Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 3 de março de 2020

São Tomé e Príncipe - Ministro da Agricultura lança projecto de plantação de batata inglesa


São-Tomé – O ministro são-tomense da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Francisco Ramos lançou na passada semana na Roça São Nicolau, no distrito de Mezochi, o projecto de plantação de batata inglesa como forma de reduzir a importação deste produto e incentivar a produção interna.

O lançamento oficial deste projecto agrícola aconteceu na manhã de quarta-feira em São Nicolau, com assinatura de protocolo de acordo entre o ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural e a Associação dos Agricultores desta comunidade em cerimónia presidida pelo titular da pasta, Francisco Ramos.

“É uma grande alegria dar inicio a esta campanha de produção de batata inglesa em São Tomé e Príncipe e Príncipe”, disse Francisco Ramos, tendo sublinhado que “nós podemos. Somos capazes. E, de mãos dadas chegaremos o mais longe possível”.

Tendo apontado a redução da importação como um dos objectivos do projecto, Francisco Ramos revelou que a importação anual atinge cerca de 600 toneladas de batata inglesa e por vezes de baixa qualidade para consumo por alegada opção dos importadores por uma questão de lucro.

“Nós importamos anualmente por cima de 600 toneladas de batata inglesa” disse para depois sublinhar que “esta importação carece de meio financeiro porque temos de ter divisa para o efeito e, muitas vezes consumimos batata de má qualidade porque as pessoas que as vão adquirir não compram de boa qualidade porque sabem que temos pouco poder económico”.

Além de ter anunciado o arranque do projecto com três toneladas de semente de batata por intermédio de crédito aos horticultores da Roça São Nicolau, este governante assegurou também apoio técnico e seguimento logo após a sementeira.

“O Santo [Santo Tomé] nos permitiu uma terra em que podemos produzir muitas coisas. E, cada coisa no seu lugar”, disse Francisco Ramos, tendo sublinhado que “São Nicolau, zona de Monte Café, Bom Sucesso, Saudade são zonas apropriadas para o cultivo de batata inglesa”. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”

Timor-Leste – Polícia Científica de Investigacão Criminal recebeu equipamentos laboratoriais disponibilizados pela União Europeia



DÍLI – No âmbito do Projeto de Apoio à Consolidação do Estado de Direito em Timor-Leste (PACED-TL), financiado pela União Europeia (UE) e Camões, I.P, decorreu, na passada quinta-feira (27/02/2020), a cerimónia de entrega de equipamentos laboratoriais à Polícia Científica de Investigacão Criminal (PCIC), no que toca aos diversos domínios das ciências forenses, nomeadamente nas áreas de Biologia e Toxicologia.

O equipamento foi entregue pelo Embaixador de Portugal em Timor-Leste, José Pedro Machado Vieira, ao Diretor Nacional da PCIC, Vicente Fernandes e Brito e à Chefe de Laboratório da PCIC, Mónica Menezes, no edifício da PCIC, em Caicoli, Díli.

O Diretor Nacional da PCIC agradeceu, em nome da Instituição, à União Europeia o apoio concedido para reforçar a capacidade laboratorial com vista a efetuar a recolha de vestígios.

Vicente Fernandes referiu ainda que os materiais de laboratório vão permitir aos peritos nacionais efetuarem recolhas das amostras nos diferentes domínios das ciências forenses. Salientou ainda que tem ocorrido no país vários crimes, como o trafico de substâncias ílicitas.

O responsável destacou ainda a importância do apoio concedido, pois visa reforçar o trabalho laboratorial da PCIC, facto que contribuirá para uma investigação mais eficiente.

“Se qualquer investigacão não for realizada através de um teste forense, dificilmente conseguiremos apurar a verdade. Não conseguiremos descobrir quem é o autor nem a cronologia do crime, como é o caso dos crimes de homicídio e violação sexual”, afirmou Vicente Brito.

