Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Timor-Leste - Reforça coordenação para liderança da CPLP em 2026-2027

Timor-Leste avançou com a preparação para a presidência pro tempore da CPLP, marcada para 2026-2027, com uma reunião estratégica entre os pontos focais setoriais. O objetivo foi alinhar estratégias e fortalecer a cooperação interinstitucional, garantindo uma coordenação eficaz para a implementação das iniciativas. A presidência de Timor-Leste visa reforçar a visibilidade do país e consolidar a CPLP como um espaço de diálogo e cooperação global.


Timor-Leste deu um importante passo na preparação para assumir a presidência pro tempore da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com a realização de uma reunião estratégica entre os pontos focais setoriais do país.

O encontro, organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC), teve como objetivo alinhar as estratégias e fortalecer a coordenação interinstitucional para garantir uma presidência eficaz de Timor-Leste no biénio 2026-2027.

A reunião ocorreu a 9 de fevereiro, no Salão Nobre do MNEC, em Díli, e contou com a participação de representantes de vários ministérios do Governo, reunidos para discutir como otimizar a implementação das iniciativas da presidência e a cooperação entre os Estados-membros da CPLP. O Secretário-Geral do MNEC, Embaixador Juvêncio Martins, sublinhou a importância da boa coordenação entre os diferentes setores para o sucesso do processo.

Na abertura da reunião, Juvêncio Martins destacou que o trabalho conjunto e a comunicação constante são elementos cruciais para garantir a efetividade da presidência de Timor-Leste. “A boa coordenação, a partilha de informações e o espírito de solidariedade são fundamentais para que possamos enfrentar os desafios comuns de forma eficaz e harmoniosa”, afirmou.

O Embaixador também lembrou que a presidência de Timor-Leste não é apenas uma oportunidade para o país afirmar sua liderança na CPLP, mas também um compromisso com o fortalecimento da cooperação regional e internacional. “A nossa liderança vai garantir que as prioridades setoriais estejam totalmente alinhadas com a agenda da CPLP, assegurando coerência, complementaridade e uma ação concertada em prol dos objetivos comuns”, disse.

A presidência de Timor-Leste será uma plataforma crucial para aumentar a visibilidade do país a nível internacional. “A CPLP é um espaço estratégico para o diálogo e a cooperação multilateral. Temos de garantir que a nossa atuação na presidência seja relevante não só para a nossa região, mas também globalmente”, sublinhou Juvêncio Martins.

O Embaixador fez um apelo à partilha regular de informações e boas práticas entre os pontos focais setoriais, destacando que a troca constante de conhecimento é essencial para evitar duplicações de esforços e promover sinergias. “Uma coordenação eficaz entre os pontos focais permitirá alcançar resultados concretos e duradouros”, afirmou.

Durante a reunião, o Diretor para a CPLP, Joaquim Fernandes, apresentou um panorama das principais atividades previstas para o período da presidência de Timor-Leste. Fernandes explicou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem desenvolvido um intenso trabalho de concertação com os Estados-membros da CPLP, tanto em Díli como em Lisboa.

“Estamos a trabalhar de forma estreita com a Secretária Executiva da CPLP e com os Estados-membros, e temos uma missão permanente para coordenar todos os aspetos da presidência. Estamos a garantir que a CPLP será uma plataforma de diálogo eficaz e de cooperação multilateral para todos os seus membros”, explicou Joaquim Fernandes.

Entre as atividades previstas para o biénio 2026-2027, destacam-se várias reuniões ministeriais e encontros setoriais nas áreas de Saúde, Educação, Cultura, Comércio, Defesa, Finanças, Ambiente, Ciência e Tecnologia, entre outras. Além disso, a presidência de Timor-Leste dará atenção especial à promoção da língua portuguesa, com a realização de eventos como a Semana Cultural da CPLP em Lisboa e a celebração do Dia Internacional da Língua Portuguesa, com um enfoque especial nas comunidades luso-asiáticas.

Embora seja um dos membros mais jovens da CPLP, com quase 24 anos de independência, Timor-Leste tem demonstrado uma maturidade crescente na sua abordagem diplomática, com o objetivo de fortalecer a presença da CPLP no cenário internacional. Joaquim Fernandes destacou que a presidência será uma oportunidade para expandir a presença do país no cenário global e afirmar a sua posição enquanto elo estratégico para os países de língua portuguesa.

