Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 9 de março de 2022

Portugal - Exposição em Beja ‘conta’ histórias de mulheres assassinadas no Brasil e em Portugal


As histórias de mulheres e de uma menina assassinadas no Brasil e em Portugal estão em foco numa exposição de fotografia e expressão artística, da brasileira Di Barros, que pode ser visitada em Beja.

A mostra, intitulada “Carvão Só, Só Carvão”, está patente na Casa da Cultura, até dia 31 deste mês, e mostra imagens de desenhos feitos com pó de café, explicou a Câmara de Beja, em comunicado.

A iniciativa é fruto de um projeto artístico conceitual de Di Barros, brasileira residente em Portugal, com “forte inspiração da música ‘Pagú’, da cantora de rock brasileira Rita Lee”.

“A proposta considera as histórias de mulheres que foram assassinadas” e está interligada com a “minha experiência pessoal neste campo de violência, onde as vítimas não sobreviveram para contar a sua história”, disse a artista, citada pelo município.

Os trabalhos abordam as mortes da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, “assassinada em 2018, com três tiros na cabeça”, e de Eliza Samudio, “assassinada aos 25 anos, em 2010”, e cujo “mandante do crime” foi um ex-futebolista, pode ler-se nas informações sobre a exposição.

Também em foco estão duas mortes ocorridas em Portugal, a da portuguesa Valentina, a “menina de nove anos assassinada no dia 06 de maio de 2020 pelo pai, na presença da madrasta”, e a da brasileira Camila Mendes, de 30 anos, “morta à facada pelo namorado” e cujo corpo, “em outubro de 2019, foi encontrado numa mala de viagem em Arruda dos Vinhos”.

Além destes casos, Di Barros também dá a conhecer, através da arte, a sua própria história, visto que, no passado, “após terminar com o namorado, teve suas fotografias íntimas divulgadas em redes sociais, como um presente pelos 31 anos”, e recebeu ameaças de morte, acabando por mudar-se com os filhos para Portugal.

Segundo a artista, o objetivo passa por “dar voz às mulheres que foram silenciadas e mostrar que os crimes cometidos contra as mulheres são transversais a todas as idades e classes sociais”.

“Não se trata aqui de uma última homenagem, mas sim de um protesto”, realçou.

Nascida na cidade brasileira de Vitória, em 1984, a artista licenciou-se em Artes Visuais, em 2012, pela Universidade Federal do Espírito Santo, frequentando, já em Portugal, o mestrado em Práticas Artísticas em Artes Visuais da Universidade de Évora. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Portugal – Busto de Beja em mármore retrata Júlio César

A cabeça em mármore que Beja guardou durante 117 anos sem saber quem tentaria retratar reúne “todas as características” que o biógrafo romano Suetónio associou a Júlio César: “rosto um pouco cheio e olhar vivo e calvo, mas para disfarçar puxava para a testa os poucos cabelos que ainda tinha”



Durante 117 anos, foi mantido num nicho do Museu Regional de Beja, afastado da observação directa e completa, um busto que tinha a seguinte inscrição: “Cabeça de mármore romana achada em Beja”. E assim permaneceu no anonimato até que, ao longo da última década, vários investigadores colocaram como hipótese de trabalho a possibilidade de se tratar de uma das raras cabeças esculpidas em mármore que existem a nível mundial contemporâneas de Júlio César, nascido no ano 100 a.C. e assassinado no ano 44 a.C.

A arqueóloga Conceição Lopes, que liderou com Jorge Alarcão uma equipa de especialistas do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade de Coimbra, confirmou ao Público que se trata de uma peça esculpida em mármore há cerca de dois mil anos, um “retrato que reúne todas as características que Suetónio (biógrafo e escritor romano) atribuiu a Júlio César”. E acrescenta que terá sido a cabeça de “uma grande estátua” exposta na então Pax Iulia.

Para alicerçar estas conclusões, para além das características físicas expressas no busto, os investigadores analisaram e interpretaram “argumentos de especialistas em arte”, associaram os resultados de uma “reanálise” de toda a escultura e os novos dados arqueológicos entretanto surgidos, explicou ao Público Ana Paula Amendoeira, directora regional de Cultura do Alentejo (DRCAlentejo), a entidade coordenadora do projecto.

