Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 14 de maio de 2024

Lusofonia - Oito cantoras apresentam em Lisboa canções na língua que as une

Oito cantoras vão levar ao Centro Cultural de Belém, na próxima quarta-feira, “a civilização lusófona que [as] liga”, no concerto “Mulheres da Lusofonia”, disse Ana Laíns, uma das intérpretes, à agência Lusa.


Ana Laíns está, aliás, na origem desta ideia, disse à Lusa a brasileira Fafá de Belém, outra das intérpretes.

“Isto começou quando a Ana [Laíns] me convidou para participar [em 2018] nas Festas do Mar e conheci-a, pessoalmente, e também a [guineense] Karyna Gomes, que me apareceu como se fosse uma entidade”, disse Fafá de Belém, referindo que a ideia começou logo a germinar.

“A ideia é cantar a voz da mulher na língua portuguesa”, declarou Fafá de Belém.

Além de Ana Laíns, Fafá de Belém e Karyna Gomes, o projeto conta com Anabela Aya (Angola), Anastácia Carvalho (São Tomé e Príncipe), Lura (Cabo Verde), Piki Pereira (Timor-Leste) e Selma Uamusse (Moçambique).

Cada uma das cantoras interpreta dois temas do seu repertório, e vão também “homenagear, de alguma forma, mulheres que foram muito importantes na expansão da língua portuguesa, como Amália Rodrigues e Cesária Évora”.

Assim, “todas juntas, interpretamos dois temas, ‘Tanto Mar, de Chico Buarque e esse hino à mulher empoderada, que luta pela sua própria vida, ‘Maria, Maria’, de Milton Nascimento”, disse Ana Laíns que assume a curadoria e produção executiva do espetáculo, apoiado, entre outras entidades, pela Fundação Guimarães Rosa, do Brasil.

As cantoras serão acompanhadas por um ensemble composto por Paulo Loureiro (piano e orquestrações), Rolando Semedo (baixo), Carlos Lopes (acordeão), João Ferreira (percussão), Ana Filipa Serrão e José Pereira (violinos), Joana Cipriano (viola d’arco) e Catarina Gonçalves (violoncelo).

“A nossa meta é continuar, atravessar os mares”, disse Fafá de Belém que projeta que este seja “um espetáculo de carreira e seja apresentado noutros palcos portugueses, mas também africanos e brasileiros, onde as músicas africanas são pouco conhecidas”, disse a cantora brasileira, referindo o “fator pedagógico” deste concerto, em “esclarecer o povo brasileiro sobre a sua própria origem”.

Ana Laíns, por seu turno, adiantou à Lusa que “há conversações a decorrer com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para levar este conceito, este projeto, a todos os países da lusofonia”.

Laíns reconheceu que apresentar o espetáculo em Timor-Leste “é o maior desafio”.

Do projeto consta a timorense Piki Pereira, atualmente a residir no Reino Unido, e que não faz carreira profissional na música, mas o “espetáculo equitativo”, é “uma possibilidade de mostrarmos os nossos projetos”.

Nesta digressão há a vontade de uma maior aposta nos palcos do Brasil, país onde, embora presente, muito generalizada e assimilada, é “pouco conhecida, ainda, a influência das músicas africanas”, disse Fafá, que acrescentou: “Eu sou uma branca ninada por amas pretas, nós fomos embalados pelos negros vindos de África.”

“A primeira leva de escravos que chegou a Belém do Pará veio da Guiné-Bissau”, disse Fafá, referindo-se à sua terra natal.

O espetáculo, com entrada gratuita, surge no âmbito das comemorações do mês da Língua Portuguesa, o mês de maio, e é financiado pelo Fundo Especial da CPLP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


domingo, 5 de dezembro de 2021

Portugal – Jornal lisboeta “Mensagem” divulga notícias e reportagens em crioulo de Cabo Verde e da Guiné-Bissau

“Jornalismo na kriolu ê um kumeço di narrativa ki ta ben kaba ku um monti di preconceito” – sim, isto é um título em crioulo


Não estranhem, vizinhos e vizinhas, o texto que se segue é em crioulo – crioulo cabo-verdiano. É o pontapé de saída do novo projeto de jornalismo em crioulo feito na Mensagem – apadrinhado por Dino d’Santiago, e a sua plataforma Lisboa Criola e apoiado pela iniciativa europeia Newspectrum, que promove o jornalismo em línguas minoritárias na Europa.

O crioulo, ou os crioulos, cabo-verdiano e guineense, são línguas não oficiais em Cabo Verde e na Guiné-Bissau, e são falados e cantados correntemente em Lisboa – e embora não haja números oficiais para uma avaliação, é bem possível que seja a segunda língua mais falada da cidade. Aqui, fazemos-lhe uma homenagem, no caminho de um jornalismo mais inclusivo e de uma cidade mais misturada.

Por isso, nesta estreia, falamos com o padrinho da Nova Lisboa, crioula, e desta iniciativa, Dino D’Santiago. Esta é a cidade que ele canta, a mais crioula da Europa, onde ele descobriu a sua africanidade e origens, e também, o crioulo dos seus pais, cabo-verdianos (ele nasceu em Quarteira). Dino acaba de lançar o disco novo, Badiu, e esta entrevista é sobre o disco, neste contexto.

Leia mais aqui. Karyna Gomes – Guiné-Bissau in “Mensagem”

Karyna Gomes - É a jornalista responsável pelo projeto de jornalismo crioulo na Mensagem, no âmbito do projeto Newspectrum – em parceria com o site Lisboa Criola de Dino d’Santiago. Além de jornalista é cantora, guineense de mãe cabo-verdiana, e escolheu Lisboa para viver desde 2011. Estudou jornalismo no Brasil, e trabalhou na RTP, rádios locais na Guiné-Bissau, foi correspondente do Jornal “A Semana” de Cabo verde e Associated Press, e trabalhou no mundo das ONG na Unicef e SNV.


domingo, 4 de agosto de 2019

Amor livre















Vamos aprender português, cantando


Bu udju
Na boia ba mimo
Riba de un mar sussegado

Rafelga de tchuba
Tchora si larma dinguidu
Bas de un sucuru que cubrinu ba

Lagrimas quirci
I intchi dentru
De un corson de mimu
Alegria prumessa so de momentu
Amor livre stau na sangui

Nta goci gora I cuma
I cuma
Pa no fical sin

Nta goci gora I cuma
I cuma
Pa no fical sin

Bu udju
Na boia ba mimo
Riba de un mar sussegado

Rafelga de tchuba
Tchora si larma dinguidu
Bas de un sucuru que cubrinu ba

Lagrimas quirci
I intchi dentru
De un corson de mimu
Alegria prumessa so de momentu
Amor livre stau na sangui

Nta goci gora I cuma
I cuma
Pa no fical sin

Nta goci gora I cuma
I cuma
Pa no fical sin

Bu udju
Na boia ba mimo
Riba de un mar sussegado

Karyna Gomes – Guiné-Bissau