Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 11 de março de 2025

Brasil - Dengue em Amparo: desafios

Amparo – É de se lamentar a angustiante situação que vive a população de Amparo, município com cerca de 70 mil habitantes localizado na região metropolitana de Campinas, com o aumento dos casos de dengue nas últimas semanas. Segundo dados do governo do Estado, desde janeiro, já ocorreram oito óbitos, além de outros cinco casos em investigação, dentro de um total de 2777 notificações. 

Com isso, apesar das providências tomadas pela Prefeitura, que já decretou estado de emergência na cidade, os postos de saúde, unidades de pronto atendimento e os dois hospitais locais (Anna Cintra e Beneficência Portuguesa) lotados, com corredores cheios de munícipes em busca de tratamento, que vêm sendo atendidos por funcionários estressados pela carga de trabalho.

Para piorar, há o receio de que a situação venha a se agravar ainda mais, já que, normalmente, janeiro e fevereiro são meses de grande incidência de chuvas, enquanto março e abril constituem um período de seca, o que favorece a proliferação do mosquito aedes aegypti. Levando-se em conta que, nos dois primeiros meses de 2025, já ocorreram mais casos confirmados e mortes por dengue do que o total de 2024, é de se prever que o surto epidêmico poderá alcançar magnitude jamais vista.

Obviamente, o poder municipal já anunciou que está tomando algumas providências para combater a epidemia, como vistoria casa a casa por agentes comunitários de saúde e de endemias, compra de insumos para a saúde, campanha de conscientização da população para evitar deixar locais e recipientes com água parada, limpar as calçadas e meios-fios invadidos por matagal e obrigar proprietários a promover a limpeza de quintais e terrenos baldios sob pena de pesadas multas, além da retirada de lixo atirado por moradores sem civilidade nas ruas, praças e outros locais.     

Ainda bem. Mas a verdade é que os moradores de Amparo sabem que há muito tempo já se vinha constatando desmazelo na limpeza das calçadas. ruas e avenidas, principalmente em bairros, como Jardim São Dimas, Jardim das Aves, Moreirinha, Pinheirinho, Silvestre, Jardim Brasil e outros, o que deve ter contribuído sobremaneira para o avanço da proliferação do mosquito transmissor do vírus da dengue, chikungunya e zikavirus. E que a Prefeitura tem se destacado mais pelo incremento de atividades sociais, como o Festival de Inverno, a apresentação de cantores populares, o desfile de blocos e ajuntamentos carnavalescos e a colocação na rotatória da avenida Carlos Burgos de esculturas gigantescas de aço carbono e ferro, a pretexto de incentivar o turismo, que devem ter onerado bastante o orçamento municipal.  

Enquanto isso, há anos, o Hospital Anna Cintra apresenta falhas gritantes de atendimento e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), inaugurado em 2017, implantado e gerenciado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) por meio de convênio com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, já está a merecer maiores investimentos no sentido de ampliar e aperfeiçoar o seu atendimento aos usuários.

Por tudo isso, é de se esperar que a Secretaria estadual de Saúde envide os maiores esforços para ajudar especialmente Amparo e as demais cidades da região de Campinas a superar os desafios que se apresentam com a proliferação da dengue, evitando a ampliação excessiva do número de vítimas dessa epidemia. Adelto Gonçalves - Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista e escritor, é mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). É morador de Amparo há 24 anos.


quarta-feira, 3 de abril de 2024

Brasil - Concentra 83% dos casos de dengue nas Américas

Região é foco de preocupação da Organização Pan-Americana da Saúde, pois o número de casos registados até o final de março é três vezes maior que no mesmo período do ano anterior. Factores como aumento da temperatura, o fenómeno El Niño e a rápida urbanização contribuem para a disseminação da doença


A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, alertou para o aumento de casos de dengue nas Américas. Até 26 de março deste ano, mais de 3,5 milhões de infecções e mais de mil mortes foram relatadas na região.

O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou que "isso é motivo de preocupação, pois representa três vezes mais casos do que os registados no mesmo período de 2023, um ano recorde com mais de 4,5 milhões de casos registados na região". 

Casos espalham-se de forma preocupante

A dengue está em alta em toda a América Latina e Caribe, porém, os países mais atingidos são o Brasil, com 83% dos casos, Paraguai com 5,3% e Argentina com 3,7%. Estas três nações concentram 92% dos casos e 87% das mortes.

