Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cabo Verde - Festival Internacional de Contos leva tradição oral lusófona à Cidade Velha

Cidade da Praia – A Cidade Velha acolhe de 16 a 18 de Outubro a primeira edição do Festival Internacional de Contos “Cidade Velha na solera porta ku nos gentis grandi”, com participantes de sete países lusófonos.


A primeira edição vai contar com a participação de representantes de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil, Moçambique, Angola, Timor-Leste e Portugal, num espaço de intercâmbio entre diferentes experiências e expressões culturais ligadas à oralidade.

Durante três dias, o festival reunirá contadores de histórias, animadores, mediadores de leitura, educadores, investigadores e outros participantes, num programa dedicado à valorização da tradição oral, da memória e da transmissão de saberes entre gerações.

De acordo com a organização, o programa contempla actividades em escolas e em diferentes espaços da Cidade Velha, incluindo sessões de contos, oficinas criativas, rodas de contos, encontros com a comunidade e uma conferência dedicada à tradição oral cabo-verdiana.

A iniciativa pretende ainda promover a aproximação das novas gerações às histórias e saberes transmitidos entre gerações, através de actividades de carácter educativo e cultural.

A mesma fonte indicou que a realização do festival na Cidade Velha procura reforçar o papel da antiga cidade como espaço de encontro e diálogo entre culturas, tendo a língua portuguesa, a memória e a tradição oral como elementos de ligação.

O Festival Internacional de Contos decorre de 16 a 18 de Outubro, na Cidade Velha, com actividades abertas à participação da comunidade. In “Inforpress” – Cabo Verde


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

China - Prevê concluir novo mapa geológico de Marte até final de 2028

A China quer concluir, até ao final de 2028, um mapa geológico de Marte de nova geração. O projecto vai basear-se sobretudo nos dados recolhidos pela missão Tianwen-1, com a qual a China colocou um veículo de exploração em Marte em 2021, incluindo indícios da existência de um antigo oceano no planeta há cerca de 3500 milhões de anos e de possíveis inundações de curta duração há cerca de 1600 milhões de anos


A China prevê concluir, até ao final de 2028, um mapa geológico de Marte de nova geração, com o qual pretende reconstruir o passado aquático do planeta vermelho e propor um sistema chinês de divisão do tempo geológico marciano.

Hou Zengqian, cientista-chefe da missão Tianwen-3, destinada a trazer amostras de Marte para a Terra, revelou o plano na segunda-feira, durante um simpósio, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

O projecto vai basear-se sobretudo nos dados recolhidos pela missão Tianwen-1, com a qual a China colocou um veículo de exploração (‘rover’) em Marte em 2021, incluindo indícios da existência de um antigo oceano no planeta há cerca de 3500 milhões de anos e de possíveis inundações de curta duração há cerca de 1600 milhões de anos.

Os dados serão complementados com informação recolhida por sondas dos Estados Unidos e da Agência Espacial Europeia (ESA), permitindo integrar dados obtidos em órbita e à superfície.

O projecto, cuja conclusão está prevista para o final de 2028, deverá produzir um mapa geológico de Marte à escala de 1:5 milhões, outro da zona de aterragem à escala de 1:50.000 e uma série de atlas temáticos.

Está também prevista a publicação daquele que, segundo a Xinhua, será o primeiro mapa geológico inteligente de Marte, que deverá servir ainda de modelo para a futura cartografia da Lua, de Vénus e de asteroides.

Hou afirmou ainda que o novo atlas incluirá uma proposta chinesa para a divisão das eras geológicas de Marte, com o objetivo de estabelecer um padrão cronológico marciano que possa tornar-se num “consenso internacional”.

A Tianwen-3, uma das principais etapas do programa chinês de exploração planetária, pretende tornar-se a primeira missão da história a trazer amostras de Marte para a Terra e tem como principal objetivo procurar indícios de vida no planeta vermelho.

O programa espacial chinês já realizou quatro alunagens, incluindo através das missões Chang’e, uma aterragem em Marte, com a Tianwen-1, em 2021, e duas missões de recolha e transporte para a Terra de amostras lunares, Chang’e 5 e Chang’e 6. Estas experiências “lançam as bases” para a recolha de amostras de Marte, segundo a mesma fonte.

