Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Moçambique – Prémio alemão para médica moçambicana

É inédito que um médico moçambicano receba um prémio alemão pela excelência do trabalho desenvolvido no seu país. A moçambicana Noorjehan Magid é a excepção que confirma a regra.


A médica moçambicana, Noorjehan Magid, responsável clínica do programa DREAM de combate à SIDA da Comunidade Sant'Egídio em Moçambique, foi distinguida, na Alemanha, com o prémio Klaus-Hemmerle 2016 da organização cristã Movimento Fokolar. O júri que lhe atribuiu a distinção realça que pretende honrá-la pelo trabalho desenvolvido na luta contra a SIDA, mas também pelo empenho desta médica muçulmana em desenvolver um trabalho conjunto com cristãos e seguidores de outras crenças no seu país.

A dra. Magid visitou os estúdios da DW África em Bona antes de seguir para Aachen, para receber o prémio esta sexta-feira, 22 de janeiro. Pretexto para uma conversa sobre o seu trabalho e os novos desafios que se avistam no âmbito da luta contra a SIDA em Moçambique.

DW África: O que representa para si este prémio?

Noorjehan Magid (NM): Foi uma surpresa, eu não esperava. Mas posso-lhe dizer que é bom ser reconhecido naquilo que a gente faz. Sentimo-nos bem. Por outro lado eu penso que tem milhares de pessoas à minha volta que fazem um trabalho melhor que eu. Então, porquê eu?

DW África: Um dos motivos apontados pelo júri que lhe discerniu este prémio é a harmonia interreligiosa que caracteriza o seu trabalho. Parece-lhe que é algo que merece o destaque?

NM: Sim, tenho doentes que têm várias religiões, várias fés. Muitas vezes não é fácil combinar o tabu doença/tratamento com a parte religiosa. Tem sido um esforço muito grande, sim. Não podemos ofender ninguém em termos religiosos. Temos que respeitar todas as religiões, estarmos lado a lado. Eu mesmo sou muçulmana e trabalho, por exemplo, com a comunidade Sant'Egídio, que é uma comunidade católica. Estamos lado a lado a trabalhar nesse objetivo, que é melhorar a qualidade de vida dos moçambicanos. É uma área de muitos desafios. Eu faço aquilo que eu penso que tem que ser feito sem ofender ou magoar ninguém, sem obrigar ninguém a sair da sua religião. Muito pelo contrário, eu acho que não interessa a religião que for, mas ajuda muito na cura da pessoa. Porque eu acho que uma pessoa que tem fé consegue entender e consegue tratar de si próprio melhor que ninguém.

DW África: O facto de ser mulher traz-lhe vantagens ou desvantagens no seu trabalho?

NM: Eu penso que é uma vantagem, sim, porque nós, as mulheres, somos mais sensíveis. Não diria mais humanas, mas nós temos um humanismo muito grande, não somos pessoas frias. Isso traz muita sensibilização para a área em que eu trabalho. Consegue-se sensibilizar mais as mulheres. Elas conseguem entender o porquê deste tratamento, o porquê deste seguimento. Elas conseguem tornar-se mais sensíveis do ponto de vista de saúde não só delas, mas da sua própria família. Quando digo família refiro-me aos filhos. Elas não são egoístas que se tratam só a si próprias, trazem os filhos para serem tratados. Conseguem trazer os seus maridos e os seus parceiros para se fazer o tratamento. Então ser uma mulher para mim é uma vantagem.

DW África: E é uma desvantagem quando trata com homens?

NM: Não, porque nós somos muito fortes, mas podemos ter aquele feitio de darmos um aspeto muito frágil. E os homens gostam desta parte das mulheres quando elas mostram que são frágeis. E isso, nós, as mulheres, temos que usar como vantagem para podermos alcançar os nossos objetivos, que, neste caso concreto, é trazer os homens para o tratamento e para a luz.

