Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Internacional – Está a votação a Árvore Europeia do Ano 2019

Termina a 28 de fevereiro a votação a nível mundial para eleger a Árvore Europeia do Ano de 2019 (European Tree of The Year 2019)



A Azinheira Secular do Monte Barbeiro, no Alentejo, é a árvore que representa Portugal, está neste momento, em terceiro lugar na preferência do público, e a organização em Portugal está a apelar ao voto de todos.

A votação está disponível em "TREE OF THE YEAR".

“Entramos amanhã na última semana do período de votações do concurso ‘European Tree of The Year 2019’, que termina a 28 de fevereiro. A Azinheira Secular do Monte Barbeiro, árvore que representa Portugal no concurso, ocupa o terceiro lugar com 21 610 votos”, refere um comunicado na União da Floresta Mediterrânica (UNAC), entidade organizadora do concurso a nível nacional.

Ao final da tarde de quarta-feira, 20 de fevereiro, estava em segundo lugar a Amendoeira de Snowy Hill em Pécs, Hungria, com 21 647 votos, e em primeiro lugar encontrava-se o Carvalho de Abramtsevo, da Federação Russa, com 29 197 votos.

A partir de hoje, dia 22, e até ao final das votações os resultados estarão ocultos.

Uma árvore com 150 anos

A Azinheira Secular do Monte Barbeiro tem 150 anos e está plantada em Mértola, no Alentejo.

A azinheira é uma árvore resiliente que faz parte de um sistema de produção mediterrânico único, que sustenta a economia de territórios frágeis e contribui para a biodiversidade.

“A melhor forma de perceber a grandiosidade desta Azinheira Secular é efetivamente pela sua sombra, ao nos sentarmos debaixo da sua copa que faz com que o calor abrasador do Alentejo nos pareça suportável e nos permite contemplar a vastidão da planície envolvente respirando a sua tranquilidade”, apresenta a UNAC.
A Azinheira Secular do Monte Barbeiro foi nomeada ao concurso pela Câmara Municipal de Mértola.

O concurso Árvore Europeia do Ano procura eleger a árvore com a história mais interessante. As votações decorrem entre 1 e 28 de fevereiro de 2019.

Quem votar pode selecionar sempre duas árvores. Os resultados serão anunciados na cerimónia de entrega de prémios, em Bruxelas, Bélgica, a 19 de março, onde os vencedores serão premiados. In “Mundo Português” - Portugal

sábado, 3 de novembro de 2018

Portugal – Aeroporto de Beja, a infraestrutura que os políticos de Lisboa não enxergam

Autarcas e empresários do Baixo Alentejo criticam os “milhões de euros” previstos para o possível aeroporto no Montijo e insistem no potencial da infraestrutura de Beja como complementar a Lisboa e Faro, recusando o “rótulo” de “elefante branco”



Se avançar a construção do novo aeroporto no Montijo (Setúbal), o valor do investimento previsto “é completamente despropositado, é descabido até”, disse à agência Lusa o socialista Jorge Rosa, presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).

Também o presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (NERBE/AEBAL), Filipe Pombeiro, questionou se Portugal terá “disponibilidade” para “fazer um investimento de largos milhares de milhões de euros noutro mega-aeroporto”.

“Será que não existem soluções? Acho que existem, nomeadamente o aeroporto de Beja”, defendeu à Lusa.

Os empresários alentejanos, salientou Filipe Pombeiro, nada têm “contra o Montijo”, estão é “a favor” do equipamento que “está feito em Beja” e que “tem todas as condições para servir o país”.

O aeroporto de Beja, que resulta do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11 e custou 33 milhões de euros, começou a operar a 13 de abril de 2011, quando se realizou o voo inaugural.

Desde então, apesar de aberto, tem estado praticamente vazio e sem voos e passageiros na maioria dos dias e quase só tem servido para estacionamento e manutenção de linha de aviões de algumas companhias aéreas.

Este verão, o tráfego de passageiros aumentou, graças a operações de voos “charter” associadas a pacotes de operadores turísticos.

Em julho, a infraestrutura aeroportuária alentejana foi escolhida pela empresa aérea europeia Hi Fly, que já aí detém uma base para estacionamento e manutenção de aeronaves, como “palco” da 1.ª aterragem em Portugal de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo, por ser o único aeroporto nacional com capacidade para o receber (este “gigante dos céus” continua a parar em Beja entre operações).

A construção de uma unidade de manutenção e desmantelamento de aviões da empresa Aeroneo e de um hangar da empresa portuguesa MESA para manutenção de aviões, sobretudo da Hi Fly, são alguns dos projetos que estão previstos para o aeroporto de Beja.

Autarcas e empresários da região têm reivindicado que esta infraestrutura tem de ser mais aproveitada, nomeadamente em termos de voos de passageiros, como complementar aos aeroportos de Lisboa e de Faro, que dizem estar “esgotados”.

Para o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio (PS), o aeroporto da cidade “reúne boas condições para servir de retaguarda a Lisboa” e “a qualquer aeroporto nessa zona, tal como o demonstrou este verão, através de ações promovidas por operadores turísticos”.

E ainda no que respeita a voos de passageiros, acrescentou o autarca, “a superlotação” que “já existe” no aeroporto de Faro “também pode e deve ser explorada” para rentabilizar Beja: “Pode ser um extraordinário aeroporto complementar para toda a região algarvia”.

Por isso, sublinhou, ainda que avance “um aeroporto complementar na zona de Lisboa”, como o que está previsto no Montijo, “não é por aí que Beja sairá grandemente prejudicada”, porque o equipamento da cidade "é de excelência" e, "sempre que haja superlotação a norte ou a sul, está muitíssimo bem situado para servir de complemento”.

Convicto de que o aeroporto de Beja “não será, de certeza, um elefante branco”, o autarca lembrou que a infraestrutura tem “uma potencialidade de aproveitamento e de criação de mais-valias e de emprego” que ultrapassa “o simples tráfego de passageiros”.

“O que é preciso são duas ou três empresas âncora que, depois, possam atrair outras para a região”, sustentou.

No “caminho” que o aeroporto de Beja precisa de percorrer para se afirmar, realçou o presidente do NERBE/AEBAL, subsistem ainda dois problemas.