Também o Embaixador de Portugal em Timor-Leste, José Pedro Vieira, disse que o apoio faz parte do Projeto de Apoio a Consolidação do Estado de Direito Democrático nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste (PALOP-TL), oriundo da parceria entre a União Europeia, PALOP e Timor-Leste.

Salientou ainda que o projeto em causa tem por objetivo consolidar o Estado de direito democrático e a prevenção e luta contra a corrupção, o crime organizado, o branqueamento de capitais e o crime de tráfico de droga.

Recorde-se que a UE tem prestado apoio a PCIC desde 2015, nomeadamente na dinamização de ações de formação destinadas aos investigadores e peritos timorenses. Nelson de Sousa – Timor-Leste in “Tatoli”

Moçambique - Recuperação de algas marinhas pode beneficiar comunidades locais

A Universidade Eduardo Mondlane está a identificar e a restaurar habitats de algas marinhas, consideradas “baterias de oxigénio para o oceano”. No noroeste da Baía de Maputo, 86% dos prados foram perdidos, o quadro coloca em risco a agricultura local, emprego e segurança alimentar



Em Moçambique, vários especialistas alertam que a pesca destrutiva de moluscos, junto com inundações e a sedimentação dos rios que desaguam na baía, estão destruindo com rapidez as algas marinhas.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revelou com base em pesquisas que só no noroeste da Baía de Maputo, 86% dos prados de algas marinhas foram perdidos. O seu desaparecimento coloca sob risco a agricultura local, o emprego e a segurança alimentar.

Soluções

Para reverter essa situação, a Universidade Eduardo Mondlane, apoiada pelo governo de Moçambique, vem identificando e restaurando habitats de algas marinhas nas baías de Inhambane e Maputo.

Como parte do projecto, as comunidades próximas a essas áreas aprenderão práticas de pesca não destrutivas e elaborarão um plano local de gestão das algas marinhas.

O Pnuma ressalta que mais algas podem beneficiar a saúde e a recreação de 60% da população moçambicana que vive ao longo da costa.

Comunidades locais

De Maputo, capital do país, Salomão Bandeira, da Universidade Eduardo Mondlane, explica que, de facto, as algas marinhas ajudam a sustentar a vida nas baías.

Contou que camarões, pepinos do mar, amêijoas e caranguejos encontrados nestes prados subaquáticos são fonte de alimento e emprego para as comunidades locais.

Ele explica que a pesca de mariscos e caranguejos nas algas marinhas significa muito para as pessoas da região. O especialista explicou que não se trata apenas de um recurso, mas sim de um modo de vida".

Bandeira acrescenta que “as algas marinhas agem como uma espécie de bateria de oxigénio para o oceano”, tornando o mar mais seguro e limpo para a pesca.

Benefícios

Com mais algas marinhas, há mais espaço para o crescimento de moluscos, o que poderia impulsionar as empresas pesqueiras locais e melhorar a segurança alimentar das comunidades.

Além disso, o turismo também pode ser beneficiado, uma vez que, cada vez mais, pessoas podem começar a visitar as baías, atraídas pela grande biodiversidade proporcionada por estas algas.

De acordo com o Pnuma, o projecto pode até ter um impacto maior. A Universidade Eduardo Mondlane espera que as lições aprendidas com suas técnicas de restauração possam ser usadas em outros países do Oceano Índico Ocidental, também combatendo a degradação das algas marinhas.

Outras vantagens ambientais deste projecto é a proteção de espécies únicas, como o dugongo, que se alimenta de algas marinhas das baías. A iniciativa ajudará na produção crescente de alimentos para esta espécie, ameaçada de extinção no Oceano Índico Ocidental.

Convenção de Nairóbi

A proposta está a ser financiada pelo Programa de Ação Estratégica para a Proteção do Oceano Índico Ocidental contra Fontes e Actividades Terrestres, projecto da Convenção de Nairóbi.

