Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Macau - Laboratório criado com a Universidade de Macau gera “grande entusiasmo” em Coimbra

O vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da Universidade de Coimbra, João Nuno Calvão da Silva, sublinhou ontem que o laboratório conjunto criado com a Universidade de Macau sobre ciências do cérebro “gerou um grande entusiasmo” na Faculdade de Medicina daquela universidade portuguesa


A Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade de Macau (UM) criaram um laboratório conjunto para estudar o envelhecimento cognitivo e responder às necessidades geradas pelo aumento da esperança de vida, como o Jornal Tribuna de Macau já tinha adiantado há uma semana.

Após a inauguração, o vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da UC, João Nuno Calvão da Silva, disse à Lusa que “o envelhecimento demográfico, o aumento da esperança de vida são tudo coisas absolutamente excelentes, mas que geram outro tipo de urgências”.

Em Macau, uma projecção da Direção dos Serviços de Estatística e Censos, divulgada em Fevereiro, prevê que o número de idosos ultrapasse o número de jovens já em 2023 e que os residentes com 65 anos ou mais representem 20,9% da população em 2041. Já em Portugal, de acordo com dados do Censos 2021, o número de pessoas com 64 anos ou mais de idade aumentou 20,6% desde 2011 em Portugal, com mais de 2,4 milhões nesta faixa etária, que representa 23,4% da população.

“As universidades de investigação têm dito presente a estas questões e procurado soluções, neste caso com parceiros de excelência”, sublinhou Calvão da Silva, acrescentando que as ciências do cérebro é “uma área de investigação de ponta”, tanto na UM como na UC.

A parceria com Macau, que irá incluir projectos de investigação conjuntos e intercâmbio de investigadores, “gerou um grande entusiasmo na Faculdade de Medicina” da UC, confessou o vice-reitor.

Calvão da Silva destacou a participação de Miguel Castelo Branco, o coordenador do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional da UC, que recebeu em Fevereiro o Prémio Bial de Medicina Clínica 2022, no valor de 100 mil euros, por 15 anos de trabalho sobre o autismo.

Antes da inauguração, o vice-reitor para os Assuntos Globais da UM, Rui Martins, mencionou que as duas instituições estão “a negociar também uma proposta de doutoramento conjunto” na área das ciências do cérebro, em associação com o novo laboratório, outra iniciativa que também já tinha sido noticiada por este jornal.

Além de assinar o acordo de criação do laboratório, Calvão da Silva apresentou a tradução para chinês de um livro, da autoria do pai, sobre o direito ligado ao sinal e contrato-promessa em Portugal. Rui Martins sublinhou que o livro faz parte de uma série de cerca de 20 traduções que a Faculdade de Direito da UM está a fazer para apoiar o direito em vigor em Macau.

Durante uma visita de dois dias a Macau, Calvão da Silva passou também pela Universidade da Cidade de Macau (UCM), na qual abordou um programa de estudos avançados em Relações Económicas Internacionais, com a UCM, em língua inglesa. A iniciativa foi atrasada pela pandemia de covid-19, mas o vice-reitor da UC disse esperar “que possa ser lançado já para o próximo ano [lectivo de 2024/2025] com um número significativo de alunos”.

Calvão da Silva disse que, caso tenha sucesso, o programa pode ser seguido por “outros passos mais importantes” e ser um marco significativo no alargamento da “oferta formativa em inglês” da UC.

O responsável visitou ainda a Universidade Politécnica de Macau, onde falou sobre um acordo, assinado em Agosto, para lançar já este ano lectivo um duplo doutoramento em tecnologias de informação. “Está a ter uma grande adesão”, disse Calvão da Silva, revelando que o número de interessados já ultrapassou o de vagas, que não deverão ser mais de 20. “É um notável sucesso numa área importante”, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Angola – John Luandino Santos lança livro infantil

“Pipoquinhas de Poemas” é o título do segundo livro infanto-juvenil da autoria de John Luandino Santos, lançado na escola 1601, no Bairro Popular, defronte ao Hospital Neves Bendinha, em Luanda

O livro chega ao mercado com a chancela da editora Ketch Word e contém 24 textos poéticos, escrito para uma leitura fácil, leve e prazerosa, produzindo na criança inúmeras e variadíssimas emoções, que ao mesmo tempo ensina a conviver em comunidade, disse o autor ao Jornal de Angola.

