Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Angola - Poeta Elsa Major lança livro no Memorial Dr. António Agostinho Neto

Depois da apresentação em Portugal, a poeta Elsa Major regressa ao país para o lançamento oficial da sua mais recente obra intitulada “Faro e Enigmas - Poesia”, cuja sessão ocorreu no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um dos mais importantes espaços de promoção da cultura e da memória nacional


Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.Club, Faro e Enigmas - Poesia afirma-se como uma das mais significativas obras poéticas da autora, reunindo poemas em que o amor, a memória, a espiritualidade, a identidade e a paisagem se cruzam numa escrita profundamente sensorial. Inspirada pelo Namibe, pelo Atlântico e pelo Deserto do Kalahari, Elsa Major propõe uma poesia que convida à contemplação e à reflexão sobre a condição humana.

A sessão de lançamento contou com a participação de convidados especiais, entre os quais Conceição Cristóvão, Agnela Barros e o escritor e investigador João Fernando André, cuja presença reforça a dimensão literária do encontro.

O livro conta com o apoio de várias instituições e órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Escola 88.5 FM, o Sistema Akwa Kisanji, a Rádio MFM 91.7 e outros parceiros culturais.

Depois da excelente recepção em Lisboa, onde a obra reuniu escritores, académicos, diplomatas e leitores num momento de celebração da literatura, Faro e Enigmas chega agora a Luanda para um encontro, de acesso livre, com o público angolano, num regresso particularmente simbólico da autora às suas raízes e ao universo cultural que inspira grande parte da sua criação poética.

Mais do que um lançamento literário, esta apresentação constituiu uma celebração da poesia contemporânea e da crescente afirmação das vozes femininas na literatura nacional, reforçando o papel do livro como espaço de diálogo entre memória, identidade e futuro.

Elsa Major é uma poeta, escritora e professora angolana, natural da província do Namibe e licenciada em Linguística pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Agostinho Neto.

Destaca-se no panorama da literatura lusófona pela ligação à tradição oral e expressão feminina, com as obras Sensações, Emoções e Impressões, Versos Confessos e Faro e Enigmas. É co-autora em várias antologias e colectâneas da lusofonia, incluindo os volumes de Poiesis, Janelas do Universo e Eclética I. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Macau - Associação quer aprofundar intercâmbio jurídico entre a China e o mundo lusófono

Uma deslocação ao Brasil da Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau focou-se na cooperação, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial no sector jurídico. A delegação assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação. No futuro, a Associação pretende aprofundar a articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau, promover o sistema de serviços jurídicos para a internacionalização da medicina tradicional chinesa e expandir a cooperação na área de resolução de disputas internacionais


A Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau (MLEPA, na sigla em inglês) realizou uma visita institucional ao Brasil focada na cooperação jurídica, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial (IA) no sector. A comitiva cumpriu uma extensa agenda, que incluiu diversos encontros focados nas oportunidades e desafios do uso de IA generativa na advocacia, protecção de dados e comércio transfronteiriço.

Durante a estada em São Paulo, a MLEPA assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras de referência, como o Ibrachina e o IBCJ, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação.

Além disso, realizou visitas e encontros, com passagens por organismos de São Paulo, como o Tribunal de Justiça, a OAB/SP, a Assembleia Legislativa e a Faculdade de Direito da USP. O objectivo central foi consolidar Macau como uma plataforma de serviços para a cooperação jurídica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa (PLP).

A delegação promoveu igualmente o seu primeiro seminário jurídico no Brasil, construindo oficialmente um canal bilateral de serviços jurídicos “China Continental-Hengqin-Macau-Brasil”. Ao Jornal Tribuna de Macau, a associação disse que a conferência constituiu um “marco importante para a cooperação da associação com o país lusófono da América Latina”.

O painel com especialistas da RAEM contou com a participação de membros da MLEPA, nomeadamente Joaquim Vong e Brian Cheang, respectivamente presidente e vice-presidente executivo, e Stephen Hu, especialista em investimentos bilaterais.

O evento reuniu académicos e profissionais do Direito para debater oportunidades, desafios e tendências na profissão jurídica na era da IA generativa, com foco na troca de experiências sobre inovação, transformação digital e cooperação institucional entre o Brasil e a China.

Brian Cheang falou sobre a legislação relativa à protecção de dados pessoais na era da IA generativa, destacando o papel da MLEPA e a importância de laços mais estreitos com o Brasil. O advogado salientou que, “como temos muitos advogados em Macau que falam português, somos vistos como uma plataforma de interacção entre a China e os PLP, entre os quais o Brasil”, acrescentando que, “cada vez mais, os profissionais do Direito chineses estão a reconhecer a necessidade de uma maior interacção”.