A Convenção, parte do Programa de Mares Regionais do Pnuma, serve como uma plataforma para governos, sociedade civil e sector privado actuarem juntos para a gestão e uso sustentável do ambiente marinho e costeiro do Oceano Índico Ocidental.

O projecto, financiado pelo Global Environment Facility, prioriza a redução da actividade terrestre neste ambiente, protegendo habitats críticos, melhorando a qualidade da água e fazendo a gestão dos fluxos dos rios.

ODS

A implementação bem-sucedida do projecto também ajudará Moçambique a cumprir a meta 2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, sobre gerir e proteger de forma sustentável os ecossistemas marinhos e costeiros.

Como as algas marinhas desempenham um papel crítico na saúde dos seres humanos e do meio ambiente, a sociedade civil está em campanha para que as Nações Unidas reconheçam oficialmente o dia 1º de março como o Dia Mundial das Algas Marinhas. ONU News – Nações Unidas

UCCLA - Lançamento do livro “O Visionário” de Rosabela Afonso



Uma realidade ficcionada da amizade entre um rapaz nascido no interior de Moçambique e o seu companheiro leão será retratada no livro infantojuvenil “O Visionário”, da autoria de Rosabela Afonso, que será lançado na UCCLA, no dia 7 de março, pelas 16h30.

Com a chancela da Editorial Novembro, o livro será apresentado pela jornalista Isabel Silva Costa e contará com as intervenções da escritora Rosabela Afonso e da editora Avelina Ferraz.

Sinopse:

Elias nasce e cresce numa pequena aldeia do interior de Moçambique, tem por companheiro de brincadeiras Tobias, um leão nascido no mesmo dia e hora... A vida corta-lhe o fluir dos dias felizes, quando de súbito perde a mãe e tem de se separar do seu grande amigo Tobias. A proximidade da sua casa com o rio trouxe-lhe a visita indesejada da mosca negra, cuja picada provoca a cegueira e é na sua aldeia sem médicos, nem hospital que Elias começa a perder a visão. No entanto, a vida é dádiva que vale a pena descobrir como vai acontecer e acontece de forma positiva quando encontramos no caminho quem espalha magia....

Síntese biográfica de Rosabela Afonso:

Nasceu e vive em Lisboa, Portugal. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na Universidade Nova de Lisboa. Casou cedo e tem dois filhos e quatro netos. Ingressou na RTP em 1974, onde trabalhou 30 anos, em áreas tão diversas como o Centro de Formação e a Direção de Programas. Dirigiu a Revista Grande Plano, da Casa do Pessoal da RTP, foi Regente de Emissão, Gestora de distribuição da RTP internacional (RTPi), primeiro para a Europa, depois para a Ásia e África Austral e, por fim, para os EUA, fundou e chefiou a delegação da RTP África em Moçambique. Após o seu regresso chefiou os Departamentos de Meios Operacionais e de Distribuição da RTPi. Tem a carteira profissional de jornalista nº 3946A. Em 2005 assinou um protocolo com uma televisão da China (TVS), da qual foi representante em vários países, entre os quais Portugal, para a produção de documentários. Em 2009 fundou, com uma amiga, a ACCIG - Associação Cultura, Conhecimento e Igualdade de Género, da qual foi presidente até ao final de 2014. No âmbito da mesma foram desenvolvidos Projetos designados “Mulheres na Sociedade: Empoderar para Participar”, nos distritos de Viseu e Guarda. Participou nas edições “Poiesis Vol. XVII” e “Roteiro(s) da Alma”, com poesia e contos.  É autora da Coleção Infantojuvenil “As Mulheres e a República”, composta por seis volumes dedicados a seis mulheres que tenta homenagear desta forma, são elas: Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete, Maria Veleda, Ana de Castro Osório, Angelina Vidal e Emília de Sousa Costa. Também é da sua autoria a biografia, para crianças e jovens, de Maria de Lourdes Pintasilgo, “Maria de Lourdes, Curiosa e Brilhante” e “Os Tempos de Sophia” a biografia de Sophia de Mello Breyner Andresen. “O Visionário”, este último, é um livro infantojuvenil que trata uma realidade ficcionada. É Curadora da primeira edição da SAM - Semana Arte Mulher, em Portugal. É autora do Projeto “Mangualde - Cidade das histórias”. Ana de Castro Osório, considerada a mãe da literatura infantil em Portugal, é a figura central deste projeto.

