Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 2 de março de 2022

Galiza versus Galicia

Utilizar na escrita o nh é uma tomada de postura por um galego mais nosso e mais irmão do português, frente ao ñ de Espanha, que assimila o galego ao castelhano. Mas há uma palavra fundamental que me parece um verdadeiro símbolo da identidade do galego e dos galegos: Galiza.

Segue a manter-se o debate sobre qual é a forma correta do nome da nossa nação: Galiza ou Galicia. Eu mesmo tive que padecer em tempos a imposição da segunda em algumas das minhas publicações, apesar de ter assinado o apoio à primeira. A decisão salomónica dos últimos tempos é que ambas as formas são “galegas”, corretas e legítimas. Mas isto não faz verdadeira justiça ao nome.

De novo, a postura defendida por A. López Carreira num trabalho recente semelha clara: “En canto ao nome do país, de entre as varias grafías xa existentes impúxose, por propia evolución, a de ‘Galicia’, e así se recoñecía como nosa en toda parte” (“Máis Galicia”, Sermos Galiza).

Contrariamente, como bem diz Martinho Montero Santalha num artigo de há mais de dez anos: “Galiza é a forma [galego-]portuguesa, mantida em Portugal desde os inícios da língua escrita (s. XIII) até hoje; enquanto Galicia é a forma atual castelhana, usual também na fala da Galiza desde há tempo… A oposição Galiza / Galicia é só um caso particular do confronto geral entre duas conceções da língua da Galiza e do seu futuro”; ou integrar-se com o português ou uma submissão ao castelhano (“O nome da Galiza”, Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa). No seu trabalho defende-se que Galiza é a forma que deve ser normativa: a) porque –com argumentos filológicos– Galiza é a forma genuína da nossa língua, enquanto Galicia é um castelhanismo difundido em tempos modernos; b) porque Galiza é a forma que se emprega no restante âmbito internacional da língua.

Galiza –como escreviam Castelao, Viqueira e as Irmandades– é a forma genuína do nome do país na nossa língua, Galicia é um castelhanismo. Não é só uma questão linguística e histórica, mas política. Não é de estranhar que o último slogan do PP fora: “Galicia, Galicia, Galicia”… Victorino Prieto – Galiza in “Portal Galego da Língua”

 

Victorino Pérez Prieto - (Hospital de Órbigo-León, 1954) é professor de universidade reformado, escritor, teólogo e pensador. Especialista em temas de cultura galega; em particular na Geraçom "Nós" e Prisciliano. Também em Raimon Panikkar, sobre quem fez as Teses de Doutoramento em Filosofia (USC) e Teologia (UPSA). Colaborador habitual em jornais (atualmente em Nós Diario) e revistas galegas (Encrucillada, Grial, A Nosa Terra...) e internacionais (Iglesia viva, Dialogal, Theologica Xaveriana, CIRPIT review, Complessitá...). Publicou mais de vinte livros individuais (A geraçom "Nós", Do teu verdor cinguido, Contra a síndrome N.N.A.Unha aposta pola esperanza, Más allá de la fragmentación de la teología el saber y la vida. Raimon Panikkar, Prisciliano na cultura galega, Prisciliano. Um cristâo livre, La búsqueda de la armonía en la diversidad...). E mais de cinquenta em colaboraçom (Diccionario Enciclopedia do Pensamento Galego, O Pensamento Luso-Galaico-Brasileiro 1850-2000, Galegos Universais...).

