam usando uma estratégia de desenvolvimento territorial alicerçada na caracterização, conservação e valorização dos recursos genéticos endógenos, foi liderado por Helena Freitas, coordenadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da FCTUC, e teve como parceiros o Instituto Pedro Nunes (IPN), o Centro de Apoio Tecnológico Agroalimentar de Castelo Branco (CATAA) e o Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB). O Programa Operacional Centro 2020 financiou o projeto.

Para detalhes sobre agenda, inscrição, submissão de resumos para póster/comunicação oral e outras informações relevantes, visite a página do congresso. Universidade de Coimbra - Portugal





terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Portugal - Vhils e Cargaleiro criaram juntos “Mensagem” que vai estar exposta em Castelo Branco

Os artistas Alexandre Farto (Vhils) e Manuel Cargaleiro criaram juntos uma obra que vai estar “brevemente” em exposição no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco, e deu origem a uma litografia que vai estar disponível este mês


“Mensagem” é o título da peça que, “construída em madeira – cortada, pintada, esculpida –, retrata as estéticas particulares de cada artista numa justaposição simbiótica, um contraste que oscila entre individualidade e comunhão”, de acordo com a Fundação Manuel Cargaleiro, em comunicado. A obra “encapsula e reflete duas gerações, duas perspectivas, duas formas de ver e encarar o mundo”.

Vhils e Manuel Cargaleiro nasceram com 60 anos de diferença, o primeiro em 1987 e o segundo em 1927. Em comum, além de uma carreira nas Artes, têm o concelho do Seixal, onde Vhils nasceu e cresceu e onde há uma escola secundária e uma Oficina de Artes batizadas com o nome de Manuel Cargaleiro, que, apesar de ter nascido em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, passou parte da infância naquele concelho.

A Fundação Manuel Cargaleiro refere ainda que “Mensagem” “estabelece uma ponte entre diferentes movimentos e contextos artísticos, diferentes formas de fazer e criar”, mas “é também História, a História de uma relação entre artistas, de uma geração a inspirar outra, da proximidade entre dois criadores separados pelo significado do tempo, e unidos por ideias e valores que o transcendem”.

A obra estará “brevemente” em exposição no Museu Cargaleiro, mas fonte daquela instituição, contactada pela Lusa, não soube precisar quando tal irá acontecer.

Entretanto, no dia 22 de Fevereiro, a galeria Underdogs, da qual Vhils é um dos fundadores, lança uma litografia de edição limitada inspirada em “Mensagem”. De acordo com a galeria lisboeta, a litografia, “que apresenta a mesma composição e título da obra original, foi produzida na Idem”, gráfica especializada em litografia, fundada em 1880 em Paris.

Manuel Alves Cargaleiro é autor de uma vasta obra, representada em coleções públicas e privadas em Portugal e outros países, como França e Itália. Executou vários trabalhos de arte pública, nomeadamente, a estação do Metro de Champs Elysées-Clémenceau, em Paris, os painéis cerâmicos para o Jardim Municipal de Almada, a fachada da Igreja de Moscavide, o painel para a escola com o seu nome no Seixal, a fonte no Parque da Cidade de Castelo Branco e a estação do Colégio Militar do Metro de Lisboa.

Nascido a 16 de Março de 1927, Manuel Cargaleiro iniciou estudos em 1946, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, mas abandonou aquela área para se dedicar às artes plásticas, iniciando-se como ceramista na Fábrica Sant’Anna, em Lisboa.

Em 1952 fez a primeira exposição individual, na Sala de Exposições do Secretariado Nacional da Informação Cultura Popular e Turismo (SNI). Na década de 1950, foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, em Itália, onde estudou cerâmica, e da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, onde passou a residir desde 1958. Parte da sua obra encontra-se em exposição permanente no Museu Cargaleiro, onde se concentra a coleção da Fundação Manuel Cargaleiro, criada em 1990 para gerir, exibir e divulgar o seu património.

Vhils captou a atenção a ‘escavar’ muros com retratos, um trabalho que tem sido reconhecido a nível nacional e internacional, e que já levou o artista a vários cantos do mundo.

Nascido em 15 de Fevereiro de 1987, Alexandre Farto cresceu no Seixal, onde começou por pintar paredes e comboios com ‘graffiti’, aos 13 anos, antes de rumar a Londres, para estudar Belas Artes, na Central Saint Martins. Além de várias criações em Portugal, Alexandre Farto tem trabalhos em países e territórios como Macau, Tailândia, Malásia, Hong Kong, Itália, Estados Unidos, Ucrânia e Brasil.

Em 2014, inaugurou a sua primeira grande exposição numa instituição nacional, o Museu da Eletricidade, em Lisboa: “Dissecação/Dissection” atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses. Em 2015, o trabalho de Vhils também chegou ao espaço, através da Estação Espacial Internacional, no âmbito do filme “O Sentido da Vida”, do realizador Miguel Gonçalves Mendes Em 2010, com a francesa Pauline Foessel, fundou a plataforma cultural Underdogs, que se divide entre arte pública, com pinturas nas paredes da cidade, exposições dentro de portas, na galeria Underdogs, em Lisboa, e a produção de edições artísticas originais.

Vhils é também um dos fundadores do festival Iminente, que começou em 2016, e onde em setembro apresentou, pela primeira vez, uma peça feita com recurso a uma técnica nova que tem vindo a desenvolver nos últimos anos. A peça, que começou apenas uma parede pintada de branco, foi sendo revelada ao longo dos quatro dias que durou o festival. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”