Joaquim Vong abordou a aplicação da IA no Direito na China Continental e em Macau, afirmando a necessidade de “unir forças para construir uma plataforma de IA para o comércio jurídico entre a China e o Brasil, tendo Macau como centro nevrálgico”. Desta forma, expressou, “podemos promover a cooperação económica e comercial bilateral, aprofundando as relações de amizade”.

Por sua vez, Stephen Hu fez uma apresentação sobre as oportunidades e os desafios da IA generativa para os profissionais do Direito, propondo uma reflexão sobre os limites da sua utilização na prática jurídica. “Temos de verificar quais as plataformas mais adequadas para cada tarefa, analisando os dados e encontrando um equilíbrio entre o trabalho automatizado e a verificação humana”, mencionou.

Em termos de futuro, a MLEPA centrar-se-á na construção do “Corredor Económico e Jurídico China Continental – Hengqin/Macau – Brasil”, com foco em cinco áreas: resolução de disputas transfronteiriças, serviços jurídicos para investimentos bilaterais, serviços de internacionalização da medicina tradicional chinesa e comércio, intercâmbio de talentos e académico, e articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau. “Iremos expandir gradualmente a rede de cooperação para todos os países lusófonos do mundo”, refere a nota enviada ao JTM.

Sobre o intercâmbio com os PLP, a MLEPA salienta que, “baseando-se no posicionamento de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países lusófonos e no papel de apoio da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, aprofundar o intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos é tanto um requisito para servir a estratégia de desenvolvimento nacional como uma medida necessária para usufruir das vantagens únicas de Macau e promover a sua diversificação económica adequada”.

A MLEPA, fundada em 2019, é composta por profissionais jurídicos diversificados: advogados locais em exercício, docentes de Direito de universidades, funcionários públicos da área jurídica e consultores jurídicos empresariais.

“A missão central é defender a autoridade da Constituição e da Lei Básica de Macau, promover a integração da comunidade jurídica da RAEM no desenvolvimento nacional, participar na articulação de regras da Grande Baía e da Zona de Cooperação de Hengqin, e construir uma ponte de intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos”, salienta a associação.

Desde que foi criada, a MLEPA realizou, durante seis anos consecutivos o “Fórum de Inovação Jurídica da Grande Baía”, publicou diversos guias jurídicos, obteve autorização para estabelecer a Representação em Guangdong em Hengqin, criou a marca de intercâmbio juvenil “Rota da Seda Liga Macau: Jovens da Ibéria”, e conta com uma rede de cooperação global que abrange mais de 100 instituições profissionais. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Japão - Concerto celebra música portuguesa dos séculos XVIII e XIX

A embaixada de Portugal recebe, no dia 9 de setembro, o concerto “A Diva de Lisboa – Música portuguesa do final do século XVIII e do século XIX num piano quadrado de 1817”, uma iniciativa dedicada à redescoberta do repertório português anterior à consolidação do fado


O programa reúne canções portuguesas do final do século XVIII e do século XIX, selecionadas também a partir de fac-símiles de partituras preservadas na Secção de Música da Biblioteca Nacional de Portugal.

A interpretação estará a cargo da soprano portuguesa Ana Filipa Leitão e da especialista em fado e canto clássico Erika Fujisawa. O piano quadrado de 1817 será tocado por Michio O’Hara.

O concerto decorre entre as 18h00 e as 19h00 e tem um custo de participação de mil ienes.

A iniciativa é organizada pela O’Haras, com o apoio da Associação Nagoia Japão-Portugal e a colaboração da embaixada de Portugal, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Konoie Event. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Brasil - Golpe, invasão e roubo de nossas terras raras

Infelizmente não tenho bola de cristal e não posso prever o futuro, mas, com base em certas evidências, podemos imaginar certos riscos próximos à democracia e à soberania brasileiras. A existência desses riscos decorre da tolerância mantida com relação a certos políticos dispostos a traírem o país em favor dos Estados Unidos e aceitarem desempenhar funções de lacaios, em troca de terem apoio para instaurar uma ditadura familiar, uma dinastia, e assim desfrutarem do poder.

Ainda recentemente, o candidato Flávio Bolsonaro confirmou sua vocação golpista ao afirmar que libertará imediatamente seu pai, preso por tentativa de golpe, e reagirá contra o STF se seus ministros quiserem impedir essa libertação em nome de inconstitucionalidade.