DW África: Um outro aspeto do seu trabalho prende-se com a luta pelo direito das mulheres com HIV. Quais são os direitos pelos quais tem que lutar?

NM: Como sabe, a SIDA foi vista por muito tempo como uma doença do mal. E como é uma doença do mal, ninguém tem direito à vida, ninguém tem direito a nada. As pessoas condenam sem saber, sem se aperceberem do porquê daquela doença. Pensam que os doentes têm essa doença porque andaram no caminho do mal. E nem sempre isso é verdade. E eu sempre parto do princípio de que nós não somos ninguém para condenar. Nós só temos que fazer aquilo que tem que ser feito. Porque nós também temos os nossos próprios defeitos. O que eu vi nesta área são doentes muito carentes, debilitadas em vários aspetos. Não é só na saúde, mas também no aspeto económico, no social e até no mental. Então é preciso dar direito e dignidade a essas mulheres. Porque só assim elas serão capazes de agir. A cura desta doença não é só a medicação. Mas é controlar e tentar ajudar em todas as outras vertentes que o HIV traz. Então, lutar pelo direito dessas mulheres faz parte da cura.

DW África: Tem exemplos de mulheres que conseguiram superar não só a doença, mas toda a situação económica e social que ela tende a criar?

NM: Eu estou nesta área desde 2001. Tenho várias experiências. Tenho pessoas que chegaram até mim com o resultado do teste do HIV na mão e perguntaram: "Será que eu amanhã tenho que ir fazer o testamento?" Eu olhava para a pessoa e ria-me. "Se você quer fazer o testamento faz porque quer fazer, não tem nada a ver com a doença". Hoje, essa pessoa chega ao pé de mim e eu brinco: "Já fez o seu testamento?" E ela responde: "Ah não, doutora, ainda não, estou a pensar". Só para lhe dizer que são pessoas que, quando chegam às nossas mãos, chegam em desespero a pensar que vão morrer amanhã. Tenho pessoas que começaram a estudar e hoje são médicos, professores, engenheiros. Ainda esta semana recebi uma chamada dos colegas dos centros de saúde a perguntar se podemos dar medicamentos para mais tempo, porque tem alguém que vai fazer um doutoramento ou um mestrado fora do país. Aquela fase em que se pensava que "a doença me vai matar e eu tenho que fazer o testamento" já passou. Hoje as pessoas fazem o tratamento, estão bem, é um avanço, e tenho muitos exemplos para lhe dar.

DW África: Há também ainda áreas em que sente que muito ou mais tem que ser feito?

NM: Sim. Agora nós estamos perante um outro desafio. Em 2001 e 2002, havia uma necessidade de salvar a vida às pessoas doentes. Havia um tratamento, e o que nós tínhamos que fazer era pôr as pessoas em tratamento para elas ficarem bem. Hoje essas pessoas já trabalham, já têm as suas vidas, fazem filhos, têm uma vida normal, como qualquer um de nós. Tomam os medicamentos contra a doença crónica. Mas já começam a desenvolver as outras doenças crónicas que podem vir a ter. Por exemplo, hipertensão, diabetes, cancros. Este é o novo desafio que o DREAM tem: Tentar prevenir todas as outras doenças que estão à volta do próprio HIV. O novo desafio é a deteção precoce, a prevenção e o tratamento o mais cedo possível, para se evitar outro tipo de desastres.

DW África: Se o prémio incluísse a realização de um desejo na sua área, qual seria esse desejo?

NM: Com tanta coisa que eu quero … (risos). Se fosse possível eu gostaria de ter todos os meios para poder fazer isto, que é responder a essa nova fase, a esse novo desafio do DREAM, que é a deteção e o diagnóstico precoce, por exemplo, dos cancros. Acho que isso é uma das coisas pelas quais nós ainda temos que lutar muito. In “Deutsche Welle” - Brasil

Internacional – Indústria da navegação enfrenta a pior crise

Navios “zumbi” podem ser o primeiro sinal do colapso econômico global

“Um navio zumbi é aquele que mal consegue saldar as taxas de juros de suas dívidas, mas que não nutre esperança alguma de liquidar o investimento do capital”, diz executivo do Baltic Exchange

A indústria da navegação vem enfrentando a pior crise de que se tem memória, à medida que os anos de rápida expansão impulsionada por crédito barato coincidiu com a retração do mercado chinês.