“Ainda não houve um governo que olhasse para o aeroporto e o quisesse viabilizar” e “há o problema das acessibilidades”, assinalou Filipe Pombeiro, frisando: “Se tivermos uma boa ferrovia e uma boa rodovia, numa hora e pouco conseguimos estar em Lisboa”.

Jorge Rosa, da CIMBAL, sugeriu até que os “milhões” previstos para o Montijo deveriam ser aplicados “na melhoria das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias” à região, que “estão muito más”, o que “permitiria encurtar o tempo de distância até Lisboa”, acabando com "o argumento que é utilizado, o da distância, para não se considerar o aeroporto de Beja como complementar” ao da capital.

“Já o Alqueva não o era, como se provou, e isto também não é nenhum elefante branco. Se tivermos condições de acessibilidades, tenho a certeza de que este investimento ainda vai dar um retorno muito grande ao país”, argumentou Filipe Pombeiro. In “Sapo24” – Portugal com “Lusa”

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

França - Grupo Cantadores de Paris vai gravar álbum franco-português de cante alentejano



O grupo de cante alentejano Rancho de Cantadores de Paris vai fazer uma viagem a Serpa, de 28 de agosto a 11 de setembro, para gravar “o primeiro disco franco-português de cante alentejano”.

Em Serpa, no distrito de Beja, o grupo de sete parisienses vai “conviver com os grupos e trocar experiências e formas de cantar diferentes”, e vai fazer gravações com 17 grupos, explicou à Lusa o único português do Rancho de Cantadores de Paris, Carlos Balbino.

“Este é o primeiro CD franco-português ou luso-francês de cante alentejano, porque nós somos um grupo de Paris e eu sou o único português no grupo. Somos o primeiro grupo estrangeiro de cante alentejano que vai fazer um CD. Para nós é uma grande alegria, mas temos a noção que, para o cante alentejano, é um grande passo”, sublinhou Carlos Balbino, também ensaiador do grupo.

O objetivo é lançar o disco em 2019, com uma editora francesa, procurando ser um álbum de cante alentejano “o mais fiel possível ao cante tradicional contemporâneo”, ainda que haja “alguns grupos convidados que começam a ter já uma nova interpretação do cante alentejano”.

“No CD, tentaremos fazer a representação do cante alentejano atual. Por isso, nos convidados, haverá artistas individuais que contribuíram muito para o cante, como grupos de mulheres, homens, mistos, e de crianças, e ainda grupos instrumentais. Ou seja, o cante alentejano em todas as suas vertentes”, vincou.

As gravações vão acontecer no Musibéria, centro internacional de músicas e danças de raiz ibérica, e vai haver um repertório “muito vasto e muito heterogéneo”, em que foram escolhidas “modas que fazem parte do património de cada grupo coral, e que estão ligadas à forma de cantar de cada região”.

“Já há CD de cante alentejano, já há documentação sonora muito, muito boa. A nossa ideia é tentar fazer uma coisa diferente, unir todos os grupos de cante alentejano que nos inspiraram, e termos a nossa participação em cada moda para termos o nosso toquezinho”, descreveu.

Na prática, as músicas vão ter “partes de ‘solo’ que vão ser cantadas pelos membros dos Cantadores de Paris, e outras que vão ser cantadas pelos grupos convidados e, na parte coral, vai cantar toda a gente”.

Quanto aos sotaques estrangeiros, Carlos Balbino adiantou que quase “não se percebe que são estrangeiros”, porque “houve um grande trabalho de pronunciação” ao longo do ano, que começou com a aprendizagem das letras em português, acompanhada pela tradução em francês, e depois “eles também cantam por instinto”.

Escola de Cante Alentejano em Paris

O Rancho de Cantadores de Paris nasceu em Paris, em 2016, com a criação de uma peça de teatro, ‘La Dernière Corrida’ (‘A Última Tourada’), da companhia Rêves Lucides, na qual Carlos Balbino levou ao palco o cante alentejano e o tema dos forcados nas touradas à portuguesa.

Esta “trupe de teatro contemporâneo, pluridisciplinar”, já tinha feito um primeiro espetáculo, “L’Architecte des Rêves”, em 2013, na qual Carlos Balbino recorria ao canto polifónico russo, numa peça sobre a sociedade russa durante a construção dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Entretanto, o ator e encenador português criou, em Paris, a primeira escola de cante alentejano no estrangeiro, que ensaia numa associação do 19.° bairro da capital, L’Espace 19, e que tem alunos de diferentes nacionalidades.

O Rancho de Cantadores de Paris foi retratado no documentário ‘Os Cantadores de Paris’, do realizador Tiago Pereira, que se estreou no DocLisboa, no ano passado, e que conta com atuações improvisadas em locais emblemáticos de Paris e em Serpa.

Carlos Balbino, de 30 anos, estudou teatro na Escola Profissional de Teatro de Cascais, na Worcester College of Technology, em Worcester, na East 15 Acting School, em Londres, e na École Internationale de Théâtre de Jacques Lecoq, em Paris.

Desde 2011, o português vive na capital francesa, onde vai fazer um mestrado em etnomusicologia e uma tese sobre cante alentejano.

O cante alentejano foi classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, a 27 de novembro de 2014, graças a uma candidatura apresentada pela Câmara de Serpa e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. In “Mundo Português” - Portugal

sábado, 2 de junho de 2018

Portugal – Ainda há gente com senso

Um movimento em defesa do Alentejo considerou este sábado “um imperativo nacional” a utilização do aeroporto de Beja como alternativa à construção do novo aeroporto do Montijo, argumentando que não implica problemas ambientais nem requer um investimento de milhões



Em comunicado divulgado hoje, a comissão dinamizadora do movimento AMAlentejo afirma que o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), cuja proposta de revisão está em discussão pública até ao próximo dia 15, prevê a construção do novo aeroporto do Montijo, sem considerar o aeroporto de Beja.

No entanto, segundo o movimento, a utilização do aeroporto de Beja “como alternativa à construção de um novo aeroporto no Montijo é um imperativo nacional”.

“Por essa Europa fora, o que não falta são aeroportos a mais de uma hora de viagem da capital que servem”, pode ler-se no comunicado.