A China construiu ainda a estação espacial Tiangong, que poderá tornar-se a única plataforma permanentemente habitada em órbita terrestre baixa após a retirada da Estação Espacial Internacional (EEI), prevista para 2032. Agência Lusa in “Ponto Final” - Macau


Guiné Equatorial - Governo irá demitir os diretores de escolas públicas que cobram mensalidades no ensino fundamental

O Ministro de Estado da Educação, Ciência, Juventude e Desporto também denunciou o elevado custo das propinas nas escolas privadas e os requisitos ilegais nas escolas públicas e privadas no início do ano letivo de 2026-2027


O Ministro de Estado da Educação, Ciência, Juventude e Desporto, Clemente Engonga Nguema Onguene, alertou que o Governo irá demitir os diretores dos centros públicos que cobram propinas no ensino pré-escolar e primário, considerando que estão a agir fora da lei e a violar o princípio da educação gratuita.

O alerta foi feito na última terça-feira, 29 de setembro, durante uma reunião com inspetores zonais e diretores de centros educacionais nacionais, públicos e privados da ilha de Bioko, realizada na Escola Pilar Buepoyo em Malabo, constituindo assim o primeiro encontro do ano letivo de 2026-2027 entre o chefe do departamento e os diretores dos centros educacionais.

Em relação ao tema central da reunião — o alto custo das mensalidades escolares —, Engonga Nguema Onguene transmitiu aos presentes a indignação do governo com as queixas das famílias que alegam não ter condições de arcar com as taxas exigidas. Além disso, enfatizou que nenhuma criança deve ficar sem acesso à educação, visto que o ensino fundamental e médio são gratuitos e obrigatórios, sendo uma prioridade do governo.

"A educação é gratuita e obrigatória. É surpreendente que as escolas públicas estejam cobrando mensalidades na pré-escola e no ensino fundamental", disse ele, antes de anunciar "medidas rigorosas" contra aqueles que se envolvem nessas práticas.

Da mesma forma, ele proibiu a expulsão de alunos por não usarem uniforme e anunciou que os fundos da Associação de Pais e Mestres (PTA) devem ser depositados em contas bancárias oficiais para evitar abusos, especificando que "esse dinheiro não pertence" aos administradores da escola.

Em relação às escolas particulares, ele denunciou o incumprimento das normas sobre preços e anunciou a prorrogação do período de matrículas até outubro do próximo ano para garantir o acesso a todas as crianças.

O Ministro de Estado também abordou a recusa de muitos professores em trabalhar em áreas periféricas, o abandono de cargos oficiais, as salas de aula superlotadas e a carga horária excessiva de aulas. Ele também exortou os professores a encararem o ensino como uma vocação, não como um negócio, e a combaterem a corrupção.

A Guiné Equatorial — lembrou ele — está a trabalhar para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Carta Africana dos Direitos da Criança. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Moçambique - Camila Massimbe lança primeiro livro na cidade de Maputo

A escritora e consultora motivacional Camila Massimbe prepara o lançamento do seu primeiro  livro, O Agir de um Vencedor, marcado para 2 de Outubro, às 17h30, no Centro Cultural Português, na cidade de Maputo.


A apresentação da obra estará a cargo do empreendedor Felizardo Massimbe. No livro, a autora convida o leitor a reflectir sobre atitudes, escolhas e a força interior necessária para enfrentar desafios e alcançar objectivos.

Com uma abordagem motivacional, O Agir de um Vencedor defende que a vitória começa na mente, fortalece-se na fé e se manifesta através das acções quotidianas. A obra procura incentivar uma mudança consciente de postura perante a vida, destacando a responsabilidade pessoal e a coragem para superar obstáculos.

Nascida a 29 de Janeiro de 1991, na Cidade de Maputo, Camila Massimbe é formada em Contabilidade e Auditoria e em Gestão de Recursos Humanos. Actua como consultora motivacional e palestrante, com foco na transformação e motivação de pessoas. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Níger - Reforça controlo sobre urânio e procura novos investimentos

O Níger está a procurar revitalizar a sua indústria de urânio e atrair novos investimentos, depois de aumentar a participação do Estado no projecto de exploração de Madaouela, localizado no norte do país.


Ao abrigo de um novo acordo de mineração, assinado na semana passada, o Estado nigerino passa a deter 40 por cento do projecto, enquanto a empresa australiana Atomic Eagle mantém os restantes 60 por cento.

O acordo surge numa altura em que as autoridades do Níger procuram assegurar uma maior participação nas receitas provenientes dos seus recursos minerais e, simultaneamente, diversificar os parceiros internacionais no sector extractivo.

