Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

República Democrática do Congo - Expansão do vírus ébola ameaça atravessar fronteiras

Três meses após o alerta de emergência internacional, a epidemia da variante bundibugyo acelera e cruza fronteiras congolesas rumo a novos países, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde relata uma velocidade sem precedentes


O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, discursou durante a 2.ª reunião do Comité de Emergência, realçando o registo de quase 5 mil pessoas infectadas por ébola e mais de 2,3 mil mortos em seis províncias e 55 zonas de saúde na República Democrática do Congo.

Uma das prioridades das autoridades neste surto é conter a escalada das infecções a nível internacional e mitigar a ameaça iminente de colapso sanitário nas fronteiras. Teme-se, sobretudo, que o risco transfronteiriço provoque um alastramento de casos na vizinha República Centro-Africana.

Expansão geográfica do surto

O país enfrenta forte insegurança devido ao deslocamento populacional e ao intenso movimento comercial e de mineração ao longo de estradas e rios. O perigo de o vírus atravessar as fronteiras centro-africanas é uma preocupação constante.

A expansão geográfica do surto para as províncias do norte da RD Congo, como Tshopo e Haut-Uélé, também é motivo de temor pois a crise de saúde irá sobrepor-se a graves desafios humanitários já existentes.

A introdução da variante bundibugyo num cenário de extrema fragilidade poderia desencadear uma catástrofe regional.

No Uganda, a contaminação resultou em 20 casos e duas mortes. Embora o governo ugandense tenha sido elogiado pela resposta decisiva que travou à transmissão local rápida, o nível de alerta permanece máximo.

Controlar a epidemia congolesa

A situação na França contraria a percepção de que o surto estaria restrito ao continente africano. No mês passado, um viajante infectado transportou o vírus para o país europeu, o que reforça que as fronteiras “podem atrasar a resposta, mas não impedem a circulação de um vírus”.

A OMS realçou a transmissão oculta nas comunidades e as complexas dificuldades de controlar a epidemia em território congolês.

O vírus teve um forte avanço inicial, forçando as equipas médicas a atuarem de forma reativa para conter os estragos.

O padrão de casos fatais é o que mais assusta as autoridades: pessoas estão a morrer em casa, nas suas próprias comunidades, à margem dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos.

Ensaios clínicos em humanos

Cada um dos óbitos registados representa uma cadeia de transmissão oculta. Segundo o chefe da OMS, enquanto cada elo dessa cadeia não for rastreado e interrompido, a epidemia continuará o seu avanço arrasador.

Sob a liderança do Governo da RD Congo, em parceria com a agência da ONU e o Centro de Controlo de Doenças da África, todas as frentes de resposta estão sendo ampliadas.

Pela primeira vez, duas vacinas foram desenvolvidas especificamente contra o vírus bundibugyo e avançaram para ensaios clínicos em humanos.

Os esforços incluem uma terceira vacina que demonstrou proteção cruzada em testes com animais e avançou diretamente para um ensaio de Fase 3. Além disso, o ensaio de tratamentos terapêuticos apoiado pela OMS já cadastrou os seus primeiros 100 pacientes.

Financiamento sustentado e reforço da segurança

Para agilizar o progresso, a agência da ONU fez um apelo urgente pelo compartilhamento rápido de dados, financiamento sustentado e reforço da segurança e coordenação transfronteiriça com a República Centro-Africana e o Uganda.

Por fim, o diretor-geral fez um apelo para que o mundo não se esqueça de que o ébola é apenas uma das muitas provações enfrentadas pela população da RD Congo e dos países vizinhos.

Mortalidade materna, malária, cólera, doenças diarreicas e pneumonia continuam a ceifar vidas. É essencial que a grande mobilização contra o atual surto não interrompa o acesso rotineiro a outros serviços essenciais de saúde. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

União Europeia - Instituto Ricardo Jorge de Portugal integra a rede europeia contra vírus respiratórios

O Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) é um dos oito laboratórios que vão integrar o Laboratório Europeu de Referência para os Vírus Respiratórios, que visa fortalecer a resposta da UE a ameaças transfronteiriças graves


O INSA adianta em comunicado que integrará o consórcio selecionado para constituir o Laboratório Europeu de Referência para os Vírus Respiratórios (EURL RV) que pretende “reforçar a preparação e a resposta a ameaças transfronteiriças graves, numa altura em que há um número crescente de pessoas a procurar cuidados de saúde no espaço da União Europeia, devido à circulação significativamente elevada de vírus respiratórios”.