Segundo John Santos, numa primeira fase foram editados um milhão de exemplares que vão estar disponível para os amantes da literatura, em particulares as crianças.

Após o lançamento, afirmou, os livros vão estar disponíveis nas bancas da livraria das Irmãs Paulinas, na Vila Alice, assim como vai realizar sessões de venda e assinaturas de autógrafos nas províncias do Bengo, Huíla e Malanje.

Dada a quantidade de exemplares, confessou, o programa de promoção e divulgação do livro é levá-lo a todas as províncias do país, principalmente nas regiões onde o mercado literário assemelha-se ao de Luanda.

Para Fragoso Trindade, a quem coube a responsabilidade de prefaciar o livro, o autor sempre se preocupou com a educação e crescimento saudável "das nossas” crianças, desde o seu primeiro livro "A Borboleta e o Gafanhoto” e traz nos 24 textos poéticos que compõem "Pipoquinhas de Poemas” temas como o respeito pelos mais velhos, harmonia familiar, perspectiva para o futuro, economia doméstica, religião, filantropia, amor e alimentação, entre outras.

Deu ainda a conhecer que o autor tenciona com o livro atingir o maior número de leitores e um público multilingue e internacional, com o objectivo de valorizar as "nossas línguas nacionais”. Quatro poemas, disse, foram traduzidos em três línguas nacionais, o kikongo, kimbundo e umbundo e um em língua inglesa.

John Luandino Santos, de nome próprio João dos Santos, é formado em Ciências Económicas, actualmente exerce a função de contabilista. Foi professor do ensino secundário, bem como fez o curso de literatura em Luanda, promovido pela União Baiana de Escritores, Revista Ómnira (UBESC) do Brasil.

John dos Santos estreou-se no mercado literário, em 2017, com o lançamento do livro "A Borboleta e o Gafanhoto”, do género infanto-juvenil, na escola Fidel de Castro, junto a Casa da Juventude, em Viana. Mário Cohen – Angola in “Jornal de Angola”


Portugal – Chegámos ao limite sobre o estado da Arte e da Cultura

Dia 9 de Novembro, pelas 18 horas, protesto em frente à Assembleia da República

Queremos falar sobre as pessoas. As pessoas que criam, dançam, investigam, performam, lecionam, desenham, montam e/ou operam espetáculos, produzem, etc… pessoas que independentemente da sua função, seja na área artística ou técnica, trabalham.  Queremos falar dos impactos nas pessoas da sucessiva pobreza orçamental do Ministério da Cultura.

Os efeitos da política de reforço do orçamento, que aconteceu em 2022, para o Apoio Sustentado às Artes 2023/2026, apenas para o concurso de apoio quadrienal, tiveram efeitos desastrosos e em cadeia em toda a comunidade artística. Não só centenas de estruturas, candidatas a apoios a dois anos, ficaram com os seus projetos suspensos, a braços com despedimentos ou na iminência de fechar portas, como aconteceu o que tínhamos previsto, um efeito bola de neve. O concurso de apoio a projetos, destinado a artistas individuais ou a estruturas que não podem concorrer a outras linhas de financiamento, ficou completamente estrangulado com candidaturas não elegíveis do anterior concurso, e por seu lado centenas de candidaturas, com qualificações acima da média deste concurso, ficaram sem apoio.

E assim continuamos com a bola de neve e com o total desvirtuamento da especificidade de cada linha de apoio, obrigando as pessoas a viver sempre numa lógica de sobrevivência pura. Sobreviver, quer dizer que continuamos a viver depois de qualquer coisa ter deixado de existir. E sim, ano após ano, há qualquer coisa que foge das nossas mãos, desaparecendo a possibilidade de pensar e projetar o nosso presente e o nosso futuro.