Este aumento é atribuído à maior estação de transmissão no hemisfério sul, quando o mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, prospera devido ao clima quente e chuvoso.

No entanto, Barbosa alertou que também há “um aumento de casos em países como Barbados, Costa Rica, Guadalupe, Guatemala, Martinica e México, onde a transmissão costuma ser maior no segundo semestre".

O diretor da Opas também observou a presença do mosquito vetor e casos em novas áreas geográficas, levantando preocupações de que alguns países podem não estar preparados para enfrentar um aumento na transmissão.

Eventos climáticos extremos e urbanização

Vários factores ambientais e sociais contribuem para a disseminação da dengue, incluindo o aumento das temperaturas, eventos climáticos extremos e o fenómeno El Niño.

O rápido crescimento populacional e a urbanização não planeada também desempenham um papel crucial, pois as condições precárias de habitação e serviços inadequados de água e saneamento geram criadouros do mosquito por meio de objetos descartados que podem coletar água.

A Opas mantém uma vigilância rigorosa da dengue na região e emitiu nove alertas epidemiológicos nos últimos 12 meses, fornecendo orientações essenciais aos Estados-Membros sobre prevenção e controle da enfermidade.

A presença dos quatro sorotipos da dengue na região aumenta o risco de epidemias e formas graves da doença. A circulação simultânea de dois ou mais sorotipos de dengue foi observada em 21 países e territórios das Américas.

Letalidade estável

Barbosa enfatizou a importância de ações imediatas para prevenir e controlar a transmissão da dengue e evitar mortes, destacando que "apesar do aumento recorde de casos em 2023, a taxa de letalidade da dengue na região permaneceu abaixo de 0,05%". Ele observou que o facto "é muito encorajador, considerando os picos de casos desde então".

Esta conquista foi possível graças ao apoio da Opas aos países desde 2010 por meio de uma estratégia abrangente de controlo da dengue e de outras doenças transmitidas por mosquitos. Essa atuação inclui o fortalecimento da vigilância, do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno, e tem contribuído significativamente para salvar milhares de vidas.

O diretor da Opas pediu esforços intensificados para eliminar os criadouros do mosquito, aumentar a preparação nos serviços de saúde para o diagnóstico precoce e manejo clínico oportuno. Outro ponto destacado por ele foi o trabalho contínuo para educar a população sobre os sintomas da dengue e sobre quando procurar atendimento médico imediato.

Segundo Barbosa, "enfrentar o problema da dengue é uma tarefa de todos os sectores da sociedade". ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Brasil - Proliferação do mosquito transmissor da dengue aumenta com períodos de chuva e de calor intenso

Pedro Luiz Côrtes explica a ligação entre os fenômenos climáticos e a doença transmitida pelo mosquito “Aedes aegypti”


O aumento de casos de dengue é observado em diversas cidades do País, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, que lidera o número de infectados e mortes pela doença. Embora preocupante, o aumento de casos já era esperado com o fenômeno climático El Niño.

O professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo, conversa sobre a ligação entre o El Niño e o mosquito da dengue, e o que esperar do próximo fenômeno, La Niña.

Qual a ligação entre El Niño e a dengue?

Conforme explica o professor, a dengue é uma arbovirose, ou seja, doença transmitida por artrópodes como mosquitos e carrapatos. A proliferação desses agentes aumenta com o nível de chuva e calor, dois efeitos provocados pelo El Niño nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

“O que aconteceu, não só com El Niño como La Niña, é que os efeitos têm sido potencializados pelas mudanças climáticas. Então, os oceanos muito aquecidos acabam colocando mais energia nesse sistema oceano-atmosfera e os fenômenos acontecem com maior intensidade. Até se discutiu sobre a possibilidade de que a gente teria um ‘super El Niño’ no início do verão do ano passado”, relata o professor.

E o que é esperado com o La Niña?

Com o fim do verão no final de março, o El Niño dará lugar a outro fenômeno climático, o La Niña, que deve começar em julho, segundo o pesquisador. Com a inversão, deve ocorrer um “efeito gangorra”: o Sul e o Sudeste ficarão mais frios, enquanto o Norte e Nordeste devem registrar aumento de chuvas, que promoverá a proliferação de mosquitos.

“O Norte e Nordeste são regiões notadamente quentes, há uma tendência de maior proliferação desses casos nessas regiões. O que a gente vai ter é uma sobreposição de casos nas regiões atualmente afetadas e também um aumento dos casos no Norte e Nordeste”, afirma Côrtes.