Criado em colaboração com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), o EURL RV será parte integrante das redes de doenças coordenadas por este organismo e será o décimo EURL para a saúde pública.

“Estes laboratórios europeus apoiam os laboratórios nacionais de referência para os vírus respiratórios, garantindo a comparabilidade dos dados e o reforço das capacidades em matéria de métodos laboratoriais”, salienta o INSA.

Como exemplo disso, aponta os esforços para harmonizar diagnósticos e testes para a vigilância, notificação e comunicação de doenças, bem como reunir conhecimentos científicos em toda a UE para melhorar a preparação, a deteção rápida e a resposta.

O Laboratório Europeu de Referência para os Vírus Respiratórios, designado pela Comissão Europeia, terá um período de sete anos e deverá ter início em 2027, com financiamento específico do programa EU4Health.

Para o presidente do INSA, Fernando de Almeida, a presença do instituto neste consórcio “comprova a qualidade, segurança e prestígio internacional do trabalho desenvolvido no INSA ao nível da identificação dos vírus da gripe e outros vírus respiratórios em circulação no território nacional, bem como da monitorização da evolução da atividade gripal e da caracterização genética e antigénica destes vírus”.

O INSA é, desde 2023, coordenador do Programa Nacional de Vigilância da Gripe e outros Vírus Respiratórios (PNVGVR), na qualidade de Laboratório do Estado no setor da saúde, de Laboratório Nacional de Referência para a saúde e de Observatório Nacional da Saúde.

O PNVGVR é desenvolvido pelo Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe e Outros Vírus Respiratórios do Departamento de Doenças Infecciosas, e pelo Departamento de Epidemiologia do INSA, em colaboração com a Direção-Geral da Saúde. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 9 de agosto de 2022

China - Identifica novo vírus de origem animal

Está associado a sintomas como febre, cansaço, tosse, perda de apetite, dores de cabeça e musculares, e náuseas

Um estudo científico revelou a deteção em duas províncias da China de 35 infeções em seres humanos de um novo vírus de origem animal, da família dos Henipavírus, informou esta terça-feira a imprensa estatal do país asiático.

Os casos, nenhum deles grave, foram encontrados em Shandong (leste) e Henan (centro), segundo o jornal oficial Global Times, que cita um artigo publicado por cientistas da China e Singapura no New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas revistas médicas do mundo.

O vírus, para o qual atualmente não há vacinas ou tratamentos, foi detetado por meio de amostras recolhidas da garganta de pacientes que tiveram contacto recente com animais, e está associado a sintomas como febre, cansaço, tosse, perda de apetite, dores de cabeça e musculares, e náuseas.

Segundo o jornal, investigações posteriores revelaram que 26 dos 35 pacientes portadores deste henipavírus desenvolveram sintomas clínicos, aos quais se somam irritabilidade e vómitos.

Morcego é um dos transmissores do vírus

De acordo com o portal de notícias estatal The Paper, o henipavírus é uma das principais causas emergentes do salto de doenças de animais para seres - humanos - um processo designado zoonose - na região da Ásia - Pacífico.

Aquele meio indicou que um dos vetores de transmissão do vírus é o morcego frugívoro, considerado hospedeiro natural de dois dos Henipavírus conhecidos: o vírus Hendra (HeV) e o vírus Nipah (NiV).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus Hendra causa infeções em seres humanos, que variam entre assintomáticas e infeções respiratórias agudas e encefalites graves, com uma taxa de letalidade estimada entre 40 e 75 por cento, que “pode variar, dependendo das capacidades locais de pesquisa epidemiológica e gestão clínica”.

O Global Times lembrou que não está provado que haja casos de transmissão de pessoa para pessoa, embora estudos anteriores indiquem que este tipo de contágio não está descartado.