Segundo o AMAlentejo, “os problemas ambientais e a concentração demográfica da grande Área Metropolitana de Lisboa são conhecidos e não podem ser subestimados e muito menos ignorados”.

“O Aeroporto Internacional de Beja constitui a alternativa necessária” e “reúne todas as condições que um novo aeroporto na grande Área Metropolitana de Lisboa não tem, nem nunca terá”, argumenta a comissão dinamizadora.

A infraestrutura localizada em Beja, assinala o movimento, “não tem problemas ambientais, situa-se numa das zonas de mais baixa densidade demográfica do país” e “não precisa de milhões de investimentos para funcionar”.

A sua utilização, vinca o movimento, “irá criar oportunidades de emprego e contribuir para o desenvolvimento de uma zona do interior até ao presente esquecida pelo centralismo cego e asfixiante de S. Bento”.

“Os milhões que se pretendem gastar na construção de um novo aeroporto no Montijo”, para o AMAlentejo, devem antes ser “canalizados para eletrificar a linha ferroviária” entre Portalegre, Évora, Beja e Funcheira, com ligação a Faro, sendo dada “prioridade imediata para o troço Beja-Casa Branca”.

O movimento considera que “ainda é possível mobilizar verbas do Portugal 2020” de forma que sirvam “para o futuro coletivo” do Alentejo.

O AMAlentejo, que conta com adesões de mais de 80 instituições e cerca de 300 personalidades, foi criado em abril de 2015 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento económico e social do Alentejo, desenvolver ações conducentes à regionalização e apoiar, valorizar e defender o poder local.

Para Castelo de Vide, no distrito de Portalegre, está agendado o próximo congresso do movimento, nos dias 30 de junho e 01 de julho. In “Sapo 24” – Portugal

Sobre o tema “Aeroporto de Beja” poderá ler o artigo: Aeroportos

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Portugal - Ponte romana e sítios arqueológicos destruídos para plantar amendoal

Direcção Regional da Cultura do Alentejo pediu ao Ministério Público e à Direcção Geral do Património Cultural a suspensão dos trabalhos em Beja, mas a movimentação de terras prossegue.



Sucedem-se quase diariamente os alertas que dão conta da destruição de património arqueológico que está a ser sacrificado ao plantio de diversas monoculturas de olival, amendoal, vinha, eucaliptos e até pinheiros no Alentejo. Agora foi uma empresa espanhola que arrasou vários sítios arqueológicos perto de Beja para ali colocar amendoeiras. Já foram feitas queixas à justiça.

Os arqueológos contestam este tipo de práticas e queixam-se junto da tutela, mas o silêncio e a inacção tem sido a resposta que sistematicamente recebem. “Por este andar, ficarão apenas os testemunhos que se encontram nas vitrinas dos museus ou nas salas de exposição. O resto vai desaparecendo da face da Terra”, protesta o arqueólogo Miguel Serra, que ao longo dos últimos anos tem o seu centro de pesquisa nos campos da região de Beja.

As destruições de património associadas às novas culturas “não são de agora” mas as que estão a ser instaladas ao longo da última década “são muito mais agressivas”. E se fosse possível contabilizar o que já foi arrasado todos ficariam perplexos, assinala o investigador.

O caso mais recente que se conhece, entre vários que têm tido lugar, foi denunciado pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo (DRCA) junto do Ministério Público (MP) em Beja e da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). A empresa de capitais espanhóis De Prado Portugal S. A. arrasou, entre Abril e Agosto, quase duas dezenas de sítios arqueológicos, que estavam devidamente assinalados no Plano Director Municipal de Beja. Uma área com cerca de 3 mil hectares onde será plantado amendoal, situada a seis quilómetros da capital do Baixo Alentejo, mesmo junto ao IP8.

A maior parte dos sítios estava identificada como sendo dos períodos do calcolítico, Idade do Ferro, período romano, medieval e moderno, com destaque para as referências arqueológicas da presença romana. As informações facultadas ao Público referem que os trabalhos de ripagem do terreno foram executados com maquinaria pesada e envolveu a extracção de pedra (despedrega) que existia em grande quantidade no espaço intervencionado.

As operações de movimentação de terra destruíram, entre outros vestígios, uma ponte, um aqueduto e uma villa da época romana. Nos esclarecimentos que prestou ao Público, Ana Paula Amendoeira, directora Regional da Cultura do Alentejo, disse que os serviços intervieram logo que tomaram conhecimento da operação de ripagem numa parte de território de grande sensibilidade arqueológica. Os promotores do projecto agrícola foram notificados pela DGPC para pararem os trabalhos mas o pedido não foi respeitado.

Ao mesmo tempo, foi dado conhecimento à autarquia e ao Ministério Público de Beja para que fossem “suspensos de imediato os trabalhos em curso”, para que pudessem ser aplicadas “medidas cautelares de avaliação dos impactos no património arqueológico existente no local e o estabelecimento de consequentes medidas de minimização dos mesmos”.

O Público procurou obter informações junto do Ministério Público mas este apenas avançou que dera entrada no dia 31 de Agosto uma “queixa-crime” contra a empresa visada pela DRCA e que “continuavam a decorrer as investigações” sobre este caso.

No terreno intervencionado observam-se abundantes fragmentos cerâmicos e pedras trabalhadas, presumivelmente do período romano. E as intervenções no terreno prosseguem. O espaço, tal como noutros que foram lavrados e abertas valas para a colocação da tubagem do sistema de rega, são o El Dorado para indivíduos munidos de detectores de metais para a apanha de moedas antigas ou outro tipo de vestígios metálicos. Há muita gente a sonhar com novos tesouros, à semelhança do que foi descoberto em Baleizão em 2004.

Foi isso que se passou na villa romana de Represas, próximo de Beja, depois desta ter sido destruída para plantar olival, conta Miguel Serra. Centenas de moedas, sobretudo do período romano, foram recolhidas no local por indivíduos que depois negoceiam os achados.

Também o arqueólogo Monge Soares não esconde a sua indignação pelo que se está a passar, sobretudo na área de influência do Alqueva. E dá exemplos dos estragos que já presenciou por causa da plantação de olival e amendoal intensivo e superintensivo: há dois anos, na freguesia de Baleizão, tinha encontrado dois pequenos fragmentos de uma lápide e vestígios de ocupação desde o calcolítico até à idade moderna. “Caterpílares envolvidos na limpeza e tratamento do terreno para a plantação de amendoal destruíram tudo. Queixei-me à tutela que superintende o património, mas nada foi feito”.