“A nossa liderança na CPLP reflete o compromisso de Timor-Leste com o multilateralismo e com a construção de uma comunidade mais forte, coesa e dinâmica. Temos uma grande responsabilidade, mas também um enorme potencial para contribuir para o fortalecimento da CPLP como um espaço de diálogo e cooperação global”, afirmou Joaquim Fernandes.

A presidência de Timor-Leste será marcada por desafios logísticos e orçamentais, como destacou Joaquim Fernandes. Algumas reuniões poderão ser realizadas em Lisboa, por questões orçamentais e logísticas, mas a maior parte dos encontros será realizada em Díli. O Diretor para a CPLP frisou que o Governo está a trabalhar para garantir que as condições necessárias para o bom funcionamento da presidência sejam criadas, incluindo a definição de um calendário de reuniões, algumas ainda em fase de proposta.

“Este é um processo dinâmico e flexível. Estamos a ajustar a logística de acordo com as necessidades e as condições disponíveis, mas temos a certeza de que vamos estar prontos para garantir que a presidência de Timor-Leste será um sucesso”, concluiu Joaquim Fernandes. Rilijanto Viana – Timor-Leste in Diligente


segunda-feira, 30 de junho de 2025

Ásia - Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas dá luz verde a criação de Associação das Comunidades Luso-Asiáticas

As comunidades asiáticas com raízes portuguesas encontraram-se em Díli para recordar o passado e projetar o futuro. Um futuro que contará com a Associação das Comunidades Luso-Asiáticas – APCA, que recebeu luz verde com a assinatura da Declaração de Díli



A 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC, em inglês), em Díli, sob o tema ‘Unidos na Diversidade – Desafios e Oportunidades de um Legado Secular’, terminou com a assinatura da Declaração de Díli – Criação da Associação das Comunidades Luso-Asiáticas – APCA, uma rede de pessoas e comunidades, em que a partilha e a diversidade servem um objetivo comum.

O evento de três dias, de 27 a 29 de junho, teve início na sexta-feira e foi projetado para ser um espaço de partilha e de preservação da língua, da história e da cultura de países asiáticos com rastos portugueses.

A APCC reúne comunidades de oito países – Malásia, Myanmar, Sri Lanka, Tailândia, Índia, Indonésia, China e Timor-Leste. A primeira conferência foi em 2016, em Malaca, na Malásia. O objetivo foi claro desde o início: estabelecer valores históricos, despertar as pessoas para o peso da herança cultural lusófona e iniciar uma cooperação económica entre comunidades.

Criar a associação, como explicou o presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, é uma forma de reconhecer o valor de comunidades luso-asiáticas, geralmente ignoradas e desvalorizadas, e dar voz a possíveis diálogos com governos e instituições internacionais.

“É uma promessa e um compromisso de preservar, registar e capacitar. Apoiará [a associação] a investigação, a educação e a sustentabilidade económica. Ajudará a proteger as histórias e identidades de pessoas cujas culturas são mistas, complexas e orgulhosas”, salientou.

Acrescentou que a associação visa honrar o passado e projetar o futuro a partir de um legado comum. “Isso inclui documentar histórias orais, apoiar festivais culturais e fortalecer o desenvolvimento liderado pela comunidade.”

João Paulo Oliveira e Costa, professor da Universidade Nova de Lisboa, observou que cada comunidade apresenta uma realidade diferente: algumas são isoladas, outras são muito fortes e numerosas e algumas estão bem implantadas no seu território, como é o caso das Flores.

Mesmo que nem todos falem português, para o professor, a cultura é aquilo que une as comunidades na conferência, e aí há sempre aspetos em comum. “Há um conjunto de traços culturais, desde a culinária ao folclore, além de histórias semelhantes”, salientou, referindo também o cristianismo como um elemento que serviu para a consolidação e resistência destas comunidades em meios onde a maior parte das pessoas não é católica.

“A língua portuguesa não é praticada da mesma maneira em todos os grupos. De qualquer forma, é uma memória também e, em muitas comunidades, ainda faz parte do dia-a-dia, já que é fácil encontrar pessoas que falam fluentemente português em Goa ou aqui em Timor. No Sri Lanka, já não é bem assim”.