Morada:

Casa das Galeotas
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 - Belém
Comboio: Estação de Belém
Elétrico: 15E - Altinho
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

segunda-feira, 2 de março de 2020

Portugal - Utilizar os resíduos da madeira do eucalipto para o tratamento de águas residuais

Pela primeira vez, uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu floculantes naturais a partir de resíduos da madeira de eucalipto para tratamento de águas residuais.

A floculação é uma etapa essencial no tratamento tradicional de efluentes, muito utilizada nas estações de tratamento de águas residuais municipais ou industriais (ETAR), e consiste na agregação de pequenas partículas, formando flocos (aglomerados de partículas) que permitem depois a remoção de contaminantes. No entanto, atualmente, os materiais utilizados para promover a floculação, os designados floculantes, são de origem fóssil (petrolífera), os mais comuns à base de poliacrilamidas.

Além de não serem biodegradáveis, os floculantes tradicionais apresentam várias desvantagens, tornando premente a procura de abordagens ecológicas para o desenvolvimento de novos floculantes existentes na natureza, sobretudo com base em subprodutos naturais.

Considerando a quantidade de resíduos de eucalipto que é produzida anualmente, em resultado da atividade da indústria da pasta do papel no nosso país, a equipa liderada por Graça Rasteiro, do Departamento de Engenharia Química da FCTUC, decidiu apostar neste subproduto.

A investigação foi realizada no âmbito do projeto europeu ECOFLOC, na tipologia de doutoramento em ambiente empresarial europeu (Marie Curie - People), e envolveu também a Universidade de Leeds (Reino Unido) e uma empresa suíça especializada em reciclagem e tratamento de águas residuais.

A partir da transformação de materiais extraídos dos resíduos de eucalipto, os investigadores desenvolveram um conjunto de “eco-floculantes” de base celulósica com diferentes características que se ajustassem a diferentes aplicações.

«A nossa abordagem ecofriendly consistiu em purificar e modificar estes resíduos lenhocelulósicos para produzir polieletrólitos (polímeros com carga) de base natural que promovessem a floculação. Foi um processo complexo, desde logo porque a celulose não é solúvel, o que é um grande obstáculo, porque os polieletrólitos têm de ser solúveis para atuarem como floculantes. Portanto, tivemos de efetuar extrações da matéria-prima inicial que otimizámos para serem o mais brandas possível e várias modificações para que o produto final fosse solúvel», explica Graça Rasteiro.

Superado este primeiro desafio, a equipa, que teve também como investigador José Gamelas, do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF), desenvolveu uma gama alargada de floculantes naturais, biodegradáveis, apropriados para diferentes aplicações para além do tratamento de efluentes (o foco deste projeto), como, por exemplo, na indústria de cosmética ou alimentar. Os produtos obtidos foram extensivamente caracterizados quanto à sua composição química, estrutura e morfologia.

De seguida, os “eco-floculantes” foram testados com sucesso, primeiro em efluentes modelo e posteriormente em efluentes reais fornecidos por uma indústria têxtil (Rosários 4) de Mira de Aire. «Tal como pretendido, permitiram aumentar a remoção de cor e da turbidez. Comparando com o uso de poliacrilamidas comerciais, os desempenhos obtidos usando os floculantes de base natural foram tão bons ou melhores que os tradicionais. Além disso, conseguimos diminuir até 80% a carência química de oxigénio dos efluentes. Este resultado representa um grande avanço em relação aos floculantes tradicionais (de origem fóssil). Realizámos também testes em efluentes oleosos, provenientes de lagares de azeite, e os primeiros resultados são promissores. De salientar que ambos os efluentes (corantes e oleosos) são muito difíceis de tratar», descreve a coordenadora do projecto.