Ainda em Baleizão, para a construção de um lagar de azeite, “destruíram um sítio do período calcolítico e uma villa romana. E continuam alegremente a destruir tudo sem qualquer critério ou preocupação de salvaguarda patrimonial”, protesta o investigador, agastado com a apatia do Ministério da Cultura.

Lembra os vultuosos encargos (cerca de 20 milhões de euros) que a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) assumiu para financiar os trabalhos de levantamento arqueológico que foram realizados no âmbito do projecto do Alqueva para a instalação da rede primária. No entanto, as “explorações agrícolas que instalam olival, amendoal, vinha etc, abrem barrancos de drenagem das águas que atingem profundidades equivalentes às que foram abertas para a instalação da rede primária de rega mas não necessitam de acompanhamento arqueológico”, observa Monge Soares, frisando que há uns anos, quando exercia funções de responsabilidades no Ministério da Cultura, “sempre que havia revolvimento de terras era necessário acompanhamento arqueológico”. Hoje, qualquer agricultor que pretenda plantar as novas monoculturas de olival, amendoal, vinha, montado, eucaliptos e pinheiros está dispensado desta exigência.

“O problema está do lado da tutela que não previne a salvaguarda do património arqueológico”, acusa o arqueólogo Rui Mataloto, admitindo que é “quase impossível plantar vinha sem destruir os achados”. Na sua opinião, “o olival é, das novas culturas, a que provoca menos impacto” porque a técnica de plantio “não implica intervenções profundas no solo” a não ser na abertura de valas para a colocação das redes de rega. “Mas sei de villas romanas profundamente afectadas pela ripagem [operação de limpar e sulcar o solo], do terreno”, acentua.

A experiência diz-lhe que é possível “conciliar o desenvolvimento económico com a defesa do património” pelo que considera “inacreditável” que “nunca se tenha acordado um protocolo que articule as acções do Ministério da Agricultura e as diversas instituições do património” de modo a acautelar as intervenções nos territórios de maior sensibilidade patrimonial.

Outra das lacunas referidas por Rui Mataloto reside na informação que não chega aos proprietários das terras, que muitas intervêm com pleno “desconhecimento” dos sítios arqueológicos que se encontram nas suas explorações. Nos últimos 15 anos as instituições que têm por função a salvaguarda do património “navegam à vista” e os problemas subsistem. Carlos Dias – Portugal in "Público"

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Observatório da China - Exposição “Cantão e a Rota Marítima da Seda”

UCCLA apoia exposição “Cantão e a Rota Marítima da Seda”



Terá lugar amanhã, dia 21 de setembro, pelas 19 horas, a inauguração da exposição “Cantão e a Rota Marítima da Seda”, no Museu de Évora - Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo (sito no Largo Conde de Vila Flor), que conta com o apoio da UCCLA. O Secretário-Geral, Vítor Ramalho, estará presente na inauguração.

A mostra é organizada pelo Observatório da China e Museu de Guangzhou, em parceria com a Câmara Municipal de Évora, Museu Frei Manuel do Cenáculo/Direção Regional de Cultura do Alentejo, e conta com o apoio da UCCLA, Embaixada da República Popular da China e Turismo do Alentejo.

Esta exposição pretende aprofundar o conhecimento e os laços culturais com a China, através da divulgação à população do Alentejo, da milenar cultura da província chinesa de Cantão, uma das mais importantes a nível cultural e económico e que teve um papel pioneiro nas relações marítimas da China com o Ocidente e o Oriente.

A exposição apresenta uma coleção de importância histórica, com peças originais, algumas delas recolhidas em escavações arqueológicas em túmulos das antigas Dinastias. Incluí, também, artefactos datados de há mais de 2000 anos e peças que ilustram as relações marítimas e comerciais de Cantão com a Europa e com Portugal.

A exposição estará patente ao público até ao dia 31 de dezembro de 2017. Horário de Verão: das 10h00 às 18h00. Horário de Inverno: das 9h30 às 17h30.

A exposição tem um custo de entrada de três euros, que permite visitar, igualmente, a exposição permanente do Museu:

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Portugal - FairFruit Portugal investe em unidade de transformação de fruta em Beja

A FairFruit Portugal, de origem suíça, vai instalar no concelho de Beja uma unidade agro-industrial de transformação de fruta – desidratação, congelação e corte – e outra de embalamento de fruta de primeira categoria para o mercado fresco. Um investimento superior a 10 milhões de euros que vai criar cerca de 35 postos de trabalho anuais e cerca de 150 postos de trabalho sazonais, numa primeira fase.

O protocolo de cedência de 10400 m2, na zona de acolhimento empresarial da Horta de São Miguel, foi assinado ontem, 27 de Abril, na Ovibeja, pelo presidente da Câmara Municipal de Beja, João Rocha, e pelo director-geral da FairFruit Portugal, João Serrano. Na cerimónia de assinatura de protocolo esteve também presente o CEO do Grupo FairFruit, Pascal Rene Felley.

Segundo fonte autárquica, está previsto que a laboração da unidade agro-industrial seja alargada a frutos de todas as épocas, através de parcerias com empresas produtoras, de modo a contornar a sazonalidade da produção.

A Câmara Municipal de Beja considera este investimento “prioritário pela criação de emprego e pelo impulso à economia local”.

No Alentejo desde 2013

A FairFruit Portugal está no Alentejo desde 2013, em Serpa, onde tem uma parceria com a Biodamasco para a produção de frutos biológicos. Em 2015, em Beja, entra no plantio de 74 hectares de cultivo integrado de damasco, nectarina e pêssego, que dará as primeiras colheitas em 2018. A empresa produz já cerca de 600 mil litros de azeite por ano.

A FairFruit Portugal foi criada com o objectivo de “harmonizar a listagem dos produtos portugueses”, assegurando a “segurança da fileira de exportação dos produtos portugueses desde os campos aos supermercados”. A filial portuguesa trabalha em colaboração com a sua associada francesa, FairFruit International, no que diz respeito à comercialização de azeite português em França.