União na diversidade

Earl Barthelot, presidente do Grupo “Burgher Folks”, de Batticaloa, no Sri Lanka, falou no português crioulo, a versão antiga do português, que foi sofrendo alterações ao longo dos tempos. “Quando os portugueses conquistaram o Sri Lanka, não trouxeram mulheres de Portugal, casaram-se com locais e fizeram negócios, levando coisas do Sri Lanka para Portugal, através de Goa, na vizinha Índia”

A língua que era utilizada nos negócios foi sofrendo alterações, estruturais e gramáticas, até pelo contacto com as duas línguas principais do Sri Lanka: o cingalês e o tâmil. O português crioulo não é usado todos os dias, mas as pessoas conseguem dizer, por exemplo: ‘estou a tomar café’ – ‘eu avora teat boe”.

A descendência portuguesa no Sri Lanka é muito pequena e não há um número exato de pessoas. O chefe do grupo calcula que existam sete mil pessoas no seu distrito. Muitas delas mantêm-se em contacto através de eventos sociais, familiares ou na igreja.

Em Malaca, a história é diferente. Marina Linda Danker, dona do grupo cultural português de Malaca – DomMarina –, contou que são descendentes dos portugueses de 1511 e conservam a língua portuguesa de Malaca, dos séculos XVI e XVII.

Sem livros e limitados ao uso do inglês e do malaio na escola, conseguiram manter a língua portuguesa, praticando todos os dias em casa com os familiares. A proximidade das 118 famílias, na mesma localidade, também ajuda nessa comunicação em língua portuguesa. Quando cumprimentam alguém, dizem algo como, ‘que sorte, tá bom?’, equivalente a ‘estás bem?’; quando oferecem comida, ‘bem, comi’; ou convidam alguém para dançar, dizendo ‘bem juntado, bem nos balar’; ‘onde tu vai?’, quando perguntam a alguém para onde vai. Além disso, dizem ‘boa tarde, bom meio-dia, boa noite’ e ‘muito agradecida’. O português, curiosamente, acaba por ser uma língua secreta, falada entre os membros da comunidade naquela região.

“Vivemos numa aldeia onde todos são portugueses e católicos romanos. Praticamos todas as nossas tradições, incluindo as que estão ligadas à religião. Os números, um, dois, três, e até alimentos e temperos dizemos em português: cebola, gengibre”, explicou, acrescentando que há outras comunidades que podem já não falar português por viverem isoladas e não conseguirem usar a língua todos os dias.

Marina Danker mostrou-se feliz por participar na conferência. “Queremos unir o nosso povo para aprender a língua e a cultura. Queremos saber o que os outros têm de igual e quais são as diferenças. Portugal dominou Malaca por 130 anos e mantém-se a influência na cultura”, exemplificou.

O grupo DomMarina faz viver a cultura através das roupas tradicionais, da comida, de conversas, de exposições e de festivais anuais.

A comunidade em Jacarta, na Indonésia, já não fala português, uma vez que o Papia Tugu, a língua crioula falada pelos portugueses nos arredores de Jacarta, é considerada extinta. “O português crioulo que temos não é o português moderno, nem autêntico. Chama-se Papia Tugu”, explicou Guido Quiko, líder comunitário na aldeia portuguesa de Tugu e do grupo musical Tugu Keroncong. É o grupo musical que acaba por manter o legado do Papia Tugu, através de canções escritas naquele crioulo português-javanês.

Em Jacarta, dizem ‘yo kere bebe’ (eu quero beber) e ‘yo kere pasa’ (quero dar uma volta). Como não usam a língua todos os dias e por falta de vocabulário, os resquícios da língua portuguesa foram desaparecendo, misturando-se com línguas das regiões da Indonésia, desde meados do século XVIII.

“Temos apenas algumas canções compostas pelos nossos pais: Kaprinyo, Gatumatu, Yankagaleti e Meninabobo. Estas são as que ainda cantamos com frequência. Mas o nosso conhecimento da língua não é suficiente para manter uma conversa”. As canções – Kaprinyo, Gatumatu, Yankagaleti e Meninabobo – foram tocadas ao longo da conferência em Díli.

A comunidade foi formada por cerca de 800 pessoas de descendência portuguesa em Malaca, que foram capturadas pelos holandeses em 1641 e, dois anos depois, exiladas em Batávia (nome dado pelos holandeses à atual cidade de Jacarta), numa aldeia que se passou a chamar Tugu, cujo nome é retirado da palavra ‘português’.

“Em Batávia, em 1661, os holandeses impunham duas condições a quem quisesse viver na região: converter-se ao catolicismo ou ao protestantismo e substituir os apelidos portugueses por apelidos holandeses”, contou Guido Quiko.