 

Macau - Casa do Brasil volta a comemorar o Carnaval dois anos depois

Vestidos a rigor é o mote da associação para mais uma festa carnavalesca promovida pela Associação Casa do Brasil em Macau. Mas também podem aparecer sem estar fantasiados, afirmou Jane Martins, presidente da entidade. A folia acontece no próximo sábado no The Roadhouse, na Broadway Macau. “As pessoas estão a precisar de descontrair”, considera a brasileira

O Carnaval está de volta a Macau depois de dois anos de interregno devido à pandemia de Covid-19. No próximo sábado, dia 5 de Março, a partir das 22 horas e sem hora para terminar, a Casa do Brasil em Macau volta a assinalar a festividade pela 11.ª vez com uma festa no The Roadhouse, na Broadway Macau situada no complexo do Galaxy. “Venham fantasiados, mas não é obrigatório. Cada um que apareça como quiser, mas apareça, será muito bem-vindo”, afirmou Jane Martins, presidente da associação ao Ponto Final.

A noite, como noutros anos, convida à dança e à diversão. A entrada é gratuita e só se paga o que se consumir. A festa terá dupla actuação do grupo Dança Brasil, à meia-noite e à 1h da madrugada, e, nos entretantos, o DJ Cuco, com música africana e lusófona, e o DJ ATL, com música internacional, vão animando a malta.

As celebrações do Carnaval voltam a ter lugar desde a última vez em 2019. Jane explica que a Covid-19 tramou a vontade de realizar a folia. “Em 2020 e 2021, não fizemos a festa de Carnaval em Macau por causa da pandemia. No Brasil houve Carnaval em 2020, mas em 2021 foi cancelado e este ano foi adiado para Abril”, referiu a brasileira.

A responsável explicou ainda que, devido à proibição de barulho, a pista estará instalada dentro do estabelecimento, sendo que a esplanada continua do lado de fora “para quem quer ficar a conversar”. “As portas, a partir de certa hora, não podem ficar abertas, por isso, quem quiser dançar ou assistir às danças, tem de ficar dentro do Roadhouse. Quem quiser continuar a confraternizar fica na esplanada.”

A última festa da Casa do Brasil aconteceu em Setembro de 2020, quando a Casa do Brasil conseguiu reunir cerca de 1000 pessoas no Vick’s, na Doca dos Pescadores, para celebrar a Independência do Brasil. Mas o espaço, e outras variantes, colocam a fasquia do número de pessoas bem abaixo. “Esperamos entre 400 a 500 pessoas. Essa é a nossa expectativa. Tenho conhecimento de quem está a organizar grupos, por isso apontamos para esses números. É muito complicado, neste momento, reunir 1000 pessoas, até porque o espaço do Roadhouse não aguenta”, assumiu a presidente da Casa do Brasil ao nosso jornal.

Na página de evento no Facebook criada para a ocasião, apenas 20 pessoas disseram que vão estar presentes, enquanto 37 mostram interesse em ir. “As pessoas estão a precisar de descontrair. É uma festa onde todos se divertem e há muita alegria entre as pessoas. Em Macau, estamos a viver um momento muito diferente, os residentes não podem receber as famílias e amigos, para viajar é difícil por causa do período de quarentena na volta. Então sentimo-nos presos e sem saber se nas férias vamos poder visitar a família. Por isso acho que temos que fazer qualquer coisa para aliviar a tensão e uma festa alegre e divertida como as que fazemos vai fazer bem para todos. Vestir uma fantasia e extravasar um pouco vai ser divertido”, apontou Jane Martins. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 1 de março de 2022

Angola - `Tuk-tuk` Baza Baza aceleram a caminho de Portugal

Inspirados nos `tuk-tuk`, mas adaptados à realidade angolana, os triciclos Baza Baza circulam desde 2021 em alguns países africanos e podem vir, em breve, a percorrer as estradas portuguesas, transportando turistas no Algarve

Bruno Pegado, o fundador da marca, estudou gestão empresarial mas assume-se como um apaixonado por motores e foi nesta indústria que quis concretizar os seus sonhos, tendo desenvolvido já vários modelos de veículos, entre os quais os Baza Baza.

"Cruzei indústria com os motores, não podia dar melhor", disse à Lusa o empresário que criou a Pegado Motors em 2008.

