Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Contêiner: logística reduz custo

SÃO PAULO – O contêiner, a caixa metálica que hoje é responsável por 95% das cargas gerais movimentadas em todo o mundo, surgiu na década de 1930 nos Estados Unidos, mas só teve sua utilização em escala a partir da década de 1950. Embarques que antes levavam de sete a oito dias passaram a ser feitos em períodos de três a cinco horas, com a carga ocupando bem menos espaço nos navios.

Hoje, cerca de 2,5 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) são fabricados a cada ano no mundo, mas 90% produzidos na China. O mercado mundial, a princípio, foi dominado por empresas de leasing que ofereciam flexibilidade na oferta, o que permitia que as empresas de transporte marítimo não se preocupassem com esse tipo de investimento de capital, ficando na dependência das flutuações sazonais da demanda de contêineres. Nos últimos tempos, porém, essas empresas têm aumentado a sua própria frota de contêineres, que equivale a 60% do total mundial.

Atualmente, o contêiner mais utilizado é o de 20 pés, que é o mais indicado para cargas mais pesadas e de menor valor agregado. Já o de 40 pés é mais adequado para cargas volumosas e de maior valor agregado, especialmente cargas manufaturadas. O preço de um contêiner de 20 pés fabricado na China está ao redor de US$ 2 mil, enquanto o de 40 pés chega a US$ 3 mil. O valor do aluguel está na faixa de US$ 1,00 a US$ 1,50 por dia de contêiner dry. É de lembrar que as cinco maiores empresas de leasing ficam com 40% da frota mundial.

Como mostra pesquisa do Banco Mundial, os principais países exportadores e importadores são responsáveis pelo maior fluxo de contêineres e, por isso mesmo, podem oferecer os menores custos logísticos. Em função disso, por exemplo, o custo do frete para uma mercadoria com destino a China é sempre mais baixo, ainda que a distância seja maior. Além disso, em razão da necessidade de retorno do contêiner, há na China uma guerra de preços que faz com que as caixas metálicas voltem ainda que com carga de baixo valor agregado. Isso contribui decisivamente para a redução do custo do transporte.

Já o Brasil está sujeito às flutuações e imposições do mercado mundial e não tem muito espaço de negociação, restando-lhe apenas melhorar seu próprio processo logístico. Ou seja, em vez de transportados por caminhões, os contêineres poderiam entrar e sair dos portos em cima de trens em maior quantidade.  Para isso, seriam necessários investimentos no aperfeiçoamento das linhas férreas, como o reforço de pontes e o alargamento de túneis para a adoção do sistema double decker. Outra opção seria o melhor aproveitamento do sistema hidroviário em direção ao Centro-Oeste, mas aqui a necessidade de investimento seria ainda maior.

Seja como for, medidas de aperfeiçoamento do sistema logístico são inadiáveis a fim de que haja maior disponibilidade de contêineres a preços mais competitivos. Basta ver que essa é uma tendência inevitável: em 2012, de 38 milhões de toneladas de cargas gerais movimentadas no Porto de Santos, 33,3 milhões foram por contêineres. Em 2013, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a previsão é que haja um aumento de 9,6%, com a movimentação de 36,5 milhões de toneladas de carga conteinerizada. Urge, portanto, buscar saídas. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Guiana introduz o português

O Ministério da Educação da República da Guiana, através do seu ministro, Priya Manickchand, comunicou que o ensino da língua portuguesa vai ser introduzida no seu país este ano lectivo de 2013/2014, para os alunos do grau 7, alunos do ensino secundário que têm pelo menos 12 anos.

Numa primeira fase, serão cinco as escolas da capital, Georgetown, a aderir ao ensino da língua portuguesa, Queen’s College, Bishops’ High, St Stanislaus College, St Roses’s High e Joseph High. Futuramente, será alargado a outras escolas, depois de analisar-se o fracasso com o ensino de línguas estrangeiras, espanhol e francês, em virtude de não haver professores destas línguas nas escolas rurais do país.

A equipa que desenvolve o currículo para a língua portuguesa, prevê a entrega de dois livros para os estudantes, um para as actividades na escola, outro para os estudos em casa, além de dois CD como auxiliares na audição da língua. Os professores receberão fichas para o Grau 7, um livro sobre o português básico e um outro sobre o Brasil.

Para alargar o quadro de professores locais no ensino da língua portuguesa, estão nos planos do governo da Guiana, o ensino do português, ao nível do ensino superior.

Priya Manickchand manifestou também a vontade que o governo do seu país tem em submeter a disciplina do português ao nível do Caribbean Examinations Council (CXC), organismo regional a que pertence a República da Guiana. Baía da Lusofonia

domingo, 20 de outubro de 2013

Goa - Semana da Cultura Indo Portuguesa



Está prestes a iniciar-se, a 25 de Outubro de 2013, com uma noite de arte e música em Sunaparanta, Altinho, Panjim, a quinta edição da Semana da Cultura Indo Portuguesa em Goa que se prolongará até ao mês de Janeiro de 2014.