Mesmo os projetos que receberam apoio, continuam até hoje (8 meses depois das candidaturas entregues), desenvolvendo processos de criação sem o apoio transferido para as associações, tendo alguns, inclusive, já estreado. Até hoje, foi, provavelmente, o programa que mais tempo demorou para avaliar, publicar resultados, avaliar reclamações, verificar documentos e contratualizar, emparedando o pessoal técnico da DGArtes num volume de trabalho desumano e empurrando profissionais para calendarizar processos de criação e estreias, pressupondo à partida, que o Estado não vai cumprir prazos e só vai disponibilizar os apoios, pelo menos, 5 meses depois do anunciado.

Uma política cultural não se faz em modo de sobrevivência, com profissionais da área artística e cultural a viveram sem os mínimos direitos. O que encontramos neste momento é avassalador: ausência de financiamento para a criação, equipas reduzidas à força e sem dinheiro para contratar, um muro intransponível na Rede de Teatros e Cineteatros que impossibilita a circulação de criações, fonte de financiamento nesta altura crucial, pessoas desempregadas sem direito a qualquer tipo de apoio social, pessoas abrangidas pelo EPAC do Estatuto que, ao invés de ser célere é demorado e burocrático. E como se não bastasse a gravidade de toda a situação que abrange grande parte de profissionais do setor, as pessoas também sofrem dos mesmos problemas que atingem o resto da população: falta de habitação a preços acessíveis nas grandes cidades, aumento do preço dos bens e serviços essenciais, etc, fazendo dezenas abandonarem a profissão ou viverem numa permanente angústia.

Este Ministério da Cultura faz questão de enaltecer os seus feitos, como o aumento da dotação orçamental para a reabilitação do património cultural ou o aumento de 10% do orçamento de estado para a cultura para 2024 (excluindo a RTP), fazendo as contas são mais 5 milhões, um total de 509,4 milhões para a vasta área de abrangência do MC. E deste parco orçamento não sabemos, ainda, que parte vai ser executada, pois como sabemos, entre 2018 e 2022, mais de 300 milhões nunca chegaram a ser efetivamente gastos.

Mas em que é que se traduzem estes valores e supostas “melhorias” anunciadas para o setor? Se na realidade as pessoas continuam sem vínculos profissionais, sem qualquer apoio social, num aumento de precariedade e instabilidade emocional e económica que se refletem num empobrecimento cada vez mais visível de pessoas que compõem o tecido artístico e cultural do país.

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 com a má gestão do financiamento para a cultura!

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 com as medidas e slogans que na prática não se concretizam!

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 com o silêncio por parte do MC!

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 da sobrevivência!

PROTESTO - 𝐃𝐈𝐀 𝟗 𝐃𝐄 𝐍𝐎𝐕𝐄𝐌𝐁𝐑𝐎, 𝐏𝐄𝐋𝐀𝐒 𝟏𝟖𝐇, 𝐄𝐒𝐓𝐀𝐑𝐄𝐌𝐎𝐒 𝐄𝐌 𝐔𝐍𝐈𝐀̃𝐎 𝐄𝐌 𝐅𝐑𝐄𝐍𝐓𝐄 𝐀̀ 𝐀𝐒𝐒𝐄𝐌𝐁𝐋𝐄𝐈𝐀 𝐃𝐀 𝐑𝐄𝐏𝐔́𝐁𝐋𝐈𝐂𝐀!  InAção Cooperativista” - Portugal


Moçambique - Associação Kulungwana distingue artistas na terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes e Cultura

A Associação Kulungwana vai organizar no Centro Cultural Moçambique-China, na próxima sexta-feira, a terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes E Cultura – um dos maiores eventos de premiação no sector das artes e cultura do país.

A atribuição anual dos sete prémios a jovens artistas de sete categorias – Artes Visuais, Cinema e Audiovisuais, Fotografia, Dança, Teatro, Design de Moda e Vestuário e Música – vem prestar reconhecimento por via de uma premiação aos novos talentos de diferentes domínios das artes, assumindo-se como uma marca que destaca os artistas, criadores ou intérpretes – com domínio da sua técnica e expressão, apresentando propostas coerentes, mostrando empenho profissional e pensamento original e inovador – na opinião do júri.