“Estamos agora em um estágio em que as pessoas nem se lembram direito de outra época na qual as dificuldades foram tão profundas, considerando como vivemos os anos 90, 80, 70 – e daí a expressão ‘de que se tem memória’”, disse o Chefe Executivo de Relações Comerciais do Báltico em Londres, Jeremy Penn, ao jornal britânico The Telegraph.

O Baltic Exchange é responsável por estabelecer fretes marítimos há mais de dois séculos e meio, e os membros do comitê concordam em que a situação atual é de fato grave. “Os armadores chegaram a um ponto em que talvez precisem encarar a dura decisão de simplesmente lançar as âncoras ao mar e esperar a tempestade passar” acrescentou Penn.


O artigo do The Telegraph, assinado por John Ficenec, relata que os temores acerca da economia global culminaram há pouco com a queda do Índice do Báltico para Cargas Secas em mais de 20% no último ano, atingindo 369 – o mais baixo desde o início do registro oficial, em 1985. O Baltic Dry, extraído do intercâmbio comercial, é um indicador do custo dos embarques de cargas secas a granel, como carvão, minério de ferro, grãos e produtos acabados, como o aço, porém funciona também como um indicador econômico, por sua relação direta com as tendências mercadológicas das grandes fortunas.

O principal problema reportado pelo artigo tem sido a retração da economia chinesa: o maior consumidor de commodities mundiais, que vinha sendo a força motriz da indústria de transportes marítimos nas últimas duas décadas.


Contudo, boa parte da crise foi causada pelo próprio mercado, diz o artigo. A indústria da navegação passou por um período de crescimento massivo, impulsionado pelo crédito barato e a demanda frequente.

A rápida expansão da frota marítima

De 2010 a 2013, a frota mundial dobrou em tamanho. Simultaneamente, a China também chegou a dobrar a sua capacidade de produção nos estaleiros, que receberam encomendas faraônicas para novas embarcações, enquanto o mercado tentava controlar o fluxo de commodities.


“O mercado de carga seca cresceu perto da casa dos 10% por um período de anos a fio” lembrou o diretor executivo da agência marítima londrina Braemar Shipping, James Kidwell, ao The Telegraph. “E de repente, você está em um mercado que simplesmente murchou. Uma mudança extremamente radical: se de repente há mais navios do que cargas, obviamente os fretes vão enfraquecer — simples assim”.

Os impactos para o armador têm sido drásticos. A tarifa média cobrada pelo maior navio Capesize — aqueles que recebem esse nome por serem grandes demais para o Canal do Panamá, e são obrigados a desviar por Cape Horn — caiu para cerca de US$ 2.700 por dia. “Um número altamente contrastante com a média de 15 a 25 mil dólares cobrados durante a febre de 2008”, de acordo com Penn.

Várias das rotas hoje são percorridas com prejuízo, uma vez que o custo administrativo de um Capesize em operação, que chega até 340 metros e equivale a quase quatro campos de futebol alinhados, pode chegar a $7.500 dólares por dia.

Afundando em dívidas

Em um mercado normal, a decisão racional seria simplesmente retirar do mercado os navios que estejam causando prejuízo à frota, porém este é simplesmente um mercado atípico. A frota mundial de navegação está afundada em dívidas. Kidwell conta como os armadores que financiaram suas frotas com 60% de empréstimos e 40% de capital já enxergaram que seu patrimônio perdeu o valor.