Os 23 chefes de família concordaram e permaneceram no sudeste de Batávia, agora Kampung Tugu, acabando por casar com outros clãs daquela região. Existem seis clãs no local: Andris, Cornelis, Mihils, Abraham, Brone e Quiko. O último é o único clã de origem portuguesa, o resto é da Holanda.

A música Keroncong surgiu pela falta de divertimento naquele local, já que viviam isolados. Para ter entretenimento, tinham de caminhar 23 km, desde a vila Tugu, até à cidade de Atuwa.

Criaram um instrumento musical, de cordas, com a forma de um cavaquinho, que ficou conhecido como ‘macina’. “Tem o formato de uma pequena viola e, quando tocado, emite um som metálico ‘chong chong’ [tenta reproduzir o som], então chamaram-lhe keroncong”. Foi assim que surgiu a música keroncong na Indonésia, com a qual a comunidade se divertia depois do trabalho, ou durante o dia, a pescar ou a caçar.

Quando os holandeses ouviram que havia eventos musicais naquela aldeia isolada, foram lá, juntaram as pessoas, e levaram instrumentos musicais europeus. Mais tarde, foi instituída uma Orquestra em 1925: ‘Orkes Pusaka Keroncong Moresko Tugu’, que agora se chama Tugu Keroncong.

A comunidade luso-asiática em Jacarta não recebe apoio ou atenção por parte do Governo, pois são uma minoria, sem grande expressão num país/arquipélago tão grande como a Indonésia. Nesse sentido, nem as línguas crioulas, como o português, são reconhecidas. Guido Quiko não fala português crioulo, mas conta que o seu falecido avô falava um pouco.

Além da língua, há tradições culturais: a tradição de Rabu-Rabu (tradução literal de quartas-feiras) e a tradição de Mandi-Mandi (banhos). A Rabu-Rabu é celebrada a 1 de janeiro – os músicos tocam música pelas ruas da aldeia de Tugu para desejar um ‘Feliz Ano Novo’. A Mandi-Mandi acontece no primeiro domingo de janeiro e é o dia que as pessoas pedem desculpas umas às outras, ao som de músicas de keroncong. A música é reconhecida como património cultural imaterial da Indonésia.

Timor-Leste como ponto de encontro

A 4.ª Conferência da APCC serviu ainda para destacar o papel de Timor-Leste como a única nação asiática que tem o português como língua oficial. O facto de ser membro da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), de estar associado aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e de estar já com um pé na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) ainda dá mais peso ao papel de Timor-Leste na região.

Ter português como língua oficial faz de Timor-Leste “um farol para todas as comunidades de língua portuguesa que existem na Ásia”, além de ser uma marca de distinção que reforça a individualidade do povo timorense, segundo o professor João Paulo Oliveira e Costa.

O professor destacou ainda a importância de Timor-Leste como ponto de ligação entre as comunidades luso-asiáticas, por ser o único Estado de língua oficial portuguesa da Ásia. “Aquilo que temos todos em comum é partilharmos um passado e aspirarmos a um presente em que podemos estar juntos e apoiarmo-nos mutuamente.” Antónia Martins – Timor-Leste in Diligente


Ásia - Marca deixada pelos portugueses “não foi apagada”, diz Ramos-Horta

O Presidente de Timor-Leste considera que a marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada e que as comunidades luso-asiáticas espalhadas pela região são a “prova viva desta verdade incontornável”. O chefe de Estado falava na sessão de abertura da quarta Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, que terminou ontem


O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou que a marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada e que as comunidades luso-asiáticas espalhadas pela região são a “prova viva desta verdade incontornável”.

“A marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada pelo tempo. As nossas comunidades são a prova viva desta verdade incontornável. O resultado é algo que perdura: o nascimento de comunidades simultaneamente europeias e asiáticas”, disse José Ramos-Horta.

O chefe de Estado falava na sessão de abertura da quarta Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, que terminou ontem, com a participação de comunidades do Sri Lanka, Malaca (Malásia), Myanmar, Macau, Tailândia, Goa (Índia) e das Flores e Jacarta (Indonésia).