A descoberta do busto agora atribuído a Júlio César foi descrita na edição de Outubro/Novembro de 1902 de “O Archeologo Português”, publicado pelo Museu Etnográfico Português. Em Dezembro de 1900, o etnólogo e arqueólogo José Leite de Vasconcellos, recebe uma carta do conservador do Museu Municipal de Beja a comunicar-lhe que, meses antes, quando decorria a demolição de parte da muralha que circunda o centro histórico da cidade alentejana para ser construído o Palácio das Repartições Públicas (edifício do antigo Governo Civil de Beja), foram encontradas “várias antiguidades romanas”. De entre os achados, “fragmentos de capitéis, frisos e fustes de colunas, restos de pedras tumulares e outras”, materiais que teriam sido reutilizados na construção da muralha, apareceu “uma cabeça de estátua de mármore”.

Em Outubro de 1901, Leite de Vasconcellos desloca-se Beja para observar os achados arqueológicos recolhidos e observar uma fotografia da cabeça de mármore, oferecida ao Museu de Beja em Fevereiro de 1900. Foi então comunicado a Leite de Vasconcellos que o busto tinha sido encontrado por um trabalhador quando procedia à recolha dos entulhos durante os trabalhos de demolição “no 2.º baluarte da 2.ª ordem de muralhas da cidade, metido na vedação das ruínas do Convento da Esperança”.

Da consulta que então fez a Salomon Reinach, especialista de estatuária greco-romana, o etnólogo conclui que a peça pertencia ao final do século I. d.C. Em 1903, e após nova deslocação a Beja, publica no “O Archeologo Português” os pormenores da cabeça de mármore que definiu com um “retrato que apresenta no lado direito do osso frontal uma cicatriz feita com instrumento cortante (provavelmente espada). (...) a orelha esquerda quase toda esmoucada. A orelha direita está esmurrada em cima, assim como o lábio inferior. A parte anterior do crânio apresenta-se calva e só a parte posterior tem cabelo, que rodeia as orelhas”.

A arqueóloga Conceição Lopes refere que os trabalhos de limpeza e análise da cabeça agora atribuída a César refutaram o argumento de que o imperador romano era calvo. “Nós verificámos que tinha cabelo ondulado. O problema é que a sua colocação num nicho não permitia observar parte da escultura”.

Nos anos 50 do século passado, o busto ainda se encontrava exposto num pedestal em gesso e em lugar bem visível até que, não se sabe quando, foi transferido para um nicho, numa ala do claustro do Museu Regional de Beja, “onde também está a designada 'Vénus de Beringel', outra escultura de grande qualidade”, refere Conceição Lopes.

A importância da peça já foi objecto de várias análises ao longo das últimas décadas. Na referência que é feita no Portal do Arqueólogo ao busto de Beja, o professor Luís Jorge Rodrigues Gonçalves referia, em 2007, que os autores que analisaram peça “são unânimes em considerar que se trata de um retrato privado”.

Leitura diferente foi apresentada pelo historiador Vasco de Souza que, nos anos 80 do século passado, fez um trabalho de síntese da escultura romana em Portugal no qual adiantava que, “na concepção geral, o busto recorda César. No entanto, a simetria das formas é já elemento do classicismo de Augusto”.

Vasco de Souza refere ainda um dado interessante: os “retratos romanos imperiais encontrados em Portugal são, na sua maioria, cabeças de encaixe elaboradas para serem inseridas numa estátua”, isto é, corpos aos quais se acrescentavam as cabeças consoante o imperador que estivesse no poder.

Outro dado importante veio reforçar a intervenção dos investigadores em relação a este busto. Em 2007, no rio Ródano, em Arles, França, foi encontrado um outro busto anunciado como a mais antiga representação conhecida de Júlio César e o único que teria sido feito com o imperador ainda vivo, excepto o Tusculum, que está no museu de Turim, realizado imediatamente antes ou logo após a sua morte. O debate que entretanto ocorreu em torno da identificação com César do busto saído do Ródano “deixou claro que não há dele nenhum retrato oficial, que nunca houve nenhuma organização para difundir a sua imagem com cânones bem definidos e standartizados, deixando aos artistas liberdade para fazerem as suas interpretações”, vincou Conceição Lopes, acrescentando ser muito difícil “procurar dois retratos exactamente iguais”.

Comparando a cabeça de Beja com a de Tusculum, “são claras as semelhanças no formato dos lábios e covas nos cantos, nas rugas profundas, no enquadramento dos olhos em sobrancelhas arqueadas, mas o retrato de Beja manifesta mais evidentes semelhanças com o de Arles, nomeadamente no formato do rosto e nariz”, descreveu a arqueóloga responsável pelo estudo do busto de Beja. As semelhanças entre os retratados de Arles e Pax Iulia “deixa aberta a possibilidade de o personagem retratado nas duas cidades romanas ser o mesmo”, admite Conceição Lopes explicando que “a hesitação do reconhecimento de César” no exemplar existente no Museu Regional de Beja se deve, em grande parte, ao facto de até há muito pouco tempo se afirmar que Pax Iulia “era uma fundação ex-nihilo do tempo do imperador Augusto (por volta de 31/27 a. C), o que tornava pouco provável um retrato de César nesta cidade romana”.