Enquanto isso, os bancos que aprovaram os financiamentos não estão dispostos a afrouxar as negociações, uma vez que, para isso, precisariam reconhecer os próprios prejuízos também. A única coisa que estão aceitando é que não conseguirão a amortização total dos serviços da dívida, e serão forçados a esperar para ver se o armador vai conseguir sobreviver até que o mercado se recupere. Em algum momento, poderão vender o navio a preços melhores.

Navios “zumbi” ganham os mares

“O que de fato está prejudicando a navegação é a proliferação de uma frota zumbi, que vem aceitando transportar mercadorias a fretes independentes, simplesmente para se agarrarem ao mercado,” alerta Kidwell, que explica: “Um navio zumbi é aquele que mal consegue saldar as taxas de juros de suas dívidas, mas que não nutre esperança alguma de liquidar o investimento do capital”.

E a situação tende a piorar drasticamente no que diz respeito aos empréstimos adquiridos pela indústria de navegação, de acordo com o The Telegraph. Isso porque o cálculo do pagamento de dívidas referentes aos empréstimos e taxas de juros depende do histórico do valor residual do navio ao final da extensão do empréstimo. Kidwell ilustra, por exemplo, que um navio Capesize de cinco anos de idade foi vendido a US$ 19 milhões nas últimas semanas, 40% abaixo do que seria considerado como uma oferta típica por um navio dessa idade, que seria por volta de US$ 33 milhões, e menos da metade do custo de um navio novo (US$48 milhões). O valor de base dos navios também caiu drasticamente assim que a China injetou novas remessas de aço no mercado mundial.

O colapso do preço de navios de segunda mão promete deixar marcas profundas nas planilhas financeiras de qualquer banco ou investidor que mantém empréstimos desse tipo. O Reino Unido, por exemplo, pode não estar entre os principais armadores mundiais, mas há bancos britânicos, como o RBS que detêm agora os direitos sobre empréstimos da ordem de £ 8,3 bilhões (US$ 9,5 bilhões), assim como o Lloyds Bank, que também fornece crédito para a indústria da navegação. Londres permanece a capital mundial do agenciamento de navios, por meio de companhias como a Clarkson, que configura no diretório das maiores empresas da bolsa londrina (FTSE 250), e outras menores, como a Braemar Shipping.

Assim como Londres também configura como referência mundial em seguros marítimos, com a Lloyd’s londrina, que chegou a assegurar prêmios da ordem de £2,1 bilhões em 2014 (US$ 2,4 bilhões).

Para os agentes de cargas, no entanto, o mercado não traz apenas más notícias, releva o artigo da publicação britânica. A superdemanda do petróleo mundial acarretou em um dos mais movimentados mercados de navios-tanque neste ano. Com a possibilidade da entrada do Irã na batalha pelo mercado, acrescentando mais 41 petroleiros ao comércio do combustível, é possível que as agências recuperem o caminho das comissões lucrativas depois da suspensão, divulgada neste mês, do embargo americano ao petróleo daquela região, que já durava 40 anos.

As perspectivas, no entanto, permanecem ainda obscuras aos armadores.


O fato é que vai chegar um momento em que os armadores terão que tirar do mercado os seus navios. “Será um processo lento”, Penn adverte. “Antigamente, era possível tirar os navios de atividade com facilidade, reduzindo assim os custos de drasticamente, porém hoje, com toda a tecnologia e os aparatos eletrônicos dos navios, isso é muito mais difícil”, observa Penn. Em sua visão, os navios de hoje me dia já não podem ser estacionados como se fazia nas recessões do passado.

“Presumidamente, os armadores e outros players do setor ainda devem nutrir esperanças de que o mercado se recupere antes que eles entrem em total desespero”, disse Penn. E, no entanto, ele conclui: “Porém, o que temos para o momento neste mercado é uma depressão generalizada”. In “Guia Marítimo” - Brasil

domingo, 24 de janeiro de 2016

Prémio Literário UCCLA “Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa”



- Prazo de candidaturas alargado -

As candidaturas ao Prémio Literário UCCLA “Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa” - cuja apresentação teve lugar no 7 de julho de 2015, em Lisboa - foram alargadas até ao dia 31 de março de 2016.