Associado a parceiros chineses, começou por produzir bicicletas, motociclos e carros de praia e, em 2014, quis avançar com a produção de automóveis ligeiros de passageiros, um projecto que ficou parado por falta de financiamento e levou o empreendedor em busca de novos caminhos, que o levaram ao Baza Baza.

Os triciclos são montados em Angola, numa pequena unidade nos arredores de Luanda, e Bruno Pegado espera com este projecto atender a dois problemas: resolver a falta de mobilidade dos angolanos, devido à insuficiência de transportes públicos, e contribuir para a criação de emprego.

Estes equipamentos automotivos, explica, foram concebidos para ajudar na mobilidade, transporte de passageiros e de mercadoria, e foram adaptados à realidade angolana com reforços extra em termos de suspensão, refrigeração e um motor de 250 centímetros cúbicos para poder suportar o peso de oito passageiros.

"O nosso foco é o auto-emprego em Angola", garante Bruno Pegado, salientando que o produto permite flexibilidade, já que o chassis foi alargado e desenhado para se adaptar a 12 modelos.

Assim, os Baza Baza podem transportar até oito passageiros, mercadorias, frescos e servir de loja móvel ou apoio a profissionais que prestem serviço ao domicílio, como por exemplo técnicos de ar condicionado, mecânicos e canalizadores, ou ser convertidos em mini-ambulâncias.

"A grande vantagem é que conseguimos ser criativos, se nos pedirem um determinado veículo nós desenvolvemos", reforça.

Com vendas iniciadas no ano passado na República Democrática do Congo e na Tanzânia, e um contentor pronto a partir para o Uganda, o empresário espera ver os Baza Baza a circularem já no próximo mês em Angola, estando apenas a aguardar as matrículas para disponibilizar os primeiros ‘test driv’.

Embora estejam direccionados para responder à procura dos mercados africanos - e não só angolanos - Bruno Pegado acredita também no potencial do veículo para os países europeus e tem estado a dialogar com um investidor português.

"Fomos contactados através das redes sociais por um cidadão português que mostrou bastante interesse em poder ter o Baza Baza na zona turística do Algarve e igualmente ter uma linha de montagem no Algarve, com possibilidade para fornecer outros países da Europa", declarou à Lusa.

"Estamos a trabalhar sobre esta oportunidade e acreditamos que nos próprios meses teremos novidade neste quesito", adiantou.

O empresário, no entanto, não quer revelar o nome do potencial parceiro do sector turístico, que pode abrir portas para outros mercados.

"Sabemos que o Algarve é uma das áreas mais turísticas de Portugal e acredito que boa parte da Europa vai poder andar num Baza Baza", sugere.

Todo o material é proveniente da China e cada veículo demora entre quatro a cinco horas para ser montado em Angola, num processo quase artesanal.

"Trazemos tudo desmontado e fazemos a fase final da montagem aqui em Angola. Cada Baza Baza custa cerca de 3500 dólares [3100 euros] até chegar ao porto de Luanda e, pelo menos, mais mil [888 euros] até ficar pronto a entregar", revela Bruno Pegado, na fábrica onde investiu já 380 mil dólares (338 mil euros).

A unidade emprega 12 pessoas e tem uma capacidade de montagem de dois veículos por dia, mas o empresário tem objectivos mais ambiciosos:

"Esperamos, até ao próximo ano, com as vendas, que possamos crescer e tornar a nossa linha de montagem cada vez mais automatizada, no sentido de aumentar a nossa capacidade de produção".

Se houver necessidade de responder a uma grande encomenda, Bruno Pegado afirma estar preparado, com ajuda dos fornecedores chineses, mas o objectivo é produzir e exportar a partir de Angola, onde o empreendedor espera conseguir acesso ao crédito que lhe permita aumentar a capacidade da linha de montagem para 40 unidades.

