Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 17 de maio de 2025

A língua portuguesa “projeta uma certa forma de estar no mundo”

Uma língua é um instrumento de projeção de valores e de uma visão que é muito própria de uma cultura.” Florbela Paraíba, Presidente do Camões Instituto da Cooperação e da Língua



O Dia Mundial da Língua Portuguesa, comemorado a 05 de maio pela Unesco, é mais do que uma celebração simbólica para a presidente Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. “É um motivo para fazermos uma reflexão sobre a nossa língua e o papel que a nossa língua tem no mundo”.

Em entrevista à ONU News, a embaixadora Florbela Paraíba destacou a importância da língua portuguesa como veículo de comunicação, cultura, conhecimento e aproximação entre povos. Ela mencionou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, as diásporas espalhadas pelo mundo assim como alunos do idioma.

Rede de ensino do português

O Instituto Camões tem vindo a consolidar uma rede global de ensino da língua, com 63 cátedras e 86 centros de língua portuguesa em diversos países. A entidade tem mais de 300 protocolos de cooperação e múltiplas parcerias com escolas comunitárias e instituições locais.

“É toda esta rede que promove não só o ensino da língua portuguesa, como a projeção da cultura de matriz portuguesa em todo o mundo”, afirmou a partir da sede do instituto em Lisboa.

A embaixadora realça ainda a importância da adaptação ao mundo digital e aos desafios da inteligência artificial. “Temos que ser protagonistas nesta revolução e não ficarmos reduzidos ao papel de utilizadores.”

Língua como identidade

Florbela Paraíba sublinha ainda o papel da língua como expressão de identidade e valores, sendo mais do que um código de comunicação. “Uma língua é um instrumento de projeção de valores e de uma visão que é muito própria de uma cultura.”

Sobre a ambição de elevar o português à língua oficial das Nações Unidas, ela considera que se trata de um caminho estratégico e coletivo. “Essa é uma pretensão assumida desde logo pelo governo português e é também uma pretensão que tem sido muito trabalhada no âmbito da CPLP e com outros parceiros. É um objetivo comum.”

500 milhões de falantes até 2100

A presidente do Instituto Camões reforça que o português já tem hoje estatuto de língua oficial em várias organizações internacionais, como a União Africana e o Mercosul e sublinha o potencial de crescimento. “Estamos a apontar para um potencial de 500 milhões de falantes até ao final deste século.”

A língua portuguesa, afirma Florbela Paraíba, continua a afirmar-se como uma ponte para o entendimento, a cooperação e a diversidade: “Muito mais importante do que dizermos que temos uma língua rica e promotora da paz, é que os outros a reconheçam assim.”

O Dia da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, foi criado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em 2009 e passou a Dia Mundial após a resolução da Unesco, em 2019.

A entrevista:

ONU News – Por que é importante celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa?

Florbela Paraíba - É uma celebração e um motivo para fazermos uma reflexão sobre a nossa língua e o papel que a nossa língua tem no mundo. O Dia Mundial da Língua Portuguesa, foi proclamado pela Unesco em 2019, mas já antes havia no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, o Dia da Língua Portuguesa e das Culturas da CPLP e isso foi iniciado por volta de 2008. É uma marca e uma oportunidade de criar aqui um espaço para nós pensarmos qual é a nossa estratégia em relação à nossa própria língua, de que forma ela é relevante no mundo e quais são os novos caminhos que devemos trilhar, a partir da língua e da promoção da nossa cultura contemporânea no mundo inteiro.

E, por isso, é naturalmente uma data muito importante, não só para os 10 milhões de portugueses, mas para cerca de 260 milhões de pessoas que são falantes da língua portuguesa, sejam eles nos países da CPLP, sejam eles nas diásporas destes vários países por todo o mundo, sejam eles pessoas que falam português ou que querem aprender português, que estão a aprender português devido a questões profissionais, negócios, artísticas ou até mesmo questões afetivas, uma paixão pelo português ou por alguma coisa que os aproximou à nossa própria língua.