“O coronavírus não será a última doença contagiosa a causar uma pandemia, pois novas doenças terão um impacto crescente na vida quotidiana dos seres humanos”, disse o vice-diretor do Departamento de Patologias Infecciosas do Hospital Huashan, afiliado à Universidade de Fudan, em Xangai, citado pelo jornal. In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”

 

quarta-feira, 3 de março de 2021

Guiné-Bissau - Criada comissão para reactivar Plano de Contingência contra o Ébola

Bissau – O Coordenador do Centro Operacional de Emergência em Saúde (COES), anunciou a criação de uma comissão para reactivar o Plano de Contingência elaborado, em 2014, para fazer face a eventuais casos de Ébola, doença que voltou a ser detectada na vizinha Guiné-Conacri, em Fevereiro.

Dionísio Cumba falava em entrevista à ANG sobre diligências para prevenção da propagação da doença do ébola que já se encontra no país vizinho.

Disse que tomaram conhecimento da surto do ébola que está a assolar a zona sudoeste da Guiné Conacri no dia 13 de Fevereiro, através da notificação do primeiro boletim da Organização Mundial de Saúde, OMS, sobre a doença na sequência da morte de uma enfermeira que trabalhava naquela região.

ʺEsta enfermeira morreu no dia 29 de Janeiro e foi enterrada no dia 01 de Fevereiro. Testes feitos deram positivo para o Ébola, a partir daí houve uma declaração oficial do Ministério de Saúde da Guiné-Conacri que depois foi transmitida para os países vizinhos através da OMS”, explicou Dionísio Cumba.

Aquele médico afirmou que, de imediato no dia 15 de Fevereiro do ano em curso no Ministério de Saúde informou o ministro e convocou logo uma reunião com os directores gerais de prevenção e outros responsáveis daquela instituição, coordenador COES e Alta Comissária para covid- 19.

Dionísio Cumba disse depois de uma reunião sobre a doença, o ministro instruiu a reactivação dos centros de Operações de Emergência em Saúde nas regiões de Sul e Leste, que fazem fronteiras com a Guiné-Conacri.

ʺOs Directores gerais destas regiões foram informados desta situação e activaram o COES regionais sobretudo nos pontos de entrada, como sabem a Guiné Conacri tem fronteira muito longo com o nosso país, mais de 200 quilómetros”, disse.

Segundo Dionísio Cumba, a aplicação do Plano de Contingência envolve não só o Ministério de Saúde, mais também o do Interior, Comércio, Administração Territorial, Saúde Animal e Protecção Civil.

Aquele responsável concluiu que a situação está sob controlo e que os últimos dados indicam que não tem havido novos casos de contaminação por Ébola no país vizinho. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Portugal - Investigadora portuguesa da Universidade do Minho dá nome a grupo de vírus

Joana Azeredo, alumna e professora da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, deverá ser a primeira investigadora portuguesa com o seu apelido associado a um vírus. Em concreto, à subfamília Azeredovirinae. Aí se incluem vírus “bons” que, por exemplo, atacam bactérias patogénicas para os humanos.

É apenas a quarta vez que esta homenagem mundial é feita a uma mulher e, curiosamente, não é no final da sua carreira ou a título póstumo, como usualmente acontece. A nomeação de Joana Azeredo foi agora anunciada pelo presidente do Subcomité de Vírus de Bactérias e Arqueas do Comité Internacional de Taxonomia de Vírus, Andrew Kropinski. A aprovação, habitualmente consensual, deve ocorrer na próxima assembleia do organismo, em 2021.

“Este é o reconhecimento do trabalho da nossa equipa de investigação e da própria UMinho no âmbito da descoberta e caraterização de vírus que infetam bactérias. Ainda me sinto um pouco sob o efeito da surpresa e da satisfação por obter esta nomeação e, de agora em diante, eu e a minha equipa sentimo-nos ainda mais motivados para a investigação, que é um desafio diário que aceitamos com gosto e entusiamo”, diz Joana Azeredo. A professora da EEUM e investigadora do Centro de Engenharia Biológica (CEB) admite que ter a nomeação por causa de um vírus “é irónico” nesta altura. “No entanto, apraz-me que o meu nome de família seja atribuído a uma subfamília de um vírus ‘bom’ numa ocasião em que a humanidade se debate com uma pandemia causada por um vírus ‘mau’, o SARS-CoV-2”, refere.

