Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 21 de agosto de 2021

Estados Unidos da América - Oferecem cinco milhões de dólares pela detenção do antigo chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau

O Departamento de Estados dos EUA anunciou uma recompensa de cinco milhões de dólares por informações que levem à detenção ou condenação de António Indjai, antigo chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau

O general António Indjai está desde maio de 2012, na sequência de um golpe de Estado ocorrido em abril do mesmo ano na Guiné-Bissau, sujeito a sanções impostas pelas Nações Unidas, que o impedem de viajar.

Segundo um comunicado divulgado esta quinta-feira (19) pelo porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, António Indjai "liderou uma organização criminosa que participou ativamente no tráfico de droga na Guiné-Bissau e na região durante muitos anos, mesmo enquanto chefiava as Forças Armadas guineenses".

"António Indjai era visto como uma das mais poderosas figuras desestabilizadoras da Guiné-Bissau, operando livremente em toda a África Ocidental, usando as receitas ilegais para corromper e desestabilizar outros governos estrangeiros e minar o Estado de Direito em toda a região", refere o comunicado.

O Departamento de Estado salienta que, segundo uma acusação feita em janeiro de 2013, no verão de 2012 fontes da DEA (Drug Enforcemente Adminitration, agência norte-americana anti-narcotráfico) iniciaram contactos com António Indjai e associados na Guiné-Bissau.

"Entre junho e novembro de 2012, António Indjai concordou em receber e armazenar várias toneladas de cocaína que alegadamente pertenceriam às FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), para vender em benefício das FARC, segundo entendeu", refere o comunicado.

O Departamento de Estado afirma que António Indjai e os seus associados "concordaram que uma parte da cocaína recebida seria usada para pagar aos funcionários do Governo da Guiné-Bissau".

"Além disso, Indjai e os seus associados concordaram em comprar armas, incluindo mísseis antiaéreos para as FARC, usando o dinheiro da droga, e estabeleceram uma empresa de fachada na Guiné-Bissau para concluir as transações ilícitas de armas, desestabilizando ainda mais a África Ocidental e a América Latina", salienta.

O Departamento de Estado sublinha que Indjai foi acusado de conspiração de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, conspiração para fornecer apoio material a uma organização terrorista estrangeira e conspiração para adquirir e transferir mísseis antiaéreos.

A recompensa é oferecida pelo Programa de Recompensas de Narcóticos do Departamento de Estado. In Diário de Notícias” – Portugal com “Lusa”

O blogue “Baía da Lusofonia” denunciou esta situação em novembro de 2012 que poderá agora reler com o título “Noriegas”.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Indjai

"Sintchã Indjai

Cada vez circula mais droga no país e cada vez mais António Indjai enriquece. Ele e a sua entourage….
 
A ponta do Putchista maior do Golpe, situada em Jugudul, perto do seu quartel de Mansoa, que antigamente tinha um único cubículo, agora é já uma grande tabanca, com 3 enormes pavilhões de cria de galinhas, electrificada toda à volta, protegida por um sistema militar que evita a entrada de estranhos.
 
A regra é só uma: são todos estranhos, desde que não sejam traficantes de droga! É a partir de lá que são coordenadas e decididas todas as operações de entrada e saída de droga e onde funciona a sede do Banco privativo de Indjai.
 
A ameaça de ocupação do quartel de Mansoa por parte do novo contingente das novas forças nigerianas e da CPLP que está previsto chegar, pôs o homem em alvoroço e irritado: “ami kê stâ kel! má na peráles! é na kunsi truci di si papé, gós-gós”. Para quem quer ouvir acrescenta: “anós ki séta CEDEAO, anós ki na cerkáles fit ; má nó cólegas de Mali riba pâ prindi presidenti, anós tan, assim ke nó nâ fáci”.
 
Temos Natal e Fim de Ano com fogo de artifício real, como já prometeu uma firma portuguesa, que anunciou algo jamais visto!" Pasmalu - Guiné Bissau

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Noriegas


A história de Manuel António Noriega Moreno é conhecida mundialmente, devido à sua ascensão, golpe após golpe, até à presidência do Panamá, nome também da cidade que o viu nascer em 11 de Fevereiro de 1934.

Noriega em cada golpe que intervinha subia na hierarquia militar chegando a general em 1982 e tinha o poder absoluto do seu país o Panamá em 1983. O seu percurso ficou ligado ao narcotráfico sendo um abastecedor do mercado norte-americano de cocaína e marijuana, o que levou o presidente dos Estados Unidos, George Bush, a ordenar uma operação de captura de Noriega denominada “justa causa” que levou à sua prisão a 03 de Janeiro de 1990. Hoje Noriega após passar 17 anos nos calabouços americanos, está detido em França pela acusação de lavagem de dinheiro.