Com sede na Suíça, o grupo centraliza todos os dados comerciais, qualidade e logística das suas filiais e novos projectos. Mas, foi na Hungria que tudo começou, em 1997, com o grupo a comercializar frutos sob a marca Balaton Fruit Ltd. Carlos Caldeira – Portugal in “Agricultura e Mar Actual”

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

UE-CPLP – Visita ao Baixo Alentejo


A União dos Exportadores da CPLP promoveu esta quarta-feira, 23 de setembro de 2015, uma série de contactos com associações empresariais e cooperativas agrícolas no distrito de Beja.

A acção incluiu também a assinatura de diversos protocolos de cooperação, contando com a participação do presidente da União dos Exportadores da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Mário Costa.

A visita de trabalho começou às 10h00 na Vidigueira, com uma reunião com o presidente da autarquia local e com vários empresários ligados ao sector exportador (vinho, azeite e doces).

Às 11h30 a comitiva visitou a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, onde foi assinado o primeiro protocolo de cooperação.

Seguiu-se, pelas 13h00, um almoço em Beja com empresários e depois a assinatura de mais um protocolo de cooperação, desta feita com a ACOS – Agricultores do Sul.

A iniciativa prosseguiu durante a tarde na Margem Esquerda, com a visita e assinatura de protocolo de cooperação com a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (16h00) e uma reunião na Caixa de Crédito Agrícola Guadiana Interior, em Moura, com empresários do sector exportador e com a direcção da instituição (17h00).

Este evento foi dinamizado pelo Núcleo do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral da UE-CPLP. UE-CPLP

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Portugal – Produção de framboesa e outros frutos vermelhos

A produção na região de Odemira atingirá as 7500 toneladas em 2015. Foi a segunda fruta mais exportada em 2014.

Clima, água e logística (redes de armazenamento, transporte e distribuição) são factores decisivos para o sucesso das culturas de frutos vermelhos no litoral alentejano. A qualidade do solo não é determinante, pois as culturas são feitas em substrato (combinação de componentes para fornecer o alimento às plantas).

O destaque vai para a framboesa, embora o mirtilo esteja a posicionar-se como a produção que se segue na preferência dos consumidores. O morango já deixou de ser a cultura de eleição no litoral alentejano e a amora aguarda por melhor oportunidade.

Em 2014 foram produzidas na região de Odemira 6000 toneladas de frutos vermelhos e cerca de 5100 eram framboesas. Para 2015 estima-se que a produção deste fruto atinja as 7500 toneladas, destinadas em cerca de 90% à exportação.

Arnoldo Heeren, director de operações em Portugal do líder mundial dos frutos vermelhos, a empresa americana Driscoll’s, disse ao PÚBLICO que o “clima ameno, entre Sines e Lagos, e abundância de água de grande qualidade” foram os factores que determinaram o investimento numa região que qualifica como a “Califórnia da Europa” e onde já se produz 40% da totalidade de framboesas da Driscoll’s. Contudo, afirma, o mirtilo apresenta-se como a baga com mais potencialidades de crescimento, por oferecer benefícios para a saúde superiores às amoras, framboesas e morangos.

A empresa americana, com várias unidades de produção na zona, é uma das accionistas da Lusomorango, uma sociedade anónima presidida por Arnoldo Heeren, que funciona como “organização de produtores” de bagas no litoral alentejano, nos termos da legislação europeia. De acordo com o seu vice-presidente, Gonçalo Santos Andrade, a facturação da sociedade passou de cinco milhões de euros em 2005, ano em que foi constituída, para 36,8 milhões em 2014.

Santos Andrade realça o peso crescente do sector das frutas, legumes e flores na economia portuguesa, com um volume de vendas que ascende aos 2,3 mil milhões de euros, dos quais 1,1 mil milhões (48%) são para exportação.

Odemira “é uma zona estratégica para os pequenos frutos”, assinala o vice-presidente da empresa, frisando que as explorações concentradas no concelho representam 90% da produção de framboesa nacional. Segundo o empresário, este fruto é já “o segundo mais exportado de Portugal”, com vendas de 64 milhões de euros. A pera rocha mantém a dianteira, com 88 milhões de euros. Neste momento, a quase totalidade da produção de frutos vermelhos ocupa uma área com cerca de 1100 hectares, concentrados no Perímetro de Rega do Mira. Gil Oliveira, que tem ao seu serviço 340 trabalhadores e gere várias explorações com uma área de 70 hectares, descreveu ao PÚBLICO o sucesso da sua actividade depois de ter enveredado pela produção de framboesa há nove anos.

“Sou o maior produtor português deste fruto e detenho o recorde mundial, com 24 toneladas por hectare”. Veio do Canadá para produzir morangos, depois batata-doce e milho. “Dentro de três anos terei 90 hectares” a produzir não só framboesa, mas também mirtilo. “A Driscoll’s [que escoa a produção] quer que plante 80 hectares de mirtilo, mas vou fazer apenas oito, para continuar a manter qualidade A, que significa fruta perfeita.” Gil Oliveira diz ter facturado 4,7 milhões em 2014 e que em 2015 espera chegar aos 6,8 milhões.

O sector dos pequenos frutos vermelhos é uma actividade muito dependente de mão-de-obra. Necessita de cerca de 12 pessoas por hectare. Na sua maioria são búlgaros, mas também se encontram tailandeses, vietnamitas, nepaleses, romenos, brasileiros e naturais do Bangladesh. “Portugueses não conseguimos arranjar, sobretudo mulheres”, refere Gil Oliveira, associando este facto à necessidade de trabalhar aos fins-desemana. “Ainda não consegui encontrar um meio para desligar o amadurecimento das framboesas”, ironiza, garantido que, se não fizesse colheita ao sábado e ao domingo, perderia muitas toneladas de fruta.

