Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 26 de maio de 2020

Macau - Reinterpretação da imagem enquanto veículo narrativo, no Armazém do Boi

No âmbito do programa “Artista em Residência” e da série “Art-City-People”, a Associação Armazém do Boi inaugura, no próximo dia 2 de Junho, as exposições “Eerie Scenery”, do fotógrafo Dennis Wong, e “Journey-Memory-Fragment”, do artista multimedia Xiaoqiao Li. Entre composições fotográficas com mendigos da área de Sham Shui Po e a reconstrução de impressões oníricas através de uma impressora 3D, os artistas convidam a uma releitura da imagem enquanto veículo narrativo



As impressões fragmentadas do registo fotográfico de Dennis Wong e a exploração do limite da arte bidimensional em Xiaoqiao Li vão estar em exposição no Armazém do Boi a partir de dia 2 de Junho. Com curadoria de Ann Hoi, a mostra “Eerie Scenery” apresenta uma série de composições do fotógrafo de Hong Kong, em contraste com macrografias de corpos. Já a mostra “Journey-Memory-Fragment” insere-se na primeira série de exposições “Art-City-People” e combina vídeo, fotografia, videojogos e trabalhos impressos em 3D.

A exposição de Xiaoqiao Li tem como aspecto central “a forma como os sonhos surgem fragmentados a partir das memórias do próprio artista”, começou por dizer ao Ponto Final Fannie Leong, curadora de “Journey-Memory-Fragment”, acrescentando que o antigo aluno de Cinema do Politécnico de Macau mudou o seu foco, nos últimos anos, para enveredar pela exploração da terceira dimensão na imagem.

“Esta exposição é uma experiência dele sobre como trabalhar para além das duas dimensões, porque o que ele faz neste momento é explorar a terceira dimensão na imagem e conjugar isso com a linguagem interactiva dos videojogos”, explicou a curadora.

De acordo com Fannie Leong, este trabalho de Xiaoqiao Li “não tem uma linha narrativa definida”, uma vez que o objectivo do artista é “explorar os padrões de movimentos” num videojogo para depois registá-los através de “uma câmara sensível ao movimento”. “O seu trabalho está relacionado com a sensibilidade da máquina e pela sua captura visual. Ele tenta usar todas as perspectivas e escalas para explorar os limites dos pontos de vistas da máquina nas artes visuais. É uma experiência que recorre a um videojogo como linguagem interactiva, porque quando jogamos videojogos temos a liberdade de explorar esse mundo e acabamos por interagir artisticamente com essa dimensão”, acrescentou Fannie Leong sobre a instalação, frisando que o recurso de Xiaoqiao Li à impressora 3D tem a ver com o estudo do artista “sobre como as imagens se manifestam no tempo e no espaço”.

“Ele tem três fotografias e depois recorre a sensores de movimento para remover o bordo das fotografias. E a partir daí ele retira uma imagem abstracta dessa fotografia e usa isso como base na impressora 3D. Por isso iremos ver uma série de impressoras 3D que vão usar essas fotografias”, revelou a curadora.



Fragmentos do quotidiano em “cenários misteriosos”

Em contraste com as imagens em movimento de Xiaoqiao Li, o trabalho de Dennis Wong procura criar uma reacção de confusão no observador, com a exposição “Eerie Scenery”. “As partes fragmentadas de eventos parciais juntam-se para se tornar um mapa mental sem lei. À medida que saltamos da dedução para a indução, as imagens de uma realidade documentada vão ganhando forma num cenário misterioso”, disse Ann Hoi, curadora da exposição de Dennis Wong, acrescentando que as “cores explosivas” nas composições fotográficas do artista de Hong Kong procuram “causar uma sobrecarga no córtex visual, numa sensação dolorosa e ao mesmo tempo doce, tal como a nossa forma de viver”.

A curadora da mostra explicou ainda que o trabalho de Dennis Wong, intitulado “Eerie Scenery”, é caracterizado por fotografias de estranhos e mendigos da área de Sham Shui Po, em Hong Kong, e por macrografias do corpo humano. “As suas fotografias normalmente desviam o foco, numa espécie de enigma. Quanto mais se observa, mais dúvidas surgem, sendo que se torna difícil estabelecer conexões lógicas. Mesmo assim, as figuras que surgem nas imagens suscitam intrigas tal como crónicas da vida contemporânea”. As exposições apresentam-se ao público até 12 de Julho. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

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