Os prémios têm como objectivo incentivar e divulgar os novos criadores, reforçando o apoio às suas criações e à promoção dos valores da arte contemporânea, com enfoque nos artistas moçambicanos em afirmação, entre os 21 e os 40 anos, residentes no país ou no estrangeiro, que se tenham candidatado com propostas realizadas no exercício da sua actividade, nos 18 meses anteriores à abertura das candidaturas. Assim, portanto, sexta-feira será o dia do anúncio dos vencedores dos prémios que incluem uma distinção monetária individual de 120 000Mts, nas sete distintas modalidades.

No dia 19 de Outubro foram anunciados os nomeados para a edição 2023, uma lista de 19 nomeados no total: Artes visuais – Luís Miguel de Sousa Santos, Jorge Caetano Fernandes, Nuno Silas Fulane; Cinema e audiovisuais – André Bahule, Carlos Noronha, Leia Nhambe; Fotografia – Anésio Manhiça, Elísio Nguenha, Ildefonso Colaço; Dança – Mai Júli Machado, Osvaldo Passirivo; Teatro – Francisco Mário Baloi, Rita Silva Couto; Música – Case Buyakah, James Macamo, Xixel Langa; e Design de moda e vestuário – Amirah Celeste Pinheiro Adam, Alberto Correia Adelino, Elio Gabriel. In “O País” - Moçambique


Moçambique - Énia Lipanga lança “Ensaios da partida”

A poetisa Énia Lipanga lançou, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, nesta quarta-feira, o seu mais recente livro, intitulado “Ensaios da partida”, com a chancela da Gala-Gala Edições.

Composto por 80 páginas e 62 poemas, no seu terceiro livro, Énia Lipanga consolida, segundo uma nota de imprensa, a sua potente voz como poetisa moçambicana contemporânea. “As suas palavras, cuidadosamente tecidas, abrangem temas profundos e reflexões sobre a vida, o amor e a partida. O livro é um convite para mergulhar num mar de sentimentos e emoções, expressos através de uma poesia sem preconceitos, pouco ou nada pretensiosa”, lê-se na nota de imprensa.

Para o escritor e professor brasileiro, Lau Siqueira, que assina o prefácio, “Énia nos traz uma poesia toda configurada no acto de existir”. Avança, ainda, “é uma poesia de confrontos, de ruturas que produz e propõe para a própria vida”, lê-se ainda na nota de imprensa.

A cerimónia de lançamento do livro “Ensaios da Partida” contou com a apresentação do professor e escritor Lucílio Manjate, com a actuação de Beauty Sitoe e com leituras de Sandra Clifton. In “O País” - Moçambique

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Énia Lipanga nasceu em 1993, na cidade de Maputo. É poetisa, rapper e activista social dedicada à defesa dos direitos das mulheres e à inclusão social das pessoas com deficiência. É mentora do sarau “Palavras São Palavras”, criado em 2012, e do movimento “Incluarte”. O seu poema, “Sou África”, inspirou, em 2019, uma linha de roupa da grife brasileira “Gdarkestampas”. Em 2018, Lipanga foi considerada uma das 10 mulheres mais inspiradoras de Moçambique, pela revista tanzaniana “Hamasa Magazine”. Publicou os livros de poesia “Sonolência e alguns rabiscos” (2019), o primeiro livro de poesia em tinta e braille de Moçambique, e “Para enxugar as nódoas dos meus olhos” (2021). É coordenadora na Associação H2n, onde trabalha, especialmente, com questões do género.


Grécia - Está a avançar com planos para os primeiros parques eólicos offshore

As turbinas poderão abastecer 1,5 milhões de lares gregos até 2030, de acordo com os planos para os mares Egeu, Jónico e Mediterrâneo

A Grécia está a avançar com planos para construir os seus primeiros parques eólicos offshore, anunciaram as autoridades em Atenas.

O país mediterrânico – que foi gravemente afetado em incêndios florestais provocados pelo clima neste Verão – está a tentar afastar-se dos combustíveis fósseis.

As energias renováveis ​​forneceram mais de 50% da eletricidade da Grécia pela primeira vez no primeiro semestre de 2023. E o país ganhou as manchetes em Outubro passado, quando funcionou exclusivamente com energias renováveis, embora por apenas cinco horas.