Faz alguns dias, afirmou com seu sorriso cínico, que seu pai subirá com ele a rampa do Planalto na posse como presidente.

Diante dessa declaração, o jornalista e crítico político Reinaldo Azevedo disse, no canal Metrópoles, querer ter mais detalhes. Como seu pai poderá subir a rampa sem ter sido libertado e como Flávio poderá libertar seu pai antes de ser empossado? Ora, só depois de eleito Flávio poderia decretar o indulto e, mesmo assim, teria de esperar a reação do STF! Ou Flávio estaria programando um golpe logo depois das eleições, ou mais precisamente, logo depois de sua derrota nas eleições?

E outra: num encontro para o qual foram convidados embaixadores e representantes de diversos países, Flávio Bolsonaro veio com a velha história de urnas não seguras, defendida pelo pai e que lhe custou a inelegibilidade: a de que a Smartmatic, empresa venezuelana fabricante das urnas eletrônicas, não garante invulnerabilidade. Por que teria repetido o mesmo argumento já desmentido? Sua expectativa é a de que o Tribunal Superior Eleitoral, agora dirigido pelo ministro Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, aceite a história das urnas não seguras e crie um caos logo após a apuração, na hipótese mais provável de ser derrotado?

São três narrativas golpistas ou mesmo três projetos golpistas fadados ao fracasso, piores e menos consistentes que o plano golpista paterno. Mas aqui poderia entrar um apoio inexistente na derrota de Jair Bolsonaro: em lugar de apelar às Forças Armadas como costuma ocorrer nos países sul-americanos, Flávio e seu irmão Eduardo, mais o foragido neto de ditador, Paulo Figueiredo estariam negociando uma intervenção norte-americana no Brasil, a pretexto a priori de ter havido eleições fraudulentas, tema preferido do presidente Donald Trump. Um golpe rápido capaz de impedir reações e evitar uma guerra civil, perto do modelo aplicado na Venezuela. Para isso contariam com o apoio dos Estados governados por bolsonaristas e suas estruturas policiais e militares. O apoio de São Paulo e Estados sulistas seria decisivo, junto com o apoio religioso evangélico.

Si non è vero è bene trovato, como diria o filósofo Giordano Bruno, queimado pela Inquisição em 1600.

Descrevemos o quadro e os riscos, mas ficaria a pergunta: por que os EUA endossariam a intervenção e apoiariam o golpe?

Razões existem e seria bom ficarmos alertas. A imprensa francesa deu eco aos temores brasileiros do uso da força militar e a Agência France Presse e o jornal Le Figaro não deixaram por menos: "O Brasil se inquieta quanto ao risco dos EUA recorrerem à força militar no seu território, depois que Washington classificou como organizações terroristas dois grupos criminosos brasileiros". Na verdade, essa classificação é pretexto para justificar qualquer intervenção norte-americana no Brasil, mesmo porque, diz o jornal, "a oposição de direita saudou a decisão de Washington".

E por que tanto interesse pelo Brasil?

Antes já havia muitos países de olho nas riquezas da Amazônia. Agora, isso continua, mas reforçado com a cupidez pelas chamadas terras raras. E o jornal suíço Le Temps sintetiza bem essa ganância no título de primeira página - "O Brasil no centro de uma guerra fria econômica entre a China e os Estados Unidos por suas terras raras".

O texto trata do controle da sociedade mineira e de minerais Terra Brasil Minerals pelos EUA e Emirados Árabes com a participação da Inglaterra, Canadá, Austrália e União Europeia para a exploração de terras raras no Brasil, com o objetivo de concorrer com a China, detentora das maiores jazidas dessas terras.

O Brasil possui grandes jazidas mas é um simples exportador dessa matéria-prima, como ocorre com o ferro e a soja. O Brasil sabe extrair mas não tem o controle do processo que permite transformar a rocha em tecnologia e a tecnologia em soberania, comenta o jornal. E dá um exemplo, o lítio bruto exportado por 800 dólares a tonelada é importado, já transformado em hidróxido de lítio, por 8000 dólares.