O Prémio Literário UCCLA - iniciativa conjunta da UCCLA, Movimento 2014 e Editora A Bela e o Monstro - destina-se a promover e divulgar a literatura em língua portuguesa e tem como objetivo estimular a produção de obras literárias em língua portuguesa por novos escritores.

A participação neste prémio deverá ser feita até às 24 horas do dia 31 de março de 2016. São admitidas candidaturas de concorrentes que sejam pessoas singulares, de qualquer nacionalidade, fluentes na língua portuguesa, com idade não inferior a 16 anos. No caso dos menores de 18 anos, a atribuição de prémios ficará sujeita à entrega de declaração de aceitação pelos respetivos titulares do poder paternal. UCCLA

Constituição do Júri:
António Carlos Secchin, Brasil
Germano de Almeida, Cabo Verde
Inocência Mata, São Tomé e Príncipe
Isabel Pires de Lima, Portugal
José Luís Mendonça, Angola
José Pires Laranjeira, Portugal
José Augusto Bernardes, Portugal - Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

Poderá consultar o Regulamento e Notas Bibliográficas do Júri do Prémio aqui

Brasil - Menino de 10 anos cria museu dedicado a Luiz Gonzaga no Ceará

Certo dia, Pedro Lucas Feitosa, um menino cearense de 10 anos de idade, foi a Exu, em Pernambuco, e lá conheceu o Museu de Luiz Gonzaga. Contente com o que viu, resolveu criar seu próprio museu, na cidade onde mora, em Crato, no Ceará


É bom quando em meio às conturbadas notícias matinais nos chega uma pauta capaz de transformar, por alguns instantes, todos os percalços diários em coisas de segundo plano. Então, caro leitor, aproveite para dedicar alguns momentos à leitura deste artigo, e aproveite para usar o exemplo deste menino, de dez anos, como referência real de que ainda pode haver algum futuro reservado para o nosso país.

Certo dia, Pedro Lucas Feitosa, um menino cearense de 10 anos de idade, foi a Exu, em Pernambuco, e lá conheceu o Museu de Luiz Gonzaga. Contente com o que viu, resolveu criar seu próprio museu, na cidade onde mora, em Crato, no Ceará. Pedro, que é fã do Rei do Baião desde os cinco anos, começou a acomodar, na sala da casa de sua falecida bisavó, objetos que remetem à vida e à carreira de Luiz Gonzaga. Não há, de fato, objeto ali que tenha pertencido ao músico, mas Pedro se foca em juntar objetos que façam referência à vida de Luiz Gonzaga, como folhetos de Cordel, sanfonas e letras do artista.

Segundo conta o menino à reportagem da Folha de São Paulo, conheceu o trabalho de Luiz Gonzaga durante uma festa de São João e, ao chegar em casa cantarolando algumas músicas, recebeu de uma tia uma coletânea de discos do artista.

Hoje o acervo do pequeno museu é abastecido, principalmente, por doações feitas pelas pessoas da comunidade local e também por meio da internet. Pedro conta que as peças doadas devem ter relação direta com a cultura nordestina. O pequeno menino faz ainda a função de guia e, durante as visitas, conta as histórias dos objetos e fala sobre Luiz Gonzaga. Toda sua rotina gira em torno do projeto, exceto nos momentos em que está na escola, de manhã, quando seu pai assume as funções.

Na entrevista que deu à Folha de São Paulo, Pedro conta que toca triângulo, e que gostaria de aprender a tocar sanfona. O menino diz que a ideia é expandir o museu, futuramente, mas que por enquanto vai tocar o projeto na sala de sua avó.