Atualmente há 43 subfamílias de vírus bacterianos (também chamados bacteriófagos ou fagos) e só 14 delas foram nomeadas em tributo a cientistas. No caso da Azeredovirinae, inclui vírus que infetam e matam bactérias do género Estafilococos, causadores de doenças nos humanos. Estes vírus têm um grande interesse terapêutico e podem ser usados no controlo de doenças infeciosas através da chamada terapia fágica. O critério de demarcação deste novo género de vírus é diferir pelo menos 5% do ADN das outras espécies da família.

Banco de vírus para combater bactérias multirresistentes

A equipa de Joana Azeredo destacou-se recentemente ao criar um “banco de vírus” para tratar doenças provocadas por bactérias resistentes a antibióticos, um dos maiores problemas de saúde mundial, quer para doenças crónicas, infeções hospitalares ou infeções respiratórias, da pele e dos sistemas nervoso, digestivo e urinário. A fórmula inicial até é simples – vírus mata bactéria e evita a doença –, mas chegar aí exige muitos anos para isolar os vírus, modificar-lhes o genoma, caraterizá-los e depois provar que são seguros e eficazes. Os cientistas da UMinho estão a construir os primeiros fagos sintéticos e a avançar para testes laboratoriais em animais. A terapia fágica já é usada em pacientes de vários países da Europa e vista como alternativa de tratamento, sobretudo em casos muito graves, incuráveis ou com risco de vida.

Joana Azeredo nasceu no distrito do Porto, em 1971 e vive em Braga. Licenciou-se em Engenharia Biológica e doutorou-se em Engenharia Química e Biológica pela UMinho, onde é professora associada com agregação e coordena o grupo de Ciência e Engenharia de Biofilmes do CEB. Centra a investigação em soluções biotecnológicas para controlar infeções bacterianas. Tem tido um forte contributo na terapia fágica, colaborando com a Universidade Católica da Lovaina (Bélgica), o MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) e as universidades de Groningen e Wageningen (Holanda), entre outras. Cofundou a International Society of Viruses of Microbes e participa na organização de conferências e cursos internacionais. Coordenou dois projetos de investigação europeus e sete nacionais, cofundou a spin-off Inception e supervisionou 15 doutoramentos. É editora do “Virology Journal” e coautora de quatro patentes, três livros e mais de 150 artigos em revistas internacionais. Universidade do Minho - Portugal

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Macau – Universidade de Macau desenvolveu “caçador de vírus” que pode detectar coronavírus em meia hora

Uma equipa da Universidade de Macau desenvolveu um sistema de detecção de coronavírus para combater surtos epidémicos. A tecnologia, com chips microfluídicos digitais, foi patenteada pela universidade e está em fase de testes na província de Cantão. Após validação governamental, o sistema de detecção poderá ser utilizado por médicos e enfermeiros para aumentar a eficiência na detecção e reduzir o risco de transmissão de vírus



A fim de acelerar a detecção de novos coronavírus, a Universidade de Macau (UMAC) intensificou o desenvolvimento de um sistema baseado num “chip microfluídico digital” para ajudar a combater o surto epidémico. Com a ajuda do “Virus Hunter”, um kit de teste rápido desenvolvido com tecnologia patenteada pela UMAC, todo o processo de detecção de vírus pode ser concluído em 30 minutos. O estudo foi conduzido por uma equipa formada por investigadores do Laboratório de Referência do Estado em Circuitos Analógico e Mistos em Muito Larga Escala e doutorados. “[Foram] cerca de uma dúzia [de investigadores] desde 2012, quando iniciámos a investigação nesta área, e onde foram já doutorados quatro alunos (um deles o CEO da Digifluidic) e outros quatro que estão a fazer agora o doutoramento”, afirmou Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau para os Assuntos Globais.

“A equipa de pesquisa tem estado em contacto com várias unidades médicas relevantes e o sistema estará pronto para uso após a verificação”, pode ler-se no comunicado da Universidade de Macau divulgado no sábado. De acordo com Rui Martins, o “Virus Hunter” é um sistema portátil que “substitui um laboratório biológico convencional, assim como o iphone substituiu o computador antigo que ocupava uma sala há 60 anos”.