No Waco Kungo (Cuanza Sul) tem também já disponível um terreno com alvará industrial onde espera desenvolver, no futuro, um polo industrial com uma linha automatizada que permita produzir 500 triciclos por dia.

"Os parceiros que tenho na China valorizam as ideias e põem em prática, nós, aqui em África, é complicado", desabafa, a propósito das dificuldades que tem encontrado para obtenção de financiamento.

"Um dos factores era ser um jovem angolano e não ter robustez financeira", justifica, garantindo empenho na "luta para mostrar à banca e aos investidores" a sua real capacidade e poder dar o passo seguinte.

Para já, o objectivo é chegar ao final do ano com 500 Baza Baza a circular em todo o país. In “Novo Jornal” - Angola com “Lusa”


Macau - Instituto Politécnico de Macau passa a designar-se Universidade Politécnica de Macau

A partir de 1 de Março, a designação do IPM será alterada para Universidade Politécnica de Macau e as suas escolas vão tornar-se faculdades. Gradualmente, irá lançar novos cursos nas áreas das Ciências e Engenharia, incluindo de Inteligência Artificial, reforçar o ensino e investigação de línguas e procurar elevar o número de estudantes dos actuais 4500 para 6000 nos próximos cinco anos. O presidente da instituição, Marcus Im Sio Kei, prometeu aprofundar a cooperação com Politécnicos de Portugal

O Conselho Executivo (CE) deu “luz verde” ao projecto de regulamento administrativo relativo à alteração dos Estatutos do Instituto Politécnico de Macau (IPM), que entrará em vigor amanhã, motivando desde logo a mudança de designação para Universidade Politécnica de Macau (UPM). Também a partir de 1 de Março, as escolas superiores vão passar a ser faculdades, ainda que no caso da Escola Superior de Artes o nome seja alterado para Faculdade de Artes e Design.

Segundo um comunicado do CE, o IPM vai continuar a fomentar a “inovação no ensino superior, reforçando a transformação dos resultados da indústria-academia-investigação e promovendo o desenvolvimento do ensino superior de Macau, orientado para o mercado e de alta qualidade”. A futura UPM promete aproveitar as vantagens dos actuais cursos práticos em informática, por forma a “acrescentar, gradualmente, cursos nas áreas de Ciências e de Engenharia, nomeadamente de Matemática Aplicada, Inteligência Artificial e Tecnologia de Aplicação de Médias Digitais, tendo em consideração as necessidades do desenvolvimento social e económica da RAEM”.

Paralelamente, a instituição vai fortalecer os seus “trabalhos em termos do ensino e investigação de línguas, no sentido de apoiar Macau para desempenhar bem o papel de Plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Durante a conferência de imprensa do CE, Marcus Im Sio Kei, presidente do IPM, cargo que manterá na UPM, referiu que, a instituição tem neste momento 4500 alunos. Nos próximos cinco anos, vai alargar o recrutamento para um número superior a 6000 alunos, o que significará uma subida entre 30% a 40%.

Em concreto, salientou a intenção de aumentar sobretudo os alunos de mestrado e cursos aplicados, na esperança de incentivar os resultados no campo da investigação. Apesar de ir recrutar mais alunos do Interior da China, Marcus Im Sio Kei frisou ser prioritário garantir o acesso de estudantes locais e esclareceu que o número do pessoal docente e não docente não será aumentado.

Por outro lado, sublinhou que mudança de estatuto não afectará a cooperação com Institutos Politécnicos de Portugal, asseverando mesmo que a UPM “só vai fazer mais, e não menos” neste âmbito, devendo ainda discutir uma possível adesão à Associação das Universidades de Língua Portuguesa.