O Brasil quer ter sua soberania nesse setor, mas a ganância norte-americana por essas terras pode criar mudanças políticas e fazer o Brasil continuar como simples exportador. Isso é o que tramam os chamados patriotas, na verdade traidores da pátria políticos e entreguistas de nossas riquezas. É o limiar de uma luta pela soberania e controle das terras raras como foi a luta da Petrobras pelo petróleo e que os patriotas também querem privatizar. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins, é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Japão - Nos bastidores da obra-prima de mistério "A Devoção do Suspeito X"

Keigo Higashino, um dos principais escritores de mistério do Japão, faleceu. Pedimos a Yoshiyuki Hatori, editor-chefe da revista literária "All Yomimono", onde a sua obra-prima "A Devoção do Suspeito X" foi publicada em série, que relembrasse o verdadeiro carácter do autor e o fascínio pelas suas obras


As únicas palavras que me vêm à mente agora são "um gigante caiu". Alguns podem achar essa uma maneira antiquada de pensar, mas para alguém que esteve envolvido com a publicação de romances por tanto tempo, esta expressão parece a mais adequada. Keigo Higashino, um autor de best-sellers que deixou mais de 100 obras e cujas vendas acumuladas ultrapassam facilmente 100 milhões de exemplares, não só liderou o cenário de romances de entretenimento no Japão, como também conquistou muitos leitores em mercados globais como os Estados Unidos e a China, faleceu repentinamente neste verão.

Nunca trabalhei diretamente com o Sr. Higashino, nem tive uma relação particularmente próxima com ele, mas como membro da editora que publica a sua obra mais representativa, a "Série Galileu", tive a oportunidade de estar na sua presença. Com gratidão por essa gentileza e um profundo sentimento de perda com o falecimento de um autor tão grandioso, escrevi este humilde texto.

"Vou te mostrar um truque que ninguém jamais imaginou."

A obra-prima de Higashino e um marco da ficção policial japonesa, A Devoção do Suspeito X, foi publicada na All Yomimono, uma revista literária da editora Bungei Shunju. Como editor-chefe durante a publicação em série, eu aguardava ansiosamente as cerca de 30 páginas de manuscrito que chegavam mensalmente, mas também sentia uma certa ansiedade em relação aos imprevisíveis desdobramentos da trama. Certo dia, quando encontrei Higashino numa festa ou bar em Ginza e compartilhei as minhas impressões sobre a publicação em série, ele disse-me estas palavras.

"Vou mostrar-vos um truque que ninguém jamais imaginou, nem no passado nem no presente", disse, com o rosto repleto de confiança e convicção.

A essência de um mistério reside no seu artifício, e a confiança de um escritor deriva da ambição de conceber um artifício que ninguém poderia ter previsto e de surpreender os amantes do mistério em todo o mundo.

Fiquei encantado. A verdade é que não só eu e o editor responsável, mas toda a editora no Bungei Shunju tínhamos grandes esperanças de que esta obra finalmente lhe rendesse o Prémio Naoki. Na época, Higashino já era um autor de grande sucesso, mas, quando se tratava do Prémio Naoki, ele havia sido indicado diversas vezes, sem nunca conseguir vencer.

O resultado foi de tirar o fôlego. Um matemático solitário usa todo o seu intelecto para lutar contra o seu amigo e rival da faculdade, um físico genial (o renomado Professor Galileu), a fim de encobrir um assassinato cometido por uma mãe e filha que moravam na casa ao lado. A chave do seu plano era cometer outro assassinato para encobrir o primeiro. Fiquei completamente estupefato com esse truque inesperado e cativado pela perfeição do mistério.

Contudo, o fascínio desta obra não termina aí. O cerne do mistério reside no maior enigma: por que um matemático cometeria um assassinato por um vizinho com quem apenas trocara cumprimentos? Esse mistério contém o tema profundo da obra. Parafraseando Higashino, o maior mistério é o coração humano, e o verdadeiro encanto desta obra-prima reside na profunda compreensão da natureza humana que convence o leitor dessa mensagem.

A Devoção do Suspeito X ganhou, com muita alegria, o Prémio Naoki. Eu estava a moderar a reunião do comité de seleção, e até mesmo os escritores veteranos que até então haviam sido relativamente críticos das obras de Higashino a elogiaram bastante, e Yumie Hiraiwa, que a apreciava desde o início, entusiasmou-se com a profundidade do mundo criado no romance. Essa foi a primeira incursão de Higashino em conquistar um público mais amplo, e ele rapidamente ascendeu ao posto de um dos principais concorrentes. Nos 20 anos seguintes, ele jamais abandonou essa posição. Algo assim nunca havia acontecido antes.

