Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 21 de junho de 2025

São Tomé e Príncipe - Educação pré-escolar em Lembá com sinais de transformação real

Chegou ao fim o Projeto de Valorização da Educação Pré-Escolar no distrito de Lembá, uma iniciativa que, ao longo dos últimos anos, procurou inverter os índices preocupantes de acesso e qualidade na educação da primeira infância. Com intervenções técnicas, pedagógicas e comunitárias, o projeto deixa para trás não apenas um conjunto de resultados concretos, mas também um modelo replicável de transformação educativa em contextos vulneráveis.


Implementado pela organização não-governamental Helpo, com cofinanciamento da Fundação Calouste Gulbenkian e apoio técnico-científico do Instituto Politécnico de Leiria (Portugal), o projeto teve como principal missão criar condições para que as crianças de Lembá, entre os 3 e os 5 anos de idade, pudessem aceder a uma educação pré-escolar de qualidade, baseada em práticas pedagógicas modernas, inclusivas e culturalmente contextualizadas.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da UNICEF (2020), apenas 34,9% das crianças entre 36 e 59 meses frequentavam jardins de infância no distrito. Em paralelo, cerca de 60% dos profissionais do setor não possuíam formação adequada e estavam submetidos a condições laborais precárias, comprometendo o desenvolvimento cognitivo e social das crianças.

Este cenário motivou uma intervenção multidimensional, que abrangeu 13 jardins de infância, onde foram promovidas ações de formação contínua para educadores e auxiliares pedagógicos, introduzindo metodologias centradas na criança e inspiradas nos princípios da pedagogia ativa.

Um dos eixos estruturantes da intervenção foi a valorização de materiais pedagógicos produzidos com recursos naturais e tradicionais locais, como conchas marinhas, sementes de cacau, folhas, fibras e madeira. Estes materiais foram sistematizados de acordo com objetivos pedagógicos definidos, e organizados num catálogo de recursos didáticos que será disponibilizado a nível nacional.

A iniciativa não se limitou às salas de aula. Mais de 600 encarregados de educação foram envolvidos em sessões comunitárias de sensibilização, focadas na importância da educação infantil, higiene, alimentação e desenvolvimento emocional. As famílias passaram a reconhecer o valor da educação pré-escolar como uma etapa essencial para o futuro dos seus filhos.

Durante a cerimónia oficial de encerramento, realizada esta semana no distrito de Lembá, a coordenadora do projeto sublinhou que o término da intervenção representa “um ponto de transição e não de conclusão”. Os conteúdos pedagógicos continuarão acessíveis, a rede de educadores formada manterá atividades colaborativas, e o modelo de capacitação será defendido como exemplo de política pública para outras regiões.

Além disso, foi lançado um livro dedicado aos brinquedos e jogos tradicionais da primeira infância em São Tomé e Príncipe, com o propósito de integrar a sabedoria ancestral nas práticas educativas contemporâneas. O material será distribuído como ferramenta didática em centros de formação e escolas.

“Este projeto mostrou que é possível transformar a realidade da educação infantil com soluções locais, baixo custo e forte envolvimento comunitário. O que está em causa agora é garantir a sustentabilidade do que foi alcançado”, destacou Miguel Jarimba, coordenador nacional da Helpo.

O encerramento do projeto foi também um momento de balanço e articulação de futuras parcerias. Participaram representantes do Ministério da Educação, do Instituto Politécnico de Leiria, professores, técnicos municipais e membros da sociedade civil.

A experiência de Lembá torna-se agora uma referência nacional em práticas educativas inovadoras na infância, reforçando o apelo à institucionalização dos resultados. Há uma exigência clara: que o Estado tome a dianteira e assuma a responsabilidade pela continuidade das formações, pelo enquadramento digno dos educadores e pela expansão do acesso a jardins de infância em condições adequadas.