Questionado sobre a natureza da alteração do Estatuto do IPM, Marcus Im realçou que a instituição tem estado em constante evolução, e as suas operações e funções não têm diferenças em relação a uma universidade, sendo que já dispõe de um modelo completo de formação de quadros, após criar cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento em seis escolas superiores, que cobrem mais de 20 domínios académicos. “De facto, já funciona como uma universidade. A alteração de designação vai destacar ainda mais essas disposições e operações”, enfatizou. Rima Cui – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Península ibérica - Lince-ibérico representa uma história de sucesso na recuperação de espécie ameaçada

Sete anos após o início do projeto, já foram reintroduzidos no território português e espanhol 94 linces-ibéricos. Atualmente, e contando também com a reprodução na natureza, já vivem mais de 200 linces em liberdade no Baixo Alentejo e no Sotavento Serrano do Algarve



No passado dia 24 de fevereiro, em Alcoutim, foram reintroduzidos na natureza mais dois exemplares de lince-ibérico, o Sismo e a Senegal. Aquela que foi a primeira solta de linces-ibéricos a ter lugar no Algarve vai acrescentar mais dois exemplares à comunidade de cerca de 200 linces-ibéricos que vivem distribuídos por um vasto território, em Portugal, que se estende entre os concelhos de Serpa e de Tavira.

Para o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), trata-se de uma «história de sucesso resultante de uma consistente cooperação Ibérica», que se constata sete anos após o início do processo de reintrodução desta espécie.

Um pouco de história

Segundo o ICNF, no último quartel do século XX, não existia em território continental português nenhuma população estável de lince-ibérico. Os últimos exemplares observados nas décadas de 70 e 80 constituíam já indivíduos isolados, residuais ou dispersantes, provenientes de movimentos transfronteiriços entre Espanha e Portugal.

Os censos então realizados em Portugal e em Espanha apontavam para um efetivo inferior a 100 animais em toda a península ibérica, território de onde esta espécie é endémica, o que agravava o estatuto de “criticamente em perigo de extinção” atribuído pela UICN já em 1996.

Desde os anos setenta do século XX que a situação da espécie despoletou diversas iniciativas, quer pelas entidades da administração central, responsáveis pela conservação da natureza, quer por diversas ONG.

A situação em Espanha, embora menos crítica, também era de acentuada redução de efetivos em liberdade, pelo que os dois Estados ibéricos celebraram, em 1 de outubro de 2004, em Santiago de Compostela, por ocasião da XX Cimeira Luso-Espanhola, o “Memorando de Entendimento para a Cooperação sobre a Águia-Imperial e o Lince-Ibérico”.

A partir daqui foram estabelecidas inúmeras iniciativas para consolidar este objetivo comum de preservação das espécies endógenas, que acabou por culminar na cedência de Espanha de 14 machos e seis fêmeas, para integração no Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro de Lince-Ibérico (CNRLI), que foi entretanto construído pela empresa Águas do Algarve, e inaugurado em maio de 2009, no concelho de Silves, como medida de sobrecompensação ambiental pela construção da Barragem de Odelouca e do Túnel de Ligação Funcho-Odelouca.

A concretização efetiva ocorreu em outubro de 2009, com a chegada ao CNRLI da primeira fêmea cedida a Portugal pela Junta Autónoma de Andaluzia, a Azahar. A esta fêmea sucederam-se outros exemplares, que constituíram a base do núcleo reprodutor fundador do Centro.

Uma comunidade em crescimento

Ao todo, já foram reintroduzidos no território português e espanhol 94 linces-ibéricos. Estes animais libertados são provenientes de qualquer um dos cinco centros de reprodução existentes na península Ibérica, sendo a sua proveniência decidida por um Comité de Cria em Cativeiro de Lince-Ibérico (CCCLI), que congrega representantes técnicos e científicos de Espanha e de Portugal.

Esta equipa estabelece, em função do seu perfil genético, os animais e os locais onde são libertados, tal como decide previamente os emparelhamentos (acasalamentos) efetuados anualmente nos centros de reprodução.

Sete anos após o início do processo de reintrodução, são agora referenciados cerca de 200 exemplares em Portugal, distribuídos por um território que se estende entre os concelhos de Serpa e de Tavira.