Mas outros Noriegas existem espalhados pelo mundo, um deles, encontra-se na outra margem do Atlântico, tem menos 21 anos pois nasceu a 20 de janeiro de 1955 em Encheia, Bissorá na Guiné Bissau e embora fisicamente não seja comparável com Noriega, tem tido um percurso bastante semelhante, sendo hoje tenente-general e Chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné Bissau.

A sua ligação ao narcotráfico é também conhecida. A diferença está no mercado alvo da distribuição das drogas, enquanto os Estados Unidos da América é uma federação de estados com um governo central, a União Europeia é um conjunto de países sem uma estratégia definida quanto a problemas internacionais, como é o caso do narcotráfico.

Filho de Wasna Injai e Quiritche Cofte o Noriega da Guiné Bissau, de seu nome António Injai, ou Indjai como também é conhecido, continua a dominar um pequeno estado da costa atlântica de África, inserido numa região em que o tráfico de droga tem caminho livre mas, a sorte de Injai não será diferente de Noriega e tudo não passa de uma questão de tempo. Baía da Lusofonia 

domingo, 9 de setembro de 2012

Protagonistas

“Claro que a luta de um povo é sua, de facto, se a razão dessa luta for baseada nas aspirações, nos sonhos, nos desejos de justiça, de progresso do próprio povo, e não nas aspirações, sonhos ou ambições de meia dúzia de pessoas, ou de um grupo de pessoas que tem alguma contradição com os próprios interesses do seu povo.

Contra quem é que o nosso povo tem que lutar? Desde o começo que nós dissemos claramente. Nós, como colónias de Portugal na Guiné e em Cabo Verde, somos dominados pelo estrangeiro, mas não são todos os estrangeiros que nos dominam e, dentro de Portugal, não são todos os portugueses que nos dominam.

Aquela força, aquela opressão que está sendo exercida sobre nós, vem da classe dirigente de Portugal, da burguesia capitalista portuguesa, que tanto explora o povo de Portugal, como explora o nosso povo. E, como sabemos bem, a classe dirigente de Portugal, a classe colonialista de Portugal, está ligada à dominação do mundo por outras classes doutros países, formando juntas, a dominação imperialista. Está ligada ao conjunto das forças imperialistas do mundo que, dominando os seus próprios países, têm necessidade vital de dominar outros povos, outros países, tanto para terem matérias-primas para a sua indústria, como para terem mercados para os seus produtos. Por isso, nós somos dominados pela classe capitalista portuguesa ligada ao imperialismo mundial.

O nosso povo está, portanto, a lutar contra a classe colonialista capitalista portuguesa e, lutando contra ela, está a lutar necessariamente contra o imperialismo, porque ela é um pedaço, embora pequenino e mesmo podre, do imperialismo. Assim, nós sabemos contra quem é que lutamos.

Mas nós enfrentamos o problema não só da libertação mas também do progresso do nosso povo.

E, nessa base, vemos logo que a nossa luta não pode ser só contra estrangeiros, tem que ser também contra alguma gente dentro da nossa terra. O nosso povo tem que lutar ao mesmo tempo contra os seus inimigos de dentro. Quem? Toda aquela camada social da nossa terra, ou classes da nossa terra, que não querem o progresso do nosso povo, mas querem só o seu progresso, das suas famílias, da sua gente. É por isso que dizemos que a luta do nosso povo é contra tudo quanto seja contrário à sua liberdade e independência, mas também contra tudo quanto seja contrário ao seu progresso e à sua felicidade.

A luta na nossa terra tem que ser feita pelo nosso povo. Não podíamos de maneira nenhuma pensar em libertar a nossa terra, em fazer a paz e o progresso da nossa terra, chamando gente de fora (estrangeiros) para virem lutar por nós. Na Guiné e em Cabo Verde nós é que temos de lutar, nós é que temos que lançar mão de todos os meios para lutar. E assim de facto tem acontecido.” Amílcar Cabral – Guiné Bissau


Esta transcrição do texto de Amílcar Cabral “Luta do Povo” tem dois protagonistas, um externo outro interno, que se mantêm nos nossos dias com outras vestimentas, o externo está na fronteira norte e nos interesses francófonos, o interno está nos Antónios Indjais que tão bem Amílcar Cabral espelha no seu penúltimo parágrafo. Baía da Lusofonia