A energia eólica onshore, a energia solar e a energia hídrica tornaram este marco possível, mas a nação de milhares de ilhas tem até agora evitado explorar o seu potencial eólico offshore.

Agora a Grécia está a identificar áreas para desenvolvimento privado, no âmbito de um projeto de plano para instalar 2 gigawatts de energia eólica offshore até 2030, o que equivale a um décimo da sua capacidade onshore. É o suficiente para abastecer cerca de 1,5 milhão de residências.

“A Grécia, devido à sua localização estratégica e às suas características climáticas, tem vantagens comparativas significativas em termos do seu potencial solar e eólico, especialmente offshore”, disse o Ministro da Energia e Ambiente, Theodore Skylakakis.

“O desenvolvimento destes projetos é uma prioridade nacional não só porque contribuirá decisivamente para a nossa independência energética , mas também porque nos permitirá exportar energia verde no futuro”, acrescentou durante um evento de lançamento do projeto de Parques Eólicos Offshore Nacionais. Programa de Desenvolvimento.

Onde está a Grécia a construir parques eólicos no mar?

O projeto de plano inclui 25 áreas de desenvolvimento elegíveis, cobrindo uma área total de 2712 km2 nos mares Egeu, Jónico e Mediterrâneo.

Estes locais estarão disponíveis em dois períodos de tempo, alguns entre 2025 e 2032, e outros mais tarde, de acordo com a Empresa Helénica de Gestão de Hidrocarbonetos e Recursos Energéticos (HEREMA), responsável pelo programa.

As zonas, que terão uma capacidade mínima estimada de 12,4 gigawatts entre si, estão localizadas em: leste de Creta, sul de Rodes, Egeu central, eixo Evia-Chios e mar Jónico.

A tecnologia flutuante será adequada para a maioria das zonas, disse HEREMA.

Grupos ambientalistas expressaram preocupações de que os parques eólicos offshore possam prejudicar a vida selvagem, especialmente durante a sua construção, e alertaram que não devem ser construídos em áreas ecologicamente sensíveis.

A HEREMA afirma ter aplicado 20 critérios de exclusão para salvaguardar estas áreas e atividades marinhas nas águas gregas. Ao encomendar uma avaliação de impacto ambiental - que está disponível ao público - a autoridade afirma que também teve em conta a segurança nacional, os aeroportos, as actividades turísticas e as áreas de aquicultura.

Como é que os parques eólicos offshore beneficiarão a Grécia?

“A energia eólica offshore é uma prioridade pan-europeia, uma vez que se prevê que até a meio do século, 35 por cento da eletricidade da UE poderá ser gerada exclusivamente a partir de fontes offshore”, afirmou a Vice-Ministra Alexandra Sdoukou.

“Ao mesmo tempo, apresenta uma série de benefícios para o nosso sector energético nacional, a nossa economia nacional e as comunidades locais que acolherão ou serão adjacentes a projetos eólicos offshore.”

Prevê-se que atingir a meta de 2 gigawatts exija investimentos superiores a 6 mil milhões de euros.

Mas, de acordo com um estudo separado sobre os benefícios económicos, a implantação da energia eólica offshore poderia aumentar o PIB até 1,9 mil milhões de euros por ano, em média, entre 2024-2050, e apoiar até 44 400 empregos por ano.

A aprovação final do plano está prevista para o final do ano, antes que as áreas designadas sejam oficialmente demarcadas no final de 2024, disse a HEREMA.

“O Programa Nacional que foi apresentado não só serve o objetivo principal, o de proteger o nosso sistema energético, mas também cria condições para a emergência da Grécia como um centro energético em toda a região”, acrescentou Sdoukou. Euronews.green


ONU, impotente diante das guerras?

Quase um mês de guerra envolvendo a organização terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e Israel, qual tem sido a atuação da ONU, no sentido de parar o conflito? E não é só, quase dois anos depois da invasão da Ucrânia por decisão do presidente russo Vladimir Putin, o que tem feito a ONU de efetivo para acabar com essa guerra? Ou é sua própria estrutura que a impede de agir?