A carência química de oxigénio é um parâmetro que permite avaliar se o efluente tratado reúne as condições necessárias para ser reutilizado ou escoado para meios aquáticos.

Perante os bons resultados obtidos com os resíduos da madeira do eucalipto, os investigadores decidiram estender a investigação a madeira de espécies invasoras, designadamente a madeira de acácia-mimosa, no âmbito de um outro projeto, intitulado MATIS. Os floculantes desenvolvidos estão no momento a ser testados.

Apesar de ainda não ter realizado um estudo económico, a docente e investigadora da FCTUC acredita que os resultados deste projeto «podem ter impactos muito positivos, já que é uma abordagem ecológica não só para tratamento de efluentes, como também para aplicação em diferentes setores de atividade. Estes floculantes baseados em celulose mostraram ser alternativas muito promissoras aos tradicionais agentes de base petrolífera». Se a indústria assim o desejar, os “eco-floculantes” poderão entrar no mercado num período relativamente curto depois de passarem por testes à escala piloto. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

Luxemburgo - Um adido social português vai chegar para tratar das pensões em atraso


O governo português envia um representante diplomático que ficará cá a resolver os processos pendentes dos portugueses na segurança social

Hoje, dia 02 de março, deverá ser apresentado o novo adido social na embaixada e consulado portugueses, no Luxemburgo. Este representante veio de Portugal com o “objetivo principal de resolver os processos pendentes de pensões em atraso”, de que tanto se queixam os imigrantes portugueses no Luxemburgo.

O anúncio foi feito ao Contacto por Rogério Oliveira, conselheiro da Europa pelo Luxemburgo, com base na informação transmitida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva durante o encontro de dois dias Conselho Regional da Europa (CRE) das Comunidades Portuguesas.

“Espero que a presença de um adido social permita que os processos avancem com maior celeridade. Há casos de atrasos de reformas de dois e três anos, e os portugueses continuam à espera, por parte da segurança social portuguesa”, vinca Rogério de Oliveira.

Mais de 300 casos por resolver

Segundo este conselheiro ainda existem “300 e tal casos por resolver, enquanto há ano e meio havia dois mil e tal casos”. Para este português, “não deve atrasos na entrega de documentos que permitam dar início ao recebimento das pensões de reforma, invalidez ou outros subsídios” a portugueses no Luxemburgo. Até porque a cada ano “há mais portugueses aqui a tratar das suas pensões”.

Sobretudo porque estes imigrantes portugueses estarão à espera de documentos da Segurança Social portuguesa necessários para obter essas pensões, bem como abonos de família e subsídios de desemprego, e estes não chegam pelos "longos atrasos da segurança social portuguesa".

Pensão de invalidez: "3 anos de atraso"

Esta denúncia, lembra Rogério Oliveira já tinha sido feita pelos conselheiros dos emigrantes do Luxemburgo e pela Associação Raras, onde chegam os processos provenientes da Caixa Nacional Seguro de Pensão (CNAP, na sigla em francês) e da Agência para o Desenvolvimento para o Emprego (ADEM). Esta entidades luxemburguesas que enviam, em média, "20 processos por mês" para aquela associação de apoio aos imigrantes portugueses no Grão-Ducado, anunciou o Contacto em dezembro passado.

A Associação Raras possui estatísticas dos casos que ali chegam desde o início da década passada, e já denunciou ao Contacto que os processos relacionados com a pensão por invalidez têm atrasos de três anos e alguns dias (1118 dias), em média.