“Os chips são feitos por nós numa sala limpa e substituem uma sala de laboratório bio normal, são uma espécie de CSI-lab portátil. O teste pode ser reduzido de várias horas para 30 minutos. Este chip é fixo (circuito electrónico em vidro, produzido por nós numa sala de fabricação limpa de impurezas) e lá dentro tem 10 câmaras que permitem fazer 10 reacções químicas simultâneas. Podemos adicionar um reagente do vírus e num teste podemos ter mais resultados, para além de reduzirmos a possibilidade de contaminação”, explicou Rui Martins, em declarações ao Ponto Final, sobre o funcionamento do sistema de chip microfluídico digital desenvolvido na UMAC.

Ao contrário da maioria dos kits de teste de reagentes de ácido nucleico para o novo coronavírus, que só podem ser usados dentro de laboratórios, o kit de teste “Virus Hunter” inclui um cotonete nasofaríngeo, chips de detecção com reagentes e equipamento para detecção rápida, o que permite a realização de testes rápidos em qualquer local com pacientes suspeitos de infecção.

Questionado sobre quando está prevista a implementação desta tecnologia nos centros hospitalares e noutros locais de controlo de doenças, Rui Martins revelou que só falta a validação governamental e que há potencial para exportação. “Já utilizámos o sistema em animais e em DNA humano sintetizado para já, e iremos fazer testes com o coronavírus na próxima semana num centro para controlo de doenças na China. Só depois desses testes e da validação governamental pode ser utilizado por pessoal hospitalar como médicos e enfermeiros”, referiu o docente, acrescentando que o teste já foi oficialmente autorizado e que já está a ser testado na província de Cantão.

Sobre a exportação desta tecnologia, Rui Martins assumiu que é um objectivo. “Evidentemente que sim, este equipamento é muito avançado e quase único em termos mundiais baseado em várias patentes americanas do nosso Laboratório de Referência do Estado em Circuitos Analógico e Mistos em Muito Larga Escala (State Key Laboratory of Analog and Mixed-Signal VLSI)”. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

Estados Unidos da América - Dispositivo rápido e barato captura e identifica vírus em minutos



Detector de vírus

Um pequeno aparelho, capaz de capturar e identificar rapidamente vários estirpes de vírus, pode reduzir o tempo de identificação dos patógenos de dias para minutos.

"Nosso dispositivo usa matrizes de nanotubos projetadas para serem comparáveis em tamanho a uma ampla variedade de vírus. Em seguida, usamos a espectroscopia Raman para identificar os vírus com base em sua vibração individual," conta o professor Mauricio Terrones, da Universidade da Pensilvânia, nos EUA.

Trata-se de uma espécie de nanofiltro, no qual os nanotubos são dispostos de forma a criar um gradiente, permitindo capturar vírus de vários tamanhos.

"Nós adicionamos nanopartículas de ouro [aos nanotubos] para reforçar o sinal Raman, para que possamos detectar a molécula do vírus em concentrações muito baixas. Em seguida, usamos técnicas de aprendizado de máquina para criar uma biblioteca de tipos de vírus," detalhou Terrones.

Exames em qualquer lugar

Ao contrário dos equipamentos utilizados hoje nos laboratórios, que são grandes e caros, o novo aparelho, batizado de Virrion, consiste numa pequena barra, com menos de 10 centímetros de comprimento, onde as amostras a serem analisadas são depositadas.

O aparelho tem uma ampla variedade de usos possíveis. Para os fazendeiros, por exemplo, a detecção precoce de um vírus no campo pode salvar uma colheita ou mesmo um rebanho inteiro. Os seres humanos também se beneficiarão com a detecção de vírus em minutos, e não em dias com os métodos atuais.

Devido ao seu tamanho e baixo custo, o aparelho, quando fabricado industrialmente, poderá até mesmo ser usado nos consultórios médicos, dispensando a ida a um laboratório, e em locais remotos quando ocorrem surtos de doenças.