De acordo com Ramos-Horta, aquelas comunidades não estão apenas “ligadas a Portugal”, mas também umas às outras, porque os “portugueses administraram os seus territórios asiáticos com um sentido de interligação”. “Laços culturais, administrativos e religiosos uniam Goa e Malaca, Flores e Sri Lanka. Durante um período, Timor chegou a ser administrado pelo Governador de Macau”, disse, explicando que a igreja também teve um papel central naquela ligação. A igreja, segundo o Presidente, trouxe a fé, mas também a “educação formal, escrita e disciplina espiritual”.

Lembrando que as comunidades descendentes de portugueses na Ásia são “frequentemente invisíveis nas narrativas nacionais” e “esquecidas pelos manuais escolares”, o Presidente salientou a importância de se juntarem para lembrar, mas [também] para reinventar”.

“Esta conferência dá-vos espaço para reflectir sobre o passado”, mas também, continuou o chefe de Estado, para uma “oportunidade de moldar o próximo capítulo da história”, que será discutido com a proposta da Declaração de Díli, que foi aprovada este domingo, e com a criação da Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia. “Esta associação será mais do que uma rede de pessoas e comunidades. É uma promessa e um compromisso: preservar, registar e capacitar. Reconhecer o valor das comunidades muitas vezes marginalizadas ou esquecidas”, disse José Ramos-Horta.

Segundo o Presidente, a Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia dará voz às comunidades lusófonas com governos e instituições internacionais, apoiará a investigação e a sustentabilidade económica, mas também ajudará a proteger as histórias e identidades dos povos.

Numa mensagem, lida pela embaixadora portuguesa em Díli, Manuela Bairos, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestou o apoio do Governo português aos objetivos da conferência, a disponibilidade para acolher um encontro em Portugal, bem como “acompanhar os esforços de institucionalização do projecto que a conferência de Díli se propõe a promover”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 26 de junho de 2025

Timor-Leste acolhe 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas em Díli

De 27 a 29 de junho de 2025, Timor-Leste vai acolher a 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC), no Centro Convenções de Díli, na capital, Díli. Este importante evento cultural regional celebra o legado duradouro da herança portuguesa em toda a Ásia.



A conferência bienal, com duração de três dias, é organizada pelo IX Governo Constitucional de Timor-Leste, em parceria com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O tema da 4.ª Conferência da APCC em 2025 é “Unidos na Diversidade: Desafios e Oportunidades de um Legado Secular”.

O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, dará as boas-vindas a Timor-Leste aos grupos que representam a Comunidade Portuguesa de Malaca (Malásia), os Burghers Portugueses de Batticaloa (Sri Lanka), os Bayingyis do Vale Mu (Mianmar), as Paróquias de Conceição, Sta. Cruz e Nossa Senhora do Rosário (Tailândia), Macau (China), Goa (Índia), os Tugu Mardijkers de Jacarta e os Larantuqueiros/Topasses da ilha das Flores (Indonésia). Esta conferência reunirá também académicos, investigadores, líderes culturais, artistas e dignitários do mundo lusófono para partilhar os resultados dos seus estudos e diversas experiências.

A APCC foi originalmente fundada em Malaca, na Malásia, em 2016, com o objetivo de reunir comunidades que mantêm a sua herança portuguesa e laços culturais em toda a região asiática. Timor-Leste foi representado pelo então Ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Xanana Gusmão, que participou como convidado de honra e aproveitou a oportunidade para desafiar os organizadores a considerarem a possibilidade de acolher uma futura edição do APCC em Díli.

O programa de três dias da 4.ª Conferência APCC inclui palestras, mesas redondas, exposições culturais, apresentações académicas e apresentações culinárias e culturais.

Um marco importante da conferência será a assinatura da Declaração de Dili, que formaliza a criação da Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia (APCA), uma nova plataforma regional dedicada à cooperação cultural, preservação do património e partilha de conhecimento.

Este importante encontro de diversos grupos com uma história comum reafirma o compromisso de Timor-Leste, enquanto único país de língua portuguesa na Ásia, em preservar as ligações a um património cultural que pode fortalecer os laços entre as nações asiáticas e as nações de língua portuguesa.

A primeira Conferência da APCC, realizada em Malaca em 2016, teve como objetivo estreitar laços, promover a língua e a cultura portuguesas e incentivar a colaboração duradoura entre as comunidades de ascendência portuguesa na Ásia. Este evento marcante reuniu delegados de países como a Austrália, a China e Timor-Leste.

O programa completo da 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC) pode ser consultado aqui. Governo de Timor-Leste