ON – Que trabalho desenvolve o Instituto Camões e quantos são pelo mundo?

FP - Temos cerca de 83 centros de língua portuguesa em todo o mundo. São instituições que estão dentro das universidades, algumas das mais prestigiadas do mundo, por todos os continentes.

Temos protocolos de docência, ou seja, acordos com essas universidades, que neste momento se estimam em cerca de 325 destes protocolos, que permitem que haja professores contratados por essas universidades para ensinarem o português. E depois temos também, todas as associações e escolas comunitárias que também oferecem o português, e ainda, e muito importante, as escolas portuguesas no estrangeiro.

Portanto, é toda esta rede que promove não só o ensino da língua portuguesa, como a projeção da cultura de matriz portuguesa em todo o mundo.

Para além do ensino presencial, que nós privilegiamos, porque a pandemia também nos veio ensinar que é muito importante e que não é completamente substituível por meios digitais, temos também cursos online, cursos de autoaprendizagem, que permitem que pessoas dos mais diversos pontos do mundo possam aprender o português.

É uma rede que mobiliza muita gente, que tenta chegar ao máximo de escolas e de pessoas e de universidades possível no mundo, e que necessita permanentemente de ser adaptada às geografias onde há mais interesse pelo português, que necessita permanentemente de valorização e de formação dos professores e daqueles que ensinam português, que implica também um esforço tecnológico constante.

Também é muito importante toda a parte de estímulo à investigação, porque as línguas são organismos vivos, e como todos os organismos precisam de ser estudados até mesmo para a sua própria promoção e para a sua própria evolução e produção científica nestas áreas.

É importante todo o apoio que nós damos em termos de, por exemplo, de tradução de obras portuguesas, de escritores portugueses no estrangeiro. Temos uma linha que é uma linha de tradução que é muito ativa e que, portanto, permite dar algum apoio financeiro a traduções de obras portuguesas para outras línguas.

As boas notícias são que nós, apesar de todas as limitações que há e que são normais, porque os recursos são finitos, vamos conseguindo dar resposta a este interesse e vamos estar muito, muito ativos também a nível das organizações internacionais. Para lhe dar um exemplo, criámos agora um leitorado junto da União Africana, a nível da própria oferta, a nível da formação dos tradutores.

As línguas para serem, de facto, utilizadas nos meios da diplomacia internacional é essencial que haja boas interpretações e boas traduções dos textos, para que se possa ser livremente utilizada e em igualdade de circunstâncias com outras línguas que são, nomeadamente com o inglês, que é uma língua praticamente franca.

ON - Que tipo de imagem projeta a língua portuguesa a nível mundial?

FP - Eu acho que as línguas transformam-nos sempre e nós somos moldados e transformados por elas. Uma língua, além de ser um instrumento de comunicação, é um instrumento de projeção de valores e de uma visão que é muito própria de uma cultura e a língua portuguesa projeta culturas, não só a cultura portuguesa, mas a cultura do Brasil, dos outros estados de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, da Guiné-Bissau, de Timor-Leste, da própria CPLP, o que nós conseguimos ser em comum, que tem também a Guiné-Equatorial como Estado-membro.

Portanto, projeta uma certa forma de estar no mundo, tem agregado a si uma quantidade de características que, mais uma vez, o que é importante para mim é que nos sejam reconhecidas, muito mais de nós as disseminarmos como uma espécie de propaganda. Toda esta questão das pontes, da abertura para o diálogo, da aproximação cultural, são valores intrínsecos na forma como nós comunicamos e como nós chegamos aos outros.

ON- Como olha para o percurso da íngua portuguesa enquanto idioma internacional?