Durante o ano passado, registou-se ainda a ocorrência de 9 nascimentos na região do Algarve, existindo ainda um amplo território que poderá vir a ser ocupado pela espécie.

Segundo o ICNF, o sucesso desta operação deve-se também à colaboração de proprietários e de gestores de herdades e de zonas de caça, à gestão sustentável do território, à abundância de coelho-bravo, à atitude favorável evidenciada pela população local relativa à presença do lince e à conectividade da população de linces do Vale do Guadiana com as comunidades presentes noutras áreas de Espanha, fundamental para o incremento da variabilidade genética. In “Mood Sapo” - Portugal


Portugal - Cores originais dos painéis de São Vicente começam a revelar-se com restauro

As cores originais usadas por Nuno Gonçalves para pintar os Painéis de São Vicente, no século XV, começam a revelar-se pela mão dos especialistas responsáveis pelo projecto de restauro que não escapou ao impacto negativo da pandemia, entre outras dificuldades


Com mais de 500 anos, a mais icónica pintura antiga portuguesa – um retrato colectivo muito simbólico da História e cultura portuguesas – está a ser alvo de restauro desde 2020, quando foi criada uma “casa” dentro do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, para que os visitantes pudessem acompanhar o seu progresso.

Nesta fase do projecto de restauro, os especialistas estão a retirar os vernizes antigos e sujidade, num “trabalho muito demorado, porque a área é grande, e é feito a cotonete”, disse à Lusa o director do MNAA, Joaquim Caetano, sobre o ponto da situação do processo, acrescentando que “começam a aparecer as cores mais próximas do original” do mítico políptico.

Descoberto no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Alfama, Lisboa, em 1882, tem sido, desde essa altura, alvo de curiosidade pública e debate no meio académico, sobre a autoria, e quem eram ou representavam as 60 figuras da época dispostas em redor da dupla figuração de São Vicente.

Alvo de um grande restauro pela mão do pintor Luciano Freire, em 1909 e 1910, e outro, já nos anos 1950, por um seu aprendiz, Fernando Mardel, o políptico volta a ser intervencionado, desta vez com tecnologia mais avançada, depois da obtenção de um apoio mecenático obtido pelo museu e pelo grupo de amigos do museu junto da Fundação Millennium BCP.

“Vamos ficar a saber com mais clareza o que é o original e o que não é” nesta obra, e “obter uma visibilidade melhor da pintura”, quando foram totalmente retirados “os vernizes escurecidos ou sujos, porque, basta remover essa camada, para obter uma percepção mais nítida, com cores mais próximas do original”, vincou o historiador à Lusa.

A retirada desses vernizes envelhecidos e escurecidos pela oxidação é um processo muito técnico e lento, e acontece depois de os especialistas terem realizado experiências para definir precisamente quais os materiais de limpeza mais adequados para o tipo de vernizes que encontravam.

De acordo com o director do Museu, depois desta fase, que deverá continuar até ao final do ano, seguir-se-á outra de “retirada de retoques mais danificados, repintes mais grosseiros que existam, e fazer a recolocação dos vernizes finais e retoque”, que deixarão as cores originais descobertas.

Os passos seguintes serão a estabilização do suporte do políptico, “ver se é precisa alguma fixação acessória do suporte, fazer uma desinfestação total das madeiras das molduras, e ver se haverá ou não um novo sistema de emolduramento”, que o director estima que aconteça em 2023.

Questionado sobre a dimensão da equipa envolvida no projecto – que também recebeu a intervenção de especialistas internacionais -, Joaquim Caetano indicou: “Nesta fase estão cinco pessoas a trabalhar, mas só durante dois dias por semana, mais um terceiro dia de organização de informação, porque tudo tem de ser fotografado, criada e organizada toda a documentação”, à medida que se continuam a receber dados de exames e das análises que foram feitas inicialmente.