Poderá conhecer melhor este projecto aqui. In “Vá de Cultura” - Brasil

sábado, 23 de janeiro de 2016

Brasil - Comércio exterior: nova política

SÃO PAULO – Se o Brasil hoje detém menos de 1% de participação no comércio mundial, depois de ter alcançado 1,41% em 2011, culpa cabe à política equivocada que o seu governo adotou a partir de 2003, quando o Ministério das Relações Exteriores perdeu completamente sua autonomia, passando a responder à Assessoria Especial da Presidência da República. Segundo aquela orientação ideológica e partidária, os Estados Unidos seriam o grande satã do planeta e o País deveria lutar para deixar de ser dependente de sua economia, idéia que levou Brasil e Argentina a boicotarem deliberadamente as negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Com isso, o Brasil passou a vender majoritariamente matérias-primas para a China e a perder espaço para os seus produtos manufaturados nos Estados Unidos. Hoje, há uma diminuição na demanda no comércio mundial que afeta diretamente o desempenho do País. De acordo com a consultoria McKinsey, 17,5% do comércio mundial se encontram nas Américas (com os Estados Unidos em crescimento e a América Latina e o Caribe operando abaixo da média), 38,8% na Europa, que apresenta lenta recuperação, 31,4% na Ásia, que registra queda de demanda, 4,2% na Comunidade dos Estados Independentes (CEI), 4,25% no Oriente Médio e 3,8% na África.

Obviamente, diante desse quadro, se o Brasil tivesse continuado na órbita dos Estados Unidos, com certeza, a sua participação no comércio mundial seria superior a 1,5%. E não sofreria tanto as consequências da queda que se registra nas cotações de soja, milho e trigo, em função dos abalos que ocorrem na economia chinesa.

Como resultado disso, houve na balança comercial de 2015 uma redução drástica nas importações, que caíram de US$ 229 bilhões para US$ 171 bilhões. As exportações também tiveram queda, passando de US$ 225 bilhões para US$ 191 bilhões. Isso se deu porque a crise levou o Brasil a reduzir quase pela metade suas importações, especialmente de bens intermediários, ou seja, insumos para a produção industrial, que caíram 20,2% (US$ 25,3 bilhões a menos). Percentual idêntico foi registrado entre bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos, produtos essenciais para a expansão da produção.

De significativo, só há a registrar o crescimento da exportação de manufaturados, que subiu de 35,5% em 2014 para 38,1% em 2015, voltando-se ao patamar de 2013 (38,4%), o que se deu depois que a atual presidente da República, em seu segundo mandato, mandou às favas a política terceiro-mundista que misturava política com comércio. E devolveu ao Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) autonomia para buscar uma reaproximação com os Estados Unidos e levar o Mercosul a se aproximar da Aliança do Pacífico, além de procurar destravar as negociações com a União Europeia. Esse é o caminho. Milton Lourenço - Brasil 

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

UCCLA - Promove VI Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Cabo Verde



O Hotel Praia Mar (CP 75 - Prainha), na cidade da Praia, Cabo Verde, vai acolher, de 1 a 3 de fevereiro, o VI Encontro de Escritores de Língua Portuguesa (EELP), num evento organizado pela UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa - em colaboração com a Câmara Municipal da Praia.

Este encontro, em torno da língua portuguesa, contribui para o diálogo e enriquecimento recíproco entre escritores dos diferentes continentes. Nele participarão escritores representativos e publicamente reconhecidos de todos os países de Língua Portuguesa e, ainda, da região administrativa especial de Macau.

No VI EELP serão analisados os temas “A Literatura e a Diáspora”, “A Literatura e a Insularidade” e a “Poesia e a Música”.

Estão confirmadas as presenças dos seguintes escritores:

Angola - Ana Paula Tavares e José Luís Mendonça;
Brasil - João Paulo Cuenca;
Cabo Verde - Abraão Vicente, Germano Almeida e Vera Duarte;
Macau - Ricardo Pinto e Yao Jingming;
Moçambique - Luís Carlos Patraquim;
Portugal - João de Melo, José Fanha, José Luís Peixoto, Miguel Real e Zeca Medeiros;
São Tomé e Príncipe - Alice Goretti Pina;
Timor-Leste - Luís Cardoso (Takas).