A jornada termina, mas o compromisso continua: nenhuma criança deve ser privada do seu direito de aprender, brincar e crescer num ambiente educativo seguro, inclusivo e culturalmente relevante. Waley Quaresma – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


quarta-feira, 27 de abril de 2022

Nova Zelândia – Disponibiliza material didático a 504 escolas do ensino pré-escolar de Timor-Leste

Díli – O governo da Nova Zelândia, através do Programa Brincar. Descobrir e Aprender com Sucesso (Hands, em inglês), disponibilizou material didático a 504 estabelecimentos do ensino pré-escolar.

O Secretário da Embaixada da Nova Zelândia, Nick Borthawick, destacou a importância das crianças iniciarem os estudos no ensino pré-escolar para terem o sucesso académico.

“Este material escolar destina-se a 28857 alunos, de 504 escolas do pré-escolar”, afirmou Nick Borthawick, na cerimónia de entregado material escolar ao MEJD, em Vila Verde, Díli.

Segundo o dirigente, o Executivo neozelandês alocou cerca de 240 mil dólares americanos para financiar o Programa Hands nos próximos cinco anos.

Já o Diretor-Geral da Política, Plano e Inclusão do MEJD, Raimundo José Neto, mostrou-se satisfeito com o apoio do Executivo da Nova Zelândia.

“Peço aos beneficiários e aos dirigentes das 504 escolas do ensino pré-escolar que aproveitem este material para melhorar o processo de ensino-aprendizagem”, concluiu.

Recorde-se, o Programa Hands iniciou-se em 2015. Isaura de Deus – Timor-Leste in “Tatoli”

 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Macau - Pré-escolar de matriz portuguesa é visto como oportunidade por famílias chinesas

A coordenadora do Jardim de Infância Costa Nunes considera que a grande maioria das famílias chineses optam por este modo porque olham para o português como uma vantagem futura. Bárbara Maria Carmo explicou à Lusa que a instituição tem cerca de dois terços de crianças chinesas no pré-escolar, porque “o conhecimento do português pode ser um valor acrescentado no futuro” “A maioria dos pais não nativos de língua portuguesa procura na nossa escola uma educação baseada numa aprendizagem mais lúdica, numa perspetiva mais criativa e com maior liberdade de expressão”, acrescentou.

Para Bárbara Carmo, há muitos desafios no ensino de estudantes não nativos de língua portuguesa, mas o maior deles é a barreira linguística. “Temos muitas famílias que não falam português ou inglês, pelo que por vezes pode ser muito desafiante e temos de usar muitos recursos para nos fazer compreender”, indicou. A responsável do Costa Nunes, com 287 alunos de várias nacionalidades, notou que “as diferenças culturais também podem ser um desafio, mas a fusão de duas culturas é muito enriquecedora”. Em contraste, na Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, apenas perto de 10% dos alunos portugueses estão inscritos nas secções bilingue e chinesa, contra mais de 90% dos alunos portugueses estão inscritos na secção portuguesa, de acordo com uma resposta escrita do estabelecimento de ensino enviada à Lusa.

A escola tem 80 alunos de nacionalidade portuguesa. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) referiu à Lusa que para os falantes nativos de português, o estudo da língua chinesa é mais difícil ao nível da escrita e da leitura. “Ao longo dos anos, alunos de diferentes línguas maternas têm sido matriculados em escolas do setor público. A experiência mostra que os estudantes cuja língua materna não é o chinês têm mais dificuldade em aprender chinês na leitura e na escrita do que em ouvir e falar”, indicou fonte da DSEDJ. Bárbara Carmo explicou que as diferenças na cultura e nos sons das línguas são tantas que a adaptação leva muito tempo. “É muito comum que as crianças passem uma fase de silêncio e apenas alguns meses depois comecem a dizer algumas palavras em português”, sublinhou. “Podemos ver uma melhoria diariamente, porque podemos observar que as crianças compreendem as frases de comando sem necessidade de as repetir em inglês. Dia após dia, podemos ver que as crianças estão mais à vontade com a língua portuguesa e é aí que o processo começa”, acrescentou. In “Ponto Final” - Macau com “Lusa”

 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Timor-Leste e Nova Zelândia mantêm cooperação no programa HANDS II no pré-escolar


Díli – O Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD) e o Governo da Nova Zelândia assinaram hoje o termo de continuação da segunda fase do programa Halimar, Aprende no Deskobre Susesu (HANDS) no ensino pré-escolar.