FP - Nós vemos o português aqui no Camões - Instituto da Cooperação e da Língua como uma língua pluricêntrica, pluricontinental, multicultural e, portanto, com muitos polos de onde é feita uma evolução. E essa diversidade do português é, em si mesma, a sua riqueza e muitas vezes o motivo pelo qual ela consegue congregar tanto interesse da parte de públicos tão variados.

O português é uma língua que é falada não só por nós, cidadãos dos estados que têm a língua portuguesa como língua oficial, mas também como língua de herança, portanto, filhos das nossas diásporas, das nossas comunidades, como também como língua segunda, como língua estrangeira. É estratégico que o português seja cada vez mais uma língua integrada nos sistemas de ensino de outros países, como língua opcional, como nós em Portugal aprendemos o francês ou o espanhol ou o inglês.

E depois termos os meios técnicos, científicos, tecnológicos e, naturalmente, os recursos humanos que nós devemos valorizar: os nossos professores, as entidades públicas, as universidades, os escritores, os cantores e artistas, todos aqueles que promovem internacionalmente o português e ter esta rede bem construída de privados e públicos que levam a língua até todas as profissões, todas as áreas de saber e do conhecimento e que de facto a projetam no mundo, seja nas organizações internacionais, seja no espaço digital, seja agregando ao ensino da língua portuguesa toda a dimensão de inteligência artificial que é preciso nós fazermos e pensarmos como vamos fazer e, portanto, facilitar todas as formas de chegar com o português onde é possível e onde nós somos queridos.

Este dia também reflete muito o interesse que há na língua portuguesa, ou seja, o interesse que os outros veem em nós, na nossa língua. Muito mais do que se nós dizemos que temos uma língua muito rica, muito diversa, uma língua promotora da paz, do desenvolvimento, da criação de espaços de intercompreensão, de tolerância, muito mais importante do que isso é o facto de outros nos verem dessa forma, outros identificarem na nossa língua essas características, porque é isso que os aproxima naturalmente dela.

ON – Como é que o Camões olha e contribui para uma eventual campanha de tornar o português língua oficial das Nações Unidas?

FP – Essa é uma pretensão assumida desde logo pelo governo português e é também uma pretensão que tem sido muito trabalhada no âmbito da CPLP e com outros parceiros. Nós temos aqui uma cooperação que pretendemos sempre reforçar com o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, que está sediado em Cabo Verde e que pertence a este universo da CPLP, também com congéneres, por exemplo, no Brasil, com o Instituto Guimarães Rosa. Portanto este é um trabalho conjunto de todos aqueles que têm, cuja pátria ou mátria é a língua portuguesa. É um objetivo comum.

O que nós procuraremos fazer sempre é uma avaliação de todas as condições políticas, diplomáticas, económicas, financeiras, logísticas, que tornem possível nós chegarmos a esse objetivo, que eu estou convencida que um dia chegaremos.

Mas também é preciso dizer que a língua portuguesa já é a língua de trabalho e língua oficial de múltiplas organizações internacionais, sejam elas no âmbito das Nações Unidas, várias organizações e programas que têm o português como língua oficial, mas também não na União Europeia, portanto organizações que não estão nas Nações Unidas, mas que existem, ou outras organizações regionais como a UA, a União Africana, ou como o Mercosul, ou como a Cedeao, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, o Sadc, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

E, portanto, este é um caminho que nós estamos muito empenhados, como não poderia deixar de ser, mas que é um caminho que só será possível naturalmente porque a nossa língua representa hoje em dia já 260 milhões de falantes em todo o mundo e tem um potencial de crescimento enorme.

Segundo as projeções demográficas das Nações Unidas, estamos a apontar para um potencial de 500 milhões até ao final deste século, o que é realmente uma duplicação praticamente do número hoje em dia de falantes.

Mas é também importante quando falamos em projeções demográficas e em aspetos quantitativos, dizer que nós também estamos preocupados naturalmente com a qualidade do português.