Contudo, as recentes escavações na Praça da República em Beja vieram revelar que a cidade já era “próspera e importante” no tempo de César. Os dados recolhidos reforçaram a sua importância histórica como centro político e administrativo, que lhe advinha do facto de ter sido “a única cidade de estatuto colonial fundada no Sudoeste peninsular” – um estatuto que justifica plenamente a presença de estátuas ou bustos alusivos a César, acentua Conceição Lopes.

A importância da descoberta justifica a deslocação do ministro da Cultura a Beja no próximo sábado, dia 17, para, ao meio-dia, inaugurar o novo pedestal no Museu Regional de Beja, onde passará a estar exposta a escultura que ficará identificada como sendo contemporânea de Júlio César.

A investigação que conduziu à identificação da peça arqueológica descoberta no ano 1900 foi apoiada e financiada com base num protocolo estabelecido entre a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, a DRCAlentejo, Universidades de Coimbra e de Évora e a Fundação Millennium BCP, que doou uma verba de 18 mil euros. Carlos Dias – Portugal in  "Público"

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Portugal – Mestre indiano de ioga chegou à Península Ibérica há 1700 anos

A descoberta de um esqueleto numa estranha posição em Beja intrigou os investigadores. Agora, sabe-se que a posição era de ioga e o corpo em causa de um mestre. Que chegou a Portugal há 1700 anos. A pé



Em 2007 e no decorrer de uma obra na rede de abastecimento de água à cidade de Beja surgiu, no meio de ossadas do período islâmico, um esqueleto em posição de lótus. Nove anos depois, e pela primeira vez no mundo fora da Índia, foi confirmada a descoberta de um mestre ioga, que aqui chegou vindo do Oriente a pé.



São mais as certezas que as dúvidas relativas à identificação do que resta de um indivíduo do sexo masculino, enterrado há cerca de 1700 anos, com a coluna erecta, as pernas cruzadas, os dedos do pé direito apoiados no calcanhar do pé esquerdo, em posição de lótus. Pequenas pedras talhadas com pequenos círculos estavam colocadas na cabeça, cotovelos e pernas. Era patente a intenção de acondicionar o corpo naquela posição, dentro de uma estrutura construída para esse propósito, e próximo do que poderá ter sido uma das principais vias de acesso à então cidade Pax Yulia. Foi enterrado próximo dos outros túmulos, “nas traseiras do que seria uma necrópole, salvaguardando o respeito ao espaço romano”, presume o arqueólogo Miguel Serra, que fez a descoberta classificada como “bizarra” dada a forma como o corpo fora inumado. Não tinha qualquer adereço, pormenor que patenteava despojamento.

A disposição do esqueleto era diferente das inumações dos islâmicos que encontrou depositados, a poucos metros, em contacto com a terra e com a face virada para Meca. Este tinha a cabeça virada para oeste. 

Apesar de nunca ter visto as ossadas, que se encontram depositadas na Universidade de Coimbra para a realização de estudos de ADN e do tipo de alimentação que consumia, o presidente da Confederação Portuguesa de Ioga, o grande mestre Jorge Veiga e Castro, depois de ter visionado as fotografias, o espaço de enterramento e interpretado a documentação científica produzida, não tem dúvidas: “Não se conhece em nenhuma parte do mundo, a não ser na Índia, um fenómeno de um esqueleto em posição de lótus como o de Beja”.

“A pose de enterramento era muito estranha e remetia-nos para o mundo oriental, mas sem definição”, referiu Miguel Serra, acrescentando que, no século III d.C, havia cultos orientais em Beja e identificou-se “o indivíduo como estando associado a esse movimento.”

Nesse contexto histórico, e apesar de Pax Julia se localizar no interior do sudoeste peninsular, sabe-se, desde que o arqueólogo Cláudio Torres reescreveu a história da região, que havia uma intensa ligação ao mundo mediterrânico através do rio Guadiana e pelo porto fluvial de Mértola, por onde chegavam diversas influências culturais e religiosas.

oi através dessa porta de entrada que veio até à cidade romana um mestre ioga que se lançou ao caminho, percorrendo, a pé, não se sabe por onde nem como, cerca de 8000 quilómetros “para transmitir a boa nova fora da Índia”, afirmou ao PÚBLICO Veiga e Castro. A convicção do mestre sobre esta aventura assenta não só na estrutura óssea do esqueleto, que indicia grandes caminhadas, como no hábito que existia na altura de encetar grandes peregrinações.