O objetivo do acordo é manter a cooperação e implementação do programa Halimar, Aprende no Deskobre Susesu (HANDS) II, que visa desenvolver a capacidade das crianças no processo de aprendizagem no ensino pré-escolar em Timor-Leste de 2021 a 2026.

O Ministro da Educação, Juventude e Desporto, Armindo Maia, no seu discurso, agradeceu o auxílio do Governo neozelandês no setor da educação e espera que o programa seja implementado.

“Em nome do Ministério, agradeço o apoio do Governo da Nova Zelândia, bem como das equipas das duas partes – a da HANDS e a timorense – pelos seus grandes esforços para concretizar o programa que hoje assinamos”, disse Armindo Maia, no âmbito da assinatura da nota de entendimento do programa HANDS II, no salão do MEJD, em Vila Verde.

O governante recordou que, desde o primeiro Governo Constitucional, a Nova Zelândia fornece assistência ao desenvolvimento do ensino pré-escolar em Timor-Leste.

Também o embaixador neozelandês em Timor-Leste, Philip Hewitt, na sua intervenção, declarou que a implementação do programa HANDS é um grande investimento da Nova Zelândia no setor da educação pré-escolar em Timor-Leste.

“O programa reflete a importância da educação infantil e do desenvolvimento das crianças. Sentimo-nos privilegiados com a continuação do programa HANDS II para desenvolver a capacidade e conhecimento das crianças timorenses em idade pré-escolar. Espero podermos trabalhar em conjunto para melhorar a qualidade da educação em Timor-Leste” revelou.

De acordo com os dados, em 2020, existiam 558 escolas do ensino pré-escolar em Timor-Leste, das quais 428 públicas e privadas e 130 comunitárias. Afonso do Rosário – Timor-Leste in “Tatoli”


 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Timor-Leste - Programa “Brincar, Aprender e Descobrir o Sucesso” disponibiliza formação em linha para educadores de infância, mas só 30% dominam tecnologias

 


Díli - O programa “Brincar, Aprender e Descobrir o Sucesso” (HANDS, em tétum) do Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD) disponibiliza formação em linha para educadores do pré-escolar, mas apenas 30% conseguem dominar as tecnologias e ter acesso a internet.

O HANDS do MEJD tem o apoio do Governo da Nova Zelândia e surge no âmbito da crise sanitária provocada pela covid-19, permitindo uma formação em linha através de programas como o Zoom e o WhatsApp disponibilizados em tablets.

“Entre 1100 educadores das pré-escolas, só 30% conseguem utilizar as ferramentas em linha”, revelou o Coordenador do HANDS, Pedro Ximenes, esta segunda-feira (26/10), no Centro de Convenções de Díli.

O dirigente afirmou também que a equipa do projeto trabalhará afincadamente para resolver os problemas com a internet, nomeadamente os custos, e a falta de competências digitais dos educadores.

“Esforçar-nos-emos para resolver estes problemas. A conexão de internet, os seus custos e a falta de conhecimentos dos professores são desafios”, reconheceu.

O responsável lembrou também que, além da formação de educadores, o projeto trabalha na melhoria dos espaços escolares.

“Concentramo-nos apenas nas pré-escolas, mas o HANDS não é só para formação dos educadores. Cria também espaços para diversão em todas as escolas”, disse, acrescentando que o programa tem uma duração de cinco anos para chegar a todas as pré-escolas do território. In “Timor Post” – Timor-Leste