Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde abre caminho para tratamentos personalizados contra tumores pediátricos

Investigadores do i3S criaram organoides de tumores cerebrais pediátricos para testar fármacos e avançar em terapias personalizadas mais eficazes e menos tóxicas


Uma equipa de cientistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), liderada por Jorge Lima, conseguiu criar organoides a partir de material cirúrgico de tumores cerebrais pediátricos. Estes mini-tumores cultivados em laboratório mimetizam os tumores originais, o que permitirá identificar os fármacos mais adequados para cada tumor e desenvolver terapias mais eficazes e menos tóxicas. O trabalho, publicado na revista Precision Oncology, abre novas perspetivas para o tratamento personalizado de tumores cerebrais em crianças.

Os tumores cerebrais pediátricos representam a principal causa de morte por cancro na população pediátrica, e a falta de modelos pré-clínicos capazes de refletir a sua complexidade e diversidade tem representado uma barreira significativa para os clínicos. A partir de amostras cirúrgicas, os investigadores do i3S conseguiram estabelecer 20 culturas derivadas de doentes, abrangendo diferentes tipos de tumores, como gliomas de baixo e alto grau, meduloblastomas e até casos raros com alterações genéticas específicas.

Estes organoides, explica Bárbara Ferreira, primeira autora do artigo, «reproduzem fielmente as características morfológicas, genéticas e epigenéticas dos tumores primários, tornando-se ferramentas valiosas não só para testar fármacos e identificar quais os compostos mais eficazes para tratar cada tumor, mas também para estudar a biologia tumoral e avançar na medicina de precisão».

Segundo Jorge Lima, este trabalho, que começou com o apoio da Fundação Rui Osório de Castro e está a ser desenvolvido no grupo do i3S “Cancer Signalling and Metabolism” e no Ipatimup Diagnósticos, representa «um marco» na relação entre investigadores e clínicos: «Através de uma colaboração constante com oncologistas pediátricos, neurocirurgiões pediátricos e patologistas do Hospital de S. João, conseguimos criar uma dinâmica de recolha de amostras e criação de organoides para tratamento e estudo».

Além de permitir estudos mais aprofundados, esta plataforma abre caminho para a criação de um biobanco de organoides, garantindo material para investigação e desenvolvimento de terapias personalizadas. Em conclusão, sublinha Jorge Lima, «estes avanços poderão ajudar a melhorar significativamente os resultados clínicos para crianças com tumores cerebrais». Universidade do Porto - Portugal


Sem comentários:

Enviar um comentário