O combate ao mosquito Aedes aegypti

Para o professor, o aumento de casos de dengue tem relação também com a falta de medidas preventivas por parte dos governos, que poderiam fazer uso de novas tecnologias para identificar criadouros do mosquito.

“Faltaram medidas preventivas por parte das Prefeituras no sentido de identificar criadouros. Nós temos imóveis que não estão ocupados e dentro desses imóveis podem existir criadouros. Então, uma inspeção com drones, por exemplo, seria possível para identificar uma casa que tem uma piscina desativada e que pode ser um grande proliferador do Aedes aegypti“, explica Côrtes. In “Jornal da Universidade de São Paulo” - Brasil


quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Brasil – Segundo a Organização Mundial de Saúde é o país com mais casos de dengue no mundo

O Brasil lidera o número de casos de dengue no mundo, com 2,9 milhões registrados em 2023, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os casos são mais da metade dos 5 milhões registrados mundialmente. A organização chamou atenção, no último dia 22, para a doença que tem se espalhado para países onde historicamente a doença não circulava.

Entre as razões para o aumento está a crise climática, que têm elevado a temperatura mundial e permitido que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti sobreviva em ambiente onde antes isso não ocorria. O fenômeno El Niño de 2023 também acentuou os efeitos do aquecimento global das temperaturas e das alterações climáticas.

Em todo o mundo a OMS relatou mais de 5 milhões de infecções por dengue e 5 mil mortes pela doença. A maior parte, 80% desses casos, o equivalente a 4,1 milhões, foram notificados nas Américas, seguidas pelo Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental. Nas Américas, o Brasil concentra o maior número de casos, seguido por Peru e México. Os dados são referentes ao período de 1º de janeiro e 11 de dezembro.

Brasil

Do total de casos constatados no Brasil, 1474, ou 0,05% do total são casos de dengue grave, também chamada de dengue hemorrágica. O país é o segundo na região com o maior número de casos mais graves, atrás apenas da Colômbia, com 1504 casos.

Países anteriormente livres de dengue, como França, Itália e Espanha, reportaram casos de infecções originadas no país – a chamada transmissão autóctone – e não no estrangeiro. O mosquito Aedes aegypti é amplamente distribuído na Europa, onde é mais conhecido como mosquito tigre.

Alterações climáticas

No Brasil, levantamento feito pela plataforma AdaptaBrasil, mostrou que as mudanças climáticas no Brasil podem levar à proliferação de vetores, como o mosquito Aedes aegypti e, em consequência, ao agravamento de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. A plataforma é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),

As projeções indicam também expansão da malária, leishmaniose tegumentar americana e leishmaniose visceral. O trabalho levou em conta as temperaturas máxima e mínima, a umidade relativa do ar e a precipitação acumulada para associar a ocorrência do vetor, que são os mosquitos transmissores das diferentes doenças em análise. A AdaptaBrasil avalia também a vulnerabilidade e a exposição da população a esses vetores.

A dengue é a infecção viral mais comum transmitida a humanos picados por mosquitos infectados. É encontrado principalmente em áreas urbanas em climas tropicais e subtropicais.

Os principais sintomas da dengue são febre alta, dor no corpo e articulações, dor atrás dos olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

Para evitar a infestação de mosquitos, o Ministério da Saúde orienta que é necessário eliminar os criadouros, mantendo os reservatórios e qualquer local que possa acumular água totalmente cobertos com telas, capas ou tampas. Medidas de proteção contra picadas também podem ajudar especialmente nas áreas de transmissão. O Aedes aegypti ataca principalmente durante o dia.

Vacina

Na quinta-feira (21), o Ministério da Saúde incorporou a vacina contra dengue ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a ministra da Saúde, Nísia Trindade, o Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal.

Conhecida como Qdenga, a vacina não será disponibilizada em larga escala em um primeiro momento, mas será focada em público e regiões prioritárias. A incorporação do imunizante foi analisada e aprovada pela Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no SUS (Conitec).

O Ministério da Saúde informou que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) trabalhará junto à Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) para definir a melhor estratégia de utilização do quantitativo disponível, como público-alvo e regiões com maior incidência da doença para aplicação das doses. A definição dessas estratégias deve ocorrer nas primeiras semanas de janeiro.

Em entrevista à Radioagência Nacional, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, enfatiza a importância da vacina para controlar a dengue no país. “A vacina, sem dúvida, junto com outras medidas, será importante instrumento para controle dessa doença”, disse.