PROGRAMA


1 de fevereiro de 2016

08h30 - Receção aos convidados
09h00 - Abertura do Encontro

Intervenções:                 
- Representante dos Escritores - João de Melo;
- Secretário-Geral da UCCLA - Vitor Ramalho;
- Presidente da Câmara Municipal da Praia - Óscar Santos;
- Presidente da República de Cabo Verde - Jorge Carlos Fonseca.

- Homenagem a Corsino Fortes por Germano Almeida;
- Apresentação de Prémios:
- Prémio Cabo-Verdiano de Literatura do BCA, em parceria com a Academia Caboverdiana de Letras, por António Castro Guerra e Vera Duarte;
- Prémio Literário UCCLA “Novos talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa”;

- Apresentação da última edição do livro do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa.

15h00 - Tema “A Literatura e a Diáspora”
Moderador: Silvino Évora (Cabo Verde)

Orador
Tema


Vera Duarte (Cabo Verde)
Sodad e memória na literatura cabo-verdiana da diáspora
Ricardo Pinto (Macau)
O Festival Literário de Macau
Yao Jingming (Macau)
Uma literatura à Margem do Centro
Alice Goretti Pina (São Tomé e Príncipe)
Casa da Vida, Cais da Saudade
José Luís Mendonça (Angola)
Agostinho Neto e a cidadania poética do homem negro
Miguel Real (Portugal)
A contestação do luso-tropicalismo português de Gilberto Freyre, Eduardo Lourenço e Baltazar Lopes

 2 de fevereiro de 2016

9h30 - “Encontro com os Novos”
Novos escritores de Cabo Verde: Carmelinda Gonçalves, Chissana Magalhães, Dai Varela, Dâmaso Vaz, Débora Sanches, Eileen Barbosa, Helder Fortes, Natacha Magalhães e Silvino Évora.

15h00 - Tema “A Literatura e a Insularidade”
Moderador: Margarida Fontes (Cabo Verde)

Orador
Tema


João de Melo (Portugal)
A ilha, um lugar de todo o mundo
Germano Almeida (Cabo Verde)
A atual problemática da Insularidade
Luís Cardoso (Timor-Leste)
A ilha de Ataúro: degredo e abrigo
Luís Carlos Patraquim (Moçambique)
Ilha de Moçambique - Como se fosse o Aleph
João Paulo Cuenca (Brasil)
Ser estrangeiro onde nasci

3 de fevereiro de 2016

9h30 - Tema “A Poesia e a Música”
Moderador: Fátima Fernandes (Cabo Verde)

Orador
Tema


José Luís Peixoto (Portugal)
A música é o tempo da literatura
Abraão Vicente (Cabo Verde)
Cabo Verde: quando a Música é toda a Literatura
José Fanha (Portugal)
Na ponta dos pés, na boca do Povo: Poesia cantada na Canção Lusófona
Zeca Medeiros (Portugal)
Crónica de um fado insulano
Ana Paula Tavares (Angola)
As Palavras e os Sons

15h00 - Encerramento do Encontro

- “Arménio Vieira o cultor da língua de Camões”
Oradores: Ondina Ferreira (Escritora), Jorge Carlos Fonseca (poeta) e Arménio Vieira.

- Intervenções:
- Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Praia - António Lopes da Silva;
- Secretário-Geral da UCCLA - Vitor Ramalho;
- Ministro da Cultura de Cabo Verde - Mário Lúcio Sousa.