A média da apanha ronda os 4,5 quilos por hora e por pessoa. O empresário adianta que as mulheres búlgaras conseguem recolher entre 6 e 7 quilos, obtendo um salário mensal de “900 a 1000 euros limpos”. Gil Oliveira explica que os salários variam com a quantidade colhida e exemplifica com uma mulher que trabalha consigo há nove anos: apanha uma média de oito quilos por hora e recebe cerca de 1400 euros. “Nas portuguesas, em geral, a média é mais fraca”, sublinha, confirmando que a mão-de-obra é o principal problema do sector. “Contratamos toda a gente que nos aparece e damos formação na apanha e montagem de estufas.” Arnoldo Heeren acrescenta que a actividade dura o ano inteiro, com algumas oscilações, permitindo a manutenção das pessoas e maior estabilidade na mão-de-obra. “Temos de fazer controlo sobre as horas extraordinárias, senão eles trabalham sem descanso”, argumenta o director de operações da Driscoll’s. Gil Oliveira, por seu lado, nota que “mais de metade do rendimento do sector vai para salários”.

Sobre as condições de alojamento dos trabalhadores estrangeiros, assunto que sistematicamente é apontado como um grave problema na região, Arnoldo Heeren garante que procura evitar “as situações degradantes e as mafias”, fazendo, contudo, uma ressalva: “O problema passa pela impossibilidade de controlarmos os nossos produtores” (de quem recebem os frutos). Carlos Dias – Portugal in "Público"

terça-feira, 31 de março de 2015

Portugal - Abutre-preto voltou a nidificar no Alentejo 40 anos depois

Maior ave de rapina da Europa ocupou dois ninhos artificiais instalados pela Liga para a Protecção da Natureza há três anos, em Moura.

Dois casais de abutre-preto, espécie criticamente em perigo de extinção, estão a nidificar numa herdade em Moura. A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) acredita que este pode ser o primeiro passo para o regresso de um núcleo reprodutor ao Alentejo, onde a espécie já não se reproduz há mais de 40 anos.

Os dois casais estão a utilizar ninhos artificiais instalados há três anos pela LPN, responsável pelo projecto LIFE Habitat Lince-Abutre, concluído em Setembro de 2014. A equipa instalou 12 grandes ninhos, em estruturas compostas por varas metálicas com um cesto na ponta, na Herdade da Contenda, propriedade da Câmara de Moura com 5300 hectares, na fronteira com Espanha.

Recentemente foi possível “confirmar a presença de um exemplar desta espécie em incubação num destes ninhos e a deposição de material de revestimento noutro, correspondendo assim ao início do desejado restabelecimento de uma colónia reprodutora no Alentejo”, informa a LPN em comunicado.

Durante mais de 40 anos, o abutre-preto (Aegypius monachus), que é a maior ave de rapina da Europa, não fez ninho em Portugal. Há cerca de 20 anos houve uma tentativa de nidificação falhada, também na Herdade da Contenda. Por isso, a ocupação destes ninhos artificiais representa “um importante marco na conservação do abutre-preto em território nacional”, escreve a LPN.

A espécie, em risco de extinção, regressou como reprodutora a Portugal em 2010 na região do Tejo Internacional, onde continuam a nidificar 12 casais. Um casal está também a fazer ninho no Douro Internacional. Em todo o mundo, a Birdlife International estima que existam cerca de 10.000 casais, dos quais 1900 estão na Europa.

Além da instalação de cerca de 30 ninhos artificiais em Moura, Mourão, Barrancos e Vale do Guadiana, a LPN criou também uma rede de campos de alimentação para aves necrófagas naquela zona, dirigida ao abutre-preto. O projecto LIFE, que representou um investimento de 2.250.000 euros, incluiu também a aplicação de um conjunto de medidas para a conservação do lince-ibérico e dos habitats destas duas espécies, incluindo a sensibilização e o envolvimento das comunidades local.

Durante os próximos meses a LPN continuará a fazer a monitorização dos ninhos ocupados pelo abutre-preto, em colaboração com a Herdade da Contenda, “tendo permanentemente em atenção a necessária compatibilização com as restantes actividades em curso na propriedade, como sejam a caça, a silvicultura, o ecoturismo ou o usufruto pelas comunidades locais”.

O envenenamento é uma das principais causas de morte desta ave – ainda nesta segunda-feira a associação ambientalista Quercus denunciou a morte de um abutre-preto por envenenamento, na zona de Vila Velha de Ródão.

O ambientalista explicou que a ave recolhida pelo Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) ainda deu entrada no Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens (CERAS) de Castelo Branco com vida, mas acabou por morrer. "Nesta época do ano, com o fim da época de caça, ficam centenas de animais abandonados na região [cães], que com fome podem atacar os rebanhos e até pessoas. Muitas vezes, os criadores de gado e caçadores colocam venenos para matar estes animais abandonados, que acabam por morrer e provocar outras vítimas, como aves e mamíferos selvagens", adiantou à Lusa, sublinhando que o envenenamento é crime. Marisa Soares – Portugal in “Jornal Público

sábado, 24 de janeiro de 2015

Portugal - Universidade de Berkeley estudou Alqueva durante uma semana

Uma turma de 18 alunos doutorandos da Universidade de Berkeley, na Califórnia, esteve durante toda a semana passada no Alentejo a estudar a sustentabilidade ambiental de Alqueva.




O professor Mathias Kondolf, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, esteve durante toda a semana passada no Alentejo, Janeiro de 2015, com 18 dos seus alunos, para estudar em pormenor o exemplo de sustentabilidade ambiental do projeto de regadio de Alqueva.


Kondolf, um dos mais conceituados professores norte-americanos de arquitetura paisagista e planeamento ambiental, escolheu Alqueva como caso de estudo a nível europeu para os seus alunos (alguns de mestrado outros na fase de doutoramento nas áreas da sustentabilidade ambiental e paisagista).

Durante oito dias os alunos do professor Kondolf - oriundos de vários pontos do planeta - visitaram vários locais onde foram já feitas intervenções no domínio ambiental por parte da EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva. Por outro lado, tiveram também algumas sessões teóricas nas instalações da EDIA, em Beja, onde questionaram José Pedro Salema, presidente da empresa gestora de Alqueva, sobre vários aspetos relacionados com o empreendimento de fins múltiplos de Alqueva.

"Há elevadores para peixes?"

"Colocaram-me questões tão surpreendentes como, por exemplo, se tinham sido colocados dispositivos elevatórios para a passagem de peixes sempre que se defrontam com uma parede de uma das nossas barragens ou, ainda, se havia bypass de sedimentos, nas barragens, por forma a que o rio continue a fazer a sua função natural de transporte de sedimentos até à foz", recorda o presidente da EDIA.