Os especialistas têm-se dedicado em permanência a reunir documentação fotográfica de todo o processo, com vários tipos de recolha de imagem, usando luz normal, luz rasante, ultravioleta, radiografia, reflectografia de infravermelhos, entre outras técnicas avançadas.

Quando os painéis foram descobertos em finais do século XIX, no Paço Patriarcal de São Vicente de Fora, em Lisboa, por não terem assinatura e datação visíveis e inequívocas, suscitaram um enorme mistério e fascínio por parte de várias gerações de estudiosos e académicos.

A autoria dos painéis foi descoberta por José de Figueiredo, e atribuída a Nuno Gonçalves, através da interpretação de um monograma revelado durante o primeiro restauro da pintura na década de 1930, localizado na bota da figura ajoelhada no Painel do Infante, que se presume ser D. Duarte, e que é coincidente com outras assinaturas utilizadas pelo autor em documentos e obras contemporâneas.

Questionado sobre se o restauro – além da revelação das cores originais – trará alguma luz sobre as 60 personagens ali pintadas, Joaquim Caetano rejeitou essa possibilidade: “As figuras só podem ser identificadas se houver uma base documental, o que não existe, ou, em alternativa, em comparação com outros retratos que existam”.

“Daquelas personagens todas, retratos físicos que indiquem isso, o único caso que existe é a do Infante D. Henrique, porque aquela figura é muito semelhante à que aparece na Crónica da Guiné. Se não há retratos para comparar, o restauro não vai resolver esse problema”, sustentou.

O historiador de arte fez questão de sublinhar que “o restauro é feito para resolver problemas de integridade e conservação material da peça que estava em degradação. Não é feito para responder, facilitar, confirmar ou negar os milhares de teorias que existem sobre os painéis”, considerados peça por excelência da pintura portuguesa.

Quando terminar, o restauro dos Painéis de São Vicente poderá não desvendar todos os seus enigmas, mas a equipa de especialistas continua a trabalhar para recuperar, o mais possível, o original que o artista fez, mantendo a estabilidade e a conservação da obra, para que perdure no tempo.

Criado em 1884, o MNAA acolhe a mais relevante colecção pública de arte antiga do país, em pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão Marítima Portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Portugal - Nasce A Banda do Poeta, folk-rock português com um poeta galego


Nasce um novo projecto com base em Coimbra que está a gerar expectativas pela originalidade e novidade no panorama musical e literário: O artista galego Juan Carballo funda nesta cidade A Banda Do Poeta, que entrelaça Portugal e Galiza linguística e culturalmente. Definem-se como uma banda de folk-rock portuguesa com um poeta galego à frente.

Após 15 anos de carreira na Galiza, Juan Carballo decide mudar a direcção do seu percurso artístico e linguístico e mergulha nesta aventura sem precedentes. A ideia surgiu pelo vínculo de Juan a Portugal, especialmente a Coimbra e aos músicos António Sanches, Luís Serrano e Sílvia Bento. Juntos fundaram este grupo tendo como objectivo a gravação de canções e a realização de concertos.

A Banda do Poeta trabalha a “memória” paralelamente aos textos e músicas originais, para assim dar a conhecer autores portugueses à Galiza e vice-versa. Além de criar as suas próprias composições, começaram a gravar uma série de memórias que surgem na vida da banda e que também são importantes na história das nossas nações, como “Amor” dos Heróis do Mar, gravada em acústico e publicada ontem, e com a qual se estrearam publicamente.

Juan Carballo (Poeta, compositor e intérprete) além de publicar livros e discos, realiza concertos e espectáculos. Possui uma voz própria, longe dos cánones oficiais e mantém sempre um trabalho independente das modas. Seis publicações e oito digressões nos últimos quinze anos fazem dele uma das referências artísticas da Galiza. In “Portal Galego da Língua” - Galiza