O certo é que este estranho indivíduo, descreve o relatório antropológico elaborado na sequência da descoberta, apresentava patologias que revelaram “que caminhava muito e de pé e era um indivíduo robusto e saudável.” Os ossos na zona de intercepção com os músculos apresentavam umas cristas, reveladoras do esforço a que foram sujeitos depois de intensas caminhadas. "Morreu aos 50 anos, tinha 1,62 metros de estatura e terá sido velado ao ar livre durante uns dias, mas não morreu em meditação”, continua o relatório.

A simetria da posição e a forma como estava colocado “só era possível de alcançar pelos grandes mestres”, sublinha o arqueólogo, que interpretou o modo como foi inumado como “um manual como fazer correctamente aquela posição.”

As dúvidas que suscitou, a forma de enterramento e o desconhecimento de situações paralelas para interpretar este indivíduo impeliram Miguel Serra a colocar a foto do inédito achado arqueológico nos blogues. “E foi então que tivemos uma surpresa, quando, em 2012 se realizou, em Beja, o Dia Internacional do Ioga”. Vários indianos que se deslocaram à cidade alentejana ficaram perplexos com o achado que não lhes deixava dúvidas: “Era um mestre de ioga”, conta Miguel Serra, realçando a insistência em se fotografar no espaço onde foi descoberto o enterramento na Rua Gomes Palma, junto ao chamado Jardim do Bacalhau.

Jorge Veiga e Castro confirmou que os "mestres da Índia ligados ao ioga e ao hinduísmo (entre eles vários professores universitários) ficaram felizes e surpreendidos com o achado de Beja”. E, através das informações que foram recolhendo, ficou reforçada "a ideia de que se trata de um mestre do ioga.” A dimensão e o significado da descoberta arqueológica não lhe deixam dúvidas. “Todos os indícios apontam nesse sentido. É inegável, as provas estão lá. Ninguém o pode esconder. É um achado histórico de grande significado”, sintetiza o presidente da Confederação Portuguesa do ioga, realçando um pormenor histórico: "Não foi só há 500 anos que houve contactos com o extremo oriente. Muito anos antes já os haveria como este personagem parece documentar.”

A partir de agora, o objectivo da Confederação Portuguesa do Ioga passa por transformar Beja “num pólo de atracção que projecte esta corrente religiosa para a Europa e o mundo inteiro”. Para alcançar esse desiderato, diz que o próximo objectivo é “expor as ossadas” na capital do Baixo Alentejo, se for possível até ao Congresso Ibérico de Ioga, que se realiza Abril, na cidade espanhola de Ávila.

Achado arqueológico descoberto “por uma unha negra”

A legislação em vigor que limita a área de protecção legal dos centros históricos revela lacunas que foram realçadas em escavações arqueológicas realizadas em 2007 e que conduziram à descoberta do esqueleto de um mestre de ioga.

Se a vala que foi aberta para a instalação da rede de águas tivesse sido deslocada cerca de três metros para além do limite dos 50 metros a contar da cintura de muralhas que delimita o Centro Histórico de Beja não se estaria a falar deste achado que foi descoberto “por uma unha negra”, refere o arqueólogo Miguel Serra.

O levantamento arqueológico apenas incidiu no espaço da vala aberta para instalar a tubagem da rede de abastecimento de água. “Ficámos sem poder saber o que está para os lados”, acrescenta. Por exemplo, concluir se o mestre ioga tinha ou não junto dele sepulturas de seguidores, observa o arqueólogo.

A área já está identificada há décadas como rica do ponto de vista arqueológico dada a profusão de ossos humanos que surgem durante as intervenções feitas numa extensão com cerca de dois hectares de área e onde têm sido descobertos diversos vestígios da época romana, islâmica, medieval e moderna.

Miguel Serra chama a atenção para a necessidade de tornar a legislação que estabelece as áreas de protecção do património mais dinâmica em função das características históricas de cada local, lembrando que a “cidade de Beja não morria nas muralhas” no século III d.C. A ocupação estendia-se para o exterior. Exemplo disso é a enorme necrópole que já existia na época romana, prosseguiu na época islâmica e continuou na época moderna, como tem ficado provado no decorrer de intervenções que têm sido efectuadas fora do centro histórico.

Durante as obras realizadas no âmbito do programa Beja Polis, entre 2003 e 2004, foi descoberta uma rede com 137 silos escavados na rocha, que terão servido para o armazenamento de cereais e também como lixeira entre os séculos XIV e XVII. Foram sacrificados à instalação de um parque de automóveis. Tem sido descoberto outro tipo de património fora da área de protecção, onde não é necessário o acompanhamento arqueológico.