Ele acrescenta que “a dengue é uma doença que impacta diretamente praticamente todo o território nacional, vem se expandindo em regiões onde a gente não tinha dengue e o controle do vetor do mosquito transmissor da doença têm sido insuficientes para que nos consigamos diminuir as taxas de infecção que só se alastram”.

Ministério da Saúde

Em nota, o ministério diz que está alerta e monitora constantemente o cenário da dengue no Brasil. Para apoiar estados e municípios nas ações de controle da dengue, a pasta repassou R$ 256 milhões para todo o país para reforçar o enfretamento da doença.

A pasta informa que instalou uma Sala Nacional de Arboviroses, espaço permanente para o monitoramento em tempo real dos locais com maior incidência de dengue, chikungunya e Zika para preparar o Brasil em uma eventual alta de casos nos próximos meses. Com a medida, será possível direcionar melhor as ações de vigilância.

“O momento é de intensificar os esforços e as medidas de prevenção por parte de todos para reduzir a transmissão da doença. Para evitar o agravamento dos casos, a população deve buscar o serviço de saúde mais próximo ao apresentar os primeiros sintomas”, diz o texto, que ressalta ainda que cerca de 11,7 mil profissionais de saúde foram capacitados em 2023 para manejo clínico, vigilância e controle da dengue. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Agência Brasil”

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Estados Unidos da América – Milhões de mosquitos alterados geneticamente vão ser libertados na Florida

O projeto 'Jurassic Park' pretende prevenir doenças mortais como zika e dengue

As autoridades da Florida, nos Estados Unidos, autorizaram um plano para libertar 750 milhões de mosquitos geneticamente modificados com o objetivo de evitar doenças como a zika e a dengue. O projeto 'Jurassic Park' vai ser lançado em Florida Keys já no próximo ano.

"Com todas as crises urgentes que a nossa nação e o estado da Florida enfrentam - a pandemia de covid-19, a injustiça racial, as alterações climáticas - a administração afetou dólares dos impostos e recursos governamentais para a experiência 'Jurassic Park", afirmou Jaydee Hanson, diretor de políticas do Centro Internacional de Avaliação Tecnológica e do Centro de Segurança Alimentar.

O Controlo de Mosquitos de Florida Keys considera este o projeto como um passo para controlar a reprodução de 'Aedes aegypti', uma espécie de mosquito que propaga a dengue, zika, febre amarela e outras infeções mortais.

O mosquito macho geneticamente modificado, chamado OX5034, foi alterado com um gene especial, que controlaria a sobrevivência das fêmeas com quem acasala. As fêmeas morreriam antes de crescerem o suficiente para morderem e propagarem doenças, uma vez que só se alimentam de sangue e transportam infeções, enquanto os machos se alimentam apenas de néctar. Quando os novos machos crescem, acasalam com mais fêmeas, o que reduziria a quantidade de "Aedes aegypti".

Os mosquitos, fabricados pela empresa britânica Oxitec, já foram testados anteriormente no Brasil. E estudos demonstraram uma diminuição de até 95% da população de insetos graças ao programa.

No entanto, o projeto foi criticado por alguns residentes de Florida Keys e ambientalistas que estão preocupados com o possível impacto tanto sobre os seres humanos como sobre outras espécies.

"A libertação de mosquitos geneticamente modificados irá colocar desnecessariamente em risco os residentes da Florida, o ambiente e as espécies em perigo no meio de uma pandemia", disse Dana Perls, gestora de programas alimentares e tecnológicos da Friends of the Earth, citada pela Fox News. In “Contacto” - Luxemburgo

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Brasil – Teve 70% das notificações de casos de dengue nas Américas em 2019

Os países e territórios das Américas notificaram mais de 3 milhões de casos de dengue em 2019. De acordo com a última atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, esta é a maior incidência da doença na região.

Os números superam os 2,4 milhões de notificações em 2015, quando ocorreu a maior epidemia de dengue no subcontinente. Naquele ano, a dengue matou quase 1,4 mil pessoas.



Mortalidade

O diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais de Saúde da Opas, Marcos Espinal, disse que “apesar do aumento em 2019, o intenso trabalho dos países conseguiu manter a taxa de mortalidade abaixo do esperado de 1%. Em 2019, este índice foi de 0,05%.

A Opas observou que o Brasil teve 2 241 974 casos em 2019. Este número representou 70% do total registado na região e mais da metade das mortes pela doença.