No âmbito do encontro estão previstas as seguintes iniciativas complementares:

Dia 31 de janeiro de 2016

Cidade Velha: visita histórica e sessão literária - “Literatura cabo-verdiana: 'Fincar os pés no chão das ilhas'"
Com Nuno Rebocho e João Lopes Filho e convidados no auditório da cidade;

Inauguração da exposição "Casa dos Estudantes do Império, 1944-1965. Farol da Liberdade"
Local: Centro Cultural Português na Praia (Embaixada de Portugal - C.P. 160)
Hora: 18 Horas

De 1 a 3 de fevereiro de 2016

Mostra/Feira do Livro
Editoras envolvidas: Rosa de Porcelana, Sotavento
Local: Hotel Praia Mar (CP 75 - Prainha)
  
Dia 2 de fevereiro de 2016

Encontro animado/tocatina/conversa sobre literatura cabo-verdiana
Com leitura de poesia orientada por Vera Duarte
Local: Galeria Nela Barbosa (Condomínio Miramar - Palmarejo)

Dia 4 de fevereiro de 2016

Visita ao Tarrafal
Com sessão literária, visita à prisão e lançamento de livros.

Brasil - Porto de Paranaguá registra o maior volume em exportações da história

O Porto de Paranaguá fechou 2015 com o maior volume em exportações da história, com 30,3 milhões de toneladas embarcadas, 8,8% a mais que em 2014. O resultado reflete a resistência do agronegócio do Estado do Paraná diante da crise econômica brasileira, o aumento dos investimentos no porto e da agilidade na movimentação de cargas.

A soja foi o produto mais movimentado em Paranaguá em 2015, com 8,5 milhões de toneladas exportadas – um recorde no porto paranaense, que tinha como melhor marca as 7,7 milhões de toneladas movimentadas do grão em 2013.

O farelo de soja também ganhou espaço e chegou a 5,4 milhões de toneladas embarcadas, outro recorde. Com isso o chamado “complexo soja” teve 9,8% de aumento nas exportações por Paranaguá.

As carnes congeladas também registraram aumento e recorde: 1,9 milhão de toneladas exportadas, crescimento de 14% em relação ao total movimentado em 2014. O desempenho também elevou o Porto de Paranaguá ao posto de líder na exportação de carne de frango.

Os números também mostram a força do agronegócio paranaense. Segundo a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), as cooperativas fecharam 2015 com exportações de US$ 2,4 bilhões, o que representa uma alta de 4% em relação ao ano anterior. Já a receita delas teve crescimento de 12%, chegando a R$ 49 bilhões.

Nos últimos cinco anos, foram registrados recordes na operação de quase todos os produtos movimentados pelo Porto de Paranaguá, o que dinamizou e impulsionou a economia do Estado.

“O País enfrenta um momento complicado, mas o agronegócio do Paraná continua fazendo seu papel e imprimindo excelentes resultados. Com os diversos investimentos feitos no porto, conseguimos corresponder aos anseios do produtor”, afirma o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.

PRODUTIVIDADE - Os recordes foram alcançados mesmo com um volume de chuvas 44% superior em relação ao ano anterior e com a paralisação parcial de alguns berços para a troca de equipamentos.

“Isto evidencia o ganho em produtividade que tivemos. Conseguimos trabalhar mais e melhor, mesmo com estes empecilhos. O resultado é fruto dos mais de R$ 511 milhões investidos nos portos do Paraná ao longo dos últimos anos”, afirma o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.

De março a dezembro do ano passado, foram montados, erguidos e entraram em funcionamento quatro novos shiploaders – equipamentos usados para carregar os navios no Corredor de Exportação.

Os equipamentos conseguem carregar com 33% mais agilidade que os antigos, aumentando a velocidade de embarque de 1,5 mil toneladas por hora para 2 mil toneladas por hora. O investimento foi de R$ 59 milhões.

Além da montagem e substituição dos guindastes, foram feitas reformas dos berços de atracação do Corredor de Exportação. Mesmo assim, o impacto nas operações foi mínimo.

Os demais produtos com grande movimentação no porto foram o milho, com 4,12 milhões de toneladas escoadas, e o açúcar, com 4,33 milhões de toneladas. Outros produtos que tiveram significativas altas na exportação foram os derivados de petróleo, com 906 mil toneladas movimentadas e alta de 20%, e madeira, com 682 mil toneladas exportadas e 13,4% de crescimento. In “APPA” - Brasil