Os processos de pensão antecipada demoram, 611 dias, em média, enquanto os casos de pensão por velhice demora 523 dias, de acordo com o estudo feito pela Associação Raras.  Esta associação coloca as culpas pela demora à "Segurança Social portuguesa, mais precisamente o setor da Caixa Nacional de Pensões, porque tem um programa informático muito desatualizado".

Agora, Rogério de Oliveira diz-se “muito satisfeito” com esta decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas de colocar um adido social no país com esta prioridade esperando que possa interceder junto da Segurança Social para diminuir estas esperas.   Augusto Santos Silva e Berta Nunes estiveram na reunião com o CRE e escutaram as propostas dos conselheiros sobre o ensino do português, representação e eleição do CRE entre outros assuntos. Paula Ferreira – Luxemburgo in “Contacto” 

Macau – O regresso do hóquei em patins feminino à Região


Estão reunidas as condições para que o hóquei em patins feminino volte a ter actividade, após cerca de sete anos de paragem. Regressam algumas jogadoras mais experientes, a que se juntam três da formação. O Asiático é o objectivo principal



Era uma das lacunas da actividade dos últimos anos da Associação de Patinagem de Macau (APM). O hóquei em patins feminino já existiu, mas teve de parar, em especial devido à falta de jogadoras que representassem a selecção.

Cerca de sete anos volvidos, algumas das mais velhas jogadoras, actualmente já na casa dos 30, decidiram voltar a praticar a sério a modalidade e desta feita contam com a ajuda de jovens da formação, o que pode dar garantias em termos de futuro.

“Aceitei a proposta que me foi feita pelo treinador Hélder Ricardo para que reatássemos o hóquei em patins feminino. E aceitei desde logo com a condição de que teria de ser um projecto com futuro, ou seja, para dar continuidade e não para acabar”, disse à Tribuna de Macau o presidente da APM, António Aguiar.

O hóquei feminino foi criado pela primeira vez no território em 1996, com treinos na Caixa Escolar, no Complexo Desportivo do Tap Seac, orientados por Alberto Lisboa, e rapidamente se formou uma equipa para se deslocar, no ano seguinte, ao Campeonato da Ásia, que decorreu na Coreia do Sul, na cidade de Kangnung, onde as “meninas” de Macau conseguiram um excelente segundo lugar. Nomes da fundação: Joana Cal, Rita Macedo, Sónia Silva, Mónica Lai, Inês Barreira, Margarida Ramos, Sara Brás, Liliana Bouça, Ana Ferreira, Rita Santos.

Para não perder a embalagem, a selecção marcou presença no Campeonato do Mundo, em Buenos Aires (Argentina), tendo terminado na 13ª posição, apenas à frente da Índia.

Seguiram-se dificuldades para reunir um número mínimo de jogadoras e assim o hóquei em patins feminino conheceu o primeiro revés, uma paragem que durou até 2005, altura em que as condições se proporcionaram e Macau regressou aos palcos internacionais, com participação em Asiáticos e mais dois Mundiais (Santiago do Chile, 2006, 16º lugar; e Japão, 2008, Yuri-Honjo, 12º lugar). 

Entusiasmo pelo hóquei

O entusiasmo e a adesão de várias praticantes, com quase total renovação da equipa, sempre lideradas pela mais antiga, Sónia Silva, prosseguiu nos anos seguintes, com um lote de hoquistas onde estavam incluídas Catarina Ferreira, Sara D’ Abreu, Patrícia Chaves, Cintia Leite, Shelly Guzman, Dulce Atraca (acumulava com o cargo de preparadora física), Mafalda Paulo, Migaela Dias, Chan Hoi Ian, Lai Chi Ieng, Inês Costa, Liliana Bouça, Catarina Machado, Michelle Ritchie, Palmira Pena, Vanessa Amaro, Vanessa Santos e Joana Freitas. Só que em 2012 deu-se a última participação em competições internacionais, no Asiático da China, em Hefei, onde a formação da RAEM alcançou a terceira posição.