"Ele tem aplicações no surgimento de vírus, descoberta de vírus e no diagnóstico. Eventualmente, esperamos usar este dispositivo para capturar e sequenciar vírus individuais, dando-nos um controle muito melhor da evolução dos vírus em tempo real," disse a professora Elodie Ghedin, virologista da Universidade de Nova York. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

Bibliografia:

Artigo: A rapid and label-free platform for virus capture and identification from clinical samples
Autores: Yin-Ting Yeh, Kristen Gulino, YuHe Zhang, Aswathy Sabestien, Tsui-Wen Chou, Bin Zhou, Zhong Lin, Istvan Albert, Huaguang Lu, Venkataraman Swaminathan, Elodie Ghedin, Mauricio Terrones
Revista: Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: 117 (2) 895-901
DOI: 10.1073/pnas.1910113117

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Suíça – Mosquito tigre-asiático descoberto no cantão de Valais


O mosquito tigre-asiático é um dos transmissores da dengue e coloca em risco a saúde de 2,5 a 3 mil milhões de pessoas que habitam as regiões urbanas e suburbanas de 100 países das regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo



O mosquito tigre-asiático, uma espécie invasiva originária da Ásia e vetor do vírus da dengue, foi descoberto recentemente pela primeira vez numa área ao sudoeste do cantão do Valais.

Cientistas confirmaram a presença do inseto no vilarejo de Monthey e iniciaram uma busca para descobrir se há larvas, como informaram as autoridades cantonais na passada quarta-feira (16.10). Também foram iniciadas ações específicas para destruir possíveis colónias do mosquito.

O inseto descoberto em Monthey não significa que a espécie passou a viver no cantão, apesar de indicar o risco de uma possível colonização.

Originário do sudeste asiático, o mosquito-tigre tem se espalhado por toda a Europa. Ele foi visualizado pela primeira vez na Suíça no sul do cantão do Ticino em 2003. Depois foi descoberto ao norte dos Alpes em 2007. A sua presença também foi confirmada em diversas outras partes do país, mais recentemente em Genebra.

Noutras partes do globo o mosquito é transmissor de doenças tropicais como a Zika, dengue ou Chikungunya. Porém o exemplar encontrado na Suíça não continha o vírus ou protozoários como o "Plasmodium", que transmite a malária, explicam as autoridades. "Por isso consideramos que a sua picada ainda não representa um perigo para a população." In “Swissinfo” - Suíça

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Angola - Vírus Zika, solicitado apoio ao Brasil

Angola pediu apoio ao Brasil para o combate do Zika, vírus que infetou, até à presente data, três pessoas no país, informou o titular da pasta da Saúde.

Luís Gomes Sambo, que falava em conferência de imprensa sobre o estado do setor que dirige, disse que em 2016 foram registados dois casos, o primeiro num cidadão francês, que trabalhou durante 30 dias, na província angolana de Benguela, tendo-lhe sido diagnosticada a doença em França.

O segundo caso foi registado num cidadão angolano, no município de Viana, província de Luanda, tendo o terceiro caso, o mais recente, sido notificado na província do Bengo, em uma mulher que deu à luz um bebé com microcefalia.

O governante angolano referiu que estão a ser reforçadas as medidas de vigilância, para um conhecimento melhor da magnitude do problema em Angola, bem como a serem tomadas medidas preventivas.

O ministro avançou que abordou o assunto com o embaixador do Brasil em Angola, Paulino Neto, ao manifestou o interesse de ganhar a experiência daquele país lusófono com combate à epidemia do Zika.

"Também estabelecemos contactos com o Instituto Osvaldo Cruz do Brasil e em breve vamos ter, no âmbito da cooperação com o Brasil, alguns técnicos para connosco trabalharem no combate do vírus Zika", disse Luís Gomes Sambo.

Acrescentou que Angola possui a maior parte dos recursos que necessita para o combate da doença.

"Primeiro, é o conhecimento, é preciso que a população tome conhecimento das medidas ao seu alcance para prevenção e também que saibam como é que o vírus se transmite, também dissemos quais são as unidades sanitárias mais vocacionadas para detetar casos de Zika, também a nível das maternidades precisamos melhorar a nossa vigilância para a deteção de casos de microcefalia em recém-nascidos", referiu.

Segundo o ministro, os técnicos estão alertados para melhorarem a vigilância e a deteção precoce de casos.

"Por outro lado, precisamos de ter os recursos para atendermos aqueles que estão infetados a nível dos hospitais, mas a medida principal é a de prevenção. Também criamos comissões a nível central interministerial, das províncias e dos municípios, que vão trabalhar com as comissões de proteção civil para garantir uma participação da população nas medidas de prevenção, mas a luta contra o mosquito é a estratégia mais eficaz", indicou. In “Diário de Notícias” - Portugal