A boa nova nos dias de hoje

No século III d.C, a mensagem do movimento ioga estava praticamente circunscrita a uma área do planeta. Daí a surpresa por terem sido encontrados vestígios da presença de um mestre ioga em Beja.

Hoje, o ioga é uma filosofia de vida baseada no princípio "o verdadeiro fundamentalismo é o respeito pela vida" e tem dimensão universal. E, neste contexto, destaca-se a elevação do Ioga da Índia a Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, objectivo que foi concretizado a 1 de Dezembro de 2016 e também o papel desempenhado pelo português Jorge Veiga e Castro por ter sido o proponente do Dia Internacional do Ioga.

Outra das iniciativas de Veiga e Castro, o “Dia da Luz e da Sabedoria” e da “Não Agressão”, defende que, “por 24 horas, não se derrame sangue, sob nenhuma forma" e respeite-se "a sagrada Vida que nos foi dada”, evento que ocorre no Solstício de Junho.

O também presidente das Confederações Portuguesa, Ibérica e Europeia do Ioga concentra a sua atenção na formação das crianças e jovens de todos os países do mundo, com a inclusão de o Ioga nos currículos de ensino. Nesta área, ministra cursos de formação de professores do Ioga. Carlos Dias – Portugal in "Jornal Público"

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Turismo

            Nos últimos meses, os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre dormidas por regiões Nuts II, mostram uma quebra acentuada de dormidas na região do Alentejo.

            Este grande espaço turístico é principalmente visitado por turistas nacionais, pois não tem havido uma promoção externa das vantagens de viajar pelo Alentejo. Como Portugal está em recessão e os turistas nacionais têm-se retraído nas suas deslocações, é com alguma naturalidade que verificamos uma quebra de -12,1% de dormidas no IV trimestre de 2012, de -17,0% em Janeiro e -13,6% em Fevereiro de 2013.

            Em sentido contrário está a região de Lisboa, com um aumento de dormidas de +6,6% no IV trimestre de 2012, +4,9% em Fevereiro de 2013, após uma quebra mínima de -0,8% em Janeiro passado. Para estes resultados muito têm contribuído a chegada a Lisboa, de um número crescente de navios de cruzeiro.

            Este padrão de turistas que viajam em cruzeiros, das mais diversas nacionalidades, mas com predominância do Reino Unido, não procuram praias, mas sim outros tipos de turismo, como o histórico, o cultural, o gastronómico ou simplesmente de lazer.

            Todos estes géneros de turismo nós encontramos no Alentejo, isto é, encontra quem conhece bem a região. Desde Beja a Portalegre, passando por Évora há um turismo histórico, cultural por descobrir, mas também temos o turismo ambiental, o turismo gastronómico, o turismo desportivo, sem falar do turismo recreativo.

                Outro tipo de turismo que os nossos vizinhos espanhóis já desenvolvem, a norte nas Astúrias e a sul na Andaluzia, é o turismo ferroviário. Por cá destruíram-se linhas como Beja – Moura, uma loucura, Vila Viçosa – Évora ou Évora – Reguengos de Monsaraz, outras loucuras, emparedando estações ou cedendo-as a outras instituições, ou pasme-se, criando ciclovias no lugar das linhas ferroviárias. E ainda temos outros ramais desactivados, destruídos, onde os ferros dos carris desapareceram.

            Hoje em dia está na moda falar nos cruzeiros no Douro, mas explorar melhor as viagens no rio Guadiana entre o Pomarão e Vila Real de Santo António, numa paisagem única, selvagem, que por vezes faz lembrar África, praticamente ninguém fala. Nem preciso de fazer referência ao Alqueva.

            Um dos grandes privilégios da região alentejana é precisamente podermos encontrar espaços que nos fazem transportar para outras zonas do mundo, seja África como acabei de referir, a América ou mesmo outro tipo de paisagens europeias.

 
            Se há zona onde se deve investir no turismo, é o Alentejo, mas com método. É necessário mais camas, mas em zonas urbanas, principalmente perto do aeroporto de Beja, é necessário investir na ferrovia para o turismo, mas aproveitando as novas tecnologias ecológicas, é necessário criar núcleos gastronómicos, pólos de artesanato, há todas as condições para se criarem centenas, para não dizer milhares de postos de trabalho no Alentejo, ao serviço do turismo, que tantos apregoaram mas nada fizeram. Baía da Lusofonia
Pomarão Fonte: twoartists.home.sapo.pt