Na exibição de pré-estreia de A Devoção do Suspeito X

Antes disso, sua coletânea de contos "Detetive Galileu" havia sido adaptada para um popular drama televisivo estrelado por Masaharu Fukuyama. Após ganhar o Prémio Naoki, A Devoção do Suspeito X finalmente foi adaptado para o cinema. Na exibição privada para os envolvidos com o filme, eu estava sentado ao lado de Higashino. No final, quando a "devoção" desesperada do matemático se mostrou inútil, e ele uivou e chorou como um animal, fiquei completamente devastado. Não só não consegui conter as lágrimas (havia muitos colegas mais jovens por perto), como acabei soluçando alto, envergonhado. No meu choque, deixei escapar algo que não deveria ter dito a Higashino.

"Consegue assistir sem pestanejar, não é?"

Respondeu Higashino com um sorriso irónico.

"Seria estranho se eu chorasse."

O filme A Devoção do Suspeito X foi um enorme sucesso, arrecadando quase 5 mil milhões de ienes nas bilheteiras. Acredito que o romance original, incluindo as edições de bolso, tenha vendido bem mais de 3 milhões de cópias. Desde então, inúmeros livros da série foram publicados e adaptados para o cinema, tornando-se um pilar de receita para a Bungei Shunju. O volume final da série, Memória Eterna, tem lançamento previsto para o dia 05 de agosto. Gostaria de saborear o mundo desta obra final com profunda lembrança.

Fresco por fora, mas quente por dentro.

Acho que a impressão geral que se tem de Higashino é que ele é descolado e elegante. Além disso, ele é bonito. Aliás, quando Higashino e Masaharu Fukuyama estavam sentados juntos num bar em Ginza, nós, que estávamos ao redor, cochichávamos uns com os outros.

"Não sou inferior a Fukuyama."

Contudo, em bares noturnos onde estava rodeado apenas pelos seus editores mais próximos, ele transformava-se num verdadeiro nativo de Osaka, fazendo todos ao seu redor rirem com o seu entusiasmo e espírito prestativo. O Sr. Higashino tomava goles de uísque com gelo, e nós ficávamos extasiados com sua vasta gama de assuntos e a sua inteligência em contar histórias, como se o tempo tivesse parado para nós. As nossas conversas às vezes estendiam-se até as 2, 3 ou até mesmo 4 da manhã. Ele parecia tranquilo e sereno, mas era uma pessoa que nunca deixava de demonstrar consideração pelos outros e oferecer palavras de encorajamento.

Talvez por isso, ele também fosse um mestre da oratória. O seu grande antecessor, o escritor de romances de viagem e mistério Kyotaro Nishimura, faleceu, e uma cerimónia em sua memória foi realizada em Atami, onde ele morava. De pé no palco, diante de muitos profissionais do ramo editorial, Higashino concluiu o seu elogio fúnebre com estas palavras.

"Durante os primeiros 10 anos após a minha estreia, os meus livros não venderam nada. A única razão pela qual consegui publicar livros foi porque o Sr. Nishimura tinha um grande público leitor e estava enriquecendo a editora. Se me permitem a ousadia, agora assumirei esse papel. Por favor, apoiem todos os escritores que estão a lutar para sobreviver."

Enquanto escrevo isto, as palavras memoráveis ​​de Higashino continuam a vir-me à mente. No funeral de Masako Bando, que tinha quase a minha idade, ele esforçou-se ao máximo para expressar em palavras o quão talentosa escritora Bando era. Fiquei profundamente comovido com a genialidade dos seus elogios e com a profundidade da sua tristeza pela morte da sua colega escritora.

Ele faleceu aos 68 anos. Enquanto lamentamos a sua morte prematura, considerando o imenso poder que possuía para deixar um legado tão vasto de obras-primas, é inevitável pensar que ele vivia num ritmo duas vezes mais acelerado que o de uma pessoa comum. Há algum fundamento para essa ideia, já que editores próximos sabiam que, quando ele se machucava praticando snowboard, desporto que tanto amava, os seus ferimentos cicatrizavam com uma velocidade impressionante. O próprio Sr. Higashino parecia achar isso estranho e disse o seguinte:

"Mesmo quando eu era criança, as lesões cicatrizavam muito rápido. Acho que minhas células provavelmente se dividem mais rápido do que as de outras pessoas."

O genial autor, que utilizou o conhecimento científico para criar uma obra-prima da ficção policial, faleceu tão repentinamente quanto o vento. O mundo editorial está agora em profundo luto. Yoshiyuki Hatori – Japão in “Nippon”

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Keigo Igashino. (04 de fevereiro de 1958, Ikuno-ku, Osaka - 23 de julho de 2026, Japão), é um dos mais destacados autores japoneses da atualidade, tendo já sido publicado em 14 países.