Queremos aqui ensinar todos os dias um português que permita às pessoas, não só expressarem-se no básico, mas poderem ler livros, poderem escrever poesia ou apresentar peças de teatro ou escrever, que é muito importante também, as suas teses científicas em língua portuguesa. Ou seja, que seja de facto um português que dê recursos para as pessoas fazerem todas as suas atividades, das mais técnicas e específicas que existirem em língua portuguesa e não é reconhecimento convivial da nossa língua.

ON – Como é que a língua portuguesa se tem adaptado às novas plataformas de inteligência artificial e como se pode proteger a sua essência?

FP – Qualquer revolução civilizacional, e parece-me que estamos praticamente a falar a esse nível, não pode nem deve nunca esquecer as pessoas e o papel que elas têm. Não vejo como é que a inteligência artificial vai substituir o ser humano. Eu acho que é preciso nós construirmos e retirarmos da tecnologia aquilo que nos pode ajudar, minimizando os efeitos potencialmente menos positivos que ela possa ter sobre a nossa sociedade.

Para isso é preciso informação, é preciso as pessoas estarem muito informadas e nós sabemos exatamente o que é que queremos, que produto vamos colocar lá, a informação que nós vamos colocar nos sistemas, os dados que vamos introduzir para que depois o resultado seja o resultado que nós queremos, editado por nós, pelas nossas próprias éticas, pelos nossos valores e não o resultado de escolhas feitas por outros.

É muito importante, creio eu, nós sabermos exatamente, conhecermos e queremos que quem estude a nossa língua desse ponto de vista - da adaptação a meios tecnológicos do hoje e do futuro - para sermos nós os atores, para sermos nós os protagonistas desta revolução e não ficarmos reduzidos ao papel de utilizadores. Nós não podemos ser só usuários desta tecnologia, temos que ser de facto e criar as condições para ter gente que seja realmente protagonista nesta revolução. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Lusofonia - “Língua portuguesa não dispõe de proteções adequadas na internet”

Em entrevista, o coordenador do primeiro Fórum Lusófono de Governança da Internet comentou que o idioma é o quinto mais falado da rede, segundo ele, faltam ferramentas em português para combater o discurso de ódio e favorecer o uso de soluções em inteligência artificial


Está em discussão na ONU a elaboração de uma convenção internacional para combater o uso de tecnologias de informação e comunicação para fins criminais. O Brasil é um dos países de língua portuguesa que participam ativamente deste debate e procuram definir estratégias comuns para a governança da internet em geral.

Para abordar este assunto, a ONU News entrevistou o diretor de Tecnologia da Informação do Ministério do Trabalho do Brasil, Heber Maia.

Quinta língua mais usada na internet

Nas margens das sessões que terminaram em finais de agosto, ele comentou a grande relevância da língua portuguesa no ambiente digital.

“Hoje os estudos indicam que a língua portuguesa é provavelmente a quinta mais utilizada na internet. Hoje são aproximadamente 230 milhões de falantes lusófonos utilizando a internet. É um público muito grande, um público relevante, que está espalhado não somente nos países lusófonos, nos países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, mas nós temos por exemplo na França, são aproximadamente meio milhão de falantes da língua portuguesa. O público que fala a língua portuguesa está espalhado pelo mundo inteiro, nós conhecemos muito bem essa realidade, a diáspora dos falantes dos países lusófonos. Cabo Verde é um exemplo muito característico, todo o mundo comenta.”

Maia afirmou que é necessário entender como essa população utiliza a internet e criar elementos de proteção desta comunidade.

Proteção da comunidade lusófona

“As plataformas digitais, as big techs, desenvolveram soluções que conseguem identificar, por exemplo, os discursos de ódio, a misoginia, racismo e consegue combater de forma mais efetiva em língua inglesa, por exemplo. Qual é o tratamento que eles estão dando para os falantes de língua portuguesa? Recentemente uma ex-funcionária do Facebook a Frances Haugen, esteve no Brasil e chamou a atenção para esse ponto. Ela alertou-nos para a necessidade de uma ação direta e imediata em relação à criação de proteção para os falantes de língua portuguesa.”