Oito anos depois surge então a terceira fase do hóquei em patins feminino, que António Aguiar praticamente garante que é para arrancar e não parar. “Só temos de assegurar durante dois ou três anos a presença das mais velhas, para depois disso já termos uma nova fornada, vinda da formação, para as ir substituindo, o que certamente garantirá a continuidade do hóquei em patins feminino. Estou esperançado que temos ali matéria prima para sermos uma das três melhores selecções da Ásia”.

O primeiro contacto para que a equipa regressasse à actividade foi em Março de 2019 “e desde logo se notou que havia gente interessada”. Por isso, segundo diz o treinador Hélder Ricardo, “apresentei uma proposta ao presidente António Aguiar, porque era um projecto que toda a gente queria e assim se tornou realidade o regresso do hóquei feminino, que começou os treinos a sério em Janeiro deste ano, mas sem sorte, porque fez apenas três sessões, ao que se seguiu o fecho do recinto, por causa do surto do novo coronavírus”.

Plantel de veteranas com três da formação

A equipa está agora parada, como todo o desporto de Macau, à espera de recomeçar, “dispondo nesta altura de sete jogadoras experientes e mais três jovens da formação, das escolas da Associação de Patinagem, o que faz um total de 10 disponíveis para a selecção”, sublinha Hélder Ricardo, que é também jogador/treinador da equipa masculina.

As duas equipas estavam já a preparar mais um Interport com Cantão, mas foi cancelado, “o que retira rotina de jogo principalmente às mulheres, que, para meu próprio espanto, se apresentaram com muita vontade e mostrando boa qualidade. Por isso posso dizer que tenho sorte de as estar a treinar”, acrescentou.

Tudo aponta assim para que a equipa se estreie em competição no Torneio Internacional de Macau, que deverá decorrer em Julho, tendo como adversário o Japão.

Sara Barrias, é uma das mais antigas que volta a calçar os patins, numa selecção de média de idades acima dos 30 anos e só reduzida um pouco por causa das três jovens da formação, uma de 14 e duas de 15 anos.

“Ainda estive a fazer uns treinos com os rapazes, mas depois suspendi para ser mãe. Sempre gostei de desporto e por isso é uma felicidade enorme regressar. Estávamos entusiasmadas com os primeiros treinos, mas tivemos de parar, quando vínhamos a fazer uma evolução importante. Nós próprias sentimos que estamos melhor do que pensávamos, atendendo à idade da maioria, mas claro que precisamos de competição”, afirmou.

Sara fez dois mundiais, Argentina e Japão, e alguns Asiáticos “e gostava que mantivéssemos o terceiro lugar no Campeonato da Ásia, que conseguimos alcançar há uns anos, mas tudo depende da regularidade dos treinos para a prova que está agendada para este ano, em Outubro na China”. Por outro lado, “era bom que também houvesse o torneio internacional, para podermos ganhar ritmo”.

Actualmente a Índia é a selecção mais forte na Ásia “e tem torneios regularmente, num continente em que tem havido evolução, com a própria China numa fase de recomeço”, refere a jogadora de 34 anos, que integra um novo projecto do hóquei feminino de Macau, ao lado de Sara Abreu, Vanessa Amaro, Cíntia Leite, Vanessa Santos, Amanda Lameiras, Joana Freitas, Carla Ray e Sofia Aguiar.

Logo que os recintos reabram, as mulheres do hóquei vão então voltar a treinar no pavilhão da antiga Universidade de Macau, o mesmo acontecendo com a selecção masculina, também na preparação para os próximos compromissos, os mesmos do feminino, Torneio Internacional da RAEM e Campeonato Ásia-Pacífico.

O “cinco” de Hélder Ricardo tem como principal objectivo reconquistar o título, perdido para a Austrália em 2018, sem qualquer derrota, numa prova que teve lugar na Coreia do Sul e na qual os então pupilos de Alberto Lisboa procuravam a oitava vitória consecutiva e décima primeira no historial do Asiático. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”