Para Hoskins Philip Ross, Director-Geral da Mamico, a entrada de novos investidores constitui um sinal positivo para o futuro da indústria de urânio do país.

“É um sinal encorajador que mostra que as principais instituições internacionais continuam a avaliar as oportunidades de investimento no sector de urânio do Níger”, afirmou Ross, acrescentando que a Atomic Eagle deverá procurar investimento e financiamento internacional para o desenvolvimento do projecto de Madaouela.

A empresa australiana pretende agora acelerar os preparativos para a implementação do projecto e mobilizar o financiamento necessário para a construção. A expectativa é de que Madaouela atinja o nível de preparação para a fase de construção dentro de aproximadamente dois anos.

O movimento ocorre na sequência de um acordo separado entre a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e a Global Atomic, que prevê financiamento até 414,2 milhões de dólares para o desenvolvimento do projecto de urânio de Dasa, também localizado no Níger.

O Governo nigerino considera que o reforço da participação estatal integra uma estratégia mais ampla destinada a garantir que uma parcela maior das receitas provenientes da exploração mineira permaneça no país.

Contudo, o economista Issoufou Boubacar Kado considera prematuro falar em plena soberania económica. Segundo o analista, o actual cenário representa sobretudo um reforço do controlo nacional sobre as matérias-primas e uma maior liberdade na escolha dos parceiros.

“Não acho que possamos falar em soberania económica neste momento. O que podemos discutir é o controlo sobre as matérias-primas. Isso significa que devemos decidir com quem trabalhamos. Antes, não era assim. O Níger não podia ter um parceiro no sector de urânio ou em qualquer outro sector que não fosse a França”, afirmou.

O sector do urânio tornou-se, assim, num dos principais testes da nova abordagem do Níger à exploração dos seus recursos minerais, num contexto em que o país procura conciliar um maior controlo estatal sobre recursos estratégicos com a necessidade de capital, tecnologia e conhecimento estrangeiro para desenvolver a indústria. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 29 de setembro de 2026

Argentina - Investigada morte de centenas de baleias na Patagónia do país

Cientistas estão a investigar as causas da morte de centenas de filhotes de baleias-francas na Patagónia argentina desde Junho, dezenas dos quais foram encontrados na semana passada em praias próximas de Puerto Madryn, em Chubut, informou o especialista Mariano Coscarella à AFP.


Embora o óbito de filhotes seja comum, “particularmente nesta temporada a mortalidade tem sido bastante alta”, explicou Mariano Coscarella, investigador no Laboratório de Mamíferos Marinhos do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), em Puerto Madryn.

Segundo o especialista, os veterinários que estudam os casos suspeitam de um surto de erisipela, uma doença causada por uma bactéria que normalmente vive na pele dos cetáceos. Contudo, essa hipótese ainda precisa ser confirmada.

“Aparentemente, trata-se de uma causa natural; no entanto, os efeitos da acção humana não podem ser totalmente descartados”, afirmou Mariano Coscarella.

O governo de Chubut assinalou em comunicado que trabalha “de maneira articulada com a comunidade científica e equipas de pesquisa especializadas no levantamento dos exemplares encontrados sem vida e na análise de amostras”.

“De acordo com as informações disponíveis até ao momento, tratar-se-ia de uma bactéria comum no mar que pode causar afecção sistémica em baleotes, não havendo evidências que permitam atribuir a mortalidade registada a factores de origem antrópica”, sublinha o comunicado divulgado na última semana.

Puerto Madryn é reconhecida internacionalmente por abrigar a maior concentração reprodutiva de baleias-francas-austrais do Atlântico sudoeste. O censo de 2025 atingiu o recorde de 2110 animais, com mais de 800 filhotes nascidos na região, enquanto o levantamento deste ano contabilizou 1375 exemplares, entre eles cerca de 400 filhotes, detalhou Mariano Coscarella.

Os investigadores haviam assinalado, ao divulgar o último censo, que a diferença em relação ao ano anterior se encontrava dentro das flutuações naturais esperadas para essa população.

“Esse tipo de evento de mortalidade aguda, em geral, quando afecta a fracção de recém-nascidos em animais que têm uma longevidade tão grande como a baleia-franca, não representa um perigo para a população no médio prazo”, destacou o cientista.