O especialista afirmou que a língua também é um fator decisivo para aproveitar oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias, como a inteligência artificial.

Pesquisas em Inteligência Artificial

“Hoje nós estamos perdendo profissionais, especialistas extremamente competentes, que trabalham com inteligência artificial, mas quando vão desenvolver as suas pesquisas, eles precisam trabalhar com conjuntos de dados em língua inglesa. Não temos, por exemplo, conjuntos de dados suficientes para o desenvolvimento de determinadas pesquisas de inteligência artificial porque nós não nos articulamos para isso. Estamos cientes e convencidos de que precisamos unificar os países lusófonos para que essas pesquisas em inteligência artificial sejam realizadas na nossa língua.”

Maia disse que esses temas serão tratados primeiro no Fórum Lusófono de Governança da Internet a acontecer no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, Brasil, em 18 e 19 de setembro.

Segundo ele, a atividade está alinhada com a convenção internacional proposta pela ONU, pois ambos têm como objetivo comum “trazer maior segurança para a população lusófona que acessa a internet.”

Maia também destacou que a agenda do fórum tem como um dos eixos centrais, o Digital Compact, um conjunto de propostas do secretário-geral da ONU para garantir um futuro digital aberto, livre e seguro para todos. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Canadá - Número recorde de canadianos relatam que o primeiro idioma não é nem o inglês nem o francês

O número de canadianos que falam predominantemente uma língua que não sejam as oficiais do país, ou seja inglês ou francês, bateu um recorde em 2021, de acordo com os novos dados dos censos divulgados nesta quarta-feira (17)

O inglês e o francês continuam sendo as línguas dominantes no Canadá de acordo com o Statistics Canada, mas o número de pessoas que falam uma outra língua em casa cresceu para 4,6 milhões, ou cerca de 13% da população.

Enquanto isso, pelo menos um em cada quatro canadianos relatou ter pelo menos uma língua materna além do inglês ou do francês. O aumento deve-se em grande parte a um elevado número de canadianos que relatam falar línguas do sul da Ásia, incluindo o hindi e o punjabi.

Além disso, sete em cada 10 canadianos cuja primeira língua é outra que não o inglês ou o francês disseram que também falam uma língua oficial em casa. In “Milénio Stadium” - Canadá


sábado, 21 de maio de 2022

Estados Unidos da América - Saber falar português vale cada vez mais

Uma pesquisa recente da plataforma Preply, que ensina novas línguas, mostrou o valor de saber mais que inglês nos EUA. Depois de uma grande análise de anúncios de trabalho, o português é uma língua que possibilita cargos mais valorizados

O salário médio de um falante de português em Nova Iorque é de 263781 dólares por ano, equivalente a 250 mil euros. Depois de analisar mais de um milhão e meio de anúncios de emprego, quais os que recebem melhores salários e quais os mais procurados, o português surge muito acima do japonês e do alemão, que completam o pódio em Nova Iorque. Enquanto a língua asiática recebe, em média, mais de 92 mil euros por ano; o valor para quem sabe alemão é, em média, de 85 mil euros por ano.

Contudo, estes valores variam de cidade para cidade, como refere a Forbes. Em Chicago, no estado do Illinois, o pódio é apenas completo por línguas europeias, começando pelo alemão e seguindo com o francês e o italiano. O alemão também é o mais valorizado em Boston, no Massachusetts, sendo acompanhado por espanhol e por mandarim nos mais valorizados. Os falantes da língua germânica voltam a ser mais valorizados em São Francisco, na Califórnia, seguidos dos de espanhol.

Sem surpresas, o alemão já é a língua estrangeira mais bem paga, com um salário a nível nacional superior a 65 mil euros anuais. O campaigns manager da Preply salvaguarda que o alemão “ultrapassou o francês, sendo uma das línguas mais populares para estudar”. Daniele Saccardi salientou que a língua alemã também é a mais valorizada na Europa.

