Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 30 de junho de 2025

Ásia - Marca deixada pelos portugueses “não foi apagada”, diz Ramos-Horta

O Presidente de Timor-Leste considera que a marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada e que as comunidades luso-asiáticas espalhadas pela região são a “prova viva desta verdade incontornável”. O chefe de Estado falava na sessão de abertura da quarta Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, que terminou ontem


O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou que a marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada e que as comunidades luso-asiáticas espalhadas pela região são a “prova viva desta verdade incontornável”.

“A marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada pelo tempo. As nossas comunidades são a prova viva desta verdade incontornável. O resultado é algo que perdura: o nascimento de comunidades simultaneamente europeias e asiáticas”, disse José Ramos-Horta.

O chefe de Estado falava na sessão de abertura da quarta Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, que terminou ontem, com a participação de comunidades do Sri Lanka, Malaca (Malásia), Myanmar, Macau, Tailândia, Goa (Índia) e das Flores e Jacarta (Indonésia).

De acordo com Ramos-Horta, aquelas comunidades não estão apenas “ligadas a Portugal”, mas também umas às outras, porque os “portugueses administraram os seus territórios asiáticos com um sentido de interligação”. “Laços culturais, administrativos e religiosos uniam Goa e Malaca, Flores e Sri Lanka. Durante um período, Timor chegou a ser administrado pelo Governador de Macau”, disse, explicando que a igreja também teve um papel central naquela ligação. A igreja, segundo o Presidente, trouxe a fé, mas também a “educação formal, escrita e disciplina espiritual”.

Lembrando que as comunidades descendentes de portugueses na Ásia são “frequentemente invisíveis nas narrativas nacionais” e “esquecidas pelos manuais escolares”, o Presidente salientou a importância de se juntarem para lembrar, mas [também] para reinventar”.

“Esta conferência dá-vos espaço para reflectir sobre o passado”, mas também, continuou o chefe de Estado, para uma “oportunidade de moldar o próximo capítulo da história”, que será discutido com a proposta da Declaração de Díli, que foi aprovada este domingo, e com a criação da Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia. “Esta associação será mais do que uma rede de pessoas e comunidades. É uma promessa e um compromisso: preservar, registar e capacitar. Reconhecer o valor das comunidades muitas vezes marginalizadas ou esquecidas”, disse José Ramos-Horta.

Segundo o Presidente, a Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia dará voz às comunidades lusófonas com governos e instituições internacionais, apoiará a investigação e a sustentabilidade económica, mas também ajudará a proteger as histórias e identidades dos povos.

Numa mensagem, lida pela embaixadora portuguesa em Díli, Manuela Bairos, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestou o apoio do Governo português aos objetivos da conferência, a disponibilidade para acolher um encontro em Portugal, bem como “acompanhar os esforços de institucionalização do projecto que a conferência de Díli se propõe a promover”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 26 de junho de 2025

Timor-Leste acolhe 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas em Díli

De 27 a 29 de junho de 2025, Timor-Leste vai acolher a 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC), no Centro Convenções de Díli, na capital, Díli. Este importante evento cultural regional celebra o legado duradouro da herança portuguesa em toda a Ásia.



A conferência bienal, com duração de três dias, é organizada pelo IX Governo Constitucional de Timor-Leste, em parceria com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O tema da 4.ª Conferência da APCC em 2025 é “Unidos na Diversidade: Desafios e Oportunidades de um Legado Secular”.

O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, dará as boas-vindas a Timor-Leste aos grupos que representam a Comunidade Portuguesa de Malaca (Malásia), os Burghers Portugueses de Batticaloa (Sri Lanka), os Bayingyis do Vale Mu (Mianmar), as Paróquias de Conceição, Sta. Cruz e Nossa Senhora do Rosário (Tailândia), Macau (China), Goa (Índia), os Tugu Mardijkers de Jacarta e os Larantuqueiros/Topasses da ilha das Flores (Indonésia). Esta conferência reunirá também académicos, investigadores, líderes culturais, artistas e dignitários do mundo lusófono para partilhar os resultados dos seus estudos e diversas experiências.

A APCC foi originalmente fundada em Malaca, na Malásia, em 2016, com o objetivo de reunir comunidades que mantêm a sua herança portuguesa e laços culturais em toda a região asiática. Timor-Leste foi representado pelo então Ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Xanana Gusmão, que participou como convidado de honra e aproveitou a oportunidade para desafiar os organizadores a considerarem a possibilidade de acolher uma futura edição do APCC em Díli.

O programa de três dias da 4.ª Conferência APCC inclui palestras, mesas redondas, exposições culturais, apresentações académicas e apresentações culinárias e culturais.

Um marco importante da conferência será a assinatura da Declaração de Dili, que formaliza a criação da Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia (APCA), uma nova plataforma regional dedicada à cooperação cultural, preservação do património e partilha de conhecimento.

Este importante encontro de diversos grupos com uma história comum reafirma o compromisso de Timor-Leste, enquanto único país de língua portuguesa na Ásia, em preservar as ligações a um património cultural que pode fortalecer os laços entre as nações asiáticas e as nações de língua portuguesa.

A primeira Conferência da APCC, realizada em Malaca em 2016, teve como objetivo estreitar laços, promover a língua e a cultura portuguesas e incentivar a colaboração duradoura entre as comunidades de ascendência portuguesa na Ásia. Este evento marcante reuniu delegados de países como a Austrália, a China e Timor-Leste.

O programa completo da 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC) pode ser consultado aqui. Governo de Timor-Leste