O alerta foi dado pelo governador
democrata da Califórnia, Gavin Newsom, ao denunciar TikTok, versão
norte-americana, de praticar censura em favor de Donald Trump. Newson recebeu
denúncias de utilizadores de TikTok com dificuldades para postar vídeos sobre a
morte do enfermeiro Alex Pretti pela polícia anti-imigração ICE.
O jornal suíço Le Temps publicou com destaque
uma reportagem sobre acusações de censura e controle do TikTok, numa estranha e
perigosa colusão de Silicon Valley com a Casa Branca. Além disso, o próprio uso
da inteligência artificial poderia ser manipulado politicamente, pois o ChatGPT
passou a utilizar nos EUA, como fonte de informação, a enciclopédia Grokipedia lançada por Elon Musk
para concorrer com Wikipedia.
O risco é o controle da informação pela IA segundo a
versão dos seguidores de Trump, dispensando mesmo a necessidade de censura. Não
será ainda o controle total previsto por George Orwell, mas um 1984 regional.
Outro perigo é o de uma enciclopédia desse tipo inventar e impor uma outra
narrativa histórica, uma visão ideológica de Elon Musk.
Inicialmente serão os conservadores e fundamentalistas
eleitores de Trump os utilizadores dessa enciclopédia, mas rapidamente suas
interpretações serão difundidas em outros países, como o Brasil e nos países
com movimentos de extrema-direita influentes e em expansão. Já existem mesmo
predições de um fim para a neutra Wikipedia, não se podendo excluir a potência
financeira e tecnológica do grupo chefiado por Elon Musk.
Dispondo desses meios de doutrinação e controle, cujos
efeitos se farão sentir nas jovens gerações a longo termo, Trump, Musk e a extrema-direita
fundamentalista poderão testá-los na preparação das eleições de novembro nos
EUA.
Se nas eleições brasileiras de 2022,
as redes sociais da extrema-direita despejavam fakes news, pode-se
imaginar o impacto do uso da IA na propagação de mentiras e falsificações de
notícias, com o apoio dos EUA, cujo presidente Trump quer controlar os países
sul-americanos. Rui Martins – Suíça
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Rui Martins é
jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador
do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas,
que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos
emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da
corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto
Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do
Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de
Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de
Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso
de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
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