No entanto, advertiu que será necessário esperar até ao fim da temporada “para compreender o fenómeno e poder tentar modelar o que vai acontecer com essa população”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


China - Marcas portuguesas juntam forças para conquistar mercado nacional de gama alta

Marcas portuguesas de mobiliário e decoração estão a apostar no design e no segmento de gama alta para crescer na China, procurando contornar a crise imobiliária através de uma presença conjunta que lhes permita ganhar escala.


Num dos principais centros de mobiliário e decoração de Xangai, candeeiros inspirados em formas orgânicas, porcelanas, cortiça, têxteis e outros produtos portugueses compõem a exposição “Not a Love Story – A Journey Through Portuguese Contemporary Design”.

A mostra, patente no Cimen Mall até 7 de Outubro, reúne 12 marcas portuguesas – Serip, Carolim, Porcel, Cockburn’s, Abyss, Habidecor, Costa Nova, Delta, Cutipol, Herdmar, Vista Alegre e Healsi –, numa iniciativa que procura apresentar de forma integrada uma oferta habitualmente dispersa por diferentes distribuidores e espaços comerciais na China.

“Queremos mostrar que existe esta quantidade e variedade”, explicou à Lusa, Huang Liu, representante na China da marca portuguesa de iluminação Serip e uma das coordenadoras da iniciativa. “Num mercado local, os produtos portugueses ainda estão bastante dispersos”, observou.

Para Luís Costa, delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Xangai, a dimensão do mercado chinês torna particularmente importante uma actuação conjunta. Explicou que a iniciativa permitiu estabelecer contactos entre as empresas portuguesas participantes e distribuidores e importadores chineses que operam no Cimen, espaço onde lojas de uma ou várias marcas funcionam como ‘showrooms’ para consumidores, designers e profissionais do sector.

Apesar da dimensão do mercado, a China tem ainda um peso reduzido nas exportações portuguesas de produtos ligados à casa e decoração. Portugal exportou 1,2 milhões de euros em mobiliário para a China no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística fornecidos à Lusa pela AICEP. Nos têxteis-lar, as vendas atingiram 1,46 milhões de euros, menos 8% do que no mesmo período de 2025, representando a China apenas 0,4% das exportações portuguesas do sector. A cutelaria registou, em sentido contrário, um forte crescimento: as exportações para a China aumentaram 468,1%, para 290 mil euros, tornando o país o nono maior cliente de Portugal nesta categoria. A exposição surge numa altura particularmente difícil para o sector chinês de mobiliário e decoração, após vários anos de crise no mercado imobiliário, que durante décadas constituiu um dos principais motores da economia do país.

Desde o pico do mercado, em 2019, os preços da habitação na China caíram cerca de 20% segundo dados oficiais, embora estimativas não oficiais apontem para uma queda próxima de 40%. A exposição das famílias chinesas ao sector é particularmente elevada: perto de 70% da riqueza dos agregados familiares está concentrada em habitação.

Para um sector dependente da compra e decoração de habitações, a mudança é particularmente relevante. Huang Liu, que trabalha com a Serip no mercado chinês desde 2011, acompanhou de perto essa transformação.

“A mudança foi muito grande”, afirmou, depois de, entre 2011 e 2019, o sector imobiliário chinês ter atravessado um período de forte expansão. A responsável mantém, no entanto, uma perspectiva optimista sobre as possibilidades para produtos portugueses que ocupem nichos específicos.

No Cimen, explicou Luís Costa, as empresas não tiveram de deslocar recursos humanos para manter a exposição e beneficiam da promoção realizada no próprio espaço, que deverá registar maior afluência durante a “Semana Dourada”. A exposição transforma os produtos numa narrativa sobre Portugal, dividida em vários espaços inspirados em Lisboa, na Madeira e no Algarve. O percurso parte da história de um casal e passa pelo encontro, casamento e início de uma vida em comum, recorrendo a paisagens, materiais e objectos portugueses para construir cada cenário. O título “Not a Love Story” joga precisamente com essa contradição: “Mostramos produtos de design, mas a história que contamos é uma história de amor”, explicou Huang.

À entrada do Cimen, candeeiros da Serip inspirados em dentes-de-leão representam sementes transportadas pelo vento e capazes de voltar a crescer noutro lugar. Para Huang, a imagem resume também a ambição da iniciativa: levar o design e os produtos portugueses “para diferentes partes do mundo”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com João Pimenta, delegado da “Lusa” em Pequim