O Níger está a procurar revitalizar a sua indústria de urânio e atrair novos investimentos, depois de aumentar a participação do Estado no projecto de exploração de Madaouela, localizado no norte do país.
Ao
abrigo de um novo acordo de mineração, assinado na semana passada, o Estado
nigerino passa a deter 40 por cento do projecto, enquanto a empresa australiana
Atomic Eagle mantém os restantes 60 por cento.
O
acordo surge numa altura em que as autoridades do Níger procuram assegurar uma
maior participação nas receitas provenientes dos seus recursos minerais e,
simultaneamente, diversificar os parceiros internacionais no sector extractivo.
Para
Hoskins Philip Ross, Director-Geral da Mamico, a entrada de novos investidores
constitui um sinal positivo para o futuro da indústria de urânio do país.
“É um
sinal encorajador que mostra que as principais instituições internacionais
continuam a avaliar as oportunidades de investimento no sector de urânio do
Níger”, afirmou Ross, acrescentando que a Atomic Eagle deverá procurar
investimento e financiamento internacional para o desenvolvimento do projecto
de Madaouela.
A
empresa australiana pretende agora acelerar os preparativos para a
implementação do projecto e mobilizar o financiamento necessário para a
construção. A expectativa é de que Madaouela atinja o nível de preparação para
a fase de construção dentro de aproximadamente dois anos.
O
movimento ocorre na sequência de um acordo separado entre a Corporação
Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e a Global
Atomic, que prevê financiamento até 414,2 milhões de dólares para o
desenvolvimento do projecto de urânio de Dasa, também localizado no Níger.
O
Governo nigerino considera que o reforço da participação estatal integra uma
estratégia mais ampla destinada a garantir que uma parcela maior das receitas
provenientes da exploração mineira permaneça no país.
Contudo,
o economista Issoufou Boubacar Kado considera prematuro falar em plena
soberania económica. Segundo o analista, o actual cenário representa sobretudo
um reforço do controlo nacional sobre as matérias-primas e uma maior liberdade
na escolha dos parceiros.
“Não
acho que possamos falar em soberania económica neste momento. O que podemos
discutir é o controlo sobre as matérias-primas. Isso significa que devemos
decidir com quem trabalhamos. Antes, não era assim. O Níger não podia ter um
parceiro no sector de urânio ou em qualquer outro sector que não fosse a
França”, afirmou.
O
sector do urânio tornou-se, assim, num dos principais testes da nova abordagem
do Níger à exploração dos seus recursos minerais, num contexto em que o país
procura conciliar um maior controlo estatal sobre recursos estratégicos com a
necessidade de capital, tecnologia e conhecimento estrangeiro para desenvolver
a indústria. In “O País” - Moçambique