No caso de conflitos que envolvam direta ou indiretamente os cinco grandes países, membros do Conselho de Segurança, praticamente quase nada se pode fazer. Basta o uso do veto por um desses países – Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China – para bloquear qualquer iniciativa.

A mais importante participação da ONU numa intervenção militar foi em 1950, na época da guerra fria, quando os chamados Capacetes Azuis, sob o comando dos Estados Unidos, intervieram na Guerra da Coreia. Não houve veto porque a China ainda não era a de Mao e a URSS estava ausente no momento da decisão pelo Conselho de Segurança. Outras intervenções foram no Iraque, Kosovo, Afeganistão, Líbia e contra os jihadistas do chamado Estado Islâmico, que se formou principalmente no Iraque depois dos EUA terem derrubado o ditador Saddam Hussein. Outras intervenções da ONU, quase uma centena, consistiram em operações de manutenção da paz, como fiscalizar o cessar-fogo entre Israel e os países árabes. Ou então ações de cunho humanitário no continente africano. A questionável intervenção militar no Haiti, que durou treze anos, contou com o comando militar brasileiro.

Tentativas de trégua frustradas

Houve quatro tentativas frustradas de cessar-fogo por parte do Conselho de Segurança da ONU e uma decisão por uma trégua votada pela Assembleia Geral, mas sem unanimidade e sem força para intervir e impor a suspensão das hostilidades e permitir uma troca de prisioneiros, o atendimento e tratamento dos feridos e o abastecimento da população civil de Gaza com alimentos e água.

Faz uma semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ter havido má interpretação de suas palavras no Conselho de Segurança, quanto aos ataques do Hamas no 7 de outubro, e tratou de desfazer a confusão: “Estou chocado com as interpretações erradas de algumas de minhas declarações no Conselho de Segurança, como se eu estivesse justificando os atos de terror do Hamas. Isso é falso. Foi o oposto”.

A explicação veio logo após o pedido de sua demissão por Israel, por Guterres ter contextualizado o conflito ao afirmar que o ataque do Hamas “não aconteceu do nada”.

O cessar-fogo humanitário também não havia encontrado unanimidade dentro da Europa – Portugal, Irlanda e Espanha estavam entre os países favoráveis à decretação de um trégua, porém a Alemanha, a Áustria, a Letônia e a Chéquia achavam não ser ainda o momento de se conter Israel. Uma voz discordante era a do primeiro-ministro belga, segundo o qual o direito de defesa “não pode ser desculpa para ações indiscriminadas”.

Netanyahu, alvo de críticas dentro e fora de Israel, escreveu e depois apagou no Twitter, agora X, não ter recebido nenhum alerta dos responsáveis pela segurança de Israel sobre as intenções de ataques do Hamas. De acordo com todos os serviços secretos e de segurança interna, dizia Netanyahu, o Hamas estava com medo de agir e procurava um acordo. Depois de ter escrito isso, alguém deve ter lembrado a Netanyahu ter sido ele mesmo quem desorientou e enfraqueceu a vigilância israelense, com sua obsessão de obter plenos poderes e diminuir os poderes da Corte Suprema (equivalente ao nosso STF) para escapar a processos por corrupção.

Enquanto isso, as manifestações contra o intenso bombardeio do norte da Faixa de Gaza vão assumindo feições de antissemitismo e o Hamas agressor vai conseguindo reverter a situação em seu favor, diante da opinião pública, posando agora como vítima, comprometendo a imagem de Israel. Quais as consequências futuras dessa animosidade criada?

Na sequência de protestos contra Israel e em favor dos palestinos podem ocorrer perigosos desvios antissemitas, como a intenção de uma multidão de muçulmanos realizar um pogrom ou massacre dos passageiros judeus, na chegada de um avião procedente de Israel, no aeroporto russo de Makhatchkala, no Daguestão.

Paralelamente, ocorreu no Irão a morte da jovem Armita Geravand por traumatismo craniano cometido pela polícia moral islâmica. Ela é a segunda jovem assassinada pelo crime de não ter colocado o véu na sua cabeça. É sempre bom lembrar que as mulheres têm poucos direitos e que os LGBTs não são tolerados pelos países ou organizações islâmicas como o Hamas. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.