O Gestor explicou aos alunos de Berkeley  que tipo de sistemas foram adotados para aqueles fins em várias zonas do empreendimento de Alqueva e teve ainda de pormenorizar como se processou o financiamento de todo o projeto.

Subsídios europeus surpreendem americanos

"Uma questão que os surpreendeu foi o sistema de subsidiação europeia que existe para este tipo de investimentos, sendo que, em Alqueva, foram já aplicados 2,5 mil milhões de euros só em infraestruturas", recorda José Pedro Salema. Mas, para se ter uma ideia dos montantes globais induzidos por Alqueva, importa ainda acrescentar que só para o desenvolvimento de projetos agrícolas foram canalizados 1000 milhões de euros via Proder (Programa de Desenvolvimento Rural). Da iniciativa privada, incluindo o projeto de produção de energia elétrica por parte da EDP, os montantes rondam os 500 milhões de euros. Ou seja, um total de 4 mil milhões de euros já aplicados. Mas, como faz questão de salientar o presidente da EDIA, do próximo Quadro Comunitário de Apoio estima-se que cheguem a Alqueva pelo menos mais 1000 milhões de euros até 2020. O emprego induzido por Alqueva deverá rondar os 20 mil postos de trabalho.

Os alunos do professor Kondolf estão agora de regresso a Berkeley, onde irão ter de produzir ao longo das próximas semanas trabalhos de fim de curso sobre o aprenderam no Alentejo. Vitor Andrade – Portugal in Semanário "Expresso"

sexta-feira, 7 de março de 2014

Alentejo – Rota dos Sabores

Alentejo - Rota dos Sabores convida a contactar com o saber-fazer tradicional

Dar a conhecer ao país e ao mundo o que de bom se faz no Alentejo. Este é um dos objectivos da Rota dos Sabores, impulsionada pela Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL). Os visitantes contam com um roteiro turístico em torno dos produtos qualificados da região. Oportunidade para visitar «unidades de produção contactando directamente com o saber-fazer tradicional», vinca Sónia Mendes, técnica da ADRAL.

Sónia Mendes explica que a Rota dos Sabores, criada em 2004, tem «o intuito de conferir um dinamismo diferente» aos produtos com as designações DOP - Denominação de Origem Protegida, IGP - Indicação Geográfica Protegida, ETG - Especialidade Tradicional Garantida, Modo de Produção Biológico e Protecção Integrada e «potenciar a capacidade competitiva dos produtores».

Foto: ADRAL
A responsável da ADRAL realça que a iniciativa pretende a «valorização dos produtos de qualidade com nome protegido», criando, assim, «uma alternativa de promoção destes produtos».

Centrada na promoção da competitividade deste sector e dos agentes locais, a implementação da Rota dos Sabores «possibilitou a constituição de uma rede de produtores e seus agrupamentos e a sua capacitação em diferentes áreas, nomeadamente a formação, consultoria e apoio técnico à elaboração de Planos de Acção para a melhoria da produtividade e competitividade das empresas aderentes» à iniciativa.

Grosso modo, para os visitantes, a rota proporciona visitas a diversas unidades de produção, podendo os turistas contactar directamente com diversos produtos tradicionais e conhecerem as suas características específicas.

Produtos que sustentam a sua existência num «saber-fazer» tradicional, de saberes ancestrais, e que «preservam as condições ambientais naturais e respeitam os ecossistemas e a biodiversidade», acrescenta Sónia Mendes.

«Daí a importância de preservá-los, promovê-los e valorizá-los, com o objectivo de fomentar não só a oferta turística bem como a preservação da identidade cultural», sustenta a técnica.

Sónia Mendes refere que a rota se assume como «um projecto importante para a região do Alentejo, na medida em que os produtos tradicionais de qualidade são indiscutivelmente umas das grandes potencialidades da região, constituindo-se enquanto elemento de valorização do território».

E acrescenta: «a aposta nos produtos tradicionais de qualidade justifica-se uma vez que o Alentejo é, por excelência, a região agrária do país que apresenta maior número de produtos com nome protegido reconhecidos e efectivamente comercializados, especialmente no norte alentejano».

Desde que foi criada (em 2004), a Rota dos Sabores tem desenvolvido algumas acções «junto dos empresários e agentes a operar na produção, transformação e comercialização de produtos tradicionais».

Entre elas, destaca-se a realização, em parceria com a Associação Qualifica, de um estudo de detecção de necessidades e diagnóstico no âmbito dos produtos tradicionais de qualidade da Região Alentejo; organização de ciclos temáticos (workshops para debate, reflexão e transferência de conhecimentos dentro da temática dos produtos qualificados).

Mas também eventos e missões empresariais, com a presença das empresas aderentes à Rota em eventos e feiras relacionados com a temática no sentido de promoverem e divulgarem os seus produtos.

De acordo com a ADRAL, o território abrangido pela Rota dos Sabores inclui todos os concelhos do distrito de Portalegre e oito no distrito de Évora (Reguengos de Monsaraz, Mourão, Alandroal, Redondo, Borba, Évora, Vila Viçosa e Estremoz).

Existem placas que indicam os caminhos da rota, circuitos e itinerários turísticos e gastronómicos, que reencaminham igualmente o visitante para os postos de turismo de cada município da Rota e para os agrupamentos de produtores envolvidos na iniciativa (o Agrupamento de Produtores Agrícolas e Florestais do Norte Alentejano - APAFNA e o Agrupamento de Produtores Pecuários no Norte Alentejano - NATUR-AL-CARNES).

Foram criados nove quiosques multimédia, colocados nos postos de turismo nos municípios aderentes à Rota dos Sabores, através dos quais o visitante pode informação disponível e realizar a marcação das visitas aos produtores.

Foto: ADRAL
Também os produtores possuem placas que indicam a adesão a esta rota.

Entre os produtos abrangidos encontram-se a carne mertolenga, a carne de porco de raça alentejana, o queijo de Nisa, azeites do norte alentejano, o mel ou o borrego.

