Uma Lagarta, Uma Lavoura e Bilhões de
Prejuízo

Uma praga exótica até então inexistente em
lavouras brasileiras vem tirando o sono de produtores, extensionistas e
pesquisadores de todo o Brasil. Trata-se da Helicoverpa
armigera, uma lagarta de aproximadamente 4 cm com altíssimo poder de
destruição devido suas características biológicas, como alta fecundidade,
mobilidade e migração das mariposas. Isso a permite sobreviver em climas
instáveis e em culturas diversas, como soja, milho, algodão, pimentão, tomate,
sorgo, etc.

Obviamente que a resistência da lagarta aos
químicos existentes hoje no Brasil é fruto de um manejo inadequado (tanto de
rotação de culturas como do químico utilizado) reflexo da falta de
monitoramento, ansiedade e despreparo do produtor no seu controle, já que sua
precisa identificação só é possível através de estudos laboratoriais com a
análise da genitália masculina e molecular dos adultos. Tais medidas errôneas
fazem uma redução dos inimigos naturais da praga e uma disponibilidade
permanente de alimentação em diversos hospedeiros durante o ano inteiro,
criando assim um desequilíbrio no sistema produtivo.
Somente no estado da Bahia, na safra passada,
R$ 2 bilhões de prejuízo foram atribuídos ao ataque da Helicoverpa armigera. Também se estima que haverá, devido à
ocorrência da lagarta, um aumento de 92% no uso de inseticidas na safra
2012/13, em função da dificuldade de se atingir o alvo, pois a lagarta se
posiciona muitas vezes no limbo inferior da folha. Com base nisso e com uma
infestação muito mais precoce e mais intensa nessa safra de 2013/14, o
Ministério da Agricultura em conjunto com a Embrapa (http://www.embrapa.br/alerta-helicoverpa/Manejo-Helicoverpa.pdf) divulgou algumas
medidas para combater ou, ao menos, reduzir o ataque da lagarta. São elas:
1. Formação de um Consórcio coordenado pelo
Ministério com a finalidade de informar e capacitar técnicos sobre estratégias
de manejo de inimigos naturais, produtos químicos, biológicos, boas práticas
culturais/agronômicas e monitoramento da própria lagarta.
2. Uso de cultivares que reduzem a população
da praga, seguindo as alternativas disponíveis no mercado e que possuam
eficiência de controle, incluindo plantas Bt (proteína tóxica à Helicoverpa armigera).
3. Menor período possível de semeadura com a
finalidade de restringir a disponibilidade de alimento à praga e, evitar
cultivos subsequentes de plantas hospedeiras.
4. Uso do controle biológico com a liberação
de insetos parasitoides e predadores, assim como fungos, bactérias e vírus que
atacam a lagarta.
5. Integração de um manejo adequado de pragas
com monitoramento de fatores climáticos, estádio da cultura e identificação de
outras pragas.
6. Uso de feromônios em armadilhas
específicas com a finalidade de monitorar a população da lagarta em grandes
extensões.
7. Utilização do vazio sanitário, período no
qual a área permanece sem plantas hospedeiras, suprimindo o ciclo reprodutivo
da praga.
8. Utilizar a rotação de culturas e
destruição de plantas voluntárias/invasoras e restos culturais que sirvam de
alimento à lagarta. Luciano Crusius –
Brasil in “Infomoney”
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