A nível nacional novamente, o português aparece em segundo, com um salário anual médio de mais de 60 mil euros. As restantes línguas no top 10 são o japonês, italiano, mandarim, francês, espanhol, bengali, árabe e hindi. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Internacional - Apenas 15% das publicações científicas no mundo são assinadas em português e espanhol


O português e o espanhol são línguas globais atualmente faladas por 850 milhões de pessoas no mundo. Estima-se que em 2050, serão 754 milhões de falantes de espanhol e 390 milhões de português.

Mas, para que o espanhol e o português continuem a estar entre as línguas com maior expressão mundial, os países ibero-americanos precisam assumir um compromisso de investir em educação e na inclusão digital.

O alerta foi feito no passado dia 16 de fevereiro pela diretora geral de Bilinguismo e Difusão da Língua Portuguesa da Secretaria geral da Organização de Estados Ibero-Americanos, Ana Paula Laborinho, durante o lançamento do sítio “Línguas em Números”, na 2ª Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola (CILPE 2022), desenvolvido em Brasília do 16 a 18 de fevereiro e de forma virtual no Youtube.

O sítio traça um ranking de como as duas línguas estão distribuídas pelo mundo levando em consideração, não apenas o número de pessoas que falam os idiomas, mas também fatores considerados mais relevantes no mundo atual, como: a presença dos idiomas na internet, redes sociais, etc., o número de artigos científicos e produção cultural, e até a quantidade de recursos naturais de cada país.

Dados do Instituto Elcano apontam a evolução da quantidade de publicações científicas no WOS, desenvolvidas em países latino americanos.

Segundo o levantamento, as línguas mais usadas em pesquisas são Inglês — com mais de 153 mil estudos assinados; seguido do Espanhol, com 17 mil estudos; e Português — que tem pouco mais de 11 mil. Porém, diante da forte transformação digital no planeta, acelerada pelas mudanças promovidas pela pandemia, será necessário um esforço conjunto, para que esses idiomas continuem a ser globais.

“Ainda temos muito caminho a percorrer porque se não estivermos fortes na tecnologia, na inovação e ciência, se não implementarmos os pilares da CPLP, se não tivermos essa presença digital, mais qualificação nos cidadãos dessas línguas, podemos ter um grande número de falantes, mas não conseguiremos ser uma língua global”, alerta a diretora da OEI.

Com relação a recursos naturais, Laborinho explica que a quantidade de reservas de água doce, energias renováveis, por exemplo, são fatores fundamentais que sempre estiveram presentes e que serão ainda mais fortes no futuro. “Já está comprovada a relação direta entre as rotas comerciais e as rotas das línguas”, explica.

O sítio “Línguas em Números” apresenta o inglês, espanhol e português como as três línguas mais relevantes neste sentido. O sítio também mapeia quais são as línguas mais utilizadas na web: o espanhol está em 3º, e, o português, em 5º.

“O ensino de português está crescendo na China por causa do interesse deles nos recursos naturais de países da África, então, essa relação com a geopolítica, com a geoestratégia e com a economia são fatores muito fortes. Curiosamente, as empresas que melhor entendem essa questão, são as que mais se desenvolvem”, comenta.

“Quando juntamos português e espanhol, que são línguas em locais com problemas e desafios semelhantes, nós ganhamos força e essa força se reproduz na importância que esses países podem ter e se reflete diretamente nos cidadãos dessas comunidades linguísticas”, explica Laborinho.

A Organização de Estados Ibero-Americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI) é a primeira organização de cooperação intergovernamental na região Ibero-Americana. Desde 1949, vem trabalhando para promover a cooperação em seus três campos de ação. Atualmente, a OEI tem 23 Estados-membros e 18 escritórios nacionais, além de sua Secretaria Geral em Madrid. In “Mundo Lusíada” - Brasil