Actualmente, a Rota dos Sabores conta com três dezenas de produtores, correspondendo estes a dez tipos de produtos qualificados diferentes: Ameixa d’Elvas, Azeite do Norte Alentejano, Azeitona de Elvas e Campo Maior, Carnalentejana, Frutas Confitadas, Maçã de Portalegre, Queijo de Nisa, Salsicharia de Estremoz e Borba, Salsicharia de Portalegre e Queijo Biológico.

O projecto Rota dos Sabores é promovido pela ADRAL, contando com o apoio de diversas câmaras alentejanas, agrupamento de produtores e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), através de financiamento no âmbito do PRAI-Alentejo - Programa Regional das Acções Inovadoras da Região Alentejo. Ana Clara – Portugal in “Café Portugal”

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Windsurf no Alentejo Interior

As águas do Alqueva serão o palco da primeira etapa do Campeonato Europeu de Windsurf, que se realiza a partir do dia 01 de Março de 2014, no Centro Náutico de Monsaraz.

O “2014 Formula Windsurfing European Cup Series” tem início na bacia hidrográfica do Guadiana, o maior lago artificial da Europa Ocidental, depois do encerramento das comportas da barragem do Alqueva em 2002, criando uma albufeira, à cota máxima, de 250 Km2.

Depois de Portugal, o campeonato continua na Lituânia, Alemanha, Finlândia, Estónia, Itália, Polónia, Letónia, Croácia, terminando em Setembro, novamente em águas italianas. Baía da Lusofonia  

terça-feira, 14 de maio de 2013

Olaria

Realiza-se entre os próximos dias 16 e 19 de Maio de 2013 em São Pedro do Corval, concelho de Reguengos de Monsaraz, a 19ª FIOBAR, Festa Ibérica da Olaria e do Barro.

Organizado pelo Município alentejano de Reguengos de Monsaraz, Ayuntamiento de Salvatierra de los Barros e Junta de Freguesia de Corval, com o apoio do IEFP, a Festa Ibérica da Olaria e do Barro acontece alternadamente em cado lado da fronteira e tem como finalidade fazer a promoção cultural e turística dos dois principais centros ibéricos de olaria.

Através de exposições, demonstrações, jornadas ibéricas e música tradicional, os visitantes terão oportunidade de percorrer as olarias, experimentar a arte de moldar e pintar o barro, ao mesmo tempo conhecer a gastronomia regional e toda a actividade artesanal do concelho, neste evento que é a maior homenagem à olaria ibérica.

Nesta edição da Festa Ibérica da Olaria e do Barro vão participar 45 olarias de Portugal e 10 de Espanha, entre as quais 16 de S. Pedro do Corval e nove de Salvatierra de los Barros, localidade da extremadura espanhola. Oriundos de Portugal vão estar também presentes oleiros e ceramistas de norte a sul do país, de localidades como Barcelos, Belas, Beringel, Ramada, Braga, Campinho, Coruche, Estremoz, Évora, Évora de Alcobaça, Foz do Arelho, Lagoa, Loures, Lisboa, Mafra, Montemor-o-Novo, Mourão, Ovar, Póvoa de Santo Adrião, Queluz, Reguengos de Monsaraz, Redondo, Setúbal, Samora Correia, Torres Vedras e Vila Nova de Santo André. De Espanha haverá ainda oleiros de Barbaño.

O programa da Festa Ibérica da Olaria e do Barro inicia-se na quinta-feira, dia 16 de maio. A cerimónia oficial de abertura do certame realiza-se pelas 18h, no jardim público de S. Pedro do Corval, com animação de rua a cargo do grupo Bomkaigaita. O segundo dia do evento, 17 de maio, é marcado pela organização das Jornadas Ibéricas de Olaria e Cerâmica, subjacentes ao tema “A comercialização e as estratégias de mercado”, com início marcado para as 9h30. À tarde pode-se assistir ao lançamento do catálogo

 “A Arte das Mãos”, que visa promover e comercializar as peças das olarias de São Pedro do Corval e de Salvatierra de Barros. Pelas 18h30 será apresentado o livro “Mãos que criam”, de Antónia Fialho Conde. O Pavilhão da Olaria e do Barro está aberto diariamente entre as 10h e as 24h (no último dia encerra às 23h30). O certame conta ainda com diversos espetáculos musicais.

A Festa Ibérica da Olaria e do Barro surgiu em 1995 na sequência de um protocolo estabelecido entre o Município de Reguengos de Monsaraz e o Ayuntamiento de Salvatierra de los Barros. Em cada edição do certame participam muitas dezenas de olarias de Portugal e de Espanha, num verdadeiro encontro ibérico de povos, de culturas e de cooperação transfronteiriça.

O Centro Oleiro de S. Pedro do Corval é considerado o maior de Portugal com 22 olarias em atividade que continuam a pintar os motivos típicos do Alentejo, como por exemplo o pastor, a apanha da azeitona e a vindima. A olaria de S. Pedro do Corval data a sua existência, ao menos, do período da dominação árabe, conforme o atesta o teor do Foral Afonsino outorgado a Monsaraz em 1276, mas também a linguagem e a terminologia muito próprias ainda em uso.

Em S. Pedro do Corval podem ser encontradas as mais belas e formosas peças de barro, trabalhadas por habilidosos artesãos que assim continuam uma tradição multissecular de fabrico de louça tosca, vidrada e decorativa, de extraordinário valor estético e etnográfico. Artesãos que dão provas da sua arte aproveitando os magníficos barros das herdades vizinhas, conjugando, assim, as matérias-primas que os recursos naturais ainda oferecem.

Constituindo um autêntico espelho da vida rural e dos costumes ancestrais, a olaria de S. Pedro do Corval, o seu espírito muito próprio e as suas excecionais qualidades são os genuínos responsáveis pela criação de peças de grande utilidade, efeito decorativo ímpar, impondo-se naturalmente pelo conjunto das suas tonalidades e pela beleza campestre das suas composições.

A olaria de S. Pedro do Corval é hoje uma marca registada pois o Município de Reguengos de Monsaraz registou em 2008 no Instituto Nacional da Propriedade Industrial as marcas nacionais “Olaria de São Pedro do Corval”, “Rota da Olaria”, “Rota dos Oleiros” e “Olaria”. Baía da Lusofonia com o apoio do Gabinete de Apoio e Imagem do Município de Reguengos de Monsaraz