O México notificou 268 458 casos.  Nicarágua: 186 173, Colômbia: 127 553 e Honduras teve 112 708 casos.

Ano de 2020

Embora a região esteja saindo de um ano epidémico, a Opas destaca que a expectativa é que até ao final deste ano, a incidência será alta. De janeiro até agora, já foram mais de 125 mil casos de dengue incluindo 27 mortes.

De acordo com a atualização epidemiológica, Bolívia, Honduras, México e Paraguai registaram mais casos de dengue nas primeiras quatro semanas de 2020 do que no mesmo período de 2019.



Recomendações

A Opas faz um apelo às famílias, comunidades e autoridades para continuarem as medidas contra os criadouros de mosquito, fundamental para reduzir a transmissão.

O assessor regional da Opas, José Luis San Martín, diz que “a prioridade é evitar mortes.” Recomendou que a população não se automedique e consulte um profissional de saúde se tiver qualquer suspeita.

Os sintomas mais comuns são febre alta súbita, dor de cabeça e nos olhos, dores corporais generalizadas e mal-estar, entre outros.

Planos de emergência

A agência também pede aos seus Estados-membros que fortaleçam a vigilância, verifiquem planos de emergência e garantam a preparação adequada para os profissionais darem o diagnóstico rapidamente, e a fazerem o tratamento de pacientes de maneira adequada para evitar óbitos.

Em 2019, a Opas organizou a preparação de médicos e paramédicos de 39 países da região, com base nas suas diretrizes clínicas para o manuseio de pacientes com dengue. ONU News – Nações Unidas

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Brasil - Vai aplicar técnica que esteriliza mosquito da dengue em 2020

Liberação de insetos que não podem se multiplicar já foi ensaiada em várias áreas do país; Cabo Verde também revelou interesse em implementar iniciativa da Aiea, FAO e OMS



O Brasil usa a partir de 2020 mosquitos estéreis da espécie Aedes aegypt para controlar a reprodução deste agente que transmite doenças como chikungunya, dengue e zika.

O método é usado pela Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, em parceria com o Programa Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO.

Etapas

Falando à ONU News, de Viena, o entomólogo Danilo Carvalho, da Aiea, disse que depois de esterilizar os mosquitos machos com a radiação, a técnica ajuda a reduzir esses insetos. O Brasil passou pelas etapas preliminares do processo que termina com a expansão dos mosquitos sem capacidade de reproduzir.

“Esse projeto da técnica de inseto estéril tem várias fases.  Conforme se vai alcançando essas fases alcança-se um novo nível. O projeto de esterilização do mosquito no Brasil, ele passou por primeiras fases de encontrar uma população de mosquitos locais onde tem interesse de fazer a liberação, entender a dinâmica populacional na área e o interesse para liberar e a partir daí iniciar as liberações. O projeto brasileiro tem intenção de começar no próximo ano de fato as liberações.”

O Brasil registrou um surto de zika em 2015, que foi associado ao aumento de bebês nascidos com microcefalia.  O especialista contou que Cabo Verde já fez contatos com a Aiea para a utilização desta técnica.

Para controlar o nascimento de insetos são criadas grandes quantidades de mosquitos machos esterilizados em instalações especiais. Mais tarde, eles são liberados para acasalar com fêmeas que, ao não reproduzir, ajudam a baixar a população de insetos com o tempo.

Aedes aegypt

Para realizar esses testes, a Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou um guia com recomendações para os países interessados em controlar o Aedes aegypt.  A agência já deu luz verde para que a técnica seja usada em nível global.

A diretora geral adjunta de programas da OMS revelou que metade da população mundial está agora em risco de contrair dengue. Soumya Swaminathan afirmou que os esforços para travar este problema ainda não são suficientes.

A especialista destacou que é preciso ter novas abordagens. Para a cientista-chefe da OMS a nova técnica de esterilização é uma iniciativa “promissora”.

Nas últimas décadas, a incidência de dengue aumentou por causa das mudanças ambientais, da urbanização não regulamentada, do transporte, das viagens e da falta de controle de vetores.

Malária e Dengue

Casos de dengue ocorrem em vários países, principalmente no subcontinente indiano. Bangladesh enfrenta o pior surto desde a primeira epidemia registrada em 2000, destaca a OMS.

A malária, a dengue, a zika, o chikungunya e a febre amarela afetam 17% do total de pacientes de doenças infecciosas em todo o mundo. Mais de 700 mil pessoas morrem a cada ano.