Os seus bestsellers foram galardoados com vários prémios, incluindo o Mystery Writers of Japan Award e o Prémio Naoki, e obtiveram reconhecimento nacional e internacional com as subsequentes adaptações cinematográficas e televisivas.

A Pequena Loja dos Grandes Milagres, publicado pela “Presença”, já vendeu mais de 15 milhões de exemplares em todo o mundo. In “Wook”




quarta-feira, 29 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra e Active Space Technologies estabelecem parceria para reforçar a inovação e a formação no setor aeroespacial

Protocolo promove a colaboração em ensino, investigação e desenvolvimento tecnológico, aproximando a academia da indústria de alta tecnologia


A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Active Space Technologies assinam amanhã, dia 30 de julho, às 14h30, um protocolo de colaboração que pretende reforçar a cooperação entre a academia e a indústria, promovendo a formação avançada, a investigação aplicada e o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para os setores aeroespacial e industrial.

A cerimónia de assinatura realiza-se na Sala do Conselho do Edifício Central do Polo II, e contará com a presença do Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, e de representantes do Conselho de Administração da Active Space Technologies.

Com uma duração inicial de três anos, o protocolo estabelece um quadro de cooperação nas áreas da engenharia aeroespacial, mecânica, eletrotécnica e de computadores, informática, física, materiais, ambiente e gestão industrial, criando oportunidades de colaboração entre investigadores, docentes, estudantes e a empresa.

Entre as iniciativas previstas destacam-se a realização de estágios curriculares e de verão, dissertações de mestrado e teses de doutoramento em contexto empresarial, bem como a participação de engenheiros e especialistas da Active Space Technologies em aulas, seminários, workshops e outras atividades da FCTUC. O acordo contempla ainda o desenvolvimento conjunto de projetos de investigação e inovação, nacionais e internacionais, recorrendo às infraestruturas laboratoriais da Faculdade, assim como a prestação de serviços especializados nas áreas da caracterização de materiais, análise estrutural, simulação, prototipagem e validação de sistemas aeroespaciais.

A parceria prevê igualmente a criação de programas de formação executiva, cursos de curta duração e microcredenciais dirigidos aos colaboradores da empresa, promovendo a atualização de competências e a transferência de conhecimento entre a universidade e o setor empresarial.

Esta é a segunda parceria estratégica estabelecida pela FCTUC com empresas do setor aeroespacial no espaço de uma semana. Depois do protocolo celebrado com a Critical FlyTech, a colaboração agora firmada com a Active Space Technologies reforça a estratégia da FCTUC de estreitar a ligação à indústria, contribuindo para a consolidação da nova Licenciatura em Engenharia Aeroespacial e para a criação de mais oportunidades de estágio, investigação aplicada e empregabilidade para os seus estudantes.

A Active Space Technologies é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de soluções de engenharia para os setores do espaço, aeronáutica, defesa e indústria, colaborando com algumas das principais organizações e empresas internacionais destas áreas. Universidade de Coimbra - Portugal


Moçambique - População de elefantes cresce de 9 mil para mais de 22 mil em 2025

O país registou um crescimento significativo da população de elefantes, que passou de pouco mais de nove mil animais, em 2018, para cerca de 22.700, em 2025. Apesar dos resultados positivos, as autoridades alertam que a expansão da agricultura, dos assentamentos humanos, da exploração florestal e da mineração continua a ameaçar a fauna bravia e os seus habitats.


Moçambique conta actualmente com uma população estimada em cerca de 22.700 elefantes, segundo os resultados do Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, divulgados esta sexta-feira pela Administração Nacional das Áreas de Conservação.

O número representa um aumento expressivo em relação aos 9114 elefantes contabilizados no último censo, realizado em 2018. O levantamento aponta igualmente para uma redução significativa do número de carcaças de elefantes, com o rácio a baixar de 48,35%, em 2018, para 4,6%, em 2025, não obstante a continuidade de invasões de reservas.

O censo foi financiado pelo Governo da Suécia, através do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela BIOFUND, com o envolvimento da Universidade Eduardo Mondlane.

Mais do que preocupação, os dados devem ser aproveitados para tirar proveito económico e financeiro.

O relatório refere ainda que os dados do norte do país poderão estar subestimados, uma vez que algumas zonas de Cabo Delgado e da Reserva Especial do Niassa não foram abrangidas pelo levantamento, devido às limitações de segurança. In “O País” - Moçambique