Um Festival de cinema Indo-Português, noites musicais incluindo um concerto de fado, culinária, teatro, literatura, dança, exposição de artistas plásticos, são alguns dos eventos que se realizarão durante este espaço de tempo.

Depois do ano passado, a Semana da Cultura Indo Portuguesa (Goa) ter sida realizada em Lisboa, esta manifestação cultural que foi criada e estabelecida no ano de 2008 por várias organizações goesas, nomeadamente pela Sociedade de Amizade Indo Portuguesa - Goa, Clube Vasco da Gama, Clube Nacional, Clube Harmonia Centro de Língua Portuguesa / Camões, Fundação Oriente e BPS Clube Margão, com o objetivo e propósito de manter viva a cultura e a identidade goesa, regressa este ano novamente às suas raízes.



José Elmano Coelho Pereira, Presidente da Comissão Executiva que organiza o evento afirmou: "Índia e Portugal, estão mergulhados numa rica herança cultural. A Índia é uma mistura de diversas culturas, todas especiais na sua própria maneira. Goa também tem a sua própria identidade e cultura, que é uma mistura de traços indianos e ocidentais. Goa assimilou a essência de ambos os países onde as pessoas convivem em harmonia e alegria. Através deste evento a Semana da Cultura Indo - Portuguesa (Goa), gostaríamos de partilhar e desfrutar a essência da nossa cultura diversificada e manter a identidade única de Goa viva".

Pelo seu lado, o Dr. António Sabido Costa, cônsul-geral de Portugal em Goa e membro da comissão avançou: "Durante todo o evento, esperamos oferecer uma apresentação diversificada de algumas das mais inovadoras e contemporâneas formas de arte e criações, cada uma das quais, enraizada na nossa cultura tradicional."

Nesta edição da Semana da Cultura Indo Portuguesa (Goa) vai ser lançado pela primeira vez em Goa, o Fado Clube de Goa que é a concretização do interesse manifestado por esta forma musical por muitos goeses. Baía da Lusofonia

sábado, 19 de outubro de 2013

Vinícius

 
“Poeta é todo aquele que cria”
                 Agostinho da Silva
 
“O único poeta que viveu como poeta”
                               Carlos Drummond
 
“Eu sou um labirinto em busca de uma porta de saída”
                                                        Vinícius de Moraes
 
Hoje, 19 de Outubro de 2013 comemora-se o centenário do nascimento de Marcus Vinícius de Moraes, poeta, diplomata, dramaturgo, jornalista e compositor brasileiro.

 
 
Soneto do Maior Amor
 
Maior amor nem mais estranho existe
que o meu, que não sossega a coisa amada
e quando a sente alegre, fica triste
e se a vê descontente, dá risada.
 
E que só fica em paz se lhe resiste
o amado coração, e que se agrada
mais da vida eterna aventura em que persiste
que de uma vida mal-aventurada.
 
Louco amor meu, que quando toca, fere
e quando fere vibra, mas prefere
ferir a fenecer – e vive a esmo
 
Fiel à sua lei de cada instante
desassombrado, doido delirante
numa paixão de tudo e de si mesmo.
 
Vinícius de Moraes - Brasil


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Corredor ferroviário

 
Corredor ferroviário vai ligar Portugal, Espanha e França
 
Portugal, Espanha, França e a Comissão Europeia assinaram hoje uma declaração conjunta para a criação do Corredor Atlântico, que permitirá a circulação de comboios de mercadorias na rede ferroviária europeia.
 
A Secretaria de Estado dos Transportes, Infraestruturas e Comunicações adiantou hoje, em comunicado, que a declaração foi assinada hoje pelos Governos dos três países e pelo vice-presidente da Comissão Europeia Siim Kallas.
 
A criação do Corredor Atlântico vai "permitir a circulação de comboios de mercadorias, em bitola (distância entre carris) europeia e interoperáveis com o resto da rede ferroviária europeia, desde a fachada Atlântica Portuguesa, ligando Sines, Setúbal, Lisboa, Évora, Santarém, Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto, Viseu e Guarda a França (Paris), com extensão à Alemanha (Manhheim), bem como ao resto da Europa através da interligação com os restantes corredores ferroviários de mercadorias transeuropeus".
 
A Secretaria de Estado refere que, para a concretização deste projeto, "será crucial a mobilização dos 26.000 milhões de euros de fundos comunitários previstos para o financiamento das Redes Transeuropeias de Transportes no período 2014-2020".
 
O secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, afirmou, citado no comunicado, que a declaração assinada hoje "garante que o investimento feito em Portugal terá como consequência a ligação a um corredor transeuropeu que facilitará a vida" aos cidadãos e às empresas, garantindo "maior competitividade aos bens e serviços portugueses". In “DNotícias.pt” – Portugal
 
O blogue Baía da Lusofonia convida os leitores a lerem o texto publicado no dia 25 de Junho de 2013, intitulado Nicarágua que faz referência a esta problemática (corredor ferroviário) e faz a ligação para dois outros textos, além de no último parágrafo, apresentar um pequeno vídeo sobre o futuro da circulação ferroviária de mercadorias. Baía da Lusofonia


Porto de Santos: a melhor opção

SÃO PAULO – Há dez anos não foram poucos os especialistas que previram que o Porto de Santos estaria com os dias contados porque não dispunha de capacidade para ampliação nem estrutura para suportar os desafios logísticos que viriam. Como se vê, as previsões desses profetas de Baal se desmancharam no ar e estão esquecidas em arquivos de jornais e revistas de comércio exterior.

Com 7,7 milhões de metros quadrados e 25 quilômetros de terminais públicos e privados, o Porto de Santos não pára de bater recordes de movimentação, a despeito dos transtornos causados pelo excesso de caminhões que escoam as supersafras de açúcar e grãos. Até mesmo a falácia de que não poderia ser ampliado ficou para trás porque na área continental há espaço para duplicar a atual infraestrutura do complexo portuário.

De 24,6% em 2011, Santos passou em 2012 para 25,8% a sua participação na movimentação do comércio exterior brasileiro, liderando de maneira isolada e disparada o ranking de portos nacionais. Para 2013, prevê-se um crescimento superior a 15%, o que equivale a dizer que passará a ser responsável por quase 30% da balança comercial do País.

O que explica isso? A princípio, o crescimento da movimentação pode ser explicado pela entrada em funcionamento de dois terminais privados: o da Brasil Terminal Portuário (BTP), com capacidade inicial para movimentar 1,2 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) e 1,4 milhão de toneladas de granéis líquidos por ano; e o da Embraport, na margem esquerda, com capacidade inicial para movimentar 1,2 milhão de TEUs e 2 bilhões de litros de granéis líquidos por ano.

Mas não é só. Embora o número de navios atracados tenha diminuído cerca de 10% em relação a 2012, a movimentação cresceu porque o aprofundamento e o alargamento do canal do estuário permitiram a entrada de navios com maior volume de carga. E deverá crescer mais em 2014 com a instalação do sistema de informação e gerenciamento de tráfego de embarcações (VTMIS), já está em fase de licitação, que permitirá via dupla no canal de navegação.

Sem contar que também houve um reforço no cais do armazém 12 ao 24 e no de Outeirinhos. E estão previstas novas licitações de terminais que, correndo tudo bem, vão levar os novos arrendatários a comprar equipamentos modernos. Ou seja, tudo isso vai se refletir no aumento da capacidade instalada e das operações.

O que também explica o crescimento do Porto é não só a sua privilegiada posição geográfica – que o levou a assumir lugar de destaque na economia a partir do final do  século XVIII , ainda no período colonial – como o fato de que 70% da riqueza do País estão em sua hinterlândia, ou seja, no Interior paulista e nos Estados próximos. É de assinalar que 90% das indústrias do Estado estão localizadas a menos de 200 quilômetros do complexo portuário santista.

Por fim, é de ressaltar a diversidade de cargas exportadas por Santos, que vão de commodities a manufaturados. Embora seja recomendável a especialização dos portos, essa variedade na pauta de cargas permite que, no caso de queda no preço de commodities, por exemplo, o déficit seja compensado com a venda de produtos de maior valor agregado. Por tudo isso, o Porto de Santos será por muito tempo a melhor opção para quem atua no comércio exterior. Milton Lourenço - Brasil
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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

Porto de Sines cresce nos contentores

O Porto de Sines movimentou nos primeiros nove meses do ano 692.011 TEU através do Terminal XXI, correspondendo a um crescimento homólogo de 76,5%. Relativamente ao total de mercadorias foram movimentadas 27.4 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 29% relativamente a 2012. Os segmentos de cargas que apresentaram uma melhor prestação foram os granéis líquidos e a carga geral.



Os novos serviços regulares que passaram a utilizar o Terminal XXI, com forte destaque para a dupla paragem semanal do serviço de Extremo Oriente (inbound e outbound), bem como a nova dinâmica associada à nova unidade de produção da refinaria de Sines que motivou um aumento das exportações de refinados, foram dois dos motivos que estiveram na origem do crescimento do porto.

Relativamente aos navios entrados foi registado um total de 1.477 embarcações, com um crescimento de 36% do GT (Gross Tonnage) acumulado. Porto de Sines - Portugal