A Técnica de Insetos Estéreis foi aplicada pela primeira vez pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Logo depois, as pragas de insetos que atacavam plantações e animais diminuíram nas fazendas.

O controle da mosca da fruta mediterrânea e da mosca da lagarta do Novo Mundo também são considerados casos de sucesso da técnica usada no setor agrícola em todos os continentes. “ONU News” – Nações Unidas

domingo, 15 de setembro de 2019

Brasil - Mosquitos transgênicos estão se reproduzindo

Pesquisadores esperavam que descendentes de "Aedes aegypti" geneticamente modificados morressem antes de chegar à fase adulta.

Teste na Bahia acabou, porém, criando nova geração de mosquito, que pode ser mais resistente. Uma tentativa de conter as populações do mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue, febre amarela, zika e chikungunya, pode ter fracassado no Brasil.

Aparentemente, as alterações genéticas de mosquitos transgênicos foram transferidas para a população local de insetos. Durante 27 semanas, a empresa britânica Oxitec liberou com aprovação oficial cerca de 450 mil mosquitos transgênicos machos por semana na cidade de Jacobina, na Bahia. A operação visava combater epidemias de dengue, zika e febre amarela. A mudança genética chamada OX513A foi projetada para que a primeira geração de mosquitos, F1, não alcançasse a fase adulta e, portanto, não pudesse se reproduzir.

A esperança do Ministério da Saúde era reduzir a população de mosquitos em 90%. Isso funcionou durante o teste de campo. Depois de 18 meses após o final do experimento, a população de mosquitos, porém, voltou a crescer alcançado o volume anterior ao teste.

A mudança genética dos mosquitos liberados também produziu uma proteína fluorescente que permitia distinguir a primeira geração F1 dos outros mosquitos. Pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, estudaram as alterações genéticas dos mosquitos presentes na região, respectivamente, 12 e entre 27 a 30 meses após a sua liberação.

O resultado destas análises não era o esperado. Os pesquisadores concluíram que partes da mudança genética produzida em laboratório migraram inesperadamente para a população-alvo dos mosquitos locais. Modificação genética foi passada adiante nas várias amostras, entre 10% e 60% dos mosquitos apresentaram alterações correspondentes às dos transgênicos no genoma, indicou um estudo foi publicado na terça-feira (10/09) na revista especializada Nature: Scientific Reports.

Se o teste de campo tivesse ocorrido como inicialmente previsto pelos cientistas, a modificação genética não teria passado adiante para as populações locais porque os descendentes dos transgênicos liberados originalmente não seriam capazes de se reproduzir. No entanto, já se sabia anteriormente a partir de experimentos de laboratório que uma pequena proporção, de cerca de três a quatro por cento dos descendentes de mosquitos OX513A poderia atingir a idade adulta. Os cientistas presumiam, porém, que eles seriam fracos demais para se reproduzir.

Os autores do estudo relatam ainda que os mosquitos, tanto antes quanto após o experimento, continuaram igualmente potenciais transmissores das doenças em questão. A equipe de pesquisa em torno de Jeffrey Powell, em Yale, alertou também que a nova população de mosquitos, criada a partir da liberação dos insetos transgênicos, pode ser mais resistente do que a anterior.

Segundo os pesquisadores, é importante acompanhar esses testes de campo "com um programa de observação para poder detectar mudanças inesperadas". Cientistas críticos da engenharia genética questionam os testes realizados no Brasil.

"A liberação foi realizada precipitadamente, sem que alguns pontos fossem esclarecidos", afirmou o biólogo José Maria Gusman Ferraz ao jornal Folha de S. Paulo. O laboratório de pesquisas de Munique Testbiotech também critica a Oxitec por ter iniciado os testes de campo sem estudos adequados.

"Os experimentos da empresa Oxitec levaram a uma situação em grande parte incontrolável", disse o diretor do laboratório Christoph Then. "Este incidente deverá ter consequências para o uso futuro da engenharia genética", acrescenta. O teste de campo no Brasil não utilizou o controverso método Gene Drive, que fornece aos mosquitos um gene muito assertivo, sempre dominante na reprodução. Pesquisadores que trabalham com Gene Drive em laboratórios estritamente blindados esperam que esse método erradique permanentemente as populações de mosquitos. Essa extinção, porém, seria irreversível. O método nunca foi testado em campo. Fabian Schmidt – Alemanha in “Deutsche Welle”